CONHECIMENTOS HISTÓRICOS
E FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO
AULA 2
A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO
O filosofar espontâneo dos seres humanos, costuma ser chamado de filosofia de vida.
Assim, na vida cotidiana, somos levados a momentos de reflexão, quando retomamos
o significado de nossos atos e pensamentos, a fim de agirmos mais adequadamente.
Embora no dia-a-dia, nós sejamos capazes de refletir, esse ato é muito diferente do
da reflexão exigida pelo autêntico filosofar. Para o professor Dermeval Saviani, “a
filosofia é uma reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) sobre os problemas que a
realidade apresenta”.
Além disso, a filosofia é uma reflexão que considera seu objeto do ponto de vista da
totalidade, sob a perspectiva do conjunto, isto é, o problema nunca é examinado
parcialmente, como é o caso das ciências particulares que tratam de aspectos da
realidade.
Por isso, a filosofia exerce uma importante função de interdisciplinaridade pela qual a
realidade – que foi fragmentada pelo saber especializado da ciência particular ou pelo
saber difuso do homem comum – é resgatada na sua integridade. É ela que reflete
sobre a relação entre ciência e técnica, bem como sobre a relação destas com a moral
e a política. Em linhas gerais, a filosofia é a única disciplina capaz de fazer uma
reflexão crítica e global sobre o saber e a prática do homem.
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E FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO
OBJETIVOS DA AULA
- Reconhecer a importância da Filosofia da Educação como fator crítico para a
compreensão de nossa realidade educacional.
- Analisar as contribuições dos estudos filosóficos acerca do campo da educação no
contexto social.
RESUMO TEÓRICO DO TEMA DA AULA
A Filosofia da Educação é a reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) a respeito dos
problemas que a realidade educacional apresenta. Neste contexto, afirma-se que a
Filosofia da Educação deve partir do conhecimento do contexto vivido, fazendo a
crítica dos valores decadentes, bem como dos novos valores emergentess,
indagando a respeito de que o homem se quer formar.
Para isto, precisa do concurso da história da educação, da pedagogia e das ciências
da educação, e seu papel consiste em acompanhar, reflexiva e criticamente tal
processo.
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Ao ter sempre presente o questionamento sobre o que é educação, a filosofia não
permite que ela se torne adestramento ou qualquer outro tipo de pseudo-educação,
nem que a pedagogia se torne dogmática. Por isso, a Filosofia da Educação é
importante para denunciar as formas ideológicas que utilizam a educação como
instrumento de dominação.
Como já foi dito, o que temos constatado ao longo da história da educação é que,
com frequência, a grande maioria da população ou tem sido discriminada no acesso
à escola, ou enfrenta inúmeras dificuldades no percurso da escolarização.
Gerlamente são dadas diversas explicações para os fenômenos de exclusão,
evasão e repetência mas, na sua maioria, são explicações ideológicas, no sentido
de que os verdadeiros motivos, por vezes ficam escondidos, impedindo a solução
dos problemas.
A ideologia é um fenômeno típico das sociedades divididas em classes, por meio da
qual a classe dominada não percebe a divisão existente e, assumindo os valores de
classe dominante, não atinge a consciência própria da classe a que pertence.
Vejamos como constumam ser explicadas as distorções constatadas, a partir das
categorias ideológicas da naturalização, inversão e abstração.
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Dá-se a naturalização do processo quando a justificação dos fatos supõe que eles
façam parte da natureza das coisas e não sejam o resultado da ação humana ao
estabelecer as relações sociais. Vejamos alguns exemplos: “ para que a sociedade
funcione é preciso que uns saibam e outros executem” ou que “uns mandem e outros
obedeçam”; “desde que o mundo é mundo, existem pobres e ricos”.
Outra forma ideológica de explicação reside no processo de inversão, quando é
colocada como causa o que, na verdade é efeito. Assim, por exemplo, a exclusão,
evasão ou repetência são explicadas por incompetência, ignorância ou falta de
talento dos marginalizados da educação.
Na verdade trata-se de uma inversão porque muitos não têm sucesso na escola, não
por serem ignorantes ou incompetentes, mas porque “tornam-se incompetentes e
ignorantes” graças a divisão social que distribui de forma desigual os bens de que a
sociedade dispõe, inclusive a educação. Isso significa que a maneira pela qual a
educação é oferecida já traz, embutida, a impossibilidade de sua universalização.
Também costuma-se tratar essas questões de uma forma abstrata, ou seja,
teorizando a respeito da educação em si (por exemplo, “a educação é um direito de
todos”) mas sem examinar a situação histórica concreta pela qual a educação está
a serviço de uma determinada classe social.
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Os procedimentos de naturalização, inversão e abstração tendem a camuflar o
caráter político da educação, fazendo também com que a sociedade se apresente
como una e harmônica (e não dividida e com interesses antagônicos), como se todos
partilhassem dos mesmos objetivos e ideais e tivessem iguais chances de
desenvolvimento.
Estas colocações nos levam a refletir sobre o fato de que o fenômeno educacional
não pode ser examinado como se fosse neutro, apolítico, pois estas questões estão
intrinsecamente ligadas aos problemas econômicos, políticos e sociais.
A escola não é uma ilha, mas faz parte do mundo e, nesse sentido, reflete as
disparidades e as lutas sociais. Ignorar este fato é permitir que a escola permaneça
a serviço do status quo, deixando de ser um possível instrumento de transformação.
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INDICAÇÕES DE LEITURA
A Organização da Escola e da Cultura
Pode-se observar que, em geral, na civilização moderna, todas as atividades
práticas se tornaram tão complexas, e as ciências se mesclaram de tal modo à vida,
que toda atividade prática tende a criar uma escola para os próprios dirigentes e
especialistas e, conseqüentemente, tende a criar um grupo de intelectuais
especialistas de nivel mais elevado, que ensinam nestas escolas. Assim, ao lado do
tipo de escola que poderíamos chamar de "humanista" (e que é o tradicional mais
antigo), destinado a desenvolver em cada indivíduo humano a cultura geral ainda
indiferenciada, o poder fundamental de pensar e de saber se orientar na vida, foi-se
criando paulatinamente todo um sistema de escolas particulares de diferente nível,
para inteiros ramos profissionais ou para profissões já especializadas e indicadas
mediante uma precisa individualização.
Pode-se dizer, aliás, que a crise escolar que hoje se agudiza liga-se precisamente
ao fato de que este processo de diferenciação e particularização ocorre de um modo
caótico, sem princípios claros e precisos, sem um plano bem estudado e
conscientemente fixado: a crise do programa e da organização escolar, isto é, da
orientação geral de uma política de formação dos modernos quadros intelectuais, é
em grande parte um aspecto e uma complexificação da crise orgánica mais ampla e
geral.
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A divisão fundamental da escola em clássica e profissional era um esquema racional:
a escola profissional destinava-se às classes instrumentais, ao passo que a clássica
destinava-se às classes dominantes e aos intelectuais. O desenvolvimento da base
industrial, tanto na cidade como no campo, provocava uma crescente necessidade
do novo tipo de intelectual urbano: desenvolveu-se, ao lado da escola clássica, a
escola técnica (profissional mas não manual), o que colocou em discussão o próprio
princípio da orientação concreta de cultura geral, da orientação humanista da cultura
geral fundada sobre a tradição greco-romana. Esta orientação, uma vez posta em
discussão, foi destruida, pode-se dizer, já que sua capacidade formativa era em
grande parte baseada sobre o prestígio geral e tradicionalmente indiscutido de uma
determinada forma de civilização.
A tendência, hoje, é a de abolir qualquer tipo de escola "desinteressada" (não
imediatamente interessada) e "formativa", ou conservar delas tão-somente um
reduzido exemplar destinado a uma pequena elite de senhores e de mulheres que
não devem pensar em se preparar para um futuro profissional, bem como a de
difundir cada vez mais as escolas profissionais especializadas, nas quais o destino
do aluno e sua futura atividade são predeterminados. A crise terá uma solução que,
racionalmente, deveria seguir esta linha: escola única inicial de cultura geral,
humanista, formativa, que equilibre equanimemente o desenvolvimento da
capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o
desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual. Deste tipo de escola única,
através de repetidas experiências de orientação profissional, passar-se-á a uma das
escolas especializadas ou ao trabalho produtivo.
(GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura, p.117-118)
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ATIVIDADES
1) Reflita sobre as linhas gerais de sua filosofia de vida que o orientou a escolher
a graduação que cursa.
2) Relacione trabalho, cultura e educação.
3) O que significa dizer que o fenômeno educacional não é neutro nem apolítico?
4) Qual a importência sobre a Filosofia da Educação?
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