Impactos da Reforma Tributária 2023
Impactos da Reforma Tributária 2023
Visão Geral
1.2. Princípios
A Emenda Constitucional n° 132/2023 acrescentou no § 3° do artigo 145 da Constituição
Federal alguns princípios que devem ser observados no Sistema Tributário Nacional (STN), os quais
elencamos a seguir.
1.2.1. Neutralidade
O princípio da neutralidade, no âmbito da Reforma Tributária, refere-se à ideia de que o sistema
tributário deve interferir o mínimo possível nas decisões econômicas de empresas e consumidores.
Em outras palavras, a tributação não deve distorcer o mercado, alterando escolhas e comportamentos
que, em uma situação ideal, seriam orientados apenas por fatores econômicos e não por incentivos
ou desincentivos fiscais.
Na prática, um sistema tributário neutro não favorece um setor ou atividade econômica em
detrimento de outros, permitindo que a alocação de recursos na economia seja guiada pela eficiência
e produtividade.
O princípio da neutralidade se torna ainda mais relevante quando analisado em conjunto com o
princípio do destino, especialmente no contexto das discussões sobre a reforma tributária e o fim
dos benefícios de ICMS.
1.2.2. Destino
O princípio do destino estabelece que o imposto sobre o consumo deve ser arrecadado no local onde
o bem ou serviço é consumido, e não onde é produzido. Isso visa garantir que os estados e
municípios onde ocorre o consumo tenham direito à arrecadação tributária, em vez de favorecer as
regiões produtoras. Na reforma tributária, essa mudança busca acabar com a chamada "guerra
fiscal", em que estados competem entre si oferecendo benefícios fiscais, especialmente do ICMS,
para atrair empresas.
A neutralidade tributária é impactada diretamente por essa mudança, já que o fim dos benefícios
fiscais, como as isenções e reduções da carga tributária do ICMS, evitaria que decisões empresariais
fossem influenciadas artificialmente por incentivos fiscais. Hoje, muitos investimentos são
direcionados para estados que oferecem condições tributárias mais favoráveis, mesmo que esses
estados não sejam as melhores opções pensando em custos de logística.
Dessa forma, o princípio da neutralidade, combinado com o princípio do destino, cria um ambiente
tributário mais justo e eficiente, favorecendo o desenvolvimento econômico de maneira equilibrada
entre as regiões.
1.2.3. Simplicidade
O princípio da simplicidade, no contexto da reforma tributária, busca garantir que o sistema
tributário seja fácil de entender, administrar e cumprir, tanto para os contribuintes quanto para o
governo. Um sistema tributário simples reduz custos administrativos, minimiza erros e diminui o
risco de evasão fiscal. Além disso, facilita a vida das empresas e dos cidadãos, que não precisam
gastar tempo e recursos excessivos para cumprir suas obrigações fiscais.
A simplificação do sistema tributário, além de reduzir os custos administrativos, também aumenta
a previsibilidade para as empresas, que podem planejar suas operações de forma mais eficiente e
segura. Isso cria um ambiente de negócios mais favorável, estimulando o investimento e o
crescimento econômico.
1.2.4. Transparência
O princípio da transparência, no âmbito da reforma tributária, refere-se à clareza e visibilidade dos
tributos que são pagos pelos contribuintes, tanto no momento do pagamento quanto ao longo de
todo o processo de arrecadação. Um sistema tributário transparente permite que os contribuintes
saibam exatamente o quanto estão pagando, para quais fins esses recursos serão destinados e quais
são os critérios para a cobrança dos tributos.
No sistema tributário brasileiro atual, a falta de transparência é um problema significativo. Muitos
impostos são embutidos no preço final dos produtos e serviços, de forma que os consumidores, na
maioria das vezes, não têm uma noção clara do peso da tributação sobre o consumo.
Além disso, um sistema transparente facilita o controle social sobre o uso dos recursos públicos.
Quando os cidadãos compreendem claramente a estrutura tributária e o destino dos impostos, podem
exercer uma fiscalização mais efetiva sobre o governo, exigindo uma gestão mais eficiente e justa
dos recursos públicos.
1.2.5. Justiça Tributária
O princípio da justiça tributária, ou equidade tributária, no contexto da reforma tributária, diz
respeito à distribuição justa da carga tributária entre os contribuintes. Esse princípio se baseia na
ideia de que os impostos devem ser cobrados de maneira proporcional à capacidade econômica de
cada indivíduo ou empresa, garantindo que aqueles com maior capacidade contributiva paguem
mais, enquanto os que têm menos recursos paguem menos ou sejam isentos.
Uma das maneiras encontradas para promoção da justiça tributária foi a criação do “cashback”, que
consiste na devolução de parte dos tributos às famílias de baixa renda, resultando num menor peso
da tributação sobre os contribuintes com menor capacidade contributiva.
1.2.6. Cooperação
A cooperação entre o fisco e os contribuintes visa criar um ambiente mais eficiente e menos
conflituoso, onde o cumprimento das obrigações fiscais seja visto como uma responsabilidade
mútua. Essa abordagem beneficia ambas as partes: os contribuintes ganham em facilidade e
segurança no cumprimento de suas obrigações, enquanto o fisco aumenta a arrecadação com menos
custos e esforços punitivos.
1.2.7. Defesa do Meio Ambiente
A Reforma Tributária utiliza mecanismos como o Imposto Seletivo e instrumentos diversos, a
exemplo da redução de alíquotas para produtos que sejam menos poluentes, a fim de redefinir o
padrão de consumo dos brasileiros, tornando mais atrativos aqueles produtos que agridam menos o
meio ambiente em relação àqueles que sejam mais prejudiciais.
Desta forma, observa-se que ao longo da Emenda Constitucional n° 132/2023 e da Lei
Complementar n° 214/2025 existem diversos dispositivos com a finalidade de Defesa do Meio
Ambiente.
1.3. Linha do Tempo
Os efeitos das alterações no Sistema Tributário Nacional (STN) começarão a ser sentidos pelos
contribuintes a partir de 01.01.2026, com o início da vigência do IBS e da CBS, com uma alíquota
teste de 0,1% e 0,9%, respectivamente. Durante este período, será possível a compensação dos
valores pagos com o PIS/PASEP e a Cofins ou o ressarcimento.
A partir do ano de 2027, as mudanças serão mais profundas com a extinção do PIS/PASEP e da
Cofins, a redução da alíquota do IPI a zero para a maioria dos produtos, o início da cobrança do
Imposto Seletivo (IS) e a cobrança da CBS com sua alíquota plena, reduzida em 0,1%.
Em relação ao IBS, as maiores mudanças começam a partir de 2029, sendo que o ICMS e o ISS
começarão a ser reduzidos gradativamente até o final de 2032, ao tempo que o IBS será majorado
em uma alíquota suficiente para manter a arrecadação dos respectivos entes federativos, quando,
finalmente, em 2033 o processo de transição será encerrado com a extinção do ICMS e do ISS e a
cobrança do IBS com alíquota plena determinada por cada ente.
Abaixo, resumimos a linha do tempo da Reforma Tributária:
2. Fato Gerador e Incidência
A correta definição do local da operação é importante por diversos fatores. Com a Reforma
Tributária, isso implicará especialmente na aplicação da alíquota correta sobre a operação, uma
vez que os entes federativos poderão estabelecer alíquotas diferentes, além da correta destinação
da arrecadação.
Com isso, o artigo 11 da Lei Complementar n° 214/2025 considera local da operação com:
Bem móvel material
O local da entrega ou disponibilização do bem ao destinatário é considerado o local da operação
em caso de bem móvel material.
Contudo, deve-se observar que em operação realizada de forma não presencial, assim entendida
aquela em que a entrega ou disponibilização não ocorra na presença do adquirente ou
destinatário no estabelecimento do fornecedor, considera-se local da entrega ou disponibilização
do bem ao destinatário o destino indicado pelo adquirente:
a) ao fornecedor, caso o serviço de transporte seja de responsabilidade do fornecedor; ou
b) ao terceiro responsável pelo transporte, caso o serviço de transporte seja de responsabilidade
do adquirente.
Quando o bem material for um veículo automotor terrestre, aquático ou aéreo, considera-se
ocorrida a operação no local do domicílio principal do destinatário.
Ainda, considera-se ocorrida a operação no local onde se encontra o bem móvel material:
a) na aquisição de bem em licitação promovida pelo poder público ou em hasta pública, ainda
que apreendido ou abandonado ou leilão; e
b) na constatação de irregularidade pela falta de documentação fiscal ou pelo acobertamento por
documentação inidônea.
Bem imóvel
O local da operação com bens imóveis ou bem móvel imaterial, inclusive direito, relacionado a
bem imóvel e serviço prestado fisicamente sobre bem imóvel, é o local onde o imóvel estiver
situado.
Caso o bem imóvel esteja situado em mais de um Município, considera-se local do imóvel o
Município onde está situada a maior parte da sua área.
Serviços
Para determinação do local da operação na prestação de serviços, deve-se observar o serviço e a
forma que este é prestado, assim, considera-se local da operação com:
1. serviço prestado fisicamente sobre a pessoa física ou fruído presencialmente por pessoa
física, o local da prestação do serviço;
2. serviço de planejamento, organização e administração de feiras, exposições, congressos,
espetáculos, exibições e congêneres, o local do evento a que se refere o serviço;
3. serviço prestado fisicamente sobre bem móvel material e serviços portuários, o local da
prestação do serviço;
4. serviço de transporte de passageiros, o local de início do transporte;
5. serviço de transporte de carga, o local da entrega ou disponibilização do bem ao destinatário;
6. serviço de exploração de via, mediante cobrança de valor a qualquer título, incluindo tarifas,
pedágios e quaisquer outras formas de cobrança, o território de cada Município e Estado, ou do
Distrito Federal, proporcionalmente à correspondente extensão da via explorada;
7. serviço de telefonia fixa e demais serviços de comunicação prestados por meio de cabos, fios,
fibras e meios similares, o local de instalação do terminal. Nas aquisições realizadas de forma
centralizada por contribuinte sujeito ao regime regular do IBS e da CBS que possui mais de um
estabelecimento e que não estejam sujeitas a vedação à apropriação de créditos, considera-se
como domicílio principal do destinatário o local do estabelecimento matriz do adquirente; e
8. demais serviços e demais bens móveis imateriais, inclusive direitos, e os prestados à
distância, ainda que parcialmente, o local do domicílio principal do adquirente nas operações
onerosas ou do destinatário nas operações não onerosas. Caso o destinatário seja residente ou
domiciliado no exterior, considera-se como local da operação o domicílio do adquirente. Nas
aquisições realizadas de forma centralizada por contribuinte sujeito ao regime regular do IBS e
da CBS que possui mais de um estabelecimento e que não estejam sujeitas a vedação à
apropriação de créditos, considera-se como domicílio principal do destinatário o local do
estabelecimento matriz do adquirente.
Quando se tratar de serviços de profissão intelectual que não sejam prestados fisicamente sobre
a pessoa física, deve se considerar o local do domicílio principal o destinatário.
Por fim, a Lei Complementar n° 214/2025, em seu artigo 11, § 3°, define como domicílio
principal do destinatário:
a) o local constante do cadastro com identificação única, que deverá considerar:
1. para as pessoas físicas, o local da sua habitação permanente ou, na hipótese de inexistência ou
de mais de uma habitação permanente, o local onde as suas relações econômicas forem mais
relevantes; e
2. para as pessoas jurídicas e entidades sem personalidade jurídica, conforme aplicável, o local
de cada estabelecimento para o qual seja fornecido o bem ou serviço;
b) na hipótese de adquirente ou destinatário não regularmente cadastrado, o que resultar da
combinação de ao menos dois critérios não conflitantes entre si, à escolha do fornecedor, entre
os seguintes:
1. endereço declarado ao fornecedor;
2. endereço obtido mediante coleta de outras informações comercialmente relevantes no curso
da execução da operação;
3. endereço do adquirente constante do cadastro do arranjo de pagamento utilizado para o
pagamento da operação; e
4. endereço de Protocolo de Internet (IP) do dispositivo utilizado para contratação da operação
ou obtido por emprego de método de geolocalização;
Caso a autoridade tributária constate que as informações prestadas pelo adquirente estejam
incorretas e resultem em pagamento a menor do IBS e da CBS, a diferença será exigida do
adquirente, com acréscimos legais.
Frisa-se que, não sendo possível determinar o local da operação conforme as regras acima, será
considerado o endereço do destinatário declarado ao fornecedor.
c) nas operações com abastecimento de água, gás canalizado e energia elétrica, considera-se
como local da operação:
1. o local da entrega ou disponibilização, nas operações destinadas a consumo;
2. o local do estabelecimento principal do adquirente.
2.3. Incidência
O artigo 4° da Lei Complementar n° 214/2025 regula a incidência do IVA Dual, estabelecendo
uma base de incidência bastante ampla. Assim, os tributos incidirão tanto sobre operações
onerosas com bens e serviços quanto sobre operações não onerosas, desde que expressamente
previstas na legislação.
Além disso, para reafirmar a amplitude da base de incidência do IVA, o artigo 4°, § 2°, da Lei
Complementar n° 214/2025 define operação onerosa com bens ou com serviços qualquer
fornecimento com contraprestação, inclusive aquele decorrente de:
a) compra e venda, troca ou permuta, dação em pagamento e demais espécies de alienação;
b) locação;
c) licenciamento, concessão, cessão;
d) mútuo oneroso;
e) doação com contraprestação em benefício do doador;
f) instituição onerosa de direitos reais;
g) arrendamento, inclusive mercantil; e
h) prestação de serviços.
O § 4° do referido artigo 4° resume que o IBS e a CBS incidem sobre qualquer operação com
bem ou com serviço realizada pelo contribuinte, inclusive as com ativo não circulante ou no
exercício da atividade econômica não habitual.
Ainda, o § 3° do mesmo artigo esclarece que, para caracterização da operação, os seguintes
aspectos são irrelevantes:
Aspectos Explicação
Cumprimento de
Não importa se a operação cumpre ou não
exigências legais,
todas as exigências legais, regulamentares
regulamentares ou
ou administrativas.
administrativas
Por fim, ainda que uma operação fique sujeita a incidência do IBS e da CBS, isso não altera a
base de cálculo do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, de Quaisquer Bens ou
Direitos (ITCMD) e do Imposto sobre Transmissão Inter Vivos, a Qualquer Título, por Ato
Oneroso, de Bens Imóveis, por Natureza ou Acessão Física, e de Direitos Reais sobre Imóveis
(ITBI).
2.3.1. Operações Não Onerosas
O artigo 5° da Lei Complementar n° 214/2025 estabelece que o IBS e a CBS também incidem
sobre as operações a seguir, ainda que não onerosas:
Bens e serviços para uso e consumo pessoal
Segundo o artigo 57 da Lei Complementar n° 214/2025, consideram-se de uso ou consumo
pessoal:
a) joias, pedras e metais preciosos;
b) obras de arte e antiguidades de valor histórico ou arqueológico;
c) bebidas alcoólicas;
d) derivados do tabaco;
e) armas e munições; e
f) bens e serviços recreativos, esportivos e estéticos.
Porém, o § 3° do mesmo artigo faz a ressalva de que os bens previstos nas alíneas “a” a “d” que
sejam comercializados ou utilizados para a fabricação de bens a serem comercializados não se
consideram como de uso ou consumo pessoal. Para as armas e munições também se aplica essa
regra, além da possibilidade em que elas sejam utilizadas por empresas de segurança.
Já no caso dos bens e serviços recreativos, esportivos e estéticos, não se consideram de uso ou
consumo pessoal quando sejam comercializados ou utilizados para a fabricação de bens a serem
comercializados ou sejam utilizados exclusivamente em estabelecimento físico pelos seus
clientes.
No fornecimento não oneroso ou a valor inferior ao de mercado de bens e serviços para uso e
consumo pessoal haverá a incidência do IVA Dual, caso no momento da aquisição do bem ou do
serviço a pessoa tenha se creditado.
A previsão se aplica quando os bens e os serviços adquiridos sejam fornecidos para:
a) o próprio contribuinte, quando este for pessoa física;
b) as pessoas físicas que sejam sócios, acionistas, administradores e membros de conselhos de
administração e fiscal e comitês de assessoramento do conselho de administração do
contribuinte previsto em lei;
c) os empregados dos contribuintes elencados acima;
d) os cônjuges, companheiros ou parentes, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau, das
pessoas físicas indicadas nas alíneas anteriores.
Conforme previsto no artigo 57, § 1°, da Lei Complementar n° 214/2025, consideram-se bens e
serviços de uso ou consumo pessoal, entre outros:
1. bem imóvel residencial e os demais bens e serviços relacionados à sua aquisição e
manutenção; e
2. veículo e os demais bens e serviços relacionados à sua aquisição e manutenção, inclusive
seguro e combustível.
Bens e serviços que não se consideram como de uso e consumo pessoal
Segundo o § 3°, inciso IV, do artigo 57 da Lei Complementar n° 214/2025, não são
considerados bens e serviços de uso e consumo pessoal aqueles que consistam em:
1. uniformes e fardamentos;
2. equipamentos de proteção individual;
3. alimentação e bebida não alcoólica disponibilizada no estabelecimento do contribuinte para
seus empregados e administradores durante a jornada de trabalho; e
4. serviços de saúde disponibilizados no estabelecimento do contribuinte para seus empregados
e administradores durante a jornada de trabalho;
5. serviços de creche disponibilizados no estabelecimento do contribuinte para seus empregados
e administradores durante a jornada de trabalho;
6. serviços de planos de assistência à saúde e de fornecimento de vale-transporte, de vale-
refeição e vale-alimentação destinados a empregados e seus dependentes em decorrência de
acordo ou convenção coletiva de trabalho, sendo os créditos na aquisição desses serviços
equivalentes aos respectivos débitos do fornecedor apurados e extintos de acordo com o
disposto nos regimes específicos de planos de assistência à saúde e de serviços financeiros; e
7. benefícios educacionais a seus empregados e dependentes em decorrência de acordo ou
convenção coletiva de trabalho, inclusive mediante concessão de bolsas de estudo ou de
descontos na contraprestação, desde que esses benefícios sejam oferecidos a todos os
empregados, autorizada a diferenciação em favor dos empregados de menor renda ou com maior
núcleo familiar.
Com as regras elencadas acima, verifica-se a necessidade de se analisar a destinação que o bem
ou o serviço terá para correta apuração de créditos, já que, caso a destinação seja para uso e
consumo pessoal das pessoas citadas antes, o crédito acabará por ser anulado quando da
incidência do IVA Dual sobre o fornecimento.
Fornecimento de brindes e bonificações
O artigo 5°, inciso II, da Lei Complementar n° 214/2025 prevê que o IBS e a CBS incidem
sobre o fornecimento de brindes e bonificações.
A incidência não se aplica às bonificações que constem do respectivo documento fiscal e não
dependam de evento posterior. Porém, aplica-se ao bem dado em bonificação que estiver sujeito
a alíquota específica por unidade de medida.
Transmissões para sócio ou acionista
O artigo 5°, inciso III, da Lei Complementar n° 214/2025 prevê ainda a incidência do IVA Dual
nas transmissões, pelo contribuinte, para sócio ou acionista que não seja contribuinte no regime
regular, por devolução de capital, dividendos in natura ou de outra forma, de bens cuja
aquisição tenha permitido a apropriação de créditos pelo contribuinte.
A intenção é evitar que a apropriação de créditos no regime do IVA, que normalmente permite a
compensação de tributos, resulte em benefícios indevidos nas transmissões para pessoas físicas
ou jurídicas que não são contribuintes desse imposto.
Demais operações
De forma a evitar lacunas na legislação, o inciso IV do artigo 5° da Lei Complementar n°
214/2025 prevê que os demais fornecimentos não onerosos ou a valor inferior ao de mercado de
bens e serviços por contribuinte a parte relacionada também ficam sujeitos à incidência do IVA
Dual.
2.3.2. Não Incidência
A não incidência do IVA Dual está prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 214/2025, que
determina que o imposto não deve incidir sobre:
a) fornecimento de serviços por pessoas físicas em função de relação de emprego com o
contribuinte ou sua atuação como administradores ou membros de conselhos de administração e
fiscal e comitês de assessoramento do conselho de administração do contribuinte previsto em
lei;
b) transferência de bens entre estabelecimentos pertencentes ao mesmo contribuinte, observada
a obrigatoriedade de emissão de documento fiscal eletrônico;
c) baixa, liquidação e transmissão, incluindo alienação, de participação societária, ressalvado o
estabelecido no inciso III do artigo 5° da Lei Complementar n° 214/2025;
d) transmissão de bens em decorrência de fusão, cisão e incorporação e de integralização e
devolução de capital, ressalvado o estabelecido no inciso III do artigo 5° da Lei Complementar
n° 214/2025;
e) rendimentos financeiros, com exceção das hipóteses previstas no regime específico e da regra
de apuração da base de cálculo prevista no inciso II do § 1° do artigo 12 da Lei Complementar
n° 214/2025;
f) recebimento de dividendos e de juros sobre capital próprio, de juros ou remuneração ao
capital pagos pelas cooperativas e os resultados de avaliação de participações societárias,
ressalvado o estabelecido no inciso III do artigo 5° da Lei Complementar n° 214/2025;
g) demais operações com títulos ou valores mobiliários, com exceção do disposto no regime
específico de serviços financeiros;
h) doações sem contraprestação em benefício do doador;
i) transferências de recursos públicos e demais bens públicos para organizações da sociedade
civil constituídas como pessoas jurídicas sem fins lucrativos no País, por meio de termos de
fomento, termos de colaboração, acordos de cooperação, termos de parceria, termos de
execução descentralizada, contratos de gestão, contratos de repasse, subvenções, convênios e
demais instrumentos celebrados pela administração pública direta, por autarquias e por
fundações públicas;
j) destinação de recursos por sociedade cooperativa para os fundos de reserva e de assistência
técnica, educacional e social das sociedades cooperativas, e reversão dos recursos dessas
reservas; e
k) distribuição das sobras por sociedade cooperativa aos associados, apuradas em demonstração
do resultado do exercício, exceto em relação a transmissões, pelo contribuinte, para sócio ou
acionista que não seja contribuinte no regime regular, por devolução de capital, dividendos in
natura ou de outra forma, de bens cuja aquisição tenha permitido a apropriação de créditos pelo
contribuinte.
O IBS e a CBS incidem sobre o conjunto de atos ou negócios jurídicos envolvendo as hipóteses
previstas nas alíneas "c" a "g" que constituam, na essência, operação onerosa com bem ou com
serviço.
No caso das doações, quando o doador, no momento da aquisição, tiver se creditado, na
ocorrência da doação, a doação será tributada, ou, alternativamente, os créditos deverão ser
anulados.
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O princípio da legalidade tributária, previsto no artigo 150, inciso I, da CF/88, garante que o
contribuinte não pode ser obrigado a pagar tributos que não estejam previstos em lei. Em outras
palavras, nenhum órgão governamental pode exigir a cobrança de um tributo sem que ele esteja
claramente definido e regulamentado em seu campo de incidência.
Considerando o disposto no artigo 4° da Lei Complementar n° 214/2025, as operações com
amostras grátis estão fora do campo de incidência do IBS e da CBS, e, portanto, não estão
sujeitas à tributação, exceto na situação narrada acima, na qual o adquirente apropriou créditos
na aquisição dos itens doados.
No entanto, considerando que essas operações são práticas comuns no mercado, é esperado que
a legislação estabeleça orientações específicas para regulamentá-las, assegurando clareza e
segurança jurídica aos contribuintes, mesmo quando não há incidência dos tributos.
2.3.3. Fornecimento de diferentes bens e de serviços em uma mesma operação
Conforme o artigo 7° da Lei Complementar n° 214/2025 nas operações em que haja o
fornecimento simultâneo de diferentes bens e serviços, é obrigatória a especificação de cada
fornecimento e de seu respectivo valor, exceto quando:
a) todos os fornecimentos estiverem sujeitos ao mesmo tratamento tributário; ou
b) algum dos fornecimentos puder ser considerado principal e os demais seus acessórios,
situação na qual o fornecimento principal será considerado como único, aplicando-se o
tratamento tributário correspondente a este.
2.4. Imunidade
A imunidade tributária é uma limitação constitucional ao poder de tributar conferido à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. Em outras palavras, embora a Constituição
Federal de 1988 atribua competências tributárias a esses entes, a imunidade atua como uma
exceção, restringindo determinadas situações ou entes da incidência de tributos, assegurando
proteção a valores fundamentais, como educação, liberdade religiosa e outros direitos
essenciais.
Assim, a Lei Complementar n° 214/2025 disciplinou essas hipóteses de imunidade tributária em
seu texto jurídico, detalhando as situações específicas em que não haverá a cobrança de tributos,
conforme os princípios e garantias estabelecidos pela CF/88. Essa regulamentação visa garantir
maior clareza e segurança jurídica na aplicação da imunidade tributária no novo sistema
tributário.
2.4.1. Exportação
O artigo 8° da Lei Complementar n° 214/2025 prevê a imunidade do IBS e da CBS nas
exportações de bens e de serviços, em consonância com os artigos 156-A, § 1°, inciso III,
e 195, § 16, da Constituição Federal.
As exportações são imunes de impostos no Brasil por razões econômicas e constitucionais. Essa
imunidade tem como base o incentivo à competitividade internacional e a promoção das
exportações, garantindo que os produtos brasileiros possam competir em condições de
igualdade com produtos de outros países.
Ao desonerar as exportações de tributos, o governo incentiva a produção e o investimento em
setores voltados ao mercado externo, o que gera empregos, inovação e desenvolvimento
industrial.
Por fim, ao promover exportações, o país gera entrada de divisas estrangeiras, o que fortalece a
balança comercial, impulsiona o crescimento econômico e ajuda a equilibrar a economia
nacional.
2.4.2. Outras Imunidades
Conforme o artigo 9º da Lei Complementar n° 214/2025, também são imunes ao IBS e à CBS:
Hipóteses
3. Apuração e Recolhimento
Além disso, com a implementação dessa sistemática, o crédito tributário estará diretamente
vinculado ao pagamento do IBS e CBS pelo fornecedor. Caso esse pagamento não seja realizado, o
adquirente perderá o direito de utilizar o crédito para abater seu imposto.
Impactos
O split payment surge como uma ferramenta eficiente no contexto da Reforma Tributária,
direcionando automaticamente a parcela do tributo ao governo, minimizando os riscos de sonegação
fiscal, inadimplência e fraudes. Esse mecanismo garante que o IBS e a CBS sejam recolhidos de
forma automática, mesmo que o pagamento não seja realizado pelo fornecedor. Ao efetuar o
pagamento da transação comercial, o tributo é deduzido e repassado ao governo, assegurando o
crédito ao adquirente, enquanto o saldo remanescente é transferido ao fornecedor.
A expectativa é que o split payment traga diversos impactos positivos, dentre os quais destacamos:
a) Eliminação do devedor contumaz: Contribuinte que, de forma repetida e intencional, deixa de
cumprir suas obrigações tributárias, uma vez que o imposto passa a ser recolhido automaticamente;
b) Erradicação das "empresas noteiras": Empresas criadas em nome de "laranjas" para emitir notas
fiscais de operações fictícias, visando gerar créditos tributários sem efetuar o pagamento de
impostos;
c) Redução de impostos para contribuintes adimplentes: com a diminuição do gap de conformidade,
contribuintes que cumprem regularmente suas obrigações tributárias poderão ser beneficiadas com
uma alíquota reduzida, uma vez que o número de contribuintes será maior.
No entanto, o split payment também traz desafios, especialmente em relação ao fluxo de caixa das
empresas. Ao separar o valor do tributo no momento da liquidação financeira, pode haver impacto
sobre o capital de giro, principalmente para pequenas e médias empresas. Outro ponto crítico está
relacionado às devoluções e cancelamentos, em que o governo precisará agir com eficiência e
transparência para devolver os tributos pagos de forma rápida. Caso contrário, as empresas poderão
enfrentar prejuízos financeiros, comprometendo suas operações.
3.5.4. Recolhimento pelo Adquirente
Conforme dispõe o artigo 36 da Lei Complementar n° 214/2025, o pagamento do IBS e da CBS
incidentes sobre a operação poderão ser efetuados pelo adquirente de bens ou de serviços, desde que
inscrito no regime regular. A opção será feita exclusivamente mediante o recolhimento, pelo
adquirente, do IBS e da CBS incidentes sobre a operação.
O valor recolhido será utilizado exclusivamente para pagamento do valor ainda não pago do IBS e
da CBS cobrados nas respectivas operações. Sendo este valor excedente, será transferido ao
contribuinte em até três dias úteis.
3.5.5. Pagamento pelo Responsável
Conforme o artigo 37 da Lei Complementar n° 214/2025, aplica-se o disposto no artigo 29 da
referida Lei, no que couber, ao pagamento do IBS e da CBS por aquele a quem esta Lei
Complementar atribuir a condição de responsável. Ou seja, as mesmas regras aplicáveis ao
pagamento pelo contribuinte.
4. Não Cumulatividade
4.1. Visão geral
A não cumulatividade prevista na Reforma Tributária, tanto pela Emenda Constitucional n°
132/2023 quanto pela Lei Complementar n° 214/2025, tem o objetivo de desonerar o setor produtivo
e de trazer a neutralidade do sistema tributário. Assim, através deste sistema, o contribuinte poderá
se apropriar de crédito tributário sobre o imposto pago nas suas aquisições de bens e de serviços, de
forma tal que o custo de aquisição dos bens e serviços será o valor líquido, anulando a tributação
incidente quando da aquisição deste.
Por exemplo, considerando que a empresa EcoCliente adquire um serviço de internet pelo preço de
R$ 100,00, e que no local da sua sede a alíquota do IVA dual seja de 28%, o valor a ser desembolsado
pelo contribuinte será de R$ 128,00 (R$ 100,00 + R$ 28,00), contudo, a EcoCliente terá direito a
um crédito de R$ 28,00, de forma que o custo final do serviço contratado será de R$ 100,00.
Porém, para que realmente ocorra a desoneração do setor produtivo, se faz necessário que a não
cumulatividade seja “plena”, ou seja, que não existam restrições para o creditamento, como
atualmente ocorre para PIS/Pasep, Cofins, IPI e ICMS. Desta forma, o inciso VIII do § 1° do artigo
156-A da CF/88 e o artigo 47 da Lei Complementar n° 214/2025 preveem que a não cumulatividade
somente não se aplicará nas aquisições consideradas de uso e consumo pessoal, além de outras
hipóteses específicas previstas nesta Lei.
Outro ponto importante é que, segundo os artigos 47 e 48 da Lei Complementar n° 214/2025, o
crédito fica vinculado à extinção dos débitos tributários relativos às operações de aquisição. Ou seja,
para que o adquirente de um bem ou serviço possa se apropriar do crédito, o débito tributário
incidente na operação de aquisição deve ser extinto.
Considera-se ocorrida a extinção do crédito tributário referente ao IBS e à CBS por meio de qualquer
das modalidades previstas no artigo 27 da Lei Complementar n° 214/2025. Nas hipóteses de
diferimento ou suspensão, o creditamento será admitido somente no momento do efetivo
pagamento.
O adquirente deverá estornar o crédito apropriado caso o bem adquirido venha a perecer, deteriorar-
se ou ser objeto de roubo, furto ou extravio. No caso de roubo ou furto de bem do ativo imobilizado,
o estorno será feito proporcionalmente ao prazo de vida útil e às taxas de depreciação definidos em
regulamento.
O contribuinte do IBS e da CBS no regime regular poderá creditar-se dos tributos pagos em
decorrência da operação quando receber bens materiais em devolução ou em virtude de
cancelamento de operações com bens e com serviços, por pessoa que não seja contribuinte do IBS
e da CBS no regime regular.
A realização de operações sujeitas a alíquota reduzida não acarretará o estorno, parcial ou integral,
dos créditos apropriados pelo contribuinte em suas aquisições, salvo nos casos expressamente
previstos na Lei Complementar n° 214/2025.
O contribuinte do regime regular poderá apropriar crédito dos tributos pagos relativos a
fornecimentos de bens e serviços não pagos por adquirente que tenha a falência decretada, desde
que:
a) a aquisição do bem ou serviço não tenha permitido a apropriação de créditos pelo adquirente;
b) o crédito conste da contabilidade do contribuinte desde o período de apuração em que ocorreu o
fato gerador do IBS e da CBS; e
c) o pagamento dos credores tenha sido encerrado de forma definitiva.
4.2. Segregação
Tendo em vista que o IBS é de competência compartilhada entre os Estados, os Municípios e o
Distrito Federal e a CBS é de competência da União, conforme estabelecido no inciso I do §
1° do artigo 47 da Lei Complementar n° 214/2025, é necessário segregar os valores dos créditos
destes tributos, vedadas, em qualquer hipótese, a compensação de créditos de IBS com valores
devidos de CBS e a compensação de créditos de CBS com valores devidos de IBS.
4.3. Documento fiscal
Segundo o inciso II do § 1° do artigo 47 da Lei Complementar n° 214/2025, a apropriação dos
créditos está condicionada à comprovação da operação por meio de documento fiscal eletrônico
hábil e idôneo.
Ainda, em observância aos §§ 2° e 3° do referido artigo, os valores dos créditos do IBS e da CBS
apropriados corresponderão aos valores, respectivamente, do IBS e da CBS destacados no
documento fiscal em relação às aquisições, inclusive, quando do fornecimento por optante pelo
Simples Nacional, ou ao crédito presumido, quando for o caso.
4.4. Aquisição de combustíveis
Nas aquisições de combustíveis tributados no regime específico destes, fica dispensada a
comprovação da extinção do débito tributário do IBS e da CBS sobre a aquisição para apropriação
dos créditos, que, quando permitidos, serão equivalentes aos valores do IBS e da CBS registrados
em documento fiscal eletrônico hábil e idôneo, conforme dispõe o § 4° do artigo 47 da Lei
Complementar n° 214/2025.
4.5. Simples Nacional
Em observância ao artigo 47, §§ 3° e 9° da Lei Complementar n° 214/2025, o optante pelo Simples
Nacional poderá optar por se inscrever no regime regular do IBS e da CBS, situação na qual poderá
apurar créditos das suas aquisições, seguindo as regras aplicáveis aos demais regimes. Contudo,
quando o contribuinte não fizer a opção pela inscrição no regime regular, não será permitida a
apropriação de créditos, mas será permitida ao contribuinte sujeito ao regime regular apropriação
de créditos correspondentes aos valores pagos na aquisição de bens e de serviços de optante pelo
Simples Nacional, em montante equivalente ao devido por meio desse regime.
Ressalta-se que, atualmente, a apropriação de créditos repassados pelo contribuinte do ICMS já
ocorre dessa forma. Ou seja, o contribuinte do regime normal realiza a apropriação proporcional
dos créditos do imposto conforme o percentual efetivamente recolhido pelo contribuinte do Simples
Nacional.
Contudo, no caso do regime não cumulativo de PIS/Pasep e Cofins, o crédito concedido ao
adquirente é, em regra, de 9,25%, independente do regime de apuração adotado do fornecedor ou
prestador de serviço. Assim, ainda que o optante pelo Simples Nacional tenha uma alíquota
significativamente inferior de PIS/Pasep e Cofins, o adquirente pode apurar o mesmo crédito que
obteria ao adquirir de um contribuinte enquadrado no Lucro Presumido, Lucro Arbitrado ou Lucro
Real.
4.6. Vedação ao creditamento
Vedação
Conforme o artigo 47 da Lei Complementar n° 214/2025, fica vedada a apropriação de créditos do
IBS e da CBS sobre a aquisição dos bens e serviços considerados de uso e consumo pessoal. Já
o artigo 57 elenca quais são os bens e serviços que serão considerados de uso e consumo pessoal:
a) joias, pedras e metais preciosos;
b) obras de arte e antiguidades de valor histórico ou arqueológico;
c) bebidas alcoólicas;
d) derivados do tabaco;
e) armas e munições; e
f) bens e serviços recreativos, esportivos e estéticos.
Além destes, também considera-se como bens e serviços de uso e consumo pessoal aqueles
adquiridos ou produzidos pelo contribuinte e fornecidos de forma não onerosa ou a valor inferior ao
de mercado para:
a) o próprio contribuinte, quando este for pessoa física;
b) as pessoas físicas que sejam sócios, acionistas, administradores e membros de conselhos de
administração e fiscal e comitês de assessoramento do conselho de administração do contribuinte
previstos em lei;
c) os empregados dos contribuintes indicados acima; e
d) os cônjuges, companheiros ou parentes, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau, das pessoas
físicas referidas nas alíneas a, b e c deste inciso.
No caso de sociedade que tenha como atividade principal a gestão de bens das pessoas físicas e dos
ativos financeiros dessas pessoas físicas (family office), os bens e serviços relacionados à gestão
serão considerados de uso e consumo pessoal.
Ainda, destacamos que conforme o § 3° do artigo 57 da Lei Complementar n° 214/2025, não se
consideram bens e serviços de uso ou consumo pessoal aqueles utilizados preponderantemente na
atividade econômica do contribuinte, caso:
a) os bens previstos nas alíneas “a” a “d” do inciso I do artigo 57 que sejam comercializados ou
utilizados para a fabricação de bens a serem comercializados;
b) as armas e munições se enquadrem na hipótese mencionada acima ou sejam utilizados por
empresas de segurança;
c) os bens e serviços recreativos se enquadrem na hipótese mencionada na alínea "a" deste item ou
sejam utilizados exclusivamente em estabelecimento físico pelos seus clientes;
d) os bens e serviços que são fornecidos de forma não onerosa ou a valor inferior ao de mercado
para as pessoas elencadas anteriormente que consistam em:
uniformes e fardamentos;
equipamentos de proteção individual;
alimentação e bebida não alcoólica disponibilizada no estabelecimento do contribuinte para
seus empregados e administradores durante a jornada de trabalho;
serviços de saúde disponibilizados no estabelecimento do contribuinte para seus
empregados e administradores durante a jornada de trabalho;
serviços de creche disponibilizados no estabelecimento do contribuinte para seus
empregados e administradores durante a jornada de trabalho;
serviços de planos de assistência à saúde e de fornecimento de vale-transporte, de vale-
refeição e vale-alimentação destinados a empregados e seus dependentes em decorrência
de acordo ou convenção coletiva de trabalho, sendo os créditos na aquisição desses serviços
equivalentes aos respectivos débitos do fornecedor apurados e extintos conforme o disposto
nos regimes específicos de planos de assistência à saúde e de serviços financeiros;
benefícios educacionais a seus empregados e dependentes em decorrência de acordo ou
convenção coletiva de trabalho, inclusive mediante concessão de bolsas de estudo ou de
descontos na contraprestação, desde que esses benefícios sejam oferecidos a todos os
empregados, autorizada a diferenciação em favor dos empregados de menor renda ou com
maior núcleo familiar.
e) outros bens e serviços que obedeçam a critérios estabelecidos no regulamento.
Desta forma, caso o adquirente desses bens e serviços tenham feito a apropriação de créditos, serão
exigidos débitos em valores equivalentes aos dos créditos, com os acréscimos legais, calculados
desde a data da apropriação.
Ainda, fica estabelecido no § 7º do artigo 57 da Lei Complementar n° 214/2025 que na hipótese de
fornecimento de bem do contribuinte para utilização temporária pelas pessoas físicas, serão exigidos
débitos em valores equivalentes aos dos créditos, calculados proporcionalmente ao tempo de vida
útil do bem em relação ao tempo utilizado pelo contribuinte, com os acréscimos legais.
Por fim, vale ressaltar que com relação ao crédito sobre os dispêndios com a contratação de planos
de assistência à saúde, segundo o artigo 238 da referida Lei, o valor do crédito não alcança a parcela
dos prêmios e contraprestações cujo ônus financeiro tenha sido repassado aos empregados.
Crédito "para frente"
Consoante o artigo 49 da Lei Complementar n° 214/2025, as operações imunes, isentas ou sujeitas
a alíquota zero, o diferimento ou a suspensão não permitirão a apropriação de crédito para os
adquirentes dos bens e serviços, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas na Lei
mencionada.
No caso de suspensão da exigência do débito tributário, somente será admitida a apropriação de
créditos quando houver a extinção destes débitos mediante as modalidades previstas no artigo 27 da
Lei retromencionada, vedada a apropriação sobre os acréscimos legais.
Crédito "para trás"
No caso de operações sujeitas a alíquota zero, será mantido o crédito relativo às operações
anteriores. Já nas operações sujeitas à imunidade e à isenção, ocorrerá a anulação do crédito relativo
às operações anteriores, e será proporcional ao valor das operações imunes e isentas sobre o valor
de todas as operações do fornecedor, conforme os artigos 51 e 52 da Lei Complementar n°
214/2025.
A anulação não se aplica às exportações, às operações com livros, jornais, periódicos e do papel
destinado à sua impressão e de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e
de sons e imagens de recepção livre e gratuita.
4.7. Utilização dos créditos
Conforme estabelece o artigo 53 da Lei Complementar n° 214/2025, os créditos do IBS e da CBS
apropriados em cada período de apuração poderão ser utilizados, na seguinte ordem, mediante:
1. compensação com o saldo devedor do IBS e da CBS relativo a períodos de apuração anteriores,
inclusive os acréscimos, que não tenham sido pagos até a data de vencimento e não esteja inscrito
em dívida ativa;
2. compensação com o IBS e com a CBS incidentes sobre as operações ocorridas no mesmo período
de apuração, observada a ordem cronológica.
Os créditos também poderão ser utilizados por opção do contribuinte, mediante:
1. compensação, respectivamente, com o IBS e a CBS incidentes sobre operações ocorridas em
períodos de apuração subsequentes, observada a ordem cronológica; ou
2. solicitação de ressarcimento.
Os créditos do IBS e da CBS serão apropriados e compensados ou ressarcidos pelo seu valor
nominal, vedadas correção ou atualização monetária, sem prejuízo das hipóteses de acréscimos de
juros relativos a ressarcimento expressamente previstas na Lei Complementar n° 214/2025.
O direito de utilização dos créditos perdura por cinco anos, sendo extinto após esse prazo, contado
do último dia do período de apuração em que tiver ocorrido a apropriação do crédito, conforme
estabelece o artigo 54 da referida Lei.
Segundo o artigo 55 da mesma lei, fica vedada a transferência, a qualquer título, para outra pessoa
ou entidade sem personalidade jurídica, de créditos do IBS e da CBS. Na hipótese de fusão, cisão
ou incorporação, os créditos apropriados e ainda não utilizados poderão ser transferidos para a
pessoa jurídica sucessora, ficando preservada a data original da apropriação dos créditos para efeitos
da contagem do prazo prescricional.
Estabelece o artigo 38 da Lei Complementar retromencionada que em caso de pagamento indevido,
a restituição do IBS e da CBS somente será devida ao contribuinte quando a operação não tiver
gerado crédito para o adquirente dos bens ou serviços e quando o contribuinte provar que assumiu
o encargo do tributo ou que foi autorizado pelo adquirente a receber a restituição.
5. Obrigações
A reforma implica mudanças significativas nas obrigações acessórias dos contribuintes, facilitando
o controle e a fiscalização das operações relacionadas ao IBS e à CBS. As alterações propostas têm
como foco otimizar o processo de apresentação de dados, simplificando o cumprimento das
obrigações fiscais.
É importante destacar que, para garantir uma administração eficiente do IBS e da CBS, o artigo
58 da Lei Complementar n° 214/2025 estabelece que o Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal
do Brasil (RFB) atuarão em conjunto na implementação de soluções eficazes para a gestão desses
tributos.
5.1. Cadastro com identificação única
Visando simplificar o processo de identificação e eliminar a necessidade de múltiplos registros para
diferentes partes exigentes, como estados e municípios, a Reforma Tributária estabelece a
obrigatoriedade do Cadastro com Identificação Única. Essa medida visa consolidar as informações
cadastrais em um sistema integrado, permitindo maior eficiência na administração fiscal.
Conforme o artigo 59 da Lei Complementar n° 214/2025, o cadastro será obrigatório para todas as
pessoas físicas e jurídicas e as entidades sem personalidade jurídica sujeitas ao IBS e à CBS. Para
efeito do Cadastro com Identificação Única, serão considerados os seguintes cadastros:
a) Cadastro de Pessoas Físicas (CPF): de pessoas físicas;
b) Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ): de pessoas jurídicas e entidades sem personalidade
jurídica; e
c) Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB): de imóveis rurais e urbanos.
As informações cadastradas serão integradas, sincronizadas e compartilhadas obrigatoriamente
entre as administrações tributárias federal, estaduais, distrital e municipais, em um ambiente
nacional de dados. Isso garantirá o fluxo contínuo e atualizado das informações, permitindo maior
agilidade e precisão nos processos fiscais.
Além disso, as entidades e demais pessoas jurídicas inscritas no CNPJ estarão obrigadas a utilizar
o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), previsto no artigo 332 da mesma Lei Complementar. O
DTE funcionará como meio oficial de comunicação entre o Fisco e o contribuinte, agilizando
notificações e comunicações.
O Cadastro com Identificação Única também será utilizado para definir o domicílio principal do
destinatário, essencial para a incidência do IBS e da CBS, conforme definido no artigo 11, §
3°, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei Complementar n° 214/2025.
Embora ainda não haja maiores detalhes sobre o funcionamento específico do cadastro, destacamos
algumas vantagens e desvantagens relacionadas a essa nova obrigação:
Vantagens Justificativa
Um sistema único promove eficiência ao
consolidar consultas e processos
Agilidade relacionados ao contribuinte, garantindo
acesso rápido e preciso a informações
relevantes.
Facilita a atualização de dados e
informações fiscais em um único ambiente,
Desburocratização reduzindo a redundância de documentos e
minimizando o número de obrigações
acessórias.
Elimina múltiplos cadastros em diferentes
órgãos, centralizando as informações em
Simplificação uma única base de dados, o que reduz
complexidades administrativas para o
contribuinte.
O compartilhamento obrigatório entre as
esferas federais, estaduais e municipais
Fiscalização Eficaz aumenta a transparência, facilita a
identificação de fraudes e agiliza a correção
de inconsistências fiscais.
Desvantagens Justificativa
Exige investimentos significativos em
tecnologia e na reestruturação de processos,
Custos
impactando principalmente administrações
públicas com menor capacidade financeira.
Dificuldade de A infraestrutura tecnológica varia entre as
Adaptação administrações públicas, o que pode atrasar
a implementação plena e gerar desafios na
adaptação para empresas e contribuintes.
5.2. Documento Fiscal Eletrônico
A Lei Complementar n° 214/2025, em seu artigo 60, estabelece a obrigatoriedade da emissão de
documento fiscal eletrônico para todas as operações envolvendo bens e serviços, inclusive
exportações e importações. Essa exigência aplica-se mesmo em caso de imunidade, isenção, alíquota
zero ou suspensão tributária, bem como em operações de transferência de bens entre
estabelecimentos do mesmo contribuinte.
Além disso, o artigo 62 da mesma Lei Complementar obriga a União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios a adaptarem seus sistemas autorizadores e aplicativos de emissão simplificada de
documentos fiscais eletrônicos para um leiaute padronizado. Esse leiaute permitirá que os
contribuintes informem todos os dados necessários à correta apuração do IBS e da CBS.
Após a recepção, validação e autorização dos documentos fiscais eletrônicos, esses deverão ser
compartilhados com o ambiente nacional de uso comum gerido pelo Comitê Gestor do IBS, em
cooperação com as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios. Isso visa assegurar uma integração eficiente e padronizada dos dados fiscais em todas
as esferas de governo.
Para fins de adequação do leiaute dos Documentos Fiscais Eletrônicos (DFe), quanto às informações
decorrentes da Reforma Tributária, foram publicadas as Notas Técnicas 2024.001 - v.
1.10 e 2024.002 - v. 1.10.
Nelas foram atualizadas as disposições concernentes ao Código de Situação Tributária (CST) e ao
Código de Classificação Tributária (cClassTrib), contidos no grupo de informações do IBS, CBS e
IS associado aos itens do documento fiscal, tendo em vista a publicação do Informe Técnico RT
2024.001, que divulga a publicação da tabela com esta codificação, e da Tabela de Código de
Classificação Tributária da RT, que acompanha o referido informe.
O prazo previsto para implementação das regras que visam permitir a informação do IBS e da CBS
entra em vigor a partir de 31.10.2025, no Ambiente de Produção.
5.2.1. Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e)
No período de 01.01.2026 a 31.12.2032, os Municípios e o Distrito Federal deverão autorizar seus
contribuintes a emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) no ambiente nacional. Caso os
municípios ou o Distrito Federal utilizem emissores próprios de documentos fiscais, esses
documentos deverão ser compartilhados, segundo o leiaute padronizado, no ambiente de dados
nacional da NFS-e, conforme previsto no artigo 62, §§ 1°, inciso I, e 2°, da Lei Complementar n°
214/2025.
Essa exigência de compartilhamento também se estende a outras modalidades de declaração
eletrônica, desde que obedeçam ao leiaute padronizado estabelecido em regulamento, garantindo a
centralização e padronização dos dados fiscais no ambiente nacional da NFS-e.
Conforme o § 5° do referido artigo, o ambiente de dados nacional da NFS-e servirá como repositório
que assegura a integridade e a disponibilidade das informações contidas nos documentos fiscais
compartilhados.
Para ajustes relacionados aos novos agrupamentos e campos opcionais do leiaute da Nota Fiscal de
Serviço eletrônica (NFS-e) padrão nacional relacionados à tributação do Imposto sobre Bens e
Serviços (IBS), da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS) incidentes
nas prestações de serviços foi publicada a Nota Técnica 2024.001.
5.3. Programas de Incentivo à Cidadania Fiscal
O artigo 61 da Lei Complementar n° 214/2025 autoriza a instituição de programas de incentivo à
cidadania fiscal por meio de estímulo à exigência, pelos consumidores, da emissão de documentos
fiscais. A autorização se aplica ao Comitê Gestor do IBS e a RFB.
Os programas poderão ser financiados pelo montante equivalente ao limite de 0,05% da arrecadação
do IBS e da CBS.
As informações apresentadas pelo fornecedor, mediante emissão de documento fiscal eletrônico, de
dados que vinculam operações com a transação de pagamento poderão ser utilizadas para identificar
o adquirente que não seja contribuinte do IBS e da CBS nos respectivos documentos fiscais
eletrônicos, garantida a opção do adquirente por outra forma de identificação. A utilização desses
dados dependerá de regulamentação.
6. Perguntas e Respostas
7. Legislação
Constituição Federal
Constituição Federal de 1988
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
Emenda Constitucional
Emenda Constitucional n° 132/2023
Lei Complementar
Lei Complementar n° 214/2025
Ajuste SINIEF
Ajuste SINIEF 24/2024
7.1. Documentos Oficiais
Nota Técnica 2025.002 - RTC - v. 1.01 - Projeto Reforma Tributária do Consumo –
01
Adequações NF-e / NFC-e
Nota Técnica 2025.001 - v.1.05a - Projeto Reforma Tributária do Consumo -
02
Adequações BP-e
Nota Técnica 2025.001 - v 1.05a - Reforma Tributária do Consumo - Adequações
03
CT-e/GTV-e - CT-e OS
Nota Técnica 2025.001 - v 1.05a - Reforma Tributária do Consumo - Adequações
04
NFCom
Nota Técnica 2025.001 - v 1.05a - Reforma Tributária do Consumo - Adequações
05
NF3-e
06 Nota Técnica 2025.001 - v.1.00 - Nota Técnica Conjunta CNPJ Alfanumérico
Nota Técnica 2024.002 - v 1.10 - Projeto Reforma Tributária do Consumo –
07
Adequações NF-e / NFC-e
Nota Técnica 2024.001 - v. 1.00 - Projeto Reforma Tributária do Consumo -
08
Adequações NFS-e.
Nota Técnica 2021.003 - v.1.40 - Divulga alteração nas regras de validação do
09
GTIN
Nota Técnica 2024.001 - v. 1.00 - Projeto Reforma Tributária do Consumo -
10
Adequações NFS-e.
Nota Técnica 2021.003 - v.1.40 - Divulga alteração nas regras de validação do
11
GTIN
Informes Técnicos
Informe Técnico RT 2025.002 - v.1.10 - Código de Classificação Tributária do IBS
e da CBS
01
Tabela de Código de Classificação Tributária da Reforma Tributária - Tabela de
Código de Classificação Tributária do IBS e da CBS
Tabela de Códigos de Crédito Presumido e Indicadores - Tabela que divulga a
codificação do crédito presumido e seus indicadores
Informe Técnico 2025.001 - v.1.00 - Reforma Tributária - Divulga novos códigos
02
(cClass) da Tabela de Códigos de Itens da NF3-e