Prática 3
Medida do perı́odo de um pêndulo
simples
3.1 Objetivo
Determinar o perı́odo de um pêndulo simples através do tratamento estatı́stico de um conjunto
de dados.
3.2 Introdução
Nesta experiência vamos medir o perı́odo de oscilação de um objeto preso a um fio que por sua
vez está fixado em um eixo, como esquematizado na figura 3.1. Usaremos um cronômetro para
realizar a medida de perı́odo e a repetição dela nos permitirá observar sua flutuação devida a
erros aleatórios. O processo de medição consiste em acionar o cronômetro em algum momento
inicial predefinido e de novo, num momento final também predefinido. Esses pontos podem
ser os pontos de retorno, por exemplo, já que neles o pêndulo para momentaneamente. Nossa
decisão mental de quando acionar o cronômetros nos leva às vezes a fazê-lo antes e outras vezes
depois do momento correto. Além disso, há erros na identificação dos pontos de retorno, já que
esta será feita visualmente. Assim, mesmo que usemos um cronômetro extremamente preciso,
podemos ter variações entre medidas de um mesmo intervalo de tempo, devido a erros humanos
aleatórios. Ja que as variações são perceptı́veis devemos estimá-las para escrever corretamente
o valor final do perı́odo do pêndulo. Para isso usaremos os métodos estatı́sticos descritos nos
Apêndices B e D aplicando-os a um conjunto grande de medidas.
3.3 Modelo teórico
No modelo do pêndulo simples estudamos a oscilação de uma massa puntual, suspensa por um
fio longo e inextensı́vel, sob a ação da gravidade g, como esquematizado na figura 3.1. Dizemos
que a massa é puntual porque suas dimensões são muito menores que o comprimento do fio.
A oscilação da massa pode ser descrita em termos da variação temporal do ângulo θ conforme
a expressão
2π
θ(t) = θM sen t+φ , (3.1)
T
onde θM é o maior valor de deslocamento angular, T é o perı́odo e φ é a constante de fase,
definida a partir das condições iniciais. Para esta experiência você não precisa se preocupar
com o valor de φ. Se amplitude θM for suficientemente pequena o perı́odo de oscilação pode
ser escrito como s s
h `+R
T = 2π = 2π , (3.2)
g g
onde h é a distância do eixo de oscilação ao centro de massa (CM) do corpo oscilante. Para um
pêndulo esférico de raio R, como o mostrado na figura 3.1, h = ` + R. Desprezando a dissipação
16
3.3 Modelo teórico 17
Figura 3.1: Esquema básico do pêndulo simples.
de energia, a oscilação se dará com amplitude θM constante.
É importante entender a idealização do modelo e como podemos verificar sua adequação à
nossa experiência. Por exemplo, o modelo prevê uma massa de dimensões nulas, um ponto de
massa M. Nossa massa oscilante tem dimensões visı́veis a olho nu, podemos aplicar o modelo
neste caso? A questão toda é a comparação entre as dimensões da massa oscilante e a distância
entre seu CM e o eixo de oscilação, h R, ou melhor, se ` R, o modelo do pêndulo simples
se aplica. O modelo também usa a aproximação senθ ≈ θ. Podemos avaliar esta aproximação
pelo gráfico de θ − senθ mostrado na figura 3.2. A partir de θ ≈ 0, 4 radianos, ou θ ≈ 23o temos
que θ − senθ > 0, 01. Assim, se mantivermos θM < 20o podemos garantir a aproximação até a
segunda casa decimal.
Figura 3.2: Podemos avaliar a adequação da aproximação de pequenas amplitudes neste
gráfico, buscando o valor de desejado para θ − senθ e verificando até que valor
de θ podemos usar.
20 de Março de 2017
3.4 Descrição da experiência 18
3.4 Descrição da experiência
A experiência consiste em medir N valores do perı́odo T de um pêndulo simples, com um
cronômetro, formando o conjunto de dados {T1 , T2 , ...TN }. A análise estatı́stica desses dados
será feita em termos da construção de um histograma e subsequente ajuste de uma gaussiana
a ele.
Para o cálculo do valor teórico será necessário medir o comprimento do fio e o diâmetro da
esfera. A primeira medida será feita com régua e a segunda, com paquı́metro.
Material
• Cronômetro (“temporizador do smartfone”);
• Régua;
• Paquı́metro;
• Pêndulo simples;
• Computador com programa gráfico para análise dos dados.
3.5 Procedimentos experimentais
Planejamento
Em primeiro lugar você deve verificar a precisão e o funcionamento básico de todos os
equipamentos que serão utilizados. Depois siga os seguintes passos:
• Para melhorar a precisão das medidas você deverá medir o tempo total de várias os-
cilações consecutivas. Verifique com seu professor o número de oscilações necessárias.
Para simplificar a notação vamos definir T 0 ≡ nT como sendo o tempo total de n os-
cilações completas;
• Faça um par de medidas para treinar e para verificar se tudo está correto. Corrija o que
for necessário. Verifique que ponto da trajetória do pêndulo serão usado para a medida;
• Teremos que fazer diversos lançamentos equivalentes do pêndulo. Para garantir a re-
produtibilidade do movimento do pêndulo devemos usar amplitudes pequenas, já que o
perı́odo do pêndulo é independente da amplitude para pequenos ângulos. Verifique qual
o maior ângulo que pode ser usado nessa aproximação;
• Não esqueça de medir ` e R.
Realização
Obtenha as medidas de perı́odo e preencha a tabela do formulário de relatório. Essa tabela
devem ser semelhante à mostrada abaixo.
20 de Março de 2017
3.6 Análise dos dados 19
N= Precisão da medida direta de T 0 :
i Ti0 (s) i Ti0 (s) i Ti0 (s) i Ti0 (s)
3.6 Análise dos dados
Siga o roteiro do relatório tendo em mente que:
• A análise estatı́stica pode ser realizada facilmente com o auxı́lio do programa de gráficos,
como explicado nos Apêndices B e D. Use-o para calcular o valor médio e o desvio padrão,
para construir o histograma e para fazer o ajuste gaussiano.;
• Se o cronômetro foi bem escolhido o desvio padrão σP0 deve ser muito maior que a pre-
cisão do instrumento. Isso significa que uma determinada medida de intervalo de tempo,
realizada de forma equivalente, vai ter essa margem de incerteza, devida a erros humanos
aleatórios.;
Bibliografia
[1] B P Flannery, W H Press, S A Teukolsky, and W Vetterling. Numerical recipes in C.
University of Cambridge, New York, 1992.
[2] Paul L Meyer. Probabilidade: aplicações à estatı́stica. Livro Técnico, 1970.
20 de Março de 2017