UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DA BAHIA
CENTRO DAS CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
CURSO DE QUÍMICA
Relatório de prática
Prática 1 - Manuseio de vidrarias e balanças
BARREIRAS, BA
2025
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Ana Caroline Marques
Gustavo Henrique Santos Brito
Kathleen Sofia de Souza Silva
Lucas Passos Bezerra
Prática 1 - Manuseio de vidrarias e balanças
Relatório apresentado ao Curso de Química da
Universidade do Oeste da Bahia (UFOB),
como requisito parcial para obtenção da nota
parcial de Química Analítica Clássica
Experimental.
Docente: Lucas Cruz
BARREIRAS – BA
2025
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SUMÁRIO
1 Introdução 4
2 Objetivos 6
3 Materiais e métodos 6
3.1 Materiais 6
3.2 Procedimento 7
3.2.1 Aferição e comparação de pipetas 7
3.2.2 Calibração de balão volumétrico 7
4 Resultados e discussão 8
4.1 Pipeta de Pasteur 9
4.2 Pipeta volumétrica 10
4.3 pipeta graduada 11
4.4 Balão volumétrico 12
5 Conclusão 14
Referências 15
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1. Introdução
No contexto das práticas laboratoriais, é comum observar uma negligência quanto ao
uso correto dos instrumentos, especialmente as vidrarias e balanças analíticas. Pouco se
discute sobre a forma adequada de manuseá-los, e raramente são oferecidos ensinamentos ou
treinamentos voltados à sua correta utilização (TELES et al., [s.d.]). Além disso, muitas
vidrarias apresentam pequenos defeitos de fabricação, muitas vezes imperceptíveis que
comprometem a precisão dos resultados.
A repetição de experimentos por diferentes pessoas, utilizando as mesmas vidrarias,
frequentemente gera resultados divergentes. Isso ocorre, em grande parte, pela ausência de
calibração adequada dos equipamentos, tanto das vidrarias quanto das balanças analíticas —
instrumentos essenciais em qualquer laboratório. Quando essas balanças estão descalibradas,
os dados obtidos apresentam variações significativas, o que compromete toda a análise
experimental.
As vidrarias laboratoriais classe A são produzidas de borossilicato pelo baixo
coeficiente de expansão, alta resistência física e química, estabilidade térmica, e também pelo
alto nível de transparência permitindo a clara visualização do interior (VOGEL, 1981,
pág.45). Entretanto, as vidrarias volumétricas possuem grande sensibilidade referentes a
variação de valores, exigindo atenção do analista e a calibração da vidraria. Essas vidrarias
volumétricas e graduadas contém valores de tolerância, de acordo com a temperatura da
solução em função do coeficiente de expansão.
Figura 1 - Tabela com os valores de limites de erros admitidos à pipeta graduada.
Fonte: Diogolab.
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Figura 2 - Tabela com os valores de limites de erro admitido à pipeta volumétrica.
Fonte: Diogolab.
Figura 3 - Tabela com os valores de limites de erro admitido ao balão volumétrico.
Fonte: Diogolab.
O erro de paralaxe, por exemplo, acontece quando a leitura da escala de vidrarias
graduadas é feita com os olhos fora do nível do menisco, causando erro associado (SKOOG et
al., 2005). Isso afeta a precisão de medições em análises que exigem exatidão, como
titulações. Para evitá-lo, a leitura deve ser feita com os olhos na altura exata do menisco. A
figura 1 enfatiza que dependendo do ângulo em que o analista enxerga o menisco ele pode
variar, gerando erro sistemático.
5
Figura 4 – Erro associado à paralaxe.
Fonte: MEIER, 2024.
Essas divergências, que se refletem nos relatórios e nos cálculos finais, muitas vezes
levam à perda de tempo com revisões detalhadas de procedimentos e fórmulas, quando o
verdadeiro problema está no uso inadequado dos equipamentos. É necessário conhecer bem
cada tipo de pipeta, balança e suas respectivas funções é fundamental para minimizar erros e
garantir maior confiabilidade nos resultados obtidos no dia a dia do laboratório.
2. Objetivos
Este trabalho tem como objetivo avaliar a importância do uso correto e da calibração
de vidrarias e balanças analíticas no laboratório, analisando sua influência nos resultados
experimentais. Busca-se ainda propor medidas de padronização para minimizar erros e
aumentar a precisão nas análises realizadas.
3. Materiais e Métodos
3.1 Materiais
Balão Volumétrico – 25 mL Pipeta de Pasteur – 5 mL
Termômetro Água destilada (23,2°C)
Pipeta volumétrica – 5 mL Béquer (5 mL;10 mL e 50 mL)
Pêra de sucção Pipetador de volumes manual pi-pump
Pipeta graduada – 5 mL
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Balança analítica
Tabela 1 - Materiais utilizados.
Todas as vidrarias utilizadas foram da marca Diogolab.
3.2 Procedimento
3.2.1 Aferição e Comparação de pipetas
O seguinte experimento teve como objetivo aferir e comparar as pipetas de Pasteur,
volumétrica e graduada. Para tal fim, a prática foi dividida em três etapas que consistem na
coleta do volume de 5 mL de água destilada em triplicatas com as respectivas pipetas.
Precedendo a realização das coletas, foi pesado e anotado a massa de um béquer de 5
mL vazio que ficará responsável pelo armazenamento da água destilada pipetada e obteve
massa de 4,6973 g. Logo após, coletou-se 5 ml de água destilada com a pipeta de Pasteur que
foi transferida para o béquer anteriormente pesado, para a realização de sua pesagem, mas
agora com o volume específico de água e em seguida a anotação da sua devida massa.
Este procedimento foi realizado três vezes para cada pipeta. Assim, foram obtidos os
valores da tabela 3.
Pipeta de Pasteur Pipeta Volumétrica Pipeta Graduada
Massa 1 (g) 9,6091 9,7309 9,7177
Massa 2 (g) 9,6718 9,8070 9,6862
Massa 3 (g) 9,4836 9,7517 9,6366
Tabela 3 - Aferições da massa de água de cada pipeta em triplicata.
3.2.2 Calibração de balão volumétrico
A segunda parte da prática consistiu na calibração de um balão volumétrico de 25 mL.
Inicialmente o balão vazio foi pesado e teve massa registrada de 25,0425 g, para que então o
procedimento de calibração começasse. Na sequência, adicionou-se água destilada no balão
volumétrico até a marca do menisco ser atingida, para se coletar este volume de água foi
usada uma pipeta de Pasteur, e então o conjunto foi pesado em uma balança analítica para
registro de sua massa total. Esse procedimento foi realizado em dez replicatas, conforme os
dados apresentados na Tabela 4.
1º (g) 49,8741 6º (g) 49,9250
7
2º (g) 49,8574 7º (g) 49,8973
3º (g) 49,8659 8º (g) 49,9003
4º (g) 49,8825 9º (g) 49,9758
5º (g) 49,8489 10º (g) 49,9142
Tabela 4 - Aferições das massas de água junto com o becker de 25mL
Desvio padrão amostral = 0,0378 mL
4. Resultados e discussão
Para prosseguir, iremos fazer o tratamento dos dados com estatística, para ajudar-nos a
verificar se a calibração foi eficaz. Utilizamos as seguintes medidas para a análise
quantitativa:
Volume: Média: Desvio padrão: Erro absoluto:
xi= valor individual;
V= volume; x[...]= valores
individuais; xi= valor individual; xref= valor teórico.
m= massa;
ρ= densidade. n= número de x̅ = média amostral;
valores. n= número de valores.
Tabela 5 - Procedimentos quimiométricos utilizados.
4.1 Pipeta de Pasteur
Massa do becker de 5mL= 4,6973 g
Água + Becker Apenas Água (Mtotal - Mbécker)
Massa 1 (g) 9,6091 4.9118
Massa 2 (g) 9,7618 4.9745
Massa 3 (g) 9,4836 4,7863
Tabela 6 - Massas da aferição da pipeta de Pasteur com água a 23ºC
-
- Volume:
8
- Média dos volumes:
- Desvio padrão dos volumes:
- Erro absoluto:
4.2 Pipeta volumétrica
Água + Becker Apenas Água (Mtotal - Mbécker)
Massa 1 (g) 9,7309 5.0336
Massa 2 (g) 9,8070 5,1097
Massa 3 (g) 9,7517 5.0544
Tabela 7 - Massas da aferição da pipeta volumétrica com água a 23ºC
- Volume:
9
- Média dos volumes:
- Desvio padrão dos volumes:
- Erro absoluto:
4.3 Pipeta graduada
Água + Becker Apenas Água (Mtotal - Mbécker)
Massa 1 (g) 9,7277 5.0304
Massa 2 (g) 9,6862 4,9889
Massa 3 (g) 9,6366 4,6693
Tabela 8 - Massas da aferição da pipeta graduada com água a 23ºC
- Volume:
10
- Média dos volumes:
- Desvio padrão amostral dos volumes:
- Erro absoluto:
4.4 Balão volumétrico
Balão volumétrico 25mL = 25,0425g
Água + Balão Apenas Água (Mtotal - Mbalão)
1º (g) 49,8741 24,8316
2º (g) 49,8574 24,8149
3º (g) 49,8659 24,8234
4º (g) 49,8825 24,8400
5º (g) 49,8489 24,8064
6º (g) 49,9250 24,8825
7º (g) 49,8973 24,8548
8º (g) 49,9003 24,8578
11
9º (g) 49,9758 24,9333
10º (g) 49,9142 24,8717
Tabela 9 - Massas da aferição do balão volumétrico com água a 23ºC
- Volume:
- Média dos volumes:
- Desvio padrão amostral:
12
- Erro absoluto:
13
5. Conclusão
Ao comparar os erros experimentais obtidos para as vidrarias com os valores de erro
permitidos a 20°C, observou-se que a pipeta graduada, a pipeta volumétrica e o balão
volumétrico apresentaram desvios significativamente superiores aos limites estabelecidos,
evidenciando a influência de fatores como temperatura e calibração nas medições. A pipeta de
Pasteur, diferentemente das demais analisadas, não é um instrumento volumétrico de precisão,
não possuindo tolerâncias normativas, reforçando seu uso exclusivamente qualitativo na
transferência aproximada de líquidos.
Essas divergências nos valores podem ser atribuídas principalmente à variação de
temperatura em relação a calibração original, uma vez que a calibração das vidrarias é feita
com base em uma temperatura padrão, pequenas variações na técnica de pipetagem de casa
analista da prática afetando a precisão das medições. Além disso, erros aleatórios, como
pequenas variações na manipulação das vidrarias, paralaxe na leitura de meniscos ou
possíveis resíduos nas paredes dos recipientes, também podem ter influenciado os resultados.
Também, a falta de nivelamento e calibração com um peso padrão na balança analítica
utilizada dificultou a precisão dos resultados, tendo uma pequena variação, ajudando na
obtenção de erro associado principalmente aos algarismos menos significativos, que
concentram maior incerteza.
Os resultados reforçam a importância de cuidados rigorosos no manuseio dos
instrumentos e da necessidade de procedimentos padronizados, como leituras na altura correta
do menisco, utilização de equipamentos calibrados e controle das condições ambientais.
Portanto, conclui-se que, para maior exatidão em análises futuras, é essencial controlar fatores
como temperatura e técnica de manuseio, além de realizar calibrações periódicas das vidrarias
para minimizar erros sistemáticos e aleatórios.
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Referências
1. TELES, Camila Caetano de Sá; SANTOS, Carla Danielle Jesus dos; JESUS, Emerson
Santos de; CANHAMERO, Magali; SILVA, Maria do Socorro Sousa da. Aferição de
vidrarias. ETEC Júlio de Mesquita, Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula
Souza, [s.d.]. Disponível em:
[Link]
%20Aferi%C3%A7%C3%A3o%20de%[Link] . Acesso em: 16/04/2025
2. SKOOG, D. A.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentos de
química analítica. São Paulo: Thomson Learning, 2005.
3. MEIER, Lucia. Como evitar erros de titulação em seu laboratório. Metrohm, 15 jul.
2024. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 19 abr. 2025.
4. VOGEL, A. I. Química analítica quantitativa. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
5. LIMA, Leandro Santos. A Importância de utilizar vidrarias de laboratórios
normalizadas. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial,
Divisão de Metrologia Mecânica, Av. Nossa Senhora das Graças, 50 – Xerém, Duque
de Caxias, RJ. 2005. Acesso em 17 abr. 2025
6. DIOGOLAB. Vidrarias para laboratório. Disponível em:
[Link] Acesso em 13 mai. 2025.
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