Mobiliário Contemporâneo: Design e História
Mobiliário Contemporâneo: Design e História
mobiliário
É de fundamental importância conhecer as influências criativas do design de mobiliário, surgidas no
contexto brasileiro e internacional a partir ligação entre arte e design, sob os inúmeros aspectos
concretizados por artistas e designers ao longo do tempo.
Prof.ª Larissa Rassy Carneiro Preissler
1. Itens iniciais
Propósito
O aluno reconhecerá a importância do mobiliário contemporâneo brasileiro e internacional, bem como os
principais elementos que compõem o ecodesign, inserindo esses conceitos em seus futuros projetos como
forma de qualificá-los dentro dos padrões correntes da atualidade.
Objetivos
• Reconhecer a importância do mobiliário brasileiro.
• Identificar os principais elementos que compõem o mobiliário contemporâneo.
• Aplicar os conhecimentos adquiridos em projetos de ecodesign.
Introdução
A necessidade de usar mobiliário e utensílios surgiu no período Neolítico (7 mil a.C. a 2500 a.C.), quando o
homem deixou de ser nômade, passando a se fixar na terra. Ao longo do tempo, os móveis evoluíram de
acordo com as necessidades humanas, a capacidade técnica de determinada sociedade e sua sensibilidade
estética, assim sua caracterização variou muito de acordo com a região e a época.
O termo contemporâneo se refere ao que é do tempo atual, sendo utilizado para caracterizar as atividades da
nossa geração, do século XXI. O design contemporâneo, portanto, se refere ao que estamos vivendo no
momento e reflete o jeito de ser e pensar da nossa sociedade, as tendências atuais e, por isso, está em
constante evolução. De certa forma, ele se apropria de características do modernismo, do minimalismo e de
outros estilos, bem como de preocupações ecológicas, sem ter uma referência única.
É comum o uso dos termos design moderno e design contemporâneo como sinônimos. No entanto, o design
moderno é o precursor do contemporâneo e está principalmente ligado às novas tendências estéticas do
início do século XX e até à década de 1970. Toda produção executada a partir desse período é considerada
pós-moderna ou contemporânea.
Veremos que, pautado pelo conforto, o mobiliário contemporâneo tem como objetivo proporcionar aconchego
e bem-estar, incorporando novas soluções e tendências para deixar ambientes domésticos, corporativos e
institucionais esteticamente mais agradáveis e funcionais e ecologicamente corretos.
1. A contemporaneidade do mobiliário brasileiro
O mobiliário brasileiro
Que tal iniciar este estudo entendendo como ocorreu o início da produção de móveis no Brasil, o nascimento e
a evolução do design de móveis? Para isso, assista ao vídeo a seguir, que traz um breve histórico das origens
do mobiliário brasileiro.
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O reconhecimento da importância do mobiliário brasileiro é de grande relevância para o designer, pois traz
consigo os conceitos e a própria gênese do mobiliário contemporâneo.
A abordagem desse tema na atualidade propicia um estudo relevante, tendo em vista importantes aspectos
ligados ao processo de criação, às suas particularidades, às peculiaridades e ao design em si.
O design é considerado como uma das mais importantes formas de comunicação humana.
Desde o início do século XX, o mobiliário brasileiro teve um papel de destaque no cenário do design
internacional, muito devido à utilização de elementos ligados à nossa brasilidade, às novas tendências
estéticas internacionais promovidas pelo despertar do modernismo e ao nascente processo de
industrialização do país.
Cadeiras de vime.
Se considerarmos que os alpendres compunham o espaço de transição entre o público e privado, podemos
inferir que os “bancos das varandas” seriam uma referência à hospitalidade da casa-grande e, ao mesmo
tempo, compartilhadores da intimidade da família. Assim, teríamos a primeira manifestação de um objeto
funcional (um banco) adaptado às necessidades brasileiras.
Antes do advento do Ciclo do Ouro, nos séculos XVI e XVII, a base econômica do Brasil era agrária ligada ao
extrativismo e ao cultivo de cana de açúcar. Nossas casas eram praticamente despidas de objetos artísticos
ou decorativos e mesmo os móveis eram escassos, imperando a simplicidade e a rusticidade no ambiente
interior.
Naquela época existiam duas categorias de Uma senhora de algumas posses em sua casa, Jean-
móveis: Baptiste Debret (1823).
Maleáveis Rígidos
Eram móveis feitos com tecidos e ou trançados. Eram móveis produzidos e estruturados em
madeira, nos quais predominavam as linhas
retas e a singeleza decorativa.
Os parcos bancos ou cadeiras possuíam assentos que podiam ser totalmente em madeira ou couro, preso por
tachas de metal. Certamente, os móveis maleáveis foram mais numerosos que os rígidos, reforçando a
impressão de interiores vazios, sem mobiliário, sendo que a maioria da população daquele período não
possuía nível econômico que permitisse encomendas de móveis.
A partir do século XVIII, que coincide com os períodos Barroco e Rococó na Europa, esse tipo de mobiliário
continuou a ser produzido, muitas vezes adicionados de pequenos detalhes barrocos. Sua estrutura se
manteve retilínea como nos modelos anteriores, entretanto recebeu pequeno rebuscamento de decoração.
Exemplo
Os mobiliários do século XVIII eram torneados, com bolas, discos ou bolachas, bem como alguns
entalhes que preenchiam as superfícies. Neste período também foram introduzidos alguns detalhes
como saias, frisos, cornijas, testeiras, curvas e contracurvas, claramente de aparência barroca.
Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, e mais tarde do diamante, ocorre uma diversificação na base da
economia que deixa de ser prioritariamente agrária. Essa mudança propiciou um incremento decorativo e
funcional no mobiliário, entre tantas outras alterações introduzidas no modo de vida brasileiro, que
costumamos chamar referencialmente de Barroco mineiro.
Esse repertório formal do mobiliário mineiro é bastante
variado com diferentes linguagens sem uma imagem
puramente barroca, uma vez que na Europa o mobiliário
passou a ser suntuosamente ostentoso. Sendo assim, não
houve no Brasil nenhum móvel que se parecesse em forma,
decoração ou tipo de acabamento ao mobiliário francês,
paradigmaticamente barroco.
Na imagem a seguir, podemos observar mais um exemplo do mobiliário desse período histórico:
O modernismo no Brasil
Compreenda agora a influência do modernismo no mobiliário brasileiro. Além disso, conheça todo o
movimento cultural que gerou impacto nas tendências estéticas gerando uma nova percepção da arte no
início do século XX.
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No início do século XX, como consequência da profunda mudança do modo de vida proporcionada pela
Revolução Industrial do século XIX, o modernismo surgiu na Europa no período que antecedeu a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918) e se desencadeou a partir das novas tendências culturais e artísticas conhecidas
como vanguardas europeias. São algumas dessas vanguardas:
• Cubismo
• Futurismo
• Dadaísmo
• Expressionismo
• Surrealismo
Essas mudanças não foram apenas de cunho artístico, ocorrendo em todos os campos do conhecimento e do
processo de produção de bens.
Curiosidade
No Brasil, o modernismo foi um amplo movimento cultural que aconteceu por influência de tendências
estéticas europeias, sendo uma nova percepção da arte no início do século XX. O modernismo não se
deu apenas na esfera artística, como na literatura, mas também no nascente processo de
industrialização daquele momento com o início da transferência da economia agrária para a industrial,
principalmente nos grandes centros urbanos. Nesse cenário, havia o deslocamento de uma grande
massa populacional da zona rural para as cidades, gerando novas necessidades do “mundo moderno”,
dentre elas mobiliário para suas moradias.
Entre tantos designers daquele momento, destacamos o pioneirismo do arquiteto ucraniano Gregory
Warchavchik que, sob influência de Le Corbusier, teve sua produção restrita a móveis autorais.
A ascensão da arquitetura moderna no Brasil começou na década de 1930, primeiramente com Lúcio
Costa e, em seguida, com Oscar Niemeyer, que procuravam uma nova afirmação cultural, ou seja,
uma expressão projetual de formas livres, com raízes na diversificada e rica paisagem brasileira.
Nesse contexto, o design do mobiliário nacional já surgiu renovado e propenso à evolução de um traço
notadamente brasileiro de forma livre que procurava harmonizar o mobiliário com os ambientes projetados
pelos arquitetos. Muitas vezes, esses profissionais produziam a arquitetura, o mobiliário e as obras de arte em
consonância entre si.
O design de mobiliário nacional a partir do modernismo (cujos trabalhos não somente foram amplamente
utilizados por aqui, como suas tipologias foram exportadas mundo afora) até a contemporaneidade sofreu
modificações inerentes à globalização.
Comentário
Junto das mais variadas manifestações artísticas, o design em si, traduz e apresenta nossa identidade
visual, somente contribuindo com campo visual, de imagens e qualidade estética, mas também
marcando nossas necessidades e nossos anseios.
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A contemporaneidade brasileira está inserida e acompanha pari passu o fenômeno que acontece no mundo
todo, cuja principal característica é a multiplicidade de tendências. O mundo contemporâneo é a consequência
da evolução da ciência desde os primórdios da humanidade, sendo indispensável no nosso dia a dia. Infinitos
são os benefícios trazidos pela ciência, como o desenvolvimento em saúde, educação, transporte, eletricidade
e comunicação, apenas para citar alguns deles.
Várias análises podem ser feitas relativamente ao mobiliário: suas funções práticas, ou seja, para que fim ele
será produzido. Veja agora algumas dessas finalidades de móveis e respectivos exemplos:
Exemplo 1
Exemplo 2
Exemplo 3
Nós nos recostamos ou nos deitamos sobre móveis, como camas e sofás.
O design de mobiliário é justamente a ciência que deve observar todas essas funções. Sem dúvida, é também
o campo do conhecimento especializado em agregar conceitos estéticos ao mobiliário, tornando-os muito
mais do que um mero utensílio, mas também parte integrante e essencial do nosso cotidiano.
Além da questão funcional, outra análise também pode ser feita concernente a questões subjetivas
ultrapassando o limiar do fator utilitário: como o design do mobiliário insere no produto o significado e a
importância do móvel como parte de nossa vida e da sociedade em que vivemos. Apreendemos seus vários
significados, como forma de compreender cada cultura e cada período da história, bem como seus costumes
na forma como se deu sua produção e em sua utilização.
Um aspecto relevante é a relação entre cultura e design, sendo este o principal enfoque que devemos
considerar: a grande contribuição do design na construção da estética nacional, fomentando a nacionalidade,
o traço brasileiro e a identidade do nosso país no design e, sobretudo, no design de mobiliário.
Exemplo
A produção de móveis nacional reflete em suas formas e funcionalidades as demandas dos brasileiros
neste momento, nas circunstâncias em que estamos vivendo, trazendo ainda camadas de memória que
contam nossa história.
Assim como a produção de arquitetura, artes plásticas, música, entre tantas formas de artes, o design
também é considerado um registro da nossa sociedade, que marca períodos e fatos históricos que alteraram
e/ou impactaram nossa nação.
É primordial que tenhamos consciência do fortalecimento de nossa identidade nacional, dialogando com a
nossa realidade por meio do imaginário brasileiro com nossas paisagens, fauna e flora. De modo geral, esse é
um fator de impulsionamento do mercado do design, sobretudo no exterior.
O design de mobiliário brasileiro reflete o contexto histórico da nossa sociedade, primeiramente sendo
influenciado pelo modernismo, posteriormente pelo pós-modernismo e, finalmente, contemplando as
orientações inerentes à contemporaneidade.
Naquele período, surgiu uma geração de designers que acompanhou os princípios veiculados pelos
modernistas, entretanto agora envolvidos pela globalização, cuja característica era especialmente uma
inovação na linguagem. Embora tivessem formação modernista, foram abolindo aos poucos as questões
ligadas ao funcionalismo, diretamente associado à tecnologia industrial, cuja máxima era: forma segue função.
Os profissionais começam a utilizar matérias-primas até então não usuais no segmento, embora a
diversificação de materiais já tenha sido utilizada no design Art Déco no início do século XX. São algumas
dessas matérias-primas usadas:
• Borracha
• Lona
• Fibras diversas
• Alumínio
• Laminados
Esses materiais estavam diretamente ligados aos costumes pós-modernos, que faziam oposição ao
modernismo de maneira a valorizar a forma, mesmo que em detrimento da função, surgindo assim uma
proposta de mobiliário irreverente.
Posteriormente, no início dos anos 2.000, os designers intuíram a necessidade das novas exigências da vida
contemporânea em função de mudanças de nosso estilo de vida. Assim, na produção de móveis, foram
inseridos conceitos de leveza, simplicidade, flexibilidade, mobilidade, entre outros atributos, além das
questões relativas à sustentabilidade.
No século XXI, a feição do design de mobiliário brasileiro é nossa diversidade. A contemporaneidade corrente
possibilita variadas visões e estilos utilizados pelos designers que trabalham com a criação do mobiliário,
demonstrando que o Brasil é um importante polo de criatividade inserido no panorama da arte e da cultura
mundial.
Atualmente, o design de mobiliário brasileiro vive um momento de crescente expansão. Nossa expressiva
diversidade e o ousado perfil dos designers criaram a marca do design brasileiro contemporâneo
mundialmente reconhecido. Artistas plásticos, marceneiros, arquitetos, profissionais herdeiros do
modernismo, alguns já de formação pós-moderna e contemporânea, conjugam a diversidade de materiais que
faz parte desse enorme universo, em processos industriais ou mesmo artesanais.
Nesse cenário, com um repertório ilimitado de possibilidades, encontramos a produção de alguns dos nomes
mais expressivos, entre tantos outros profissionais, do design de mobiliário nacional:
Verificando o aprendizado
Questão 1
O modernismo e o pós-modernismo tiveram grande influência no design de mobiliário brasileiro. Com base no
que estudamos, podemos afirmar:
Todo o nosso design de mobiliário estava associado à importação dos modismos do continente europeu,
como os estilos Art Nouveau ou Art Déco.
O design do mobiliário nacional pouco enfocava elementos da culturais do país, uma vez que havia uma
necessidade premente da reprodução dos estilos da escola Bauhaus.
O design do mobiliário nacional defendeu a valorização daquilo era nacional, ou seja, a identificação de um
mobiliário brasileiro com características próprias.
O design do mobiliário nacional teve grande influência e foi moldado pelo uso revolucionário de materiais
como vidro, aço e biopolímeros, bem como de novos processos de produção.
Questão 2
Ponto inquestionável no design nacional é a nossa pluralidade em critérios mais diversos e que se
materializam no design. Sobre nossos designers, podemos considerar qual alternativa como correta?
O design nacional nunca obteve o real valor e sempre foi criticado duramente internacionalmente e
nacionalmente por reproduzir ideias europeias.
O design nacional conta com artistas consagrados e reconhecidos internacionalmente justamente por
apresentarem a junção da base cultural nacional com modernos processos de fabricação.
Apesar de obter designers diferenciados, como os dos irmãos Campana, Fernando Jaeger e Guto Índio da
Costa, Zanini de Zanine, entre outros, o mercado ainda apresenta um conflito entre o processo de produção e
a limitação de materialidade aplicada ao design nacional.
Sem explorar a pluralidade cultural, os designers brasileiros ainda apresentam resultados de ideias
modernistas e Art Déco como base do mobiliário nacional.
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É indiscutível que o avanço das diversas tecnologias definiu as características do mundo atual. O fato de parte
do mundo ter acesso a uma produção excessiva e à possibilidade de acesso a várias tecnologias de
comunicação levou ao nosso estilo de vida contemporâneo. Portanto, é fundamental a compreensão de que,
dentro da contemporaneidade corrente, a arte cumpre um importante papel de modo a propiciar novos
significados a antigos conceitos em desuso culturalmente na sociedade. A arte e o design devem possibilitar o
aparecimento de novas perspectivas.
Sempre que possível, essa experiência com o mobiliário é agradável, mas lembramos que produtos
conceituais nem sempre são confortáveis. Dessa maneira, torna-se imperativo que atualmente o processo de
criação de mobiliário dispense maior atenção às questões ergonômicas e ao conforto no nosso ambiente
cotidiano.
O design contemporâneo está em constante evolução uma vez que reflete as tendências atuais. Sua definição
não é assertiva, pois é um tipo de design que ainda está acontecendo e precisamos de um distanciamento
histórico para podermos defini-lo mais acertadamente. Entretanto, ele possui algumas características que são
marcantes, embora sejam não únicas.
O design contemporâneo é:
Multifacetado
Funcional
A utilização mais acentuadamente de novas tecnologias se deu a partir da Revolução Industrial, que se iniciou
no século XVIII e se consolidou no XIX. As mudanças nesse período causaram reflexos em vários setores
produtivos e econômicos, sobretudo no modo de vida da sociedade, incluindo a produção de móveis e artigos
de decoração. Com o emprego de máquinas operatrizes, embora de maneira insipiente, começaram a ser
executados móveis para atender a novas demandas. Em diversas localidades, sobremaneira na Europa, houve
produções que procuravam atender às necessidades da emergente da sociedade industrial daquele momento.
No geral, foi realizado um mobiliário eclético, próprio daquele período (final do século XIX e início do XX), que
procurava agregar influências de diferentes vertentes artísticas.
Designamos mobiliário moderno e/ou móvel contemporâneo toda produção pertencente ao século XX e
projetada segundo linhas de design em oposição aos estilos decorativos do móvel convencional e tradicional
executados anteriormente. O principal elemento característico do móvel moderno, embora nem sempre
alcançado, é a busca de linhas simples e acessíveis à grande parte da sociedade. Quando mencionamos o
estilo moderno, devemos distinguir entre o mobiliário produzido desde o final do século XIX até 1930 (de
tendência eclética e decorativa) e os móveis fabricados posteriormente a esse período (marcadamente
modernistas de inspiração industrial).
Ele propunha uma volta da qualidade do trabalho artesanal do período medieval aplicado ao processo
industrial. Houve uma primeira tentativa de que essa produção tivesse destacada qualidade estética e fosse
acessível à grande parte da população “feita pelo povo e para o povo”, segundo Morris. Entretanto, dada a
tecnologia pouco desenvolvida do período, os móveis tinham um preço elevado sendo, portanto, só acessíveis
à burguesia. Vejamos um exemplo do mobiliário de William Morris:
Poltrona Sussex, William Morris (1865).
A produção de móveis, utensílios, objetos e arquitetura realizada na França e Bélgica entre 1890 até 1914,
ficou conhecida como Art Nouveau. Em outros países, e recebeu outros nomes, porém com a mesma ideia. Os
móveis eram produzidos em fábricas, com técnicas industriais. Eram geralmente muito complexos, com formas
curvas associadas à natureza difíceis de fazer, além de possuírem um acabamento fino, conforme exemplo a
seguir:
Móvel de madeira produzido por Eugene Vallin em colaboração com Victor Prouvé
(1903-1906).
Esses móveis não se popularizaram porque tendiam a serem caros, por isso ficaram restritos a uma categoria
de móveis de arte destinados às classes de maior poder aquisitivo.
Outro arquiteto e designer na Grã-Bretanha daquele período foi o escocês Charles Mackintosh (egresso da
Escola de Arte de Glasgow). Embora suas realizações estejam inseridas no período do Art Nouveau aplicado
no continente, ele rejeitava o excesso de ornamentação. Com a produção de um mobiliário, bem como de
edificações, voltado para o racionalismo geométrico, Mackintosh produziu móveis relativamente austeros, de
linhas simples e sóbrias marcados por dimensões alongadas e ângulos retos, cujos trabalhos são
comercializados até hoje.
No final do século XIX e início do XX, em parte inspirados por Mackintosh, os vienenses criaram um movimento
conhecido como Secessão. Gustav Klimt foi o principal artista plástico desse movimento que pretendia rejeitar
os dogmas das escolas de arte de inspiração academicistas austríacas. Os arquitetos e designers realizaram
grande produção com linhas sóbrias sem rebuscamento, de objetos de decoração, utensílios domésticos,
edificações bem como mobiliário.
O nome de destaque na realização de móveis foi Josef Hoffmann, arquiteto e designer de vanguarda do início
de 1900. Hoffmann tinha um estilo que hoje chamaríamos de minimalista, tendo sido um dos precursores tanto
do Art Déco, que só surgiu na França após o final da I Grande Guerra em 1925, como da Bauhaus e do
movimento modernista, conforme podemos observar na imagem a seguir:
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Chamamos de vanguardas europeias as diversas tendências culturais e artísticas que surgiram na Europa no
início do século XX e influenciaram grande parte do mundo ocidental. Seus artistas procuravam romper com
as tradições e estéticas passadas sobremaneira aos cânones da arte acadêmica. Por meio de diversas
experimentações com diferentes materiais e técnicas, propiciaram o caminho para o surgimento da chamada
arte moderna, dentre elas o segmento do design moderno. As vanguardas artísticas europeias que mais se
destacaram foram:
• Expressionismo
• Cubismo
• Dadaísmo
• Fauvismo
• Futurismo
• Surrealismo
O estilo moderno tem origem no movimento moderno ou modernismo, que se originou como consequência
das concretizações das vanguardas artísticas. O início do século XX foi marcado por uma grande mudança de
padrão de vida na Europa. A segunda metade do século XIX tinha protagonizado e popularizado grandes
invenções acarretando, além da produção em larga escala de bens de consumo, o aceleramento do ritmo da
vida de uma nova sociedade industrial. As cidades cresciam graças à industrialização, tornando-se grandes
metrópoles. Tratava-se do alvorecer de uma nova era.
Resumindo
O modernismo e a arte modernista foram um movimento que abrangeu o mundo ocidental relativo à arte,
arquitetura e ao design. Esse movimento surgiu nos anos 1920 como consequência da industrialização
acelerada e das mudanças sociais. Embora seja ligado a vários campos do conhecimento, o modernismo
no design de mobiliário buscou uma ordem e universalidade tendo se utilizado de novos materiais e da
tecnologia disponível.
O design modernista enfatizou a função, simplicidade e racionalidade. Foram criadas novas formas de
expressão a partir de nova estética, que resultaram em móveis com linhas limpas, formas geométricas
simples, funcionais e flexíveis, muitas vezes com estruturas expostas. Esse estilo foi apropriado por muitas
nações e culturas principalmente ocidentais.
A escola de Bauhaus funcionou na primeira metade do século XX, atendendo às mudanças oriundas dos novos
processos produtivos e valorizando a fabricação em massa. O emprego de materiais da era industrial (metal,
madeira, aço e vidro) objetivava o barateamento de seus produtos. Essas características da Bauhaus não
somente influenciavam a arquitetura e o design, mas também o modo de pensar moderno de todo século XX.
O “estilo” prevalece até hoje, principalmente para espaços interiores que necessitam de maior funcionalidade
e um visual limpo sem excessos decorativos.
Curiosidade
Tendo sido uma das primeiras instituições voltadas para o ensino do design, enquanto escola formal, a
Bauhaus teve vida curta, sendo encerrada no início da década de 1930.
Enquanto pensamento de vanguarda ou estilo, deixou um legado que se perpetua até hoje na concepção e
produção ligada à arquitetura, arte e ao design que ainda fazem parte da nossa vida contemporânea,
conforme podemos observar nos modelos a seguir:
Cadeira Cesca (Marcel Breuer)
O Mundo contemporâneo
Vejamos a seguir um dos principais elementos do modernismo, o minimalismo. Com o vídeo a seguir, conheça
o conceito e a proposta desse movimento:
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Embora a globalização tenha se iniciado no período das Grandes Navegações dos séculos XV e XVI, esse
termo só foi cunhado na década de 1980. É um dos principais fatores (e consequência do avanço tecnológico)
do mundo contemporâneo e se trata de um fenômeno de integração econômica, social e cultural em escala
mundial. Caracteriza-se pela intensificação dos fluxos de capitais, mercadorias, pessoas e informações, para
citar apenas alguns tópicos.
Vantagem
Desvantagem
Dissemina informações de maneira rápida e
Aprofunda as desigualdades
amplia o contato entre diferentes culturas e
socioespaciais.
povos.
Após a Revolução Industrial, surgiu uma linha de pensamento no design de mobiliário que acreditava que a
forma deveria seguir a função dos objetos, que ficou posteriormente conhecida como movimento modernista.
Com o passar das décadas, os designers passaram a contestar essa premissa, dizendo que o objeto deveria
ser uma expressão de arte, assim surgiram as inovações formais com o movimento pós-Moderno.
Embora sejam constantemente confundidos e usados de maneira equivocada, os vocábulos
moderno e contemporâneo não são sinônimos.
Se pudéssemos eleger uma tendência atual, simplicidade seria uma definição precisa do estilo
contemporâneo.
O contemporâneo é o legado do movimento modernista, uma verdadeira revolução cultural que influenciou
tanto o campo das artes quanto do design, alicerçada no conceito do “menos é mais” (expressão máxima do
minimalismo). Sua busca é por linhas puras que culminam na estética minimalista. Além de absorver esses
conceitos, o estilo contemporâneo inclui uma nova perspectiva: a da personalização do espaço (característica
principal do período pós-moderno em contraponto ao coletivismo do moderno).
Fazem parte do mobiliário contemporâneo internacional, itens como as cadeiras Ghost e a Master Chair,
apresentadas a seguir:
Cadeira Ghost.
Cadeira Master Chair.
A predominância do minimalismo
O design de mobiliário minimalista é visto como
a grande tendência contemporânea. A
utilização de pouco artigos de decoração,
motivos geométricos, móveis com design
simples, cores neutras, valorização da
tecnologia são alguns atributos que
caracterizam o minimalismo. A utilização de
poucos móveis e a valorização de detalhes
compõem ambientes de grande qualidade
visual e estética.
Decoração minimalista da sala de estar, com móveis em
O minimalismo é originário de diversas madeira.
vertentes de artes vanguardistas, como
cubismo e neoplasticismo (como a Casa
Schröder, projetada por Gerrit Rietveld em
1925, por exemplo), além da convergência com a cultura japonesa e aspectos da cultura escandinava. Esse
estilo, no início do século XX, propunha a rejeição dos cânones acadêmicos e dos estilos clássico e romântico
instituídos até então. Foi amplamente difundido nesse período por meio de slogans criados pelo arquiteto Mies
van der Rohe, como “menos é mais” e “Deus está nos detalhes”. Entretanto, sua grande aplicação só ocorreu
inicialmente na Europa e nos EUA e, posteriormente, no mundo ocidental a partir da década de 1950, sendo
amplamente utilizado ainda nos dias de hoje.
O design contemporâneo preza pelo minimalismo possuindo poucos mobiliários, como sofás, poltronas e
estofados mais confortáveis, otimizando a circulação do espaço. Também valoriza as linhas orgânicas, muito
presentes nos ambientes contemporâneos, conforme podemos observar na imagem a seguir:
É possível ainda, perceber que o minimalismo vai além de paredes sóbrias e pouca mobília, ele valoriza a
ideologia do uso daquilo que é indispensável vivendo somente com o necessário. Subtrai tudo aquilo que é, de
certo modo, desnecessário, valorizando a organização e funcionalidade dos ambientes, além das questões
ligadas à sustentabilidade do planeta.
As cores de nuances neutras e claras são uma das características da tendência minimalista,
associadas aos móveis de linhas retas, formas simples e ergonômicas.
Esses móveis produzidos com materiais ligados ao estilo industrial, como vidro, aço e cimento queimado,
complementam ambientes espaçosos de linhas arrojadas e atemporais.
Comentário
Nos tempos atuais, a maioria de nossas residências (muitas vezes apartamentos muito pequenos) possui
cômodos com dimensões exíguas. Logo, é necessário ter espaços mais bem aproveitados. Assim,
ambientes com poucas informações e livres de um visual poluído que estejam alinhados com as
necessidades e demandas do usuário no dia a dia propiciam que a sensação de bem-estar seja mais
aflorada.
Ainda que a rica diversidade cultural do Brasil não permita uma síntese das expressões estéticas do design de
mobiliário nacional, acreditamos que uma análise da produção brasileira é importante para a construção de
uma narrativa dessa atividade no país, que busca valorizar suas raízes, métodos produtivos e linguagem
simbólica.
O design contemporâneo brasileiro está inserido no centro das nossas mudanças sociais, culturais e
socioeconômicas, acompanhando suas multiplicidades e exprimindo diferentes visões de culturas
locais.
Essas premissas apontam para um futuro promissor para nossos produtos, uma vez que, entre outros ganhos,
estão associadas às Metas Globais da Agenda 2030 da ONU relativas ao desenvolvimento sustentável das
nações do mundo todo.
Comentário
Em comunhão com a corrente de pensamento predominante no momento, na maioria das vezes
alinhando arte e design, a produção contemporânea de vanguarda do mobiliário brasileiro procura
instigar nossa imaginação para nos fazer refletir diante da vida, estimulando nossos sentidos e aguçando
nossa percepção de mundo.
Em meados do século XX, Joaquim Tenreiro, Sérgio Rodrigues e Lina Bo Bardi estavam alinhados com o
movimento moderno brasileiro. Em relação à produção de móveis, procuravam se alicerçar no uso de materiais
naturais e nativos, como madeiras nobres e suas potencialidades, em consonância com nosso clima tropical,
explorando-as plástica e funcionalmente.
A expectativa futura de uma atividade exitosa, cultural, econômica e ambiental é possível para a produção de
mobiliário brasileiro, uma vez que é um dos ramos mais expressivos do segmento de design por suas formas
esculturais e características, muitas vezes realizadas artesanalmente a partir de madeira nacional certificada.
Questão 1
Um ponto inquestionável é a importância da Bauhaus para o design e a forma como a precursora do design
modernista europeu revolucionou a maneira de pensar o design. Sobre esse assunto, podemos afirmar:
A escola Bauhaus apresentava um design com o uso de formas e linhas simplificadas, definidas pela
funcionalidade do objeto, sem diminuir a importância e a necessidade estética do resultado final.
A Bauhaus influenciou a arquitetura e o design, porém sua linha estética se mostrou defasada pela limitação
do maquinário industrial no processo de produção.
A Bauhaus defendia espaços e mobiliários com maior funcionalidade, mas com atenção ao grande número de
efeitos decorativos que buscavam forte impacto visual.
A escola de Bauhaus trabalhou com mudanças nos processos produtivos, valorizando a produção em escala,
porém pouco utilizou materiais industriais como metal, madeira, aço e vidro, muito em função do alto custo
desses itens.
E
O Brasil foi um dos países que usou a escola como base para o desenvolvimento do seu design, mas não
empregou os preceitos da Bauhaus conhecidos como “menos é mais” e “forma segue a função”.
Questão 2
A produção de móveis e artigos de decoração utilizou novas tecnologias a partir da Revolução Industrial.
Sobre o mobiliário no mundo pós-revolução industrial, considera-se verdadeira a alternativa:
No design de mobiliário, o estilo predominante era o eclético, que objetivava trabalhar com as linhas estéticas
curvas e que remetessem exclusivamente a elementos da natureza, em propositar contraponto à presença da
industrialização.
Nesse período, priorizou-se o estilo puro eclético Art Noveau, que evidenciava linhas retas e buscava a pureza
e fidelidade a apenas um estilo estético e apenas uma vertente artística.
Umas das principais características aplicadas nesse período era a busca de linhas simples e funcionais com
materiais nobres, o que inevitavelmente concentrou a produção a apenas a elite da sociedade.
A revolução industrial permitiu a produção em massa, mas sem necessariamente ganho estético, o que
resultou na busca de artistas e designers pela revalorização da produção artesanal, principalmente em
mobiliários.
O ecodesign
Você já ouviu falar do conceito de ecodesign? É exatamente sobre esse conceito que o vídeo a seguir
comenta, bem como seus princípios e os “8R’s de sustentabilidade, que fazem parte da fundamentação dessa
linha de design.
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A partir de 1960, debates e estudos relacionaram questões como a poluição atmosférica e as atividades
econômicas. O relatório Limites do Crescimento, preparado pelo Clube de Roma, é considerado um grande
marco histórico inicial, pois juntou o empresário italiano Aurelio Peccei, o cientista escocês Alexander King e
um grupo de aproximadamente 20 personalidades, para discutir o futuro das condições humanas no planeta.
A repercussão foi muito grande, mas acendeu o Parlamento sueco, onde foram realizadas diversas das
debate sobre as consequências da reuniões da Conferência de Estocolmo.
industrialização e a necessidade de se
estabelecer premissa e condições que
assegurem as gerações futuras de viver em um
ambiente saudável. A partir de então, a ideia e o conceito de ecodesign têm evoluído e revolucionando
inúmeros segmentos tecnológicos e econômicos da engenharia, arquitetura e do design de interiores.
Depois de 60 anos dos debates do clube de Roma, é nítida a legitimidade das questões levantadas sobre a
utilização dos recursos naturais de maneira desenfreada e como as discussões ambientais permitiram com
que a humanidade começasse a indagar o modelo de econômico vigente.
Ecodesign ou design for environment (DfE) é a definição dada a um conjunto de ações eco
ambientais que objetivam promovem o uso consciente dos recursos naturais e não renováveis,
durante as etapas da prestação de serviço ou elaboração de produtos.
Considerando os fatores ambientais com a mesma importância de aspectos estéticos e econômicos, com o
intuito de minimizar impactos da exploração de recursos naturais nas relações humanas e de negócios.
Definição do ecodesign
Karlsson e Luttropp (2006) descrevem o mapa linguístico da palavra ecodesign evidenciando a relação entre
economia e aspectos ambientais, pelo uso simultâneo do prefixo eco como referência para a palavra ecologia
quanto para economia. Entenda:
Mapa linguístico.
Assim, o entendimento de ecodesign é mais complexo do que apenas o simples uso de materiais recicláveis
ou de práticas sustentáveis, como o reuso, a reciclagem ou o reaproveitamento de objetos.
A partir de 1990, se consolidam o conceito de design ecológico no design mundial, pela associação das ideias
de reestruturação produtiva aliada ao apelo sustentável, além de prolongar o ciclo de vida de produtos e
serviços, com o uso de inovações tecnológicas.
Curiosidade
Falar de ecodesign é ser reportado aos anos 1970 pelo visionário americano Victor Papanek, um dos
primeiros a empreender estratégias para reduzir os danos ambientais no modo de produção tradicional.
Essas ideias são expressam no livro Design for the real world, no qual aborda a preocupação com a
relação entre o ser humano e a natureza.
Princípios de ecodesign
Os princípios de ecodesign relacionam os aspectos social, econômico e ambiental de modo sustentável e
harmonioso. Veja a seguir quais são esses cinco princípios do ecodesign:
Eficiência energética
Implementação de meios de fabricação com menos consumo energético ou que empreguem fonte de
energias alternativas e, consequentemente, menos agressivas ao meio ambiente.
Aplicação da modularidade
Desenvolvimento de itens e objetos que permitam a sua substituição facilmente, em ocasião de
defeito, evitando a substituição total do produto.
Reutilização/reaproveitamento
Reaproveitamento e reutilização de itens ou materiais como base de projeto para outros objetos.
Os 8 Rs da sustentabilidade
Baseados nas mudanças de hábitos, os 8 Rs
têm o propósito de impulsionar os esforços
para a conservação do meio ambiente e
incentivar um impacto positivo e duradouro no
planeta Terra. A ideia central é estimular o
cidadão a repensar ações, valores e práticas,
diminuindo o consumo exagerado e evitando
consideravelmente o desperdício de recursos e
produtos.
Com o passar dos anos, os conceitos de reaproveitar e repensar foram adicionados, transformando os 3Rs em
5Rs. Já na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012,
acrescentaram-se mais 2 conceitos novos: reeducar e o recuperar, completando os 7Rs.
A última adição foi feita em 2019 com o acréscimo do conceito repassar como o oitavo “R”. Antes de
prosseguir, conheça a definição de cada um dos 8Rs:
1
I - Repensar; refletir
Reflexão de todas as atitudes comumente executadas e repetitivas que se enquadrem na vida
corriqueira e cotidiana.
2
II - Recusar
Proposta de mudança de comportamento do consumidor com o intuito de pressionar as empresas a
adotar ações sustentáveis e que foquem no meio ambiente.
3
III - Reduzir
Diminuição de uso, desde o consumo de energia, de água até a quantidade de lixo descartado,
considerando uma sociedade de alto consumo.
4
IV - Reparar; recuperar
Estímulo a consertos de produtos existentes sempre será mais sustentável como a produção de
um novo item.
5 V - Reutilizar
Criação de uma finalidade para aqueles itens que seriam descartados, reduzindo o lixo.
6
VI - Reciclar
Proposta de evitar que tantos produtos sejam descartados e causem impactos ao meio ambiente, o
conceito de reciclar é bem simples colocar em prática. O que não der para reutilizar ainda poderá ser
reciclado, evitando a extração de novos recursos naturais do planeta.
7
VII - Responsabilize-se
Todos são responsáveis, seja de forma direta ou indireta, pelo uso de recursos naturais. Buscar
informações sobre a procedência de produtos e zelos de certificação.
8
VIII - Repassar
Transmissão de informações e ações para ajudar a saúde humana e o meio ambiente, objetivando
um consumo consciente e a propagação da educação ambiental.
Conteúdo interativo
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O desenvolvimento sustentável, que sempre foi a base da vida em equilíbrio, passa necessariamente pela
evolução histórica da prática de design. Existe a necessidade de demonstrar a aplicação do conceito de
design e de sua evolução para ecodesign na busca de um desenvolvimento econômico, mais equilibrado e
sustentável.
Inicialmente vista como vilã, a evolução tecnológica se apresenta como uma fortíssima parceira da
sustentabilidade. Novas tecnologias permitem constantes melhorias e evoluções nos processos existentes,
aumentam a durabilidade de produtos e evitam o desperdício de recursos.
Processos mais ágeis, tecnologias com forma adequada à função e soluções criativas para problemas
persistentes contribuem e muito para alguns dos setores do design, os quais conheceremos a seguir.
Biodesign
O biodesign conceitua-se por utilizar elementos vivos, ecossistemas e/ou componentes essenciais destes na
elaboração de um projeto incluindo apenas apelo artístico. Essa linha de ecodesign está associada à definição
de bioarte, considerada um novo debate interdisciplinar dentro das manifestações artísticas por utilizar
materiais biológicos e/ou técnicas biotecnológicas e aperfeiçoamento de máquinas e sistemas velhos na
criação de produtos novos.
Sem sombra de dúvida, William Myers foi um dos precursores no assunto além de um imenso incentivador do
conceito de arte e arquitetura relacionada à ciência.
Para Myers, o biodesign não se resume em mimetizar os
processos naturais de forma sintética. Trata-se de algo mais
profundo que engloba topologias híbridas derrubando
fronteiras entre os ambientes naturais e construídos.
Design biofílico
O termo biofílico foi criado pelo psicólogo e filósofo Erich Fromm em 1964 e difundido amplamente pelo
biólogo Edward Osborne Wilson, na década de 1980, no livro Biofilia. A obra defende a afinidade inata dos
seres humanos pelo mundo natural e a grandiosidade dessa conexão entre os seres.
A palavra biofílico é proveniente de biofilia, que pode ser definida como o amor à vida ou aos
sistemas vivos.
A biofilia é aplicada e conhecida por muitas pessoas, justamente por ser algo inegavelmente natural e
instintivo. Desde os nossos ancestrais, nossa capacidade de respirar, enxergar, perceber o espaço, assim
como todo desenvolvimento das nossas funções corporais, surgiu do contato direto com a natureza. Por isso,
o espaço natural é algo tão vital na relação de vivência.
Experiência direta
Envolve o contato direto com a natureza. Exemplo: plantas, contato com agua, ar, luz solar, animais,
entre outros elementos.
Experiência indireta
Envolve a ideia, sensação ou lembrança da natureza. Exemplo: fotografia, ilustrações e imagens que
fazem alusão ao meio ambiente.
Envolve espaços, objetos, itens e ambiente que associem características da natureza, como
aconchego, abrigo, refúgio e outros exemplos.
Mesmo no mundo pré-pandemia, a OMS já havia reconhecido a importância da nossa relação com a natureza
e a necessidade aplicação do design biofílico em áreas produtivas, como escritórios e outros ambientes de
trabalho. Aponta-se o estresse no trabalho como uma das maiores causas de depressão, baixo desempenho,
baixa produtividade, perda de tempo de trabalho e aumento de custos. Diante desse cenário, tornou-se
fundamental reduzir os níveis de estresse, a pressão arterial e as frequências cardíacas, ao mesmo tempo que
se aumenta o bem-estar geral, incorporando elementos da natureza diretos ou indiretos no ambiente
construído.
Design biomimético
Por definição, o prefixo grego bio significa vida, enquanto a palavra mimética significa imitar. Logo, podemos
concluir que a biomimética é uma ciência que estuda os modelos da natureza e depois os imita, ou se inspira
neles.
Considerando a natureza como sistema formado por anos de evolução e ciclos de feedback, juntamente com
tecnologias inovadores, a biomimética se apresenta como uma teoria de que todas as soluções já existem,
restando à raça humana aprender a observar e ouvir o meio natural para entender mecanismos e aplicá-los
nas tecnologias disponíveis. Veja alguns exemplos de mobiliário com design biomimético:
A biomimética começou a ser implantada de modo sistemático no mundo nos anos 1990, estando inicialmente
focada em eficiência energética. A bióloga norte-americana Janine Benyus se torna a responsável por
propagar a ciência que se desdobra em várias áreas de aplicações com a publicação do livro Biomimética:
Inovação Inspirada pela Natureza.
O crescimento da biomimética não é só no design, mas também em engenharia, arquitetura, medicina,
aeronáutica, tecnologia, design, mobilidade urbana, produção de energia limpa e até em setores sociais,
econômicos e de gestão.
• Idealização de trajes de natação que imitam a pele de tubarão para melhorar o desempenho de atletas.
• Edifícios que imitam estruturas na forma da flor de lótus.
• Prédios que reproduzem o sistema refrigerado de cupinzeiros e outros exemplos.
O mobiliário e ecodesign
A sustentabilidade é fundamental para o futuro da humanidade e de todo o planeta. Com isso em mente, o
segmento de móveis busca a reutilização de materiais, como madeira de reflorestamento, com índice de
reciclabilidade alto, termoplástico, aço e alumínio.
O Brasil apresenta design de mobiliário voltado para a preocupação ambiental como base do seu trabalho e
aliado a uma estética inovadora contemporânea de alto desempenho, como Hugo França, Tati Guimarães,
Rodrigo Almeida e Carlos Motta e Domingos Tótora.
Em produção industrial, cadeiras de plástico verde 100% renovável, com processo de rotomoldagem em
termoplástico extraído da cana-de-açúcar e sem petróleo são exemplos da marca Tramontina em parceria
com a Braskem para um design sustentável.
Saiba mais
Atualmente, a produção industrial de cadeiras de plástico apresenta-se com clareza a busca de recursos
tecnológicos eficientes, tais como: aproveitamento de até 85% das chapas de madeira, adoção de um
sistema de enclausuramento e exaustão que impeça a eliminação de pó na atmosfera; sistema de
tratamento de efluentes industriais com o reuso da água.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A biomimética, por definição, é a ciência que estuda as estratégias da natureza como base e referência para
soluções dos problemas atuais da humanidade. Sobre esse assunto, podemos afirmar:
A biomimética não contempla inovações tecnológicas e tem como premissa o uso de materiais naturais
obrigatoriamente.
A biomimética não contempla inovações tecnológicas e obtém na semelhança estética com elementos
naturais vivo e não vivo a sua principal aplicação e características.
A biomimética refere-se a uma linha estética de design, aplica-se exclusivamente a mobiliário e design de
interiores, por definição.
A biomimética é uma linhas de design com proposito de redução de resíduos sólidos descartados na produção
de mobiliário pós-pandemia, enquanto a biofilia é uma linha de design que não necessariamente contempla o
reaproveitamento ou a reciclagem de material com maior eficiência energética.
Questão 2
Sobre os princípios de ecodesign relacionados aos aspectos social, econômico e ambiental podemos afirmar:
Uso de materiais com menor impacto ambiental em processo indicado, mas não obrigatório, sendo aceito
apenas quando a redução significar 10% no mínimo.
B
Eficiência energética implementada, e se possível por substituição, por fontes de energias alternativas como a
energia elétrica, eólica e nuclear.
Aumento na vida útil de produtos e itens produzidos para restrição e combate ao modelo econômico
capitalismo e de consumo atual.
Reutilização/reaproveitamento para obrigar a reciclagem de no mínimo 50% dos materiais utilizados conforme
Conama nº 301.
Considerações finais
No Brasil, o design e a produção de mobiliário, durante muito tempo, mantiveram uma forte dependência de
modelos importados, sobremaneira o europeu. A ruptura desse modelo fez com que o design brasileiro
conquistasse uma nova identidade. Em meados do século XX, as primeiras manifestações genuinamente
brasileiras surgiram no modernismo, tendo a arquitetura modernista como principal influência, demonstrando a
necessidade de mudanças no design mobiliário. A obra de profissionais consagrados da época nos demonstra
que a criação de uma nova estética estava relacionada à cultura e ao contexto histórico da crescente
industrialização vivido pelo país.
A relação entre arte e design começou a ser debatida e aceita como possível. Esse conceito merece destaque
uma vez que, naquele período, muitos designers ainda tinham o pensamento retrógrado de que o design não
era arte, e sim pura técnica e funcionalidade (princípio rompido pelas ideias da Bauhaus). Pensar nessa
relação é, portanto, compreender que o design é sim influenciado pela arte, nos proporcionando sensações e
experiências determinantes que envolvem diversos aspectos, como estéticos, culturais, simbólicos etc. Assim,
mais do que um novo conceito, o novo design representou uma etapa importante no caminho do design de
mobiliário brasileiro rumo à contemporaneidade.
Estamos inseridos no mundo globalizado, que se reflete em novas tecnologias, novos processos produtivos e
novos e diversificados materiais. Vivemos um período diretamente associado ao desenvolvimento sustentável,
propiciando aos designers conceber soluções que não abandonem a criação original, entretanto que se
apropriem de novas possibilidades, funções e significados.
Espelhado no nosso próprio país, o design de mobiliário nacional é hoje rico e diversificado. Hoje, o Brasil
reconhecido mundialmente nesse setor pela sua originalidade e pluralidade traduzidas em obras de grandes
nomes do design e da arquitetura modernista e contemporânea, bem como de áreas afins, empenhados no
desejo de buscar a nossa identidade cultural.
Podcast
Ouça agora como o desenvolvimento sustentável, que sempre foi a base da vida em equilíbrio, passa
necessariamente pela evolução histórica da prática de design. Além disso, conheça um pouco mais
sobre a aplicação do conceito de design e de sua evolução para ecodesign na busca de um
desenvolvimento econômico, mais equilibrado e sustentável.
Conteúdo interativo
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Para complementar os seus conhecimentos no assunto estudado, pesquise sobre a Agenda 2030 da ONU.
Essa nova agenda engloba as ações da instituição e de seus parceiros no Brasil com o intuito de alcançar os
17 Objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimentos enfrentados para um desenvolvimento
sustentável.
Assista ao filme francês do renomeado cineasta Jacques Tati Mon Uncle, que faz uma sátira à relação de
consumo da sociedade do século XX que beira ao fútil.
Referências
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BRANDÃO, A. Anotações para uma história do mobiliário brasileiro do século XVIII. Revista CPC, São Paulo, n.
9, p. 42-64, 2010.
GALVÃO, A. História do Mobiliário. UFPR, 28 ago. 2016. Consultado na internet em: 08 fev. 2023.
KARLSSON, R.; LUTTROPP, C. EcoDesign: what's happening? An overview of the subject area of EcoDesign
and of the papers in this special issue. Journal of Cleaner Production, v. 14, n. 15, 2006.
MAGALHÃES, M. A. N. Mudança de atitude: Educação ambiental deve atentar para a realidade sociocultural
dos sujeitos envolvidos. Revista do Legislativo, v. 32, p. 92-99, 2005.
MALTA, M. Algumas questões sobre o mobiliário colonial. Academia, 2023. Consultado na internet em: 8 fev.
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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Humanidade produz mais de 2 bilhões de toneladas de lixo por
ano, diz ONU em dia mundial. ONU, 1 out. 2018. Consultado na internet em: 8 fev. 2023.
PROCESSO BIOMIMETICO. Istituto Treccani. Vocabolario Treccani. Consultado na internet em: 8 fev. 2023.
SILVA, S. M. da. Uma proposta de educação ambiental integrando o Princípio dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e
reciclar) nas unidades escolares municipais de Santo Amaro da Imperatriz – SC. Dissertação de Mestrado,
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.
THOMEOA, Y. C.; MENDONÇA, R. N.; PANTALEÃO, L. F.; PEREIRA, J. A. Design de mobiliário brasileiro, moderno
e contemporâneo: um diálogo formal. Revista de design, tecnologia e sociedade, v. 6, n. 1, 2019.
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