FÁCIL EDUCACIONAL
CURSO DE GESTÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
RENATA KELLY FRANCISCA DE LIMA
RELATÓRIO ACADÊMICO
Rio de Janeiro
2025
Renata Kelly Francisca de Lima
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Relatório Acadêmico
Relatório Acadêmico supervisionado e apresentado ao Curso de gestão em
Segurança Pública e Privada, para obtenção de nota do TCC.
Orientadora: Paula Soares dos Santos
Rio de Janeiro
2025
FOLHA DE IDENTIFICAÇÃO
Instituição de Ensino
Fácil Educacional
Endereço: Rua Pernambuco, 205 - Centro, Divinópolis - MG - CEP 25500-008
Telefone: (37) 9 8402-2680
Discente
Nome do aluno: Renata Kelly Francisca de Lima
Endereço: Rua Juaie 80
Telefone: (21)968067113
E-mail: allanabiajbv45@[Link]
Curso: Curso superior sequencial em magistério
FOLHA DE ASSINATURAS
________________________________________________________
Discente
___________________________________________________________
Professor(a) / Orientador(a)
____________________________________________________________
Coordenador (a) do Curso
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO................................................................................................6
2. OBJETIVOS....................................................................................................6
2.1 GERAL...........................................................................................................7
2.2. ESPECÍFICO................................................................................................7
3. DESENVOLVIMENTO...................................................................................8
4. CONCLUSÃO ..............................................................................................29
5.
REFERÊNCIAS .............................................................................................31
6
FRANCISCA DE LIMA, Renata Kelly;SANTOS, Paula Soares
INTRODUÇÃO
Jogos, brinquedos e brincadeiras fazem parte do mundo da criança, pois
estão presentes na humanidade desde o seu início. O presente trabalho trata
enfatizar o lúdico como processo educativo, demonstrando que ao se trabalhar
ludicamente não se está abandonando a seriedade e a importância dos conteúdos
a serem apresentados à criança, pois as atividades lúdicas são indispensáveis para
o seu desenvolvimento da percepção, da imaginação, da fantasia e dos
sentimentos. Por meio das atividades lúdicas, a criança comunica-se consigo
mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações
sociais, constrói conhecimentos, desenvolve-se integralmente.
A infância é a idade das brincadeiras. Acredito que por meio delas a criança
satisfaz em grande parte, seus interesses, necessidades e desejos particulares,
sendo um meio privilegiado de inserção na realidade, pois expressa a maneira
como a criança reflete, ordenam, desorganiza, destrói e reconstrói o mundo.
Destacamos o lúdico como uma das maneiras mais eficazes de envolver o aluno
nas atividades, pois a brincadeira é algo inerente na criança, é sua forma de
trabalhar, refletir e descobrir o mundo que o cerca.
A ludicidade é uma ferramenta eficaz de ensino utilizada como facilitador de
ensino aprendizagem tornando esse processo mais precário não só para quem
aprende, mas também para quem ensina, pois há uma troca de experiências, pela
qual docente e discente aprendem e ensinam um com o outro.
A atividade lúdica e fundamental para proporcionar a criança a um ambiente
pela qual ele se identifique. Por isso, é importante respeitar a faixa etária de cada
alunado e consolidar os brinquedos de acordo com cada idade e tomar o cuidado
de diversificá-los para explorar novas inteligências e áreas ainda não
desenvolvidas.
Aprender brincando, além de ser uma maneira prazerosa, é a forma mais
atual de ser inserir a práxis educativa.
É importante destacar que as atividades lúdicas são primordiais para a
construção de conhecimento e desenvolvimento do aluno. O brincar faz parte da
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vida da maior parte das crianças, partindo desse pressuposto, a melhor maneira de
inserimos a práxis educativa é entrando nesse “mundo” do brincar, possibilitando
nossa metodologia de ensino, interagindo com os alunados numa maneira pela
qual eles entenderão com maior facilidade, tornando as aulas mais participativas e
estimulantes, desenvolvendo as habilidades sócias cognitivas de cada discente.
O objetivo dessa pesquisa tem o intuito de mostrar o quanto se faz
importante inserirmos o lúdico ao processo pedagógico ampliando as relações
entre professores e alunos, tornando o ensino aprendizagem mais qualificativos,
desenvolvendo a psicomotricidade dos alunos despertando aos mesmos um olhar
mais perceptivo ao meio pelo qual estão inseridos.
E como objetivos específicos:
Conscientizar os professores a importância de inserir aos conteúdos
programáticos, a ludicidade como método facilitador, pelo qual,
possibilita ao educando a integração e a socialização dele com o meio
em que está envolvido.
Contribuir para que o alunado seja capaz de criar e se desenvolver
sobre todas as atividades propostas, pois é brincando que a criança
vai construindo os alicerces da compreensão e os sistemas
simbólicos como a escrita.
Sabemos que para elaborar um trabalho precisamos do respaldo de teóricos
da área pesquisada. Portanto, o trabalho em questão é baseado em autores
consagrados no meio acadêmico. Como referenciais teóricos apresentarão os
seguintes autores: Zilma de Oliveira (2011) Piaget (1990) e Vygotsky (1995).
O presente trabalho procura conceituar o lúdico, demonstrar sua importância
no desenvolvimento da Educação Infantil. O lúdico é uma ferramenta que pode dar
mais vida e prazer ao processo de ensino aprendizagem.
O presente trabalho basea-se na teoria de autores que nos competem a
entender a ludicidade com mais clareza e fundamentação. Dentre os quais
podemos citar Jean Piaget, que segundo o mesmo, os jogos são comparados a
uma instituição social que proporciona desenvolvimento nas habilidades de cada
individuo e adéqua o educando a obter uma visão de “mundo” numa perspectiva
grupal nos relacionamentos sociais e pessoais no âmbito de pensamentos,
memória, concentração, imaginação e motricidade.
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Desse modo, podemos citar com deslumbro as teorias de Vygotsky, que
segundo ele, o ser humano se desenvolve a partir do aprendizado que envolve a
interferência direta e indireta de outros seres humanos.
Segundo Oliveira (2011) a motricidade também se desenvolve por meio da
manipulação de objetos, de diferentes formas, cores, volumes, pesos e texturas.
O presente Trabalho de Conclusão de Curso está representeado em 3
capítulos da seguinte forma:
No primeiro capitulo falaremos da historicidade do tema (A importância do
lúdico na educação infantil) e a história da Educação Infantil.
No segundo capitulo falaremos da importância dos Jogos, brinquedos e
brincadeiras.
E no terceiro e último capitulo apresentaremos o resultado das analises e os
resultados obtidos a partir de pesquisas bibliográficas e pesquisas de campo.
Por último nas considerações finais traremos os resultados que se
destacaram nos resultados analisados e interpretados. Também procuramos
ressaltar à necessidade de um olhar diferenciado sobre o brincar na pratica
docente levando os educadores a uma reflexão sobre esse importante tema.
CAPITULO I: A HISTÓRIA DO LUDICO E DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO
BRASIL
A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar estão
incluídos os jogos, os brinquedos, as brincadeiras e os divertimentos. Por sua vez,
a função educativa do jogo prioriza a aprendizagem do indivíduo, seu saber, seu
conhecimento e sua compreensão de mundo.
Ludo Educação é quando nos utilizamos dos jogos, brinquedos e
brincadeiras visando possibilitar um ambiente de aprendizagem mais enriquecedor
e prazeroso, tanto para as crianças quanto para os professores.
A ludicidade possibilita ao docente a se distinguir como pessoa, saber de
suas potencialidades e vencer suas oposições, pois quando isso ocorre, o
educador não transforma somente a si próprio, mas transforma também a criança,
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afinal, o professor é quem vai conduzir o lúdico e apresentar ao alunado esse feito
no cotidiano escolar da mesma.
Esse brincar é uma ação natural do "homo ludens". Desde o seu nascimento
já lhe está inerente e toda a sua trajetória está permeada de reações espontâneas
e prazerosas. Nos primeiros meses de vida, quando o bebê começa a manusear os
objetos, levando-os a boca, ou o simples fato de o bebê jogar o objeto no chão,
torna-se para ele motivo de prazer. Na medida em que a criança cresce, estas
reações lúdicas se intensificam e novas brincadeiras vão se incorporando no seu
dia-a-dia.
Assim como Zanluchi 2005 ressalta:
Quando brinca, a criança prepara-se a vida, pois é através de sua
atividade lúdica que ela vai tendo contato com o mundo físico e social,
bem como vai compreendendo como são e como funcionam as coisas.
Desse modo, destacamos que quando a criança brinca, parece mais
madura, pois entra, mesmo que de forma simbólica, no mundo adulto que
cada vez se abre para que ela lide com as diversas situações. (p. 89)
Partindo disso, podemos afirmar que a brincadeira é de fundamental
importância para o desenvolvimento infantil, desde que as brincadeiras sejam um
método pelo qual leve o educando a um caminho de transformação e produção,
resultando a cada discente uma bagagem de novos conhecimentos e
desenvolvimento da expressão corporal, intelectual e moral de cada alunado.
Temos em nosso repertório infantil de brincadeiras, formas e modelos de
brinquedos que originalmente foram construídos, trazidos e perpetuados por
crianças portuguesas e índias e negras.
A criança é um ser em pleno processo de apropriação da cultura, precisando
participar dos jogos de uma forma espontânea e criativa. (KISHIMOTO, 2000).
Mediante a isso, percebo a suma importância do brincar, pois é brincando
que podemos entrar num mundo fantástico, onde aquilo que parecia ser muito sério
e difícil de aprender, se torna algo mais gostoso e prazeroso ao inserir a ludicidade
a proposta pedagógica. Assim como o Referencial Curricular Nacional para a
Educação Infantil cita:
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Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e
aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o
desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar
com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o
acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e
cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das
capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais,
afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a
formação de crianças felizes e saudáveis. Brasil (1998, RCNEI, vol. I, p. 23).
A proposta de trabalho a partir da ludicidade desenvolve as estruturas
psicológicas globais, haja vista que possibilita ao aluno construir seu próprio
pensamento e estreitar laços de amizade e afetividade.
Partindo desse pressuposto, a Educação Infantil é uma modalidade de
ensino marcante na vida dos pequenos, que vem ganhando importância ao longo
dos tempos e atualmente tem ganhado um grande valor nos aspectos
educacionais.
De acordo com a Revista Nova Escola, as primeiras instituições brasileiras
de acolhimento às crianças de zero a seis anos surgiram ainda no Império com
intuito de atender as que eram abandonadas nas ruas das cidades, como os
orfanatos, os asilos para pobres e a Santa Casa de Misericórdia, com sua roda dos
expostos. Mas foi o desenvolvimento da medicina e da microbiologia - e a
viabilização da amamentação artificial - que deu a possibilidade para amparar
essas crianças sem os apavorantes índices de doenças e de mortalidade da
época.
Um dos pioneiros nessa experiência no exterior foi o médico Friedrich
Froebel - idealizador dos Jardins de Infância. Essa ideia chega ao Brasil na década
de 1870, com divulgação no jornal do médico Carlos Costa, e é aplicada na sala de
jardim de infância aberta ao lado de uma igreja protestante americana instalada em
São Paulo. A iniciativa inspirou duas outras: uma no colégio Menezes Vieira (Rio
de Janeiro/1875) e no Caetano de Campos (São Paulo/1896), que adaptou a
pedagogia de Froebel para a realidade brasileira. Em 1924, já eram 47 as
instituições entre creches e jardins de infância pelo Brasil, principalmente nas
capitais.
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A partir daí, muitas creches são instaladas para atender aos filhos dos
operários por volta da década de 1970, de acordo com Faria (1999, p.68) relata
que com o aumento do número de fábricas, iniciaram-se os movimentos de
mulheres e os de luta por creche, resultando na necessidade de criar um lugar para
os filhos dos operários, surgindo então às creches, com um foco totalmente
assistencialista, visando apenas o “cuidar”. Só em 1988 a educação infantil teve
início ao seu reconhecimento, quando pela primeira vez, foi colocada como parte
integrante da Constituição, depois em 1990, com o Estatuto da Criança e do
adolescente (ECA, Lei federal 8069/90), entre os direitos estavam o de
atendimento em creches e pré-escolas para as crianças até os 6 anos de idade,
concedendo-lhes um olhar completo, perdendo seu aspecto assistencialista e
assumindo uma visão e um caráter pedagógico. Nesse momento acontece a
Municipalização, a Educação Infantil passa a ser responsabilidade dos Municípios,
com certo vínculo de verba com o Estado.
Segundo Barreto (2008, p.24) Coloca que atenção à Educação Infantil no
Brasil é decorrente das últimas duas décadas de reflexões, pois a partir da LDB a
Educação Infantil passou a ser o início da Educação Básica, buscando abolir a
visão assistencialista e com o olhar na formação dos profissionais que atuam nessa
área.
Portanto, dia após dia, lutamos por um ensino de qualidade que atenda a
todas as demandas educacionais, principalmente a modalidade de ensino da
Educação Infantil, afinal, para se alcançar um fruto bom e apetitoso precisamos
cuidar da raiz da árvore para que a mesma cresça e consiga produzir. Assim é a
Educação Infantil, acredito na necessidade de se cuidar dessa árvore que se
chama criança, que para que possamos obter resultados satisfatórios e para que
suas habilidades pedagógicas se desenvolvam se torna necessário um olhar
abrangente e peculiar, para que ao longo de sua trajetória o educando tenha uma
bagagem que possa se orgulhar e se basear ao longo de sua caminhada
educacional.
Contudo, podemos analisar mais sobre tal assunto, segundo o que o Maévi
descreve em seu artigo de acordo com o que o Presidente da Câmara de
Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições
legais, com fundamento no art. 9º, § declara: 1º alínea “c” da Lei nº 4.024, de 20 de
dezembro de 1961, com a redação dada pela Lei nº 9.131, de 25 de novembro de
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1995, e tendo em vista o Parecer CNE/CEB nº 20/2009, homologado por Despacho
do Senhor Ministro de Estado da Educação, publicado no DOU de 9 de dezembro
de 2009, resolve:
Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação Infantil a serem observadas na organização de propostas
pedagógicas na Educação Infantil.
Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil
articulam-se com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica
e reúnem princípios, fundamentos e procedimentos definidos pela Câmara
de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, para orientar as
políticas públicas na área e a elaboração, planejamento, execução e
avaliação de propostas pedagógicas e curriculares.
Art. 3º O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de
práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças
com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico,
ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o
desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade.
Art. 4º As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar
que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de
direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia,
constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia,
deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói
sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.
Art. 5º A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é
oferecida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como
espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos
educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0
a 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial,
regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino
e submetidos a controle social. Fundamentos e princípios da educação
infantil. (CNE/CEB, 2009)
O presente documento determina a organização e funcionalidade da
Educação Infantil em âmbito nacional, direcionando assim gestores e professores
para um trabalho comprometido com as questões pedagógicas pertencentes a esta
faixa etária da Educação Básica.
§ 1º É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública,
gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção.
§ 2° É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de crianças que
completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a
matrícula.
§ 3º As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser
matriculadas na Educação Infantil.
§ 4º A frequência na Educação Infantil não é pré-requisito para a matrícula
no Ensino Fundamental.
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§ 5º As vagas em creches e pré-escolas devem ser oferecidas próximas
às residências das crianças.
§ 6º É considerada Educação Infantil em tempo parcial, a jornada de, no
mínimo, quatro horas diárias e, em tempo integral, a jornada com duração
igual ou superior a sete horas diárias, compreendendo o tempo total que a
criança permanece na instituição.
Art. 6º As propostas pedagógicas de Educação Infantil devem respeitar os
seguintes princípios:
I – Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do
respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas,
identidades e singularidades.
II – Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do
respeito à ordem democrática.
III – Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da
liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais.
A seguinte notificação relata sobre o direito da criança em ser matriculada na
educação infantil em creches e pré-escolas próximas a sua residência.
Art. 7º Na observância destas Diretrizes, a proposta pedagógica das instituições de
Educação Infantil deve garantir que elas cumpram plenamente sua função
sociopolítica e pedagógica:
I - oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam seus
direitos civis, humanos e sociais;
II - assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a
educação e cuidado das crianças com as famílias;
III - possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e
crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes
naturezas; Fundamentos e princípios da educação infantil.
IV - promovendo a igualdade de oportunidades educacionais entre as
crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a
bens culturais e às possibilidades de vivência da infância;
V - construindo novas formas de sociabilidade e de subjetividade
comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do
planeta e com o rompimento de relações de dominação etária,
socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa.
Art. 8º A proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve
ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de apropriação,
renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes
linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à
confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à
interação com outras crianças.
As propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil devem
tomar o devido cuidado de garantir aos educandos os direitos vinculados a sua vida
social, familiar e educacional.
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§ 1º Na efetivação desse objetivo, as propostas pedagógicas das
instituições de Educação Infantil deverão prever condições para o trabalho
coletivo e para a organização de materiais, espaços e tempos que
assegurem:
I - a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo
indissociável ao processo educativo;
II - a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva,
linguística, ética, estética e sociocultural da criança;
III - a participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito e
a valorização de suas formas de organização;
IV - o estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade local e
de mecanismos que garantam a gestão democrática e a consideração dos
saberes da comunidade;
V - o reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades
individuais e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças
de mesma idade e crianças de diferentes idades;
VI - os deslocamentos e os movimentos amplos das crianças nos espaços
internos e externos às salas de referência das classes e à instituição;
VII - a acessibilidade de espaços, materiais, objetos, brinquedos e
instruções para as crianças com deficiência, transtornos globais de
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação;
VIII - a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais dos
povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros
países da América; Fundamentos e princípios da educação infantil.
IX - o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das crianças
com as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras, bem como o
combate ao racismo e à discriminação;
X - a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção contra
qualquer forma de violência – física ou simbólica – e negligência no interior
da instituição ou praticadas pela família, prevendo os encaminhamentos
de violações para instâncias competentes.
As instituições devem garantir espaços para o diálogo aberto, participação e
valorização da comunidade escolar acoplado aos alunos.
§ 2º Garantida à autonomia dos povos indígenas na escolha dos modos
de educação de suas crianças de 0 a 5 anos de idade, as propostas
pedagógicas para os povos que optarem pela Educação Infantil devem:
I - proporcionar uma relação viva com os conhecimentos, crenças, valores,
concepções de mundo e as memórias de seu povo;
II - reafirmar a identidade étnica e a língua materna como elementos de
constituição das crianças;
III - dar continuidade à educação tradicional oferecida na família e
articular-se às práticas sócias culturais de educação e cuidados coletivos
da comunidade;
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IV - adequar calendário, agrupamentos etários e organização de tempos,
atividades e ambientes de modo a atender as demandas de cada povo
indígena.
§ 3º - As propostas pedagógicas da Educação Infantil das crianças filhas
de agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos,
assentados e acampados da reforma agrária, quilombolas, caiçaras, povos
da floresta, devem:
I - reconhecer os modos próprios de vida no campo como fundamentais
para a constituição da identidade das crianças moradoras em territórios
rurais;
II - ter vinculação inerente à realidade dessas populações, suas culturas,
tradições e identidades, assim como a práticas ambientalmente
sustentáveis;
III - Flexibilizar, se necessário, calendário, rotinas e atividades respeitando
as diferenças quanto à atividade econômica dessas populações;
IV - valorizar e evidenciar os saberes e o papel dessas populações na
produção de conhecimentos sobre o mundo e sobre o ambiente natural;
Fundamentos e princípios da educação infantil.
Reconhecer que devemos partir da realidade de cada criança para que seja
inserida a práxis educativa para se alcançar melhores resultados ao ensino
aprendizagem.
V - prever a oferta de brinquedos e equipamentos que respeitem as
características ambientais e socioculturais da comunidade.
Art. 9º As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da
Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a
brincadeira, garantindo experiências que:
I - promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de
experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem
movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos
e desejos da criança;
II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o
progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão:
gestual, verbal, plástica, dramática e musical;
III - possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e
interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes
suportes e gêneros textuais orais e escritos;
IV - recriem, em contextos significativos para as crianças, relações
quantitativas, medidas, formas e orientações espaço temporais;
V - ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades
individuais e coletivas;
VI - possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração
da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-
organização, saúde e bem-estar;
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VII - possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos
culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades no
diálogo e reconhecimento da diversidade;
VIII - incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o
questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação
ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza;
IX - promovam o relacionamento e a interação das crianças com
diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema,
fotografia, dança teatro, poesia e literatura;
X - promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da
biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não
desperdício dos recursos naturais; Fundamentos e princípios da educação
infantil.
Os professores precisam o devido cuidado de escolher brincadeiras que
façam parte da realidade da criança e da comunidade pela qual estão inseridas e
que o brincar seja uma intervenção que possa levar o educando ao processo de
amadurecimento cognitivo e de suas relações sociais.
XI - propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das
manifestações e tradições culturais brasileiras;
XII - possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores,
máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.
Parágrafo único - As creches e pré-escolas, na elaboração da proposta
curricular, de acordo com suas características, identidade institucional,
escolhas coletivas e particularidades pedagógicas, estabelecerão modos
de integração dessas experiências.
Art. 10. As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos
para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do
desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou
classificação, garantindo:
I - a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e
interações das crianças no cotidiano;
II - utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças
(relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.);
III - a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação
de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos
pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil, transições no
interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição
pré-escola/Ensino Fundamental);
IV - documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho
da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e
aprendizagem da criança na Educação Infantil;
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V - a não retenção das crianças na Educação Infantil.
Art. 11. Na transição para o Ensino Fundamental a proposta pedagógica
deve prever formas para garantir a continuidade no processo de
aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as
especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão
trabalhados no Ensino Fundamental.
Art. 12. Cabe ao Ministério da Educação elaborar orientações para a
implementação dessas Diretrizes.
Art. 13. A presente Resolução entrará em vigor na data de sua publicação,
revogando-se as disposições em contrário, especialmente a Resolução.
CNE/CEB nº 1/99.
Partindo desse pressuposto, a Educação Infantil deve oferecer as crianças,
meios tais como: tecnologias, gravadores, projetores, dentre outros equipamentos
midiáticos que promovam uma melhor interação das crianças com o seu meio, para
que a práxis educativa seja estabelecida a todas.
Portanto, podemos dizer que a base da vida educacional de uma pessoa
começa em seus primeiros anos, precisamente falando, na Educação Infantil, onde
a ação criativa é adquirida e o estimulo a sua imaginação é desenvolvido.
Proporcionando ao individuo, a propagação de suas ideias, atribuindo boas
relações com o meio, habilidades e desenvolvimentos cognitivos.
CAPÍTULO II - A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS, DOS BRINQUEDOS E DAS
BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL.
É através dos jogos, brinquedos e brincadeiras que as crianças desvendam
o seu mundo. Sozinhas ou brincando em conjunto as mesmas fazem descobertas,
vivenciam novas experiências, e concebem suas emoções e percepção do mundo
de maneira espontânea. A brincadeira não é algo do mundo contemporâneo, no
entanto, faz parte de nossas vidas a mais tempo do que imaginamos e vem sendo
passada por gerações ao longo dos anos como herança cultural. Constatamos isso
ao analisarmos mais profundamente sobre a História, a Antropologia e Arqueologia.
Segundo o dicionário Aurélio (2003), podemos definir o que significa o
“brincar”. Vejamos:
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É “divertir-se, recrear-se, entreter-se, distrair-se, folgar", também pode ser
"entreter-se com jogos infantis", ou seja, brincar é algo muito presente nas nossas
vidas, ou pelo menos deveria ser. (P.155)
O ato de brincar acontece em determinados momentos do cotidiano infantil,
neste contexto, Oliveira (2000) aponta o ato de brincar, como sendo um processo
de humanização, no qual a criança aprende a conciliar a brincadeira de forma
efetiva, criando vínculos mais duradouros. Desse modo, aprende a comunicar-se
consigo mesma e com o mundo, ou seja, o desenvolvimento acontece através de
trocas recíprocas que se estabelecem durante toda sua vida. Sendo assim,
desenvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argumentar, de como
chegar a um consenso, reconhecendo o quanto isto é importante para dar início à
atividade em si.
Por este motivo ao sugerir um projeto para a Educação Infantil temos que
vê-la como uma especificidade, uma fase da vida que ganha contorno próprio e
preciso receber educação integral voltado para o desenvolvimento de todas as
suas potencialidades como ser humano em crescimento que necessita de atenção
espacial.
O brincar se torna importante no desenvolvimento da criança de maneira
que a ludicidade vai surgindo constantemente na vida da criança desde os mais
funcionais até os de regras. Estes são elementos elaborados que proporcionarão
experiências, possibilitando a conquista e a formação da sua identidade. Como
podemos perceber, os brinquedos e as brincadeiras são fontes abundantes de
interação lúdica e afetiva. Para uma aprendizagem eficaz é preciso que o aluno
construa o conhecimento e assimile os conteúdos. E o jogo é um excelente recurso
para facilitar a aprendizagem, neste sentido, Carvalho (1992, p.14) afirma que:
(...) desde muito cedo o jogo na vida da criança é de fundamental
importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que
está a sua volta, através de esforços físicos se mentais e sem se sentir
coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade, portanto, real
valor e atenção às atividades vivenciadas naquele instante.
Carvalho (1992, p.28) acrescenta, mais adiante:
(...) o ensino absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto
significativo e afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da
criança, já que ela se modifica de ato puramente transmissor a ato
transformador em ludicidade, denotando-se, portanto em jogo.
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As ações com o jogo devem ser criadas e recriadas, para que sejam sempre
uma nova descoberta e sempre se transformem em um novo jogo, em uma nova
forma de jogar. Quando a criança brinca, sem saber fornece várias informações a
seu respeito, no entanto, o brincar pode ser útil para estimular seu desenvolvimento
integral, tanto no ambiente familiar, quanto no ambiente escolar.
É brincando também que a criança aprende a respeitar regras, a ampliar o
seu relacionamento social e a respeitar a si mesmo e ao outro. Por meio da
ludicidade a criança começa a expressar-se com maior facilidade, ouvir, respeitar e
discordar de opiniões, exercendo sua liderança, e sendo liderados e
compartilhando sua alegria de brincar. Em contrapartida, em um ambiente sério e
sem motivações, os educandos acabam evitando expressar seus pensamentos e
sentimentos e realizar qualquer outra atitude com medo de serem constrangidos.
Zanluchi (2005, p.91) afirma que a criança brinca daquilo que vive; extrai sua
imaginação lúdica de seu dia-a-dia.
Portanto, as crianças, tendo a oportunidade de brincar, estarão mais
preparadas emocionalmente para controlar suas atitudes e emoções dentro do
contexto social, obtendo assim, melhores resultados gerais no desenrolar da sua
vida.
Entretanto, Vygotsky (1998) toma como ponto de partida a existência de
uma relação entre um determinado nível de desenvolvimento e a capacidade
potencial de aprendizagem. Defende a ideia de que, para verificar o nível de
desenvolvimento da criança, temos que determinar pelo menos, dois níveis de
desenvolvimento. O primeiro deles seria o nível de desenvolvimento efetivo, que se
faz através dos testes que estabelecem a idade mental, isto é, aqueles que a
criança é capaz de realizar por si mesma, já o segundo deles se constituiria na
área de desenvolvimento potencial, que se refere a tudo aquilo que a criança é
capaz de fazer com a ajuda dos demais, seja por imitação, demonstração, entre
outros. O que a criança pode fazer hoje com a ajuda dos adultos ou dos iguais
certamente fará amanhã sozinha. Assim, isso significa que se pode examinar, não
somente o que foi produzido por seu desenvolvimento, mas também o que se
produzira durante o processo de maturação.
20
Para Vygotsky, citado por Baquero (1998), a brincadeira e o jogo são
atividades específicas da infância, nas quais a criança recria a realidade usando
sistemas simbólicos. É uma atividade com contexto cultural e social. O autor relata
sobre a zona de desenvolvimento proximal que é a distância entre o nível atual de
desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver, independentemente,
um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da
resolução de um problema, sob a orientação de um adulto, ou de um companheiro
mais capaz.
Na visão de Vygotsky (1998) o jogo simbólico é como uma atividade típica
da infância e essencial ao desenvolvimento infantil, ocorrendo a partir da aquisição
da representação simbólica, impulsionada pela imitação. Desta maneira, o jogo
pode ser considerado uma atividade muito importante, pois através dele a criança
cria uma zona de desenvolvimento proximal, com funções que ainda não
amadureceram, mas que se encontram em processo de maturação, ou seja, o que
a criança irá alcançar em um futuro próximo. Aprendizado e desenvolvimento estão
inter-relacionados desde o primeiro dia de vida, é fácil concluir que o aprendizado
da criança começa muito antes de ela frequentar a escola. Todas as situações de
aprendizado que são interpretadas pelas crianças na escola já têm uma história
prévia, isto é, a criança já se deparou com algo relacionado do qual pode tirar
experiências.
Vygotsky (1998, p. 137) ainda afirma:
A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo
do significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no
pensamento e situações reais. Essas relações irão permear toda a
atividade lúdica da criança, serão também importantes indicadores do
desenvolvimento da mesma, influenciando sua forma de encarar o mundo
e suas ações futuras.
Santos (2002, p. 90) relata que:
(...) os jogos simbólicos, também chamados brincadeira simbólica ou faz
de conta, são jogos através dos quais a criança expressa capacidade de
representar dramaticamente. Assim, a criança experimenta diferentes
papéis e funções sociais generalizadas a partir da observação do mundo
dos adultos. Neste brincar a criança age em um mundo imaginário, regido
por regras semelhantes ao mundo adulto real, sendo a submissão às
regras de comportamento e normas sociais a razão do prazer que ela
experimenta no brincar.
21
De acordo com Vygotsky (1998), ao discutir o papel do brinquedo, refere-se
especificamente à brincadeira de faz de conta, como brincar de casinha, brincar de
escolinha, brincar com um cabo de vassoura como se fosse um cavalo. Faz
referência a outros tipos de brinquedo, mas a brincadeira faz de conta é
privilegiada em sua discussão sobre o papel do brinquedo no desenvolvimento. No
brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual, o
mesmo contém todas as tendências do desenvolvimento sob a forma condensada,
sendo ele mesmo uma grande fonte de desenvolvimento.
A criança se torna menos dependente da sua percepção e da situação que a
afeta de imediato, passando a dirigir seu comportamento também por meio do
significado dessa situação, Vygotsky (1998, p.127) relata que No brinquedo, no
entanto, os objetos perdem sua força determinadora. A criança vê um objeto, mas
age de maneira diferente em relação àquilo que vê. Assim, é alcançada uma
condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê. No
brincar, a criança consegue separar pensamento, ou seja, significado de uma
palavra de objetos, e a ação surge das ideias, não das coisas.
Segundo Craidy & Kaercher (2001) Vygotsky relata novamente que quando
uma criança coloca várias cadeiras uma através da outra e diz que é um trem,
percebe-se que ela já é capaz de simbolizar, esta capacidade representa um passo
importante para o desenvolvimento do pensamento da criança. Brincando, a
criança exercita suas potencialidades e se desenvolve, pois há todo um desafio,
contido nas situações lúdicas, que provoca o pensamento e leva as crianças a
alcançarem níveis de desenvolvimento que só às ações por motivações essenciais
conseguem. Elas passam a agir e esforça-se sem sentir cansaço, não ficam
estressadas porque estão livres de cobranças, avançam, ousam, descobrem,
realizam com alegria, sentindo-se mais capazes e, portanto, mais confiantes em si
mesmas e predispostas a aprender.
Conforme afirma Oliveira (2000, p. 19):
O brincar, por ser uma atividade livre que não inibe a fantasia, favorece o
fortalecimento da autonomia da criança e contribui para a não formação e
até quebra de estruturas defensivas. Ao brincar de que é a mãe da
boneca, por exemplo, a menina não apenas imita e se identifica com a
22
figura materna, mas realmente vive intensamente a situação de poder
gerar filhos, e de ser uma mãe boa, forte e confiável.
Nesse caso, a brincadeira favorece o desenvolvimento individual da criança,
ajuda a internalizar as normas sociais e a assumir comportamentos mais
avançados que aqueles vivenciados no cotidiano, aprofundando o seu
conhecimento sobre as dimensões da vida social.
Segundo Vygotsky, Luria & Leontiev (1998, p. 125) O brinquedo “(...) surge a
partir de sua necessidade de agir em relação não apenas ao mundo mais amplo
dos adultos.”, entretanto, a ação passa a ser guiada pela maneira como a criança
observa os outros agirem ou de como lhe disseram, e assim por diante. À medida
que cresce, sustentada pelas imagens mentais que já se formou, a criança utiliza-
se do jogo simbólico para criar significados para objetos e espaços.
Assim, seguindo este estudo os processos de desenvolvimento infantil
apontam que o brincar é um importante processo psicológico, fonte de
desenvolvimento e aprendizagem. De acordo com Vygotsky (1998), um dos
principais representantes dessa visão, o brincar é uma atividade humana criadora,
na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas formas
de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e/ou adultos. Tal
concepção se afasta da visão predominante da brincadeira como atividade restrita
à assimilação de códigos e papéis sociais e culturais, cuja função principal seria
facilitar o processo de socialização da criança e a sua integração à sociedade.
Segundo Borba (2007),a educação também deve acompanhar observar e
apoiar atentamente as crianças nas suas brincadeiras. Assim o educador poderá
ampliar e enriquecer as possibilidades de ação lúdica ao trabalhar. (p. 13-14),
Refletindo sobre o seu próprio posicionamento profissional e conhecendo o
desenvolvimento infantil, os professores devem estar preparados para receber as
crianças com carinho e atenção.
De acordo com Tiriba (2007) em sua entrevista a Revista criança do
professor de educação infantil pela qual se inspira na filosofia de Espinosa nos faz
compreender que os espaços da Educação Infantil devem ser alegres,
aconchegantes e acolhedores de forma a apoiar os movimentos e as relações
23
sociais da criança incentivando sua autoria e autonomia na formação de grupos e
construção de suas brincadeiras.
Os professores devem desenvolver atividades lúdicas de maneira recreativa
e prazerosa que favoreça a capacidade da criança imaginar e de criar diferentes
fantasias.
Ainda segundo Borba (2007, p. 14),
A incorporação da dimensão lúdica no trabalho com os conhecimentos das
várias áreas, contribui para que as crianças estabeleçam associações e
significações que ampliam suas possibilidades de aprendizagem. A
incorporação do lúdico em sala facilita o interesse das crianças pelas
atividades propostas.
De acordo com a LDB a Educação Infantil é um direito garantido desde a
infância e quando os pais e a escola se unem em prol dessa ideia, há maior
possibilidade de garantir um ensino de qualidade.
Partindo desse pressuposto, segundo Guimarães:
O brincar, tanto para criança como para os educadores, constitui uma
atividade humana promotora de muitas aprendizagens e experiências de
cultura. É parte integrante do processo educativo, devendo ser
incentivada, garantida e enriquecida. O brincar, tanto para criança como
para os educadores, constitui uma atividade humana promotora de muitas
aprendizagens e experiências de cultura. É parte integrante do processo
educativo, devendo ser incentivada, garantida e enriquecida. É também
canal de encontro e de dialogo entre adultos e crianças, dialogo que se faz
com encantamento, alegria, criatividade, imaginação, transgressão,
participação e cooperação. Que tal aprender com as crianças a inverter a
ordem, a rir, a representar, a sonhar e a imaginar (2006, p. 12).
Portanto, brincar é algo magnífico, pelo qual, possibilita professor e aluno a
se aproximarem mais nas aulas, proporciona comunicação entre ambos, permitindo
ao educador espaço mais amplo de inserir a metodologia de ensino a classe.
Nesse âmbito, não é somente alunos que aprendem, mas o docente ao se integrar
as crianças e as brincadeiras, ele também aprende ao ensinar. Assim como Paulo
Freire:
Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender [...]
Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente
que, historicamente mulheres e homens descobriram que era possível
ensinar [...] Aprender precedeu ensinar ou, em outras palavras, ensinar se
diluía na experiência realmente fundante de aprender (1996, p.23-24).
Sendo assim, podemos dizer que o jogo, a brincadeira e o brincar, podem
levar o educando a se sentir mais a vontade para aprender, obtendo melhores
24
resultados nas aulas e aproxima o educador de seus alunos. Nesse aspecto,
ambos aprendem, pois passam experiências, ideias, emoções e inspira
crescimento educacional para os dois lados, tanto professor quanto aluno. No
docente, a brincadeira o inspira em buscar, se integrar, se especializar para
oferecer o melhor para os educandos. Já aos alunados, o brincar viabiliza o
desenvolvimento do indivíduo autônomo, pensante e de suas habilidades.
Durante muito tempo confundiu-se ensinar com transmitir e, nesse contexto,
o aluno era um agente passivo da aprendizagem e o professor um transmissor.
Porém essa ideia tem ganhado outro sentido, onde ambos aprendem juntos, pois
professor ao ensinar aprende juntamente com seus alunos. Seu interesse passou a
ser a força que comanda o processo da aprendizagem, suas experiências e
descobertas, o motor de seu progresso e o professor um gerador de situações
estimuladoras e eficazes, pelo qual se mistura nessa ênfase educacional.
Professor e alunado devem caminhar juntos nesse contexto, permitindo que
todo o espaço lúdico seja preenchido dentro dessa perspectiva sem ultrapassar os
limites de cada criança e que isso nunca seja uma obrigação, mas um momento de
prazer, troca e confiança entre ambos. Assim como Huizinga 1971, apud
MORATORI, as características fundamentais do jogo são: ser uma atividade livre;
não ser vida "corrente" nem vida "real", mas antes possibilitar uma evasão para
uma esfera temporária de atividade com orientação própria; ser "jogado até o fim"
dentro de certos limites de tempo e espaço, possuindo um caminho e um sentido
próprios; criar ordem e ser a ordem, uma vez que quando há a menor
desobediência a esta, o jogo acaba. Todo jogador deve respeitar e observar as
regras, caso contrário ele é excluído do jogo (apreensão das noções de limites);
permitir repetir tantas vezes quantas for necessário, dando assim oportunidade, em
qualquer instante, de análise de resultados; ser permanentemente dinâmico.
Em uma abordagem mais psico cognitiva, Passerino (1998) descreve:
Capacidade de absorver o participante de maneira intensa e total (clima de
entusiasmo, sentimento de exaltação e tensão seguida por um estado de
alegria e distensão). Envolvimento emocional; Atmosfera de
espontaneidade e criatividade; Limitação de tempo: o jogo tem um estado
inicial, um meio e um fim; isto é, tem um caráter dinâmico; Possibilidade
de repetição; Limitação do espaço: o espaço reservado seja qual for à
forma que assuma é como um mundo temporário e fantástico; Existência
de regras: cada jogo se processa de acordo com certas regras que
determinam o que "vale" ou não dentro do mundo imaginário do jogo. O
que auxilia no processo de integração social das crianças; Estimulação da
imaginação e autoafirmação e autonomia.
25
As duas abordagens se complementam, identificando os principais fatores
pertinentes ao estudo de jogos em um contexto geral.
CAPITULO III – A RELAÇÃO DO PROFESSOR E DO ALUNO NO CONTEXTO
ESCOLAR
A educação infantil como já observamos nos capítulos anteriores, é de suma
importância para as crianças, pois é a partir dela que os pequeninos obtêm a base
educacional pela qual se propagará ao longo de sua trajetória acadêmica.
Partindo dessa ideia, precisamos sempre como profissionais da educação,
olhar para nós mesmos e levantar questões pelas quais servirão como uma
autoanalise se estamos trabalhando de maneira correta. Precisamos nos perguntar
cotidianamente o seguinte: Será que tenho feito um bom trabalho? A que fins estão
sendo propostas as brincadeiras? A quem estão servindo? Como elas estão sendo
apresentadas? O que queremos é uma animação, um relaxamento ou uma relação
de proximidade cultural e humana? Como estamos agindo diante das crianças?
Elas são ouvidas? Será que estou conseguindo atingir meus objetivos? Como tem
sido a reação da turma mediante a execução das brincadeiras dentro dessa
proposta lúdica? Eles gostam? Se sentem bem? Participam das aulas? Eles
aprendem?
Desse modo, devemos ter o olhar abrangente sobre as questões das aulas,
estar sempre atentos aos alunos, observando suas reações.
Mediante as minhas concepções, acredito que a proposta pedagógica em
sala deve ser baseada de acordo com cada idade e vivência das crianças.
Contribuir para um espaço lúdico que permita ao educando se expandir nas
relações interpessoais e espaciais, os dando a sensação de bem estar e liberdade.
A ludicidade permite a saída do alienamento, quando o individuo perde a sua
capacidade de pensar ou agir por si próprios. Os indivíduos alienados não têm
interesse em ouvir opiniões alheias, e apenas se preocupam com o que lhe
interessa, por isso são pessoas alienadas. Em psicologia, o termo "alienação"
26
designa os conteúdos reprimidos da consciência e também os estados de
despersonalização em que o sentimento e a consciência da realidade se
encontram fortemente diminuído. Nesse caso, o lúdico poderá amenizar a situação
quando estiverem unidos à escola, ao professor, ao profissional psicopedagógico,
psicológico e neurológico.
Assim como Marx (1983) nos relata:
A alienação humana está no fato de haver no processo de produção uma
relação que impede e constrange a realização do trabalho como
“objetivação”, ou seja, como realização da natureza humana.
O lúdico além de cooperar para um espaço satisfatório e produtivo pode
ajudar o indivíduo a se expressar e comunicar-se com os demais, permitindo o seu
desenvolvimento no relacionamento com as pessoas em sua volta. Assim como, no
caso da educação infantil, relacionar-se com seu professor durante a transmissão
do ensino aprendizagem, dirigindo as aulas e as tornando mais participativas, num
contexto pelo qual o professor não é o único que se expressa, mas aluno também
tem direito e voz. Interagindo uns com os outros tornando o ambiente escolar um
lugar de comunicação resultando uma educação de qualidade.
É muito importante aprender com alegria, com vontade. Comenta Sneyders
(1996, p.36) que:
Educar é ir em direção à alegria. As técnicas lúdicas fazem com que a
criança aprenda com prazer, alegria e entretenimento, sendo relevante
ressaltar que a educação lúdica está distante da concepção ingênua de
passatempo, brincadeira vulgar, diversão superficial.
Nós os profissionais da educação, podemos observar se estamos
percorrendo o caminho correto, desde que os alunos consigam absorver os
conteúdos programáticos, se estão participando, se estão construindo vínculos nas
relações com o meio pelo qual estão inseridas, se as crianças além de aprenderem
estão felizes exercendo a capacidade de pensar logicamente num processo de
desenvolvimento, modificando a si próprias, tornando-as mais hábeis, autônomas e
participantes não só das aulas em sala, mas também de todas as áreas da vida, ou
seja, as emocionais, sociais e familiares.
27
Acredito que, desde o momento que uma criança aprende a pensar, abre-se
um horizonte mediante a ela, que dificilmente se romperá durante ao longo de sua
vida. Por isso, a Educação Infantil é a base de toda modalidade, pois a partir da
mesma que as futuras formações e sucessos acadêmicos darão continuidade.
Segundo Piaget, podemos exemplificar um pouco. Vejamos:
A primeira meta da educação é criar homens capazes de fazer coisas novas;
homens que sejam criadores, inventores, descobridores.
Assim, é o lúdico, pois inserido à Educação Infantil, que a principal função é
gerar alunos que consigam ser únicos, que criam e não copiam. Mas, que andam
num processo de desenvolvimento, que inovam e transformam o meio pelo qual
está inserido.
Como Bruna Bichara cita Piaget (1896-1980) em seu artigo. Vejamos:
O professor é o desafiador da criança, ele cria dificuldades e problemas. Em
escolas com essa fundamentação, a pré-escola não é um passatempo, e sim, um
espaço que permite a diversificação e ampliação das experiências das crianças,
promovendo a sua autonomia.
Portanto, podemos dizer que a ludicidade é realmente importante na
Educação Infantil, pois além de propiciar desenvolvimento nas aulas, no cognitivo e
na vida social, também pode auxiliar a criança em seu desenvolvimento motor. E,
dependendo da brincadeira e sua função pode ensiná-la os movimentos de direita
e esquerda, denotando noção de espaço, num processo de desenvolvimento da
lateralidade, psicomotor e suas habilidades.
O lúdico é um método pelo qual auxilia o ser humano em seu processo de
evolução, assim como já vimos anteriormente, pois uma criança que não brinca,
quando crescer, será um adulto que em algumas vezes, não saberá resolver
problemas. Assim como Chateau (1987) nos exemplifica:
Uma criança que não sabe brincar, uma miniatura de velho, será um adulto
que não saberá pensar. (p.14)
28
Por essa razão o lúdico não é valioso somente para a educação como
método de ensino. No entanto, é de grande valia para a formação do individuo
pensante, racional e ditador de suas ideias.
Devido o caráter sócio-histórico de Vygotsky (1984) o qual aponta a
brincadeira como uma atividade dominante na infância, que através dela a criança
expressa sua imaginação, conhece seu corpo e cria suas regras.
Quando o professor apresenta o lúdico numa visão pedagógica ao aluno,
apresenta a ele as chances de obter o domínio sobre as questões da vida,
adquirindo habilidades para resolver problemas, pelo qual, a mesma aprende ao se
encarar com os tais quando está brincando com as outras crianças ao executar
uma tarefa em sala. Acredito que é essencial que o professor proponha desafios
para as crianças buscarem as soluções referentes ao que está lhe sendo imposto
no momento das brincadeiras. Sejam elas: Brincar em conjunto com o mesmo
brinquedo, ensinando ao alunado a dividir e compartilhar, devolver o brinquedo
para o educador ao terminar o jogo, dentre outras. Desse modo, estaremos
construindo possibilidade de serem adultos que saibam sair de problemas pelos
quais a vida lhes impor. Este consenso e adversidades durante o jogo ensinará a
criança a lidar com as dificuldades do dia a dia e a conviver com as diferenças das
pessoas, e acima de tudo, saberão respeitá-las.
O papel do docente é de mediador sobre essa questão e deve apenas
coordenar as brincadeiras.
Por fim, a Educação Infantil é o alicerce da educação, as ferramentas
utilizadas para se passar a práxis educativa e manter as aulas atuais. Afinal, é
dever de todo educador, e é direito de toda a criança aprender de forma concreta e
atual.
Acredito numa educação de qualidade e igualitária. E nós os profissionais da
Educação devem sempre fazer a nossa parte com amor, respeito e
responsabilidade.
29
CONCLUSÃO
No transcorrer deste trabalho acadêmico procurei me remeter a reflexões
sobre a importância das atividades lúdicas na educação infantil, tendo respaldo de
autores renomados da educação que me auxiliou ao longo do mesmo, tornando
possível desvelar que a ludicidade é de extrema relevância para o desenvolvimento
integral da criança, pois para ela brincar é viver.
É relevante mencionar que o brincar que no ensino aprendizagem precisa
estar num constante quadro de inquietações e reflexões dos educadores que o
compõem.
Também é importante ressaltar que só é possível reconhecer uma criança
se nela o educador reconhecer um pouco da criança que foi e que, de certa forma,
ainda existe em si. Assim, será possível ao educador redescobrir e reconstruir em
si mesmo o gosto pelo fazer lúdico, buscando em suas experiências, remotas ou
não, brincadeiras de infância e de adolescência que possam contribuir para uma
aprendizagem lúdica, prazerosa e significativa.
O lúdico proporciona um desenvolvimento sadio e harmonioso. Ao brincar, a
criança aumenta a independência, estimula sua sensibilidade visual e auditiva,
valoriza a cultura popular, desenvolve habilidades motoras, diminui a
agressividade, exercita a imaginação e a criatividade, aprimora a inteligência
emocional, aumenta a integração, promovendo, assim, o desenvolvimento sadio, o
crescimento mental e a adaptação social.
30
O estudo permitiu compreender que o lúdico é significativo para a criança
poder conhecer, compreender e construir seus conhecimentos, tornar-se cidadã
deste mundo, ser capaz de exercer sua cidadania com dignidade e competência.
Sua contribuição também atenta para a formação de cidadãos autônomos, capazes
de pensar por conta própria, sabendo resolver problemas e compreendendo um
mundo que exige diferentes conhecimentos e habilidades.
Cabe ressaltar que, uma atitude lúdica não é somente a somatória de
atividades, é antes de tudo, uma maneira de ser, de estar, de pensar e de encarar
a escola, bem como de relacionar-se com os alunos. É preciso saber entrar no
mundo da criança, no seu sonho, no seu jogo e, a partir daí, jogar com ela. Quanto
mais espaço lúdico proporcionarmos, mais alegre, espontânea, criativa, autônoma
e afetiva ela será.
Propomos, entretanto, aos educadores infantis, transformar o brincar em
trabalho pedagógico para que experimentem, como mediadores, o verdadeiro
significado da aprendizagem com desejo e prazer.
As atividades lúdicas estão gravemente ameaçadas em nossa sociedade
pelos interesses e ideologias de classes dominantes.
Portanto, cabe à escola e a nós educadores, recuperarmos a ludicidade
infantil de nossos alunos, ajudando-os a encontrar um sentido para suas vidas. Ao
brincar, não se aprendem somente conteúdos escolares; aprende-se algo sobre a
vida e a constante peleja que nela travamos.
Por fim, que o professor assuma o papel de mediador de um currículo que
privilegie as condições facilitadoras de aprendizagens que a ludicidade contém nos
seus diversos domínios. Sejam eles: afetivo, social, perceptivo-motor e cognitivo. E
que todos possam crescer juntos nessa perspectiva, tanto professor e aluno.
31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BICHARA, Bruna. Ler não é decifrar, escrever não é copiar. Disponível em:
[Link] em Acessado no dia 28 de outubro de20
13.
BORBA, Ângela Meyer. O Brincar como um Ser e Estar no Mundo. In: MEC revista
criança. São Paulo, 2007.
BRASIL, Referenciais para formação de professores, Brasília, MEC / SEF, 1999.
BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, MEC / SEF, 1998
BRASIL, Lei de Diretrizes e Base de Educação Nacional N° 9394. Brasília, 20 de
dezembro de 1996.
DEMO, Pedro. Formação Permanente de Professores: educar pela pesquisa. In
MENEZES, L.C. (org) Professores: Formação e Profissão. Campinas, S.P: Autores
Associados, 1996.