NÚMEROS INTEIROS
Gustavo Camargo Bérti
Objetivos
O intuito deste texto é auxiliar você a:
● compreender o conceito de número inteiro;
● operar números inteiros e justificar os procedimentos de cálculo.
Iniciando o estudo
Os números inteiros fundamentam-se na ideia de poder representar a falta em
uma subtração de números naturais, como, por exemplo, em 3 − 7, em que faltam 4
quando se deve retirar 7 unidades dentre 3 unidades dadas. Neste estudo vamos
compreender os conceitos acerca do conjunto dos números inteiros, que é uma
ampliação do conjunto dos números naturais que estudamos recentemente.
1 Ideias fundamentais
No conjunto dos números naturais e na subtração 𝑎 − 𝑏, temos que:
● Qualquer número natural pode ser obtido por infinitas subtrações, desde que
𝑎 > 𝑏. Por exemplo:
5 = 6 − 1 = 15 − 10 = 59 − 54 = 136 − 131 = 2000 − 1995 = ⋯
● Quando 𝑎 < 𝑏, podemos observar que “faltam unidades em 𝑏” para que a
operação possa ser realizada.
Por exemplo, nas subtrações 1 − 6, 10 − 15, 54 − 59, 131 − 136, 1995 − 2000
e em infinitas outras “faltam 5 unidades” em 𝑏 para que a operação possa ser
realizada. Essa falta de unidades será simbolizada pelo sinal “-” na frente do número,
portanto todas as subtrações aqui elencadas têm como resultado −5.
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O conjunto dos números inteiros engloba todas as respostas possíveis na
subtração de dois números naturais, considerando, além dos números naturais, as
“faltas”. Tal conjunto é simbolizado por ℤ .
Note que o conjunto dos números inteiros é ilimitado superior e inferiormente:
ℤ = {. . . , −6, −5, −4, −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, . . . }
Geometricamente, cada número inteiro é representado por um ponto em uma
reta de forma que a distância entre dois números inteiros consecutivos seja uma
unidade padrão:
Figura 1 - Representação dos números inteiros em uma reta
Fonte: Elaborado pelo autor
Alguns subconjuntos de ℤ:
ℤ+ = {0, 1, 2, 3, 4, . . . } (inteiros não negativos, equivalente ao conjunto dos
naturais)
ℤ∗+ = { 1, 2, 3, 4, . . . } (inteiros positivos)
ℤ− = {. . . , −4, −3, −2, −1, 0} (inteiros não positivos)
ℤ∗− = {. . . , −4, −3, −2, −1} (inteiros negativos)
ℤ∗ = {. . . , −4, −3, −2, −1,1, 2, 3, 4, . . . } (inteiros não nulos)
O enunciado do Princípio do Menor Inteiro diz que: Todo subconjunto não vazio
de números inteiros limitado inferiormente possui um menor elemento, aquele que está
posicionado mais à esquerda na reta numérica.
Seguem alguns exemplos para compreensão desse enunciado:
● Se A é um conjunto finito tal que 𝐴 = {16, −78, 20, −13, 15}, temos que o
menor elemento de A é -78;
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● Se B é o conjunto dos elementos da progressão aritmética cujo primeiro
termo é -20 e a razão é 5 (note que se trata de um conjunto infinito, porém limitado
inferiormente), temos que o menor elemento de B é -20.
1.1 Oposto de um número inteiro
Dado um número inteiro 𝑎, temos o chamado oposto (ou simétrico) de 𝑎
(notação: −𝑎). Ou seja, refere-se ao número inteiro cuja distância ao 0 na reta
numérica é a mesma que a distância de 𝑎 ao 0. A Figura 2 ilustra pares de números
inteiros que são opostos: 3 e -3, 2 e -2 e 1 e -1.
Figura 2 - Pares de números opostos na reta numérica
Fonte: Elaborado pelo autor
2 Operações
A partir da compreensão dos números inteiros, vamos agora verificar os
procedimentos e justificativas para o cálculo nas quatro operações básicas nesse
contexto.
2.1 Adição
O total obtido em uma adição cujas parcelas são os números inteiros 𝑎 e 𝑏
depende da natureza destas, conforme ilustrado no Quadro 1.
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Quadro 1 - Adição de números inteiros
Fonte: Elaborado pelo autor
Algumas observações a considerar:
● Valem as propriedades comutativa, associativa, da existência do elemento
neutro e do elemento oposto;
● A soma de um número inteiro e seu oposto sempre gera o elemento neutro
0;
● No conjunto dos números inteiros, a adição é uma operação fechada, tendo
em vista que a soma de dois números inteiros sempre gera um número inteiro;
● Geometricamente, a soma 𝑎 + 𝑏 corresponde ao ponto da reta numérica em
que se chega partindo de 𝑎, descolando-se 𝑏 unidades para direita (caso 𝑏 > 0) ou −𝑏
unidades para esquerda (caso 𝑏 < 0). A Figura 3 mostra o fato do resultado da adição
−14 + 20 ser 6.
Figura 3 - Exemplo de adição na reta numérica
Fonte: Elaborado pelo autor
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2.2 Subtração
A subtração de números inteiros 𝑎 − 𝑏 é equivalente à soma 𝑎 + (−𝑏), ou seja,
somar 𝑎 com o oposto de 𝑏. Os exemplos a seguir ilustram tal ideia:
● 13 − 56 = 13 + (−56) = −43
● −13 − (−56) = −13 + 56 = 43
● 13 − (−56) = 13 + 56 = 69
● −13 − 56 = −13 + (−56) = −69
Algumas observações a considerar:
● A subtração não é comutativa nem associativa;
● No conjunto dos números inteiros, a subtração é uma operação fechada,
tendo em vista que a subtração de dois números inteiros sempre gera um número
inteiro;
● Geometricamente, a subtração 𝑎 − 𝑏 corresponde a um deslocamento na
reta numérica partindo de 𝑏, deslocando-se até 𝑎 , considerando-se positivo o
deslocamento para direita e negativo para esquerda. Por exemplo: −14 − (+6) =
−20, pois partindo de 6, precisamos fazer um deslocamento de 20 unidades para a
esquerda para chegar em -14, conforme demonstra a Figura 4.
Figura 4 - Exemplo de subtração na reta numérica
Fonte: Elaborado pelo autor
2.3 Multiplicação
O produto obtido em uma multiplicação, cujos fatores são os números inteiros
𝑎 e 𝑏, depende da natureza destes, conforme o Quadro 2.
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Quadro 2 - Multiplicação de números inteiros
Fonte: Elaborado pelo autor
É importante considerar os seguintes fatos sobre a multiplicação de números
inteiros:
● Valem as propriedades comutativa, associativa, distributiva e da existência
do elemento neutro (1 no caso da multiplicação);
● No conjunto dos números inteiros, a multiplicação é uma operação fechada,
tendo em vista que a soma de dois números inteiros sempre gera um número inteiro;
● Em uma multiplicação de números inteiros é comum realizarmos a
operação pensando nos fatores como sendo números naturais (associando os
opostos no caso de inteiros negativos) e depois definindo o “sinal” pela regra de
sinais, ilustrada do Quadro 3:
Quadro 3 - Regra de sinais da multiplicação
Fonte: Elaborado pelo autor
● Geometricamente, a multiplicação 𝑎 ⋅ 𝑏 corresponde a 𝑎 deslocamentos
consecutivos (quando 𝑎 > 0), a partir do 0 da reta numérica, de 𝑏 unidades (para a
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direita se 𝑏 > 0 e para esquerda se 𝑏 < 0). Caso 𝑎 < 0, fazemos −𝑎 deslocamentos
e depois obtemos o simétrico (oposto) na reta numérica. A Figura 5 traz um exemplo
de multiplicação com um fator positivo e outro negativo e outro com ambos
negativos.
Figura 5 - Exemplos de multiplicação na reta numérica
Fonte: Elaborado pelo autor
2.4 Divisão
De forma análoga à definição que fizemos para números naturais, o quociente
entre dois números inteiros 𝑎 e 𝑏 é o número 𝑐, que ao ser multiplicado por 𝑏, gera o
número 𝑎. Seguem alguns exemplos:
● −9 ÷ 3 = −3
● 12 ÷ (−6) = −2
● −50 ÷ (−5) = 10
● −100 ÷ 8 (O resultado de −100 ÷ 8 não é um número inteiro, pois nenhum
número inteiro multiplicado por 8 gera -100 como resultado).
É importante considerar os seguintes fatos:
● A divisão não é comutativa nem associativa;
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● A divisão não é uma operação fechada no conjunto dos números inteiros,
visto que na maior parte dos casos não é possível encontrar um número 𝑐 que
satisfaça a definição;
● Dada a relação com a multiplicação, a divisão segue a mesma “regra de
sinais”;
● Geometricamente, a divisão 𝑎 ÷ 𝑏 corresponde ao extremo do segmento
mais próximo de 0 obtido quando se divide o segmento com extremos em 0 e em 𝑎
em 𝑏 (ou −𝑏, quando 𝑏 < 0) partes iguais. Caso 𝑎 < 0, consideramos o simétrico ao
ponto obtido no processo anterior. A Figura 6 traz um exemplo de divisão com
dividendo negativo e divisor positivo e outro com ambos negativos.
Figura 6 - Exemplos de divisão na reta numérica
Fonte: Elaborado pelo autor
Concluindo o estudo
Com este estudo você está apto a utilizar e justificar o funcionamento das
propriedades e operações envolvendo números inteiros. A compreensão clara sobre
tais fatos é extremamente importante para o desenvolvimento dos raciocínios
matemáticos ao longo do curso e da futura prática como docente de Matemática.
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Referências utilizadas na elaboração deste material
CARAÇA, B. J. Conceitos Fundamentais de Matemática. Lisboa: Gradiva, 1998.
CARVALHO, N. T. B.; GIMENEZ, C. S. C. Fundamentos de matemática I. Florianópolis:
UFSC/ EAD/CED/CFM, 2009. Disponível em:
<[Link]
Matem%C3%[Link]>. Acesso em 12 dez. 2022.
DOMINGUES, H. H. Fundamentos de aritmética. São Paulo: Atual, 2021.
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