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Farmacocinética da Dexametasona

A dexametasona é um glicocorticoide sintético utilizado como anti-inflamatório e imunossupressor, com rápida absorção e longa meia-vida tecidual. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da produção de mediadores inflamatórios e a modulação da resposta imune, apresentando efeitos colaterais frequentes e raros. É indicada para diversas condições clínicas, incluindo alergias, doenças reumáticas e complicações de COVID-19, mas possui contraindicações e requer cautela em certos pacientes.

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Farmacocinética da Dexametasona

A dexametasona é um glicocorticoide sintético utilizado como anti-inflamatório e imunossupressor, com rápida absorção e longa meia-vida tecidual. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da produção de mediadores inflamatórios e a modulação da resposta imune, apresentando efeitos colaterais frequentes e raros. É indicada para diversas condições clínicas, incluindo alergias, doenças reumáticas e complicações de COVID-19, mas possui contraindicações e requer cautela em certos pacientes.

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DEXAMETHASONE- DEXAMETASONA

DEFINIÇÃO:
São glicocorticoides sintéticos usados como agentes anti-inflamatórios ou
imunossupressores.

Farmacocinética:
 Mecanismos de absorção, distribuição, metabolismo (vias
principais), excreção e meia-vida:
o A dexametasona é rapidamente absorvida no trato
gastrointestinal.
o A dexametasona está disponível como formas de dosagem
oral, parenteral e tópica oftálmica e intraocular.
o Possui alta ligação a proteínas plasmáticas, variando de 65% a
90%.
o Sofre biotransformação primariamente hepática e parcialmente
pulmonar.
o A excreção ocorre principalmente por via renal, através de
metabólitos inativos. Uma pequena quantidade pode ser
excretada no leite materno.
o A meia-vida plasmática é de 3 a 4,5 horas, enquanto a meia-
vida tecidual (biológica) é mais longa, variando de 36 a 54
horas, o que a classifica como um corticoide de ação lenta.
Quase todos os metabólitos são excretados em até 72 horas.
 Discussão de fatores que alteram a farmacocinética:
o Interações medicamentosas: Alguns medicamentos, como
fenitoína, fenobarbital e rifampicina, podem diminuir a eficácia
da dexametasona ao induzir enzimas hepáticas que aceleram
seu metabolismo. Outras interações podem aumentar o risco
de sangramento (com varfarina) ou diminuir o efeito de
anticoagulantes.
o Condições fisiopatológicas: Em pacientes com insuficiência
renal severa, a dose de metoclopramida (usada como exemplo
de ajuste de dose em ClinicalKey) deve ser reduzida, o que
sugere que a função renal comprometida pode afetar a
eliminação de outros fármacos, incluindo corticosteroides.
Embora não explicitamente mencionado para dexametasona, é
uma consideração geral em farmacocinética.
o Idade: Em crianças, o metabolismo e a excreção de
corticosteroides podem ser diferentes dos adultos, exigindo
ajustes de dose. Em idosos, alterações na função hepática e
renal podem influenciar a farmacocinética da dexametasona.
o Variações individuais: A resposta e o metabolismo dos
medicamentos podem variar significativamente entre os
indivíduos devido a fatores genéticos e outras diferenças
fisiológicas.

Farmacodinâmica:

 Apresentar a estrutura química do fármaco: A dexametasona


(9α-fluoro-16α-metilprednisolona) é um potente corticosteroide
sintético com um átomo de flúor na posição 9α e um grupo metil no
anel ciclopentano, modificações que aumentam sua potência
glicocorticoide e a duração de ação em comparação com outros
esteroides.

 Mecanismo de ação no nível molecular e sistêmico:


o A dexametasona é um glicocorticoide que se liga a receptores
glicocorticoides (GRs) intracelulares. Esse complexo fármaco-
receptor transloca para o núcleo, onde se liga a sequências
específicas de DNA, alterando a transcrição de genes.
o No nível molecular, a dexametasona inibe a fosfolipase A2,
bloqueando a cascata do ácido araquidônico e,
consequentemente, a produção de prostaglandinas,
tromboxanos e leucotrienos, mediadores da inflamação e da
resposta imune.
o Sistemicamente, possui potente ação anti-inflamatória e
imunossupressora. Reduz a migração e adesão de leucócitos,
diminuindo a liberação de citocinas no local da inflamação.
o A dexametasona tem mínimos efeitos mineralocorticoides, o
que a diferencia de outros corticosteroides. Possui efeitos
metabólicos, como estimular a gliconeogênese e glicogênese
hepática, podendo levar à hiperglicemia, além de promover
lipólise e inibir ácidos graxos de cadeia longa. Pode diminuir a
absorção de cálcio e aumentar a atividade osteoclástica.

 Relação dose-resposta e seletividade do fármaco:


o A dexametasona apresenta uma relação dose-resposta onde o
aumento da dose geralmente leva a um efeito farmacológico
maior, tanto terapêutico quanto adverso.
o É um glicocorticoide potente, com atividade anti-inflamatória
significativa mesmo em doses baixas. 1 mg de dexametasona
oral tem atividade glicocorticoide equivalente a
aproximadamente 8 mg de prednisolona ou 25 mg de
hidrocortisona.
o A seletividade da dexametasona é mais pronunciada para os
receptores glicocorticoides (GRs) em relação aos receptores
mineralocorticoides (MRs), o que resulta em menos efeitos
colaterais relacionados à retenção de sódio e água em
comparação com outros corticosteroides.

Reações adversas e interações medicamentosas:


 Identificar reações adversas frequentes e raras:
o Frequentes: Agitação, aumento do apetite, náusea, mal-estar,
soluços, insônia, retenção de líquidos, hipertensão, aumento de
peso, alterações do humor, face em lua cheia, redistribuição da
gordura corporal (obesidade troncular, corcova de búfalo),
aumento do crescimento de pelos finos, acne.
o Raras: Alteração da visão, alucinação, bradicardia, boca seca,
cãibra muscular, constipação, diarreia, dor abdominal,
disgeusia, dispepsia, disúria, dor na perna, edema facial,
cardiomiopatia, ruptura do miocárdio (após infarto recente),
tromboembolia, diminuição da contagem de linfócitos,
contagem anormal de monócitos, hipersensibilidade. O uso
prolongado pode levar a atrofia adrenal, síndrome de Cushing,
sangramento gastrointestinal, úlcera péptica, pancreatite,
atrofia cutânea, estrias violáceas, catarata, glaucoma,
hiperglicemia e retardo na cicatrização. A interrupção abrupta
após terapia prolongada pode causar sintomas de
dependência, como febre, dor muscular e nas articulações.
 Explorar interações medicamentosas com base em casos
clínicos:
o Anticoagulantes cumarínicos (varfarina): A dexametasona
pode aumentar ou diminuir o efeito anticoagulante, elevando o
risco de sangramento ou trombose, exigindo monitorização
cuidadosa do INR.
o Fenitoína, fenobarbital, rifampicina: Indutores enzimáticos
podem aumentar o metabolismo da dexametasona, reduzindo
sua eficácia terapêutica, sendo necessário ajustar a dose do
corticosteroide.
o Ácido acetilsalicílico (AAS): Pode haver diminuição da
eficácia da dexametasona e aumento do risco de sangramento
gastrointestinal, especialmente em pacientes com
hipoprotrombinemia.
o Vacinas de vírus vivo: A administração concomitante é
contraindicada devido ao risco de disseminação da infecção
viral.
o Diuréticos depletores de potássio (tiazídicos,
furosemida): A dexametasona pode aumentar a perda de
potássio, elevando o risco de hipocalemia.
o Antidiabéticos (insulina, hipoglicemiantes orais): A
dexametasona pode causar hiperglicemia,necessitando ajustes
na dose dos antidiabéticos.
Aplicações clínicas:
 Indicações terapêuticas aprovadas: A dexametasona é utilizada
como anti-inflamatório e imunossupressor em uma ampla variedade
de condições, incluindo:
o Alergopatias: Rinite alérgica sazonal ou perene, asma
brônquica, dermatite de contato, dermatite atópica, doença do
soro, reações de hipersensibilidade a medicamentos.
o Doenças reumáticas: Artrite reumatoide, espondilite
anquilosante, artrose (para alívio sintomático).
o Doenças endócrinas: Hiperplasia adrenal congênita.

o Doenças hematológicas: Algumas formas de anemia


hemolítica autoimune, púrpura trombocitopênica idiopática.
o Doenças neurológicas: Edema cerebral associado a tumores
cerebrais primários ou metastáticos, controle do edema
cerebral pós-cirúrgico.
o Doenças oftalmológicas: Algumas condições inflamatórias
oculares (uso tópico ou sistêmico).
o Doenças respiratórias: Exacerbações agudas de asma,
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
o Outras condições: Náuseas e vômitos induzidos por
quimioterapia, tratamento paliativo em algumas neoplasias.
Recentemente, demonstrou benefício na redução da
mortalidade em pacientes graves com COVID-19 sob ventilação
mecânica ou suporte de oxigênio.
 Uso off-label (se houver) e contraindicações:
o Uso off-label: Em algumas situações clínicas específicas, a
dexametasona pode ser utilizada fora das indicações
aprovadas, a critério médico, baseado em evidências
científicas e experiência clínica. Tais como: síndrome do
desconforto respiratório agudo, amiloidose, bronquiolite,
doença pulmonar crônica, Síndrome de Churg-Strauss, COVID-
19, doença do olho seco, Síndrome de HELLP, Infertilidade,
Profilaxia devômitos, Profilaxia de edema de laringe, Doença de
Ménière, Meningite.
o Contraindicações: Hipersensibilidade à dexametasona ou a
sulfitos (em algumas formulações), nutrizes (amamentação),
infecções fúngicas sistêmicas, administração de vacinas de
vírus vivo, glaucoma, ceratite epitelial por vírus herpes
simples, varicela, varíola, ruptura da cápsula posterior do
cristalino ocular, perfuração da membrana timpânica.
PRECAUÇÃO: Deve ser usada com cautela em pacientes com
úlcera péptica, doenças cardíacas ou hipertensão com
insuficiência cardíaca, certas doenças infecciosas (varicela,
tuberculose), psicose, diabetes, osteoporose ou glaucoma.
OBS: Na GRAVIDEZ: Não existem estudos adequados e bem
controlados sobre o uso de dexametasona em gestantes;
portanto, os fabricantes recomendam que o medicamento seja
usado durante a gravidez somente se o benefício potencial
para a mãe superar o risco potencial para o feto.

 Comparação com fármacos similares no mercado:


o A dexametasona pertence à classe dos corticosteroides, que
inclui outros fármacos como prednisolona, prednisona,
metilprednisolona, hidrocortisona e betametasona.
o Potência: A dexametasona é um dos corticosteroides mais
potentes em termos de atividade glicocorticoide e possui
mínima atividade mineralocorticoide.
o Duração de ação: Possui uma meia-vida biológica mais longa
em comparação com corticosteroides de ação curta
(hidrocortisona) ou intermediária (prednisona, prednisolona).
o Efeitos colaterais: Embora todos os corticosteroides
compartilhem potenciais efeitos colaterais, a menor atividade
mineralocorticoide da dexametasona pode resultar em menos
problemas relacionados à retenção de líquidos e eletrólitos em
comparação com alguns outros corticosteroides. A escolha do
corticosteroide depende da condição clínica, da potência
desejada, da duração de ação necessária e do perfil de efeitos
colaterais.

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