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Gênero em Ciência e Tecnologia Feminista

O ensaio de Sandra Harding discute a diversidade do feminismo e a análise de gênero nas ciências e tecnologias, destacando como essas áreas são influenciadas por contextos culturais e sociais variados. A autora explora as implicações das relações de gênero na ciência, enfatizando que as análises feministas têm se tornado cada vez mais relevantes nas políticas nacionais e internacionais. O texto também aborda a necessidade de considerar as intersecções entre gênero, classe, raça e outras dimensões sociais na pesquisa científica.

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Gênero em Ciência e Tecnologia Feminista

O ensaio de Sandra Harding discute a diversidade do feminismo e a análise de gênero nas ciências e tecnologias, destacando como essas áreas são influenciadas por contextos culturais e sociais variados. A autora explora as implicações das relações de gênero na ciência, enfatizando que as análises feministas têm se tornado cada vez mais relevantes nas políticas nacionais e internacionais. O texto também aborda a necessidade de considerar as intersecções entre gênero, classe, raça e outras dimensões sociais na pesquisa científica.

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23/10/2024, 10:43 Ciência e tecnologia no mundo pós

labrys,estudos feministas

número 3, janeiro/ julho 2003

Ciência e tecnologia no mundo pós-


colonial e multicultural: Questões de
gênero [1]
Sandra Harding
Tradução: Elisabeth Carneiro

Revisão : Marie-France Dépêche

Resumo:

Não há um feminismo único ou monolítico, ou ainda, não há uma maneira preferencial


de se fazer análise de gênero. Há três décadas a ciência e os estudos tecnológicos
feministas refletem a diversidade das situações das mulheres ao redor do mundo a
partir das quais emergem questões sobre as ciências e tecnologias. Quais os aspectos
centrais que surgem da realidade norte-americana e européia? Quais as diferentes
inquietações que se depreendem dos movimentos de mulheres no “Sul”? Este ensaio
explora tais questões indagando quais as novas direções que se destacamdesses
relatos.

Palavras-chaves : Feminismo, gênero, estudos em ciência e


tecnologia, movimentos de mulheres.

Introdução.

Presumia-se que o método das ciências modernas


ocidentais gerasse fatos objetivos, de valor neutro, ou
seja, fatos desinteressados sobre a ordem da natureza.
Entretanto, as análises feministas mostraram como esses
métodos e fatos têm sido permeados por valores e
interesses generizados. Para ser mais precisa, isto tem
ocorrido em níveis e diferentes maneiras, em ciências
diversas[2].

Todavia, maneiras padronizadas de conceituar e


praticar o método científico não viablizaram a
neutralidade cultural na pesquisa, tanto em seus
princípios, quanto na prática. Ademais, análises de
gênero têm mostrado como, em pelo menos alguns contextos
de pesquisa, a neutralidade é indesejáve pois a cultura é
também produtora de conhecimento, não somente um

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obstáculo a ele. Ao se fazer ciência, pode-se


influenciar o que conhecemos sobre o mundo.

Este trabalho tem gerado inúmeras controvérsias


desde seu início. Isso, porque as ciências e tecnologias
modernas ocidentais (CTMO) e suas lógicas são centrais
para os ideais de modernidade, democracia, progresso e
“civilização”. Esses ideais ajudam a constituir as
identidades individuais e sociais, bem como as concepções
do que se considera como as missões importantes e
legítimas.

Desafios a esses ideais, feitos em nome das


mulheres, podem parecer impertinentes, arrogantes,
equivocados, e até mesmo profundamente incômodos. No
entanto, essas perspectivas de gênero na ciência têm se
tornado cada vez mais relevantes, influenciando até mesmo
as agendas políticas nacionais e internacionais nas áreas
da saúde, meio ambiente, educação e nas políticas
desenvolvimentistas do terceiro mundo. Nesse sentido,
elas vêm representando uma força significativa nas
renegociações correntes dos ideais de modernidade,
democracia, progresso e “civilização”.

A mudança científica e tecnológica é sempre objeto


de uma luta política. Quais os grupos que receberão os
benefícios e quais vão sustentar os custos dessas
mudanças? Além disso, quando relações de gênero são
renegociadas, outras formas significativas de relações
sociais sempre estarão presentes, tais como de classe,
raça, sexualidade e poder. Conseqüentemente, as
perspectivas de gênero sobre a mudança científica ou
tecnológica sempre terá implicações nessas outras áreas
da luta social.

As seções abaixo identificam temas centrais dos


interesses da Europa e América do Norte e de outros que
provém das vidas das mulheres no mundo considerado em
desenvolvimento ( do “Norte” e do “Sul”)[3]. A seção
conclusiva propõe pistas em muitas direções pelas quais o
trabalho nesse campo poderá se projetar.

Um cuidado antes de dar início a esses projetos.


Não há um feminismo monolítico ou singular ou, ainda, uma
maneira preferencial de realizar as análises de gênero.
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Os termos “feminismo” e “gênero”, ambos, têm significados


múltiplos e usos diversos. As escolhas de quando usar que
termo e que sentidos atribuir a eles são sempre
controversas.

Como um começo, podemos notar que “gênero” pode


ser usado de duas maneiras. Pode se referir a objetos do
estudo empírico que estão “fora” dali, dados previamente
à observação do(a) pesquisador(a), ou seja, homens e
mulheres, e às relações sociais simbólicas e
estruturalmente generizadas, ou à estrutura analítica que
os(as) pesquisadores(as) constroem em seus trabalhos –
para estudar como indivíduos generizados, estruturas
sociais, e sistemas de significação são socialmente
produzidos.

Os dois enfoques têm sido importantes para as


ciências e os estudos tecnológicos feministas. Como
indicado, nos dois casos o gênero deve ser entendido
sempre em uma relação de constituição mútua com a classe,
a raça, a etnicidade, a sexualidade e outros sistemas
socio- simbólicos e estruturais.

2. Estudos de ciências e tecnologia feministas (ECTF) no


hemisfério norte.

Na Europa e nos Estados Unidos, essas análises


têm sido produzidas sob a influência de mais de três
décadas do movimento das mulheres e, durante o mesmo
período, dos estudos de ciências sociais e tecnologias
pós-positivistas. Estes últimos têm procurado mostrar a
ligação dos momentos da ciência moderna do passado a suas
épocas e sociedades, ao invés de relacioná-los unicamente
às suas histórias intelectuais, tal como apontou o
historiador Thomas Kuhn . (Kunh 1970). Dessa forma, as
análises feministas indicam como as ciências modernas têm
estado integradas às relações de gênero em suas épocas
históricas. O foco aqui estará dirigido no sentido de
identificar alguns temas importantes em cinco tópicos que
parecem especialmente prolíficos, mesmo que
desanimadores: a discriminação sexista e androcêntrica
dos processos e resultados da pesquisa científica, as
estruturas sociais das ciências, a ciência da educação, a
constituição da tecnologia e das epistemologias e
filosofias da ciência.

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O sexismo científico. Nossos Corpos, Nós


mesmas:

O Guia da Saúde das Mulheres de Boston foi


publicado em 1970. Essa iniciativa pioneira do movimento
pela saúde das mulheres revelou a ignorância como
norteadora das relações entre médicos e pacientes assim
como das políticas do complexo médico-industrial. Ao
contrário das advertências convencionais sobre as
influências nocivas da política no desenvolvimento do
conhecimento, foi feita uma coalizão de cientistas e
ativistas políticas feministas, para lançar este novo
eixo de pesquisa. Evidentemente algumas políticas podem
contribuir ao avanço e desenvolvimento do saber.[4]

Ao mesmo tempo, biólogas feministas começaram a


criticar as demandas da sociobiologia sobre a
naturalidade da subordinação das mulheres à dominação
masculina. Um grupo organizou os programas “genes e
gênero” nos encontros anuais da “American Association for
the Advancemente of Science” (SBPC americano N.T.) e
produziu alguns dos primeiros estudos sobre gênero e
ciência. (Tobach and Rosoff 1978, 1979, 1981, 1984)
Biólogas feministas e o movimento da saúde das mulheres
tornaram-se forças expressivas e poderosas dos estudos
científicos feministas.(Fausto-Sterling 1994/1985, Clarke
2000)

Enquanto isso, as críticas dos métodos e


resultados androcêntricas e sexistas de pesquisa na
história e nas ciências sociais também começaram a
aparecer. (Harding 1987) Estas forneceram recursos para
lutas políticas e públicas. Por exemplo, o sistema legal
dos Estados Unidos lentamente foi forçado a reconhecer a
necessidade de assumir uma posição feminista a respeito
do estupro, do abuso doméstico, do assédio sexual, da
igualdade do valor das mulheres no trabalho e de um certo
padrão de racionalidade feminino ("rational woman"
standard) nos casos de responsabilidade civil. A pesquisa
nas ciências sociais se debruçou sobre as lutas das mães
lésbicas, pais omissos (deadbeat dads), salários ou a
remuneração pelo trabalho doméstico das mulheres.
Igualmente significativos eram os modos pelos quais esse

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trabalho revelava inadequações empíricas e teóricas das


teorias sociais em cada disciplina.

Na medida em que as ciências naturais passaram a


reconhecer suas histórias sociais, esse trabalho passou,
também, a influenciar histórias, sociologias e filosofias
da ciência e tecnologias vincadas pelo gênero. Inclusive,
modelou estudos das ciências que se presumia serem imunes
às influências culturais, tais como a física e a
astronomia nas origens da ciência moderna. (Merchant
1980, Schiebinger 1989, 1993), a química de Boyle (Potter
2000), a física e a biologia de início do século XX
(Keller 1984), a física de alta-energia contemporânea
(Traweek 1988), e biologia molecular (Spanier 1995).

Estruturas sociais discriminatórias.

Com início no século dezenove, os críticos tinham


depreciado a discriminação contra meninas e mulheres na
estrutura social da ciência, da matemática, da medicina e
da engenharia. (Rossiter 1982, 1995, Schiebinger 1989,
1993) Essas lutas estavam longe de concluídas nos idos de
1970. A formação dos núcleos das mulheres nas disciplinas
das ciências sociais e naturais e das organizações das
mulheres nas universidades e na indústria levaram
adiante essas campanhas.

Hoje, quando as barreiras formais contra o acesso


das mulheres à ciência e à educação de engenharia, aos
diferentes degraus, à publicação, contratos laboratoriais
e aos conselhos das sociedades científicas são
finalmente ilegais na Europa, nos Estados Unidos e em
muitas outras partes do mundo, permanece desafiador
identificar e , então, eliminar as poderosas e constantes
fontes de discriminação. A MIT Women and Science Report
(Relatório sobre Mulheres e Ciência do Massachusetts
Institute of Technology 1999) gerou levas de confronto em
muitas das elites científicas e departamentos de
engenharia, tendo revelado os caminhos pelos quais as
normas generizadas da sociedade, incluindo as
expectativas de obrigações das mulheres na família,
continuam a discriminar em diferentes modos as mulheres
tanto mais ou menos jovens da MIT.

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No mundo em desenvolvimento, a falta de recursos


econômicos e de serviços de assistência social para as
famílias sinaliza para o fato de que as obrigações
domésticas acarretarão na saída das meninas das escolas,
muito antes de obterem qualquer educação científica ou,
para algumas, sem que obtenham sequer alfabetização
básica. Por outro lado, muitos países que não os do Norte
têm uma proporção muito maior de mulheres nas faculdades
científicas e nas agências de políticas científicas
nacionais do que nos Estados Unidos ou nas nações
européias ocidentais. E isso não é sempre um resultado do
ativismo feminista. Ao contrário, para se entender as
causas dessa variação, é preciso prestar atenção aos
fatores diversos, inclusive aqueles referentes às
políticas nacionais em tecnologia e ciência, bem como às
oportunidades diferentes que são disponibilizadas para os
projetos de ciências das nações na economia política
global (Harding and McGregor 1996, Koblitz 1996) [5]

Educação científica.

A eqüidade, quanto mais cedo é praticada,


aproxima-se em direção ao fim da da sub-representação das
mulheres e das meninas nas ciências e na engenharia,
pela qual presumia-se que meninas e mulheres eram
deficientes para competir nas carreiras desse campo em
relação às habilidade e talentos necessários. Elas teriam
“ansiedade matemática”, não gostavam de dissecar rãs e
tinham carência de capacidade analítica. Trabalhos mais
recentes desviaram o foco para deficiências em pedagogia,
currículo, e para alvos tanto nas ciências quanto na
educação científica. (Brickhouse 1994, Kelly 1981, 1987,
Rosser 1986, 1993)

Talvez, mais salientada ainda tenha sido a


emergência de um foco crítico em uma cultura da ciência e
em uma educação científica masculinizada, e também em
como o “fazer científico” é uma forma de constituir
certos tipos de identidades sociais. Enquanto as
identidades que se formam através do fazer científico têm
sido masculinas, de maneira convencional, as meninas têm
também usado seu prazer em fazer ciência para constituir
identidades distintivas e femininas, e também em

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diferentes formas para meninas de identidades raciais e


étnicas diferentes. (Brickhouse 2001)

Este trabalho sobre a educação, oferece recursos


para historiadores e sociólogos da ciência em geral.
Enquanto isso, há razões para regozijar-se que os
esforços pela eqüidade venham tendo êxito, ao menos em
muitas salas de aulas de ciências,[6] embora pouco desse
sucesso possa ser visível na maioria dos campos
profissionais da educação científica. [7]Por exemplo, no
sentido mais compreensível do termo, as feministas
observaram o “analfabetismo científico” das elites acerca
de projetos de gênero da pesquisa científica e suas
várias instituições, desde os museus de ciência e
tecnologia aos programas de TV dos canais National
Geographic e Discovery.

Gênero e Tecnologia.

Do início do movimento das mulheres nos anos 70,


havia projetos que visavam obter e ampliar o acesso no
campo das práticas e aptidões tecnológicas do qual elas
tinham sido excluídas. Por exemplo, cursos sobre a
manutenção de carros e técnicas de consertos domésticos
eram oferecidos nos novos centros das mulheres. Assim,
elas eram encorajadas a adentrar os territórios
masculinos da construção civil e nas tecnologias de
informação emergentes, tanto quanto nas escolas de
agricultura e engenharia. Relatos surgiram de mulheres
inventoras.

Mas foi necessária a chegada da análise social


construtivista nos estudos tecnológicos para abrir o
caminho para entendimentos mais profundos acerca de como
as tecnologias, em si, são generizadas. Primeiro, o
objeto de estudo deslocou-se da natureza do próprio
“hardware”, para a natureza e os processos de mudança
tecnológica, processos que, freqüentemente, constituem
lugares onde se entrelaçam a classe, a raça, o poder, a
cultura e, também, as lutas de gênero e, dessa maneira,
participam da emergência de novas formações sociais.
Segundo, compreendia-se que tal mudança tinha três
componentes: mudanças no “hardware” - o sentido
convencional da tecnologia -, nas habilidades requeridas

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para o desenho, o uso e o conserto do hardware, e na


organização do trabalho de quem possui essas habilidades.

Quem pode e não pode desenhar, usar e reparar


carros, máquinas de lavar e computadores? Terceiro,
explicações sobre as mudanças tecnológicas requerem assim
atenção para o fato de como a classe, a raça, a cultura e
os projetos de gênero sobre as formações sociais mais
amplas instigam a mudança tecnológica. (Cockburn 1985,
Noble, 1995, Wajcman 1991) Mais ainda, os métodos
científicos são, neles, tecnologias de produção do saber.
Nesse sentido, os aspectos sociais da mudança tecnológica
permeiam o âmago cognitivo e técnico das ciências . [8]

Androcentrismo epistemológico.

As epistemologias do conhecimento científico têm


sido consideradas culturalmente neutras assim como os
avanços da física e da química que elas tentam explicar.
Ainda, eram normais os pressupostos e práticas através
dos quais as afirmações androcêntricas e sexistas eram
legitimadas como objetivas – como a “boa biologia”,
sociologia ou psicologia. Os próprios padrões da ciência
parecem ser sexistas e androcêntrico. Certamente, é
desagradável encontrar sexismos abertos ou encobertos nos
comportamentos dos cientistas. Mas esses comportamentos
individuais e intencionais não são a causa das crenças e
práticas sexistas e androcêntricas identificadas acima.
Ao contrário, são os pressupostos, práticas e culturas
institucionais, os mais amplos pressupostos sociais e
padrões “civilizatórios” ou filosóficos que criam e
mantém a legitimidade das colocações científicas,
sexistas e androcêntricas[9]. As feministas têm tido que
rever e fortalecer os padrões para a objetividade, a
racionalidade e bons métodos das ciências. Aqui, eu
assinalo dois desses projetos que são orientados pela
objetividade e por bons métodos.

Como pode uma ciência maximizar a objetividade


quando a adequação de seus pressupostos e práticas está
medida segundo a distância entre esta objetividade e o
“feminino”, e as características associadas com as
mulheres ou a feminidade. De forma consistente, a lógica
exemplar familiar de pesquisa científica prescreve o lado
masculino (o primeiro abaixo) de uma série de dualismos
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generizados: objetividade x subjetividade, racionalidade


x irracionalidade/ emocionalidade, mente x matéria ou
corpo, ciências naturais “hard” x ciências sociais
“soft”?}[10]As estudiosas feministas produziram duras
críticas de tais padrões e propostas para ambos padrões
mais efetivamente neutros e abertamente femininos .[11]

Outro foco tem sido aperfeiçoar os métodos


exemplares de pesquisa, no sentido das epistemologias. Os
pontos de vista das epistemologias feministas são,
talvez, os que mais influenciam estas, emergindo
independentemente de sociólogos do conhecimento, dos
filósofos políticos e filósofos da ciência e propiciando
uma estrutura compreensiva político-epistemológica para
se pensar sobre o que e como o conhecimento se produz e
se legitima.[12]

Como uma “reconstrução racional” é proposto que a


pesquisa feminista tenha êxito em produzir as análises –
que ressoam empiricamente e teoricamente mais
compreensíveis – nas ciências naturais e sociais ao
começarem a pensar em projetos oriundos das vidas das
mulheres, ao invés das estruturas conceituais dominantes
das disciplinas que são embasadas nas vidas daqueles
homens que desenham e gerenciam as instituições sociais e
suas práticas. Tem sido insistentemente colocado que todo
o conhecimento é um “conhecimento situado”, como atenta
Donna Haraway (Haraway 1991) .

As disciplinas são parte do aparato regulador nas


sociedades reconhecidas como modernas e ocidentais, tal
como assinala a socióloga Dorothy Smith (1987) . Elas
edificam os fenômenos complexos da vida cotidiana em
categorias e mapas causais de modo que os administradores
possam gerenciar as instituições legais, econômicas,
assistenciais, educacionais, médicas e outras agências.
As mulheres, tanto quanto os homens dos grupos
explorados, têm sido excluídos do mapeamento e
gerenciamento de ambos as instituições e os projetos
disciplinares que os servem.

Assim, as vidas das mulheres e de outros grupos


explorados podem continuar a fornecer um valioso ponto de
partida ou posição de sujeito de onde a pesquisa pode ser
desenvolvida para revelar “as práticas conceituais de
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poder”, como observa Smith (1990 a). Nota-se que embora as


abordagens dessa posição iniciaram um pensamento baseado
nas vidas das mulheres ou de outros grupos explorados,
seu objetivo é de promover estudos. O seu aspecto
distintivo não é que estudem mulheres, mas que produzem
“etnografias institucionais”, por exemplo, da mentalidade
legal (MacKinnon 1982), ou das estruturas disciplinares
da sociologia (Collins 1991/1999, Smith 1987, 1990a,
1990b), da filosofia política (Hartsock 1983), ou da
pesquisa médica / da saúde (Martin 1987).

Em três décadas, as perspectivas críticas


feministas sobre as CTMO têm se tornado peças
instrumentais significativas no projeto mais geral de
repensar a modernidade, a democracia e o progresso
social. Todavia, elas permanecem eurocêntricas e “parte
do problema” para a maioria dos cidadãos do mundo pelo
fato de que elas deixaram de acompanhar as perspectivas
críticas das ciências pós-coloniais e multiculturais e
dos estudos tecnológicos, às quais agora contemplamos.

3. Feministas do sul ECT.

As mulheres do Sul requerem tudo da ciência que


as do Norte valorizam, desde um acesso aprimorado ao
trabalho e à educação no campo da ciência e da
tecnologia, até um acesso melhor à assistência de saúde e
às tecnologias de lugar de trabalho (“workplace”), bem
como, no sentido de salvaguardar e tornar prolíficos os
ambientes naturais. (Gender Working Group 1995, Kettel
1995, Braidotti 1994, Harding and McGregor 1996, Shiva
1989, L. Smith 1999.) Além disso, as CTMO estão também
estreitamente ligadas aos ideais de modernidade,
democracia e progresso social entre outros vigentes no
Sul.

Para muitos cidadãos do Sul, como do Norte,


começar a pensar em termos do moderno, das ciências
internacionais e da engenharia equivale a entrar nas
altas esferas das conversações globais e tornar-se
cidadão do [Link] métodos das CMO e os fatos que eles
produzem são experienciados freqüentemente como uma
alternativa bem vista em relação à discriminação
tradicional, às simplórias e ineficientes crenças e
práticas no mundo em desenvolvimento.
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Ainda, muito da ciência sulista e do pensamento


tecnológico, inclusive o trabalho feminista, ocorre no
contexto de três movimentos de ciência e tecnologia que
emergiram depois da segunda Guerra Mundial. Esses
expandiram os horizontes de compreensão das ciências de
cada um(a) em todo o mundo e, também, as condições
materiais e ideológicas para as conquistas das próprias
CTMO. Trata-se do movimento etnocientífico comparativos,
o movimento da “ciência e os poderes” e das críticas pós-
coloniais das políticas, práticas e filosofias de
desenvolvimento do Norte.[13]

O movimento comparativista de etnociência tinha


duas metas. Uma foi mostrar o local, as feições culturais
das ciências e tecnologias européias ao analisá-las
através de métodos que a antropologia desenvolveu para
estudar a produção do saber em sociedades não-ocidentais.
Outra foi solapar a suposição de “excepcionalidade”,
comumente referida como formas de ignorância e crenças
falsas - e não a produção de verdades das CTMO -, eram
objetos adequados para uma explicação social, e nas suas
argumentações, esses relatos insistiam na simetria
metodológica no estudo das CTMO e outros sistemas de
conhecimento locais, . Com efeito, eles perseguiam no
mapa global pós-colonial o projeto do historiador Thomas
Kunh de mostrar a integridade de momentos nas CTMO em
relação a seus períodos históricos.[14]

Esse projeto resultou no início de um nivelamento


no campo de avaliação de realizações das ciências e
tecnologias do Sul, este que não pôde mais ser
desvalorizado em razão de suas particularidades
culturais. (Selin, 1997) Esse projeto foi a centelha que
detonou o processo de criação dos ministérios nacionais
do conhecimento indígena, de conferências e jornais.[15]
Também trouxe a atenção global para os direitos de
propriedade intelectual do conhecimento indígena e para
a necessidade de expandir a “ciência real” a fim de
incluir ainda mais elementos do que os estudos de ciência
do Norte costumavam ( e desejavam) abrigar.

Esse mesmo projeto também chamou a atenção para as


maneiras que as mulheres constroem um ponto de vista
distinto sobre a natureza, onde quer que mulheres e

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homens demarquem diferentes interações com seus corpos e


o mundo em volta deles. As mulheres, como os homens,
tornam-se repositórios de um conhecimento efetivo e
sistemático sobre a natureza, desenvolvido mediante tais
interações. Esses saberes devem ser constantemente
revistos e revisitados, já que os ambientes naturais e
sociais das mulheres mudam, assim como os desertos se
expandem, as terras sofrem erosões, os agentes tóxicos
permeiam os suprimentos de água e alimento, novas
moléstias se disseminam e novas idéias e signos culturais
chegam pelas televisões, através de novos vizinhos ou de
agências internacionais.

Um segundo contexto para o trabalho feminista no


Sul é o movimento entre historiadores que enfoca “ a
ciência e os poderes”. A questão central, aqui, são as
relações causais entre os dois grandes marcos da
modernidade – as “viagens de descobrimento” e a
emergência das ciências modernas na Europa. Esses
pesquisadores demonstraram como cada um absorveu o
sucesso do outro para seu próprio êxito. A expansão
européia (seus “Voyages”) demandou o desenvolvimento do
que podemos chamar de oceanografia, climatologia e
astronomia do hemisfério sul para que as embarcações
pudessem chegar às Américas e retornar à Europa.

Os Europeus também necessitaram aperfeiçoar a


cartografia e o conhecimento acerca da fauna, flora e
geologia desconhecidas nas terras que colonizaram e
montaram empresas economicamente lucrativas. Precisaram
conhecer as ameaças à vida e à saúde e os remédios para
as doenças que encontraram nas novas terras. Em troca, as
ciências modernas precisaram garantir a fundação, a
manutenção e o transporte que os projetos expansionistas
demandavam. O conhecimento sistemático que eles
desenvolveram responderam às necessidades do avanço do
império europeu. A ignorância sistemática que eles
produziram era demarcada pelo desinteresse nas
necessidades dos indígenas encontrados e em tudo que não
fosse visto como “desenvolvimento” econômico. Isso que
nos conduz ao terceiro movimento e às implicações para as
mulheres.

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Por volta de 1990, tornou-se claro que quatro


décadas de políticas desenvolvimentistas produziram
somente subdesenvolvimento para precisamente aqueles
povos cujos padrões de vida eram previstos de subir – a
cerca de 70% -, para os povos mais politicamente e
economicamente vulneráveis do mundo, estes que habitavam
o Sul. Eram as classes “investidoras” no Norte e seus
aliados de vantagens econômicas do Sul que se
beneficiaram dessas políticas. Desde suas origens, o
desenvolvimento estava concebido como uma transferência
das S&T do Norte e sua racionalidade para o Sul.

Assim, as falhas daquele “desenvolvimento”


começaram a refletir diretamente nas limitações das S&T
do Norte, estas que tinham sido previa e virtualmente
invisíveis no Norte (Sachs 1992). As coalizões das
feministas do Sul e do Norte trabalharam, a través das
organizações governamentais e não-governamentais, dando
ênfase ao fato de que desde que as mulheres e suas
crianças têm uma representatividade desproporcional nos
grupos mais vulneráveis do ponto de vista político e
econômico, o desenvolvimento aumentou essa
vulnerabilidade da grande maioria das mulheres do mundo
(Braidotti 1994).

A expansão européia foi sempre experenciada como


uma conquista brutal pelas sociedades que os Europeus
encontraram nas Américas, Ásia, Austrália, ilhas do
Pacífico e África. No entanto, os entendimentos
feministas dos efeitos das políticas desenvolvimentistas
do final do século XX tem iluminado efeitos até agora
imprevisíveis para as mulheres das “Viagens de
descobrimento”. Hoje, até o Fundo Monetário Internacional
e o Banco Mundial chegaram a reconhecer tais efeitos.
Será que num mundo de desigualdades políticas e
econômicas, as WMST devem continuar a aprofundar ainda
mais o abismo entre os que têm e os que não têm?

As abordagens feministas das ciências e


tecnologias (S&T) têm ajudado a criar um novo mapa para
os habitantes do Norte e suas inquietações. Entretanto, o
trabalho de produzir respostas pró-democráticas no plano
nacional e internacional a essas preocupações estão ainda

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por vir. Quais são as direções futuras e possíveis para o


trabalho feminista?

4. Direções futuras.

Uma possibilidade em andamento, um projeto difícil


tem sido expandir relações frutíferas entre diversos
projetos feministas e o trabalho de mulheres cientistas.
Muitas das pesquisadoras, estudiosas e ativistas que
criaram os projetos feministas de tecnologia e ciência
trouxeram suas especializações e preocupações para o
trabalho feminista. Contudo, para a maior parte dos
cientistas, mulheres e homens, o uso das linguagens
suspeitas e pouco familiares da filosofia, da ciência
social, das humanidades e das estruturas conceituais, bem
como dos temas intelectuais e políticos dos projetos
feministas do Sul têm sido considerados intimidadores e
alienantes. Mesmo assim, NSF e outras fundações
regionais, nacionais e até internacionais têm patrocinado
projetos que assistem os cientistas na compreensão e uso
de recursos das literaturas feministas para o ensino e
para a elaboração de projetos de pesquisa. Duas coleções
recentes, fornecem recursos especialmente úteis para tais
projetos. (Mayberry, Subramaniam, and Weasel 2001; Wyer
et al 2000) Nesse sentido, é particularmente interessante
a análise de Lisa Weasel a respeito de como os cientistas
poderiam usar o modelo europeu de “Science Shop”, uma
espécie de compromisso “pro bono”, para organizar a
pesquisa científica a fim de responder às necessidades
das mulheres nas comunidades locais (Weasel 2001).

Outro projeto promissor seria seguir a direção do


trabalho de Brickhouse no sentido de ampliar as questões
no campo da ciência da educação além daquelas de acesso.
Como as pessoas aprendem ciência? O que pode ser
considerado ciência na arena do K-16? Como poderia o
aprendizado do fazer científico contribuir para criar
cidadãos investidos tanto nas ciências democráticas
quanto nas sociedades democráticas? (Brickhouse 2001)

Finalmente, a emergência das tecnologias da


informação que formam a base da economia global, está
apenas começando a se colocar em foco nas análises das
ciências e tecnologias feministas. Aqui, a preocupação
mais óbvia será como barrar seu uso para um futuro
[Link] 14/22
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“desempoderamento” das mulheres no trabalho. (Mitter,


forthcoming; Balka and Smith, 2000.) Um outro tópico
seria explorar como os projetos problemáticos da
masculinidade são desenvolvidos mediante atividades da
realidade virtual. (Hayles 1999?). Um terceiro projeto,
ainda imaturamente conceituado, será tentar entender o
papel que a emergência de uma sociedade da informação vem
exercendo para o “fim do patriarcalismo”, a constituição
de movimentos de mulheres e de novas formas de família,
reprodução e sexualidade (Castells 1997).

Para concluir, as questões das ciências e da


tecnologia feministas têm reunido esforços no mundo
inteiro por mais de três décadas. Como de hábito, quando
as estruturas feministas são utilizadas para se tentar
acrescentar as questões de gênero e das mulheres às
agendas e às estruturas conceituais consideradas como
“neutras” das disciplinas, instituições e do “fazer
político” existentes, as dimensões gendradas e as
limitações desse “fazer” se tornam visíveis. Os projetos
das ciências e tecnologias feministas, com toda sua
diversidade, incertezas e conflitos continuarão a
fornecer recursos valiosos para as transformações sociais
pró-democráticas.[16]

Notas Biográficas:

Sandra Harding é uma filósofa que ensina na Universidade da Califórnia, Los


Angeles, na Escola de Estudos Superiores em Educação e Informação. Ela é autora e
editora de dez publicações sobre estudos feministas e pós-coloniais em filosofia da
ciência e teoria do conhecimento, e co-editora do Journal of Women in Culture and
Society. Alguns de seus libros são: The Science Question in Feminism_ (1986),
Feminism and Methodology (1987), Whose Science? Whose Knowledge? Thinking
From Women's Lives (1991), The 'Racial' Economy of Science: Toward a Democratic
Future (1993), Is Science Multicultural? Postcolonialisms, Feminisms, and
Epistemologies (1998). E, ainda, em 2003, The Feminist Standpoint Theory Reader:
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>[1] Agradecimento: Permissão para publicação deste artigo foi concedida


graciosamente por Blackwell's Publishing Company .”Non-exclusive German and
Portuguese translation rights, one edition, print only.”

[2] Nos Estados Unidos, o termo “ciência” refere-se às ciências naturais. Os europeus
usam o termo para cobrir tanto as ciências naturais quanto as sociais e, também, no
âmbito da literatura e das artes, significando conhecimento. A princípio, eu estarei me
atendo às ciências naturais e, ocasionalmente, referindo-me às ciências sociais.

[3]A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de


1992, no Rio de Janeiro, criou os termos Norte (North) e Sul (South) em substituição
aos termos “desenvolvido” e “subdesenvolvido” e “Primeiro Mundo” versus “Terceiro
Mundo”. Este último, originado no domínio das políticas das relações internacionais
dos Estados Unidos e da Europa, em 1950, e a linguagem distante e orientalista que
trata do Ocidente (West) em relação ao “resto”. É claro que “Norte/Sul” é literalmente
uma terminologia pouco acurada (o Japão está economicamente situado no “Norte”;
mais do que a Europa Oriental, assim como as cidades mo interior do “Norte”
poderiam estar consideradas no “Sul”). Além disso, quaisquer desses dualismos são
problemáticos, já que naturalizam uma homogeneidade dentro de cada categoria e
uma oposição essencial entre elas em formas empiricamente injustificadas,
teoricamente questionáveis e politicamente problemáticas. Entretanto, aqui, uso esse
contraste estrategicamente para redesenhar os padrões globais referenciados na
literatura citada.

[4] .Uma pesquisa na internet para “mulheres na ciência e tecnologia” provavelmente


redundará em dúzias de sites onde esses temas são discutidos. Esses sites aparecem e
desaparecem: oito deles estavam disponíveis em janeiro de 1995 e nenhum destes
operavam em maio de 2001.

[5] A Organização para as Mulheres na Ciência do Terceiro Mundo (TWOWS)


mantém uma rede internacional de apoio a mulheres e meninas na ciência e
tecnologia. Ela patrocina oficinas, conferências, encontros na redem etc. Versões
[Link] 20/22
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eletrônicas podem ser encontradas no endereço:
[Link]

[6] Nancy Brickhouse relata que “Garotas estão presentes em cursos de ciências em
nível superior tanto quanto garotos (AAUW 1998) e são tão numerosas quanto os
garotos (e.g., biology). Além disso, as diferenças sexuais em relação às aquisições e
conquistas são pequenas ou não existem (Third International Mathematics and Science
Study 1997)". (2001, p. 282.)

[7] . Brickhouse 1998 oferece uma bom apanhado acerca desses temas.

[8] Em versões diferentes, este era um insight de Foucault e de Kuhn. Ele está
desenvolvido em Hacking 1983 and Rouse 1987.

[9] Trata-se de masculinidade, não somente feminilidade, o assunto referentes a essas


considerações. Ver Noble 1992, 1995, dois estudos históricos marcantes sobre a
masculinidade da teconologia e das ciências modernas.

[10] . Mais ainda, como se pode observar na perspectiva das Ciências e Tecnologias
do Sul, esses padrões eram medidos de forma similar em termos de sua distância em
relação ao que era pensado como “primitivo”, por exemplo, a magia, a superstição e as
etnociências, para não mencionar o produto das “mentes selvagens”, nas palavras
memoráveis do antropólogo franc~es Levy-Bruhl (1910).

[11] Sobre tais projetos de objetividade, ver Harding 1991, 1998; Keller 1984, E.
Lloyd 1996. Sobre valores científicos contextuais versus constitutivos, ver Longino
1990. Sobre racionalidade, ver G. Lloyd 1984, Rooney 1994.

[12] Collins 1991/1999; Haraway 1991; Harding 1986, 1991, 1998; Hartsock 1983;
Rose 1984; Smith 1987, 1990a, 1990b. Como considerações recentes e interessantes,
ver Garcia Selgas, Forthcoming, e Rouse's 1996, uma avaliação da filosofia feminista
da ciência de forma mais geral.

[13] Para uma visão mais ampla desses movimentos e suas implicações para as
filosofias de CTMO, ver Harding 1998. Ver, também, Braidotti 1994, Haraway 1989,
Harding 1993, Harding and McGregor 1996, Shiva 1989, L. Smith 1999, UNCSTD
1996, para uma coleção diversificada sobre estudos feministas. Para um contato com
textos expoentes dos três movimentos do sul que configuraram esse trabalho
feminista, ver Brockway 1979, Crosby 1987, Goonatilake 1984, 1992, Headrick 1981,
Hess 1995, Joseph 1991, Kaptchuk 1983, Kumar 1991, Lach 1977, McClellan 1992,
Nandy 1990, Needham 1954ff, 1969, Petitjean 1992, Sabra 1976, Sachs 1992, Selin
1997, Watson-Verrn and Turnbull 1995, Weatherford 1988.

[14] Três expressões que influenciaram nesse sentido: o estudo de Latour and
Woolgar's (1979), sobre a produção da verdade em um laboratório químico, o estudo
de Donna Haraway's (1989)sobre o funcionalismo na biologia e sociologia, nos
estudos de primatologia em Yerkes Labs, Atlanta, no contexo prisional, militar e
industrial no sentido do controle do comportamento das populações cativas e Sharon
Traweek (1988), em estudo comparativo das práticas de energia física de japoneses e
americanos/europeus.

[15] Ve r especialmente the Indigenous Knowledge and Development Monitor.


Online: [Link]

[16] . Meus agradecimentos a Katherine Ann Muir por seu apoio da preparação desse
artigo.

[Link] 21/22
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