A bruma matinal cobria as docas de Otari quando uma figura de penas
negras pousou silenciosamente sobre o telhado do Crow’s Casks. Era
Jubileu — olhos atentos como os de um corvo à espreita, capa surrada
balançando ao vento e, em suas costas, cruzadas em bainhas gastas,
repousavam duas companheiras inseparáveis: uma falcata de fio cruel e
uma espada cerimonial de templo, forjada para canalizar precisão e
equilíbrio.
Após meses longe, cumprindo missões para a astuta Yinyasmera, chefe do
Osprey Club e proprietária do Crook’s Nook, Jubileu voltava à cidade que
chamava de lar. Ladino por natureza, espadachim por escolha, tinha
executado com sucesso tarefas que exigiam tanto furtividade quanto lâmina
— e voltava com mais experiência e cicatrizes do que deixara.
Mas o que encontrou não foi a Otari que lembrava. Olhares desconfiados,
becos vazios, e um silêncio inquietante dominavam o vilarejo. Pior: o velho
farol, abandonado há gerações, voltara a emitir uma luz azul-pálida e
espectral. Desde então, rumores de mortos que não permanecem mortos e
aberrações indescritíveis se espalhavam como vinho derramado em uma
mesa de taverna.
No Crow’s Casks, foi recebido com um abraço apertado de sua tia — ou
melhor, sua segunda mãe — Magiloy, a ex-pirata e mestre cervejeira. Ela lhe
serviu uma dose do seu mais novo experimento alcoólico e um aviso velado:
"O mar não é o único que esconde monstros, meu corvinho.".
Jubileu jamais se disse herói, mas sabia reconhecer o peso da
responsabilidade. Com um movimento fluido, ajustou o coldre de suas
espadas — a curva da falcata como um sorriso ameaçador e o brilho austero
da temple sword como um lembrete de disciplina. A luz do farol precisava ser
apagada. Algo antigo e perverso havia despertado… e ele tinha contas a
acertar com a escuridão.