PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
A Primeira Guerra Mundial foi o conflito ocorrido entre 1914 e 1918 e que deixou milhões de mortos,
principalmente no continente europeu. O imperialismo, a política de alianças, a corrida armamentista, o
revanchismo francês e o nacionalismo exacerbado são apontados como as principais causas da Primeira
Guerra Mundial. O atentado de Sarajevo, em que o herdeiro da Áustria-Hungria foi assassinado por um
militante sérvio, é considerado o estopim da guerra.
De um lado do conflito lutaram as Potências Centrais, da qual faziam parte o Império Alemão, a Áustria-
Hungria, o Império Turco-Otomano e a Bulgária; do outro lutaram os países da Entente, formada por França,
Inglaterra, Rússia, Itália, entre diversos outros países. Em 1917, após uma revolução socialista, a Rússia
saiu do conflito e, no mesmo ano, os Estados Unidos entraram na guerra do lado da Entente.
A guerra foi a primeira a utilizar em grande escala novas tecnologias bélicas, como metralhadoras, lança-
chamas, aviões, artilharia de longo alcance e outras que deixaram um número de mortos até então nunca
visto na história humana. A guerra terminou em 1918, com a derrota das Potências Centrais.
Causas da Primeira Guerra Mundial
O imperialismo foi o principal motivo da Primeira Guerra Mundial. Com a segunda fase da Revolução
Industrial e o desenvolvimento do capitalismo industrial e financeiro, houve grande procura por fontes de
matérias-primas, fontes de energia e mercado consumidor. Os grandes impérios buscaram esses recursos
e mercados principalmente na África e na Ásia.
Em um primeiro momento houve acordos entre as nações imperialistas, como a Conferência de Berlim,
que dividiu o território do continente africano entre as nações europeias. Mas, com o passar do tempo,
os conflitos entre os impérios por causa de colônias africanas e asiáticas se acirrou e foi um dos
grandes causadores da batalha mundial.
Outros motivos importantes causaram a Primeira Guerra Mundial, como a política de alianças que ocorreu
a partir do terceiro quarto do século XIX. A corrida armamentista e o fortalecimento dos militares nos
governos do período também foram importantes fatores relacionados ao início da guerra.
A corrida armamentista ocorrida durante a Bela Época empregou boa parte dos inventos da segunda fase
da Revolução Industrial na indústria bélica, que também ampliou a capacidade de produção de armas. O
avião, os tanques de guerra, o lança-chamas, os encouraçados, submarinos, armas químicas,
metralhadoras, artilharia de longo alcance e diversas outras tecnologias bélicas foram utilizadas em grande
escala na Primeira Guerra Mundial. Essas tecnologias foram responsáveis por uma quantidade de mortos
jamais vista na história humana.
O revanchismo francês foi outro fator que levou à guerra. A França perdeu a região da Alsácia e Lorena
para os alemães na Guerra Franco-Prussiana, e era para os derrotados uma questão de honra retomar as
regiões perdidas. O nacionalismo exacerbado estava no dia a dia das nações que participaram do início do
conflito mundial, existindo no período o pangermanismo, que pretendia unir os povos de origem germânica
em um único território, e o pan-eslavismo, que pretendia o mesmo com os povos de origem eslava.
A Europa era, na palavra de muitos, um “barril de pólvora” nas vésperas da Primeira Guerra. Os países
estavam unidos em dois blocos militares, com poderosos exércitos bem equipados e prontos para o
combate.
Em 28 de junho uma faísca fez com que o grande barril de pólvora explodisse, o chamado Atentado de
Sarajevo. O herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, e sua esposa, Sofia, visitaram a
capital da Sérvia representando a Áustria. Enquanto os dois estavam desfilando em carro aberto, um
militante do pan-eslavismo, Gavrilo Princip, se aproximou do automóvel e atirou contra o casal,
assassinando os dois. Esse fato é conhecido como o “estopim da guerra”.
O atentando causou atritos entre as duas nações até que a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. Na
sequência a Rússia entrou no conflito para defender a Sérvia, fazendo com que a Alemanha também
entrasse no combate pois tinha uma aliança com a Áustria-Hungria. Com o passar do tempo, outros países
foram entrando na batalha, e iniciou-se, assim, a Primeira Guerra Mundial.
Países participantes da Primeira Guerra Mundial
Os países que lutaram na Primeira Guerra Mundial estavam divididos em dois blocos. Faziam parte das
Potências Centrais:
• Império Alemão;
• Império Austro-Húngaro;
• Império Turco-Otomano;
• Bulgária.
Do outro lado do conflito tivemos os países da Entente, aliança formada inicialmente pela:
• França;
• Reino Unido;
• Rússia.
Durante o conflito diversos países aderiram à Entente, entre eles a Itália, China, Estados Unidos, Brasil e
diversos outros. Vale lembrar que os grandes impérios recrutaram a população de suas colônias para que
participassem, dessa forma boa parte dos atuais países africanos e asiáticos também participou da
guerra.
Fases e principais acontecimentos da Primeira Guerra Mundial
Geralmente a Primeira Guerra Mundial é dividida em três fases, de acordo com os acontecimentos do
campo de batalha.
A primeira fase é chamada de “guerra de movimento”. De agosto de 1914 até novembro do mesmo ano
a Alemanha fez grande ofensiva na frente ocidental, conquistando a Bélgica e territórios franceses até
chegar a cerca de 50 quilômetros de Paris. Na frente oriental tropas das Potências Centrais também se
movimentaram nesse período, capturando territórios do Império Russo. Em novembro de 1914 o avanço das
Potências Centrais cessou por causa das trincheiras na França e na Rússia.
A segunda fase da guerra vai de novembro de 1914 até março de 1918 e é conhecida como “guerra de
posições”. Milhares de quilômetros de trincheiras foram escavados em duas frentes de batalha principais,
a ocidental e a oriental.
A tática utilizada na guerra de trincheiras consistia em um pesado bombardeio de artilharia nas trincheiras
inimigas, alguns dos quais duravam dias. Logo depois do bombardeio a infantaria atravessava a terra de
ninguém rumo às trincheiras inimigas. As metralhadoras e a artilharia favoreciam os defensores, o que
causava imensas perdas nas tropas.
Quando o exército invasor conquistava a trincheira dos inimigos, estes recuavam, às vezes alguns metros,
e construíam novas trincheiras. Esse tipo de guerra provocava grande número de mortes e poucas
conquistas territoriais. Em Verdun, por exemplo, os alemães tentaram uma ofensiva que durou quase dez
meses, com mais de 300 mil soldados mortos na batalha, e o avanço das trincheiras em menos de dez
quilômetros.
Mesmo sem combates as trincheiras provocavam mortes pelas más condições, como frio, calor, chuva,
neve, entre outras intempéries. A fome era constante, assim como diversos parasitas como piolhos e
pulgas.
A proximidade dos soldados e o sistema imunológico enfraquecido pela fome e desidratação favorecia a
proliferação de doenças. Basta lembrar que no ano final da guerra as trincheiras ajudaram a proliferar a
Gripe Espanhola, que se tornou uma pandemia que matou mais de 30 milhões de pessoas no pós-guerra.
O ano de 1917 marcou uma reviravolta na guerra, com a saída da Rússia após passar por uma revolução e
a entrada dos Estados Unidos, o que também levou o Brasil para o conflito. A entrada da maior potência
industrial na guerra derrubou o equilíbrio das forças em combate, e, a partir de março de 1918, as tropas
da Entente iniciaram o avanço sobre as trincheiras e territórios que estavam nas mãos das Potências
Centrais. O avanço durou até 11 de novembro de 1918, quando a Alemanha assinou sua rendição. A Primeira
Guerra Mundial terminou dessa forma.
Brasil na Primeira Guerra Mundial
Alguns navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães no mar Mediterrâneo e
no mar do Norte durante a guerra, o que levou o governo brasileiro do presidente Venceslau Brás a decretar
guerra contra as Potências Centrais em 26 de outubro de 1917.
O Brasil enviou uma pequena esquadra para o mar Mediterrâneo, composta por sete navios de guerra e
dois navios de apoio. Também enviou uma equipe médica composta por mais de 80 profissionais, entre
médicos e enfermeiras, que trabalharam na França, principalmente no Hospital Franco-Brasileiro em Paris.
Um contingente composto em sua maioria por sargentos foi enviado pelo Brasil para combater com exército
francês, e alguns aviadores pilotaram aviões da Real Força Aérea, do Reino Unido.
Consequências da Primeira Guerra Mundial
A primeira grande consequência da guerra foram as perdas humanas e seus impactos na economia dos
países envolvidos no conflito. As estimativas variam, mas a maioria dos pesquisadores aponta cerca de
8,5 milhão de militares mortos no conflito e cerca de 10 milhões de civis.
Além das perdas humanas, houve grande perda de infraestrutura, como estradas, ferrovias, hidrelétricas,
hospitais, habitações, entre tantas outras. No fim da guerra mais um mal se abateu sobre todo o planeta, a
pandemia de Gripe Espanhola, que, apesar do nome, provavelmente se originou nos Estados Unidos. O
retorno de milhões de soldados para suas casas após o conflito ajudou na disseminação da doença pelo
planeta.
Outra consequência da guerra foi o Tratado de Versalhes, assinado em 1919. Apesar do nome, ele foi
imposto aos países derrotados. Pelo tratado, os alemães perderam suas colônias na África, parte do próprio
território e foram obrigados a pagar pesadas indenizações de guerra aos vencedores. A Alsácia e Lorena
passou para o controle francês.
Cláusulas militares limitaram o exército alemão a 100 mil soldados, além de o país não poder ter marinha
de guerra nem força aérea. O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, se opôs ao tratado,
afirmando que este era humilhante ao povo alemão e que, em breve, uma nova guerra seria travada por
causa dele.
Três impérios derrotados chegaram ao fim, o Império Alemão, o Austro-Húngaro e o Turco Otomano.
Outro império que caiu durante o conflito foi o russo. Dos antigos territórios desses impérios foram fundados
novos países, como a Polônia, a Finlândia, a Estônia, Letônia, Lituânia, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia e
Iugoslávia.
A Primeira Guerra foi a primeira “guerra total”, em que todos os recursos do país foram direcionados para o
conflito. As mulheres tiveram papel fundamental na economia dos países que estavam diretamente
envolvidos na guerra. Durante a guerra, aumentou significantemente o trabalho feminino nos três
setores da economia, em diversos países. Após o conflito diversos movimentos organizados por mulheres
passaram a exigir direitos, principalmente o direito ao voto.
O Brasil passou por um aprofundamento no processo de industrialização no período de guerra. Um
processo chamado de “substituição das importações” fez com que o país construísse indústrias durante a
batalha. O Brasil importava diversos produtos industrializados da Europa, e com o conflito as nações
europeias deixaram de exportar, levando empresários, muito deles imigrantes, a construírem fábricas aqui.
Podemos afirmar que o grande vencedor da Primeira Guerra Mundial foi os Estados Unidos. O país não teve
seu território atacado e só entrou no final do conflito no fim, além disso ele viu os grandes impérios do
mundo se digladiarem no palco europeu da guerra. O governo norte-americano e instituições do país
emprestaram bilhões de dólares para os países em guerra e ocupou parte do comércio global antes
controlado pelos grandes impérios enfraquecidos na guerra.
Outra consequência importante da Primeira Guerra Mundial foi a descrença de boa parte da população
europeia em relação à democracia. Esta era acusada de não conseguir manter a paz, a estabilidade
econômica e social.
Governos autoritários chegaram ao poder em Portugal de Salazar, na Espanha do General Franco, na Itália
de Mussolini e na Alemanha de Hitler. O nacionalismo, o militarismo, o culto ao líder, o unipartidarismo, a
censura e a perseguição aos opositores se tornaram práticas comuns na Europa das décadas de 1920 e
1930.
Até mesmo na moda a Primeira Guerra Mundial provocou mudanças. Antes da guerra era comum os
homens usarem grandes barbas e bigodes. Durante a guerra mundial foram utilizadas armas químicas e,
para evitar a contaminação dos soldados, foram desenvolvidas máscaras antigás. Mas as barbas e grande
bigodes tornavam as máscaras ineficazes, assim os soldados tinham que se barbear.
Quem lucrou com essa história foi o norte-americano King Camp Gilette, que vendeu milhões de aparelhos
e lâminas de barbear para o exército dos Estados Unidos. Cada soldado recebia um kit composto por
aparelho e lâminas de barbear. Após o retorno desses soldados para casa, muitas pessoas gostaram do
novo visual, e o hábito de se barbear passou a ser comum para a maioria dos homens.
Segunda Guerra Mundial
O Tratado de Versalhes é apontado como um dos principais motivos da eclosão da Segunda Guerra
Mundial. As humilhações impostas pelo tratado à Alemanha, como as pesadas indenizações, perda de
territórios e colônias e enfraquecimento das forças armadas, foram responsáveis, em grande parte, pela
ascensão de Hitler ao poder em 1933.
Além disso, os conflitos entre as potências europeias não foram solucionados com a Primeira Guerra
Mundial, e, para alguns historiadores, a Segunda Guerra Mundial foi apenas uma continuação da anterior.
A maioria dos líderes da Segunda Guerra Mundial foram combatentes na primeira, como Stálin, Churchill,
Hitler e Mussolini. Alguns historiadores chegam a afirmar que houve apenas uma grande guerra, de 1914
até 1945, com uma trégua de 21 anos entre elas.
A Revolução Russa de 1917: Um Marco na História Mundial
A Revolução Russa de 1917 foi um dos eventos mais marcantes do século XX, responsável por derrubar a
monarquia czarista e estabelecer o primeiro Estado socialista do mundo.
Características
Crise social e econômica: A Rússia czarista enfrentava uma profunda crise social e econômica, com a
maioria da população vivendo em extrema pobreza e sob um regime autocrático.
Guerra Russo-Japonesa (1904-1905): e o Domingo Sangrento
Primeira Guerra: A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial agravou a crise, com a população
sofrendo com a falta de alimentos e o aumento da violência.
Ideologia: As ideias socialistas, que circulavam na Rússia desde o século XIX, ganharam força entre os
trabalhadores e camponeses, que buscavam uma sociedade mais justa e igualitária.
Fases
A Revolução Russa de 1917 pode ser dividida em duas fases principais:
Revolução de Fevereiro: A primeira fase da Revolução resultou na queda do czar Nicolau II e na formação
de um Governo Provisório. No entanto, o Governo Provisório não atendeu às demandas da população por
paz, pão e terra, o que gerou insatisfação e abriu caminho para a segunda fase da Revolução.
Revolução de Outubro: Liderada pelos bolcheviques, um grupo radical de esquerda liderado por Vladimir
Lenin, a segunda fase da Revolução derrubou o Governo Provisório e estabeleceu o poder soviético, um
governo baseado nos conselhos de trabalhadores e soldados.
Teses de Abril: Paz, Terra e Pão
Consequências
Criação da URSS (1922): A Revolução Russa levou à criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS), o primeiro Estado socialista do mundo.
Guerra Civil Russa (1918-1921): Após a Revolução, a Rússia mergulhou em uma guerra civil entre os
bolcheviques (Exército Vermelho) e seus opositores (Exército Branco). A guerra civil terminou com a vitória
dos bolcheviques e a consolidação do poder soviético.
Impacto global: A Revolução Russa teve um impacto global, inspirando movimentos socialistas em todo o
mundo e contribuindo para a polarização política entre capitalismo e socialismo durante a Guerra Fria.
Culminância
A Revolução Russa culminou com a criação da URSS, um Estado socialista que existiu até 1991. A URSS
desempenhou um papel importante na política mundial durante o século XX, mas acabou entrando em
colapso devido a problemas econômicos e políticos.
Em resumo, a Revolução Russa foi um evento complexo e multifacetado, com causas, fases e
consequências que moldaram o século XX. A Revolução representou uma ruptura com o passado e um
marco na história do socialismo, com impactos que ainda ressoam em nossos dias.
OBS.:
Os bolcheviques eram um grupo político radical dentro do Partido Operário Social-Democrata Russo
(POSDR) que, liderados por Vladimir Lenin, defendiam a derrubada do czarismo e a instauração de um
regime socialista na Rússia.
Origens e Ideologia:
O termo "bolchevique" significa "maioria" em russo, referindo-se à facção que, em 1903, defendia as ideias
de Lenin sobre a necessidade de um partido revolucionário centralizado e disciplinado, capaz de liderar a
luta do proletariado pela tomada do poder.
Os bolcheviques se diferenciavam de outros grupos socialistas por defenderem a revolução imediata,
SEM a necessidade de esperar pelo desenvolvimento pleno do capitalismo na Rússia. Acreditavam na
capacidade do proletariado de liderar a revolução, mesmo em um país majoritariamente agrário como a
Rússia.
Os mencheviques (em russo "minoria") eram uma facção do Partido Operário Social-Democrata Russo
(POSDR). Essa facção surgiu em 1903, após uma disputa entre Lenin e Julius Martov no II Congresso do
POSDR.
Os mencheviques, liderados por Martov e Plekhanov, acreditavam que a Rússia deveria passar por um
estágio de desenvolvimento capitalista antes de se tornar um país socialista. Eles defendiam a
colaboração com a burguesia liberal e a participação em eleições e instituições democráticas.
Durante a Revolução Russa de 1917, os mencheviques tiveram um papel importante no governo provisório,
mas não conseguiram atender às demandas da população por paz, pão e terra. Isso os enfraqueceu
politicamente e abriu caminho para a ascensão dos bolcheviques, liderados por Lenin, que defendiam a
derrubada imediata do governo provisório e a instauração de um regime socialista.
Após a Revolução de Outubro, os mencheviques se dividiram em relação à participação no novo governo
soviético. Alguns apoiaram os bolcheviques, enquanto outros se opuseram e foram marginalizados ou
perseguidos.
Em resumo, os mencheviques eram uma facção do POSDR que defendia uma transição gradual para o
socialismo, passando por um estágio de desenvolvimento capitalista. Eles tiveram um papel importante na
Revolução Russa, mas foram superados pelos bolcheviques, que defendiam uma revolução imediata.