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Direitos Sexuais de Mulheres Lésbicas

O trabalho analisa criticamente as políticas públicas brasileiras relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres lésbicas, evidenciando a discriminação e invisibilidade que enfrentam nos serviços de saúde. Apesar de existirem legislações como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais, há um grande déficit na notoriedade e no atendimento a essas mulheres. A pesquisa aponta a necessidade de maior inclusão e sensibilização dos profissionais de saúde para garantir um atendimento equitativo e sem preconceitos.

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Direitos Sexuais de Mulheres Lésbicas

O trabalho analisa criticamente as políticas públicas brasileiras relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres lésbicas, evidenciando a discriminação e invisibilidade que enfrentam nos serviços de saúde. Apesar de existirem legislações como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais, há um grande déficit na notoriedade e no atendimento a essas mulheres. A pesquisa aponta a necessidade de maior inclusão e sensibilização dos profissionais de saúde para garantir um atendimento equitativo e sem preconceitos.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CAMPUS UNIVERSITÁRIO PROF. ANTÔNIO GARCIA FILHO


DEPARTAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL

VITÓRIA SILVA FONSECA

DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS DE MULHERES


LÉSBICAS: ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E
DO PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS PARA MULHERES BRASILEIRAS.

LAGARTO/SE
2025
VITÓRIA SILVA FONSECA

DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS DE MULHERES


LÉSBICAS: ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E
DO PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS PARA MULHERES BRASILEIRAS.

Trabalho de conclusão de curso apresentado como


requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel
em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de
Sergipe.
Orientadora [Link]. Larissa Galvão Da Silva

LAGARTO/SE
2025
RESUMO

As políticas públicas brasileiras buscam garantir direitos fundamentais, mas não atendem
adequadamente às necessidades de saúde das mulheres lésbicas. Estudo aponta que 2,9
milhões de brasileiros se identificam como LGBTQIA+, mas essas mulheres enfrentam
discriminação e invisibilidade nos serviços de saúde. Com isso, o objetivo deste trabalho é
produzir uma análise crítica do discurso das legislações brasileiras sobre os direitos sexuais e
os direitos reprodutivos de mulheres lésbicas. Dentro disso, foram encontradas duas políticas,
a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) que tem como objetivo
garantir o acesso das mulheres a uma atenção integral à saúde no SUS, considerando as
especificidades de gênero, raça, etnia, orientação sexual e ciclo de vida, e a Política Nacional
de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (PNSI-LGBT) que
busca garantir o acesso equitativo e integral da população LGBT aos serviços de saúde no
SUS, considerando suas especificidades e necessidades, também foi analisado o Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) que tenta promover a igualdade de gênero e
garantir os direitos das mulheres em diversas áreas, como saúde, educação, trabalho,
enfrentamento da violência e participação política. No que tange à metodologia do presente
trabalho, trata-se de um estudo documental, em que a análise crítica do discurso seguiu a
proposta de Fairclough, que sugere um modelo tridimensional de análise. Por fim, foi possível
concluir que há um déficit muito grande quanto a notoriedade de mulheres lésbicas dentro das
políticas públicas.
Palavras-chave: Direitos. Mulheres Lésbicas. Orientação Sexual e Políticas Públicas.

ABSTRACT
Brazilian public policies seek to guarantee fundamental rights, but they do not adequately
meet the health needs of lesbian women. A study shows that 2.9 million Brazilians identify as
LGBTQIA+, but these women face discrimination and invisibility in health services.
Therefore, the objective of this work is to produce a critical analysis of the discourse of
Brazilian legislation on the sexual rights and reproductive rights of lesbian women. Within
this, two policies were found, the National Policy for Comprehensive Women's Health Care
(PNAISM), which aims to guarantee women's access to comprehensive health care in the
SUS, considering the specificities of gender, race, ethnicity, sexual orientation and life cycle,
and the National Policy for Comprehensive Health for Lesbians, Gays, Bisexuals,
Transvestites and Transsexuals (PNSI-LGBT), which seeks to guarantee the LGBT
population's equitable and comprehensive access to health services in the SUS, considering
their specificities and needs. The National Plan for Women's Policies (PNPM) was also
analyzed, which attempts to promote gender equality and guarantee women's rights in several
areas, such as health, education, work, combating violence and political participation.
Regarding the methodology of this work, it is a documentary study, in which the critical
analysis of the discourse followed Fairclough's proposal, which suggests a three-dimensional
model of analysis. Finally, it was possible to conclude that there is a huge deficit in terms of
the notoriety of lesbian women within public policies.

Keywords: Rights. Lesbian Women. Sexual Orientation and Public Policies.


4

Sumário
1. Introdução..........................................................................................................................5
2. Objetivos...........................................................................................................................7
2.1. Objetivo Geral..................................................................................................................7
2.2. Objetivos Específicos.......................................................................................................8
3. Metodologia.......................................................................................................................8
4. Resultados e Discussão.....................................................................................................9
4.1. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher
(PNAISM).........................................................................................................................9
4.2. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transsexuais (PNSI-LGBT)
.........................................................................................................................................11
4.3. Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM).................................................13
5. Conclusão........................................................................................................................14
Referências.............................................................................................................................16
5

1 INTRODUÇÃO

As Políticas públicas são ações e programas que são desenvolvidas pelo Estado para
garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal através de
medidas e programas criados pelos governos dedicados a garantir o bem-estar da população.
As políticas públicas funcionam para garantir que direitos sejam identificados como uma
necessidade da sociedade. Além disso, as políticas públicas afetam a todos os cidadãos, de
todas as escolaridades, independente de sexo, raça, religião ou nível social (Brasil, 2018).
No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde - PNS, realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE em 2019, aproximadamente 2,9 milhões de
brasileiros adultos se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais, o que representa 1,9% da
população brasileira. Não houve diferença estatisticamente significativa entre brancos (1,8%)
e pretos ou pardos (1,9%) que se declararam homossexuais ou bissexuais. Já entre as pessoas
que vivem na área urbana (2,0%) esse percentual foi mais que o dobro das que vivem na zona
rural (0,8%) dos municípios. Do total de 1,1 milhão que se declarou bissexual, 65,6% eram
mulheres. Por outro lado, os homens eram maioria (56,9%) no total de 1,8 milhão de pessoas
que se auto identificaram como homossexuais.
Com o aprofundamento e a expansão da democracia, as responsabilidades dos
representantes populares se diversificaram. Hoje, é comum dizer que sua função é promover o
bem-estar da sociedade que está relacionado a ações bem desenvolvidas e à sua execução em
áreas como saúde, educação, meio ambiente, habitação, assistência social, lazer, transporte e
segurança, ou seja, deve-se contemplar a qualidade de vida como um todo (Brasil, 2018).
No que diz respeito às mulheres lésbicas, ao longo do tempo estas foram
invisibilizadas dentro dos serviços de saúde, e apenas em 1980, nas políticas públicas de
saúde, a sexualidade feminina surgiu tematizada pela primeira vez, sob a perspectiva de
gênero e de saúde sexual no Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher -PAISM, e
ainda, nesse ano surgiram políticas relacionadas ao Human Immunodeficiency Virus-HIV
(Brasil, 2006).
Conforme o Ministério da Saúde (Brasil, 2006), a década de 90 foi marcada por
diversas conferências como as de Cairo e Pequim em que destacavam discussões a respeito
dos direitos sexuais e reprodutivos da comunidade LGBTQIA + e em especial das mulheres.
Em 2004, foi originalizada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher -
PNAISM, que destinou um olhar voltado à saúde sexual das mulheres lésbicas pela primeira
vez, e tem como principal característica oferecer assistência, cuidado e um olhar amplo.
6

Assim, ao longo da trajetória discorrida , apesar de se notar que esta, foi marcada por
discussões e avanços no que se refere aos direitos e acesso aos serviços de saúde, se torna
possível observar também as nuances quanto ao despreparo de profissionais da área da saúde
e o cuidado com essa parte da população (Brasil, 2006), o que ocasionou a necessidade de
uma lei que garantisse suporte e atenção a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais - LGBT, a falta de conhecimento, cuidado e humanização por parte
dos profissionais da área da saúde, que durante muito tempo negligenciaram essa parte da
população (Brasil, 2006).
Em 2011, foi instituído, no âmbito do Sistema Único de Saúde-SUS, a Política
Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais,
garantindo assim por lei, o direito destes quanto ao acesso integral de saúde (Brasil, 2011).
É importante mencionar que dentro dos serviços de saúde, as mulheres lésbicas são
hodiernamente invalidadas e invisibilizadas devido ao preconceito e discriminação enraizados
nos moldes da sociedade (Valadão; Gomes, 2011). As mulheres lésbicas não se sentem
seguras e acolhidas nos espaços e serviços de saúde, e em sua maioria, detém maior medo e
insegurança, sendo assim, essas mulheres se sentem acuadas e temem o despreparo desses
profissionais, enquanto por outro lado, esses profissionais agem sem informações e cuidados
corretos com essa parte da população (Valadão;Gomes, 2011).
Os dados acima, evidenciam a necessidade de mais estudos para que haja uma maior
compreensão dessa problemática. Desse modo, é necessário evidenciar que o objetivo deste
trabalho é analisar o discurso das políticas públicas existentes sobre os direitos sexuais e
direitos reprodutivos de mulheres lésbicas brasileiras.
Os direitos sexuais e direitos reprodutivos, são direitos humanos, já reconhecidos em
leis nacionais e internacionais, significa dizer que esses direitos são reconhecidos como
princípios fundamentais da democracia e fazem parte das agendas políticas tanto em nível
nacional quanto internacional (Brasil, 2022). Os direitos reprodutivos estão relacionados à
igualdade e à liberdade no âmbito da reprodução. Já os direitos sexuais envolvem a igualdade
e a liberdade no exercício da sexualidade. Em outras palavras, trata-se de considerar a
sexualidade e a reprodução como componentes essenciais da cidadania e, portanto, da vida
democrática (Ávila, 2003).
A escolha do tema "Análise crítica das políticas públicas sobre direitos sexuais e
reprodutivos de mulheres lésbicas no Brasil" se justifica pela necessidade urgente de abordar
uma questão frequentemente negligenciada nas discussões sobre saúde e direitos humanos no
Brasil. Mulheres lésbicas, que enfrentam múltiplas formas de discriminação, não apenas por
7

serem mulheres, mas também por sua orientação sexual, e encontram barreiras significativas
no acesso a serviços de saúde de qualidade (Silva, 2021).
A invisibilização dessas mulheres reflete uma estrutura social, patriarcal e
heteronormativa que marginaliza suas identidades e experiências. Este fenômeno impacta não
apenas a saúde física, mas também a saúde mental e emocional, contribuindo para a
perpetuação de desigualdades sociais (Brasil, 2006). Discutir essa invisibilidade é
fundamental para promover um sistema de saúde mais inclusivo e equitativo. O estudo de
Valadão e Gomes (2011), com bases em artigos e em documentos publicados até 2008,
concluiu que houve diversos problemas com relação aos direitos ao acesso à saúde e, com
base em Bourdieu (2008), que mulheres lésbicas enfrentam altos índices de violência,
discriminação e exclusão nos serviços de saúde, o que pode levar a um aumento de doenças
não tratadas, problemas de saúde mental, e até mesmo um menor uso de serviços preventivos.
Essa situação evidencia a necessidade de políticas públicas que reconheçam e atendam as
especificidades desse grupo.
Apesar de avanços nas políticas de saúde no Brasil, como a criação de diretrizes para o
atendimento à população LGBTQIA+, ainda existem lacunas significativas na implementação
dessas políticas. O tema permite uma análise crítica sobre a eficácia dessas diretrizes e propõe
a reflexão sobre como elas podem ser aprimoradas para incluir efetivamente as mulheres
lésbicas.
A pesquisa também visa promover a sensibilização de profissionais de saúde sobre a
importância de um atendimento inclusivo e livre de preconceitos. A formação adequada dos
profissionais é essencial para garantir um ambiente seguro e acolhedor, onde as mulheres
lésbicas possam buscar atendimento sem medo de discriminação.
Considerando a necessidade de garantir a equidade no acesso à saúde, é fundamental
investigar: 'Quais são as políticas públicas de saúde disponíveis para mulheres lésbicas no
Brasil?' e 'Como as mulheres lésbicas são representadas nestas políticas públicas de saúde
disponíveis?', uma vez que isso pode revelar lacunas e preconceitos que impactam
diretamente a qualidade do atendimento e o bem-estar dessa população.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral


Produzir uma análise crítica do discurso das legislações brasileiras sobre os direitos
sexuais e os direitos reprodutivos de mulheres lésbicas.
8

2.2 Objetivos específicos


● Investigar quais são as legislações brasileiras em vigor sobre os direitos sexuais e os
direitos reprodutivos das mulheres lésbicas.
● Analisar como as mulheres lésbicas são representadas nas legislações sobre direitos
sexuais e os direitos reprodutivos.

3 METODOLOGIA

Foi conduzida uma pesquisa documental sobre legislações que estabelecem políticas
públicas brasileiras voltadas para mulheres lésbicas, especialmente no contexto dos direitos à
saúde. As legislações analisadas datam de 1988 em diante, com a Constituição Federal, sendo
o ponto de referência. A busca e a coleta dos documentos ocorreram entre agosto e setembro
de 2024, utilizando bancos de dados de legislações disponíveis online pelo governo federal,
incluindo o site do Ministério da Saúde, além de verificar a vigência das normas pelo sistema
de legislação em saúde SLegis.
Após revisar as seções iniciais dos textos recuperados na base de dados Portal da
Legislação, que informam sobre o tipo de norma, data de promulgação, objeto e área de
aplicação, foram escolhidas três legislações diretamente relacionadas ao tema em estudo. O
critério de seleção dessas normas foi que elas regulamentam políticas públicas e estratégias
atuais na área da saúde, focando nos direitos sexuais e reprodutivos. Diante da relevância e
atualidade, foram analisados os seguintes documentos: a Política Nacional de Atenção
Integral à Saúde da Mulher, de 2004; a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Transsexuais e Travestis, de 2013; e o Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres, de 2015.
Além disso, foram pesquisadas normas mencionadas nos documentos, analisando
trechos relevantes para responder às questões do estudo. Foram descritas a população-alvo, os
objetivos, as ações, os recursos e as competências estabelecidas nessas legislações, sempre
com foco nos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres lésbicas. A análise crítica do
discurso seguiu a proposta de Fairclough, que sugere um modelo tridimensional de análise.
Para a análise textual, foi explorado o vocabulário utilizado. Na análise da prática
discursiva, considerou-se a intertextualidade, seja por referências diretas a outros textos
(intertextualidade manifesta) ou por elementos das ordens do discurso (interdiscursividade),
que representam o conjunto das práticas discursivas em um domínio social e as relações entre
9

elas. Na análise da prática social, foram considerados os efeitos ideológicos e políticos do


discurso, enfatizando os impactos de reprodução ou transformação. Por fim, foi abordado o
Significado Representacional dos discursos, examinando como as mulheres lésbicas são
representadas, e como seus direitos sexuais e reprodutivos estão interligados a essa
representação.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com Valadão e Gomes (2011), as políticas públicas de saúde no Brasil não
abordam especificamente as necessidades de saúde das mulheres lésbicas, levando à sua
invisibilização nos serviços de saúde. Existe uma presença significativa de discriminação e
preconceito nos discursos dos profissionais de saúde, o que contribui para a exclusão de
mulheres lésbicas no acesso a serviços de saúde adequados. O discurso institucional sobre
saúde não inclui as experiências e vozes de mulheres lésbicas, resultando em uma falta de
representatividade nas políticas de saúde.
Segundo os mesmos autores (Valadão; Gomes, 2011), existem demandas explícitas
por ações e programas específicos voltados para a saúde de mulheres lésbicas que não estão
sendo atendidas nas políticas públicas atuais. O estigma associado à homossexualidade
impacta a experiência de mulheres lésbicas ao buscar atendimento, afetando sua saúde mental
e bem-estar geral.
Diante das questões levantadas, foram encontradas duas políticas públicas, a Política
Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e a Política Nacional de Saúde Integral de
Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais, além disso, o Plano Nacional de
Políticas para as Mulheres. Para um melhor entendimento da relação das leis apresentadas
com o objeto de estudo, os resultados serão apresentados a partir da política mais antiga para a
mais atual e, posteriormente, o plano nacional.

4.1 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM)

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher começou a se consolidar


há quarenta anos, com o lançamento do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher
(PAISM), que rompeu com a abordagem “materno-infantil”, que predominava nas ações de
saúde voltadas para as mulheres. O PAISM passou a adotar o conceito de “integralidade”, o
que levou a uma mudança na estrutura do Ministério da Saúde, de “área técnica materno-
10

infantil” para “área técnica de saúde da mulher”, refletindo uma alteração ideológica (Costa,
2013).
Criada em 2004, a Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher visa atender as
mulheres em todas as fases da vida, considerando as especificidades de diferentes idades e
grupos populacionais. Essa política incorpora as perspectivas de gênero, raça, etnia e
diversidade na formulação, execução e avaliação das ações de saúde, superando o enfoque
limitado à saúde reprodutiva.
No capítulo intitulado “Breve diagnóstico da Situação da Saúde da Mulher no Brasil”,
são analisados diversos marcadores de diferença, destacando as especificidades de saúde de
grupos como mulheres adolescentes, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres lésbicas,
mulheres rurais e mulheres em situação de prisão (Brasil, 2011).
Entretanto, no capítulo “Breve diagnóstico da Situação da Saúde da Mulher no
Brasil”, o termo “mulheres lésbicas”, é citado apenas 10 vezes, sendo 9 delas dentro do
capítulo acima citado, em que, traz um parágrafo específico sobre a saúde de mulheres
lésbicas, como no verso:

“De acordo com o V Seminário Nacional de Mulheres Lésbicas, realizado em junho


de 2003, a elaboração de políticas públicas precisa incorporar o entendimento de que
as mulheres lésbicas também são mulheres e, portanto, devem ser contempladas no
conjunto das ações de atenção à saúde da mulher. A agenda de necessidades de
saúde desse grupo populacional diz respeito, dentre outras, ao atendimento na área
da ginecologia, em que os profissionais partem do pressuposto de que a vida sexual
ativa das mulheres é sempre de caráter heterossexual” (Brasil, 2011, p. 25).

Ao decorrer do texto, é notável a falta de ações e políticas públicas concretizadas, já


que como as buscas e análises feitas dentro dessa pesquisa nos mostram que essa é uma
problemática real e significativa para essa população, seja no âmbito da vulnerabilidade social
ou no âmbito de promoção e prevenção à saúde dessa população.
O discurso utilizado demonstra que há controvérsias no que tange a população lésbica,
já que traz ações que deveriam ser feitas, mas que pouco se tem na realidade que vivemos,
além disso, segundo Fairglouch (2012), o discurso reflete a lógica de poder em que estamos
inseridos, e as políticas são moldadas por essas representações.
É importante notar que ao longo dessa política o discurso traz o que deveria ser feito,
porém, sem levantamentos e apontamentos de questões e estratégias que deveriam ser
seguidas. O capítulo “Evolução das Políticas de Atenção à Saúde da Mulher”, traz o termo
lésbica uma vez, referindo a necessidade de articulação com outras áreas técnicas e da
11

proposição de novas ações, e a participação nas discussões e atividades sobre saúde da mulher
e meio ambiente.
Ao longo da política muito se traz sobre mulheres lésbicas de forma ampla, o que
torna difícil o entendimento e a representação de grupos vulneráveis, como mulheres lésbicas
em situações de rua, mulheres lésbicas profissionais do sexo ou mulheres lésbicas que
desejam ter acesso à inseminação assistida na rede do SUS, que deve incluir na clientela-alvo
as mulheres lésbicas que desejam exercer o direito à maternidade voluntária (Brasil, 2011).
A interseccionalidade é um conceito fundamental para compreender a complexidade
das identidades individuais e suas interações com as estruturas sociais e políticas. Esse termo
se refere à forma como diferentes aspectos da identidade de uma pessoa, como gênero,
orientação sexual, classe social, etnia, entre outros, se entrelaçam e influenciam suas
experiências e oportunidades dentro da sociedade. A interseccionalidade vai além da simples
análise de uma única dimensão da identidade, como o gênero ou a raça, e busca entender
como múltiplos fatores combinados podem gerar formas específicas de discriminação ou
privilégio (Pocahy, 2011).
No contexto da política de saúde, por exemplo, a interseccionalidade nos permite
perceber como as mulheres, especialmente aquelas que são lésbicas e pertencem a diferentes
identidades, podem ser marginalizadas de maneira única, não apenas por serem mulheres, mas
também por sua orientação sexual e por outros aspectos de sua identidade. Essa perspectiva se
torna ainda mais relevante quando analisamos a ausência de discussão sobre questões cruciais,
como a saúde sexual e reprodutiva, e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres lésbicas,
nas diversas esferas da política (Pocahy, 2011).
Essas questões dentro da política, ficam à margem de um debate que, em geral, foca
em uma visão homogênea das necessidades das mulheres, sem levar em conta as
especificidades das diferentes identidades que compõem o universo feminino. Assim, a
interseccionalidade revela as lacunas presentes nessa política, mostrando como as mulheres
lésbicas, e outras que não se enquadram nos padrões heteronormativos, ficam excluídas de
uma agenda de direitos que não reconhece a pluralidade de experiências e necessidades
(Pocahy, 2011).
4.2 Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transsexuais (PNSI-LGBT)
Na Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transsexuais (PNSI-LGBT), instituída pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2013, foi uma
importante iniciativa para promover o cuidado à saúde das populações LGBTQIA+ no país. A
12

política reconhece a importância de garantir o acesso universal à saúde para todas as pessoas
LGBTQIA+, mas, quanto às mulheres lésbicas, em particular, não traz um discurso que
aborda e envolve direitos sexuais e reprodutivos nos serviços de saúde. Tradicionalmente, o
discurso sobre direito sexual e reprodutiva no Brasil tem sido centrado nas necessidades de
mulheres heterossexuais, muitas vezes reduzindo o acesso das mulheres lésbicas a serviços
que atendem especificamente às suas necessidades (Lima, 2014).
A ausência de uma abordagem específica para a saúde das mulheres lésbicas nas
políticas de saúde pública pode ser observada nas questões relativas ao planejamento
reprodutivo, à sexualidade e ao atendimento ginecológico. Embora a PNSI-LGBT tenha
avançado ao destacar as necessidades dessa população, ainda falta uma discussão aprofundada
sobre acesso à contracepção, infertilidade, saúde sexual, orientações sobre prevenção de IST's
(Infecções Sexualmente Transmissíveis) e acesso ao atendimento ginecológico especializado.
A política, embora importante, não traz um olhar crítico e específico sobre as particularidades
de mulheres lésbicas no que diz respeito ao planejamento familiar, à prevenção de doenças e à
promoção de uma sexualidade saudável.
Apesar da PNSI-LGBT reconhecer a necessidade de combater a discriminação nos
serviços de saúde, um desafio persistente é o preconceito estrutural que muitas mulheres
lésbicas enfrentam ao buscar atendimento. O discurso institucional e o treinamento dos
profissionais de saúde não abordam de forma eficaz as questões que envolvem a diversidade
sexual e, muitas vezes, os próprios estigmas e preconceitos dos profissionais podem tornar-se
barreiras para um atendimento digno e inclusivo (Brasil, 2006).
Além disso, a patologização da sexualidade lésbica ainda é um fenômeno presente no
campo da saúde, em que práticas como a ginecologia, por exemplo, muitas vezes são
realizadas sem considerar o contexto da orientação sexual das mulheres. Isso pode resultar em
diagnósticos e tratamentos inadequados ou em uma abordagem despersonalizada das
necessidades específicas das mulheres lésbicas (Valadão; Gomes, 2011). A falta de um olhar
inclusivo e sensibilizado por parte dos profissionais de saúde pode reforçar a exclusão e a
invisibilidade dessas mulheres, desconsiderando suas demandas reais, como cuidados
ginecológicos preventivos ou tratamentos para as Infecções Sexualmente Transmissíveis
(ISTs).
Embora a política seja um marco importante no reconhecimento das necessidades de
saúde das populações LGBTQIA+, podemos observar um discurso falho no que diz respeito a
ações concretas e programas específicos voltados para as mulheres lésbicas. O discurso da
PNSI-LGBT é genérico, e não apresenta diretrizes claras para o desenvolvimento de ações
13

focadas nas necessidades de saúde de mulheres lésbicas, como programas de prevenção de


câncer de colo de útero ou mamário. Não há políticas públicas que incluam de maneira eficaz
os direitos reprodutivos das mulheres lésbicas, como a reprodução assistida ou o acesso à
doação de esperma de forma acessível e sem discriminação, criando barreiras para essas
mulheres realizarem seu projeto de parentalidade.

4.3 Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM)

O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) é uma importante ferramenta


do Estado brasileiro voltada para a promoção dos direitos das mulheres e a redução das
desigualdades de gênero. Lançado em 2004, o PNPM estabelece diretrizes para a criação e
implementação de políticas públicas que atendam às necessidades das mulheres em diversas
áreas, como saúde, educação, trabalho, participação política e enfrentamento à violência. A
proposta central do plano é garantir uma vida digna e igualitária para todas as mulheres,
combatendo a discriminação e buscando uma maior equidade social e econômica. Ao longo
do plano, nota-se a falta de representação de mulheres lésbicas, já que o termo “mulheres
lésbicas” não aparece citado nenhuma vez, sendo buscado posteriormente o termo “lésbica” e
este último sendo citado apenas quatro vezes.

Além disso, apresentam-se como importantes instrumentos para a construção de


relações democráticas com os movimentos feministas e de mulheres, a criação e o
fortalecimento de mecanismos institucionais que ampliem a participação popular e o
controle social. Alguns exemplos desses mecanismos são: as conferências, os
conselhos de direitos das mulheres, os processos de orçamento participativo que
garantam a participação das mulheres, contemplando a representação de mulheres
índias, negras, lésbicas, idosas, jovens, com deficiência, ciganas, profissionais do
sexo, rurais, urbanas, entre outras (Brasil, 2015, p. 31)

Como no verso citado, o plano demonstra a necessidade de articulação entre os


diversos grupos de mulheres, inclusive lésbicas, porém, pouco se tem sobre as ações e
planejamento governamental para essa população. Outro ponto importante em que o plano
traz como avanço, é o de reconhecimento das diversas formas de violência contra as
mulheres, como a violência doméstica e sexual, mas, ele ainda não contempla de maneira
específica as vivências de mulheres lésbicas, que enfrentam formas de discriminação
particulares, como a lesbofobia 1.
Além disso, a invisibilidade das mulheres lésbicas nas políticas públicas pode ser
observada na ausência de ações concretas para a promoção de seu direito sexual e direito

1 Lesbofobia: É caracterizado pelo preconceito, a discriminação, o abuso e a hostilidade contra mulheres


lésbicas (Rodrigues, 2024).
14

reprodutivo, considerando suas especificidades e demandas. Embora o PNPM promova a


ampliação do acesso à saúde para todas as mulheres, ele não aborda diretamente as questões
de saúde que afetam as mulheres lésbicas, como o enfrentamento da discriminação nas
unidades de saúde, a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) de maneira
inclusiva, e a criação de espaços seguros para o acolhimento dessas mulheres no sistema
público de saúde.
O discurso do plano é amplo no que diz respeito às mulheres lésbicas e seus direitos
sexuais e/ou direitos reprodutivos, ele traz um capítulo específico e inteiro sobre essa
temática, com diversas estratégias e ações que devem ser introduzidas nas políticas públicas
atuais como por exemplo à atenção ao parto, em que o plano cita que 91,5% são realizados em
ambiente hospitalar, mas em muitas regiões do país, especialmente nas zonas rurais, a única
opção que existe para a mulher é o parto domiciliar assistido por parteiras tradicionais.
Essa discussão trazida pelo plano é extremamente importante, porém quando olhamos
para o cenário de mulheres lésbicas, não há uma estruturação de forma específica, a única
menção neste capítulo tão importante não traz as mais diversificadas identidades das mulheres
lésbicas, tornando assim a representação dessa parte da população com o plano, extremamente
difícil.
A efetividade do PNPM para as mulheres lésbicas requer, portanto, uma abordagem
mais inclusiva e específica. É fundamental que as políticas públicas atendam às diversidades
sexuais e de gênero, garantindo que as mulheres lésbicas tenham seus direitos reconhecidos e
assegurados, e que possam viver sem o medo da violência ou da marginalização.

5 CONCLUSÃO

Este trabalho possibilitou compreender como as mulheres lésbicas são entendidas


dentro das políticas públicas brasileiras disponíveis. Com isso, pôde-se perceber a necessidade
de projetos e discussões sobre as mulheres lésbicas quanto aos seus direitos sexuais e
reprodutivos dentro dos espaços de serviços de saúde. Para se atingir uma compreensão dessa
realidade, definiram-se dois objetivos específicos. O primeiro, investigar quais são as
legislações brasileiras em vigor sobre os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das
mulheres lésbicas. Percebeu-se que há políticas públicas sobre essa população específica,
porém pouco se tem com relação aos direitos sexuais e direitos reprodutivos.
Já no segundo objetivo específico: Analisar como as mulheres lésbicas são
representadas nas legislações sobre direitos sexuais e os direitos reprodutivos observou-se que
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dentro das políticas públicas estudadas, há pouca representação e citação quanto a essa
população, tornando assim, o acesso dessas mulheres cada vez mais difícil, embora haja
representações no âmbito de inclusão, é notório a falta de políticas concretas e estudos
aprofundados quanto a essa população específica.
Como já esmiuçado nos documentos: Política Nacional de Atenção Integral à Saúde
da Mulher, de 2004, que tem como objetivo garantir o acesso das mulheres a cuidados de
saúde de forma integral, considerando suas especificidades e necessidades ao longo de todas
as fases da vida. A política visa promover a igualdade no acesso aos serviços de saúde,
combater as desigualdades de gênero e assegurar direitos sexuais e reprodutivos. Ela abrange
áreas como saúde sexual, saúde reprodutiva, prevenção de doenças, promoção do bem-estar e
o enfrentamento da violência contra a mulher.; a Política Nacional de Saúde Integral de
Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Travestis, de 2013 que tem como objetivo garantir
o acesso universal e igualitário à saúde para a população LGBT, respeitando suas
especificidades e enfrentando as desigualdades e discriminações que esse grupo enfrenta no
sistema de saúde.
A política nacional de saúde integral de lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e
travestis, visa promover a inclusão, eliminar barreiras no atendimento e assegurar direitos
fundamentais relacionados à saúde sexual e reprodutiva, ao acolhimento adequado e ao
combate à violência e à discriminação. Ela busca também a capacitação dos profissionais de
saúde para que possam oferecer um atendimento humanizado e livre de preconceitos, além de
fomentar o monitoramento e a avaliação das políticas públicas voltadas para essa população; e
o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, de 2015, que tem como estratégia do governo
brasileiro promover a igualdade de gênero e os direitos das mulheres em diversas áreas da
vida social, política e econômica.
O plano estabelece diretrizes e ações para combater a violência contra a mulher,
garantir o acesso à saúde, educação, trabalho e à participação política. Além disso, busca
promover a autonomia das mulheres e assegurar seus direitos sexuais e reprodutivos. O
PNPM também enfatiza a inclusão das mulheres em situação de vulnerabilidade, como
negras, indígenas, rurais, e aquelas com deficiência, e estabelece mecanismos de
monitoramento e avaliação das políticas públicas para garantir sua efetividade. Sendo assim,
foram analisadas como essas políticas discursavam sobre as mulheres lésbicas.
Em consonância com os exemplos elencados neste trabalho, percebe-se um déficit
muito grande quanto a notoriedade da população acima citada, a falta de representação tanto
em campanhas, quanto em espaços de serviços de saúde, coloca essa população em diversas
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formas de exclusão, como por exemplo, as discussões no que diz respeito aos direitos sexuais
e direitos reprodutivos das mulheres lésbicas.
Uma medida capaz de romper essa negligência seria a capacitação de profissionais de
saúde para entender e respeitar as especificidades das mulheres lésbicas, incluindo questões
de sexualidade, saúde mental, prevenção de IST 's (infecções sexualmente transmissíveis) e
saúde sexual e reprodutiva. Além disso, é importante que os profissionais reconheçam e
abordem os preconceitos e estigmas que possam afetar o atendimento, e que haja a criação de
campanhas de conscientização sobre saúde sexual e reprodutiva voltadas para mulheres
lésbicas, abordando temas como prevenção de ISTs (especialmente HPV e HIV), saúde
mental, e a importância da realização de exames periódicos.
Outro ponto importante seria a inclusão de representantes de grupos de mulheres
lésbicas nas discussões sobre políticas públicas, de modo que suas necessidades sejam
ouvidas e atendidas de forma mais eficaz. A participação ativa da população lésbica na
formulação de políticas assegura que suas questões sejam tratadas de maneira apropriada.
Por fim, este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pretende contribuir para a
produção de conhecimento sobre a experiência de mulheres lésbicas nos serviços de saúde,
abrindo espaço para novas pesquisas que explorem suas necessidades e desafios. A
visibilidade acadêmica dessa questão pode influenciar práticas e políticas, promovendo uma
maior equidade na saúde.
Em suma, o cenário de mulheres lésbicas nos serviços de saúde e nas políticas
públicas é uma questão que demanda atenção e ação. Este TCC visa não apenas documentar e
analisar essa realidade, mas também propor caminhos para a construção de um sistema de
saúde mais justo e inclusivo. O reconhecimento e a valorização das experiências dessas
mulheres são fundamentais para o avanço dos direitos humanos e da saúde pública no Brasil.

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