Inari Jinja
Nascido na vila de Zaō, Inari Jinja, filho único, cresceu muito próximo de raposas
(o que é bem conveniente, considerando o seu nome, vindo por homenagem ao Deus das
Raposas). Seu pai, um lenhador, Takeru Jinja, protegia Inari Jinja das raposas que
rodeavam a vila, com medo do garoto ser atacado ou algo do tipo, o trancando em
casa enquanto ia trabalhar, mas Inari sempre achava um jeito de fugir de casa para
poder brincar ao ar livre. Takeru e Inari viviam bem distante de outros moradores
da vila, fazendo com que Inari não conhecesse outras pessoas além de seu pai.
Takeru nunca falou muito sobre a mãe de Inari, impedindo o seu filho de descobrir
qualquer coisa sobre sua mãe. Inari demorou para aprender a falar, soltando suas
primeiras palavras aos 6 anos. Antes de soltar suas primeiras palavras, Inari fugia
de casa escondido para brincar, e acaba encontrando raposas aos arredores. Não
demorou muito para Inari começar a copiar as atitudes das raposas, andando em
"quatro patas" e rosnando entre as árvores. Sempre que Takeru voltava para perto de
casa e via Inari correndo com as raposas, ele sempre lhe dava bronca e, novamente,
o prendia dentro de casa. Isso fez com que a primeira palavra de Inari fosse
"raposa".
Aos 8 anos, Inari já havia se enturmado com as raposas. Foi aí que Inari começou a
seguir as raposas para mais longe de casa, onde acabava se deparando com os
moradores do centro da vila de Zaō. Os moradores da vila tratavam Inari com
carinho, o tratando como as outras raposas que rodeavam a vila, achando engraçado o
jeito que o garoto andava e corria pela vila (era de quatro). Não demorou muito até
eles perceberem que o garoto era filho do lenhador distante, Takeru Jinja. Inari
sabia poucas palavras, e na maior parte das vezes, rosnava para os outros. Inari
sempre voltava pra casa antes de seu pai voltar da floresta, para que seu pai não
suspeitasse de seu desaparecimento. Inari ia todos os dias para a vila, correr com
as raposas e visitar alguns moradores que o tratavam bem. Inari se sentia uma
raposa de verdade. Com suas roupas, na maior parte das vezes, imundas ou rasgadas,
os moradores lhe davam pão e roupas novas para o garoto. Um dos moradores até lhe
deu um casaco de couro, já que o inverno em Zaō atingiam temperaturas baixíssimas.
Certo dia, enquanto Inari corria pela vila junto com os seus amigos, as raposas, o
garoto encontrou uma bola murcha de futebol, que sempre era vista sendo chutada
pelas outras crianças da vila. Inari tinha medo de se enturmar com as outras
crianças, mas sempre teve vontade de pelo menos sentir aquela bola sendo chutada
pelos seus pezinhos. Quando viu a bola largada em um canto da vila, Inari correu,
abandonando as raposas, e começou a inspecionar a bola. Inari até cheirou, imitando
as atitudes de seus amigos, e quando viu que não havia nenhuma ameaça, Inari
começou a chutar a bola. De primeira, os chutes eram fracos e frágeis. A bola nunca
ia longe (além dele ser meio fraco, a bola também estava um pouco murcha). Inari
continuou chutando a bola por alguns minutos, e rapidamente foi descobrindo como
chutar a bola forte o bastante para fazer com que ela fosse para longe. Ele passava
pelos moradores da vila, correndo de quatro, e chutava a bola novamente. Ele estava
rapidamente aprendendo a manter a bola perto de si, sem isolá-la. Quando viu que o
Sol já estava se pondo, Inari pegou a bola nas mãos e foi correndo para casa antes
que seu pai visse que o garoto não estava mais em seu quarto.
O garoto escondeu a bola em baixo de sua cama por alguns anos, sempre praticando
sozinho enquanto seu pai estava fora. Inari nem sabia para o que aquela bola
servia, ele apenas chutava de lá pra cá. Aos 12 anos, Inari já estava com um
vocabulário mais apurado, e continuava correndo junto com as raposas. Aos poucos,
as raposas foram aprendendo a brincar com Inari usando a bola, e então, o garoto e
seus amigos ficavam correndo atrás da bola dia após dia. Certo dia, Inari chutou a
bola longe demais, a isolando em direção ao centro da vila. Inari correu, ainda de
quatro, em direção a vila, e viu aqueles garotos que, a muitos anos atrás brincavam
com a bola murcha de futebol, brincando com uma bola mais redonda e mais limpa do
que a bola de Inari. O garoto se apaixonou pela bola nova, e um instinto animal o
dominou, fazendo com que ele corresse em direção aos garotos brincando com a bola.
Os garotos brincavam em um campo de futebol improvisado. Inari se aproximou dos
garotos, e em uma voz frágil, com um vocabulário primitivo, perguntou o que os
garotos estavam fazendo. Um garoto mais parrudo, bem mais alto do que os outros,
respondeu:
"Futebol. Quer jogar com a gente?"
Inari cerrou os olhos e coçou a cabeça. O que seria "futebol"? Seria isso alguma
brincadeira inventada pelos garotos? Inari perguntou o que seria isso, e os outros
garotos, que no total, eram 5, riram. Eles achavam que Inari estava brincando.
Inari, inocentemente, perguntou novamente o que era futebol. Os garotos perceberam
que Inari não estava brincando, e explicaram para o menino o que era esse jogo.
Inari aos poucos foi aprendendo, e depois de alguns minutos de "aula", os garotos
finalmente o chamaram para jogar. O garoto mais parrudo se apresentou. Seu nome era
Yuto Hiroshi. Yuto disse que Inari estaria em seu time, e então, o jogo começou.
INari não conseguia acompanhar o jogo de primeira. Os passes rápidos entre os
garotos eram novos para Inari. Mas, por um segundo, Inari começou a visualizar os
seus oponentes, assim como os seus companheiros, como raposas. Inari viu que o jogo
ficou mais fácil assim, e rapidamente dominou o jogo. Ele corria com a bola, e
quando chutava a bola para frente, recuperava o ritmo correndo de quatro. O garoto
marcava gols atrás de gols, e Yuto sempre o apoiava.
Os garotos brincavam, e quando o Sol estava se pondo, Inari se despedia e voltava
para casa. Aos poucos, Inari foi se distanciando de seu pai, e se aproximando cada
vez mais aos garotos, principalmente Yuta. Yuta o dava alimento e roupas,
percebendo que Inari era bem magro e, na maior parte das vezes, aparecia com roupas
velhas e sujas (por mais que os moradores da vila o dessem roupas novas antes). Aos
15 anos, Inari já havia se tornado o melhor amigo de Yuta. Certo dia, Yuta disse
que iria se mudar com seu pai. Iria para um outro país. Para Inari, isso era um
termo estrangeiro. O que seria um "país"? Yuta explicou para Inari, dizendo que se
mudaria para a Inglaterra, em outro continente. Inari, percebendo isso, entrou em
completo desespero. Yuta era o seu único amigo humano que o entendia. Claro, ele
tinha as raposas, mas ter um amigo que conseguia se comunicar com ele era
refrescante. Inari choramingou e abraçou Yuta, implorando para que Yuta não fosse,
mas não tinha jeito.
Até que Yuta teve uma ideia. O garoto e seu pai estariam se mudando de maneira
ilegal, indo de barco. Yuta lhe deu a ideia de levar Inari escondido. Os olhos de
Inari brilharam. Ele não queria ser abandonado, e essa era a única oportunidade de
ficar com o seu melhor amigo. Inari não deixou nenhuma carta para o seu pai. Não
voltou para casa. No dia seguinte, Inari e Yuta já estvam indo em direção ao
litoral do Japão, prontos para irem para a Inglaterra. O pai de Yuta, de primeira,
lutava contra a ideia de Inari os seguirem, mas vendo o estado do garoto, ele
suspeitou de que ele fosse maltratado em casa. Sendo assim, o pai de Yuta o levou
junto para o barco onde zarpariam. O garoto zarpou junto com Yuta, seu pai, e mais
outros imigrantes clandestinos. O motivo para Yuta se mudar de país de maneira tão
repentina para outro continente era desconhecido para Inari, mas mesmo assim, ele
não queria deixar Yuta. A viagem demorou um ano e meio. Yuta e Inari tiveram que
parar em diversos países diferentes até chegar na Europa, e finalmente chegar ao
seu destino. Inari ficou sem jogar futebol por um ano e meio.
Depois de muita viagem, finalmente chegaram na Inglaterra. (Só finge que isso faz
sentido, por favor). Chegaram de maneira ilegal, com a ajuda de outros viajantes
clandestinos, e então, Yuta, seu pai e Inari ficaram hospedados em apartamentos de
aluguel, onde os donos eram os "chefes" das operações clandestinas. Inari e Yuta
começaram a morar ao lado da sede de um clube de futebol regional, como o nome de
"Xinellus Hakaisha". Inari e Yuta rapidamente se interessaram, já que ficaram um
ano e meio sem jogar futebol. Os dois rapidamente foram analisar o lugar, e a base
estava recrutando jogadores jovens. Havia um único problema: Os dois não sabiam
inglês. Pelo menos não por completo. Yuta sabia o mínimo, enquanto Inari não sabia
nada. Inari e Yuta começaram a treinar na rua ao lado do clube enquanto Yuta aos
poucos ensinava Inari sobre a língua inglesa. Os dois viveram por mais um ano sem
frequentar o colégio, apenas treinando futebol e aprendendo o inglês aos poucos.
Com Inari e Yuta, completando 17 anos, os dois já se viam preparados para tentarem
fazer parte da base daquele time. Tenha em mente que Inari não sabe nada sobre
futebol além de: chutar a bola em direção ao gol, 11 jogadores em campo, todos
exceto você são raposas.
Os dois treinaram e tentaram entrar para a base, tentando provar para o treinador
de que eles eram dignos de jogarem futebol em um clube oficial de futebol. Quando
os resultados dos que passaram foral publicados, Yuta foi o primerio a ver. Inari
estava trás de Yuta, esperando ele dizer que ambos passaram. Yuta apenas se manteve
em silêncio, virou as costas e foi embora. Inari, confuso, foi ver os resultados
(mesmo que não soubesse ler muito bem, mas sabia que se visse seu nome na lista,
ele já teria sido aceito). Inari viu o seu nome na lista, mas não viu Yuta. Quando
Inari olhou para trás, para consolar o seu melhor amigo, ele já havia sumido. Inari
tentou procurar por Yuta, mas o garoto já estava revoltado demais para voltar.
Inari não pensou em voltar para onde os dois moravam juntos, estava ansioso demais,
e correu (de quatro) diretamente em direção ao técnico do time. Depois de muita
conversa, Inari foi apresentado ao time, e o técnico, sabendo da situação de Inari,
lhe deu a oportunidade de morar dentro da sede, na enfermaria.