Teorias do Direito Processual Civil
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Jurisdição é:
OBS: quando se busca o Judiciário, a vontade das partes é substituída pelo resultado do comando decisório
estatal (e não pela vontade do Juiz).
PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO:
PRINCÍPIO DA INÉRCIA
Trata-se da ideia básica do princípio dispositivo.
Art. 2º, CPC/15: “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções
previstas em lei”.
#ATENÇÃO: Em algumas situações o Juiz pode agir de ofício, como em procedimentos especiais, jurisdição
voluntária, cumprimento de sentença etc.
#ATENÇÃO: Não há mais a possibilidade de abertura de inventário de ofício.
#SELIGA É possível que o Juiz determine a produção, de ofício, de provas (art. 370 do CPC).
Art. 370, CPC: “Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julga-
mento do mérito”.
PRINCÍPIO DA INVESTIDURA
Quem exerce a função jurisdicional? Aquele regularmente investido no cargo. Quem é regularmente investido
no cargo? A pessoa aprovada em concurso público de provas e títulos (art. 93, I, CRFB/88), bem como os ingres-
sos pelo quinto constitucional (art. 94, CRFB/88) e os nomeados para Ministros dos Tribunais Superiores.
PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE
Também é chamado pela doutrina de princípio da aderência ao território.
Todo Juiz tem jurisdição em todo o território nacional e no exterior, desde que respeitados os costumes locais e
acordos internacionais.
A divisão do exercício da função jurisdicional (medida da jurisdição) se traduz na atribuição de competência
(órgãos jurisdicionais especializados).
#QUESTÃODEPROVA: pode haver mitigação em relação ao princípio da territorialidade? SIM. Inclusive, o pró-
prio legislador estipulou duas exceções (mitigações) ao princípio da territorialidade, a saber:
Art. 60 do CPC: “Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária, a
competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel”.
Art. 255 do CPC: “Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem na mesma região metropoli-
tana, o oficial de justiça poderá efetuar, em qualquer delas, citações, intimações, notificações, penhoras e quaisquer
outros atos executivos”.
#DEOLHONAINOVAÇÃO:
→ O art. 255 do CPC/15, se comparado ao antigo art. 230 do CPC/73, inovou ao possibilitar que o Oficial de
Justiça fizesse não apenas citações e intimações, mas, também, notificações, penhoras e quaisquer outros atos
executivos.
→ No CPC/15 o que torna prevento o Juízo é o registro ou a distribuição da petição inicial.
Art. 59 do CPC: “O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo”.
PRINCÍPIO DA INDELEGABILIDADE
O exercício da função jurisdicional é indelegável. Apenas os órgãos estabelecidos e autorizados pela Constituição
Federal podem praticar os atos jurisdicionais. Assim, é vedada a delegação de atos decisórios. Contudo, é possí-
vel pedido de cooperação (inquirição de testemunhas através de carta precatória, carta de ordem etc.), no que
tange aos atos instrutórios, à luz do princípio da cooperação (art. 6º, CPC). Mas ainda assim não é caso de
delegação do exercício da jurisdição.
Obs.: as delegações no âmbito do Judiciário não abrangem os atos decisórios, somente atos instrutórios, direti-
vos ou executórios.
Obs.: a CF/88, no art. 93, XI e XIV, autoriza a delegação de competência do Tribunal Pleno para um Órgão
Especial e para serventuário poder praticar atos de administração e mero expediente sem caráter decisório,
respectivamente.
Art. 93 da CF/88: “Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Ma-
gistratura, observados os seguintes princípios:
(...)
XI – nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o
mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicio-
nais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antiguidade outra metade
por eleição do tribunal pleno;
XIV – os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e atos de mero expediente sem
caráter decisório”.
Art. 203, § 4º, do CPC: “Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de
despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessário”.
PRINCÍPIO DA INEVITABILIDADE
As partes devem se sujeitar ao que for decidido pelo órgão jurisdicional.
É inevitável a sujeição das partes ao resultado que emanar do Estado-Juiz.
A própria garantia do devido processo legal impõe uma série de providências que
fazem com que o processo demore (demora inerente ao processo). Ex.: a oitiva do
Duração razoável do
réu, recursos e produção de provas. O nome do princípio não é celeridade, que dá
processo
a ideia de rapidez, velocidade. Na verdade, o processo tem que demorar o tempo
necessário para se ter um processo justo (deve ser examinado caso a caso).
Tem uma dupla dimensão:
Publicidade interna: dirigida aos sujeitos do processo.
Publicidade externa: dirigida a terceiros.
Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fun-
damentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério
Público.
(...)
Publicidade
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça
os processos:
I - em que o exija o interesse público ou social;
II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união
estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes;
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade;
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral,
desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o
juízo.
Deriva do princípio da igualdade de forma geral, mas possui aplicação em âmbito
processual. Pode ser extraído do art. 7º:
Igualdade Processual Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de di-
reitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à apli-
cação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
Impõe que o juiz conduza o processo de forma eficiente. Está relacionado à gestão
do processo. Para ser eficiente, deve ter o menor gasto possível e o melhor resultado
Eficiência
possível. Essa é a nova visão: juiz como gestor do processo (gerenciamento proces-
sual).
Processo efetivo é um processo que realiza o direito material reconhecido pela deci-
Efetividade
são. Está relacionado, portanto, ao resultado.
Consoante o artigo 10 do Código de Processo Civil “o juiz não pode decidir, em grau
algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado
às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual
deva decidir de ofício. Esse princípio é aplicável em grau recursal (art. 933).
#ATENÇÃO: O art. 9º prevê exceções:
Vedação às decisões Art. 9º. “Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamen-
surpresas te ouvida.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica:
I - à tutela provisória de urgência;
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III;
III - à decisão prevista no art. 701”.
O NCPC é totalmente estruturado, do início ao fim, ao respeito do autorregramento
da vontade no processo. Isto porque uma de suas premissas é a de que o processo,
para ser considerado devido, não pode ser um ambiente hostil para o exercício da
liberdade.
Autonomia da Vonta- A possibilidade de negócios jurídicos processuais representa aplicação do princípio,
de no Processo assim como a possibilidade de se prestigiar a arbitragem.
Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito
às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo
às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades
e deveres processuais, antes ou durante o processo.
LITISCONSÓRCIO
Litisconsórcio é a existência, no mesmo polo do processo, de uma plu-
CONCEITO:
ralidade de partes ligadas por uma afinidade de interesses.
a) Quanto aos sujeitos – Ativo, Passivo e Misto;
CLASSIFICAÇÃO: b) Quanto ao momento – Inicial e Ulterior;
c) Quanto aos efeitos – Simples e Unitário
LITISCONSÓRCIO SIMPLES: LITISCONSÓRCIO UNITÁRIO: obrigatoriedade de que a decisão
possibilidade de que a decisão seja a mesma para os litisconsortes no mesmo polo.
seja diferente para os litisconsor-
tes no mesmo polo.
Quanto à obrigatoriedade – Facultativo e Necessário
1) Facultativo: a) entre elas houver 2) Obrigatório: por disposição de lei ou quando, pela natureza da
comunhão de direitos ou de obri- relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da cita-
gações relativamente à lide; b) en- ção de todos que devam ser litisconsortes.
tre as causas houver conexão pelo
pedido ou pela causa de pedir; c)
ocorrer afinidade de questões por
ponto comum de fato ou de direi-
to.
LITISCONSÓRCIO MULTITUDINÁRIO: litisconsórcio formado por um número excepcionalmente grande de
litigantes, sempre que, em razão de sua formação, possa ocorrer o comprometimento da defesa, ou do cum-
primento de sentença, ou a rápida solução do litígio. Por motivos atinentes à paridade de armas e à efetividade
do processo, portanto, é possível desmembrar o litisconsórcio.
O art. 229, §2º, do CPC determina expressamente que não se aplica o prazo em dobro para litiscon-
sortes diferentes se o processo for em autos eletrônicos.
É inaplicável a contagem do prazo recursal em dobro quando apenas um dos litisconsortes com
procuradores distintos sucumbe. STJ. 3ª Turma. REsp 1709562-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
16/10/2018 (Info 636). Nesse sentido existe, inclusive, uma súmula do STF, cujo entendimento continua
válido com o CPC/2015: Súmula 641-STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só
um dos litisconsortes haja sucumbido.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
• Com o Novo CPC, a nomeação à autoria deixa de existir, dando lugar à técnica da correção da legitimi-
dade passiva, disciplinada nos arts. 338 e 339, ambos do NCPC.
• A oposição não consta mais como intervenção de terceiro típica, tornando-se um procedimento es-
pecial, previsto no art. 682 a 686, do NCPC. A oposição em termos gerais é o instituto por intermédio do qual o
terceiro reclama o bem ou o direito disputado em processo alheio.
Foram acrescentadas duas novas hipótese de intervenção de terceiros: o amicus curiae e a desconsideração de
personalidade jurídica.
ASSISTÊNCIA
Simples Litisconsorcial
A parte ingressa em juízo para auxiliar uma das par-
Sempre que a sentença influir na relação jurídica en-
tes por possuir interesse jurídico no deslinde da de-
tre ele e o adversário do assistido.
manda.
O assistente é um coadjuvante no processo (ativida-
O assistente recebe tratamento de parte.
de subordinada).
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
Constitui uma demanda, pois envolve o direito de ação. Essa demanda se caracteriza por ser: a) incidente; b)
regressiva; c) eventual; e d) antecipada.
Hipóteses de denunciação da lide:
- ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que
possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
- àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for
vencido no processo.
Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e
acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu.
Não é extinta a denunciação da lide apresentada intempestivamente pelo réu nas hipóteses em
que o denunciado contesta apenas a pretensão de mérito da demanda principal. STJ. 3ª Turma. REsp
1.637.108-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/6/2017 (Info 606).
CHAMAMENTO AO PROCESSO
AMICUS CURIAE
• Terceiro que, espontaneamente, a pedido da parte ou por provocação do órgão jurisdicional, intervém no
processo para fornecer subsídios que possam aprimorar a qualidade da decisão.
• Autoriza-se o amicus curiae quando envolver matéria relevante, tema específico ou repercussão social da
controvérsia.
• O amicus curiae poderá opor embargos de declaração e interpor recursos que julgue os incidentes de reso-
¾¾Tutela provisória é gênero que comporta duas espécies: tutela de evidência e tutela de urgência. O
esquema abaixo ajuda na visualização destas figuras:
#DEOLHONOESQUEMA:
#DEOLHONAJURIS: A tutela antecipada antecedente (art. 303 do CPC) somente se torna estável se não
houver nenhum tipo de impugnação formulada pela parte contrária, de forma que a mera contestação
tem força de impedir a estabilização. STJ. 3ª Turma. REsp 1760966-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 04/12/2018 (Info 639).
A sentença condenatória tem como eficácia principal a condenação do réu a ressarcir o prejuízo do autor. Se
necessário, utilizam-se medidas executivas para satisfação do crédito da parte autora.
A sentença constitutiva tem como eficácia principal uma situação jurídica nova. Deseja-se criar um fato novo.
Exemplo: ação de divórcio.
Por fim, a sentença declaratória tem como eficácia principal a certeza jurídica (existência ou não de uma relação
jurídica).
EFICÁCIA REFLEXA (EFEITO REFLEXO) DA SENTENÇA:
A eficácia reflexa significa que a sentença, em determinadas situações, afeta relações jurídicas estranhas ao
processo, as quais mantêm um vínculo com a relação discutida em Juízo.
Ex: sublocação e ação de despejo. O conteúdo da ação de despejo terá eficácia reflexa no sublocatário.
O autor somente pode requerer a desistência da ação até a sentença. Essa é a regra do CPC. En-
tretanto, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar RE 669367/RJ, decidiu que a desistência do
mandado de segurança é uma prerrogativa de quem o propõe e pode ocorrer a qualquer tempo,
sem anuência da parte contrária e independentemente de já ter havido decisão de mérito, ainda que fa-
vorável ao autor da ação. Seria uma ação conferida em benefício do cidadão contra o Estado e, portanto,
não gera direito à autoridade pública coatora de ver o mérito da questão resolvido. Entretanto, em outro
julgado posterior, o Supremo entendeu pela impossibilidade, mas esse caso teve peculiaridades, que pelo
caso concreto entendeu que não poderia haver desistência após o julgamento por manifesto abuso de
direito (o impetrante queria obstar o trânsito em julgado para, na sequência, ajuizar ação ordinária).
O que o NCPC entende por sentença? É o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento
nos arts. 485 (não resolvendo o mérito) e 487 (resolvendo), põe fim à fase cognitiva do procedimento
comum, bem como extingue a execução.
E o que seria uma decisão interlocutória? Todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não
se enquadre no conceito de sentença.
Questões incidentais podem sofrer a qualidade da coisa julgada? Sim, mesmo que não requerida
pela parte. Mas para isso devem ser expressamente enfrentadas, sendo necessário o contraditório real
(efetivo), não tendo essa aptidão quando o processo correr em revelia.
#ATENÇÃO!! Inc. IV do §1º do art. 489 do NCPC dispõe que não se considerará fundamentada sentença
que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de infirmar conclusão adotada
pelo julgador. O STJ entendeu que esse dispositivo não impôs o dever de o juiz ter que enfrentar todos
os argumentos afetos, mas somente aqueles que possam “infirmar” a decisão. O julgador não está
obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado
motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as ques-
tões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. STJ. 1ª Seção.
EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado
em 8/6/2016. (Info 585)
Inexistência de fator
Não pode haver renúncia, desistência ou aquiescência com relação ao poder de
impeditivo ou extintivo
recorrer ou manutenção da decisão recorrida.
do direito de recorrer
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL
O Código de Processo Civil de 2015 foi responsável pela unificação dos prazos
recursais, isso significa que, com exceção dos embargos de declaração, cujo prazo
é de 5 dias, todos os recursos devem ser interpostos no prazo de 15 dias (art.
Tempestividade
1.003, § 5.º, do CPC/2015). Importante relembrar que a contagem de prazo em
dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, será feita somente em dias úteis (art. 219 do
CPC/2015).
Equivale à obrigação da parte recorrente de comprovar, no ato da interposição do
recurso, o pagamento:
• das custas judiciais: corresponde à taxa judiciária, que é estabelecida por cada
órgão jurisdicional;
• do porte de remessa e de retorno: são as despesas para a locomoção do pro-
cesso para fora da comarca ou seção judiciária, por exemplo, remessa dos autos
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o Supremo Tribunal Federal.
Como ocorre com as custas, cada tribunal tem competência para fixar o valor do
porte de remessa e de retorno de seus recursos. Nos termos do art. 1.007, § 3.º,
do CPC/2015, “é dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no
processo em autos eletrônicos”.
Todo recurso deverá conter as razões pelas quais entende a parte recorrente haver
Regularidade Formal a necessidade de reforma ou anulação do ato recorrido, em atenção às disposições
legais que regem os recursos.
RECURSOS EM ESPÉCIE
Da sentença cabe apelação. As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a deci-
são a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclu-
são e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a
decisão final, ou nas contrarrazões. Se as questões forem suscitadas em contrarrazões, o
recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. É possível
interpor apelação na forma adesiva.
A apelação terá efeito suspensivo, mas a lei admite que começa a produzir efeitos ime-
diatamente após a sua publicação a sentença que:
Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão cole-
giado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.
Na petição de agravo interno o recorrente impugnará especificadamente os fundamen-
Agravo Interno tos da decisão agravada.
O agravo será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o
recurso no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual, não havendo retratação, o relator
levá-lo-á a julgamento pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta.
Compete ao STJ julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instân-
cia, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e
Territórios, quando a decisão recorrida:
Recurso Espe-
cial a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que
Agravo em inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação
RESP ou RE de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de
recursos repetitivos (nessa hipótese, cabe agravo interno)
É embargável o acórdão de órgão fracionário que:
a) em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer
Embargos de outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito;
Divergência
b) em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer
outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha co-
nhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia;
Qual é o recurso cabível contra o pronunciamento que julga a impugnação ao cumprimento de sentença?
• Se o pronunciamento judicial não extinguir a execução: será uma decisão interlocutória e caberá AGRAVO
DE INSTRUMENTO. (STJ, REsp 1.698.344-MG, julgado em 22/05/2018 – Info 630).
#DEOLHONAJURIS
- É cabível agravo de instrumento contra decisão interlocutória que defere ou indefere a distribuição dinâmica do
ônus da prova ou quaisquer outras atribuições do ônus da prova distinta da regra geral, desde que se operem
ope judicis e mediante autorização legal. STJ. 3ª Turma. REsp 1729110-CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
02/04/2019 (Info 645).
- O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo de ins-
trumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso
de apelação. STJ. Corte Especial. REsp 1704520-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/12/2018 (recurso
repetitivo) (Info 639). Obs.: a tese jurídica fixada e acima explicada somente se aplica às decisões interlocutórias
proferidas após a publicação do REsp 1704520/MT, o que ocorreu no DJe 19/12/2018.
- A falta de recolhimento do preparo é vício formal que não pode ser suprido pelo julgamento do recur-
so. O recolhimento do preparo é requisito de admissibilidade do recurso, cabendo ao recorrente comprová-lo
no ato de sua interposição. Se o valor recolhido for insuficiente, a lei prevê que ao recorrente deve ser oportuni-
zada a complementação, no prazo de 5 dias, sob pena de deserção. A deserção é a sanção aplicada à parte que
negligencia o recolhimento do preparo - seja quanto ao valor, seja quanto ao prazo - e tem como consequência
o não conhecimento do recurso interposto. Trata-se, portanto, de vício formal que não pode ser suprido pelo
julgamento do recurso. STJ. 3ª Turma. REsp 1523971/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019.
- Tendo em vista os princípios do contraditório e da ampla defesa, o recurso interposto pela Defensoria
Pública, na qualidade de curadora especial, está dispensado do pagamento de preparo. STJ. Corte Espe-
cial. EAREsp 978895-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 18/12/2018 (Info 641).
- Os segundos embargos declaratórios só podem ser admitidos quando o vício a ser sanado tenha surgido pela
primeira vez no julgamento dos anteriores. Assim, se os segundos embargos de declaração são manifes-
tamente incabíveis, eles não produzem o efeito interruptivo, de modo que o prazo para impugnações ao
julgado atacado segue fluindo até seu termo final, devendo ser certificado o trânsito em julgado, além da pos-
sibilidade de fixação de multa por conta do manifesto intuito protelatório do recurso.
STF. Plenário. ARE 913264 RG-ED-ED, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/03/2017. STF. Plenário. ARE 654432
ED-ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/10/2018.
- A falta de assinatura nos recursos interpostos nas instâncias ordinárias configura vício sanável, deven-
do ser concedido prazo razoável para o suprimento dessa irregularidade.
STJ. 3ª Turma. REsp 1746047/PA, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 21/08/2018.
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 980.664/MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 23/5/2017.
- Não é possível conhecer do recurso especial subscrito por advogado sem procuração nos autos caso a parte,
depois de intimada para regularizar sua representação processual, nos termos do art. 932, parágrafo único, do
CPC/2015, deixa transcorrer in albis o prazo concedido para o saneamento do vício, nos termos do art. 76, § 2º,
I, do CPC/2015. Isso significa que detectado o vício na representação processual, mesmo que se trate de recurso
especial, deverá ser dado um prazo de 5 dias para que a parte regularize a situação. Somente se a parte não
regularizar, o recurso não será conhecido.
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1219271/SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 23/08/2018.
- Intimada a regularizar a sua representação processual, nos termos do art. 932, parágrafo único, do CPC vigen-
te, a parte que deixa de proceder à juntada no prazo de 5 (cinco) dias, faz incidir ao caso a Súmula 115/STJ (“Na
instancia especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos”)
STJ. 3ª Turma. AgInt no AgInt no AREsp 1053466/MS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 07/08/2018.
- Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que julga processo administrativo disciplinar instaurado
contra magistrado trabalhista. Compete ao STF julgar, mediante recurso extraordinário, as “causas” decididas em
única ou última instância (art. 102, III, da CF/88). O vocábulo “causa” referido no inciso III do art. 102 da CF/88 só
abrange processos judiciais, razão pela qual é incabível a interposição de recursos extraordinários contra acór-
dãos proferidos pelos Tribunais em processos administrativos, inclusive aqueles de natureza disciplinar instaura-
dos contra magistrados. STF. 2ª Turma. ARE 958311/SP, rel. org. Min. Teori Zavaski, red.p/ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 27/02/2018 (Info 892).
- É admissível a interposição de agravo de instrumento contra decisão que não concede efeito suspensivo aos
embargos à execução. As hipóteses em que cabe agravo de instrumento estão previstas art. 1.015 do CPC/2015,
que traz um rol taxativo. Apesar de ser um rol exaustivo, é possível que as hipóteses trazidas nos incisos
desse artigo sejam lidas de forma ampla, com base em uma interpretação extensiva. Assim, é cabível
agravo de instrumento contra decisão que não concede efeito suspensivo aos embargos à execução com base
em uma interpretação extensiva do inciso X do art. 1.015: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as de-
cisões interlocutórias que versarem sobre: X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos
embargos à execução;
STJ. 2ª Turma. REsp 1694667-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/12/2017 (Info 617).
- Não cabem embargos de declaração contra a decisão de presidente do tribunal que não admite recur-
so extraordinário. Por serem incabíveis, caso a parte oponha os embargos, estes não irão suspender ou inter-
romper o prazo para a interposição do agravo do art. 1.042 do CPC/2015. Como consequência, a parte perderá
o prazo para o agravo. Nas palavras do STF: os embargos de declaração opostos contra a decisão de presidente
do tribunal que não admite recurso extraordinário não suspendem ou interrompem o prazo para interposição
de agravo, por serem incabíveis. STF. 1ª Turma. ARE 688776 ED/RS e ARE 685997 ED/RS, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgados em 28/11/2017 (Info 886).
- A decisão interlocutória que rejeita a ocorrência de prescrição ou decadência é uma decisão de mérito,
que enseja a agravo de instrumento com base no inciso II do art. 1.015 do CPC/2015. Embora a ocorrência
ou não da prescrição ou da decadência possam ser apreciadas somente na sentença, não há óbice para que
essas questões sejam examinadas por intermédio de decisões interlocutórias, hipótese em que caberá agravo
de instrumento com base no art. 1.015, II, do CPC/2015, sob pena de formação de coisa julgada material sobre a
questão. STJ. 3ª Turma. REsp 1738756-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/02/2019 (Info 643).
- Cabe agravo de instrumento contra decisão interlocutória que exclui o litisconsorte; não cabe este
recurso contra a decisão que mantém o litisconsorte. Considerando que, nos termos do art. 115, I e II, do
CPC/15, a sentença de mérito proferida sem a presença de um litisconsorte necessário é, respectivamente, nula
ou ineficaz, acarretando a sua invalidação e a necessidade de refazimento de atos processuais com a presença
do litisconsorte excluído, admite-se a recorribilidade desde logo, por agravo de instrumento, da decisão inter-
locutória que excluir o litisconsorte, na forma do art. 1.015, VII, do CPC/15 (“cabe agravo de instrumento contra
as decisões interlocutórias que versarem sobre exclusão de litisconsorte”), permitindo-se o reexame imediato da
questão pelo Tribunal. A decisão interlocutória que rejeita excluir o litisconsorte, mantendo no processo a parte
alegadamente ilegítima, todavia, não é capaz de tornar nula ou ineficaz a sentença de mérito, podendo a ques-
tão ser reexaminada, sem grande prejuízo, por ocasião do julgamento do recurso de apelação. STJ. 3ª Turma.
REsp 1724453-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/03/2019 (Info 644).
- O conceito de “decisão interlocutória que versa sobre tutela provisória” (art. 1.015, I, do CPC/15) abran-
ge as decisões que examinam a presença ou não dos pressupostos que justificam o deferimento, inde-
ferimento, revogação ou alteração da tutela provisória e, também, as decisões que dizem respeito ao
prazo e ao modo de cumprimento da tutela, a adequação, suficiência, proporcionalidade ou razoabi-
lidade da técnica de efetiva da tutela provisória e, ainda, a necessidade ou dispensa de garantias para
a concessão, revogação ou alteração da tutela provisória. Não cabe agravo de instrumento contra decisão
interlocutória que impõe ao beneficiário o dever de arcar com as despesas da estadia do bem móvel objeto
da apreensão em pátio de terceiro, pois não se relaciona de forma indissociável com a tutela provisória, mas,
sim, diz respeito a aspectos externos e dissociados do conceito elementar desse instituto, relacionando-se com
a executoriedade, operacionalização ou implementação fática da medida. STJ. 3ª Turma. REsp 1752049-PR, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/03/2019 (Info 644).
- A parte que espontaneamente peticiona nos autos e por seu conteúdo revela sem sombra de dúvidas
ter conhecimento do ato decisório prolatado, mas não publicado, tem ciência inequívoca para desde
então interpor agravo de instrumento. STJ. 3ª Turma. REsp 1710498/CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
19/02/2019.
Incidente de demandas repetitivas: Tradicionalmente, o processo civil se caracterizou por sofrer forte
influência liberal, possuindo, assim, perfil individualista. Tal realidade demonstrou-se insuficiente para solu-
cionar os conflitos de uma sociedade de massa em tempo hábil. Assim, nas últimas décadas, o legislador
buscou criar instrumentos processuais aptos para as demandas em massa como a ação civil pública (Lei
nº 7.374/1985) e ações que envolvem os direitos do consumidor (Lei 8.078/1990). Por outro lado, o legis-
lador também procurou sistematizar demandas individuais repetitivas. Inicialmente, através da exigência
de repercussão geral nos Recursos Extraordinários (EC nº 45/2004 e Lei 11.418/2006) e posteriormente
aplicando a técnica de julgamento de Recursos Especiais repetitivos (Lei nº 11.672/2008).
Nesse contexto, o novo CPC (Lei 13.105/2015) se inspirou no musterverfahren do direito alemão, bem
como em outros institutos do direito inglês e norte-americano para criar o incidente de resolução de
demandas repetitivas. Trata-se de instrumento cabível quando houver, simultaneamente, a efetiva repe-
tição de processos com controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito e haja risco de
ofensa à isonomia e à segurança jurídica. Através dele, busca-se a isonomia, evitando-se o tratamento
diferenciado para casos iguais, formando-se uma jurisprudência firme já na segunda instância.
De acordo com o artigo 977 do novo CPC, o pedido de instauração do incidente será dirigido ao presi-
dente de tribunal: Pelo juiz ou relator; Pelas partes; Pelo Ministério Público; ou Pela Defensoria Pública.
O procedimento determina que o relator ouvirá as partes e os demais interessados, inclusive pessoas,
órgãos e entidades com interesse na controvérsia, que poderão requerer a juntada de documentos, bem
como as diligências necessárias para a elucidação da questão de direito controvertida. Além disso, prevê a
possibilidade de realização de audiências públicas e participação de amicus curiae. Julgado o incidente,
a tese jurídica será aplicada a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica ques-
tão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal, inclusive àqueles que tramitem
nos juizados especiais do respectivo Estado ou região; bem como aos casos futuros que versem idêntica
questão de direito e que venham a tramitar no território de competência do tribunal. Após o julgamento
do incidente e a fixação da tese jurídica, o órgão colegiado julgará igualmente o recurso, a remessa ne-
cessária ou o processo de competência originária de onde se originou o incidente. Trata-se de decisão
vinculante, assim, caso não seja observada a tese adotada no incidente, caberá reclamação. Depois de
firmada a tese do repetitivo, as novas demandas propostas em desacordo com o entendimento firmado
serão liminarmente julgadas improcedentes. Porém, se a nova demanda estiver de acordo, o juiz deverá
conceder a tutela de evidência, sendo, nesse caso, dispensada a prestação de caução para executar pro-
visoriamente. Ademais, caso o julgador não aplique o precedente e não faça a distinção ou a superação
do precedente, não será considerada fundamentada a decisão judicial.
Não é admissível reclamação: proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada e proposta
para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida
ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não
esgotadas as instâncias ordinárias.
IRDR IAC
Efetiva repetição de processos que contenham contro- Relevante questão de direito, com grande reper-
vérsia sobre a mesma questão unicamente de direito cussão social
Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica Sem repetição em múltiplos processos.
CABERÁ RECLAMAÇÃO se a tese firmada não for observada – os precedentes firmados são VINCULANTES
AÇÃO RESCISÓRIA
- O tribunal julga ação rescisória da decisão de juiz a ele vinculado e dos seus próprios acórdãos.
- Em regra, a ação rescisória NÃO suspende a execução, salvo deferimento de tutela provisória.
#ATENÇÃO: para o STJ, segundo o enunciado da súmula 401, não existe coisa julgada pulverizada (o prazo
decadencial da ação rescisória só se inicia quando não for cabível qualquer recurso do último pronunciamento
judicial). O Novo CPC adotou esse entendimento.
#DEOLHONAJURIS:
- O pedido de rescisão da sentença, em vez do acórdão que a substituiu, não conduz à impossibilidade
jurídica do pedido, constituindo mera irregularidade formal. Esse entendimento é reforçado atualmente
pela previsão do art. 968, §§ 5º e 6º do CPC/2015. STJ. 3ª Turma. REsp 1.569.948-AM, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 11/12/2018 (Info 639).
- É inadmissível a ação rescisória em situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de uma
ação diversa. Não cabe ação rescisória para desconstituir decisão judicial transitada em julgado que apenas ho-
mologou acordo celebrado entre pessoa jurídica e o Estado-membro em uma ação judicial na qual se discutiam
créditos tributários de ICMS. É cabível, neste caso, a ação anulatória, nos termos do art. 966, § 4º do CPC. STF.
Plenário. AR 2697 AgR/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21/3/2019 (Info 934).
execução por quantia certa contra devedor solvente. Da penhora, avaliação e expropriação. Da citação do
devedor e da indicação de bens. Da penhora e do depósito. Da avaliação. Da adjudicação. Da alienação
por iniciativa particular. Da alienação em hasta pública. Do Pagamento ao credor. Da Execução contra
a Fazenda Pública. Da execução da Prestação Alimentícia. Dos embargos do à execução. Prazos para
embargos. Natureza jurídica. Legitimidade e procedimento. Dos embargos à execução contra a Fazenda
Pública. Dos embargos na execução por carta. Da execução por quantia certa contra devedor insolvente.
Da suspensão e extinção do processo. Do Processo Cautelar. Das disposições gerais. Dos procedimentos
cautelares específicos. Multipropriedade (Lei nº 13.777/2018).
Ordem preferencial da penhora: Art. 835. (...) § 1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas
demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso concreto. CUIDA-
DO para quem decorou a Súm. 417 do STJ que dizia que na execução civil, a penhora em dinheiro na ordem de
nomeação de bens não tem caráter absoluto. Essa foi SUPERADA – Dinheiro tem prioridade na penhora.
A cota de fundo de investimento não se subsume à ordem de preferência legal disposta no inciso I do
art. 835 do CPC/2015 (art. 655 do CPC/1973). Em outras palavras, as cotas de fundo de investimento não
podem ser consideradas como dinheiro aplicado em instituição financeira. STJ. 2ª Seção. REsp 1.388.642-SP, Rel.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 3/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 589).
É possível a penhora de parte da remuneração, aposentadoria ou qualquer outra verba salarial do devedor em
caso de execução de honorários advocatícios. O inciso IV do art. 833 do CPC/2015 estabelece, como regra geral,
a impenhorabilidade das verbas salariais do devedor. No entanto, o § 2º do art. 833 prevê duas exceções: a)
penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem; b) penhora das impor-
tâncias excedentes a 50 salários-mínimos mensais. Os honorários advocatícios possuem natureza alimentar e,
portanto, enquadram-se na regra de exceção prevista no § 2º do art. 833. STJ. 4ª Turma. REsp 1732927/DF, Rel.
Min. Raul Araújo, julgado em 12/02/2019.
- É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem para garantir o pagamento de dívida
cobrada em execução judicial. É possível aplicar a regra do art. 860 do CPC, ao procedimento de arbitragem,
a fim de permitir que o juiz oficie o árbitro para que este faça constar em sua decisão final, acaso favorável ao
executado, a existência da ordem judicial de expropriação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.678.224-SP, Rel. Min. Nancy An-
drighi, julgado em 07/05/2019 (Info 648).
MODALIDADE ESPECIFICIDADES
IMPUGNAÇÃO AO DESNECESSIDADE DE GARANTIR O JUÍZO
CUMPRIMENTO DE *Execução é suspensa com a garantia (desde que haja fumus + periculum +
SENTENÇA pedido expresso)
DESNECESSIDADE DE GARANTIR O JUÍZO
EMBARGOS À EXE-
CUÇÃO COMUM *Execução é suspensa com a garantia (desde que haja fumus + periculum +
pedido expresso)
EMBARGOS À EXE- NECESSIDADE DE GARANTIR O JUÍZO
CUÇÃO EM EXECU- *Execução é suspensa com a garantia (desde que haja fumus + periculum +
ÇÃO FISCAL pedido expresso)
¾¾O NCPC prevê hipótese de execução invertida: Art. 526. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o
cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que entender devido,
apresentando memória discriminada do cálculo.
¾¾O NCPC admite a penhora de salário, desde que o devedor ganhe mais de 50 salários mínimos (art. 833,
§2º).
¾¾A impenhorabilidade dos valores recebidos pelo beneficiário do seguro de vida limita-se ao mon-
tante de 40 (quarenta) salários mínimos, por aplicação analógica do art. 833, X, do CPC/2015, cabendo
a constrição judicial da quantia que a exceder. Cuidado com a redação literal do art. 833, VI, do CPC/2015:
“São impenhoráveis: (...) VI - o seguro de vida”. STJ, julgado em 22/05/2018 (Info 628).
¾¾No NCPC fica expressamente proibida a aplicação do parcelamento da dívida no cumprimento de sentença,
ou seja, só é possível o parcelamento nas execuções de título extrajudicial (art. 916, §7º).
¾¾Non liquet (STJ): se não há provas suficientes para definir o quantum debeatur, o juiz extinguirá o processo
de liquidação sem julgamento do mérito, sendo a parte autorizada a propor nova liquidação caso reúna
novas provas.
¾¾EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE: Defesa sem dilação probatória (ou seja, pode ser alegada qualquer
matéria conhecível de ofício que não demande produção de provas). Se a exceção for acolhida, caberá con-
denação do exequente em honorários advocatícios.
¾¾#OLHAOGANCHO: Defesas heterotópicas são as ações que impugnam título executivo extrajudicial (ex.:
ação anulatória; ação declaratória de inexistência de relação jurídica tributária).
¾¾Em ação possessória entre particulares é cabível o oferecimento de oposição pelo ente público,
alegando-se incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de demonstração da posse. STJ. Corte
Especial. EREsp 1134446-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2018 (Info 623).
¾¾O contrato eletrônico de mútuo com assinatura digital pode ser considerado título executivo extra-
judicial. Neste caso, não será necessária a assinatura de 2 testemunhas, conforme exige o art. 784, III, do
CPC/2015. Na assinatura digital de contrato eletrônico, uma autoridade certificadora (terceiro desinteressa-
do) atesta que aquele determinado usuário realmente utilizou aquela assinatura no documento eletrônico.
Como existe esse instrumento de verificação de autenticidade e presencialidade do contratante, é possível
reconhecer esse contrato como título executivo extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.495.920-DF, Rel. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino, julgado em 15/05/2018 (Info 627).
MANDADO DE SEGURANÇA
Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com
CABIMENTO abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo
receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais
forem as funções que exerça.
CLASSIFICAÇÃO PREVENTIVO – prevenir ameaça a direito líquido e certo.
QUANTO AO TEMPO REPRESSIVO – corrigir ilegalidade ou abuso já ocorrido.
QUANTO AO INDIVIDUAL – tutela interesse individual.
INTERESSE COLETIVO – tutela direito de uma coletividade.
Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticado
pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de
concessionárias de serviço público.
Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independen-
NÃO CABE temente de caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.
Também não cabe MS contra LEI EM TESE (Súmula 266, STF) nem contra ato “interna
corporis” do Poder Legislativo.
LITISCONSÓRCIO O ingresso de litisconsorte ativo não será admitido após o despacho da petição
ULTERIOR ATIVO inicial.
MS CONTRA ATOS Atos complexos são aqueles que conjugam a vontade de dois ou mais órgãos/agen-
ADMINISTRATIVOS tes distintos. Neste caso, deve-se incluir como litisconsórcio passivo necessário todos
COMPLEXOS que contribuíram para a prática do ato.
JUSTIÇA DO
Quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição (art. 114, IV).
TRABALHO
JUSTIÇA ELEITORAL Quando envolvida matéria eleitoral (art. 121, §4º, V).
TRIBUNAIS E JUÍZES
Conforme dispuserem as respectivas Constituições Estaduais (art. 125, §1º)
ESTADUAIS
- TEORIA DA ENCAMPAÇÃO:
Súmula 628-STJ: A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulati-
vamente, os seguintes requisitos:
a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do
ato impugnado;
b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e
c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
- Jurisprudência importante:
99 O prazo decadencial para impetrar mandado de segurança contra redução do valor de vantagem
integrante de proventos ou de remuneração de servidor público renova-se mês a mês. A redução, ao
contrário da supressão de vantagem, configura relação de trato sucessivo, pois não equivale à negação do
próprio fundo de direito. Assim, o prazo decadencial para se impetrar a ação mandamental renova-se mês
a mês. • Ato que SUPRIME vantagem: é ato ÚNICO (o prazo para o MS é contado da data em que o preju-
dicado tomou ciência do ato). • Ato que REDUZ vantagem: consiste em prestação de TRATO SUCESSIVO (o
prazo para o MS renova-se mês a mês). STJ. Corte Especial. EREsp 1.164.514-AM, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, julgado em 16/12/2015 (Info 578).
#AJUDAMARCINHO
#OLHAOGANCHO #AJUDAMARCINHO
Segundo a atual e predominante jurisprudência do STJ, os efeitos financeiros, por ocasião da concessão da
segurança, devem retroagir à data de sua impetração, devendo os valores pretéritos ser cobrados em
ação própria. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1481406/GO, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 17/04/2018.
PROCESSO COLETIVO
¾¾A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por asso-
ciação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da
jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda,
constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. STF. Plenário. RE 612043/PR,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864).
ATENÇÃO!
As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses coletivos ou individuais
homogêneos, independentemente de autorização expressa dos associados. STJ. 2ª Turma. REsp 1796185/
RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/03/2019.
As associações de classe atuam como representantes processuais, sendo obrigatória a autorização in-
dividual ou assemblear dos associados - STF, RE 573.232. Esse entendimento, todavia, não se aplica na
hipótese de a associação buscar em juízo a tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, IV, do CDC.
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1335681/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/02/2019.
Por se tratar do regime de substituição processual, a autorização para a defesa do interesse coletivo em sentido
amplo é estabelecida na definição dos objetivos institucionais, no próprio ato de criação da associação, sendo
desnecessária nova autorização ou deliberação assemblear. As teses de repercussão geral resultadas do julgamen-
to do RE 612.043/PR e do RE 573.232/SC tem seu alcance expressamente restringido às ações coletivas de rito
ordinário, as quais tratam de interesses meramente individuais, sem índole coletiva, pois, nessas situações, o autor
se limita a representar os titulares do direito controvertido, atuando na defesa de interesses alheios e em nome
alheio. STJ. 3ª Turma. REsp 1649087/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/10/2018. STJ. 3ª Turma. AgInt no
REsp 1719820/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/04/2019.
INDIVIDUAIS
SENTENÇA DIFUSOS COLETIVOS
HOMOGÊNEOS
Fará coisa julgada Fará coisa julgada Fará coisa julgada
PROCEDENTE
erga omnes. ultra partes. erga omnes.
Fará coisa julgada erga Impede nova ação co-
Fará coisa julgada ultra par-
omnes. letiva.
tes.
IMPROCEDENTE
Impede nova ação coleti- O lesado pode propor
COM EXAME DE Impede nova ação coletiva.
va. ação individual se não
PROVAS
O lesado pode propor ação participou da ação co-
O lesado pode propor
individual. letiva.
ação individual.
Não fará coisa julgada Impede nova ação co-
Não fará coisa julgada
erga omnes. letiva.
IMPROCEDENTE erga omnes.
POR FALTA DE Qualquer legitimado pode O lesado pode propor
Qualquer legitimado pode ação individual se não
PROVAS propor nova ação coleti-
propor nova ação coletiva, participou da ação co-
va, desde que haja prova
desde que haja prova nova. letiva.
nova.
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NAS AÇÕES COLETIVAS: atipicidade, primazia da solução do mérito (agora também
nos individuais, em razão do NCPC), representação adequada (ou controle judicial da legitimação coletiva),
ampla divulgação da demanda coletiva (fair notice), indisponibilidade mitigada (MP tem que assumir se houver
desistência infundada ou abandono da ação), máximo benefício da tutela jurisdicional coletiva (transporte in
utilibus da coisa julgada coletiva), competência adequada.
- A ACP se presta tanto para a tutela preventiva, como ressarcitória/reparatória dos bens e direitos difusos, cole-
tivos e individuais homogêneos.
- O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação civil pública que visa à anulação da
tramitação de Projeto de Lei do Plano Diretor de município, ao argumento da falta de participação popular
nos respectivos trabalhos legislativos. No caso concreto, o MPF ajuizou ACP contra o Município de Florianópolis
e a União argumentando que o Poder Executivo Municipal teria encaminhado à Câmara de Vereadores o projeto
de Lei do Plano Diretor da cidade sem a realização das necessárias audiências públicas, o que violaria o Estatuto
da Cidade. O STJ entendeu que a legitimidade para essa demanda seria do Ministério Público estadual
(e não do MPF) (STJ, Info 616).
- Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva proposta em defesa de direitos
individuais homogêneos, independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do pedido, não
é possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto por outro legitimado coletivo, ainda
que em outro Estado da federação (STJ, Info 575).
- Admite-se emenda à inicial de ação civil pública, em face da existência de pedido genérico, ainda que já tenha
sido apresentada a contestação (STJ, Info 615).
- Não se admite o cabimento da remessa necessária, tal como prevista no art. 19 da Lei nº 4.717/65, nas
ações coletivas que versem sobre direitos individuais homogêneos. Ex: ação proposta pelo MP tutelando
direitos individuais homogêneos de consumidores. STJ. 3ª Turma. REsp 1374232-ES, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 26/09/2017 (Info 612)
- A parte que foi vencida em ação civil pública não tem o dever de pagar honorários advocatícios em
favor do autor da ação. Isso porque se o autor da ACP perder a demanda, ele não irá pagar honorários ad-
vocatícios, salvo se estiver de má-fé (art. 18 da Lei nº 7.347/85). Desse modo, em razão da simetria, descabe a
condenação em honorários advocatícios da parte requerida em ação civil pública, quando inexistente má-fé,
de igual sorte como ocorre com a parte autora.
STJ. Corte Especial. EAREsp 962.250/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 15/08/2018.
- O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato administrativo
de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 25/10/2018 (repercussão geral) (Info 921).
- Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos consume-
ristas questionando a cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e aos entes políticos,
que têm como finalidades institucionais a proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos consu-
midores, não se exige pertinência temática e representatividade adequada.
STJ. 3ª Turma. REsp 1509586-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626).
- Súmula 601-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos
e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. STJ. Corte
Especial. Aprovada em 07/02/2018, DJe 14/02/2018.
É determinada pelo local do dano (local, regional ou nacional): art. 2°, LACP e art.
93, CDC. Entende-se que é um critério de competência absoluta! Não há prer-
COMPETÊNCIA NAS
rogativa de foro na ACP. Nas causas relacionadas ao direito indígena, não é o fato
AÇÕES COLETIVAS:
de ter índio no processo que fixa a competência da Justiça Federal, mas a causa de
pedir “direito dos povos indígenas”.
Decidiu-se que a ACP pode, sim, controlar a constitucionalidade de leis e atos nor-
mativos, porém, apenas de maneira incidental, sem declaração erga omnes da in-
constitucionalidade (REsp 728.406DF). Ou seja, haverá eficácia só no caso concreto.
ACP X ADC X ADI: Desse modo, é totalmente possível conviver uma ACP em 1ª Instância e uma ADI
(ou uma ADC) no STF, tendo em vista que os pedidos são diferentes (enquanto na
ACP pede-se uma providência concreta, na ADI ou ADC pede-se declaração de
inconstitucionalidade ou de constitucionalidade).
É totalmente pacífica na doutrina e na jurisprudência a possibilidade de dano moral
DANO MORAL NOS
por ofensa aos direitos individuais homogêneos. Os destinatários das indenizações,
DIREITOS INDIVI-
por evidente, são as vítimas e sucessores que tiveram direito da personalidade ofen-
DUAIS HOMOGÊNEOS
dido pelo evento.
- Súmula 365 STF: pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.
- STJ: o autor popular carece de legitimidade ativa para pleitear a condenação de qualquer pessoa por ato de
improbidade administrativa. Defesa do patrimônio público, meio ambiente ou moralidade administrativa.
- Ação popular não pode atacar atos jurisdicionais, salvo homologação de acordo.
- Prazo da contestação: 20 dias, prorrogáveis por mais 20 (prazo comum para todos os interessados; não há
prazo especial para a FP).
- Se o autor desistir da ação ou der motivo à absolvição da instância (extinção sem julgamento do mérito), serão
publicados editais, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público,
dentro do prazo de 90 dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. Se a desistência for
fundamentada, o MP não está obrigado a continuar a demanda.
- A sentença que, julgando procedente a ação popular, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao
pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação re-
gressiva contra os funcionários causadores de dano, quando incorrerem em culpa. Caso decorridos 60 dias da
publicação da sentença condenatória de segunda instância, sem que o autor ou terceiro promova a res-
pectiva execução, o representante do Ministério Público a promoverá nos 30 dias seguintes, sob pena
de falta grave. A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível “erga omnes”, exceto no caso de haver sido a
ação julgada improcedente por deficiência de prova; neste caso, qualquer cidadão poderá intentar outra ação
com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova (coisa julgada secundum eventum probationis). A eficácia
não se limita ao território do órgão prolator. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da
ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal;
a regra pode ser aplicada também na ACP.
O artigo 2º da Lei n. 9.099/95 concretiza uma norma-princípio, pois tem caráter mais aberto, menor densidade
normativa e é empregada principalmente como vetor interpretativo - qualquer regra aplicável aos Juizados (in-
clusive expressa no CPC) deve ser interpretada à luz dos princípios informadores.
a) Oralidade (Lei n. 9.099/95, arts. 9º, § 3º, 13, § 3º, 14, § 3º, 30 e 52, IV):
Lei n. 9.099/95, art. 9º, § 3º: “O mandato ao advogado poderá ser verbal, salvo quanto aos poderes especiais”.
Lei n. 9.099/95, art. 13, § 3º: “Apenas os atos considerados essenciais serão registrados resumidamente, em notas
manuscritas, datilografadas, taquigrafadas ou estenotipadas. Os demais atos poderão ser gravados em fita mag-
nética ou equivalente, que será inutilizada após o trânsito em julgado da decisão”.
Lei n. 9.099/95, art. 14, § 3º: “O pedido oral será reduzido a escrito pela Secretaria do Juizado, podendo ser utiliza-
do o sistema de fichas ou formulários impressos”.
Lei n. 9.099/95, art. 30: “A contestação, que será oral ou escrita, conterá toda matéria de defesa, exceto arguição
de suspeição ou impedimento do Juiz, que se processará na forma da legislação em vigor”.
Lei n. 9.099/95, art. 52: A execução da sentença processar-se-á no próprio Juizado, aplicando-se, no que couber, o
disposto no Código de Processo Civil, com as seguintes alterações:
IV - não cumprida voluntariamente a sentença transitada em julgado, e tendo havido solicitação do interessado,
que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução, dispensada nova citação;
Lei n. 9.099/95, art. 13: “Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais
forem realizados, atendidos os critérios indicados no art. 2º desta Lei”.
Lei n. 9.099/95, art. 18: A citação far-se-á: (...)
II - tratando-se de pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, que será
obrigatoriamente identificado.
Lei n. 9.099/95, art. 46: “O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente
do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos,
a súmula do julgamento servirá de acórdão”.
Lei n. 9.099/95, art. 38: “A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório”.
Lei n. 9.099/95, art. 10: “Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistên-
cia. Admitir-se-á o litisconsórcio”.
e) Conciliação
Lei n. 9.099/95, art. 22: “A conciliação será conduzida pelo Juiz togado ou leigo ou por conciliador sob sua orien-
tação”.
Lei n. 10.259/01, art. 9º: “Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual pelas pessoas
jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação para audiência de conciliação
ser efetuada com antecedência mínima de trinta dias.
Lei n. 12.153/09, art. 8º: “Os representantes judiciais dos réus presentes à audiência poderão conciliar, transigir ou
desistir nos processos da competência dos Juizados Especiais, nos termos e nas hipóteses previstas na lei do res-
pectivo ente da Federação”.