Revisão de Supremo e Ínfimo
Análise Real - Explicação Progressiva
Introdução
Vamos explorar o conceito de supremo (sup) e ı́nfimo (inf) de uma função limitada
f : X → R.
Nossa função é limitada, o que significa que seus valores não ultrapassam certos limites
superior e inferior.
Para isso, consideramos:
sup f = sup f (X) = sup{ f (x) : x ∈ X } e inf f = inf f (X) = inf{ f (x) : x ∈ X }.
Vamos trabalhar esse conceito em três formas diferentes, com explicações visuais e
lógicas.
1 1. Interpretação via Conjuntos de Valores
Definições importantes:
• Função limitada: f é limitada se existe M > 0 tal que ∀x ∈ X, |f (x)| ≤ M .
• Imagem da função: é o conjunto dos valores assumidos por f :
f (X) = {f (x) : x ∈ X}.
• Supremo: o menor número real que é maior ou igual a todos os elementos de f (X).
• Ínfimo: o maior número real que é menor ou igual a todos os elementos de f (X).
Ilustração visual:
Imagine o eixo vertical como o conjunto dos valores reais. Os pontos azuis são os pontos
da imagem f (X).
1
R
sup f = 2.3
inf f = 0.5
Raciocı́nio:
O supremo é o menor número maior que todos os pontos azuis, e o ı́nfimo o maior número
menor que todos os pontos azuis.
Embora talvez a função não atinja exatamente o supremo (ex. máximo), ele é um
limite superior real dos valores.
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2 2. Definição através de desigualdades e aprox-
imações
Hipóteses:
Temos f : X → R limitada. Suponha que:
∃M ∈ R : ∀x ∈ X, f (x) ≤ M.
Definição formal:
O supremo s = sup f é o mı́nimo entre esses valores M :
s = inf{M ∈ R : ∀x ∈ X, f (x) ≤ M }.
Explicação passo a passo:
• Primeiro, reconhecemos que existe uma famı́lia de cotas superiores para f (X), por
exemplo 10, 5, 3, 2.5, 2.4, 2.31, . . ..
• O supremo é o menor valor entre essas cotas. Essa propriedade garante que para
qualquer ε > 0, existe xε ∈ X com
f (xε ) > s − ε,
ou seja, valores de f se aproximam arbitrariamente do supremo.
2
Ilustração visual:
Cota superior
f (xε ) Supremo s
s−ε
O valor f (xε ) está entre s − ε e s, mostrando a aproximação.
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3 3. Forma usando sequências e limite superior/inferior
Hipóteses:
A função é limitada e queremos caracterizar supremo e ı́nfimo usando sequências reais.
Raciocı́nio:
• Pegamos uma sequência (xn ) ⊂ X tal que os valores f (xn ) se aproximam do
supremo.
lim f (xn ) = s = sup f.
n→∞
• Similarmente para o ı́nfimo, existe (yn ) ⊂ X com
lim f (yn ) = m = inf f.
n→∞
Visualização:
Imagine no gráfico da função uma sequência de pontos subindo (ou descendo) até se
aproximar dos limites superiores e inferiores.
f (x)
f (xn ) → ss = sup f
m = inf f
x
3
Por que isso importa?
Essa caracterização sequencial é fundamental para análise porque permite trabalhar com
limites, que são objetos essenciais para o cálculo, continuidade e outras propriedades da
função.
—
Conclusão
• O supremo e o ı́nfimo de uma função limitada são definidos com base em seu conjunto
de valores, garantindo que esses limites existam mesmo que não sejam atingidos.
• A abordagem de cotas superiores e inferiores dá uma visão formal e funcional, per-
mitindo aproximações arbitrariamente precisas.
• A caracterização sequencial conecta os conceitos ao estudo de limites, essencial para
análise real.
Por que o resultado faz sentido?
Porque a existência de supremo e ı́nfimo é garantida pelo axioma da completude dos
reais — um pilar fundamental da análise. Isso significa que, para qualquer conjunto
limitado, existe um menor limite superior e um maior limite inferior, mesmo que não
sejam valores alcançados pela função.
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Enunciado
Sejam A, B ⊂ R tais que
para todo x ∈ A, para todo y ∈ B, x ≤ y.
Então, (i) sup A ≤ inf B e (ii) sup A = inf B se, e somente se, para todo ε > 0 dado,
existam x ∈ A, y ∈ B tais que
y − x < ε.
Forma 1: Demonstração direta
Definições importantes:
• sup A é o menor limite superior de A.
• inf B é o maior limite inferior de B.
Prova de sup A ≤ inf B:
Como para todo x ∈ A e y ∈ B, x ≤ y, então cada elemento de B é um limite superior
para A.
Assim, o menor limite superior de A satisfaz
sup A ≤ y, ∀y ∈ B.
4
Logo,
sup A ≤ inf B.
Condição de igualdade:
Para sup A = inf B = c, mostramos equivalência:
(⇒) Para todo ε > 0, pela definição de supremo e ı́nfimo, existem x ∈ A, y ∈ B com
ε ε
c− <x≤c≤y <c+ .
2 2
Portanto,
y − x < ε.
(⇐) Se para todo ε > 0 existem x ∈ A, y ∈ B com y − x < ε, então
0 ≤ inf B − sup A ≤ y − x < ε.
Como ε é arbitrário, concluı́mos sup A = inf B.
Forma 2: Demonstração por contradição
Suponha, para fins de contradição, que
sup A > inf B.
Assim, existe z ∈ R tal que
inf B < z < sup A.
Como z < sup A, existe x ∈ A com
x > z.
E como z > inf B, existe y ∈ B com
y < z.
Logo,
x > z > y,
o que contradiz a hipótese x ≤ y.
Logo,
sup A ≤ inf B.
Forma 3: Interpretação geométrica
Imagine a reta real, com A e B posicionados conforme a hipótese:
A B
R
supinf
A= B c= d
d−c≥0
A hipótese implica c ≤ d. Se c = d, então para todo ε > 0 os conjuntos se aproximam
arbitrariamente, ”tocando” no limite.
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5
Comentários finais
Este lema utiliza conceitos fundamentais de limites superiores e inferiores em R, bem
como propriedades de conjuntos ordenados.
- A desigualdade sup A ≤ inf B mostra que o ”limite superior” de A é sempre menor
ou igual ao ”limite inferior” de B quando a relação x ≤ y vale para x ∈ A, y ∈ B.
- A igualdade dos limites indica que os conjuntos podem ser ”colados” num ponto
comum, sem intervalo vazio entre eles, formalizado pela aproximação arbitrária com ε.
Essa análise é essencial em temas como limites, continuidade, e construção de números
reais.
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