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Métodos Numéricos em Circuitos Elétricos

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FURB/FFM/WEG – Simulação de Circuitos Elétricos – Prof. Sérgio Henrique L.

Cabral – Outubro/1999

MÉTODOS NUMÉRICOS PARA SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL

APLICADOS A CIRCUITOS DE TRANSFORMADORES

Sérgio Henrique Lopes Cabral, MSc


FURB - UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU
FFM – FUNDAÇÃO FRITZ MUELLER

Blumenau / SC, outubro de 1999


FURB/FFM/WEG – Simulação de Circuitos Elétricos – Prof. Sérgio Henrique L. Cabral – Outubro/1999

I – PREFÁCIO / INTRODUÇÃO

A capacidade de resolver circuitos elétricos em regimes transitórios tem aumentado

significativamente desde o advento de computadores pessoais. Até então, para a análise de transitórios

elétricos, havia a opção da resolução analítica das equações diferenciais advindas do problema, o que tornava-

se extremamente complexo para um sistema maior que de ordem dois. A técnica alternativa seria a

Transformada de Laplace, cujo uso fica inviável para sistemas de ordem superior a três. Não obstante, é

comum deparar-se com a necessidade de análise de circuitos cujo sistema de equações diferenciais associado

seja de ordem superior a três. Então, surgiram diversos softwares, tal como EMTP, inicialmente para grandes

computadores, e, posteriormente tal como MICROCAP, para pc’s. Atualmente, existem diversos softwares

de análise de circuito, tal como o PSPICE, que dispensam quase que completamente a necessidade de o

analista conhecer o circuito, levando a crer na resposta obtida, sem criticá-la. As propostas desse trabalho

consiste, então, em :

1) Levar a entender o funcionamento desses softwares de análise de circuitos, cada vez mais

sofisticados, indispensáveis e difundidos. Não se pretende substituí-los, mas sim dar àqueles

que os usam, capacidade de criticar os resultados, pois quem não conhece os princípios

envolvidos nas análises de circuitos é capaz de usar mal os softwares, obtendo resultados

errados, sem que possa perceber;

2) Dar sensibilidade aos usuários das constantes de tempo envolvidas nas análises de circuitos;

3) Iniciar estudos de transitórios em redes industriais, com enfoque para a energização de cargas e

para a abertura das mesmas, principalmente quando compensadas. Nenhum enfoque será

dado, entretanto, quanto a arcos elétricos, dada a especificidade do assunto;

4) Iniciar a análise de funcionamento de transformadores, nas condições de energização, abertura

e de regime permanente, com enfoque para as perdas e para a presença de harmônicos nesse

último regime;

Para atender os objetivos desse trabalho, usa-se de passos comedidos, atendo-se a análise dos casos

mais simples, para então evoluir para análises mais sofisticadas. Sugere-se que detalhes de modelagem de

perdas seja deixado com trabalho de conclusão/avaliação;


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II – INTRODUÇÃO - CIRCUITOS ELÉTRICOS EM ESTADO TRANSITÓRIO - Revisão

Toda fonte de tensão, quando ligada a um circuito elétrico, provocará no mesmo uma resposta, que

se dá sob a forma de corrente elétrica. Desde o exato instante da energização, é necessário que decorra um

intervalo de tempo até que essa corrente atinja um nível estável, permanente. Nesse intervalo de tempo, diz-

se ocorrer o regime transitório, no qual, dependendo dos elementos do circuito, a corrente nesse regime

poderá ser significativamente maior que a corrente em regime permanente, provocando, também, elevação de

tensão nos elementos do circuito.

Alguns exemplos são dados para mostrar a importância do conhecimento das condições

transitórias:

Exemplo I

Energização de um circuito RLC série, com fonte de tensão contínua.

i( t)

R L
V C

Neste caso, a corrente em estado permanente deverá ser nula, pois o capacitor impede a passagem

de corrente contínua. Portanto, a corrente do circuito será composta somente da parte transitória, que será:

V
 Rt  1  R 2 
i(t )  e 2 L sen    t 
 LC  2 L 
a) L ,

C

L
se R2 ;
C

graficamente,
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ou, b)

onde Im = ;

e ,

L
se R>2
C

graficamente,
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corrente
tem po

ou, ainda,

Rt
V  2L L
c) i(t) = te , se R=2
L C

graficamente,
corrente

tem po

Nos três casos, a corrente tende a zero quando o tempo tende para infinito.
FURB/FFM/WEG – Simulação de Circuitos Elétricos – Prof. Sérgio Henrique L. Cabral – Outubro/1999

Exemplo II:

Energização de um circuito RL, com fonte de tensão alternada. - Condições iniciais nulas

R
L
V ( t)

V (t ) VM sent   

Neste caso, a corrente em estado permanente estará atrasada, em relação à tensão, por um ângulo

, dito ângulo de carga, dado por

L
 = Arc tg ( )
R

Assim, a expressão da corrente, em estado permanente será:

Vm
i (t) = Im sen(  t +  - ), onde Im =
R  L
2 2

A resposta geral deverá incluir as respostas de estados transitório e permanente, sendo então dada

por:

Rt
 

i (t) = Im  ,

sen t      e sen   
L

 

onde Im =

graficamente,
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corrente
tem po

Conforme pode-se verificar pela expressão geral de i(t), os ângulos  e  vão determinar a

existência da corrente transitória, em amplitude e polaridade. Ressalta-se ser  o ângulo correspondente ao

instante de energização do circuito, dentro de um período da onda senoidal.

Nesses exemplos vê-se que, dado que a corrente transitória é maior que a corrente no estado

permanente, o sistema de proteção de um circuito deve ser regulado para não atuar nesse durante. Para isso é

importante, também, ter idéia do conhecimento do tempo de regime transitório, para ajuste das curvas de

relés.

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