0% acharam este documento útil (0 voto)
18 visualizações40 páginas

Mobiliário Contemporâneo: Design e História

O documento discute a importância do design de mobiliário contemporâneo, destacando suas influências históricas e culturais no Brasil e no mundo. O texto enfatiza a evolução do mobiliário desde o Neolítico até o modernismo, abordando a relação entre arte, design e ecodesign. Além disso, ressalta a necessidade de integrar elementos brasileiros e preocupações ecológicas nos projetos de mobiliário atuais.

Enviado por

Maria Clara Thé
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
18 visualizações40 páginas

Mobiliário Contemporâneo: Design e História

O documento discute a importância do design de mobiliário contemporâneo, destacando suas influências históricas e culturais no Brasil e no mundo. O texto enfatiza a evolução do mobiliário desde o Neolítico até o modernismo, abordando a relação entre arte, design e ecodesign. Além disso, ressalta a necessidade de integrar elementos brasileiros e preocupações ecológicas nos projetos de mobiliário atuais.

Enviado por

Maria Clara Thé
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

A contemporaneidade no design de

mobiliário
É de fundamental importância conhecer as influências criativas do design de mobiliário, surgidas no
contexto brasileiro e internacional a partir ligação entre arte e design, sob os inúmeros aspectos
concretizados por artistas e designers ao longo do tempo.
Prof.ª Larissa Rassy Carneiro Preissler
1. Itens iniciais

Propósito
O aluno reconhecerá a importância do mobiliário contemporâneo brasileiro e internacional, bem como os
principais elementos que compõem o ecodesign, inserindo esses conceitos em seus futuros projetos como
forma de qualificá-los dentro dos padrões correntes da atualidade.

Objetivos
• Reconhecer a importância do mobiliário brasileiro.
• Identificar os principais elementos que compõem o mobiliário contemporâneo.
• Aplicar os conhecimentos adquiridos em projetos de ecodesign.

Introdução
A necessidade de usar mobiliário e utensílios surgiu no período Neolítico (7 mil a.C. a 2500 a.C.), quando o
homem deixou de ser nômade, passando a se fixar na terra. Ao longo do tempo, os móveis evoluíram de
acordo com as necessidades humanas, a capacidade técnica de determinada sociedade e sua sensibilidade
estética, assim sua caracterização variou muito de acordo com a região e a época.

O termo contemporâneo se refere ao que é do tempo atual, sendo utilizado para caracterizar as atividades da
nossa geração, do século XXI. O design contemporâneo, portanto, se refere ao que estamos vivendo no
momento e reflete o jeito de ser e pensar da nossa sociedade, as tendências atuais e, por isso, está em
constante evolução. De certa forma, ele se apropria de características do modernismo, do minimalismo e de
outros estilos, bem como de preocupações ecológicas, sem ter uma referência única.

É comum o uso dos termos design moderno e design contemporâneo como sinônimos. No entanto, o design
moderno é o precursor do contemporâneo e está principalmente ligado às novas tendências estéticas do
início do século XX e até à década de 1970. Toda produção executada a partir desse período é considerada
pós-moderna ou contemporânea.

Veremos que, pautado pelo conforto, o mobiliário contemporâneo tem como objetivo proporcionar aconchego
e bem-estar, incorporando novas soluções e tendências para deixar ambientes domésticos, corporativos e
institucionais esteticamente mais agradáveis e funcionais e ecologicamente corretos.
1. A contemporaneidade do mobiliário brasileiro

O mobiliário brasileiro
Que tal iniciar este estudo entendendo como ocorreu o início da produção de móveis no Brasil, o nascimento e
a evolução do design de móveis? Para isso, assista ao vídeo a seguir, que traz um breve histórico das origens
do mobiliário brasileiro.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

O reconhecimento da importância do mobiliário brasileiro é de grande relevância para o designer, pois traz
consigo os conceitos e a própria gênese do mobiliário contemporâneo.

A abordagem desse tema na atualidade propicia um estudo relevante, tendo em vista importantes aspectos
ligados ao processo de criação, às suas particularidades, às peculiaridades e ao design em si.

O design é considerado como uma das mais importantes formas de comunicação humana.

Desde o início do século XX, o mobiliário brasileiro teve um papel de destaque no cenário do design
internacional, muito devido à utilização de elementos ligados à nossa brasilidade, às novas tendências
estéticas internacionais promovidas pelo despertar do modernismo e ao nascente processo de
industrialização do país.

Ainda hoje, os designers de mobiliário


fomentam nossa nacionalidade, o traço
brasileiro como a assinatura de nosso país em
seus produtos. Muitas vezes, isso ocorre com o
emprego de materiais locais, como madeiras e
fibras. Fomentar o desenvolvimento de serviços
e negócios nacionais é essencial para qualquer
país, uma vez que é dessa forma que se
alavanca a economia (entre outras atividades) e
promove o acesso dos consumidores a uma
série de bens e produtos, campo fecundo para
os designers.

Cadeiras de vime.

Assim, o design de mobiliário reflete em suas


formas e funcionalidades as demandas dos
brasileiros em determinado momento, em determinada circunstância (como agora – contemporaneamente),
além de trazer em si camadas de memória que contam nossa história.

Breve histórico das origens do mobiliário brasileiro


A origem do mobiliário brasileiro e de seus componentes está diretamente ligada à nossa colonização de
origem portuguesa, bem como às influências europeias de diferentes orientações estéticas. Posteriormente,
no início do século XX, encontramos uma identificação do móvel brasileiro com características próprias.

Se considerarmos que os alpendres compunham o espaço de transição entre o público e privado, podemos
inferir que os “bancos das varandas” seriam uma referência à hospitalidade da casa-grande e, ao mesmo
tempo, compartilhadores da intimidade da família. Assim, teríamos a primeira manifestação de um objeto
funcional (um banco) adaptado às necessidades brasileiras.
Antes do advento do Ciclo do Ouro, nos séculos XVI e XVII, a base econômica do Brasil era agrária ligada ao
extrativismo e ao cultivo de cana de açúcar. Nossas casas eram praticamente despidas de objetos artísticos
ou decorativos e mesmo os móveis eram escassos, imperando a simplicidade e a rusticidade no ambiente
interior.

Sentar-se no chão, sobre tapete ou, mais


usualmente, em esteiras (provenientes de
nossos povos originários) era um hábito comum
e a rede de dormir (outro artefato ligado aos
indígenas) seria o “mobiliário” mais
frequentemente usado. Conforme podemos
observar na obra Uma senhora de algumas
posses em sua casa, de Jean-Baptiste Debret
(1823).

Naquela época existiam duas categorias de Uma senhora de algumas posses em sua casa, Jean-
móveis: Baptiste Debret (1823).

Maleáveis Rígidos

Eram móveis feitos com tecidos e ou trançados. Eram móveis produzidos e estruturados em
madeira, nos quais predominavam as linhas
retas e a singeleza decorativa.

Os parcos bancos ou cadeiras possuíam assentos que podiam ser totalmente em madeira ou couro, preso por
tachas de metal. Certamente, os móveis maleáveis foram mais numerosos que os rígidos, reforçando a
impressão de interiores vazios, sem mobiliário, sendo que a maioria da população daquele período não
possuía nível econômico que permitisse encomendas de móveis.

A partir do século XVIII, que coincide com os períodos Barroco e Rococó na Europa, esse tipo de mobiliário
continuou a ser produzido, muitas vezes adicionados de pequenos detalhes barrocos. Sua estrutura se
manteve retilínea como nos modelos anteriores, entretanto recebeu pequeno rebuscamento de decoração.

Exemplo
Os mobiliários do século XVIII eram torneados, com bolas, discos ou bolachas, bem como alguns
entalhes que preenchiam as superfícies. Neste período também foram introduzidos alguns detalhes
como saias, frisos, cornijas, testeiras, curvas e contracurvas, claramente de aparência barroca.

Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, e mais tarde do diamante, ocorre uma diversificação na base da
economia que deixa de ser prioritariamente agrária. Essa mudança propiciou um incremento decorativo e
funcional no mobiliário, entre tantas outras alterações introduzidas no modo de vida brasileiro, que
costumamos chamar referencialmente de Barroco mineiro.
Esse repertório formal do mobiliário mineiro é bastante
variado com diferentes linguagens sem uma imagem
puramente barroca, uma vez que na Europa o mobiliário
passou a ser suntuosamente ostentoso. Sendo assim, não
houve no Brasil nenhum móvel que se parecesse em forma,
decoração ou tipo de acabamento ao mobiliário francês,
paradigmaticamente barroco.

Embora ainda se importassem peças de mobiliário da


metrópole à colônia, o Brasil do século XVIII já contava com
Mobiliário barroco europeu. uma importante produção de móveis. Agora já não havia
apenas móveis de aspecto simples e tosco, destinados ao
uso cotidiano, mas também aqueles simbólicos, associados
ao luxo e à ostentação. Dentre os importantes centros de produção de móveis, a Bahia se tornou uma grande
produtora de cadeiras, se utilizando preferencialmente do jacarandá-da-Bahia – árvore comum na região
naquele período, embora esteja presente em grande parte do litoral Leste brasileiro e pertença ao bioma da
Mata Atlântica.

Na imagem a seguir, podemos observar mais um exemplo do mobiliário desse período histórico:

Sofá de veludo vermelho.

O modernismo no Brasil
Compreenda agora a influência do modernismo no mobiliário brasileiro. Além disso, conheça todo o
movimento cultural que gerou impacto nas tendências estéticas gerando uma nova percepção da arte no
início do século XX.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

No início do século XX, como consequência da profunda mudança do modo de vida proporcionada pela
Revolução Industrial do século XIX, o modernismo surgiu na Europa no período que antecedeu a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918) e se desencadeou a partir das novas tendências culturais e artísticas conhecidas
como vanguardas europeias. São algumas dessas vanguardas:

• Cubismo
• Futurismo
• Dadaísmo
• Expressionismo
• Surrealismo
Essas mudanças não foram apenas de cunho artístico, ocorrendo em todos os campos do conhecimento e do
processo de produção de bens.

Curiosidade
No Brasil, o modernismo foi um amplo movimento cultural que aconteceu por influência de tendências
estéticas europeias, sendo uma nova percepção da arte no início do século XX. O modernismo não se
deu apenas na esfera artística, como na literatura, mas também no nascente processo de
industrialização daquele momento com o início da transferência da economia agrária para a industrial,
principalmente nos grandes centros urbanos. Nesse cenário, havia o deslocamento de uma grande
massa populacional da zona rural para as cidades, gerando novas necessidades do “mundo moderno”,
dentre elas mobiliário para suas moradias.

É importante destacarmos o reconhecimento da influência da cultura e da arte brasileira no design nacional


desde seu nascimento até a contemporaneidade. A relação entre cultura e design é o principal ponto que
devemos considerar: a contribuição substancial do design na construção da estética nacional.

Mobiliário modernista brasileiro


A cultura de projeto do móvel brasileiro foi constituída durante algum tempo (desde os anos 1940 até a
década de 1970) pela afirmação e reconhecimento do movimento moderno brasileiro diretamente associada à
arquitetura moderna. O projeto e a produção de móveis nacionais e suas características mostram que a
arquitetura modernista exerceu grande influência e que o trajeto iniciado por designers, arquitetos e artistas
daquele período se moldou pelo uso revolucionário de materiais, bem como de novos processos de produção.

Entre tantos designers daquele momento, destacamos o pioneirismo do arquiteto ucraniano Gregory
Warchavchik que, sob influência de Le Corbusier, teve sua produção restrita a móveis autorais.

A ascensão da arquitetura moderna no Brasil começou na década de 1930, primeiramente com Lúcio
Costa e, em seguida, com Oscar Niemeyer, que procuravam uma nova afirmação cultural, ou seja,
uma expressão projetual de formas livres, com raízes na diversificada e rica paisagem brasileira.

Nesse contexto, o design do mobiliário nacional já surgiu renovado e propenso à evolução de um traço
notadamente brasileiro de forma livre que procurava harmonizar o mobiliário com os ambientes projetados
pelos arquitetos. Muitas vezes, esses profissionais produziam a arquitetura, o mobiliário e as obras de arte em
consonância entre si.

O modernismo brasileiro deixou de lado o


imperialismo cultural importado do passado e
vislumbrou que a arquitetura e o mobiliário têm
uma relação inseparável, caracterizada em
propor soluções inovadoras relativas à
criatividade humana, em especial aquelas
ligadas às nossas raízes.

A produção de móveis brasileira associada à


arquitetura moderna revelou uma qualidade Recepção do Palácio do Planalto, em Brasília, com
estética e técnica, bem como a importância do poltronas altas.

desenho original alicerçada em nossos valores


culturais. Foram criadas peças simples e
elegantes, de requintado acabamento, de proporções harmoniosas sem falar na qualidade dos materiais.
Possuidor de linhas leves, sem rebuscamento, confortáveis, o mobiliário brasileiro se destacou e ressaltou
nossa identidade nacional, cuja gente, ainda hoje, se constrói e se modifica em um constante processo de
transformação.
Em meados do século XX, o design do móvel brasileiro se afirmou com criações consagradas, produzidas por
Joaquim Tenreiro, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Sérgio Rodrigues, José Zanine Caldas, Lina Bo Bardi, Vilanova
Artigas e Paulo Mendes da Rocha, apenas para citar alguns nomes de destaque.

O design de mobiliário nacional a partir do modernismo (cujos trabalhos não somente foram amplamente
utilizados por aqui, como suas tipologias foram exportadas mundo afora) até a contemporaneidade sofreu
modificações inerentes à globalização.

Comentário
Junto das mais variadas manifestações artísticas, o design em si, traduz e apresenta nossa identidade
visual, somente contribuindo com campo visual, de imagens e qualidade estética, mas também
marcando nossas necessidades e nossos anseios.

Considerações sobre o design de mobiliário


Você sabe como a contemporaneidade no Brasil se apresenta no design de mobiliário nacional? O vídeo a
seguir responde a essa questão, considerando a relação entre cultura e design como elemento principal para
a identidade do mobiliário nacional.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

A contemporaneidade brasileira está inserida e acompanha pari passu o fenômeno que acontece no mundo
todo, cuja principal característica é a multiplicidade de tendências. O mundo contemporâneo é a consequência
da evolução da ciência desde os primórdios da humanidade, sendo indispensável no nosso dia a dia. Infinitos
são os benefícios trazidos pela ciência, como o desenvolvimento em saúde, educação, transporte, eletricidade
e comunicação, apenas para citar alguns deles.

No mundo globalizado atual, a intensificação dos fluxos de


mercadorias associada à propagação de informações de
maneira rápida e à multiplicidade de tendências nos leva a
refletir sobre a importância do projeto e produção de
móveis brasileiros. O design do mobiliário é uma vertente do
design de produto e uma das áreas de maior importância no
campo do design, uma vez que o mobiliário brasileiro, um
bem de consumo durável e exportado, está inserido em
nosso mundo contemporâneo globalizado.

O design de mobiliário é uma das áreas em que a


arquitetura e o design de produto se entrelaçam, estando
Cadeira de madeira e estofado branco, com design relacionado ao design de interiores, uma vez que a função
moderno. do móvel depende do ambiente em que será inserido, seja
em um ambiente residencial, corporativo, institucional ou
até mesmo no meio urbano.

Genericamente, para o desenvolvimento de um projeto de mobiliário, é necessário observar detalhes


ergonômicos, bem como materiais.
Qual função o móvel deverá desempenhar? Qual o ambiente em que será colocado? Quem o irá
usufruir?

Várias análises podem ser feitas relativamente ao mobiliário: suas funções práticas, ou seja, para que fim ele
será produzido. Veja agora algumas dessas finalidades de móveis e respectivos exemplos:

Exemplo 1

Nós nos sentamos em algum tipo de móvel, como bancos, cadeiras e


poltronas.

Exemplo 2

Colocamos ou guardamos utensílios e objetos em um móvel, como


mesas, armários e estantes.

Exemplo 3

Nós nos recostamos ou nos deitamos sobre móveis, como camas e sofás.

O design de mobiliário é justamente a ciência que deve observar todas essas funções. Sem dúvida, é também
o campo do conhecimento especializado em agregar conceitos estéticos ao mobiliário, tornando-os muito
mais do que um mero utensílio, mas também parte integrante e essencial do nosso cotidiano.

Além da questão funcional, outra análise também pode ser feita concernente a questões subjetivas
ultrapassando o limiar do fator utilitário: como o design do mobiliário insere no produto o significado e a
importância do móvel como parte de nossa vida e da sociedade em que vivemos. Apreendemos seus vários
significados, como forma de compreender cada cultura e cada período da história, bem como seus costumes
na forma como se deu sua produção e em sua utilização.

A brasilidade no design de mobiliário


Fomentar o desenvolvimento de negócios e serviços é essencial para a riqueza de qualquer nação. Essa é
uma das maneiras de se alavancar a economia e promover o acesso dos consumidores a uma série de bens e
produtos. Nesse contexto, a valorização do design autoral brasileiro é de fundamental importância para que
nossa brasilidade se destaque no design de mobiliário.

Um aspecto relevante é a relação entre cultura e design, sendo este o principal enfoque que devemos
considerar: a grande contribuição do design na construção da estética nacional, fomentando a nacionalidade,
o traço brasileiro e a identidade do nosso país no design e, sobretudo, no design de mobiliário.
Exemplo
A produção de móveis nacional reflete em suas formas e funcionalidades as demandas dos brasileiros
neste momento, nas circunstâncias em que estamos vivendo, trazendo ainda camadas de memória que
contam nossa história.

Assim como a produção de arquitetura, artes plásticas, música, entre tantas formas de artes, o design
também é considerado um registro da nossa sociedade, que marca períodos e fatos históricos que alteraram
e/ou impactaram nossa nação.

É primordial que tenhamos consciência do fortalecimento de nossa identidade nacional, dialogando com a
nossa realidade por meio do imaginário brasileiro com nossas paisagens, fauna e flora. De modo geral, esse é
um fator de impulsionamento do mercado do design, sobretudo no exterior.

O mobiliário contemporâneo brasileiro


Como vimos, contemporâneo é aquilo que pertence ao tempo atual, sendo um termo usado para caracterizar
o design do século XXI. Portanto, o design contemporâneo se refere às vocações daquilo que estamos
vivendo no momento e, por isso, reflete a feição de ser e pensar da nossa sociedade atual.

O design de mobiliário brasileiro reflete o contexto histórico da nossa sociedade, primeiramente sendo
influenciado pelo modernismo, posteriormente pelo pós-modernismo e, finalmente, contemplando as
orientações inerentes à contemporaneidade.

A partir da década de 1980, a produção de móveis voltou-se à tendência de um design inovador


com aplicação de diversificado material e uma produção quase artesanal.

Naquele período, surgiu uma geração de designers que acompanhou os princípios veiculados pelos
modernistas, entretanto agora envolvidos pela globalização, cuja característica era especialmente uma
inovação na linguagem. Embora tivessem formação modernista, foram abolindo aos poucos as questões
ligadas ao funcionalismo, diretamente associado à tecnologia industrial, cuja máxima era: forma segue função.

Os profissionais começam a utilizar matérias-primas até então não usuais no segmento, embora a
diversificação de materiais já tenha sido utilizada no design Art Déco no início do século XX. São algumas
dessas matérias-primas usadas:

• Borracha
• Lona
• Fibras diversas
• Alumínio
• Laminados

Esses materiais estavam diretamente ligados aos costumes pós-modernos, que faziam oposição ao
modernismo de maneira a valorizar a forma, mesmo que em detrimento da função, surgindo assim uma
proposta de mobiliário irreverente.

Posteriormente, no início dos anos 2.000, os designers intuíram a necessidade das novas exigências da vida
contemporânea em função de mudanças de nosso estilo de vida. Assim, na produção de móveis, foram
inseridos conceitos de leveza, simplicidade, flexibilidade, mobilidade, entre outros atributos, além das
questões relativas à sustentabilidade.

No século XXI, a feição do design de mobiliário brasileiro é nossa diversidade. A contemporaneidade corrente
possibilita variadas visões e estilos utilizados pelos designers que trabalham com a criação do mobiliário,
demonstrando que o Brasil é um importante polo de criatividade inserido no panorama da arte e da cultura
mundial.

A produção contemporânea do design de mobiliário


Dada a pluralidade de nossas origens étnicas e sociais, nosso país oferece aos designers um valoroso
arcabouço de ideias capazes de propiciar produtos diferenciados com características típicas de um país
multicultural. Um fato importante é que design contemporâneo procura se inserir ao processo moderno de
produção, bem como às bases tradicionais típicas das culturas regionais.

Atualmente, o design de mobiliário brasileiro vive um momento de crescente expansão. Nossa expressiva
diversidade e o ousado perfil dos designers criaram a marca do design brasileiro contemporâneo
mundialmente reconhecido. Artistas plásticos, marceneiros, arquitetos, profissionais herdeiros do
modernismo, alguns já de formação pós-moderna e contemporânea, conjugam a diversidade de materiais que
faz parte desse enorme universo, em processos industriais ou mesmo artesanais.

Nesse cenário, com um repertório ilimitado de possibilidades, encontramos a produção de alguns dos nomes
mais expressivos, entre tantos outros profissionais, do design de mobiliário nacional:

• Os artistas irmãos Campana e Domingos Tótora.


• Os designers Fernando Jaeger e Guto Índio da Costa.
• Os arquitetos Carlos Motta, Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz (Estúdio Baraúna),

Verificando o aprendizado

Questão 1

O modernismo e o pós-modernismo tiveram grande influência no design de mobiliário brasileiro. Com base no
que estudamos, podemos afirmar:

Todo o nosso design de mobiliário estava associado à importação dos modismos do continente europeu,
como os estilos Art Nouveau ou Art Déco.

O design do mobiliário nacional pouco enfocava elementos da culturais do país, uma vez que havia uma
necessidade premente da reprodução dos estilos da escola Bauhaus.

O design do mobiliário nacional defendeu a valorização daquilo era nacional, ou seja, a identificação de um
mobiliário brasileiro com características próprias.

O design do mobiliário nacional teve grande influência e foi moldado pelo uso revolucionário de materiais
como vidro, aço e biopolímeros, bem como de novos processos de produção.

O design do mobiliário nacional defendia ideias do ecodesign, principalmente os princípios da economia


circular e a estratégia que prolongar a vida útil dos produtos.
A alternativa C está correta.
O design do mobiliário nacional enfocava elementos da culturais do país, defendendo a valorização daquilo
que era nacional. O uso de materiais como vidro, aço e biopolímeros, assim como defendia ideias do
ecodesign, só foi aplicado e defendido posteriormente.

Questão 2

Ponto inquestionável no design nacional é a nossa pluralidade em critérios mais diversos e que se
materializam no design. Sobre nossos designers, podemos considerar qual alternativa como correta?

O design nacional nunca obteve o real valor e sempre foi criticado duramente internacionalmente e
nacionalmente por reproduzir ideias europeias.

O design nacional conta com artistas consagrados e reconhecidos internacionalmente justamente por
apresentarem a junção da base cultural nacional com modernos processos de fabricação.

Apesar de obter designers diferenciados, como os dos irmãos Campana, Fernando Jaeger e Guto Índio da
Costa, Zanini de Zanine, entre outros, o mercado ainda apresenta um conflito entre o processo de produção e
a limitação de materialidade aplicada ao design nacional.

Os designers contemporâneos apresentam pouca expressividade no mercado internacional e poucos são os


profissionais de destaque.

Sem explorar a pluralidade cultural, os designers brasileiros ainda apresentam resultados de ideias
modernistas e Art Déco como base do mobiliário nacional.

A alternativa B está correta.


Um dos grandes diferenciais do design nacional está na forma como os profissionais exploram a
diversidade e as pluralidades étnicas e sociais do Brasil em suas criações de mobiliários aliados a
processos modernos e inovadores.
2. A contemporaneidade do design de mobiliário internacional

O mobiliário no mundo pós-Revolução Industrial


O vídeo aborda os desafios e propósitos dos movimentos que influenciaram o design nacional, em especial o
movimento Arts &; Crafts na Inglaterra e a escola Bauhaus na Alemanha:

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

É indiscutível que o avanço das diversas tecnologias definiu as características do mundo atual. O fato de parte
do mundo ter acesso a uma produção excessiva e à possibilidade de acesso a várias tecnologias de
comunicação levou ao nosso estilo de vida contemporâneo. Portanto, é fundamental a compreensão de que,
dentro da contemporaneidade corrente, a arte cumpre um importante papel de modo a propiciar novos
significados a antigos conceitos em desuso culturalmente na sociedade. A arte e o design devem possibilitar o
aparecimento de novas perspectivas.

Em contraponto às características culturais e artísticas de cada sociedade, o mundo contemporâneo


atravessa grandes modificações não só culturais, mas também sociais, políticas e econômicas. Hoje, vivemos
um momento historicamente intenso marcado pela internacionalização da tecnologia. A chamada globalização
está ocorrendo em um processo de universalização do capital, dos produtos, das permutas e da cultura.

Como vimos, a arte é um fenômeno cultural e


uma das manifestações da identidade de cada
sociedade. A arte é comumente periodizada,
exerce não só funções estéticas, mas também
de relações sociais, assim como as afinidades e
as fronteiras entre arte e design são de
contribuição mútua.

Na contemporaneidade, tanto um produto


quanto uma obra de arte pode (ou deve)
provocar reflexões, expressar um pensamento, Parede decorativa de bambu.
sensações ou até mesmo uma visão de mundo,
provocando assim uma nova experiência
estética.

O design de mobiliário, além da funcionalidade, também deve proporcionar experiências ao usuário.

Sempre que possível, essa experiência com o mobiliário é agradável, mas lembramos que produtos
conceituais nem sempre são confortáveis. Dessa maneira, torna-se imperativo que atualmente o processo de
criação de mobiliário dispense maior atenção às questões ergonômicas e ao conforto no nosso ambiente
cotidiano.

O design contemporâneo está em constante evolução uma vez que reflete as tendências atuais. Sua definição
não é assertiva, pois é um tipo de design que ainda está acontecendo e precisamos de um distanciamento
histórico para podermos defini-lo mais acertadamente. Entretanto, ele possui algumas características que são
marcantes, embora sejam não únicas.

O design contemporâneo é:
Multifacetado

Se apropria de características do modernismo, do minimalismo e de outros estilos, sem ter uma


referência específica.

Funcional

Se alicerça basicamente na funcionalidade, explorando a diversidade de materiais.

A utilização mais acentuadamente de novas tecnologias se deu a partir da Revolução Industrial, que se iniciou
no século XVIII e se consolidou no XIX. As mudanças nesse período causaram reflexos em vários setores
produtivos e econômicos, sobretudo no modo de vida da sociedade, incluindo a produção de móveis e artigos
de decoração. Com o emprego de máquinas operatrizes, embora de maneira insipiente, começaram a ser
executados móveis para atender a novas demandas. Em diversas localidades, sobremaneira na Europa, houve
produções que procuravam atender às necessidades da emergente da sociedade industrial daquele momento.
No geral, foi realizado um mobiliário eclético, próprio daquele período (final do século XIX e início do XX), que
procurava agregar influências de diferentes vertentes artísticas.

Em contraponto à produção em massa e à mecanização do trabalho causada pela Revolução


Industrial, cuja produção era desprovida de qualidade estética, criou-se um apelo entre os artistas e
designers pela revalorização da produção artesanal, principalmente em mobiliários.

Designamos mobiliário moderno e/ou móvel contemporâneo toda produção pertencente ao século XX e
projetada segundo linhas de design em oposição aos estilos decorativos do móvel convencional e tradicional
executados anteriormente. O principal elemento característico do móvel moderno, embora nem sempre
alcançado, é a busca de linhas simples e acessíveis à grande parte da sociedade. Quando mencionamos o
estilo moderno, devemos distinguir entre o mobiliário produzido desde o final do século XIX até 1930 (de
tendência eclética e decorativa) e os móveis fabricados posteriormente a esse período (marcadamente
modernistas de inspiração industrial).

Antecedentes do mobiliário modernista


Relativamente à produção de mobiliário
eclético, temos o surgimento dos móveis
vitorianos (nome dado em alusão à rainha
Vitória que governou o Império Britânico por
quase todo século XIX) no Reino Unido, berço
da Revolução Industrial. Esses móveis eram
marcados pela influência gótica. Em
contrapartida, insatisfeitos com a mesmice do
historicismo e com a falta de qualidade dos
produtos produzidos daquele momento, um
grupo de designers ingleses fundou o
Movimento Arts &; Crafts, que de certa forma,
mais tarde, influenciaria a Bauhaus na
Alemanha. Movimento Arts & Crafts.

O principal expoente daquele movimento foi o


inglês Willian Morris, descontente com a execução de mobiliário pela indústria.

Ele propunha uma volta da qualidade do trabalho artesanal do período medieval aplicado ao processo
industrial. Houve uma primeira tentativa de que essa produção tivesse destacada qualidade estética e fosse
acessível à grande parte da população “feita pelo povo e para o povo”, segundo Morris. Entretanto, dada a
tecnologia pouco desenvolvida do período, os móveis tinham um preço elevado sendo, portanto, só acessíveis
à burguesia. Vejamos um exemplo do mobiliário de William Morris:
Poltrona Sussex, William Morris (1865).

A produção de móveis, utensílios, objetos e arquitetura realizada na França e Bélgica entre 1890 até 1914,
ficou conhecida como Art Nouveau. Em outros países, e recebeu outros nomes, porém com a mesma ideia. Os
móveis eram produzidos em fábricas, com técnicas industriais. Eram geralmente muito complexos, com formas
curvas associadas à natureza difíceis de fazer, além de possuírem um acabamento fino, conforme exemplo a
seguir:
Móvel de madeira produzido por Eugene Vallin em colaboração com Victor Prouvé
(1903-1906).

Esses móveis não se popularizaram porque tendiam a serem caros, por isso ficaram restritos a uma categoria
de móveis de arte destinados às classes de maior poder aquisitivo.

Outro arquiteto e designer na Grã-Bretanha daquele período foi o escocês Charles Mackintosh (egresso da
Escola de Arte de Glasgow). Embora suas realizações estejam inseridas no período do Art Nouveau aplicado
no continente, ele rejeitava o excesso de ornamentação. Com a produção de um mobiliário, bem como de
edificações, voltado para o racionalismo geométrico, Mackintosh produziu móveis relativamente austeros, de
linhas simples e sóbrias marcados por dimensões alongadas e ângulos retos, cujos trabalhos são
comercializados até hoje.

Exposição dos móveis de autoria do arquiteto, pintor e designer Charles Rennie


Mackintosh.

No final do século XIX e início do XX, em parte inspirados por Mackintosh, os vienenses criaram um movimento
conhecido como Secessão. Gustav Klimt foi o principal artista plástico desse movimento que pretendia rejeitar
os dogmas das escolas de arte de inspiração academicistas austríacas. Os arquitetos e designers realizaram
grande produção com linhas sóbrias sem rebuscamento, de objetos de decoração, utensílios domésticos,
edificações bem como mobiliário.
O nome de destaque na realização de móveis foi Josef Hoffmann, arquiteto e designer de vanguarda do início
de 1900. Hoffmann tinha um estilo que hoje chamaríamos de minimalista, tendo sido um dos precursores tanto
do Art Déco, que só surgiu na França após o final da I Grande Guerra em 1925, como da Bauhaus e do
movimento modernista, conforme podemos observar na imagem a seguir:

Poltrona Reclinável Vienna, Josef Hoffmann (1900).

As vanguardas e o design de mobiliário modernista


O vídeo aborda a escola e o estilo de design Bauhaus com seus aspectos culturais e artísticos que
influenciaram não apenas o Brasil, mas também grande parte do mundo ocidental, gerando efeitos no design
modernista. Assista:

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Chamamos de vanguardas europeias as diversas tendências culturais e artísticas que surgiram na Europa no
início do século XX e influenciaram grande parte do mundo ocidental. Seus artistas procuravam romper com
as tradições e estéticas passadas sobremaneira aos cânones da arte acadêmica. Por meio de diversas
experimentações com diferentes materiais e técnicas, propiciaram o caminho para o surgimento da chamada
arte moderna, dentre elas o segmento do design moderno. As vanguardas artísticas europeias que mais se
destacaram foram:

• Expressionismo
• Cubismo
• Dadaísmo
• Fauvismo
• Futurismo
• Surrealismo

O estilo moderno tem origem no movimento moderno ou modernismo, que se originou como consequência
das concretizações das vanguardas artísticas. O início do século XX foi marcado por uma grande mudança de
padrão de vida na Europa. A segunda metade do século XIX tinha protagonizado e popularizado grandes
invenções acarretando, além da produção em larga escala de bens de consumo, o aceleramento do ritmo da
vida de uma nova sociedade industrial. As cidades cresciam graças à industrialização, tornando-se grandes
metrópoles. Tratava-se do alvorecer de uma nova era.

Dessa forma, a produção artística também deveria se


modificar e acompanhar a nova mentalidade e, sobretudo,
uma nova maneira de viver e perceber o mundo. Nesse
ambiente tecnologicamente efervescente, ainda na segunda
metade do século XIX, não cabia mais ao artesão desenhar
e fabricar mobiliário, sendo necessário o papel do designer
para a concepção e produção de móveis.

O termo design moderno ou modernista se refere à


produção característica de Design da primeira metade de
Chase Longue Le Corbusier. Chaise LC4: A Máquina século XX.
Relaxante, (1928).

Resumindo
O modernismo e a arte modernista foram um movimento que abrangeu o mundo ocidental relativo à arte,
arquitetura e ao design. Esse movimento surgiu nos anos 1920 como consequência da industrialização
acelerada e das mudanças sociais. Embora seja ligado a vários campos do conhecimento, o modernismo
no design de mobiliário buscou uma ordem e universalidade tendo se utilizado de novos materiais e da
tecnologia disponível.

O design modernista enfatizou a função, simplicidade e racionalidade. Foram criadas novas formas de
expressão a partir de nova estética, que resultaram em móveis com linhas limpas, formas geométricas
simples, funcionais e flexíveis, muitas vezes com estruturas expostas. Esse estilo foi apropriado por muitas
nações e culturas principalmente ocidentais.

A Bauhaus e o design de mobiliário moderno


A Bauhaus pode ser considerada a primeira
escola de design no mundo, sendo uma
vertente artística alemã. É considerada a
precursora do design modernista europeu que,
entre 1919 e 1933, revolucionou a maneira de
pensar o design com o uso de formas e linhas
simplificadas, definidas pela função do objeto,
que também possuíssem qualidade estética e
pudessem ser produzidas em escala industrial.

Fundada pelo arquiteto Walter Gropius, em Fachada da escola Bauhaus.


Weimar, e posteriormente com sedes em
Dessau e Berlin, Alemanha, a Bauhaus foi uma
escola interdisciplinar que buscou a integração
entre as artes e a produção industrial, relacionando a estética sóbria e elementar do modernismo à
funcionalidade. Rompeu com o tradicional decorativismo das artes, dos objetos e do mobiliário primando pela
neutralidade e funcionalidade, com objetos úteis às pessoas e ao espaço.
A Bauhaus foi uma das escolas de arquitetura, arte e design mais influentes do século XX. A sua abordagem
de ensino buscou compreender a relação entre:

A nascente sociedade industrial X A utilização da


tecnologia daquele período
Provocou grande impacto não só na nos países da Europa e nos Estados Unidos, como também em países
periféricos, como o Brasil. O casamento entre estética e funcionalidade na concepção de objetos cotidianos
(entre eles, o mobiliário) é um dos aspectos mais importantes daquele pensamento de vanguarda.

A escola de Bauhaus funcionou na primeira metade do século XX, atendendo às mudanças oriundas dos novos
processos produtivos e valorizando a fabricação em massa. O emprego de materiais da era industrial (metal,
madeira, aço e vidro) objetivava o barateamento de seus produtos. Essas características da Bauhaus não
somente influenciavam a arquitetura e o design, mas também o modo de pensar moderno de todo século XX.
O “estilo” prevalece até hoje, principalmente para espaços interiores que necessitam de maior funcionalidade
e um visual limpo sem excessos decorativos.

No seu design de mobiliário, cujo principal objeto foram


cadeiras, manifestou-se pioneiramente com a preocupação
com a ergonomia, ou seja, o conforto e a postura que uma
pessoa toma ao sentar-se. Importante ressaltar que a
ciência só seria realmente desenvolvida mais de 50 anos
depois.

A referida sobriedade se traduziu por meio dos materiais


usados, como tubos de metal cromado, vidro, couro,
madeira lacada, lona, fibras trançadas (palhinha), entre
Cadeiras Wassily de Marcel Breuer (1925–1926). outros. Foram empregadas principalmente as cores
primárias e o mínimo de elementos visuais.

A configuração prático-funcional da produção da Bauhaus baseava-se na teoria estética da assepsia das


formas, reduzindo-as a elementos básicos (um dos principais cânones do movimento modernista), que
atendia à estética vigente naquele momento e facilitava a produção industrial do objeto.

Relativamente ao processo de concepção e produção de mobiliário moderno, a escola foi visionária ao


incorporar tubos de aço como moldura e suporte para mesas, cadeiras, sofás entre outros móveis produzidos
em larga escala. Isso facilitou o processo de produção e contribuiu sobremaneira para a solidificação do estilo
Bauhaus.

Curiosidade
Tendo sido uma das primeiras instituições voltadas para o ensino do design, enquanto escola formal, a
Bauhaus teve vida curta, sendo encerrada no início da década de 1930.

Enquanto pensamento de vanguarda ou estilo, deixou um legado que se perpetua até hoje na concepção e
produção ligada à arquitetura, arte e ao design que ainda fazem parte da nossa vida contemporânea,
conforme podemos observar nos modelos a seguir:
Cadeira Cesca (Marcel Breuer)

Cadeira Barcelona (Mies vam der Rohe)

Cadeira Wassily (Marcel Breuer)

Poltrona LC 2 (Le Corbusier)

Cadeira Pink and Blue (Gerrit Rietvelt)

Poltrona Eames e Otomana

Cadeira Bertoia (Harry Bertoia)

Cadeira Tulpan Stolen - Tulipa (Eero Saarinen)

Cadeira Pelegrin pel-1866h (Eero Saarinen)


Cadeira Wassily (Marcel Breuer)

O Mundo contemporâneo
Vejamos a seguir um dos principais elementos do modernismo, o minimalismo. Com o vídeo a seguir, conheça
o conceito e a proposta desse movimento:

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Historicamente, a Idade Contemporânea ou Contemporaneidade se iniciou com a Revolução Francesa em


1789 e perdura até os dias de hoje. Vivemos o período em que mais rapidamente aconteceram mudanças
muito significativas nas formas de organização da sociedade provocadas pela mudança dos meios de
produção e consumo.

As premissas da contemporaneidade estão alicerçadas


desde os seus primórdios na filosofia iluminista, corrente
que defende a primazia da razão sobre os sentidos a fim de
propiciar o desenvolvimento da ciência como garantia de
progresso civilizatório para a humanidade. Como resultado
das ideias iluministas, o desenvolvimento científico
fomentou a Revolução Industrial, que por sua vez provocou
profundas mudanças no mundo ocidental criando uma
sociedade de consumo atrelada aos bens da produção
industrial. Assim chegamos à necessidade de novos móveis
e objetos para as moradias, além de outras exigências na
esfera arquitetônica. Portanto, o mundo contemporâneo é
uma consequência do mundo moderno, industrial e
Mobiliário contemporâneo. capitalista.

Contemporaneamente, o termo globalização se faz


presente no nosso cotidiano ao permitir a integração e vivência de muitos bens de consumo e serviços que se
mostram disponíveis com extrema facilidade, mesmo estando em localidades distantes do mundo.

Embora a globalização tenha se iniciado no período das Grandes Navegações dos séculos XV e XVI, esse
termo só foi cunhado na década de 1980. É um dos principais fatores (e consequência do avanço tecnológico)
do mundo contemporâneo e se trata de um fenômeno de integração econômica, social e cultural em escala
mundial. Caracteriza-se pela intensificação dos fluxos de capitais, mercadorias, pessoas e informações, para
citar apenas alguns tópicos.

Quais as vantagens e as desvantagens da globalização?

Vantagem
Desvantagem
Dissemina informações de maneira rápida e
Aprofunda as desigualdades
amplia o contato entre diferentes culturas e
socioespaciais.
povos.

Após a Revolução Industrial, surgiu uma linha de pensamento no design de mobiliário que acreditava que a
forma deveria seguir a função dos objetos, que ficou posteriormente conhecida como movimento modernista.
Com o passar das décadas, os designers passaram a contestar essa premissa, dizendo que o objeto deveria
ser uma expressão de arte, assim surgiram as inovações formais com o movimento pós-Moderno.
Embora sejam constantemente confundidos e usados de maneira equivocada, os vocábulos
moderno e contemporâneo não são sinônimos.

Para as correntes artísticas, estes vocábulos representam correntes ideológicas sequenciais e


complementares. Com relação à arte, à arquitetura e ao design, o estilo moderno segue a linguagem do
movimento modernista que teve marcada presença em todo o mundo ocidental desde a década de 1920 até o
início dos anos 1970 (a partir de 1972, consideramos a presença do estilo pós-Moderno), ao passo que o estilo
contemporâneo é o estilo condizente com a atualidade. Portanto, enquanto o design moderno está em
sintonia com o movimento modernista. Como o estilo contemporâneo representa o momento atual, logo está
em constante evolução.

A imagem a seguir mostra a poltrona Saarinen realizzata, do designer Eero Saarinen:

Poltrona Saarinen, de autoria do designer Eero Saarinen (1956).

O mobiliário contemporâneo internacional


Como sabemos, contemporâneo é aquilo que
pertence ao tempo atual. Logo, o design de
mobiliário contemporâneo se refere às
necessidades do que estamos vivendo no
momento, por isso reflete a feição de ser e
pensar de nossa sociedade neste momento.
Importante ainda lembrar que, ao longo do
tempo, o mobiliário evoluiu de acordo com as
necessidades das sociedades, as
possibilidades técnicas e associadas às
questões estéticas de cada período, uma vez
que cada espaço deve refletir os desejos e
anseios pessoais de cada usuário, bem como
promover o almejado e necessário conforto. Design de móveis contemporâneos para sala de jantar.

A produção contemporânea de móveis está em


constante evolução uma vez que reflete as
tendências atuais, possuindo características multifacetadas pelo fato de se apropriar de características
oriundas do modernismo, do minimalismo e de outras vertentes artísticas, sem uma referência específica que
sobressaia a outras. Apoia-se, basicamente, na funcionalidade, explorando várias possibilidades de materiais,
padronagens e cores.

Se pudéssemos eleger uma tendência atual, simplicidade seria uma definição precisa do estilo
contemporâneo.

O contemporâneo é o legado do movimento modernista, uma verdadeira revolução cultural que influenciou
tanto o campo das artes quanto do design, alicerçada no conceito do “menos é mais” (expressão máxima do
minimalismo). Sua busca é por linhas puras que culminam na estética minimalista. Além de absorver esses
conceitos, o estilo contemporâneo inclui uma nova perspectiva: a da personalização do espaço (característica
principal do período pós-moderno em contraponto ao coletivismo do moderno).

Ainda hoje, são amplamente empregados em ambientes


domésticos ou corporativos e institucionais ícones do
modernismo como o estilo Le Corbusier, com linhas básicas
em couro e aço cromado. Dada a assepsia de
decorativismos realizada pelos modernistas, o uso de
elementos geométricos traz como consequência ambientes
“limpos” que propiciam uma bem-vinda sensação de
amplitude ao ambiente, sem poluição visual. Dessa forma, o
uso de vidro, metal, tecidos de padronagens discretas são
escolhas assertivas para os mobiliários e acessórios.

Outra tendência contemporânea é a utilização de móveis


multifuncionais, como uma mesa de trabalho para o home
Sala de jantar com mobiliário contemporâneo em office associada a uma estante, integrando-as em um único
madeira. móvel. Os móveis funcionais são práticos, básicos e
permitem melhor aproveitamento de espaços com um
mínimo de elementos.

Fazem parte do mobiliário contemporâneo internacional, itens como as cadeiras Ghost e a Master Chair,
apresentadas a seguir:

Cadeira Ghost.
Cadeira Master Chair.

A predominância do minimalismo
O design de mobiliário minimalista é visto como
a grande tendência contemporânea. A
utilização de pouco artigos de decoração,
motivos geométricos, móveis com design
simples, cores neutras, valorização da
tecnologia são alguns atributos que
caracterizam o minimalismo. A utilização de
poucos móveis e a valorização de detalhes
compõem ambientes de grande qualidade
visual e estética.
Decoração minimalista da sala de estar, com móveis em
O minimalismo é originário de diversas madeira.
vertentes de artes vanguardistas, como
cubismo e neoplasticismo (como a Casa
Schröder, projetada por Gerrit Rietveld em
1925, por exemplo), além da convergência com a cultura japonesa e aspectos da cultura escandinava. Esse
estilo, no início do século XX, propunha a rejeição dos cânones acadêmicos e dos estilos clássico e romântico
instituídos até então. Foi amplamente difundido nesse período por meio de slogans criados pelo arquiteto Mies
van der Rohe, como “menos é mais” e “Deus está nos detalhes”. Entretanto, sua grande aplicação só ocorreu
inicialmente na Europa e nos EUA e, posteriormente, no mundo ocidental a partir da década de 1950, sendo
amplamente utilizado ainda nos dias de hoje.
O design contemporâneo preza pelo minimalismo possuindo poucos mobiliários, como sofás, poltronas e
estofados mais confortáveis, otimizando a circulação do espaço. Também valoriza as linhas orgânicas, muito
presentes nos ambientes contemporâneos, conforme podemos observar na imagem a seguir:

Composição minimalista da sala de jantar com mesa redonda e cadeiras de vime.

É possível ainda, perceber que o minimalismo vai além de paredes sóbrias e pouca mobília, ele valoriza a
ideologia do uso daquilo que é indispensável vivendo somente com o necessário. Subtrai tudo aquilo que é, de
certo modo, desnecessário, valorizando a organização e funcionalidade dos ambientes, além das questões
ligadas à sustentabilidade do planeta.

As cores de nuances neutras e claras são uma das características da tendência minimalista,
associadas aos móveis de linhas retas, formas simples e ergonômicas.

Esses móveis produzidos com materiais ligados ao estilo industrial, como vidro, aço e cimento queimado,
complementam ambientes espaçosos de linhas arrojadas e atemporais.

Comentário
Nos tempos atuais, a maioria de nossas residências (muitas vezes apartamentos muito pequenos) possui
cômodos com dimensões exíguas. Logo, é necessário ter espaços mais bem aproveitados. Assim,
ambientes com poucas informações e livres de um visual poluído que estejam alinhados com as
necessidades e demandas do usuário no dia a dia propiciam que a sensação de bem-estar seja mais
aflorada.

A contemporaneidade brasileira e o futuro do design de mobiliário


O estilo moderno teve como principal mola propulsora a ascensão e o domínio da indústria do início a meados
do século XX. Esse estilo permitiu menos flexibilidade do que o design contemporâneo, que, por sua vez, é
muito mais fluido com espaços acolhedores devido à mistura de estilos, elementos, formas e cores de maneira
a personalizar os ambientes. Entretanto, existem três elementos que são compartilhados entre os dois estilos:
a estética minimalista, linhas limpas e a otimização de espaços e funcionalidades.
Podemos dizer que o design contemporâneo nasceu como
uma evolução do design moderno, sendo que alguns
princípios, antes rígidos e metódicos, foram superados. O
design contemporâneo tem uma preocupação maior com
questões como ergonomia e conforto, bem como
sustentabilidade e temas ligados ao meio ambiente, que
não eram tão presentes no design moderno.

Eclipsado durante muito tempo por famosas produções de


designers da Europa ou dos EUA, o design de mobiliário da
Design de interiores do escritório. América Latina, especialmente do Brasil, no momento ocupa
lugar de destaque no cenário internacional.

Ainda que a rica diversidade cultural do Brasil não permita uma síntese das expressões estéticas do design de
mobiliário nacional, acreditamos que uma análise da produção brasileira é importante para a construção de
uma narrativa dessa atividade no país, que busca valorizar suas raízes, métodos produtivos e linguagem
simbólica.

O design contemporâneo brasileiro está inserido no centro das nossas mudanças sociais, culturais e
socioeconômicas, acompanhando suas multiplicidades e exprimindo diferentes visões de culturas
locais.

Algumas características intrínsecas do mobiliário contemporâneo é a retomada do regionalismo e das


produções artesanais locais como parte de um processo de revalorização da produção nacional, bem como da
integração por manifestações culturais e apropriação de valores tradicionais. Desse modo, são geradas novas
experiências criativas, que vão desde a exacerbação tecnológica até o resgate e a relevância do artesanato
tradicional.

Essas premissas apontam para um futuro promissor para nossos produtos, uma vez que, entre outros ganhos,
estão associadas às Metas Globais da Agenda 2030 da ONU relativas ao desenvolvimento sustentável das
nações do mundo todo.

Comentário
Em comunhão com a corrente de pensamento predominante no momento, na maioria das vezes
alinhando arte e design, a produção contemporânea de vanguarda do mobiliário brasileiro procura
instigar nossa imaginação para nos fazer refletir diante da vida, estimulando nossos sentidos e aguçando
nossa percepção de mundo.

Uma síntese das principais características da produção do design contemporâneo é a:

• Inovação de novas experimentações;


• Combinação de diversas áreas do conhecimento;
• Inserção de alusões culturais regionalistas;
• Utilização de novos materiais alternativos;
• Individualização, personalização e a relação pessoal com o mobiliário;
• Interação, fatores sensoriais e afetivos relativos ao usuário;
• Sustentabilidade e questões ligadas ao meio ambiente;
• Multifuncionalidade e simplicidade.
O que legitima o design de mobiliário brasileiro contemporâneo, ou seja, o que expressa nossa brasilidade, é a
interpretação dos modos de vida e traços da nossa cultura espelhados, sobretudo no modo de produção, que
mantém a experimentação e o fazer artesanal como princípios básicos.

Em meados do século XX, Joaquim Tenreiro, Sérgio Rodrigues e Lina Bo Bardi estavam alinhados com o
movimento moderno brasileiro. Em relação à produção de móveis, procuravam se alicerçar no uso de materiais
naturais e nativos, como madeiras nobres e suas potencialidades, em consonância com nosso clima tropical,
explorando-as plástica e funcionalmente.

Atualmente, designers de mobiliários brasileiros se apropriam e exploram materiais industrializados,


muitas vezes de insumos reutilizados, mas que fazem parte do cotidiano do nosso cotidiano.

A expectativa futura de uma atividade exitosa, cultural, econômica e ambiental é possível para a produção de
mobiliário brasileiro, uma vez que é um dos ramos mais expressivos do segmento de design por suas formas
esculturais e características, muitas vezes realizadas artesanalmente a partir de madeira nacional certificada.

O cenário nacional começou a mudar no final


do século XX, quando um novo sopro de
originalidade surgiu no final dos anos 1980 com
a produção irreverente dos irmãos Campana.
Voltados para os princípios pós-modernos, os
irmãos Campana criaram peças que dão
prioridade à forma, e não à funcionalidade.

Verificando o Cadeira Vermelha, Irmãos Campana (1998).


aprendizado

Questão 1

Um ponto inquestionável é a importância da Bauhaus para o design e a forma como a precursora do design
modernista europeu revolucionou a maneira de pensar o design. Sobre esse assunto, podemos afirmar:

A escola Bauhaus apresentava um design com o uso de formas e linhas simplificadas, definidas pela
funcionalidade do objeto, sem diminuir a importância e a necessidade estética do resultado final.

A Bauhaus influenciou a arquitetura e o design, porém sua linha estética se mostrou defasada pela limitação
do maquinário industrial no processo de produção.

A Bauhaus defendia espaços e mobiliários com maior funcionalidade, mas com atenção ao grande número de
efeitos decorativos que buscavam forte impacto visual.

A escola de Bauhaus trabalhou com mudanças nos processos produtivos, valorizando a produção em escala,
porém pouco utilizou materiais industriais como metal, madeira, aço e vidro, muito em função do alto custo
desses itens.

E
O Brasil foi um dos países que usou a escola como base para o desenvolvimento do seu design, mas não
empregou os preceitos da Bauhaus conhecidos como “menos é mais” e “forma segue a função”.

A alternativa A está correta.


Uma das principais características do movimento Bauhaus foi o uso de formas e linhas simples e funcionais,
com soluções estéticas que obedeciam ao preceito da forma seguir a função.

Questão 2

A produção de móveis e artigos de decoração utilizou novas tecnologias a partir da Revolução Industrial.
Sobre o mobiliário no mundo pós-revolução industrial, considera-se verdadeira a alternativa:

No design de mobiliário, o estilo predominante era o eclético, que objetivava trabalhar com as linhas estéticas
curvas e que remetessem exclusivamente a elementos da natureza, em propositar contraponto à presença da
industrialização.

Nesse período, priorizou-se o estilo puro eclético Art Noveau, que evidenciava linhas retas e buscava a pureza
e fidelidade a apenas um estilo estético e apenas uma vertente artística.

Umas das principais características aplicadas nesse período era a busca de linhas simples e funcionais com
materiais nobres, o que inevitavelmente concentrou a produção a apenas a elite da sociedade.

A revolução industrial permitiu a produção em massa, mas sem necessariamente ganho estético, o que
resultou na busca de artistas e designers pela revalorização da produção artesanal, principalmente em
mobiliários.

A revolução industrial permitiu a produção em massa e consequentemente um ganho considerável na


qualidade estética.

A alternativa D está correta.


Na revolução industrial, a produção concentrava as seguintes características: produção em massa e
industrial, entretanto sem maiores resultados estéticos. Devido a essa situação, os designer e artistas
buscaram a revalorização do trabalho e da produção artesanal.
3. O ecodesign e a contemporaneidade do mobiliário brasileiro

O ecodesign
Você já ouviu falar do conceito de ecodesign? É exatamente sobre esse conceito que o vídeo a seguir
comenta, bem como seus princípios e os “8R’s de sustentabilidade, que fazem parte da fundamentação dessa
linha de design.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

A partir de 1960, debates e estudos relacionaram questões como a poluição atmosférica e as atividades
econômicas. O relatório Limites do Crescimento, preparado pelo Clube de Roma, é considerado um grande
marco histórico inicial, pois juntou o empresário italiano Aurelio Peccei, o cientista escocês Alexander King e
um grupo de aproximadamente 20 personalidades, para discutir o futuro das condições humanas no planeta.

Esse despertar ecológico se aprofunda e ganha


pauta analítica desde a Conferência de
Estocolmo, organizada pela ONU em 1972,
quando 113 líderes mundiais e 250
organizações ambientais chegaram a uma
conclusão clara e direta: se a humanidade
continuasse a consumir os recursos naturais
como na década de 1970, eles se esgotariam
em menos de 100 anos.

A repercussão foi muito grande, mas acendeu o Parlamento sueco, onde foram realizadas diversas das
debate sobre as consequências da reuniões da Conferência de Estocolmo.
industrialização e a necessidade de se
estabelecer premissa e condições que
assegurem as gerações futuras de viver em um
ambiente saudável. A partir de então, a ideia e o conceito de ecodesign têm evoluído e revolucionando
inúmeros segmentos tecnológicos e econômicos da engenharia, arquitetura e do design de interiores.

Depois de 60 anos dos debates do clube de Roma, é nítida a legitimidade das questões levantadas sobre a
utilização dos recursos naturais de maneira desenfreada e como as discussões ambientais permitiram com
que a humanidade começasse a indagar o modelo de econômico vigente.

Ecodesign ou design for environment (DfE) é a definição dada a um conjunto de ações eco
ambientais que objetivam promovem o uso consciente dos recursos naturais e não renováveis,
durante as etapas da prestação de serviço ou elaboração de produtos.

Considerando os fatores ambientais com a mesma importância de aspectos estéticos e econômicos, com o
intuito de minimizar impactos da exploração de recursos naturais nas relações humanas e de negócios.

Definição do ecodesign
Karlsson e Luttropp (2006) descrevem o mapa linguístico da palavra ecodesign evidenciando a relação entre
economia e aspectos ambientais, pelo uso simultâneo do prefixo eco como referência para a palavra ecologia
quanto para economia. Entenda:
Mapa linguístico.

Assim, o entendimento de ecodesign é mais complexo do que apenas o simples uso de materiais recicláveis
ou de práticas sustentáveis, como o reuso, a reciclagem ou o reaproveitamento de objetos.

A partir de 1990, se consolidam o conceito de design ecológico no design mundial, pela associação das ideias
de reestruturação produtiva aliada ao apelo sustentável, além de prolongar o ciclo de vida de produtos e
serviços, com o uso de inovações tecnológicas.

Curiosidade
Falar de ecodesign é ser reportado aos anos 1970 pelo visionário americano Victor Papanek, um dos
primeiros a empreender estratégias para reduzir os danos ambientais no modo de produção tradicional.
Essas ideias são expressam no livro Design for the real world, no qual aborda a preocupação com a
relação entre o ser humano e a natureza.

Princípios de ecodesign
Os princípios de ecodesign relacionam os aspectos social, econômico e ambiental de modo sustentável e
harmonioso. Veja a seguir quais são esses cinco princípios do ecodesign:

Uso de materiais de baixo impacto ambiental


Uso de produtos menos poluentes ou provenientes de produção sustentável, com preferência para
reciclados, ou que representem redução de energia na fabricação.

Eficiência energética
Implementação de meios de fabricação com menos consumo energético ou que empreguem fonte de
energias alternativas e, consequentemente, menos agressivas ao meio ambiente.

Aumento na qualidade e durabilidade


Produção de itens com maior tempo de vida com o propósito de reduzir a geração de lixo.

Aplicação da modularidade
Desenvolvimento de itens e objetos que permitam a sua substituição facilmente, em ocasião de
defeito, evitando a substituição total do produto.
Reutilização/reaproveitamento
Reaproveitamento e reutilização de itens ou materiais como base de projeto para outros objetos.

Os 8 Rs da sustentabilidade
Baseados nas mudanças de hábitos, os 8 Rs
têm o propósito de impulsionar os esforços
para a conservação do meio ambiente e
incentivar um impacto positivo e duradouro no
planeta Terra. A ideia central é estimular o
cidadão a repensar ações, valores e práticas,
diminuindo o consumo exagerado e evitando
consideravelmente o desperdício de recursos e
produtos.

Esse conceito iniciou com a implantação de


apenas 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) no que Vasos verticais de flores, confeccionados em pallet de
madeira.
foi denominado como a política de
sustentabilidade, na Conferência da Terra no
Rio de Janeiro – ECO 92, organizada pelas
Nações Unidas. O objetivo principal era estimular soluções ambientais para uma sociedade consumidora e
produtora de imenso volume de lixo e que não agia na destinação correta dos resíduos.

Com o passar dos anos, os conceitos de reaproveitar e repensar foram adicionados, transformando os 3Rs em
5Rs. Já na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012,
acrescentaram-se mais 2 conceitos novos: reeducar e o recuperar, completando os 7Rs.

A última adição foi feita em 2019 com o acréscimo do conceito repassar como o oitavo “R”. Antes de
prosseguir, conheça a definição de cada um dos 8Rs:

1
I - Repensar; refletir
Reflexão de todas as atitudes comumente executadas e repetitivas que se enquadrem na vida
corriqueira e cotidiana.

2
II - Recusar
Proposta de mudança de comportamento do consumidor com o intuito de pressionar as empresas a
adotar ações sustentáveis e que foquem no meio ambiente.

3
III - Reduzir
Diminuição de uso, desde o consumo de energia, de água até a quantidade de lixo descartado,
considerando uma sociedade de alto consumo.

4
IV - Reparar; recuperar
Estímulo a consertos de produtos existentes sempre será mais sustentável como a produção de
um novo item.
5 V - Reutilizar
Criação de uma finalidade para aqueles itens que seriam descartados, reduzindo o lixo.

6
VI - Reciclar
Proposta de evitar que tantos produtos sejam descartados e causem impactos ao meio ambiente, o
conceito de reciclar é bem simples colocar em prática. O que não der para reutilizar ainda poderá ser
reciclado, evitando a extração de novos recursos naturais do planeta.

7
VII - Responsabilize-se
Todos são responsáveis, seja de forma direta ou indireta, pelo uso de recursos naturais. Buscar
informações sobre a procedência de produtos e zelos de certificação.

8
VIII - Repassar
Transmissão de informações e ações para ajudar a saúde humana e o meio ambiente, objetivando
um consumo consciente e a propagação da educação ambiental.

Novas tecnologias e novas linhas de design sustentável


Com base no vídeo a seguir, aprenda conceitos técnicos, definições e as diferenças entre biodesign, design
biofílico e design biomimético:

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

O desenvolvimento sustentável, que sempre foi a base da vida em equilíbrio, passa necessariamente pela
evolução histórica da prática de design. Existe a necessidade de demonstrar a aplicação do conceito de
design e de sua evolução para ecodesign na busca de um desenvolvimento econômico, mais equilibrado e
sustentável.

Inicialmente vista como vilã, a evolução tecnológica se apresenta como uma fortíssima parceira da
sustentabilidade. Novas tecnologias permitem constantes melhorias e evoluções nos processos existentes,
aumentam a durabilidade de produtos e evitam o desperdício de recursos.

Processos mais ágeis, tecnologias com forma adequada à função e soluções criativas para problemas
persistentes contribuem e muito para alguns dos setores do design, os quais conheceremos a seguir.

Biodesign
O biodesign conceitua-se por utilizar elementos vivos, ecossistemas e/ou componentes essenciais destes na
elaboração de um projeto incluindo apenas apelo artístico. Essa linha de ecodesign está associada à definição
de bioarte, considerada um novo debate interdisciplinar dentro das manifestações artísticas por utilizar
materiais biológicos e/ou técnicas biotecnológicas e aperfeiçoamento de máquinas e sistemas velhos na
criação de produtos novos.

Sem sombra de dúvida, William Myers foi um dos precursores no assunto além de um imenso incentivador do
conceito de arte e arquitetura relacionada à ciência.
Para Myers, o biodesign não se resume em mimetizar os
processos naturais de forma sintética. Trata-se de algo mais
profundo que engloba topologias híbridas derrubando
fronteiras entre os ambientes naturais e construídos.

A grande contribuição do biodesign nos âmbitos


sustentáveis está em defender, estimular a criação de
produtos não descartados, reabsorvidos pelo meio
ambiente no ciclo de nutrientes da natureza. É esse uso
inteligente e equilibrado que oferece benefícios às
residências, aos locais de trabalho e às cidades.

O pavilhão do Japão é composto por tubos de papel e


projetado por Shigeru Ban (2000).
Vale ressaltar que o biodesign não se limitou a uma área de
atuação, se expandido para bioarquitetura, bioengenharia,
bioenergética e outras ciências.

Design biofílico
O termo biofílico foi criado pelo psicólogo e filósofo Erich Fromm em 1964 e difundido amplamente pelo
biólogo Edward Osborne Wilson, na década de 1980, no livro Biofilia. A obra defende a afinidade inata dos
seres humanos pelo mundo natural e a grandiosidade dessa conexão entre os seres.

A palavra biofílico é proveniente de biofilia, que pode ser definida como o amor à vida ou aos
sistemas vivos.

A biofilia é aplicada e conhecida por muitas pessoas, justamente por ser algo inegavelmente natural e
instintivo. Desde os nossos ancestrais, nossa capacidade de respirar, enxergar, perceber o espaço, assim
como todo desenvolvimento das nossas funções corporais, surgiu do contato direto com a natureza. Por isso,
o espaço natural é algo tão vital na relação de vivência.

Entretanto, em um mundo com a rápida urbanização,


ocorreu nas cidades e áreas uma quebra dessa ligação
fundamental, ocasionando uma mudança no nosso hábitat,
entre o mundo natural para o mundo construído.

A compreensão dos benefícios resultantes do contato direto


com a natureza de forma científica é a base do de design
biofílico. A partir desse ponto, existe a busca por técnicas
que permitam esse contato com elementos naturais no
design de interiores, primeiramente direcionados a
ambientes, edifícios e paisagens construídos como um todo
e, posteriormente aos demais gamas do design.
Fallingwater (Kaufmann Residence), Frank Lloyd Wright.
Como pilares, o design biofílico consiste em experiências
diretas, indiretas ou experiência de lugar e espaço:

Experiência direta

Envolve o contato direto com a natureza. Exemplo: plantas, contato com agua, ar, luz solar, animais,
entre outros elementos.
Experiência indireta

Envolve a ideia, sensação ou lembrança da natureza. Exemplo: fotografia, ilustrações e imagens que
fazem alusão ao meio ambiente.

Experiência de lugar e espaço

Envolve espaços, objetos, itens e ambiente que associem características da natureza, como
aconchego, abrigo, refúgio e outros exemplos.

Mesmo no mundo pré-pandemia, a OMS já havia reconhecido a importância da nossa relação com a natureza
e a necessidade aplicação do design biofílico em áreas produtivas, como escritórios e outros ambientes de
trabalho. Aponta-se o estresse no trabalho como uma das maiores causas de depressão, baixo desempenho,
baixa produtividade, perda de tempo de trabalho e aumento de custos. Diante desse cenário, tornou-se
fundamental reduzir os níveis de estresse, a pressão arterial e as frequências cardíacas, ao mesmo tempo que
se aumenta o bem-estar geral, incorporando elementos da natureza diretos ou indiretos no ambiente
construído.

Design biomimético
Por definição, o prefixo grego bio significa vida, enquanto a palavra mimética significa imitar. Logo, podemos
concluir que a biomimética é uma ciência que estuda os modelos da natureza e depois os imita, ou se inspira
neles.

Considerando a natureza como sistema formado por anos de evolução e ciclos de feedback, juntamente com
tecnologias inovadores, a biomimética se apresenta como uma teoria de que todas as soluções já existem,
restando à raça humana aprender a observar e ouvir o meio natural para entender mecanismos e aplicá-los
nas tecnologias disponíveis. Veja alguns exemplos de mobiliário com design biomimético:

Impressão 3D, Coleção Doméstica Gerática.


Impressão 3D, Coleção Doméstica Gerática.

Impressão 3D, Coleção Doméstica Gerática.

A biomimética começou a ser implantada de modo sistemático no mundo nos anos 1990, estando inicialmente
focada em eficiência energética. A bióloga norte-americana Janine Benyus se torna a responsável por
propagar a ciência que se desdobra em várias áreas de aplicações com a publicação do livro Biomimética:
Inovação Inspirada pela Natureza.
O crescimento da biomimética não é só no design, mas também em engenharia, arquitetura, medicina,
aeronáutica, tecnologia, design, mobilidade urbana, produção de energia limpa e até em setores sociais,
econômicos e de gestão.

Veja a seguir alguns exemplos de destaque da aplicação da biomemimética nessas áreas.

• Idealização de trajes de natação que imitam a pele de tubarão para melhorar o desempenho de atletas.
• Edifícios que imitam estruturas na forma da flor de lótus.
• Prédios que reproduzem o sistema refrigerado de cupinzeiros e outros exemplos.

Muitos defendem que, em um mundo pós-pandemia, a biomimética se faz presente e extremamente


necessária em praticamente todos os seguimentos da humanidade. Isso porque o coronavírus evidenciou a
vulnerabilidade humana. Assim, a resposta para essa vulnerabilidade, bem como para as futuras pandemias,
pode estar na sabedoria da natureza.

O mobiliário e ecodesign
A sustentabilidade é fundamental para o futuro da humanidade e de todo o planeta. Com isso em mente, o
segmento de móveis busca a reutilização de materiais, como madeira de reflorestamento, com índice de
reciclabilidade alto, termoplástico, aço e alumínio.

Os mobiliários possuem menos recursos


naturais, são feitos de matérias-primas
recicláveis e materiais com componentes
reciclados em sua composição, visando à
redução na geração de resíduos.

Internacionalmente, aumenta-se o número de


mesas, cadeiras, poltronas, camas e armários
que estão utilizando madeiras com Selo Verde,
como o concedido pelo Conselho Brasileiro de
Manejo Sustentável (FSC). Alguns produtos
fabricados em papelão extremamente
resistente por sistema inteligente de dobras, Poltrona Eames produzida pela Herman Miller em
como os móveis da linha Easy Edges do madeira reflorestada.
arquiteto Frank Gehry. Algumas das fabricantes
de mobiliário mais consagradas do mundo,
como a Herman Miller e a Fritz Hansen,
desenvolveram cadeiras com materiais de 90 a 99% recicláveis e que possuem longa vida útil.

O Brasil apresenta design de mobiliário voltado para a preocupação ambiental como base do seu trabalho e
aliado a uma estética inovadora contemporânea de alto desempenho, como Hugo França, Tati Guimarães,
Rodrigo Almeida e Carlos Motta e Domingos Tótora.

Em produção industrial, cadeiras de plástico verde 100% renovável, com processo de rotomoldagem em
termoplástico extraído da cana-de-açúcar e sem petróleo são exemplos da marca Tramontina em parceria
com a Braskem para um design sustentável.

Saiba mais
Atualmente, a produção industrial de cadeiras de plástico apresenta-se com clareza a busca de recursos
tecnológicos eficientes, tais como: aproveitamento de até 85% das chapas de madeira, adoção de um
sistema de enclausuramento e exaustão que impeça a eliminação de pó na atmosfera; sistema de
tratamento de efluentes industriais com o reuso da água.
Verificando o aprendizado

Questão 1

A biomimética, por definição, é a ciência que estuda as estratégias da natureza como base e referência para
soluções dos problemas atuais da humanidade. Sobre esse assunto, podemos afirmar:

A biomimética não contempla inovações tecnológicas e tem como premissa o uso de materiais naturais
obrigatoriamente.

A biomimética é a inovação baseada na natureza, buscando equilibrar a produção de materiais de consumo


com o foco na preservação ambiental e na sustentabilidade.

A biomimética não contempla inovações tecnológicas e obtém na semelhança estética com elementos
naturais vivo e não vivo a sua principal aplicação e características.

A biomimética refere-se a uma linha estética de design, aplica-se exclusivamente a mobiliário e design de
interiores, por definição.

A biomimética é uma linhas de design com proposito de redução de resíduos sólidos descartados na produção
de mobiliário pós-pandemia, enquanto a biofilia é uma linha de design que não necessariamente contempla o
reaproveitamento ou a reciclagem de material com maior eficiência energética.

A alternativa B está correta.


A biomimética é a ciência que estuda os modelos da natureza e os usa como inspiração não apenas nas
áreas de design de mobiliário (especificamente o assunto estudado), mas também de design de produto,
arquitetura, engenharia, moda e outras ciências.

Questão 2

Sobre os princípios de ecodesign relacionados aos aspectos social, econômico e ambiental podemos afirmar:

Uso de materiais com menor impacto ambiental em processo indicado, mas não obrigatório, sendo aceito
apenas quando a redução significar 10% no mínimo.

B
Eficiência energética implementada, e se possível por substituição, por fontes de energias alternativas como a
energia elétrica, eólica e nuclear.

Aumento na vida útil de produtos e itens produzidos para restrição e combate ao modelo econômico
capitalismo e de consumo atual.

Aplicação da modularidade para substituição de parte do produto, e não necessariamente do descarte


absoluto do produto. Esse tópico e obrigatório para produtos de origem animal apenas.

Reutilização/reaproveitamento para obrigar a reciclagem de no mínimo 50% dos materiais utilizados conforme
Conama nº 301.

A alternativa B está correta.


São cinco os princípios do ecodesign. A eficiência energética se baseia no emprego de meios de fabricação
com menos consumo de energia ou que usem fonte de energia menos agressiva ao planeta.
4. Conclusão

Considerações finais
No Brasil, o design e a produção de mobiliário, durante muito tempo, mantiveram uma forte dependência de
modelos importados, sobremaneira o europeu. A ruptura desse modelo fez com que o design brasileiro
conquistasse uma nova identidade. Em meados do século XX, as primeiras manifestações genuinamente
brasileiras surgiram no modernismo, tendo a arquitetura modernista como principal influência, demonstrando a
necessidade de mudanças no design mobiliário. A obra de profissionais consagrados da época nos demonstra
que a criação de uma nova estética estava relacionada à cultura e ao contexto histórico da crescente
industrialização vivido pelo país.

No final do século XX e início do XXI, as particularidades do design pós-moderno nortearam um especial


momento criativo de vários artistas que, por sua vez, propiciaram o aparecimento de novas correntes criativas
formando o conceito denominado como novo design. Esse novo conceito é caracterizado por ideologias
independentes, separando forma (estética) do funcionalismo, não focando na produção industrial em série.

A relação entre arte e design começou a ser debatida e aceita como possível. Esse conceito merece destaque
uma vez que, naquele período, muitos designers ainda tinham o pensamento retrógrado de que o design não
era arte, e sim pura técnica e funcionalidade (princípio rompido pelas ideias da Bauhaus). Pensar nessa
relação é, portanto, compreender que o design é sim influenciado pela arte, nos proporcionando sensações e
experiências determinantes que envolvem diversos aspectos, como estéticos, culturais, simbólicos etc. Assim,
mais do que um novo conceito, o novo design representou uma etapa importante no caminho do design de
mobiliário brasileiro rumo à contemporaneidade.

Estamos inseridos no mundo globalizado, que se reflete em novas tecnologias, novos processos produtivos e
novos e diversificados materiais. Vivemos um período diretamente associado ao desenvolvimento sustentável,
propiciando aos designers conceber soluções que não abandonem a criação original, entretanto que se
apropriem de novas possibilidades, funções e significados.

Espelhado no nosso próprio país, o design de mobiliário nacional é hoje rico e diversificado. Hoje, o Brasil
reconhecido mundialmente nesse setor pela sua originalidade e pluralidade traduzidas em obras de grandes
nomes do design e da arquitetura modernista e contemporânea, bem como de áreas afins, empenhados no
desejo de buscar a nossa identidade cultural.

Podcast

Ouça agora como o desenvolvimento sustentável, que sempre foi a base da vida em equilíbrio, passa
necessariamente pela evolução histórica da prática de design. Além disso, conheça um pouco mais
sobre a aplicação do conceito de design e de sua evolução para ecodesign na busca de um
desenvolvimento econômico, mais equilibrado e sustentável.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.

Explore +
Para complementar os seus conhecimentos no assunto estudado, pesquise sobre a Agenda 2030 da ONU.
Essa nova agenda engloba as ações da instituição e de seus parceiros no Brasil com o intuito de alcançar os
17 Objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimentos enfrentados para um desenvolvimento
sustentável.
Assista ao filme francês do renomeado cineasta Jacques Tati Mon Uncle, que faz uma sátira à relação de
consumo da sociedade do século XX que beira ao fútil.

Referências
BRASIL. Agenda 21. Ministério do Meio Ambiente, 2002.

BIOMIMETICS. Dictionary. Consultado na internet em: 8 fev. 2023.

BOELTER, F. et al. Os 5 R's da Sustentabilidade. V Seminário de Jovens Pesquisadores em Economia &


Desenvolvimento. UFSM, 2017.

BRANDÃO, A. Anotações para uma história do mobiliário brasileiro do século XVIII. Revista CPC, São Paulo, n.
9, p. 42-64, 2010.

GALVÃO, A. História do Mobiliário. UFPR, 28 ago. 2016. Consultado na internet em: 08 fev. 2023.

KARLSSON, R.; LUTTROPP, C. EcoDesign: what's happening? An overview of the subject area of EcoDesign
and of the papers in this special issue. Journal of Cleaner Production, v. 14, n. 15, 2006.

MAGALHÃES, M. A. N. Mudança de atitude: Educação ambiental deve atentar para a realidade sociocultural
dos sujeitos envolvidos. Revista do Legislativo, v. 32, p. 92-99, 2005.

MALTA, M. Algumas questões sobre o mobiliário colonial. Academia, 2023. Consultado na internet em: 8 fev.
2023.

MOURA, M. Design contemporâneo: poéticas da diversidade no cotidiano. In: FIORIN, E.; LANDIM, P. C.;
LEOTE, R. S. Arte-ciência: processos criativos [online]. São Paulo: UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica,
2015.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Humanidade produz mais de 2 bilhões de toneladas de lixo por
ano, diz ONU em dia mundial. ONU, 1 out. 2018. Consultado na internet em: 8 fev. 2023.

PROCESSO BIOMIMETICO. Istituto Treccani. Vocabolario Treccani. Consultado na internet em: 8 fev. 2023.

SANJAD, H. C. Reciclagem como alternativa para a eficiência e sustentabilidade econômica do setor de


resíduos sólidos urbanos no município de Belém-PA. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Pará,
Belém, 2018.

SILVA, S. M. da. Uma proposta de educação ambiental integrando o Princípio dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e
reciclar) nas unidades escolares municipais de Santo Amaro da Imperatriz – SC. Dissertação de Mestrado,
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.
THOMEOA, Y. C.; MENDONÇA, R. N.; PANTALEÃO, L. F.; PEREIRA, J. A. Design de mobiliário brasileiro, moderno
e contemporâneo: um diálogo formal. Revista de design, tecnologia e sociedade, v. 6, n. 1, 2019.

WORLD WIDE FUND FOR NATURE. WWF. Brasil é o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico. WWF Brasil,
4 mar. 2019.

ZANON, S. Biomimética: tecnologia inspirada na natureza avança no Brasil. Mongabay, 18 mar. 2020.

Você também pode gostar