Pericardite
Urgência e Emergência
Isabella, Janaina, João Pedro, João Rafael, José Vitor, Julia Adriane, Julia Albino,
Kauanny, Lara, Leonardo, Livia Aprillanti, Livia Oliveira, Luana, Lucas, Lucio,
Lucyana, Luiza, Luís Guilherme, Maria Carolina, Maria Eduarda Almeida.
REVISÃO ANATÔMICA
É uma membrana fibrosserosa que cobre o coração e o início de seus grandes vasos.
Saco fechado formado por duas camadas:
1. A camada externa, pericárdio fibroso, é contínua com o centro tendíneo do diafragma.
2. A face interna do pericárdio fibroso é revestida por uma membrana serosa, identificado como lâmina
parietal do pericárdio seroso. Essa lâmina é refletida sobre o coração nos grandes vasos como a
lâmina visceral do pericárdio seroso, que forma o epicárdio.
A cavidade do pericárdio é um espaço virtual entre as camadas opostas das lâminas parietal e visceral do
pericárdio seroso. Normalmente contém líquido que permite ao coração se movimentar e bater sem atrito.
REVISÃO ANATÔMICA
A irrigação arterial do pericárdio
provém principalmente de um ramo fino
da artéria torácica interna, a artéria
pericardicofrênica.
A drenagem venosa do pericárdio é
feita por: veias pericardicofrênicas,
tributárias das veias braquiocefálicas (ou
torácicas internas) e tributárias variáveis
do sistema ázigo.
A inervação do pericárdio provém dos
nervos frênicos (C3–C5).
INTRODUÇÃO E DEFINIÇÃO
Pericardite é o processo inflamatório do saco pericárdico e
pode ser de causa primária ou secundária a diversas
doenças sistêmicas.
O pericárdio não é essencial para a função cardíaca, no
entanto, grande acúmulo de líquido na cavidade pericárdica
ou espessamento da membrana pode causar
consequências clínicas significativas.
São utilizados os termos aguda, recorrente e
crônica para classificá-las quanto à duração e
número de episódios.
PERICARDITE:
AGUDA RECORRENTE CRÔNICA
Remissão após 1º episódio Curso prolongado
1º episódio da doença (independente do tempo) (superior a 3 meses)
A PERICARDITE AGUDA É A DOENÇA MAIS COMUM QUE ENVOLVE O PERICÁRDIO.
Se associada á inflamação miocárdica = PERIMIOCARDITE
Responsável por:
0,1% dos pacientes hospitalizados;
5% das autópsias;
5% dos pacientes atenditos com dor torácica.
ETIOLOGIA DA PERICARDITE
Podem ser classificadas em dois grupos: Infecciosas:
Infecciosas e não infecciosas. Idiopática (80% - viral)
Viral - COVID-19
Bacteriana - tuberculose
Fúngica (rara)
Parasitária (rara)
ETIOLOGIA DA PERICARDITE
Podem ser classificadas em
dois grupos:
Infecciosas e
não infecciosas.
Não infecciosas:
Doença autoimune
Neoplásica
Metabólica
Traumática
*Síndrome de Dressler
FISIOPATOLOGIA DA PERICARDITE AGUDA:
PODE SER DIVIDIDA EM:
Aguda
Subaguda
Crônica
Recorrente
Constritiva
FISIOPATOLOGIA DA PERICARDITE
AGUDA:
Desenvolve rapidamente.
Causa inflamação do saco pericárdico.
Derrame pericárdio.
Tamponamento.
Prognóstico:
Desaparecer completamente.
Recidivar.
Tornar-se subaguda ou crônica.
FISIOPATOLOGIA DA PERICARDITE
SUBAGUDA:
Prolongamento da pericardite aguda.
Ocorre semanas ou meses após evento
desencadeante.
Alguns pacientes podem ter constrição
transitória após recuperação da pericardite
aguda.
FISIOPATOLOGIA DA PERICARDITE
CRÔNICA:
Duração maior que 6 meses.
Pode ocorrer após pericardite aguda de qualquer etiologia.
Importante causa de morbidade e mortalidade.
Recorrente: Constritiva:
Episódios repetidos com caráter Folhetos parietal e visceral
incessante ou intermitente. aderem-se ao miocárdio.
Intervalo de 6 semanas. Espessamento intenso e
Pericardite viral, síndrome pós- enrijecimento do pericárdio.
pericardiotomia e pós-IAM. Comprometimento do enchimento
ventricular
Diminui volume de ejeção e débito
cardíaco.
ACHADOS CLÍNICOS
Início rápido
Aguda e intensa
DOR TORÁCICA Tipo facada/pleurítica
Região subesternal/hemitórax esquerdo
Trapézio: sintoma altamente específico de pericardite
Irradiação
Membro superior esquerdo
Fatores de melhora: inclinação para frente - prece maometana
Fatores de piora: decúbito
ACHADOS CLÍNICOS
Sintomas associados:
Dispneia, febre, taquicardia desproporcional a temperatura corporal
Soluços ( ativação do nervo frênico)
Ausculta: atrito pericárdico
borda esternal inferior esquerda Dinâmica - realizar com o paciente
bulhas cardíacas abafadas inclinado para frente
Atrito pericárdico Atrito pleural
Solicitar que o paciente faça uma apneia
Ausência do atrito pleural e continuação do atrito pericárdico
EXAMES COMPLEMENTARES
ECG:
Elevação difusa do segmento ST.
Inversão das ondas T.
Ritmo sinusal baixo.
Complexos QRS de baixa
voltagem.
EXAMES COMPLEMENTARES
Ecocardiograma: RX de Toráx:
Identificação de derrame Aumento da silhueta cardíaca,
pericárdico. sugerindo a presença de derrame
Espessamento pericárdico. pericárdico.
Sinais de inflamação
pericárdica.
Avaliação da função cardíaca.
Ecocardiografia Doppler em projeção paraesternal longitudinal
evidenciando moderado derrame pericárdico (DP).
EXAMES COMPLEMENTARES
Testes Laboratoriais: Biomarcadores Cardíacos:
Hemograma completo. Troponina.
Velocidade de Proteína C reativa (PCR).
hemossedimentação (VHS). Auxilio!!
Dosagem de PCR.
Tomografia Computadorizada (TC) Pericardiocentese e Biópsia
Torácica: Endomiocárdica:
Avaliação de complicações Permite a análise do líquido
como derrame pericárdico e pericárdico e fornecendo
massa pericárdica. informações etiológicas
importantes
DIAGNÓSTICO
Pelo menos dois critérios clínicos:
Dor torácica Atrito pericárdico
Dor torácica (tipicamente aguda,
pleurítica e que melhora ao sentar e
inclinar-se para frente)
Atrito pericárdico (pedimos para que
o paciente segure a respiração e
diferenciamos do pleurítico)
Alterações eletrocardiográficas Alterações eletrocardiográficas
típicas
Presença de derrame pericárdico Derrame
novo ou piora de derrame prévio Pericárdico
Fatores que APOIAM o diagnóstico:
Elevação do PCR apoia o diagnóstico;
Constatação de inflamação pericárdica
através de TC contrastada ou ressonância
contrastada;
OBS: minoria dos casos tem indicação de
pericardiocentese (Tamponamento, suspeita
bacteriana ou neoplásica).
COMPLICAÇÕES Sinal de Kussmaul:
aumento da pressão
Tamponamento Cardíaco venosa jugular durante
Relembrando: cavidade pericárdica inspiração
contém líquido que impede atrito
(cerca de 15-50ml)
Ocorre o tamponamento
Contínuo acúmulo de fluido no cardíaco
espaço pericárdico
Pressão intrapericárdica eleva à um
nível maior que o das pressões Restrição da diástole ventricular e
normais de enchimento das consequente enchimento dos
câmaras direitas ventrículos
Tamponamento Cardíaco
Não é diagnóstico de
Pulso paradoxal: diminuição de
tamponamento cardíaco
até <10mmHg na pressão
Pode ser observado em
arterial sistólica durante a
outros processos
inspiração na posição supina
cardiopulmonares
Ausculta pode estar abafada
Possível sensibilidade em QSD por
congestão venosa hepática
Tríade de Beck: presente em apenas
10 a 40% dos pacientes com
tamponamento
Tamponamento Cardíaco
Manejo
Medida temporária:
Expansão volêmica inicial com solução salina.
Uso temporário de inotrópicos e vasopressores.
Tratamento definitivo:
Pericardiocentese: para aliviar a compressão cardíaca
Realizada introduzindo uma agulha ou cateter no espaço pericárdico para
drenar o líquido acumulado.
Procedimento vital para alívio do tamponamento cardíaco
Indicada em derrames > 20 mm na ecocardiografia
Uso preferencial de ultrassonografia (USG) point-of-care
Quais os DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS?
Dor torácica: sintoma comum e inespecífico;
Diagnóstico Diferencial
1) PNEUMONIA COM PLEURITE
Dispneia como sintoma cardinal;
Dor torácica;
Dor pleurítica associada.
Exame Físico: Atrito pleural em
2) TROMBOEMBOLISMO PULMONAR
ausculta respiratória Dispneia súbita;
Exames complementares: Raio-X Taquicardia e Taquipneia;
(avaliação do aparelho respiratório) Hemoptise;
Exame Físico: Cianose, edema eritematoso em
extremidade;
Exames complementares: Achado de obstrução
da artéria pulmonar em angiografia por TC;
Cintilografia pulmonar; Acometimento do “coração
direito” em ECG;
Diagnóstico Diferencial
3) ISQUEMIA MIOCÁRDICA
Angina estável; Dor pericárdica, possível
irradiação para membros superiores,
palpitações cardíacas, taquicardia, pirose
retroesternal e dispneia;
Exames complementares:
Angiografia Coronariana de Emergência;
Ergométrico: fluxo / função cardíaca; 4) DRGE
Eletrocardiograma: o vetor de repolarização Dor intensa no peito, falta de ar, dor
afasta-se da região de isquemia, abdominal, náuseas, sudorese,
repercutindo principalmente na onda T; queimação, etc.
Exames complementares:
Endoscopia digestiva alta, pHmetria
esofágica, Manometria.
Diagnóstico Diferencial
5) OSTEOCONDRITE
Dor torácica agravada por tosse,
respiração profunda, movimento e 6) DISSECÇÃO DE AORTA
esforço. Dor súbita e extrema (dilacerante)
Exame Físico: Pode mover a caixa podendo levar ao desmaio. Essa dor
torácica e os braços para tentar também é sentida nas costas e entre as
identificar os sintomas. escápulas. Falta de ar, tontura, desmaio
Exames complementares: RM, TC, e paralisia em partes do corpo podem
Raio-X aparecer.
Exame Físico: Sopro de insuficiência
aórtica, assimetria de pulsos e a
diferença de PA entre os membros.
Exames complementares: Radiografias;
Angiografia por TC; Angiografia por RM;
Ecocardiograma transesofágico.
Diagnóstico Diferencial
Tratamento
No tratamento da pericardite aguda, os objetivos da terapia são o alívio da dor, a
resolução da inflamação (e, se presente, o derrame pericárdico) e a prevenção da
recorrência. seguindo os seguintes pontos:
Tratamento - abordagens
A maioria dos casos é autolimitada
PRIMEIRA LINHA
Recomenda-se AINES 1 a 2 semanas ou até o desaparecimento dos sintomas ou normalização da
PCR. AAS é preferível nos casos associados a infarto recente
Associa-se a colchicina de 3-6 meses para reduzir efeitos colaterais dos AINES. Colchicina também
diminui as taxas de recorrencia.
Recomenda-se restringir exercicios
SEGUNDA LINHA
Em casos refratários aos AINES, OU contraindicação aos mesmos considera-se o uso de
corticosteróides de 2 a 6 semanas.
EX: PREDINOSOLONA
Tratamento - abordagens
TERCEIRA LINHA
para casos de pericardite incessante ou recorrente às terapias anteriores, é possível utilizar:
1. agentes imunossupressores/imunomoduladores, como imunoglobulina, azatioprina,
2. inibidores de interleucina 1 (rilonacept).
QUARTA LINHA
Pericardiocentese
Tratamento - abordagens
CASOS ESPECIAIS
Pericardite purulenta (bacteriana) → antibioticoterapia de amplo espectro, a
abordagem exige pericardiocentese. Mesmo com o tratamento, o prognóstico é
ruim.
Pericardite urêmica → O tratamento é diálise de urgência
Pericardite tuberculosa→ A abordagem da terapia antituberculosa para o
tratamento da pericardite tuberculosa é geralmente a mesma da tuberculose
pulmonar. Pode–se adentrar com corticosteroide em caso de paciente com
pericardite tuberculosa constritiva e pacientes com alto risco de pericardite
tuberculosa constritiva. Se persistencia pode ser necessário Pericardiectomia.
1. TRATAMENTO TUBERCULOSE (RIPE - RI): rifampicina(R), isoniazida(I), pirazinamida(P)
e etambutol(E) por 2 meses, seguidos de 4 meses de rifampicina(R) e isoniazida(I)
REFERÊNCIAS
MOORE, Keith L. .Tórax - pericárdio. Anatomia orientada para a clínica 7°ed. Rio de Janeiro:
Koogan, 2014. pp. 185-188.
IMAZIO, M.; LEWINTER, M. M. Acute pericarditis: Tratamento e prognóstico. UpToDate.
BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio et al. Medicina de Emergência: abordagem prática. 17 ed.
Santana de Parnaíba: Manole, 2023.
JATENE, Ieda Biscegli et. al. Tratado de CArdiologia Socesp. 5. ed., rev. e atual. - Santana de
Parnaíba [SP] : Manole, 2022.
Obrigada
pela
atenção!