Estudo de Motores Brushless DC
Estudo de Motores Brushless DC
São Carlos
2009
i
Dedicatória
ii
Agradecimentos
iii
SUMÁRIO
4. Ensaios ..........................................................................................................13
5. Conclusões ....................................................................................................17
Referências Bibliográficas................................................................................19
APÊNDICE A - Materiais Magnéticos ............................................................21
A.1 Ímãs permanentes .............................................................................................. 21
A.1.2 A curva de histerese e as características de desmagnetização...............................21
A .1.2 Materiais de ímãs permanentes ............................................................................23
A.1.3 Efeitos da variação de temperatura.......................................................................24
A.1.4 Produto de Energia ................................................................................................25
A.1.5 Magnetização .........................................................................................................25
iv
APÊNDICE B - Sensores de posição angular..................................................27
B.1 Sensores de efeito Hall ....................................................................................... 27
B.2 Encoders............................................................................................................. 28
B.3 Resolvers ............................................................................................................ 29
v
Lista de Figuras
vi
Lista de Tabelas
vii
RESUMO
No presente trabalho são estudados os motores sem escovas com ímãs permanentes no rotor e
motores de indução monofásicos e aos motores de corrente contínua com comutadores. Seus
protótipo existente, as quais são comparadas com os resultados obtidos nos ensaios realizados.
viii
ABSTRACT
In this work the brushless motors with permanent-magnets in the rotor and nonsinusoidal flux,
called brushless DC motors (BDCM) are studied. These electrical machines present better
performance, higher efficiency and other advantages over single-phase induction motors and
direct current commutation motors. Their basic principles, main configurations and control
strategies are described. The ideal mathematical BDCM modeling is showed, from which
based the prototype torque-speed and efficiency-torque theoretical characteristics which are
ix
1. Introdução
A eficiência energética é uma questão de grande importância, uma vez que as atuais fontes de
energia se mostram insuficientes no médio prazo diante dos atuais padrões de consumo, além de
trazerem consigo impactos ambientais relevantes.
Diante desta situação, aliado ao incentivo do uso de energias renováveis e com o objetivo de
mitigar os problemas relacionados aos padrões atuais de uso de energia, surge o desafio de se
desenvolver tecnologias capazes de contribuir na redução das perdas existentes, desde a geração,
passando pela transmissão e distribuição de energia elétrica e chegando até seu uso final. Dentre os
diversos equipamentos vistos como cargas nos sistemas de energia, os motores elétricos têm
expressiva participação consumindo 43% da eletricidade disponibilizada no Brasil (GARCIA, 2003).
No cenário atual os motores de indução, com rotor curto-circuitado (gaiola de esquilo), são os
mais populares. Recentemente, com o rápido progresso nas tecnologias de eletrônica de potência e
controle, sua aplicação tornou-se mais ainda difundida. As principais vantagens dos motores de
indução gaiola de esquilo são sua característica construtiva simples, fácil manutenção, não existência
de comutadores ou anéis coletores, baixo custo e boa confiabilidade. Suas principais desvantagens se
referem à baixa eficiência no caso de motores de indução monofásicos, e ao fator de potência sempre
indutivo, podendo apresentar valores muito baixos (GIERAS; WING, 2002).
Com a criação do Alnico em 1932 (GIERAS; WING, 2002), a aplicação da excitação com ímãs
permanentes foi revista. Entretanto, sua aplicação ficou limitada a pequenas máquinas de corrente
contínua com comutadores. Atualmente, a maioria dos motores de corrente contínua de ímãs
permanentes com comutadores utiliza ímãs de ferrita devido ao seu bom desempenho aliado ao seu
baixo custo. Já os ímãs de terras raras, com propriedades magnéticas superiores, vêm aos poucos
sofrendo uma redução em seu custo, permitindo sua aplicação em maior escala (GIERAS; WING,
2002).
1
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO
Num motor de ímãs permanentes sem escovas, o rotor é composto de um ou mais ímãs e o
enrolamento de armadura faz parte do estator, similar ao motor polifásico de corrente alternada
convencional, sendo a configuração mais comum e mais eficiente a de três fases (KENJO;
NAGAMORI, 1985). Desta maneira, a corrente da armadura não é conduzida através de escovas e
comutadores ou anéis. Isto representa uma vantagem expressiva, uma vez que 90% das rotinas de
manutenção padrão em motores estão relacionadas aos contatos deslizantes (GIERAS; WING, 2002).
Em um motor de corrente contínua com comutadores, a maior parte das perdas ocorrem no rotor
o que dificulta a dissipação de calor, limitando a densidade de corrente aplicável no enrolamento da
armadura. No motor de ímãs permanentes, praticamente todas as perdas de energia acontecem no
estator, onde a dissipação de calor pode ser feita de maneira eficaz através de aletas na carcaça ou, no
caso específico de máquinas de grande porte, através de um sistema de refrigeração por água
(MONGEAU, 2004).
Além dessas vantagens, grandes ganhos podem ser obtidos com relação às características
dinâmicas no motor de ímãs permanentes sem escovas, uma vez que seu rotor tem baixa inércia, há
alta densidade de fluxo magnético e não há dependência da velocidade por limitações de corrente.
Neste trabalho, é apresentado um estudo sobre motores de ímãs permanentes sem escovas,
mostrando as diferentes configurações e dando ênfase às características do protótipo desenvolvido, no
Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia de São Carlos, por Teixeira (2006).
2
2. Motores Brushless DC
3
CAPÍTULO 2. MOTORES BRUSHLESS DC
Neste tipo de motor, o sentido da corrente que percorre a espira é controlado através do
conjunto escova-comutador. A comutação deve sempre ocorrer no instante em que a posição angular
do rotor é tal que o fluxo magnético do rotor se alinha ao fluxo do estator, de modo que a rotação se
mantenha no mesmo sentido.
Já num BDCM, as comutações são efetuadas por comutadores eletrônicos (transistores
bipolares de porta isolada, transistores de efeito de campo ou tiristores em comutação forçada)
(JULIANI, 2009). A posição angular do rotor pode ser determinada por sensores como os do tipo Hall
ou por uma estratégia sensorless (GONELLA, 2006) e é utilizada como realimentação no sistema de
controle que gera os disparos dos comutadores.
Em ambos motores as formas de onda do fluxo concatenado 1 em uma espira são exibidas na
Figura 2a. A força eletromotriz (f.e.m.) e1 gerada é trapezoidal (Figura 2b), de acordo com a lei da
indução de Faraday (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
d 1 d 1
e1 r 2.1
dt d
Nesta condição, a corrente de armadura i1 tem a forma de onda quadrada (Figura 2c).
Considerando-se um motor com três seções de enrolamentos de armadura, o torque gerado total é
mostrado na Figura 2g e as suas contribuições por fase pelas Figura 2d, 2e e 2f.
4
CAPÍTULO 2. MOTORES BRUSHLESS DC
2.2 Configurações
Quanto à configuração, um BDCM pode ter diferentes tipos de rotores, número de fases, de
ranhuras e pólos. Nas seguintes subseções, tais classificações são apresentadas com as suas principais
características, brevemente descritas.
Nas aplicações em que se necessita de velocidades altas e constantes, o motor de rotor externo
deve ser escolhido. Tal configuração é de fácil construção e baixo custo. A inércia relativamente alta
do rotor é útil em aplicações como em ventiladores. Além disso, a montagem dos ímãs no rotor não é
5
CAPÍTULO 2. MOTORES BRUSHLESS DC
crítica, uma vez que, em funcionamento, as forças que atuam sobre os ímãs não favorecem os seus
descolamentos. O enrolamento de armadura de um motor CC convencional pode ser facilmente
utilizado como estator de um BDCM de rotor externo (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Quando se necessita de alto torque em baixas rotações é necessária a configuração com rotor
interno, com ímãs de ferrita ou terras-raras e múltiplos pólos. Em motores de maior porte é possível
alojar mecanismos, cabos ou sistemas para resfriamento no centro de seu rotor. Em geral, o estator de
um motor CA de indução pode ser utilizado como armadura de um BDCM de rotor interno. Porém,
quando se necessita de alta performance e rendimento se faz necessário o projeto de um estator com
laminação adequada ao alto fluxo magnético dos ímãs de terras raras (HENDERSHOT; MILLER,
1994).
Grande parte dos BDCM possuem três fases, mas não é a única configuração existente. Um
dos primeiros BDCM lançados no mercado foi um motor de quatro fases fabricado pela Siemens, no
início da década de 1960. Seu controlador possuía oito transistores, sendo dois por fase. Porém, tal
configuração é muito rara atualmente. Há ainda, alguns BDCM de duas fases que são utilizados nos
pequenos ventiladores usados na refrigeração de circuitos eletrônicos (HENDERSHOT; MILLER,
1994).
Os motores com trifásicos se mostram mais interessantes por combinarem torque com baixa
oscilação, melhor utilização dos condutores e menor número de comutadores eletrônicos, conforme é
exibido naTabela 1.
6
CAPÍTULO 2. MOTORES BRUSHLESS DC
Além das outras vantagens, os motores trifásicos dispõem da flexibilidade de poder ter suas
bobinas ligadas em Y ou , sendo operados através de apenas três condutores sem perda na
flexibilidade de controle. Podem trabalhar com ampla variedade de configurações dos ímãs e
enrolamentos, sejam eles de distribuição senoidal ou não senoidal, utilizando-se das mesmas
tecnologias para resfriamento de enrolamentos desenvolvidas para motores CA de indução e motores
CC convencionais. Ainda podem ser operados com estratégias sensorless, que dispensam o uso de
sensores de posição (GONELLA, 2006).
O número de pólos é determinado por fatores como o material dos ímãs, tipo de rotor (externo,
interno, entreferro axial), montagem dos ímãs no rotor, velocidade de rotação de trabalho e
características inerciais do rotor.
Deve-se considerar que o número de pólos é inversamente proporcional à velocidade máxima
de rotação. Para velocidades muito altas, motores de dois ou quatro pólos são mais adequados,
buscando redução das perdas por chaveamento excessivo e das perdas no ferro do estator. Quando se
necessita de torque sem oscilações em baixas velocidades, o motor deverá ter um número grande de
pólos (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Para um BDCM trifásico, o circuito inversor utilizado é uma ponte inversora trifásica com seis
dispositivos eletrônicos que são acionados como chaves e seis diodos de roda livre que protegem as
chaves eletrônicas no momento em que são abertas. Estando as fases conectadas em Y ou , o mesmo
circuito inversor poderá ser utilizado, bastando apenas alterar o algoritmo de controle dos disparos de
cada chave.
7
CAPÍTULO 2. MOTORES BRUSHLESS DC
8
3. Modelagem
O circuito elétrico equivalente de um BDCM é muito simples, sendo constituído de três fases
simétricas e equilibradas, sendo cada uma constituída por uma resistência de enrolamento, uma auto-
indutância, resultante da interação entre sua indutância própria e as indutâncias mútuas das outras
fases, e uma fonte de tensão que representa a força eletromotriz (f.e.m.) trapezoidal produzida pelo
deslocamento do fluxo do rotor nos enrolamentos do estator (MONTEIRO, 1997).
Da lei das tensões de Kirchhoff, o valor instantâneo da tensão da fase a do motor pode ser
representada pela seguinte expressão:
dia
Va e a R i a ( L M ) Vn 3.1
dt
onde ea é o valor instantâneo da f.e.m. induzida pela excitação do ímã permanente em uma única fase
do enrolamento de armadura, ia é a corrente instantânea na fase a, R é resistência da armadura por
fase, L é a indutância por fase e M é a indutância mútua.
Portanto, equação matricial do motor é:
A corrente eficaz de armadura de um BDCM quando alimentado por uma onda quadrada de
120º é (GIERAS; WING, 2002):
2 T /2 2 2
Ia ia (t )dt I a( sq ) 3.3
T 0 3
onde Ia(sq) é o valor do patamar superior da forma de onda da corrente Ia e considerada igual à corrente
de entrada do inversor.
9
CAPÍTULO 3. MODELAGEM
Pa 2 R I a( sq )
2
3.4
T
0 1 3.8
T0
onde a velocidade em vazio é
V
0 rad / s 3.9
k
O torque e a corrente com o rotor bloqueado são dados por
T0 kI 0 3.10
V
I0 3.11
2R
10
CAPÍTULO 3. MODELAGEM
O torque instantâneo de um motor elétrico pode ser representado pela equação 3.12.
T ( ) T0 Tr ( ) 3.12
Ele possui duas componentes (Figura 9):
Constante ou média T0.
Periódica Tr(α), que é uma função do tempo ou do ângulo α, sobreposta na componente
constante.
11
CAPÍTULO 3. MODELAGEM
O efeito cogging produz o também chamado torque cogging, os harmônicos de alta ordem do
fluxo magnético do entreferro produzem o torque eletromagnético do campo das harmônicas e a
permeabilidade magnética desigual nos eixos d e q produzem o torque de relutância (GIERAS; WING,
2002).
As pulsações do torque também podem ser causadas por fatores externos à máquina, como
oscilações na corrente de alimentação e a comutação entre as fases.
12
4. Ensaios
Neste capítulo são descritos os ensaios realizados e apresentados os resultados obtidos a partir
do protótipo desenvolvido por Teixeira (2006). A configuração deste motor é tal que o seu rotor é
interno, com quatro ímãs de ferrita em forma de arco e seu estator possui três fases, cada uma delas
constituída por quatro bobinas, distribuídas em vinte e quatro ranhuras. Alguns dos parâmetros do
motor são mostrados na Tabela 2, onde R é a resistência do enrolamento de cada fase, ke é a constante
elétrica do motor, Vfn é a tensão de fase nominal, T n é o torque nominal e vang é a rotação nominal do
motor.
Tabela 2: Parâmetros do protótipo
R ke Vfn Tn vang
(Ω) (V.s) (V) (N.m) (rpm)
4,31 0,41 150 4,62 4500
Fonte: TEIXEIRA, 2006
O protótipo foi fixado em um suporte com um motor de indução trifásico de maneira que os
eixos de ambos permanecem mecanicamente acoplados (Figura 10). No motor de indução há um braço
que transmite o torque aplicado pelo BDCM para um dinamômetro. Desta forma, torna-se possível
obter o torque gerado pelo BDCM através da força medida no dinamômetro. Para variar a carga
mecânica exercida contra o movimento do BDCM, o motor de indução teve os bornes de duas de suas
três fases conectadas a uma fonte de tensão contínua variável.
O circuito de controle e a ponte inversora utilizados para o acionamento elétrico são exibidos
na Figura 11. A tensão CC fornecida ao circuito inversor é obtida através de um circuito retificador,
13
CAPÍTULO 4. ENSAIOS
que é alimentado por um regulador de tensão trifásico (VARIAC), permitindo que a tensão de saída do
retificador possa ser ajustada. Na Figura 12 o esquema de alimentação utilizado é representado através
de um diagrama de blocos.
Foram realizadas quatro séries de medições. Todos os ensaios foram realizados submetendo o
BDCM a tensões e cargas inferiores às nominais, visando não ocasionar possíveis danos ao mesmo.
Na primeira série, o regulador de tensão foi ajustado de modo que a ponte retificadora
fornecesse uma tensão contínua de 50V ao circuito inversor. Nas séries seguintes foram aplicadas as
tensões de 70, 80 e 90V, respectivamente.
Em cada série de medições, ou seja, com tensão de alimentação fixa, a carga mecânica
aplicada sobre o eixo do BDCM foi variada, obtendo-se para cada ponto a corrente fornecida pelo
circuito retificador e a potência elétrica consumida pelo acionamento, além da velocidade, torque e
potência mecânica do BDCM. Na Tabela 3 são apresentados os valores obtidos.
Com os pontos obtidos foi possível plotar trechos da curva torque x velocidade do protótipo
(Figura 13). No mesmo gráfico, foram plotados os pontos da curva do modelo ideal, obtido através das
equações 3.8, 3.9, 3.10 e 3.11, quando submetido às mesmas condições de tensão e torque.
14
CAPÍTULO 4. ENSAIOS
O rendimento do BDCM (Equação 4.1) quando submetido a cada condição de carga foi
calculado de maneira a comparar os valores experimentais com os do modelo ideal. Na Figura 14 são
representados os valores obtidos.
Pmecânica
100% 4.1
Pelétrica
15
CAPÍTULO 4. ENSAIOS
Observando os gráficos da Figura 13 e da Figura 14, fica clara a coerência entre os resultados
obtidos experimentalmente e os valores calculados para o modelo ideal. Os desvios entre os valores
práticos e teóricos podem ser atribuídos às perdas no chaveamento dos componentes do circuito
inversor, desconsiderados no modelo ideal.
Quanto ao rendimento relativamente baixo apresentado pelo protótipo, o mesmo pode ser
justificado atribuindo-o às condições em que foi avaliado, submetido a condições de carga muito
inferiores à nominal. Inclusive, fica claro o maior rendimento do motor nos pontos em que o torque
mecânico aplicado ao eixo é maior.
16
5. Conclusões
17
Referências Bibliográficas
GIERAS, J. F.; WING, M. Permanent Magnet Motor Technology. First Edition. New
York: Marcel Dekker, Inc, 2002. 589 p.
19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
20
APÊNDICE A - Materiais Magnéticos
Na Figura 15 é exibida uma curva de histerese típica nas formas normal e intrínseca. A curva
normal exibe a densidade de fluxo magnético total BM como um função do campo magnético externo
aplicado HM e da magnetização intrínseca M do próprio material. Já a curva intrínseca exibe a
polarização intrínseca J. A relação entre tais parâmetros é dada pelas seguintes equações
(HENDERSHOT; MILLER, 1994):
A.1
A.2
A.3
21
APÊNDICE A – MATERIAIS MAGNÉTICOS
Os materiais magnéticos podem ter a forma isotrópica ou anisotrópica. São isotrópicos aqueles
materiais que apresentam as mesmas propriedades em todas as direções. Já os anisotrópicos têm uma
direção ideal na qual deve ser feita a magnetização, para que se tenha maior remanência e coercividade
(HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Na Figura 16 são exibidos o primeiro e segundo quadrantes de uma curva de histerese típica.
Inicialmente o material está sem magnetização, no ponto A. Com a aplicação de um campo magnético
externo (HM>0) o ponto de operação é levado até o ponto B através da curva de magnetização inicial.
Ao ser removido o campo externo, o ponto de operação se deslocará para o ponto C, no segundo
quadrante. A localização do ponto C é determinada pela forma do ímã e pela permeância do circuito
magnético em que ele está inserido. É possível determiná-la através da linha de carga. O segundo
quadrante da curva de histerese maior é chamado de curva de desmagnetização. Caso o campo
magnético aplicado seja insuficiente para magnetizar o ímã completamente, este operará no loop
menor.
22
APÊNDICE A – MATERIAIS MAGNÉTICOS
O ponto de operação pode ser deslocado para um ponto abaixo da curva de histerese com a
aplicação de um campo externo desmagnetizante (H M<0). Desde que o ponto de trabalho não seja
levado abaixo do joelho D, a redução de BM será reversível, de tal modo que com a remoção do campo
externo, o ponto de operação voltará ao ponto C. Caso o ponto de trabalho seja levado abaixo do ponto
D, quando o campo externo for retirado o ponto de operação não voltará a sua posição original, não
mais percorrendo a curva de desmagnetização. O ponto de operação se deslocará para um ponto da
linha recoil, com menor densidade de fluxo. A linha recoil é representada por uma reta de inclinação
igual à permeabilidade recoil µ0∙µrec (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Se o ponto de operação for levado abaixo do joelho D, o ímã perderá parte de sua
desmagnetização de forma definitiva.
Após ser submetido a tais procedimentos, o ímã estará imune a uma eventual desmagnetização
causada por campos magnéticos externos de intensidade inferiores ao maior valor negativo de H M.
Figura 17: Evolução dos ímãs permanentes desde 1900 (HENDERSHOT; MILLER, 1994)
23
APÊNDICE A – MATERIAIS MAGNÉTICOS
Desde a criação dos ímãs de ferrita, em 1953, constantes desenvolvimentos vêm sendo
realizados de modo que os produzidos atualmente estão muito próximos de suas características
teóricas limite e têm uma posição consolidada por ser o material com melhor custo-benefício para
diversas aplicações (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Os ímãs de Samário-Cobalto (Sm-Co) surgiram em meados da década de 1970. Estes ímãs
apresentam maior produto de energia que os de ferrita e suportam maiores temperaturas. Porém, seu
custo maior limita o seu uso predominante em situações que exigem operação sob temperaturas
elevadas.
A geração mais recente de ímãs de terras raras surgiu na década de 1980. Os ímãs de
Neodímio-Ferro-Boro (Nd-Fe-B) têm produto de energia superior ao dos ímãs de Sm-Co e são
produzidos a partir de matéria-prima de menor custo. Porém, tais ímãs não são tão estáveis
termicamente como os de Sm-Co e ainda são suscetíveis à corrosão (HENDERSHOT; MILLER,
1994).
24
APÊNDICE A – MATERIAIS MAGNÉTICOS
A.1.5 Magnetização
O valor da força magnetizante H necessária para saturar um ímã varia de acordo com o
material. A força magnetizante de saturação pode ser estimada pela multiplicação do valor da
coercividade intrínseca por um fator k. Para materiais anisotrópicos seu valor é próximo de três e para
materiais isotrópicos é aproximadamente igual a cinco (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
Na Tabela 4 são fornecidos valores típicos de forças magnetizantes para os materiais mais
comuns. Os ímãs que possuem maior produto de energia necessitam de dispositivos especiais e de alta
potência para sua magnetização, razão pela qual são adquiridos já magnetizados.
25
APÊNDICE A – MATERIAIS MAGNÉTICOS
Os aços usados na fabricação dos rotores e estatores de máquinas elétricas são chamados de
moles por possuírem curvas de histerese estreitas, baixa coercividade e alta permeabilidade, essencial
para que este material cumpra sua função como guia do fluxo magnético, absorvendo o mínimo
possível de força magnetomotriz.
A baixa coercividade é necessária para minimizar as perdas por histerese, uma vez que em um
BDCM o ferro da armadura é submetido a um fluxo alternado de alta freqüência. A densidade de fluxo
remanente destes materiais é relativamente alta, porém ela se justifica pela necessidade de uma alta
densidade de fluxo de saturação, para que se possa suportar o máximo de fluxo numa seção menor, e
com menor massa (HENDERSHOT; MILLER, 1994).
26
APÊNDICE B - Sensores de posição angular
A posição do rotor dos BDCM é detectada através de sensores de posição, ou seja, sensores de
efeito Hall, encoders e resolvers. Em máquinas girantes, os sensores de posição fornecem sinais ou
respostas proporcionais à posição angular do rotor.
Figura 18: Sensor Hall: a) princípio de funcionamento; b) diagrama de blocos do circuito integrado de um
sensor Hall (GIERAS; WING, 2002)
Para a determinação da posição angular do rotor de um motor brushless DC de três fases são
necessários três sensores de efeito Hall (Figura 19). Todos os componentes necessários são
frequentemente fabricados em um motor trifásico de dois pólos, os sensores, a princípio, devem estar
defasados de 120º, entretanto, eles podem também estar posicionados em intervalos de 60º. Os
sensores de efeito Hall são montados de modo que cada um deles gere uma onda quadrada defasada de
120º uma da outra, durante um ciclo elétrico do motor.
27
APÊNDICE B – SENSORES DE POSIÇÃO ANGULAR
Figura 19: Sensores Hall em um BDCM de três fases (GIERAS; WING, 2002)
B.2 Encoders
Figura 20: Encoder óptico: 1-fonte de luz colimada; 2-grade; 3-máscara; 4-detector de luz
(GIERAS; WING, 2002)
Em um encoder incremental um pulso é gerado por um incremento dado pela posição angular
do eixo que é determinada pela contagem dos pulsos de saída somados ou subtraídos de uma posição
de referência. Seu disco tem uma única faixa de perfuração. Caso haja um eventual desligamento de
sua alimentação, o encoder incremental perde sua referência e deve ser retornado para a posição inicial
de referência.
O encoder absoluto é um verificador de posição que gera uma única informação a cada
posição angular do eixo. Devido a um determinado número de canais de saída, toda posição angular do
eixo é descrita por seu próprio e único código. Um encoder absoluto não é um dispositivo contador
como o incremental e não perde sua informação de posição com seu desligamento (GIERAS; WING,
2002).
28
APÊNDICE B – SENSORES DE POSIÇÃO ANGULAR
B.3 Resolvers
Para cada volta do rotor, é gerado um ciclo elétrico por cada saída do resolver. Tais sinais
analógicos de saída são convertidos para a forma digital para que possam ser utilizados no sistema de
posicionamento. A diferença entre as duas formas de onda indica a posição do rotor. A velocidade do
motor é determinada pelo período das formas de onda geradas e a direção de rotação é obtida da
defasagem entre as formas de onda. É comum o uso de um sistema de acoplamento magnético para
fornecer a tensão ao enrolamento de excitação do resolver, localizado no rotor, no lugar de escovas e
anéis deslizantes (GIERAS; WING, 2002).
29
APÊNDICE B – SENSORES DE POSIÇÃO ANGULAR
cabos não apenas aumenta a confiabilidade, mas também simplifica a instalação do sistema (GIERAS;
WING, 2002).
A estratégia de controle sem sensores de posição para um BDCM se baseia na detecção da
passagem pelo zero da força contra-eletromotriz (f.c.e.m.) induzida no enrolamento da fase não
excitada. Como no BDCM de trifásico apenas duas fases são excitadas simultaneamente, é possível
medir a f.c.e.m. induzida na terceira fase e assim determinar a posição angular do rotor (GONELLA,
2006).
30