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Integração Agricultura-Pecuária e Sustentabilidade

O documento discute a integração entre agricultura e pecuária no Brasil, destacando a importância dessa prática para aumentar a eficiência na utilização de recursos naturais e preservar o meio ambiente. A integração oferece vantagens sociais e econômicas, como a melhoria na produção de forragem e a estabilidade de renda para os produtores. Além disso, aborda os desafios enfrentados pela pecuária, como a degradação das pastagens, que afeta a sustentabilidade do sistema produtivo.
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Integração Agricultura-Pecuária e Sustentabilidade

O documento discute a integração entre agricultura e pecuária no Brasil, destacando a importância dessa prática para aumentar a eficiência na utilização de recursos naturais e preservar o meio ambiente. A integração oferece vantagens sociais e econômicas, como a melhoria na produção de forragem e a estabilidade de renda para os produtores. Além disso, aborda os desafios enfrentados pela pecuária, como a degradação das pastagens, que afeta a sustentabilidade do sistema produtivo.
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Revista Electrónica de Veterinaria REDVET

ISSN 1695-7504
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Vol. VI, Nº 8, Agosto 2005 –


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Integração agricultura-pecuária: um enfoque sobre cobertura


vegetal permanente

Gleidson Giordano Pinto de Carvalho 1 , Aureliano José Vieira Pires 2 ,


Cristina Mattos Veloso 2 , Robério Rodrigues Silva 3 , Rosangela
Rodrigues Silva 4
1
Mestrando em Zootecnia, UFV, Viçosa, MG, Bolsista do CNPq.
[Link]
2
UESB, Dep. de Tecnologia Rural e Animal – DTRA, Itapetinga, BA.
[Link]
3
UESB, Dep. de Estudos Básicos e Instrumentais – DEBI, Itapetinga, BA.
4
Discente do Curso de Pedagogia, UESB, Itapetinga, BA.

Resumo

Historicamente a agricultura e a pecuária no Brasil, têm suas atividades produtivas


executadas separadamente, ou seja, não costumam ocorrer simultaneamente, quase
sem nenhum sincronismo. Essa prática, ao longo dos anos, contribuiu para acelerar o
processo de degradação tanto das áreas de pastagens como áreas de lavouras. Frente a
essa realidade, a integração agricultura pecuária consiste em uma alternativa promissora
da produção, favorecendo ao aumento da eficiência de utilização de recursos naturais e a
preservação do meio ambiente, além de trazer vantagens sociais e econômicas, como
aumento da oferta de forragem para o período seco do ano e formação de palhada para o
Sistema de Plantio Direto, além de resultar em aumento da estabilidade de renda do
fazendeiro.

Palavras-chave: bovinocultura, forrageiras, pecuária, produção

promissory alternative, favoring the


Abstract increase of the natural resources
utilization efficiency and the environment
Historically, agriculture and farmers in preservation, besides to bring social and
Brazil have their productive activities economical advantages as roughage
carried out separately, that is, they do offer increase to the dry period of the
not occur simultaneously, almost without year and straw to the Direct Seeding
synchronicity. This practice, along the System, and result in rising the stability
years, contributed to accelerate the of the farmers income.
degradation process both of the pasture
areas and of cultured areas. In function Key words: bovine rearing, roughage,
of this reality, the agriculture-farmers farmers, production
integration consists in an production

Pinto de Carvallho, Gleidson Giordano; Vieira Pires, Aureliano José; Mattos Veloso, Cristina; Rodrigues 1
Silva, Roberio; Rodrigues Silva, Rossangela. .Integracao agricultura-pecuaria: um enfoque sobre cobertura
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1. Introdução

Podemos analisar a importância da integração agricultura pecuária através de vários


fatores, um deles é a redução dos custos de estabelecimentos e reformas de pastagens,
sendo um dos principais motivos pelo qual a agricultura deve ser associada à pecuária.
Isto não é novo, pois a formação das pastagens após a abertura dos cerrados foi,
inicialmente, precedida de culturas anuais. Porém, esta prática não teve a periodicidade e
alternância necessária para evitar a degradação do solo.

Agora a novidade é a combinação do Sistema de Plantio Direto com integração e,


principalmente, com a rotação lavoura/pastagem. Esse sistema apresenta seus benefícios
em áreas onde se associem culturas agrícolas anuais com pastagens e a presença de
animais em pastejo. Com os novos conhecimentos em fertilidade do solo e plantas
daninhas, tornou-se possível à semeadura de culturas, como soja e milho, sobre
pastagens dessecadas, sem preparo de solo. A pastagem contribuiu com a palha e, além
de manter o solo coberto, permite que ocorra a adição e aumento no teor de matéria
orgânica no solo.

As vantagens que a consolidação da prática de integração lavoura-pecuária


proporcionaria aos sistemas produtivos brasileiros da agropecuária são: aumento da
produção de grãos; aumento da produção de carne e leite; redução dos custos de
produção; controle de pragas, doenças e plantas daninhas; recuperação da fertilidade do
solo com a lavoura em áreas de pastagens degradadas; permite a formação de palhada e
com boa persistência; diversificação de culturas favorecendo rotação; incremento de
novas áreas de pastagem no sistema integração e diminuição da necessidade de novos
desmatamentos; aumento da eficiência de utilização de fertilizantes e corretivos e maior
estabilidade de renda ao produtor (Lima, 2004).

2. A bovinocultura e a situação atual do uso das pastagens no Brasil


De acordo com Pereira (2004) no período compreendido entre 1970 e 2000, a
produção e a exportação de carnes de bovinos, suínos e aves cresceram a taxas bastante
elevadas, fazendo com que esses setores apresentassem desempenho melhor do que as
lavouras, à exceção da soja e milho, que são diretamente influenciados pela pecuária.

As áreas de pastagens cobrem 220 milhões de hectares do território brasileiro, sendo 99


milhões de pastagens cultivadas (Anuário, 1995). Estima-se que pelo menos 80% dessas
pastagens sejam formadas por gramíneas do gênero Brachiaria (Schunker, 2001).

Com o maior rebanho comercial do mundo associado às extensas áreas de pastagens, o


Brasil tem essa atividade como altamente competitiva. Entretanto, o sistema extensivo
predomina em regiões onde a terra apresenta baixo valor, a mão-de-obra é pouco
qualificada, as pastagens não são manejadas e o gado fica disperso pelas áreas. Nesse
sentido, sistemas de produção com adoção de tecnologia alcançam produtividades mais
elevadas (Tabela 1). Dessa forma, as pastagens, atuando para viabilizar essa
competitividade, representa papel fundamental no processo produtivo, possibilitando o
atendimento da demanda mundial por alimento produzido em moldes que garantam a
sustentabilidade dos sistemas, com respeito ao ambiente e aos animais.

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Tabela - 1 Índices zootécnicos do rebanho de corte brasileiro e em


sistemas com tecnologias avançadas
Sistema com
Índices zootécnicos Média Sistema
tecnologia
brasileira melhorado
avançada
Natalidade (%) 60,0 >70,0 >80,0
Mortalidade até a desmama (%) 8,0 6,0 4,0
Taxa de desmama (%) 54,0 65,0 75,0
Mortalidade pós-desmama (%) 4,0 3,0 2,0
Idade à 1a cria (anos) 4,0 3,0 - 4,0 2,0 – 3,0
Intervalo entre parto (meses) 21,0 18,0 14,0
Idade de abate (%) 4,0 3,0 2,5
Taxa de abate (%) 17,0 20,0 22,0
Rendimento de carcaça (%) 53,0 54,0 55,0
Peso de carcaça (kg) 200,0 220,0 230,0
Lotação de pastagens (cab./ha) 0,9 1,2 1,6
Produção de carne (kg/ha) 34,0 53,0 80,0
Pereira et al. (2004).

Com a redução dos preços da terra e do boi e a elevação dos preços de insumos
importantes, como vacinas e suplementos minerais, levou à redução da margem de lucro
na pecuária e conseqüentemente do poder de compra dos pecuaristas, bem como à
diminuição da capacidade de refinanciamento da atividade (Corrêa, 2000). Apesar de
tudo isso, diversos dados tem mostrado que está ocorrendo aumento na produtividade e
maior intensificação do setor pecuário, indicando que a bovinocultura de corte tem
evoluído bastante nos últimos anos, basicamente em virtude de maior aporte de
conhecimento tecnológico e da necessidade de o pecuarista buscar novos rumos para
persistir na atividade.

O aumento do consumo de carne condicionado pelo aumento da população brasileira nos


últimos anos, resultantes dos planos de estabilização econômica, além dos efeitos da
globalização, forçaram a pecuária nacional a procurar novos rumos, como a adoção de
técnicas que resultem em maior produtividade.

Como já sabido que a pecuária brasileira caracteriza-se pela grande dependência de


pastagens, que são constituídas, principalmente, por forrageiras tropicais nativas e
cultivadas, com produção vegetal sazonal, em conseqüência de fatores climáticos, na
época das chuvas, podem ocorrer perdas substanciais por excesso de produção e no
período com deficiência hídrica, escassez e baixa qualidade de produção (Agnes et al.,
2004), uma das maneiras de contornar essa situação, para manter a regularidade da
produção de carne ou leite, são alternativas de alimentação como suplementação
alimentar a pasto e, também, o uso de forragens conservadas.

Apesar de todas as dificuldades encontradas, tradicionalmente, as pastagens tropicais


têm sido a principal fonte de alimento para produção de animais ruminantes no Brasil,
levando em conta as características gerais dos sistemas de produção, notadamente por
modelos extensivos, apresentando, portanto, custo relativamente baixo.

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O estabelecimento de pastagens nas áreas ocupadas por florestas, iniciou-se no princípio


do século passado, consistindo na derrubada de matas para cultivos anuais ou
pastagens. Os capins que predominavam neste sistema eram o gordura (Mellinis
minutiiflora), colonião e guiné (Panicum maximun). Segundo Rocha (1988), essas
forrageiras, após alguns anos de uso, iniciavam um processo de queda de produção, que
quase sempre resultava em degradação. Desse modo, os produtores buscaram
alternativas, iniciando-se assim o ciclo dos capins, esperando que a nova forrageira
apresentasse boas produções em terras de baixa fertilidade, terras fracas.

De acordo com Pereira (2004), nas décadas de 60 e 70, foram utilizados diversos
cultivares de Panicum (Gree Panic, Sempre Verde, Makueni) e de Setaria (Kazungula,
Nandi). A parti daí, iniciou-se os ciclos das braquiárias, destacando-se a Brachiaria
decumbens, ruziziensis e humidicola. Nas áreas subtropicais do sul do Brasil, foram
introduzidas diversas espécies forrageiras, destacando-se os gêneros Lolium, Festuca,
Phalaris, Trifolium, Medicago e Lótus, além de outras forrageiras subtropicais, como
quicuio, coast-cross, pensacola e espécies do gênero Paspalum (Zimmer e Euclides Filho,
1997).

3. Degradação de pastagens

Dentre os problemas da pecuária nacional, a degradação das pastagens tem sido um


objeto de estudos, uma vez que é um dos fatores responsáveis pelo sucesso da
produção. A pecuária brasileira é, em sua maioria, desenvolvida a base de pasto, o que
afeta a sustentabilidade do sistema (Pires et al., 2002).

A falta de adubação de manutenção, práticas inadequadas de formação e manejo, bem


como a mentalidade extrativista de muitos pecuaristas são fatores que tem contribuído
de forma maçante para o processo de degradação de pastagens. Só para se ter uma
idéia, o Estado de Minas Gerais possui cerca de 50% de sua área total destinada a
pastagens, para um rebanho de 21 milhões de cabeças de bovinos, representando uma
capacidade de suporte de apenas 0,54 u.a/ha, semelhante a nacional, que é de 0,55
u.a/ha (Floriani, 2002).

Considerando-se apenas na fase de engorda de bovinos, a produtividade de carne de


uma pastagem degradada está em torno de 2 arrobas/ha/ano, enquanto que numa
pastagem em bom estado podem-se atingir, em média, 16 arrobas/ha/ano (Kichel et al.,
1999).

No contexto atual, pastagens degradadas são importantes causas da baixa produtividade


do rebanho bovino. Estima-se que 80% do leite produzido no País seja proveniente de
produção em pasto, com predominância de pastagens degradadas de braquiária,
intensificando o processo de erosão dos solos e o uso de agrotóxicos.

A degradação das pastagens pode ser considerada como um dos grandes problemas da
pecuária brasileira, já que os sistemas de produção, em sua grande maioria, têm nelas a
sua base, tornando muito frágil a sustentabilidade do sistema (Pereira, 2004).
De acordo com Barcelo (1996) as áreas de pastagens nos cerrados brasileiros são
responsáveis por 60% da produção de carne nacional e apresentam uma capacidade
suporte inferior a 0,8 u.a/ha. Segundo este mesmo autor, em torno de 80% dessas
apresentam algum tipo de degradação.
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Onde as limitações edafoclimáticas são mais severas, como nos cerrados e na caatinga, o
declínio da produtividade das pastagens cultivadas parece ser mais acelerado,
concomitante à queda da fertilidade do solo. Na região Norte, dentre os fatores limitantes
e relacionados ao processo, destacam-se: ineficiência na reciclagem de nutrientes,
principalmente fósforo; as cigarrinhas-das-pastagens; e a infestação por invasoras
(Serrão et al., 1978; Dias Filho, 1998).

Nesse sentido, a Embrapa encontrou soluções para a renovação dos mais de 40 milhões
de hectares de pastagens do Cerrado. O sistema de associação de culturas anuais,
principalmente arroz, milho, sorgo ou girassol com pastagens, contribui para o
abastecimento de grãos e reduz a escassez de carne e leite, inclusive no período seco.
Um dos procedimentos desenvolvidos e que tem sido utilizado com sucesso é o "Sistema
Barreirão".

Com o uso desse sistema, cerca de 500 mil hectares de pastagens já foram renovadas,
reduzindo-se a necessidade de desmatamento de novas áreas para a formação de
pastagens.

A associação dos conhecimentos e das tecnologias, hoje existentes, faz a integração


agricultura-pecuária uma excelente alternativa para a produção estável e econômica e
ecologicamente sustentável. Para a produção estável, a integração agricultura-pecuária,
via plantio direto, viabiliza a continuidade da atividade, conferindo diversidade de renda
ao produtor. Isso porque os pré-requisitos necessários a este sistema são empregados
com eficácia: a utilização de cobertura morta (oriundas das pastagens dessecadas e das
culturas), rotação de culturas (culturas agronômicas e pastagem) e a consorciação
temporal entre cultura agronômica e pastagem.

4. Integração agricultura-pecuária

A integração da agricultura-pecuária consiste na diversificação da produção,


possibilitando o aumento da eficiência de utilização dos recursos naturais e a preservação
do ambiente, resultando em incrementos e maior estabilidade da renda do produtor
rural.

A agricultura e a pecuária já estão há muitos séculos interagindo-se, na medida em que


a demanda por alimentos de origem vegetal e, ou, animal tem sido maior do que a
oferta. De acordo com Agnes et al. (2004), essa interação ocorre de diversas formas,
como fonte complementar de alimentação, de matéria prima para vestuário e de matéria
orgânica na forma de nutrientes para as culturas agronômicas, além de os animais serem
força de tração para muitas tarefas na lavoura.

Segundo Borges (2004), o sistema integração agricultura-pecuária teve início com o


plantio direto da soja sobre pastagens perenes na fazenda Cabeceira, no município de
Maracaju, Mato Grosso do Sul, no ano de 1989, Ake Bernhard e Krijn Wielemarker,
ambos produtores de soja e criadores de gado em suas propriedades.

A integração agricultura-pecuária tem-se tornado opção vantajosa, beneficiando duas


atividades de importância econômica, a produção de grãos e a pecuária, proporcionando
ganhos mútuos ao produtor (Salton et al., 2001). A rotação entre soja e pastagem (dois
a três anos de soja e três anos de pastagem) tem propiciado benefícios para a cultura da
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soja e para a pastagem, como a diminuição da incidência de plantas daninhas e a quebra


do ciclo de pragas e doenças da soja (cancro-da-haste, murcha, nematóides, etc.),
resultando em aumento de produtividade (Kichel et al., 2000). O sistema radicular das
forrageiras explora volume maior de solo e recicla maior quantidade de nutrientes.

Além disso, aumenta a atividade biológica do solo, favorece a elevação do teor de


matéria orgânica e reduz a erosão (Salton et al., 2001). As forrageiras do gênero
Brachiaria são materiais de excelente qualidade para cobertura do solo no sistema de
plantio direto (Silva et al., 2004).

O sistema de plantio direto tornou-se muito mais que um método de conservação do solo
e tem contribuído para uma agricultura sustentável, mantendo-se alta produtividade com
mínimo impacto ao meio ambiente (Amaral, 2001). No entanto, apesar de amplamente
adotado, esse sistema de plantio dependerá, para sua evolução, de fontes eficientes de
cobertura morta com longevidade adequada. Esta característica é oferecida pelas
forrageiras do gênero Brachiaria, as quais têm produzido, quando bem manejadas, acima
de 15 t ha-1 de biomassa seca, persistindo por mais de seis meses na superfície do solo
(Cobucci, 2001).

Apesar da comprovada viabilidade técnico-econômica do consórcio entre milho e


braquiária na recuperação de pastagens degradadas (Carvalho et al., 1990; Portes et al.,
2000), o consórcio entre soja e braquiária apresenta desafios, devido à menor
capacidade competitiva da cultura com a forrageira, além da dificuldade na colheita da
soja quando em consórcio.

4.1. Importância

Quando comparamos a área de pastagens no Brasil, que está em torno de 220 milhões
de hectares, abrigando um rebanho de 170 milhões de cabeças, com a área da
agricultura de grãos, que soma apenas 40 milhões de hectares, produzindo por volta de
mais ou menos 120 milhões de toneladas, é possível imaginar o potencial de produção de
carne, leite e grãos neste sistema de integração agricultura pecuária.

A redução dos custos de estabelecimento e reforma de pastagens é um dos principais


motivos pelo qual a agricultura é associada à pecuária. Alem disso, a Embrapa Gado de
corte (2002) tem mostrado que o sistema integrado possibilita melhorias significativas
nos índices zootécnicos dos rebanhos nos cerrados (Tabela 2). Isto não é assunto novo,
pois a formação das pastagens após a abertura dos cerrados foi, normalmente, precedida
de culturas anuais. Novidade é a combinação do Sistema Plantio Direto com integração e,
principalmente, com a rotação lavoura/pastagem.

Com os novos conhecimentos sobre fertilidade do solo e controle de plantas daninhas,


tornou-se possível a semeadura de culturas, como soja e milho, sobre pastagens
dessecadas, sem preparo de solo. Isto ajudou a viabilizar o uso do Sistema Plantio Direto
nos Trópicos, na medida em que a pastagem contribuiu com palha, que, além de manter
o solo coberto, permite que ocorra acréscimo no teor de matéria orgânica.

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Tabela 2 - Índices zootécnicos médios do rebanho dos cerrados e em


sistemas tecnológicos mais evoluídos. Campo Grande/MS
Sistema otimizado
integração agricultura-
Índices Média Brasileira pecuária
Natalidade 60% 85%
Mortalidade até a desmama 8% 2,7%
Taxa de desmama 54% 80%
Mortalidade pós-desmama 4% 1%
Idade 1a cria 4 anos 2 anos
Intervalo entre partos 21 meses 12 meses
Idade de abate 4 anos 1,5 ano
Taxa de abate 17% 40%
Peso da carcaça 200 kg 230 kg
Rendimento da carcaça 53% 55%
Lotação 0,9 na./ha 3,0 na./ha
Fonte: Embrapa Gado de Corte (2000).

4.2. Objetivos

• Aumentar a estabilidade de renda do produtor;


• Diversificar culturas favorecendo a rotação;
• Melhorar as condições físicas do solo com a pastagem nas áreas de
lavoura;
• Recuperar a fertilidade do solo com a lavoura em áreas de pastagens
degradadas;
• Aumentar a eficiência de utilização de fertilizantes e corretivos;
• Preservar o ambiente;
• Reduzir custos;
• Controlar pragas, doenças e plantas daninhas;
• Produzir pasto, forragem conservada e grãos para terminação de novilhos
na estação seca.

4.3. Formas de integração agropecuária

4.3.1. Sucessão de culturas com forrageiras anuais


É o sistema em que predomina a agricultura com espécies anuais durante o verão (soja e
milho), sendo na estação seca cultivadas pastagens anuais como aveia, sorgo forrageiro
ou milheto, que são usadas para terminação de animais, neste período, retornando a
lavoura na safra do verão seguinte, podendo ser conduzido no Sistema Plantio Direto
(SPD).

4.3.2 Rotação culturas anuais/pastagens perenes

É um sistema mais intensivo de exploração, em que as áreas de culturas anuais e


pastagem perene se alternam a cada dois ou três anos, utilizando-se o Sistema Plantio
Direto (SPD).

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Neste sistema, a pastagem permite o incremento no conteúdo de matéria orgânica e


melhoria nas características físicas do solo, além de mantê-lo coberto com cultuas anuais
durante grande parte do período. Parte dos nutrientes empregados na lavoura
permanece no solo, ficando disponíveis para o ciclo de pastagem. Com a adoção do SPD,
a preocupação com o controle de plantas daninhas é reduzida, sendo o controle da
pastagem a principal preocupação.

4.3.3. Reforma e/ou recuperação de pastagem com culturas anuais

É o sistema utilizado em propriedades cuja exploração principal é a pecuária,


desenvolvida em pastagens manejadas inadequadamente e sem um programa de
adubação de manutenção. Neste caso, desenvolve-se a agricultura nas áreas com
pastagem degradada ou mais antiga, por um período de dois a três anos. Em muitas
destas áreas, a fertilidade do solo encontra-se baixa, necessitando da incorporação de
adubos e corretivos pelo método convencional de preparo do solo. Nos anos
subseqüentes a semeadura das culturas deve ser realizada no Sistema Plantio Direto.
Quando a fertilidade do solo é corrigida durante os cultivos anuais de verão, com milho
ou soja, a pastagem é restabelecida na seqüência.

Pires et al. (2002) relataram que a prática de integração com a finalidade de recuperar
ou renovar pastagens, procura explorar as vantagens deste sistema em amortizar,
parcialmente ou totalmente, o investimento empregado com a venda de grãos
produzidos pela cultura e aproveitar o efeito residual da adubação da cultura para o
estabelecimento da pastagem. Entretanto, os benefícios de ordem físico-químico-
biológica ao agroecossistema permitem um melhor aproveitamento dos recursos
naturais, conferindo sustentabilidade da pastagem.

A recuperação ou renovação de pastagens degradadas com uso de culturas anuais pode


ser conduzida de duas formas: a primeira visa a recuperação mais rápida, na qual cultura
como arroz e do milho são estabelecidas com preparo do solo no final da seca e plantio
das sementes da cultura e da forrageira no início das chuvas ou aproveita-se o potencial
de sementes da forrageira existente no solo, sendo que a pastagem começa a ser
utilizada após a colheita da cultura anual.

A segunda seria a recuperação ou renovação á longo prazo, na qual se implantariam


culturas anuais por dois ou mais anos, como arroz, milho, soja, girassol e sorgo, ou
rotação destas culturas e, após dois ou mais anos, a pastagem seria restabelecida na
área.

De acordo com os relatos observados na literatura, tudo leva a crer que, por meio da
agricultura, torna-se mais fácil a recuperação ou renovação da pastagem, pois ela
possibilita a produção de grãos, em curto espaço de tempo. Além disso, a formação da
pastagem após a agricultura é rápida e a custos menores, o que torna esta prática
sustentável, dos pontos de vista econômico e ambiental.

Objetivando comparar a economicidade de algumas técnicas de recuperação de


pastagem, Yokoyama et al. (1999) concluíram que a exploração da pecuária bovina de
corte, no pasto recuperado, é uma atividade economicamente lucrativa. Além disso, os
autores observaram que a reforma da pastagens cultivadas nos moldes do Sistema
Barreirão (milho + Brachiaria brizantha; arroz + B. brizantha; arroz + Calopoginium
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mucunoides + B. brizantha) apresenta vantagem em relação à reforma da pastagem


utilizando-se método o convencional, com Brachiaria brizantha, devido à produção de
grãos, que cobre parte dos custos de formação da pastagem. Entretanto, segundo os
autores, a recuperação de pastagem em consórcio com o milho é a melhor alternativa,
desde que se obtenha a produtividade de milho em torno de 3.600 kg/ha.

Em trabalho de pesquisa concluído recentemente, Fernandes (2001) mostrou que


possível obter as lotações bem acima das médias observadas em campo (Figura1), com
ganhos de peso igualmente surpreendentes (Figura 2). Além disso, a reforma de
pastagem pelo plantio direto promove aumento da produção por hectare, por ano (Figura
3) e, sobre o ponto de vista econômico, mostro ser uma ferramenta fundamental para o
pecuarista aumentar a lucratividade da fazenda, conforme mostram os índices
apresentados na Figura 4. Enquanto numa reforma convencional o pecuarista retorna
com o gado em torno de 60 a 90 dias após o plantio do novo capim, com o plantio direto
combinado com o sorgo de pastejo, a entrada do rebanho é antecipada para 30 dias após
plantio, com ganhos bastante superiores aos de uma pastagem convencional.

4.3.4. Agricultura destinada à suplementação e ao confinamento

Em algumas propriedades destinadas à agricultura e à pecuária não há integração de


áreas, mas de atividades. Os produtos da agricultura tais como grãos, resíduos e
forragem conservada (feno e silagem) são utilizados na suplementação e/ou no
confinamento de animais.

4,5 4 4,12
4
3,5
3
UA/ha

2,5
2
1,5 1,17
1
0,5
0
Brachiaria Sorgo de Sorgo de
ruziziensis pastejo + pastejo +
(testemunha) Brachiaria mobaça
brizantha
Figura 1 - Lotação média em UA/ha em pastagens reformadas em
sistema de plantio direto (fev./00 a março/01).

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1,4
1,15
1,2 0,99
kg/cab./dia

1
0,74
0,8
0,6
0,4
0,2
0
Brachiaria Sorgo de Sorgo de
ruziziensis pastejo + pastejo +
(testemunha) Brachiaria mobaça
brizantha

Figura 2 - Ganho de peso em kg/cab/dia de bois magros em


pastagens reformadas em sistema de plantio direto (fev./00
a março/01).

50 45,52
38,93
40
@/ha/ano

30
20 14,25
10
0
Brachiaria Sorgo de Sorgo de
ruziziensis pastejo + pastejo +
(testemunha) Brachiaria mobaça
brizantha

Figura 3 - Produção em arrobas/ha/ano obtida em pastagens


reformadas em sistema de plantio direto (fev./00 a
março/01), Uberaba, MG.

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1000 868,15
900
800
700
600
R$/ha

478,87
500 361,77
400
300
200
100
0
Brachiaria Sorgo de Sorgo de
ruziziensis pastejo + pastejo +
(testemunha) Brachiaria mobaça
brizantha

Figura 4 - Receita líquida obtida em pastagens reformadas em sistema


de plantio direto (fev./00 a março/01), Uberaba-MG.

4.4 Soja, milho e pastagens na integração agricultura-pecuária

Para se ter uma idéia da expansão da cultura da soja nos últimos anos, só no estado de
Minas Gerais o crescimento foi de 17,5% na safra de 2003/2004 em relação a anterior
(Emater-MG, 2004). De acordo com Agnes et al. (2004) esse crescimento ocorreu devido
a ocupação de áreas de pastagens, próprias ou arrendadas, em especial, no Triângulo
Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste, responsáveis por 97% da soja produzida no estado. A
produtividade é boa em solos de pastagem, pois observa-se excelente resultado na
fixação simbiótica de nitrogênio, creditado ao estado grumoso criado pelo sistema
radicular fasciculado da gramínea e associado à formação de um horizonte orgânico com
deposição de resíduos vegetais de lenta decomposição. Além disso, a cultura não é
suscetível às pragas e doenças comuns às pastagens, e também o manejo de plantas
daninhas torna-se mais simples, em razão da alternância das espécies infestantes. A
cultura da soja pode, ainda, anteceder à pastagem, em sistema de rotação de culturas,
uma vez que sua palhada se decompõem rapidamente, liberando os nutrientes, em
especial o nitrogênio.

Muitos pecuaristas tem procurado integrar neste sistema, adequando suas estruturas ao
cultivo de milho e soja, conseguindo, com isso, reduzir o custo de manutenção da
propriedade, assim como melhorar a qualidade de alimentação dos animais pela
produção própria de grãos e de forragens conservadas. Após dois ou três anos de
cultivos são restabelecidas as pastagens, com maior capacidade de suporte e produção
de carne e leite por unidade de área.

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A cultura do milho assume grande importância na integração agricultura-pecuária para


alimentação animal, como grão ou silagem. Essa cultura permite fácil implantação da
pastagem em sistema consorciado.

O sistema Santa Fé, desenvolvido pela Embrapa, consiste na semeadura simultânea do


milho com a espécie escolhida de gramínea para pastejo, normalmente Brachiaria
decumbens ou Brachiaria brizantha. A semeadura da forrageira pode ser feita a lanço,
ficando a semente sobre a superfície do solo, ou simultaneamente à do milho, em
sistema de plantio direto. Neste último caso, utiliza-se semeadora múltipla, colocando a
semente em um ou dois sulcos de semeadura, na entrelinha do milho, com
aproximadamente 2 cm de profundidade. Para evitar a competição da forrageira com o
milho, utilizam-se sub-doses de herbicidas graminicidas, aplicados 20 a 30 dias após a
emergência do milho, retardando o desenvolvimento da forrageira e de outras plantas
daninha gramíneas presentes na área. Com a senescência do milho, a forrageira se
estabelece sem prejudicar o rendimento e a colheita, proporcionando boa cobertura do
solo e pastagem para o gado na época da seca, além de garantir palhada para o cultivo
seguinte.

De acordo com Salton et al. (1995) essa palhada é importante para esse tipo de sistema,
pois a integração agricultura-pecuária com o plantio direto proporciona grandes
benefícios, principalmente o aumento da lotação, a melhoria da fertilidade do solo, a
otimização do uso de maquinário e a obtenção de duas safras por ano: carne e grãos.
Silva et al. (2003) avaliaram diferentes formas de semeadura de Brachiaria brizntha em
consorcio com milho. Apesar de não ter influenciado a produtividade de milho (Tabela 3),
o cultivo de duas linhas de braquiária na entrelinha do milho promoveu maior produção
de biomassa da forrageira por ocasião da colheita do milho. A aplicação de herbicida
(nicosulfuron 8g/ha em mistura com atrazine 1,5 kg/ha) aos 30 dias após a emergência
do milho prociciou maio rendimento de grãos, peso de mil sementes e maiores teores de
nitrogênio, fósforo e potássio nas folhas do milho, quando comparados com parcelas sem
herbicida.

Tabela 3 - Biomassa de plantas daninhas aos 60 dias após a emergência


do milho, rendimento de Brachiaria brazantha no momento da
colheita e produção de grãos de milho em função dos arranjos
de semeadura e do uso de herbicidas aplicados em pós-
emergência
Arranjo de semeadura1 Plantas daninhas B. brizantha Milho
(g cm-2) (kg/ha-1) (kg/ha-1)
Duas linhas na entrelinha do milho 48,21 2.664,2 5.030,2
Uma linha na entrelinha do milho 81,02 1.154,5 5.771,1
Uma linha na linha do milho 79,51 714,7 5.549,6
A lanço 57,22 450,5 5.772,4
Braquiária solteira 84,13 7.633,8 ........
Milho solteiro 75,50 ........ 5.911,9
Herbicidas
Atrazine 107,20 2.801,86 5.269,22
Atrazine + Nicossulfuron 34,67 2.245,21 5.864,6
1
O espaçamento do milho foi de 1 m entre fileiras e a braquiária formada por duas linhas na
entrelinha e em monocultivo espaçada de 0,5 m.

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4.5. Forrageiras empregadas no sistema de integração

De acordo com Garcia et al. (2004) dentre as gramíneas mais utilizadas nos sistemas de
integração agricultura-pecuária, podem-se citar as espécies dos gêneros Brachiaria,
Panicum e Andropogon, bastante difundidas na região dos Cerrados, bem como as
gramíneas anuais aveia e azevém, mais utilizadas na região Sul do Brasil. Com relação
às leguminosas, têm destaque o trevo-branco, o amendoim-forrageiro e o estilosantes.

Segundo os mesmos autores, na escolha das espécies forrageiras utilizadas nos sistemas
de integração agricultura-pecuária, devem ser considerados alguns critérios, como:
adaptação edafoclimática, exigência nutricional, valor nutritivo, resistência a pisoteio,
persistência, facilidade de erradicação, produção de sementes, entre outras.

4.5.1. Brachiaria

Nos últimos anos o elevado potencial de produção das pastagens tropicais tem sido
ressaltado e justificado pela disponibilidade de espécies forrageiras extremamente
produtivas e adaptadas ao pastejo como é o caso dos capins dos gêneros Brachiaria.
Essas plantas são caracterizadas pela sua grande flexibilidade de uso e manejo, sendo
tolerantes a uma série de limitações e/ou condições restritivas de utilização para um
grande numero de espécie forrageiras (Silva, 2004).

De acordo com Garcia et al. (2004) as espécies do gênero Brachiaria mais utilizadas em
sistemas de integração agricultura-pecuária são Brachiaria brizantha e Brachiaria
decumbens.

Avaliando a competição entre Brachiaria brizantha cv. Marandu consorciada com milho,
sorgo, milheto e arroz, Portes et al. (2000) observaram que essa competição, em maior
ou menor intensidade resultou em menos perfilhos, menor índice de área foliar, menores
ganhos de massa seca de folhas, colmo e total, da braquiária consorciada em relação à
solteira. No entanto, seu crescimento após a colheita dos cereais foi rápido, com rebrota
vigorosa, permitindo que o pasto fosse utilizado aos 70 dias após a colheita.

Souza Neto et al. (2002) estudaram o estabelecimento de pastagens de Brachiaria


brizantha cv. Marandu com milho como cultura acompanhante. Foi testado o efeito de
quatro épocas de semeadura do capim, em relação à época de plantio do milho (0, 21,
42 e 63 dias após a semeadura do milho). A produção de milho, grãos e planta inteira,
não foi afetada pela forrageira intercalar, em condições adequadas de fertilidade e
umidade do solo. A época de semeadura do capim não afetou sua população inicial de
plantas, conforme observado na Tabela [Link]ém, a produção de matéria seca do capim,
dois meses após a colheita do milho, diminuiu com semeaduras mais tardias. Essa
redução da produção de matéria seca do capim se deve à competitividade da cultura do
milho por água, luz e nutrientes, associada ao maior tamanho da planta de milho por
ocasião da semeadura do capim em épocas mais tardias. Segundo os autores, a
semeadura mais tardia do capim também o prejudicou na competição com o milho,
proporcionando menor cobertura do solo e maior presença de invasoras.

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Tabela 4 Efeito da época de semeadura do capim-braquiária em sua


população de plantas, porcentagem de cobertura do solo e
produção de matéria seca (MS) dois meses após a colheita do
milho
Variável Dias de semeadura do capim após o plantio do milho
0 21 42 63
População (plantas/m2) 26,2b 58,1a 43,3a 42,7ª
Cobertura do solo (%) 71,2a 62,5a 24,6b 12,9c
Produção de MS (t/ha) 6,3a 4,8b 2,4c 0,7d

4.5.2. Panicum
As plantas do gênero Panicum são caracterizadas pelo seu grande potencial de produção
de forragem sendo, porém, menos flexíveis que plantas como as do gênero Brachiaria
por apresentarem limitações e/ou dificuldades para serem manejadas sob lotação
contínua, prevalecendo de uma forma geral, o seu uso na forma de pastejo rotacionado.
Dentre s diversos cultivares, Panicum maximum cv. Mombaça (capim-Mombaça) e cv.
Tanzânia (capim-Tanzânia) adquiriram grande destaque nas áreas de pastagens
cultivadas do país e, por essa razão, têm concentrado boa parte dos esforços e recursos
investidos em pesquisa em anos recentes (Silva, 2004).

Segundo Garcia et al. (2004), no estabelecimento de pastagens com culturas


companheiras, as gramíneas do gênero Panicum podem ser associadas com milho, sorgo,
arroz e milheto. A vantagem que se espera dessa associação é a redução de custos na
formação da pastagem da espécie perene, todas as práticas realizadas para a condução
da cultura anual beneficiam a forrageira consorciada, ficando a pastagem formada após a
retirada da cultura anual (Carvalho, 1993).

Objetivando estudar o efeito de densidades de semeadura de tanzânia/milheto e doses


de N no rendimento e na composição química do capim-tanzânia, na sua segunda
estação de crescimento, Barros et al. (2002) avaliaram o efeito residual de quatro
combinações de mistura de sementes tanzânia:milheto (8:0, 5:3, 4:4 e 3:5 kg/ha) e três
doses de N (60, 120 e 180 kg/ha). Os autores concluíram que não houve efeito residual
do milheto na segunda estação de crescimento do capim-tanzânia.

A produtividade e a qualidade forrageira de pastagem de Panicum maximum cv. Tanzânia


estabelecida após quatro anos de cultivo de soja no verão e milheto no outono-inverno
foi avaliado por Kanno et al. (2000). O tratamento em que se cultivou apenas soja no
verão mostrou-se significativamente superior tanto na disponibilidade como na produção
total acumulada de MS do capim. Esse tratamento também mostrou valores superiores
de PB e no coeficiente de disgestibilidade, não apresentando diferenças significativas
para os conteúdos de macro e micronutrientes, exceto para o nitrogênio. Os autores
concluíram que a seqüência de cultivo soja no verão e miheto outono-inverno, com
pastejo e sem adubação de manutenção, não foi suficiente para permitir uma fertilidade
residual que sustentasse, em estado nutricional adequado, principalmente quanto ao N,
cultivares como Panicum maximum cv. Tanzânia, plantados posteriormente.

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4.5.3. Cynodon
Ultimamente, tem-se aumentado a utilização de gramíneas do gênero Cynodon, graças
ao surgimento de novos cultivares, originários das estações experimentais nos Estados
Unidos, que desenvolveram materiais de elevada produtividade e alto valor nutritivo
(Garcia et al., 2004).
Apesar do alto custo de implantação (mudas), as espécies C. dactylon, nlemfluensis e
plectostachyus, tem sido bastante utilizadas por apresentarem boas características
produtivas e nutricionais. Segundo Evangelista et al. (2003), além dessas características,
as espécies Cynodon confere produção média de 20 a 25 toneladas de MV/ha,
apresentando boa tolerância à seca e a cigarrinha das pastagens. Neste grupo estão os
capins coast-cross, estrela, africana, tifiton-85, florana e florakirk.
O capim coast-cross, pertencente ao grupo das gramas, é uma espécie de Cynodon já
cultivada há alguns anos no Brasil, porém, ultimamente, seu uso vem decrescendo,
dando lugar ao Tifton-85, ou tifton, como é comumente conhecido.
As espécies deste gênero vêm sendo utilizadas na renovação indireta de pastagens, onde
tem sido feita a substituição de espécies de Brachiaria em pastagens degradadas. Como
as espécies do gênero Cynodon são implantadas por propagação vegetativa, herbicidas
do grupo das trifluralinas têm sido bastante eficientes em retardar o crescimento de
novas plantas de Brachiaria através de sementes e permitir o fechamento do estande
com maior rapidez (Garcia et al., 2004).

4.5.3. Andropogon
De acordo com Garcia et al. (2004) o capim-andropogon é de estabelecimento
relativamente lento, altamente produtivo e de fácil consorciação. É muito resistente a
seca devido ao seu sistema radicular profundo. Desenvolve-se melhor em solos bem
drenados e vegeta bem em regiões de cerrado, de pH ácido e alto teor de alumínio,
respondendo bem à calagem e adubação. Como gramínea perene, de touceiras densas e
de porte alto e ereto, pode atingir até três metros de altura. Suas sementes são muito
pequenas e por isso a semeadura deve ser superficial, seguida de uma leve
compactação.

O mesmo autor evidencia ainda que esta espécie é muito palatável e apresenta bom teor
de PB (9 – 11%). É resistente ao ataque de cigarrinhas das pastagens e facilmente
eliminado pela aração. Por apresentar hábito de crescimento ereto, forma consorciações
bastante equilibradas com leguminosas forrageiras, como puerária, desmódio,
estilosantes, calopogônio e soja perene. A utilização do capim-andropogon na rotação de
culturas favorece a multiplicação de fungos micorrízicos no solo e estimula a formação da
micorriza e seus efeitos na planta. Esta gramínea apresenta elevado grau de dependência
micorrízica e seu uso em um sistema de integração agricultura-pecuária aumenta a
população dos fungos nativos do solo, beneficiando os cultivos subseqüentes (Miranda et
al., 2001).

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4.6. Sistemas agrossilvipastoris


Após um período de expansão geográfica da produção de grãos nas chapadas dos
cerrados, constata-se que os cultivos de milho, feijão e soja têm atingido bons níveis de
produtividade. Contudo, prevalece um sério problema de capitalização e endividamento
do produtor que tem sido postergado, após a criação, em julho de 1994, do plano de
estabilização econômica, denominado Plano Real, mediante a securitização de suas
dívidas (Veloso et al., 1996).

Os sistemas de produção nos cerrados têm-se tornado mais complexos. Fazendas típicas
de produção de grãos, que foram implantadas nas chapadas com incentivos de créditos
subsidiados, estão procurando integrar novas atividades de produção, entre elas a
criação de gado. Esses sistemas mais complexos vêm sendo estudados com objetivo de
oferecer mais opções que sejam operacionais, economicamente sustentáveis e
tecnicamente viáveis (Veloso, 1997). Trata-se de um problema importante, uma vez que
muitos produtores de grãos estão enfrentando aumentos nos custos de produção, sem
conseguir elevar, ou mesmo manter, os níveis de produtividades de seus cultivos.

Entre as vantagens de um sistema de produção, com atividades de grãos e de pecuária


integradas, destacam-se: melhoria na disponibilidade de capital de giro do negócio
durante todo o ano; diminuição de riscos na produção de grãos e conseqüentemente do
negócio. Entretanto, é necessário que o produtor invista em uma expansão da infra-
estrutura da fazenda e aperfeiçoe o nível de planejamento e gerência de todo o seu
negócio, pois as atividades de produção agropecuária apresentam baixos índices de taxa
interna de retorno (inferiores a 10%) enquanto os juros bancários praticados no Brasil
estão mais elevados (Veloso & Chaib Filho, 1999).

Para Garcia et al. (2004) o sistema agrossilvipastoril é também uma forma de integração
e rotação de culturas em que o componente arbóreo, herbáceo (cultura anual e
forrageira) e o animal se encontram presentes numa forma de uso simultâneo ou
escalonado. Imensas áreas de lavouras podem ser ocupadas por árvores e pasto, em
diferentes formas de exploração, em arranjos espaciais e temporais. O estabelecimento
do sistema nada mais é do que um consócio de plantas com a presença de animais.

Um dos poucos exemplos de utilização e, larga escala de sistemas silvipastoris


verdadeiros com eucalipto, no Brasil, são chamados sistemas agrossilvipastoris rotativos,
que vêm sendo implementados pela Companhia Mineira de Metais, desde 1993, em suas
fazendas localizadas no noroeste do estado de Minas Gerais, região de cerrados. Esses
sistemas consistem no consórcio de eucalipto com culturas anuais e forrageiras. No ano
de implantação do sistema, planta-se eucalipto, no espaçamento de 10 x 4 m, e arroz,
nas suas entrelinhas. No ano seguinte, cultiva-se soja e, aos dois anos, é feita a
introdução das gramíneas no sub-bosque do eucalipto. Do terceiro ao décimo primeiro
ano, o sistema é utilizado para engorda de bovinos por meio de pastejo direto. O
eucalipto é colhido aos 11 anos de idade, quando se encerra o ciclo do sistema. (Garcia
et al., 2003).

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4.7. Considerações Finais

A escolha e o sucesso do estabelecimento de determinada espécie forrageira, gramínea


ou leguminosa, como componente do consórcio ou em plantio exclusivo depende de
fatores e práticas de manejo que não devem ser esquecidos.

A interação entre as atividades promove: aumento na produção de grãos e carne;


rotação de culturas, reduzindo pragas e doenças; redução do custo de produção, devido
à otimização de máquinas e implementos; melhoria da conservação e a fertilidade do
solo; maior estabilidade econômica; aumento na geração de empregos no setor
agropecuários; maior sustentabilidade; valorização da propriedade e desenvolvimento do
setor rural.

4.8. Referências

• AGNES, E.L.; FREITAS, F.C.L.; FERREIRA, L.R. Situação atual da integração


agricultura-pecuária em Minas Gerais e na Zona da Mata Mineira. In: MANEJO
INTEGRADO: INTEGRAÇÃO AGRICULTURA-PECUÁRIA, 1., 2004, Viçosa, MG. Anais...
Viçosa: UFV, 2004. p.251-285.
• AMARAL, M. Plantio direto evolui no Brasil. Informe Agropecuário, v. 22, n. 208, p.
3, 2001.
• BARCELOS, A.O. Sistemas extensivos e semi-intensivos de produção pecuária bovina
de corte nos cerrados. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO, 8, Brasília, DF: Embrapa-
CPAC, 1996. p.130-136.
• BARROS, C.O.; PINTO, J.C.; EVANGELISTA, A.R. et al. Rendimento e composição
química do capim-tanzânia estabelecido com milheto sob três doses de nitrogênio.
Ciência Agrotécnica, v.26, n.5, p.1068-1075, 2002.
• BORGES, E.P. Historia do processo integração agricultura-pecuária. In: MANEJO
INTEGRADO: INTEGRAÇÃO AGRICULTURA-PECUÁRIA, 1., 2004, Viçosa, MG. Anais...
Viçosa: UFV, 2004. p.353-384.
• CARVALHO, M.M. Recuperação de pastagens degradadas. Coronel Pacheco:
Embrapa-CNPGL. 51p. (Documento, 55), 1993.
• COBUCCI, T. Manejo integrado de plantas daninhas em sistema de plantio direto. In:
ZAMBOLIM, L. (Ed.) Manejo integrado fitossanidade: cultivo protegido, pivô central
e plantio direto. Viçosa: UFV, 2001. p. 583-624.
• CORRÊA, A.S. Análise retrospectiva e tendência da pecuária de corte no Brasil. In:
REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 37, 2000, Viçosa, MG.
Anais dos Simpósios e Workshops. Viçosa: Sociedade Brasileira de Zootecnia,
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Trabajo recibido el 08.01.05 nº de referencia 080805_REDVET. Enviado por su autor principal,


miembro de la Comunidad Virtual [Link] ®. Publicado en REDVET® el 01/08/05.

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