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LUTO E PERDAS SECUNDÁRIAS: IMPACTOS
NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Macilene Barbosa Brito
Faculdade de Educação Santa Teresinha (FEST)
Marcione Margarida da Silva Santos
Faculdade de Educação Santa Teresinha (FEST)
Patrício Francisco da Silva
Faculdade de Educação Santa Teresinha (FEST)
' 10.37885/241017828
RESUMO
Objetivo: O processo de luto é experimentado de maneira individualizada por
cada pessoa, uma vez que cada indivíduo possui sua própria subjetividade.
Desde os tempos antigos, o luto tem sido amplamente discutido, pois envolve
o rompimento com um ente querido. O luto pode variar de experiências consi-
deradas normais a prolongadas, e é vivenciado por meio de diferentes fases,
iniciando-se com a perda primária e estendendo-se às perdas secundárias, além
de influenciar o processo de adaptação do indivíduo. O objetivo deste estudo
foi analisar as vivências do processo de luto enfrentadas pelas pessoas diante
de situações de perda. As grandes consequências dessas perdas têm afetado
profundamente o processo de luto a nível pessoal, familiar e social. O propósito
é explorar o significado do luto, das perdas secundárias e de que forma influen-
ciam na adaptação, além do papel desempenhado pela Psicologia. Este estudo
consiste em uma revisão integrativa da literatura, com abordagem exploratória
e qualitativa. As reflexões teóricas apresentadas ressaltam também o papel da
Psicologia no apoio às pessoas que passam por diferentes tipos de luto e destacam
a importância da atuação da psicologia no suporte às pessoas que lidam com
perdas. Os resultados da pesquisa apontam a relevância do acompanhamento
psicológico durante o processo de enfrentamento do luto.
Palavras-chave: morte; luto; perdas secundarias; Kübler-Ross.
Enfermagem em Foco: educação, competências e práticas avançadas
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INTRODUÇÃO
O presente artigo visa abordar o luto, perdas secundárias e seus impactos
no processo de adaptação. O luto por se tratar da quebra de vínculos com ente
querido, fazendo com que ocorra variações de sentimentos e poderiam afetar o
ser humano em atmosferas do campo da vida, por se tratar de seres biopsicos-
sociais e espiritualidade dentro da sua singularidade.
O processo de luto é marcado por diferentes etapas, incluindo negação e
isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação (Kübler-Ross, 2017), a autora
retrata na sua obra sobre a morte e morrer, o que os doentes terminais têm de
ensinar a médicos, enfermeiros, religiosos e aos próprios parentes. Para compreen-
der como o luto e perdas secundárias podem impactar os seres humanos. Será
utilizado através do questionamento, quais são os determinantes psicossociais
que influenciam a intensidade dos impactos no processo de adaptação do luto.
O estudo atual tem como objetivo definir o luto, perdas secundárias e
seus impactos no processo de adaptação e o papel da psicologia, diante das
consequências emocionais da pessoa que está passando pelo processo de luto,
levando em consideração a influência da relação de afetividade pré-estabelecida
com a perda. Esse período é caracterizado por dúvidas, inseguranças e receios,
uma vez que a perda de um ente querido traz consigo sentimento de vazio
devido à separação. O momento de transição para aqueles que permanecem
poderá ser desafiador.
A ausência de superação do luto pode acarretar problemas mentais futuros
no indivíduo, visto que se trata de um rompimento de laços afetivos e uma dolorosa
perda. Esse processo pode evoluir para um transtorno quando se prolonga por
períodos extensos, dificultando a retomada de uma vida plenamente funcional.
O luto prolongado pode apresentar sintomas semelhantes aos da ansie-
dade e da depressão, tornando-se uma fonte de sofrimento adicional. Dessa
forma pretende-se avaliar como as perdas secundárias desencadeadas a partir
da perda primária, poderiam ocasionar impactos no processo de adaptação e
como os seres humanos estão propensos a má elaboração do luto, quais serão
os impactos na vida desses indivíduos caso não ocorra a elaboração do luto.
Para essa revisão literária pretende-se responder, como se caracteriza e se
detecta o processo de luto, quais os impactos psicológicos que as pessoas estão
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expostas durante o processo de luto e como a psicologia poderá dar suporte as
pessoas enlutadas e utilizando de mecânicos a facilitar a compreensão e elabo-
ração do processo do luto.
A presente pesquisa desenvolvera através de uma revisão de literatura
com base nas vivências sobre o luto no que as perdas primarias ou secundárias
envolvem sofrimento ao indivíduo. Serão apresentados em seções a seguir: luto
e suas classificações, as fases do luto de Kübler-Ross, o processo de luto nas
perdas secundárias e seus impactos psicológicos, a psicologia como facilitadora
no desenvolvimento de estratégias de adaptação. Facilitando a compreensão
sobre o processo de adaptação do luto diante das perdas.
A metodologia de pesquisa utilizada será a bibliográfica através de artigos
científicos, revistas, livros, Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos
Mentais (DSM-5-TR, 2022). A análise demonstrou sentimentos e comportamentos
tais como: medo, negação, angústia, raiva, isolamento e aceitação do luto, que
vem quase sempre acompanhado do medo da manutenção de novos vínculos,
devido o sentimento de não pertencimento ocasionado pela perda.
LUTO E SUAS CLASSIFICAÇÕES
O luto é uma experiência comum diante de perdas e pode ser vivenciado
de maneiras distintas, de acordo com Kübler-Ross (2017), em cinco estágios:
negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, porém de forma única para
cada pessoa, tornando-se um desafio de compreensão e impactando diversos
aspectos da vida.
O progresso psicossocial tem o potencial de influenciar tanto a cognição
quanto o corpo. De fato, sem relações sociais sólidas, tanto a saúde mental quanto
a física podem ser impactadas. A determinação e a confiança em si mesmo são
cruciais para alcançar êxito no ambiente escolar, ao passo que sentimentos
negativos, como a ansiedade, podem prejudicar o desempenho (Oliveira; Alen-
car; Sena, 2023).
As reações emocionais experimentadas logo após a perda e relacionadas
ao luto são tema de reflexão. De acordo com Papalia e Feldman, existe um padrão
clássico no qual a pessoa que está de luto gradualmente aceita a dolorosa rea-
lidade da perda, se desvincula do falecido e se adapta à vida buscando novas
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atividades e relações (Papalia; Feldman, 2013). Assim como o modelo de estágios
de Kübler-Ross, Papalia e Feldman (2013) delineiam o processo de luto em três
etapas: choque e incredulidade, recordação do falecido e aceitação.
De acordo com Gonçalves (2016), a experiência do luto ocorre em diversas
etapas da existência, como a infância, adolescência, fase adulta e velhice. Essas
etapas são delimitadas entre o nascimento e a morte. Enquanto o nascimento é
considerado um momento especial e cheio de expectativas, a morte é vista como
um acontecimento temido e triste para os indivíduos.
Segundo Alves (2022), a morte sempre foi vista como uma parte inevitável
da vida desde tempos antigos. Geralmente, as crianças são protegidas da rea-
lidade da morte para não sofrerem tanto. É comum na cultura e na sociedade
dizer às crianças que as pessoas que morrem vão para o céu ou se transformam
em estrelas. Com isso, os adultos crescem acreditando que a morte não causa
sentimentos intensos.
“Há muitas razões para se fugir de encarar a morte calmamente. Uma das
mais importantes é que, hoje em dia, morrer é triste demais sob vários aspectos,
sobretudo é muito solitário, muito mecânico e desumano [...]” (Kübler-Ross, 2017,
p. 11-12). O processo de morrer é frequentemente acompanhado por sentimentos
intensos de medo, angústia e desesperança, uma vez que a perspectiva da morte
desperta a tristeza pelo fim da vida.
De acordo com Papalia e Feldman (2013), O desenvolvimento humano é
essencial para compreender o luto na adolescência. Nesse período de transição,
ocorrem mudanças corporais e hormonais, impactando as relações interpes-
soais. O luto inclui a perda da inocência, dos sonhos infantis e a busca de iden-
tidade, envolvendo responsabilidades e tomadas de decisão.
A terceira idade, segundo Freitas e Py (2017), é a fase da vida marcada pela
senescência e senilidade. Envelhecer é natural, mas nem sempre compreendido
pelos mais jovens. A senescência é o envelhecimento natural, enquanto a seni-
lidade é influenciada por doenças.
Na terceira idade, lidar com perdas é diferente de fases anteriores devido à
experiência acumulada. Segundo Papalia e Feldman (2013), a positividade nessa
fase está relacionada ao uso de mecanismos de enfrentamento mais madu-
ros. A morte e o luto são vivenciados de forma distinta, com as lembranças e a
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saudade sendo administradas de maneira mais equilibrada. O reconhecimento
das perdas torna-se menos doloroso e os momentos felizes são valorizados.
O transtorno de luto prolongado de acordo com o DSM-5-TR, 2022, se
diferencia do luto normal por apresentar reações intensas que duram pelo menos
12 meses (ou 6 meses em crianças/adolescentes) após uma perda. O diagnóstico
é feito quando o sofrimento impacta o funcionamento diário e ultrapassa normas
culturais/religiosas. Sintomas devem ocorrer na maioria dos dias (Vieira et al., 2022).
Quadro 1 - Critério de Diagnóstico Transtorno do Luto Prolongado).
F43.81 CRITÉRIO DIAGNÓSTICO
Morte, há pelo menos 12 meses, de uma pessoa próxima ao indivíduo em luto (para crianças e adoles-
A.
centes, há pelo menos 6 meses).
Desde a morte, o desenvolvimento de uma resposta de luto persistente caracterizada por uma ou ambos
B. dos seguintes sintomas, presentes na maioria dos dias em um nível clinicamente significativo. Além
disso, os sintomas ocorreram quase todos os dias pelo menos no último mês:
1. Saudade intensa da pessoa falecida.
Preocupação com pensamentos ou memórias da pessoa falecida (em crianças e adolescentes, a pre-
2.
ocupação pode centrar-se nas circunstâncias do falecimento).
Desde a morte, pelo menos três dos seguintes sintomas, presentes na maioria dos dias em um nível clini-
C.
camente significativo. Além disso, os sintomas ocorreram quase todos os dias pelo menos no último mês:
1. Perturbação na identidade (p. ex., sentir como se uma parte de si tivesse morrido) desde o falecimento.
2. Senso acentuado de descrença sobre o falecimento.
Evitação de lembranças de que a pessoa está morta (em crianças e adolescentes, pode ser caracterizado
3.
por esforços em evitar situações que lembrem a pessoa falecida).
4. Dor emocional intensa (p. e., raiva, amargura e tristeza) relacionada ao falecimento.
Dificuldades de reintegração aos relacionamentos e atividades após o falecimento (p. e., problemas
5.
para se relacionar com amigos, buscar interesses ou planejar o futuro.
6. Apatia emocional (ausência ou redução marcada de experiência emocional) em decorrência do falecimento.
7. Sentimento de que a vida perdeu o sentido em decorrência do falecimento.
8. Solidão intensa em decorrência do falecimento.
A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, pro-
D.
fissional ou de outras áreas importantes.
A duração e a gravidade da reação de luto claramente excedem as normas sociais, culturais ou religiosas
E.
esperadas para o contexto e cultura do indivíduo.
O(s) sintoma (s) não é (são) mais bem explicado (s) por outro transtorno mental, como transtorno depres-
F. sivo maior ou transtorno de estresse pós-traumático e não é (são) atribuído (s) aos efeitos fisiológicos
de uma substância (p. ex., medicamentos ou álcool) ou a outra condição médica.
Fonte: Vieira et al., DSM-5-TR, 2022, p. 322-323.
Estudos diagnósticos sobre sexo e gênero mostram que em alguns casos
as mulheres enlutadas apresentam maior índice de transtornos ou sintomas mais
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graves, porém outras pesquisas indicam que a diferença de gênero é mínima e/
ou estatisticamente irrelevante (Vieira et al., 2022).
O luto prolongado pode trazer impactos como dificuldades no trabalho,
problemas de saúde devido ao aumento do consumo de tabaco e álcool, risco de
doenças graves como problemas cardíacos e câncer, além de dificuldades na escola
para crianças e adolescentes, jovens do sexo feminino podem adiar o casamento
e adultos mais velhos podem ter comprometimento cognitivo (Jesus et al., 2024).
AS FASES DO LUTO DE KÜBLER-ROSS
Para conseguir o entendimento das fases do luto, será considerado a tra-
jetória de Elizabeth Rübler-Ross, psiquiatra especialista em Tanalogia, a partir
de sua obra “Sobre a morte e o morrer”. Kübler-Ross (2017), relata o processo de
luto em fases: negação e isolamento, barganha, raiva, depressão.
Quadro 2 - Fases do luto de Elisabeth Kübler-Ross, do livro sobre a morte e o morrer.
FASES SENTIMENTOS
Negação e Isolamento “Não, não é verdade, isso não pode acontecer comigo!”
Raiva Raiva, abandono, desesperança e revolta contra Deus
Barganha Negociação com Deus
Depressão Perda de diversos prazeres, isolamento.
Aceitação Paz e dignidade perante a perda
Fonte: Kübler-Ross (2017, p. 55 a 117).
Ao receber uma notícia chocante, como a morte de alguém querido ou
um diagnóstico médico grave, é comum que as pessoas reajam inicialmente
com negação e isolamento. Esse mecanismo de defesa ajuda o paciente a pro-
cessar gradualmente a informação e a lidar com o impacto emocional da situa-
ção. A negação temporária da realidade pode ser vista como uma forma natural
de proteção psicológica em face de uma notícia traumática, permitindo que a
pessoa se recupere progressivamente (Kübler-Ross, 2020, apud Alves, 2022).
Para Ribeiro (2023) o funeral é o momento que a realidade e enfrentada de
frente e não se tem como mais negar. “O corpo sem vida é exposto a sua frente e
popularmente é normal que reconheçamos esse momento como o último instante
para nos despedirmos, cessa então a esperança de reencontrar aquela pessoa
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na sua rotina”. O momento é vivenciado por muito sofrimento, mas a ausência
da vivência desse momento traz mais sofrimento.
Deste modo para Rodrigues (2020) ao receber uma notícia catastrófica,
a primeira reação é a negação. “Não, não é verdade, isso não pode acontecer
comigo!”. Outra reação nesse momento pode ser substituída quando é atingido
o paciente. “Pois é, é comigo, não foi engano”. Esse fato deve-se a raiva ser pro-
pagada em várias direções e manifestada em vários ambientes. Assim a raiva
é manifestação em resposta de um mecanismo de defesa da pessoa diante de
uma situação de perda e impotência.
Para Franco (2021) a barganha é o terceiro estágio e o menos conhecido,
a duração da fase é de um tempo muito curto. Assim diferente da fase anterior
onde ocorre a raiva e revolta contra Deus, nessa fase o sentimento vivenciado das
pessoas é de negociação, mantendo uma linha de pensamento, se elas pedindo
com calma e de uma forma cautelosa a Deus, certamente Deus os ouvirá. Esse
comportamento é aprendido na infância, ao perceber que promessas e bom
comportamento podem trazer resultados favoráveis.
A depressão é a quarta fase, experienciada de maneira profunda. Mudanças
ocorrem, tanto emocionais quanto físicas e biológicas. A alteração nas sensações
e a falta de prazer em diversas atividades, neste momento o indivíduo se sente
como se estivesse em um estado de solidão, não se encaixando em nenhum lugar
(Oliveira; Alencar; Sena, 2023).
Segundo Alves (2022), a tristeza devido à ausência gera sentimentos e
transformações profundas, resultando em dor. Mesmo com diversas razões para
buscar uma nova perspectiva, a dor de perder algo precioso e ter que seguir em
frente sozinho, leva ao silêncio e ao isolamento, que se encaixam perfeitamente
nesse mundo solitário e vazio que está sendo experimentado.
Segundo Braz (2021), o quinto e último estágio correspondem à aceita-
ção, representando o momento em que o indivíduo teve a oportunidade de se
preparar (caso não tenha ocorrido uma morte repentina), ao passar por um pro-
cesso de aceitação do ciclo final da vida de maneira serena. Ao enxergar novas
perspectivas e encarar o fim da vida como algo não dramático, sem acrescentar
sofrimento ou dor.
Na última fase do processo de luto, o paciente enfrenta a dificuldade de
aceitar a perda de pessoas e objetos significativos. Essa etapa demanda atenção,
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suporte profissional, familiar e de amigos, para ajudar o indivíduo fragilizado a lidar
com a situação (Ribeiro, 2023). Momento em que a pessoa consegue finalmente
lidar com a perda de forma tranquila. Não se trata exatamente de um estágio de
alegria, mas sim de paz e respeito diante da perda (Freitas; Junior, 2021).
O PROCESSO DE LUTO NAS PERDAS SECUNDÁRIAS E SEUS
IMPACTOS PSICOLÓGICOS
O vivenciar do processo de luto é singular para cada pessoa, podendo
acarretar efeitos psicológicos diversos. A perda principal surge com o falecimento
de um ente querido, ao passo que a perda secundária está ligada à ausência de
momentos compartilhados. Após esse período de despedida, dá-se início a uma
nova jornada para aqueles que ficam (Praxedes, 2021).
A morte de um ente querido, como mãe, pai, irmão e amigos
próximos que são pessoas amadas, faz parte de um patrimônio
íntimo, componentes do próprio eu. Ao enterrá-los partem com
eles, os gozos, as esperanças, e não é aceito consolo para esse
momento, pois a pessoa se recusa a toda e qualquer substituição
do ente querido (Silva; Santos; Valentim, 2022, p. 202).
A concepção de luto também não se restringe apenas à morte, mas
abrange o enfrentamento das perdas que ocorrem ao longo da jornada da vida
humana, sejam elas tangíveis ou simbólicas. O luto envolve aspectos pessoais,
profissionais, sociais e familiares do indivíduo, criando laços significativos. O vazio
e a dor presentes no processo de luto demandam um tempo, portanto, o luto
impõe tarefas a serem cumpridas por aqueles que permanecem, mesmo que
esse caminho pareça árduo e desafiador (Jesus et al., 2024).
A vivência do luto estabelece um processo ritualístico de encerramento dos
vínculos emocionais e adaptação a novas realidades, onde a primeira perda na
vida de um indivíduo desencadeia um conjunto de reações físicas e emocionais
que serão experimentadas e expressas através de outras perdas subsequentes,
em uma abordagem abrangente que engloba aspectos afetivos, cognitivos,
comportamentais e espirituais que surgem imediatamente após o evento de
perda (Alves, 2022).
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“[...] Finalização de relacionamentos, supressão de liberdades, dispensa de
empregos e perdas simbólicas, representadas por alterações de hábitos de vida,
culturais e sociais de um indivíduo” (Fontes et al., 2020, p.310). Entre as principais
mudanças decorrentes das perdas estão a estabilidade financeira, convívio social,
autoestima, crenças, sentido da vida e a mais impactante delas: a identidade.
Durante toda a nossa jornada, almejamos alcançar estabilidade por meio
da construção de uma base financeira sólida, garantindo assim um rendimento
estável que cubra nossas necessidades básicas, tais como alimentação, mora-
dia e saúde. Uma vez estabelecida, essa estabilidade nos permite direcionar
recursos para outras áreas, como o lazer, sem nos preocuparmos com o futuro
(Vieira et al., 2022).
No Braz (2021), aqueles que passam pelo luto da perda da estabilidade
financeira irão se deparar com um turbilhão de emoções e sentimentos distorci-
dos, trazendo incertezas diante da quebra de laços. Essa perda, que é facilmente
identificada por se tratar de algo material e concreto, geralmente ocorre com
a morte de um provedor do lar ou de alguém que compartilhava as despesas,
podendo resultar em uma crise de estabilidade financeira.
Cada indivíduo enfrenta diferentes desafios ao longo da vida, se adaptando
a novas situações e circunstâncias. Por exemplo, a vida de um adolescente, que
ainda depende da família, é completamente diferente da vida de um jovem adulto
independente. E essa realidade se transforma significativamente quando se forma
um casal e se inicia uma nova família independente (Ribeiro, 2023).
As relações sociais são essenciais para lidar com a morte de um ente que-
rido, porém muitas vezes os familiares e amigos não conseguem oferecer apoio
adequado, resultando em distanciamento. Para Kübler-Ross (2017) a dinâmica
familiar também pode dificultar o processo de luto, levando a mal-entendidos
e isolamento, o que enfraquece o sentimento de pertencimento à comunidade.
Como resultado, a pessoa enlutada pode se sentir excluída.
Segundo Franco (2021), a construção da identidade de um indivíduo ocorre
ao longo de toda a sua vida, desde o nascimento até o falecimento, e mesmo
diante da perda, em um momento de intensa dor, o efeito psicológico desse
acontecimento é diferente para cada pessoa, dependendo do seu vínculo e do
nível de relacionamento em questão.
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O indivíduo em luto não precisa obrigatoriamente mudar ou perder a sua
identidade. Essa transformação pode ser discreta, mas de grande importância,
uma vez que, por exemplo, alguém que perde o parceiro deixa de exercer o papel
de cônjuge, ou a mãe que perde um filho se vê diante da ausência da materni-
dade, impactando de forma relevante sua saúde mental (Lapa; Nogueira, 2022).
Mesmo diante do luto, é possível passar por momentos de turbulência
que levam a diferentes perturbações mentais, gerando conflitos internos sobre
a existência e a finitude. A realidade pode ser questionada, como mencionado
pelo autor. “[...], mas, no geral, não tem uma real perda de identidade, uma vez
que pode haver uma perda momentânea, porém, é especificamente por conta da
crise. Após essa fase, o indivíduo tem a capacidade de reerguer-se novamente”
(Jesus et al., 2021, p. 5471).
No entanto Franco, 2021, p. 120, acrescenta que:
Retomar as atividades do cotidiano não significa voltar à mesma
condição anterior à perda. A vida não é a mesma quando se vive
um luto. O mundo presumido se transforma, os significados não
fazem sentido como antes e uma reconstrução de identidade e de
vida se impõe. Entendo, portanto, que este seja um ponto nodal
na compreensão de um luto complicado quando se trabalha com
a pessoa enlutada: a revisão de um mundo presumido depois de
viver uma perda, o conhecido não mais norteando suas decisões
e inserções.
Segundo Rodrigues (2020), o luto é um processo de lidar com perdas,
conectando vida e morte. A autodefesa pode surgir para evitar novas perdas, afe-
tando a confiança e o apego nas relações interpessoais, tornando a recuperação
um desafio demorado e incerto. Recuperar a confiança é um processo demorado
devido ao medo e incerteza que surgem ao enfrentar a perda e transferir senti-
mentos de apego quando se conecta com outras pessoas.
Depois do funeral e das cerimônias de despedida, os familiares se encon-
tram solitários, de fato, tendo que lidar com a nova situação sem a presença do
ente querido. Diante do luto, a dor se manifesta e, talvez, permaneça presente
quando não se permite vivenciar o processo de perda e luto com todas as etapas
e resoluções das questões inacabadas (Lopes et al., 2023, p. 52).
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Conforme a autora Kübler-Ross (2017), o enlutado muitas vezes tenta
negociar com a divindade na esperança de aliviar a dor, e quando isso não é
possível, a relação com Deus é abalada, levando a questionamentos do tipo “por
que comigo, por que com ele, o que foi que eu fiz”. Por outro lado, de acordo
com Alves (2022), “Em certas ocasiões, lidar com o luto requer que aqueles que
estão de luto fechem ciclos que permaneceram abertos. É normal sentir raiva
em relação à pessoa falecida”.
Caso sigamos os princípios da Fenomenologia do Espírito, sou constantemente
alterada pelos encontros que experiencio; a identificação passa a ser o mecanismo
pelo qual eu me torno outra em relação ao passado e, assim, perco a capacidade de
voltar ao que era anteriormente. Portanto, há uma mudança essencial no processo
de identificação, já que o “eu” se modifica através desse ato (Rodrigues, 2020).
Para Ribeiro (2023) adicionalmente, aquele que está sofrendo com a perda
não consegue enxergar a razão de viver, pois a morte traz consigo um sentimento
de vazio e a perda da esperança no propósito da vida. Além disso, os projetos e
sonhos que foram compartilhados precisam ser refeitos de forma solitária. Assim
como mencionado anteriormente, ao lidar com o luto, é comum sentir tristeza,
aflição e saudade pela perda. Essas reações são normais e previsíveis, fazendo
parte do processo de luto que a pessoa enlutada passará.
De acordo com Lapa e Nogueira (2022), é fundamental que indivíduos que
estejam enfrentando um período de luto encontrem suporte e empatia na socie-
dade, possibilitando que compartilhem seus sentimentos e afetos diante da perda.
Dessa forma, poderão obter uma nova visão para lidar com o processo de luto.
As convenções culturais impostas pela sociedade exercem impacto na forma
como o luto é experimentado e manifestado. Contudo, cada pessoa é singular e
pode enfrentar o processo de luto de maneiras diversas, conforme sua vivência
individual (Franco, 2021).
A PSICOLOGIA COMO FACILITADORA NO DESENVOLVIMENTO
DE ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO
A psicologia busca facilitar a comunicação e a expressão, com o intuito
de auxiliar na compreensão dos aspectos psicológicos relacionados ao adoeci-
mento e ao sofrimento. Isso inclui as fantasias sobre os procedimentos médicos
Enfermagem em Foco: educação, competências e práticas avançadas
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e a relação estabelecida com a hospitalização, priorizando a subjetividade e as
diferentes formas de existir. O objetivo é integrar o indivíduo considerando suas
diversas dimensões, incluindo aspectos filogenéticos, ontogenéticos e culturais
(Barros; Rocha; Neto, 2024).
Frente a situações de tristeza e ausência, é preciso uma reestruturação
emocional, não buscando apenas “superar” o sofrimento, mas sim se ajustar
à nova situação, sem seguir modelos pré-estabelecidos pela sociedade, e sim
reconhecendo e validando seus próprios sentimentos, para encontrar uma forma
única de lidar com a perda que afeta (Alves, 2022).
Segundo Kübler-Ross (2017), a primeira conversa pode trazer benefícios
para aqueles que não estão necessariamente doentes, mas que sofrem intensa-
mente por conta da idade ou por não conseguirem lidar de forma adequada com
a perda de alguém em potencial. Acredita-se que a dor física ou emocional seja
uma maneira de aliviar os sentimentos de culpa reprimidos e hostis em relação
às pessoas falecidas.
É incrível como uma entrevista singela pode contribuir significativamente
com a consideração da história de alguém em luto, reconhecendo a individualidade
da pessoa. Quando o indivíduo chega, revela uma série de sintomas e vivências,
essas informações reforçam que os sentimentos de afeto e hostilidade são naturais e
compreensíveis, já que são manifestações somáticas que podem proporcionar algum
alívio para a dor que persistia como tal por não ter sido reavaliada (Ribeiro, 2023).
“É um momento mais difícil para um parente próximo, pois ele também
deseja que tudo passe, que tudo termine; ou agarra-se desesperadamente a
alguma coisa que está prestes a perder para sempre” (Kübler-Ross, 2017, p.
281). É importante que o apoio ao paciente que está passando por um processo
de luto seja natural e não imposto, permitindo que ele escolha o momento certo
para enfrentar suas emoções e tome suas próprias decisões no processo de
aceitação do luto.
Ser terapeuta de um paciente que agoniza é nos conscientizar da
singularidade de cada indivíduo nesse oceano imenso da humanidade.
É uma tomada de consciência de nossa finitude, de nosso limitado
período de vida. Poucos dentre nós vivem além dos setenta anos;
ainda assim, nesse curto espaço de tempo, muitos dentre nós
criam e vivem uma biografia única, e nós mesmo tecemos a trama
da história humana (Kübler-Ross, 2017, p. 282).
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Para Oliveira; Alencar; Sena, (2023) o luto causa impactos no comporta-
mento do indivíduo. Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico auxiliará o
indivíduo a reconhecer seus sentimentos e a lidar com o processo de luto e suas
fases, respeitando seu tempo e limites. Assim, a relação entre paciente e psicólogo
durante esse período é fundamental, pois a reorganização diante da perda envolve
momentos de sofrimento e dor intensa, muitas vezes complexos de compreender,
e retomar a interação social e lidar com as emoções não será simples.
Quadro 3 - Técnicas utilizadas pelo psicólogo no apoio a pessoas em luto.
É importante que o psicólogo esteja presente e atento para acolher as emoções de
Ouvir uma pessoa em luto, através da escuta ativa e da demonstração de compaixão. Isso
ajuda a pessoa a expressar seus sentimentos e lidar com seu sofrimento.
O tratamento para luto consiste em uma terapia que ajuda a lidar com emoções e
Terapia do luto desafios durante o processo. O psicólogo auxilia a pessoa a compreender e superar
as fases do luto.
A terapia psicológica é uma opção para lidar com o luto prolongado e complexo,
Psicoterapia ajudando a identificar padrões de pensamento e comportamento e desenvolver
habilidades de enfrentamento.
A meditação e a atenção plena são ferramentas úteis para ajudar pessoas a lidar
Mindfulness e meditação com emoções do luto súbito na pandemia. Psicólogos podem ensinar essas técnicas
para trazer tranquilidade e foco.
A rede de suporte é uma alternativa para lidar com o luto, proporcionando um ambiente
Grupo de apoio
acolhedor para compartilhar experiências e sentimentos, com o auxílio do psicólogo.
Fonte: Silva e Castro (2024, p. 1048-1049).
Ao psicólogo (a) há premência em desenvolver uma relação terapêutica
fundamentada no acolhimento, na escuta e no cuidado, de forma
a possibilitar o redimensionamento do olhar desse outro sobre si
mesmo, sobre o outro, sobre o mundo, favorecendo que vivencie o
luto e consiga perceber-se pertencendo a seus vários locus, para
além do luto, para além da perda de uma pessoa significativa que o
catapultou ao sofrimento e à dor inerentes à situação (Silva; Castro,
2024, p. 1049-1050).
Na interação com o mundo, expressamos nossos estímulos por comporta-
mentos verbais, como pensamentos e emoções. Tentar controlar eventos negativos
pode levar a problemas psicológicos, como fuga e evitação, dificultando a mudança
devido à inflexibilidade psicológica (Jesus et al., 2024). É fundamental que o profissional
de psicologia esteja presente e atento para acolher as emoções e desafios vividos
pela pessoa em luto, através da escuta ativa e da demonstração de compaixão.
Enfermagem em Foco: educação, competências e práticas avançadas
120
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Apoiado, então, em uma metodologia qualitativa, esta pesquisa alicerça-se
em uma revisão de literatura que consiste em verificar o processo de adaptação
do luto e os estágios do luto proposto por Elisabeth Kübler-Ross. A seleção da
obra foi feita devido à sua ampla notoriedade global e sua influência no enfren-
tamento do luto, abordando uma variedade de tópicos que servem de base
para outros autores que discutem temas como luto, perda, morte e resiliência.
Isso pode contribuir para uma compreensão mais abrangente do processo de
adaptação ao luto.
De acordo com Gerhardt e Silveira (2009, p. 37) “[...] a abordagem qua-
litativa opõem-se ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa
para todas as ciências, já que as ciências sociais têm sua especificidade, o que
pressupõe uma metodologia própria.” No âmbito da pesquisa qualitativa são
gerados dados relevantes para embasar o desenvolvimento da pesquisa, visando
analisar as informações coletadas sobre os impactos psicológicos no processo
de adaptação do luto.
Para analisar os dados de forma precisa, foi necessário revisar minu-
ciosamente os estudos a fim de avaliar se estavam relacionados ao tema e à
pergunta principal da pesquisa. Nesse sentido, primeiro foi feita uma seleção
dos estudos através da leitura dos títulos e resumos, respeitando os critérios de
inclusão e exclusão.
ISBN 978-65-5360-798-9 - Vol. 2 - Ano 2024 - [Link]
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Fluxograma para métodos de inclusão e exclusão de dados:
Fonte: autor (2024).
Os critérios de inclusão consistiram em selecionar artigos científicos
completos e livros, publicados entre os anos de 2002-2024, escritores em língua
portuguesa e inglesa, que abordem a questão central. Já os critérios de exclusão
envolveram a remoção de artigos duplicados na biblioteca e base de dados, bem
como aqueles que não se relacionavam com a abordagem temática proposta.
Quadro 1 - Etapas do levantamento bibliográfico.
Ler o livro de Elisabeth Kübler-Ross, sobre a morte e morrer, o que os doentes terminais têm
1ª Etapa
ensinar a médicos, enfermeiros, religiosos e aos próprios parentes.
Os critérios de seleção abrangeram artigos científicos, monografias em português e livros
2ª Etapa essenciais para embasar o tema, publicados entre os anos de 2002 a 2017. Em contrapartida,
foram excluídas revisões de artigos científicos anteriores a 2016.
Executado entre agosto de 2023 a abril de 2024 nas bases de dados selecionadas, seguindo os
critérios de seleção e exclusão estabelecidos. Para a obtenção dos dados, foram empregados
3ª Etapa critérios específicos incluindo autores que abordam as cinco etapas do processo de luto,
títulos relacionados ao luto, fontes confiáveis, objetivos, métodos, fontes, origens, resultados
e considerações finais.
Fonte: autor (2024).
Os dados qualitativos serão analisados através da análise de conteúdo,
identificando temas relevantes ao luto. A análise exploratória, objetivo de explorar
os assuntos abordados facilitando analisar e definir as etapas do processo de luto,
considerando os aspectos psicológicos e emocionais. “A pesquisa exploratória
Enfermagem em Foco: educação, competências e práticas avançadas
122
exige bastante traquejo no manuseio de publicações científicas. Para isso, é
necessário que o pesquisador seja capaz de identificar imediatamente a organi-
zação interna das obras consultadas” (Gil, 2002, p. 78).
Para melhor desenvolvimento da temática, a pesquisa foi realizada na
literatura disponível em livros e artigos. As principais bases de dados científicos,
como SciELO, Livro e diversos repositórios de universidades por meio de pes-
quisas no Google Acadêmico.
RESULTADOS
Os achados da pesquisa através da revisão integrativa estão disponíveis
no Quadro 2. Considerando os critérios de seleção, 9 artigos foram examinados
por completo, sendo que apenas 6 artigos científicos foram aceitos de acordo
com os critérios de inclusão e exclusão, uma vez que tratavam dos impactos
psicológicos durante o período de luto.
Quadro 2 - Artigos incluídos na revisão integrativa de acordo com autores/ano, título, cenário e
periódico.
Autores/ano Título Cenário Periódico
Alves, 2021. SHARINGAN NO KAKASHI, DA NEGAÇÃO À ACEITA- Região Nordeste Sociedade &
ÇÃO:O luto segundo o modelo de Kübler-Ross do Brasil Aspectos Psico-
lógicos & Saúde
Barros et al., 2024. A morte como “companheira de trabalho”: implicações Região Centro- CAPES
na equipe de saúde no contexto hospitalar -Oeste
CASTRO E SILVA, A compreensão do luto repentino durante a pandemia do Região Norte do Sociedade &
2024. covid-19 e a perspectiva da psicologia: revisão integrativa. Brasil Saúde
Lopes et al., 2023. Os desafios que envolvem o vivenciar a morte: uma Região Sudeste Sociedade &
reflexão fundamentada nas descobertas de Elizabeth do Brasil Aspectos Psico-
Kübler-Ross lógicos & Saúde
Ribeiro, 2023. Os Cinco Estágios Do Luto Segundo Elizabeth Kubler Região Sudeste Sociedade &
Ross: Uma Revisão do Brasil Aspectos Psico-
lógicos & Saúde
Silva et al., 2022. Cuidados paliativos para o paciente oncológico: impacto Região Sudeste Sociedade &
psicológico no familiar cuidador do Brasil Aspectos Psico-
lógicos & Saúde
Fonte: Alves 2021, Barros et al., 2024; Castro e Silva, 2024; Lopes et al., 2023; Ribeiro 2023; Silva et
al., 2022.
Quanto a caracterização dos 6 artigos incluídos no Quadro 1, 1 foi realizado
na região Nordeste do Brasil; 1 na região Centro-Oeste, 1 na região Norte, 3 na
ISBN 978-65-5360-798-9 - Vol. 2 - Ano 2024 - [Link]
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região Sudeste do Brasil. Em relação ao periódico de publicação, 4 foram publicados
em Sociedade, Aspectos Psicológicos e Saúde; 1 CAPES e 1 Sociedade & Saúde.
As pesquisas analisadas revelam os efeitos sociais do luto nos aspectos
físicos, psicológicos, sociais e espirituais de uma pessoa. Os estudos ressaltam
a importância da compreensão do luto e da intervenção da psicologia para
promover a qualidade de vida da população no processo de adaptação do luto.
No Quadro 3 são elencados os objetivos dos estudos, o tipo de estudo
e os achados (luto e perdas secundárias: impactos no processo de adaptação)
dos artigos incluídos.
Quadro 3 - Objetivos, tipo de estudo e achados.
Impactos no Processo de Luto
Objetivos Tipo de estudo
Descritos na Literatura
O artigo tem como objetivo analisar Trata-se de um estudo Elisabeth Kübler-Ross descreve as fases do luto,
e interpretar o processo de luto de qualitativo como a negação e isolamento, raiva, barganha,
Hatake Kakashi, um personagem depressão e a aceitação. No caso do prota-
fictício do mangá (história em qua- gonista, cada fase foi vivenciada, mostrando
drinhos japonesa) e anime (desenho como cada etapa se desenvolve. Isso permite
animado) Naruto, baseado no Modelo utilizar obras como Naruto com propósitos
Kübler-Ross. educacionais e terapêuticos.
O objetivo é compreender como o Trata-se de uma pesquisa O falecimento impacta a vida do profissional
profissional de saúde é afetado diante bibliográfica de natureza da saúde, que lida diariamente com perdas e
a morte no contexto hospitalar, assim exploratória. dor. A saúde mental do profissional influencia
como as possíveis implicações ao seu diretamente no cuidado com o paciente. Prevenir
funcionamento psíquico. o sofrimento emocional é essencial para um
ambiente de trabalho saudável.
O objetivo deste estudo é com- Trata-se de revisão integra- A pandemia do novo Coronavírus causou
preender o luto repentino em sua tiva de literatura, de cunho muitas mortes, gerando um período triste na
pluridimensionalidade e o papel da exploratório e qualitativo história. A perda de familiares deixou um vazio
Psicologia. irreparável, levando a sentimentos como cul-
pa, tristeza e desinteresse, afetando a saúde
mental das pessoas.
O objetivo do estudo foi refletir sobre Trata-se de um estudo des- É importante encarar a morte com naturalida-
a vivência do processo de morte e critivo, qualitativo. de, assim como se fala sobre o nascimento.
morrer à luz das contribuições de Estar preparado para o fim da vida ajuda a
Elizabeth Kübler Ross. lidar melhor com o momento, seja ele plane-
jado ou inesperado. Permitir a expressão de
emoções e resolver questões pendentes antes
do falecimento é fundamental.
O objetivo fazer uma análise do mode- Trata-se de uma revisão Nesta pesquisa, foram examinadas as cinco
lo Kübler-Ross dos 5 estágios do luto bibliográfica, exploratória. etapas do processo de luto descritas por Kübler-
e da própria temática do luto em si. -Ross: negação e isolamento, raiva, barganha,
depressão e aceitação. Embora cada indivíduo
experimente o luto de forma singular, essas
fases são universais.
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124
Impactos no Processo de Luto
Objetivos Tipo de estudo
Descritos na Literatura
O objetivo deste trabalho foi inves- Trata-se de uma pesquisa Neste artigo são abordados o impacto emocional
tigar os impactos psicológicos em qualitativa. e as novas responsabilidades enfrentadas por
familiar diante do diagnóstico e do todos os membros da família quando um deles
tratamento em cuidados paliativos recebe o diagnóstico de câncer.
do paciente oncológico.
Fonte: Alves, 2021; Barros et al., 2024; Silva; Castro, 2024; Lopes et al., 2023; Ribeiro 2023; Silva et
al., 2022.
DISCUSSÃO
O trabalho de Elisabeth Kübler-Ross, intitulado “Reflexões sobre a Morte”,
tem uma grande reputação e é uma referência importante para estudos sobre
o luto. De acordo com Alves (2021), o livro explora a jornada experienciada por
indivíduos próximos ao final da vida, contribuindo para a compreensão de como
os entes queridos enfrentam cada fase, tal como pode ser visto na análise do
protagonista Hatake Kakashi.
Conforme o manual DSM-5-TR (2022), o diagnóstico diferencial esta-
belece critérios para identificar indivíduos que estão passando por um período
de luto, classificando-o como normal ou patológico, levando em consideração
o tempo decorrido desde a perda inicial e a experiência ao lidar com eventuais
perdas subsequentes.
No entanto, Kübler-Ross ressalta a experiência desses indivíduos nessa
jornada de morte e falecimento, abordando estágios de tristeza e a percepção
dos próprios pacientes nesse processo, assim como dos familiares, profissio-
nais de saúde e outros envolvidos. De acordo com Kübler-Ross (2017), seria de
grande benefício para lidar com o luto se a conversa sobre “o fim da vida” fosse
tratada com a mesma naturalidade que se conversa, por exemplo, sobre “a che-
gada de um bebê”.
No estudo conduzido por Ribeiro (2023), o objetivo foi analisar o modelo dos
cinco estágios do luto proposto por Kübler-Ross, assim como a própria temática
do luto. O estudo proporcionou respostas alinhadas com o modelo de Kübler-Ross
(2017), confirmando e atendendo ao objetivo estabelecido pelo autor durante a
pesquisa. Além disso, Lopes et al. (2023) exploraram os desafios associados ao
processo de lidar com a morte, embasando-se nas descobertas de Kübler-Ross.
ISBN 978-65-5360-798-9 - Vol. 2 - Ano 2024 - [Link]
125
A interpretação e análise dos resultados mostram as etapas do processo
de luto, de acordo com o Modelo Kübler-Ross, com base em estudos que cor-
roboram com a perspectiva da autora Kübler-Ross sobre o luto. Os momentos
destacados seguirão a sequência de luto e suas fases, as etapas do luto de
Kübler-Ross (negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação), o
luto em relação às perdas secundárias, e a psicologia como auxílio na elaboração
de estratégias de adaptação.
O estudo se tornou imperativo devido à influência da obra de Kübler-Ross,
uma vez que a autora é uma referência reconhecida no estudo do luto e nos pro-
cessos relacionados à morte e ao morrer. Sua obra tem sido amplamente citada
por diversos autores, reafirmando sua importância para futuras pesquisas e para
uma compreensão mais abrangente dos processos de luto.
CONCLUSÃO
Atualmente, apesar dos avanços nos estudos sobre o luto, é evidente
que este processo, inerente ao ciclo de vida humano, desencadeia momentos
desafiadores, marcados por diferentes manifestações comportamentais. O luto
é caracterizado pelo rompimento de vínculos e pela ruptura de relações afetivas
desenvolvidas ao longo da vida. A menção à morte desperta sentimentos e emo-
ções complexas devido ao seu significado como o término do ciclo vital.
É perceptível o impacto emocional decorrente da separação desses laços,
desde a perda inicial, reverberando em todas as esferas da existência. As perdas
secundárias representam um período repleto de desafios, pois lidar com elas é
enfrentar o desconhecido, muitas vezes sem compreender plenamente seu impacto,
dificultando a retomada da vida e a manutenção da saúde em todos os aspectos.
Destaca-se a importância de buscar apoio para enfrentar o luto. A psicote-
rapia e a terapia psicológica podem auxiliar na compreensão das diversas etapas
do luto, desenvolvendo habilidades para lidar com ele. A prática da atenção plena
e da meditação também pode ser útil para gerenciar as emoções associadas
ao luto. Além disso, a rede de apoio, formada por indivíduos que compartilham
experiências semelhantes, oferece um ambiente de suporte e compreensão, sob
orientação do psicólogo.
Enfermagem em Foco: educação, competências e práticas avançadas
126
O estudo contribui para a comunidade ao fornecer informações sobre os
processos enfrentados pelos indivíduos não apenas após a morte, mas também
diante de outras formas de perda, desde as primárias até as secundárias. Assim,
o objetivo da pesquisa foi alcançado, proporcionando respostas congruentes
com suas proposições.
Conclui-se que a realização de pesquisas sobre o luto e as perdas secundárias
e seus impactos no processo de adaptação representa um desafio significativo.
Abordar temas como morte, perda e seus efeitos demanda reflexão profunda,
tanto durante a pesquisa quanto na vivência como pesquisador. Ressignificar a
dor e permitir que se transforme em saudade dos momentos compartilhados e
dos vínculos perdidos não é tarefa simples, porém, o aumento do conhecimento,
tanto a nível individual quanto social, pode encorajar a comunidade a buscar
auxílio e evitar o isolamento, prevenindo possíveis transtornos decorrentes da
dificuldade em atravessar as fases desse processo.
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