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História e Dinâmicas das Penas e Prisões

O documento aborda a história das penas e prisões, enfatizando conceitos como criminalização e seletividade, além de discutir a aplicação prática desses conceitos na atuação profissional. Apresenta diferentes discursos teóricos sobre a sanção penal, incluindo retributivos e utilitários, e analisa a evolução da prisão moderna e suas dinâmicas de encarceramento. Também explora o fenômeno do encarceramento em massa, suas causas e consequências sociais, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil.

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História e Dinâmicas das Penas e Prisões

O documento aborda a história das penas e prisões, enfatizando conceitos como criminalização e seletividade, além de discutir a aplicação prática desses conceitos na atuação profissional. Apresenta diferentes discursos teóricos sobre a sanção penal, incluindo retributivos e utilitários, e analisa a evolução da prisão moderna e suas dinâmicas de encarceramento. Também explora o fenômeno do encarceramento em massa, suas causas e consequências sociais, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil.

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PENAS E PRISÕES

DISCIPLINA Este material foi elaborado pelos professores


Penas e Prisões Leandro Ayres França, Lucas Ivaniski Mello,
OBJETIVOS Morgana Teodoro Rodrigues, Fabiano Parmeggiani
Conhecer a história das penas e das prisões da Silva e Daiana Rocha, para a disciplina Penas e
com ênfase nos conceitos de: criminalização, Prisões do Curso de Formação Profissional (2023),
seletividade, etiquetamento e reação social. Escola do Serviço Penitenciário, Superintendência
Identificar a aplicação na prática profissional dos dos Serviços Penitenciários, Estado do Rio Grande
instrumentos analíticos para o entendimento e do Sul. Atualizado em 05/2023.
intervenção sobre as dinâmicas de encarceramento
e modos de funcionamento das prisões.
COMPONENTES CURRICULARES
História das Penas e das Prisões. Sociologia
da Punição e dinâmicas de encarceramento
no Brasil atual. Criminologia Brasileira.
PENAS E PRISÕES

1. HISTÓRIA DAS PENAS


PENAS E PRISÕES

Quais discursos teóricos fundamentam a sanção penal?


PENAS E PRISÕES

DISCURSOS RETRIBUTIVOS (ABSOLUTOS)


• Caráter devolutivo, aflitivo e pessoal
• Miram o passado: a pena é uma reação ao mal produzido pelo crime
• A pena é um fim em si mesma

RETRIBUIÇÃO DIVINA
• Característica de sociedades primitivas
• Caracterizada pela vingança e pela expiação
• Fundamento: reequilíbrio entre delito e pena
RETRIBUIÇÃO MORAL
• O mal causado pelo crime deve ser retribuído com o mal da pena do mesmo modo que ao
bem deve-se conceder um prêmio.
• Kant: Na hipótese de dissolução da sociedade, por decisão consensual de seus membros, o
último assassino que estivesse no cárcere deveria se executado, para que cada indivíduo
recebesse a pena merecida pelo delito que cometeu.
RETRIBUIÇÃO JURÍDICA
• Hegel: O Estado busca a manutenção da ordem jurídica; o crime causa a destruição
do direito; a pena, então, restabelece a ordem jurídica violada.
PENAS E PRISÕES

DISCURSOS UTILITÁRIOS (RELATIVOS)


• Visam ao futuro: a pena é um instrumento socialmente construtivo
• Propõem-se a prevenir a prática de novos delitos por meio da
potencialidade educativa/intimidadora da pena

PREVENÇÃO ESPECIAL
Enfoque maior no autor do crime do que no fato delitivo
• POSITIVA: Correção, reeducação e ressocialização do réu
• NEGATIVA: Neutralização da possibilidade de ação do réu, ou sua
incapacitação (inocuização)

PREVENÇÃO GERAL
Enfoque maior na comunidade
• POSITIVA: Reforço da fidelidade (integração) dos cidadãos à ordem constituída
• NEGATIVA: Dissuasão dos indivíduos potencialmente perigosos pelo exemplo
ou pela ameaça da pena
PENAS E PRISÕES

Qual discurso foi adotado pelo nosso Código Penal?


PENAS E PRISÕES

Qual discurso foi adotado pelo nosso Código Penal?

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à


conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário
e suficiente para reprovação e prevenção do crime: [...]
PENAS E PRISÕES

Qual discurso foi adotado pelo nosso Código Penal?

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à


conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário
e suficiente para reprovação e prevenção do crime: [...]
TEORIA MISTA DA PENA
PENAS E PRISÕES

São três as modalidades de penas que


temos no Código Penal (art. 32):

• Pena privativa de liberdade


• Pena restritiva de direitos
• Pena de multa

A pena privativa de liberdade é a pena de


encarceramento, forma mais grave de
intervenção repressiva, que atinge a liberdade
ambulatória do apenado, quem é recolhido
em um estabelecimento prisional.
PENAS E PRISÕES

2. HISTÓRIA DAS PRISÕES


• Georg Rusche e Otto Kirchheimer
• Michel Foucault
• Dario Melossi e Massimo Pavarini
PENAS E PRISÕES

O NASCIMENTO DA PRISÃO MODERNA

Até o século XVIII, as grades foram locais de detenção antes do


julgamento. Excepcionalmente, ocorriam sentenças de prisão.

As mudanças dos métodos de punição resultaram de um


determinado desenvolvimento econômico (Mercantilismo) que
revelou o valor potencial de uma massa de material humano à
disposição das autoridades – e não de considerações humanitárias.

“Pois é claro que um fenômeno como o sistema penal é muito 1939


profundamente enraizado no sistema social no qual ele opera e
que ele não pode ser proveitosamente estudado sem que se leve
em conta aquele sistema social.”

George Rusche (1930) ‘Prison revolts or social policy lessons from America’.
PENAS E PRISÕES

O NASCIMENTO DA PRISÃO MODERNA

Surgimento da casa de correção


Combinação dos princípios das casas de assistência aos pobres
(poorhouses), oficinas de trabalho (workhouses) e instituições penais.

Princípio de less eligibility (incorporado à Poor Law, 1834): as


condições de vida no cárcere devem ser inferiores às das categorias
mais baixas dos trabalhadores livres, de modo a salvaguardar os
efeitos dissuasivos da pena e a constranger ao trabalho.

1939
PENAS E PRISÕES

O NASCIMENTO DA PRISÃO MODERNA

Sistema da Filadélfia
(Pensilvânia, 1790)
• Isolamento em celas individuais

Sistema de Auburn
(New York, c. 1820)
• Trabalho coletivo nas oficinas durante o dia
• Isolamento celular noturno
PENAS E PRISÕES

O NASCIMENTO DA PRISÃO MODERNA

A prisão não surgiu como forma de humanização da pena (suplício).


A forma de punir criminosos se transformou porque o exercício do
poder também mudou. A prisão é o modelo institucional de uma
sociedade panóptica (vigilância total), sequestradora e disciplinar.

“Conhecem-se todos os inconvenientes da prisão, e


sabe-se que é perigosa quando não inútil. E entretanto
não ‘vemos’ o que pôr em seu lugar. Ela é a detestável
solução, de que não se pode abrir mão.”

“O sistema carcerário junta numa mesma figura


discursos e arquitetos, regulamentos coercitivos e
proposições científicas, efeitos sociais reais e utopias
invencíveis, programas para corrigir a delinquência e
mecanismos que solidificam a delinquência.”
1975
PENAS E PRISÕES

O NASCIMENTO DA PRISÃO MODERNA

A prisão assume a função – preventiva e retributiva –


de transformar o sujeito real (condenado) em sujeito
ideal (trabalhador), adaptado à disciplina da fábrica,
principal instituição da estrutura social.
PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DA PENITENCIÁRIA: PRODUÇÃO

Recentemente, Melossi atualizou seu argumento, enfatizando


que as técnicas disciplinares da penitenciária não buscam
ensinar habilidades laborais aos presos para os transformar em
trabalhadores arquetípicos, mas sim instilar obediência neles,
consolidando, assim, sua inclusão subordinada no tecido social.
1977 PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DA PENITENCIÁRIA: SUBORDINAÇÃO
PENAS E PRISÕES

3. ENCARCERAMENTO EM MASSA E
DINÂMICAS DE ENCARCERAMENTO
• David Garland
• Loïc Wacquant
• Michelle Alexander
• Alessandro De Giorgi
PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO EM MASSA

Taxa de encarceramento,
histórica e comparativamente sem precedentes,
altamente concentrada
em comunidade ou grupos sociais específicos.
PENAS E PRISÕES

APRISIONAMENTO

Número de prisioneiros em penitenciárias federais e estaduais, nos Estados Unidos (1980-2017). FONTE:
PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO

Número de prisioneiros em penitenciárias federais e estaduais (colunas pretas) e de prisioneiros


encarcerados incluindo cadeias locais (colunas cinzas), nos Estados Unidos (1980-2017).
PENAS E PRISÕES

TAXAS DE ENCARCERAMENTO

Além da contagem per capita, é


importante avaliar a proporção da
população encarcerada comparada
à população total de um país,
calculada por 100.000 residentes.

Taxas de encarceramento nos Estados Unidos (1980-2016).


PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO EM MASSA

FATORES ESPECÍFICOS (EUA)

• Mandatory minimum
Obrigatoriedade de os juízes aplicarem penas mínimas fixas aos condenados,
independentemente da análise de sua culpabilidade ou de fatores mitigadores da pena
(sentenças com mínimo de 5 anos para primários que são pegos com 28g ou mais de crack)

• Truth in sentencing PRISÕES PRIVADAS


Exigência de que os condenados cumpram o máximo possível da condenação, antes de se Nos EUA, menos de 10% da
tornarem elegíveis para o livramento condicional. população prisional era mantida em
estabelecimentos privados. No
(na maioria dos estados, exige-se o cumprimento de 85% da pena)
entanto, os serviços prisionais
relacionados (assistência médica,
• Three strikes and you’re out catering, telefonia, sursis, livramento
Tomada de empréstimo do beisebol – em que o batedor que perde a bola três vezes, a qual condicional, monitoramento
lhe é arremessada numa sequência, fica temporariamente fora do jogo –, a expressão designa eletrônico e detenção de imigrantes)
o agravamento das sanções em casos de reincidência. são oferecidos pelo setor privado.
(Chambliss 2001: 33, De Giorgi 2017: 23-30)
PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO EM MASSA

FATORES GERAIS

• Medo endêmico do crime, fomentado por apelos midiáticos apaixonados por políticas mais
duras contra a criminalidade;
• Assunção do crime na pauta eleitoral e sua instrumentalização para o exercício de governo;
• Necessidade de respostas políticas para garantir a segurança pública;
• Transinternação: manicômios → prisões;
• Política de guerra às drogas;
• Aumento das penas acompanhado por uma maior restrição dos benefícios penais (por
exemplo: Lei dos Crimes Hediondos);
• Abuso na utilização da prisão preventiva.
PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO EM MASSA

CONSEQUÊNCIAS COLATERAIS

• Restrição de voto, o que gera uma influência • Precarização do trabalho;


racial/socioeconômica no resultado eleitoral; • Ruptura das relações familiares;
• Acesso restrito à moradia, que leva os • Colapso comunitário;
ex-apenados ao desabrigo;
• Desengajamento cívico;
• Acesso restrito ao mercado de trabalho,
manifesto nos efeitos estigmatizantes do histórico • Violência interpessoal;
criminal e nas interdições legais para o trabalho • Perpetuação das desvantagens daqueles
em vários serviços; capturados na rede do sistema penal com a
• Acesso restrito à assistência social; transmissão intergeracional da desigualdade social.
• Insegurança econômica;
PENAS E PRISÕES

(leituras sugeridas) (filme indicado)


PENAS E PRISÕES

ENCARCERAMENTO

Pessoas privadas de liberdade, no Brasil (1990-2019).


PENAS E PRISÕES

TRANSENCARCERAMENTO

ATENÇÃO!

Número de prisioneiros em penitenciárias federais e estaduais (colunas pretas) e de prisioneiros encarcerados


incluindo cadeias locais (colunas cinzas), nos Estados Unidos (1980-2017).
PENAS E PRISÕES

CONTROLE PENAL (SUPERVISÃO)

PROBATION / PAROLE

População correcional nos Estados Unidos (1980-2017).

Expansão penal por meio da ampliação da


rede e do afinamento da malha supervisional
PENAS E PRISÕES

CONTROLE PENAL (SUPERVISÃO)


100

90 MONITORAMENTO ELETRÔNICO
80

70

60

50

40

30

20

10

0
2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

2022
Fonte: Mapa da população prisional, SUSEPE (2013-2022), considerando as últimas semanas de cada ano.

Percentual de monitorados (tornozeleira)


na população prisional do Rio Grande do Sul
PENAS E PRISÕES

POPULAÇÃO PRISIONAL POR ANO NO RS

50.000

45.000

40.000

35.000

30.000

25.000

20.000

15.000

10.000

5.000

0
92 993 994 995 996 997 998 999 000 001 002 003 004 005 006 007 008 009 010 011 012 013 014 015 016 017 018 019 020 021
19 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2

Compilação dos dados: Fabio Heinen (população prisional 1992-2020 e efetivo funcional 1992-2004),
Christian da Silva Gonçalves e Paola Zanini (efetivo funcional 2005-2022)
PENAS E PRISÕES

POPULAÇÃO PRISIONAL E EFETIVO FUNCIONAL POR ANO NO RS

50.000

45.000

40.000

35.000

30.000

25.000

20.000

15.000

10.000

5.000

TSP + AP + APA 0
92 993 994 995 996 997 998 999 000 001 002 003 004 005 006 007 008 009 010 011 012 013 014 015 016 017 018 019 020 021
19 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2

Compilação dos dados: Fabio Heinen (população prisional 1992-2020 e efetivo funcional 1992-2004),
Christian da Silva Gonçalves e Paola Zanini (efetivo funcional 2005-2022)
PENAS E PRISÕES

POPULAÇÃO PRISIONAL E EFETIVO FUNCIONAL POR ANO NO RS


QUAL A PROPORÇÃO ENTRE
50.000 PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE
E SERVIDORES PENITENCIÁRIOS?
45.000

40.000

35.000

30.000

25.000

20.000

15.000

10.000

5.000

TSP + AP + APA 0
92 993 994 995 996 997 998 999 000 001 002 003 004 005 006 007 008 009 010 011 012 013 014 015 016 017 018 019 020 021
19 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2

Compilação dos dados: Fabio Heinen (população prisional 1992-2020 e efetivo funcional 1992-2004),
Christian da Silva Gonçalves e Paola Zanini (efetivo funcional 2005-2022)
PENAS E PRISÕES

PROPORÇÃO ANUAL DE PESSOAS PRIVADAS DE


LIBERDADE POR AGENTE PENITENCIÁRIO NO RS

14

12

10

6
PROPORÇÃO MÍNIMA DE
5 PRESOS POR AP
RES. 9/2009 CNPCP 4

0
05 006 007 007 008 008 009 010 010 011 011 012 012 013 014 014 015 015 016 017 017 018 018 019 019 020 021 021 022
20 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2

Compilação dos dados: Fabio Heinen (população prisional 1992-2020 e efetivo funcional 1992-2004),
Christian da Silva Gonçalves e Paola Zanini (efetivo funcional 2005-2022)
PENAS E PRISÕES

4. CRIMINOLOGIA
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA
Conjunto de discursos científicos interessados na
violação ou no risco de violação de um regramento
social ou de normas legais, nos indivíduos a ela
relacionados, em suas causas e consequências, e também
nos próprios processos de definição de seus objetos e
nas relações de poder em que se encontram inseridos.

FONTE:
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

ANTROPOLOGIA CRIMINAL
A premissa básica da criminologia biológica é que
certas pessoas são nascidas para serem criminosas por
meio da herança de uma predisposição genética ou
fisiológica para o crime. Condições ambientais não
são ignoradas, mas vistas como potenciais gatilhos da
força biológica. Como o comportamento é visto
como refletindo um código pré-escrito,
geralmente herdado, a criminalidade se
encontra além do controle individual.
(Muncie 2006:25)
Cesare Lombroso Enrico Ferri Rafaelle Garófalo
• Atavismo
RETROCESSO AO HOMEM PRIMITIVO

• Delinquente nato
FUNDAMENTO: DETERMINISMO
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

ESTRUTURA SOCIAL E ANOMIA


O crime não é uma reação patológica dos
indivíduos, em uma sociedade orgânica saudável -
onde o crime está confinado a uma margem patológica.
O crime é uma reação “normal” dos indivíduos
a condições “anormais”, em uma sociedade
disfuncional - onde o crime é normalizado.

Émile Durkheim Robert K. Merton Gresham Sykes


PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

ESCOLA DE CHICAGO
Uma escola de investigação sociológica reconhecida
por estabelecer relações entre fatores
ambientais e crime.
(Hayward 2006)

A cidade grande passou a ser vista como uma unidade


ecológica, no interior da qual se produzia delinquência. Jane Addams
Com o desenvolvimento das cidades grandes – com
suas peculiaridades urbanas dos arranha-céus, metrôs,
lojas de departamentos, jornais diários –, fenômenos
espaciais inéditos constituíram novos fatores
criminógenos.

• c. 1920 a 1945
• Mapeamento criminológico (2º momento)
• Método etnográfico
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL


“A hipótese que aqui é sugerida como substituta
às teorias tradicionais é que a criminalidade de
colarinho-branco, assim como outra
criminalidade sistemática, é aprendida; que
ela é aprendida em associação direta ou indireta
com aqueles que já praticam o comportamento”.
(Sutherland 1940:10)

Edwin H. Sutherland
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL

“Os aspectos nos quais os crimes das duas classes se diferem são os incidentais,
em vez dos essenciais, da criminalidade. Eles se diferem principalmente na
implementação das leis penais que se aplicam a eles. Os crimes da classe mais baixa são
manejados por policiais, promotores e juízes, com sanções penais na forma de multas,
aprisionamento e morte. Os crimes da classe mais alta ou não resultam em qualquer ação
oficial, ou resultam em ações indenizatórias em juízos civis, ou são manejados por
inspetores, e por comissões e conselhos administrativos, com sanções penais na forma de
advertências, ordens para cessar e desistir, ocasionalmente a perda de uma licença, e
apenas em casos extremos por sentenças de multa ou de prisão. Assim, os criminosos
de colarinho-branco são segregados administrativamente de outros criminosos
e, muito por consequência disso, não são considerados como criminosos de ACESSO:
verdade por si próprios, pelo público em geral ou pelos criminologistas.”
(Sutherland 1940:7-8)
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

Até aqui, a Criminologia basicamente confinou sua atenção às delinquências


relativamente menores que perturbavam a paz interna dos Estados liberais
estáveis (a maioria, sem ameaçá-los seriamente), à mensuração mais eficiente
desses problemas (estatísticas criminais, pesquisas e similares) e ao refinamento
dos instrumentos para policiamento, controle, punição e tratamento daqueles
indivíduos e grupos que transgrediam (sobretudo pobres, jovens e marginais).
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIAS DO ETIQUETAMENTO

Edwin M. Lemert Howard S. Becker


PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIAS DO ETIQUETAMENTO

• O delito possui uma natureza definitorial:


A criminalidade é um status social atribuído a
uma pessoa por quem tem poder de definição.
(Alessandro Baratta)

QUEM É CRIMINOSO?

QUEM É DEFINIDO COMO CRIMINOSO?
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIAS DO ETIQUETAMENTO

• A criminalidade é produzida e confirmada pelas próprias


instâncias e repartições do controle social, o qual se revela altamente
seletivo e discriminatório, além de promotor de um círculo vicioso. CONTROLE SOCIAL
Conjunto de instituições, estratégias e
sanções sociais que pretendem
promover a submissão dos indivíduos aos
COMO SE TORNA CRIMINOSO? modelos e normas de convivência social

CONTROLE SOCIAL INFORMAL
COMO OCORRE A SUA CRIMINALIZAÇÃO? Realizado pela sociedade civil (família,
escola, igreja etc.), por meio de regras de
Criminalização primária
SELETIVIDADE conduta reconhecidas e compartilhadas
PENAL
Criminalização secundária
Prisionização CONTROLE SOCIAL FORMAL
Realizado por instituições do Estado
(Polícia, MP, Judiciário, Administração
Penitenciária), por meio de repressão
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

TEORIAS DO ETIQUETAMENTO

• Longe de fazer justiça, de prevenir a criminalidade ou de reinserir o desviado


à comunidade, a reação social manifesta-se como irracional e criminógena,
potencializando o desvio, consolidando o status do desviado (estigma).

COMO A REAÇÃO RESOLVE O CRIME?



COMO A REAÇÃO FOMENTA O CRIME?
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

Se as teorias do etiquetamento haviam superado o


causalismo (determinismo) e colocado em perspectiva
a dimensão da definição, as teorias do conflito
colocarão em cena a dimensão do poder.
Carvalho, S. de (2015) ‘Criminologia crítica: ...’
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

CRIMINOLOGIA CRÍTICA

• Não há um trabalho/momento de marco inicial. Há um desenvolvimento


científico gradual de uma abordagem materialista (econômico-política).
• Ceticismo a qualquer teoria individualista de causação criminal.
• Mudança na interpretação dos motivos por trás das ações das agências que
lidam com o crime.
OBJETIVO DA
• Questionamento da premissa de que o grosso do direito penal expressa
CRIMINOLOGIA CRÍTICA
um conjunto de valores amplamente compartilhado pela sociedade. Compreender a função histórica
• Superação da tarefa de buscar dados “melhores” por meio do e atual do sistema penal para a
aprimoramento das estatísticas oficiais ou do desenvolvimento de métodos conservação e a reprodução das
alternativos de coleta de dados. relações sociais de desigualdade.
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

CRIMINOLOGIA BRASILEIRA

• A tradição legal ibérica não reconhecia


o aprisionamento como pena.
• As prisões eram geralmente espaços
para detenção de suspeitos ou para
condenados que aguardavam a aplicação • Código Criminal do Império (1830): a prisão era aplicada
de penas (típicas do Antigo Regime). como pena a quase metade dos crimes estipulados.
• Processo de cárcere-centrismo: • Código Penal Republicano (1890): a prisão passou a ser
cominada como pena para cerca de 60% dos crimes.
• Código Penal (1940): a prisão se torna a pena primordial.

França, L. A.; Mezzalira, A. C. The Development of Prison Architecture and The Political Economy of Punishment. [no prelo]
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

CRIMINOLOGIA BRASILEIRA

• A partir de meados do século XIX, debates na América Latina


sugerem uma certa familiaridade com reformas e discursos
desenvolvido nos EUA e na Europa:
• Importação dos EUA: modelos penitenciários.
• Importação da Europa: teorias positivistas e cultura jurídico-penal.

Nina Rodrigues Tobias Barreto Clóvis Beviláqua Dyonelio Machado


Casa de Correção de Porto Alegre
França, L. A. (2021) How International Should International Criminology Be? International Criminology 1(1): 46-57.
PENAS E PRISÕES

CRIMINOLOGIA

CRIMINOLOGIA BRASILEIRA

• A partir de meados do século XX, o desenvolvimento da


criminologia brasileira acompanha o movimento expansivo
(geográfico, temático, acadêmico e profissional) da criminologia:

SISTEMA PENAL
CRIMINOLOGIA FEMINISTA CRIMINOLOGIA CLÍNICA Maria Lúcia Karam
Carmen Hein de Campos Alvino de Sá Nilo Batista
Soraia da Rosa Mendes
Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo

CRIMINOLOGIA CRÍTICA CRIMINOLOGIA NEGRA URBANIZAÇÃO E VIOLÊNCIA


Roberto Lyra Filho Luciano Góes Alba Zaluar
Juarez Cirino
Teresa Caldeira
Vera Regina de Andrade
Vera Malaguti Batista
Salo de Carvalho
CRIMINOLOGIA CULTURAL
Salah Khaled Jr
PENAS E PRISÕES

HISTÓRIA DAS PENAS

HISTÓRIA DAS PRISÕES

ENCARCERAMENTO EM MASSA E
DINÂMICAS DE ENCARCERAMENTO

CRIMINOLOGIA
PENAS E PRISÕES

“Em resumo, um entendimento de efeito do


castigo no comportamento criminoso terá que
ser um pouco mais complicado do que a visão
do homem como um burro atraído pela
cenoura e impelido por detrás com uma vara.”
Sykes, GM (1969) Crime e sociedade. p. 73.

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