REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ( v.
25, 2025)
ARTIGO ORIGINAL
PRÁTICAS HISTORIOGRÁFICAS
APOIADAS NOS OBJETOS DIGITAIS :
contribuições da História digital
Historiographical practices supported by digital objects: contributions from digital History
Prácticas historiográficas soportadas en objetos digitales: aportes desde la Historia digital
JANINE MARQUES DA COSTA GREGORIO1*, DAVID ANTONIO DA COSTA1, VIVIANE BARROS MACIEL2
1
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil. 2Universidade Federal de Jataí, Jataí, GO, Brasil.
*Autora correspondente. E-mail: janinemcosta13@[Link].
Resumo: O presente artigo tem como objetivo evidenciar e analisar novas práticas nas pesquisas históricas,
as quais privilegiam a transformação de documentos físicos escritos em objetos digitais. Esta discussão toma
como base a História digital, que reflete sobre a incorporação das tecnologias digitais e que emerge como
referencial teórico para investigar e compreender arquivos e fontes digitais como registros históricos.
Evidenciam-se os espaços de armazenamento de objetos digitais, caracterizados como repositórios digitais,
os quais se constituem ambientes próprios para a guarda dos documentos. Apresenta-se, como exemplo, o
Livro de Ramon Roca Dordal, disponível no Repositório de Conteúdo Digital da Universidade Federal de
Santa Catarina. É possível inferir que o objeto digital está disponível em um local confiável que privilegia a
disponibilização de fontes a longo prazo, visto que traços das etapas da curadoria digital e do trabalho com
as fontes digitais se tornam possíveis também por meio de softwares como Zotero e Tropy.
Palavras-chave: repositório de conteúdo digital; digitalização; curadoria digital; história da educação
matemática.
Abstract: This article aims to highlight and analyze new practices in historical research, which prioritize the
transformation of written physical documents into digital objects. This discussion is based on Digital History,
reflecting on the incorporation of digital technologies, which emerges as a theoretical framework for
analyzing and understanding digital files and sources as historical records. There are storage spaces for
digital objects, characterized as digital repositories, which constitute environments suitable for storing
documents. An example is the Book by Ramon Roca Dordal, available in the Digital Content Repository of
the Federal University of Santa Catarina. It is possible to infer that the digital object is available in a reliable
location that favors the long-term availability of sources, given traces of the digital curation stages and that
working with digital sources also becomes possible through software such as Zotero and Tropy.
Keywords: digital content repository; digitalization; digital curation; history of mathematics education.
Resumen: Este artículo tiene como objetivo resaltar y analizar nuevas prácticas en la investigación histórica,
que priorizan la transformación de documentos físicos escritos en objetos digitales. Esta discusión se
fundamenta en la Historia Digital, reflexionando sobre la incorporación de las tecnologías digitales, que surge
como un marco teórico para analizar y comprender los archivos y fuentes digitales como registros históricos.
Existen espacios de almacenamiento de objetos digitales, caracterizados como repositorios digitales, que
constituyen entornos aptos para el almacenamiento de documentos. Un ejemplo es el Libro de Ramon Roca
Dordal, disponible en el Repositorio de Contenidos Digitales de la Universidad Federal de Santa Catarina. Es
posible inferir que el objeto digital está disponible en una ubicación confiable que favorece la disponibilidad a
largo plazo de las fuentes, dados los rastros de las etapas de curación digital y que trabajar con fuentes digitales
también es posible a través de software como Zotero y Tropy.
Palabras clave: repositorio de contenidos digitales; digitalización; curación digital; historia de la educación
matemática.
[Link]
e-ISSN: 2238-0094
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
I NTRODUÇÃO
O advento da internet e o consequente desenvolvimento das tecnologias de
comunicação e de informação têm provocado profundas transformações nas pesquisas
históricas, em especial, naquelas relacionadas à História da educação matemática. Das
imagens captadas por microfilmes aos arquivos digitais em alta resolução, essa
revolução tecnológica atinge desde os lugares de guarda (acervos digitais) até as ações
dos pesquisadores que mobilizam esses documentos que se tornam fonte de pesquisa.
A partir do desenvolvimento de softwares e de ferramentas de busca específicas,
encontra-se um cenário repleto de novas possibilidades e de grandes desafios. A
pesquisa histórica, tradicionalmente dependente de visitas aos arquivos físicos e do
manuseio de documentos originais, majoritariamente escriturais, agora também se
beneficia de um acesso facilitado às fontes digitalizadas em acervos virtuais, como é o
exemplo do Repositório de Conteúdo Digital da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC). Esses novos espaços de guarda não só ampliam as possibilidades de
investigação e potencializam novas problemáticas, como também exigem uma
adaptação das metodologias e de práticas de análise crítica das fontes disponíveis,
bem como atenção às limitações de uso a partir de direitos autorais, organização,
seriação, capacidade, compatibilidade e armazenamento.
Este artigo problematiza as práticas historiográficas realizadas a partir do
trabalho com as fontes digitalizadas. Essa discussão é apoiada nos estudos da História
digital, que reflete sobre a incorporação das tecnologias digitais às pesquisas
históricas nas últimas décadas, passando de uma busca por uma história social das
mídias para uma primazia teórica que questiona o impacto do digital no fazer
historiográfico (Nicodemo et al., 2022).
Segundo Rocha (2020, p. 182), a História digital é uma abordagem teórica que
busca examinar e interpretar arquivos e fontes digitais, considerando-os como registros
do passado. Essa abordagem vem “[...] promovendo uma revolução no campo da ciência,
alterando a maneira de fazer história em todos os níveis de pesquisa e ensino”. Interessa
indicar ainda que o seu crescimento se intensificou a partir da década de 1990, motivado
pelo uso em massa da internet e as novas possibilidades então decorrentes para
publicação e acesso a documentação e pesquisa histórica (Silveira, 2018).
Historiadores não necessitam ser programadores, mas o conhecimento das
tecnologias auxilia o desenvolvimento de protocolos de pesquisa no meio digital.
Estudar História digital significa reconhecer que os historiadores têm se esforçado para
integrar o digital em suas pesquisas. Isso pode ser abordado de duas maneiras: através
de discussões teórico-metodológicas que envolvem o conhecimento histórico; e pela
experimentação do uso de recursos digitais para a divulgação científica. Destaca-se a
importância dessa abordagem histórica para analisar o impacto das tecnologias nas
fontes, nos arquivos, na escrita e na constituição da própria historiografia. “No fim das
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
contas, todos nós usamos fontes digitais, mas tendemos a assumir equivocadamente
que são cópias fiéis dos supostos originais” (Nicodemo et al., 2022, p. 11).
Faz-se necessário que a formação do pesquisador leve em conta a importância de
saber usar as ferramentas para o trabalho digital. Isso, porque “Muitas pesquisas atuais
na área de história têm utilizado recursos digitais sem que o pesquisador se empenhe
em realizar um debate aprofundado sobre as especificidades teórico-metodológicas de
sua utilização” (Brasil & Nascimento, 2020, p. 199). Para fazer uma História digital, é
necessário que o pesquisador tenha à sua disposição a infraestrutura necessária para a
realização da pesquisa. Quando um registro histórico é convertido, “[...] por meio de
algum processo computacional, em um documento digital, ocorre aí uma mudança que
dificilmente poderia ser considerada trivial” (Brasil & Nascimento, 2020, p. 201). Uma
pesquisa histórica que utiliza os objetos digitais, tendo em vista a facilidade de acesso a
essas fontes, tem um potencial significativo para a expansão do conhecimento, graças
ao apoio dos aparatos tecnológicos e ao uso das ferramentas digitais de pesquisa.
O alargamento do uso de fontes digitais, por conta de uma abundância de dados,
traz consigo desafios inéditos, como a necessidade de desenvolver critérios para a
análise e a verificação da autenticidade e da relevância das informações. Um caminho
para o enfrentamento a esses desafios se encontra nas etapas da Curadoria Digital. É
dessa possibilidade que este artigo trata, pois a Curadoria Digital borra as fronteiras dos
campos de conhecimento e novos aportes teóricos, advindos do campo da Ciência de
Dados e Informação, passam a ser tomados emprestados para as pesquisas históricas.
A Curadoria Digital pode ser compreendida como um conjunto de ações voltadas
ao gerenciamento e à preservação dos objetos digitais ao longo de todo o seu ciclo de
vida. Estas ações são fundamentais para a constituição de espaços de guarda de
documentos a longo prazo. Essa nova prática historiográfica, que se apoia nas
ferramentas de busca e de consulta nos acervos disponíveis de maneira virtual, resulta
em uma nova organização/estruturação na guarda desses ‘documentos’. Por essa razão,
é possível que o trabalho do historiador passe por mudanças que transformam as suas
práticas de pesquisa e a forma por meio da qual o conhecimento produzido é divulgado.
Este texto tem como objetivos evidenciar e analisar novas práticas nas
pesquisas históricas que privilegiam a transformação de documentos físicos escritos
em objetos digitais, apoiando-se nas etapas da Curadoria Digital. Para além desta
introdução, apresentam-se discussões sobre objetos digitais e locais de guarda
(acervos digitais) tomando como pano de fundo as pesquisas em História da educação
matemática. Ao final, apresentam-se considerações que poderão subsidiar
procedimentos para uma prática historiográfica que leve em conta as características
das fontes digitais. Cabe destacar que este texto incorpora os estudos promovidos pelo
desenvolvimento do Projeto 408797/2021-5 (Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº
18/2021 - Faixa A - Grupos Emergentes SIGLA: Universal 2021 – Coordenado pelo
Prof. Dr. David Antonio da Costa).
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Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
OBJETOS DIGITAIS
Segundo Barros (2022, p. 15), “[...] a tecnologia digital - ao ser disponibilizada
coletivamente - terminou por introduzir tanto novas formas de pensar como práticas
sociais [...]”, modificando o processo de desenvolvimento humano frente às
tecnologias, tratando as relações digitais, produzindo reflexões e a aplicação de novas
técnicas de pesquisa e de divulgação científica. Lacerda (2022) defende que a
introdução das tecnologias digitais é inovadora e disruptiva, pois molda a maneira
segundo a qual os indivíduos convivem em sociedade. Ao explorar a ‘virada digital’, a
autora trata de duas vertentes, a dos historiadores preocupados em problematizar e
refletir sobre as implicações epistemológicas e metodológicas; e o grupo interessado
em “[...] aplicar ferramentas que facilitam e agilizam os processos de capturar,
registrar e analisar fontes, que organizam a escrita acadêmica e que possam dar vazão
ao conhecimento histórico [...]” (Lacerda, 2022, p. 254). Essa segunda vertente, pode
ser vista na abordagem das novas práticas historiográficas, visto que muitos
historiadores têm recorrido às plataformas on-line na busca por fontes para
interpretar o passado (Lacerda, 2022).
Então, é necessário elucidar: o que são os objetos digitais mencionados neste
texto? Trata-se de um conjunto de fontes virtuais (disponíveis na web), que foram
rematerializadas e transformadas por meio da digitalização. Esses objetos digitais são
criados com o objetivo de garantir a qualidade, integridade e auditoria das
informações, priorizando a preservação de maneira interdisciplinar. Em termos
técnicos, esses objetos “[...] são compostos por um conjunto de cadeias de bits”
(Associação Brasileira De Normas Técnicas [ABNT], 2007).
Para Kallinikos et al. (2010), os objetos digitais diferem dos físicos por
possuírem atributos como editabilidade, interatividade, abertura/acesso e
distribuição. Esses atributos tornam os objetos digitais variáveis, ao contrário dos
objetos físicos, cujos atributos são estáveis e invariáveis. A editabilidade permite
modificar, suprimir ou adicionar elementos aos objetos digitais, possibilitando
atualizações regulares ou contínuas, sem que eles percam autenticidade. A
interatividade permite ativar funções incorporadas ao objeto, como a presença de
hiperlinks, para novos acessos ou por outros meios. A abertura permite que os objetos
digitais sejam reprogramáveis, para que possam ser modificados e acessados por
outros objetos digitais.
Finalmente, os objetos digitais são distribuídos, e raramente são limitados a
uma única fonte, com fronteiras criadas e mantidas tecnologicamente (Kallinikos et
al., 2010). Neste texto, serão tratados os objetos digitais relacionados a um conjunto
de fontes virtuais, que, ao serem transformadas do universo físico para o digital,
adquirem os atributos descritos anteriormente.
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
Um documento físico que pode estar disponível, por exemplo, em um acervo
pessoal, ao assumir o formato digital, ainda não pode ser denominado objeto digital. O
resultado dos trabalhos realizados na transformação do documento físico, os quais são
iniciados com a digitalização, será a conversão desse em um ‘objeto digital’, desde que
sejam incorporados metadados (dados sobre os dados). Além disso, a sua conversão para
um formato adequado ao compartilhamento possibilita o uso e reuso a longo prazo.
A contextualização documental dos arquivos virtuais conta com
particularidades na configuração e na operação desses arquivos que destacam a
importância de uma análise crítica. “A codificação binária, o processamento de bits na
disponibilização de documentos, a presença de softwares e provedores privados no
armazenamento, e as plataformas de rede envolvidas na interface de acesso aos
arquivos digitais são fatores inéditos que necessitam de contemplação urgente”
(Nicodemo et al., 2022, p. 26).
Segundo Almeida (2011), os objetos digitais caracterizados como fontes de
pesquisa histórica podem ser de dois tipos: nato-digitais ou primário digitalizados. Os
nato-digitais são aqueles documentos criados na ambiência virtual como periódicos
on-line, e-mails, blogs, sites, etc., os quais são acessíveis a partir de qualquer
dispositivo eletrônico e códigos binários e estão única e exclusivamente disponíveis
virtualmente. Os objetos digitais podem ser categorizados também como primário
digitalizado e são resultado de uma particular transformação feita em documentos
físicos, que são alterados em sua materialidade, por meio da ação da digitalização.
Esse segundo tipo é o que interessa às discussões deste artigo.
Certeau (2013, p. 47) aponta que o papel do pesquisador/historiador é criar
textos que representem o passado, convertendo essa matéria em história. Esse
processo inicia-se como o “[...] gesto de separar, reunir e transformar certos objetos
em documentos”. Com base nas colocações de Certeau (2013), busca-se tratar as novas
práticas nas pesquisas históricas, especialmente aquelas que privilegiam objetos
digitais apoiando-se nas etapas da Curadoria Digital. Embora esse autor não aborde
diretamente os objetos digitais, as suas reflexões oferecem importantes contribuições
para as práticas historiográficas.
As pesquisas históricas são fruto das escolhas do pesquisador e determinadas
pelo seu ‘lugar social’, pois “[...] é em função desse lugar que se instauram os métodos,
que se delineia uma topografia de interesses, que os documentos e as questões, que
serão propostas, se organizam” (Certeau, 2013, p. 47). Isso implica na particularidade
do lugar de onde se fala, sugerindo que a pesquisa histórica não é uma atividade
neutra, mas influenciada pela posição social e cultural do pesquisador.
Conforme observado por Certeau (2013), a pesquisa está sujeita a um conjunto
de regras que devem ser seguidas, ainda que tais imposições possam permanecer
implicitamente enraizadas. Essas regras, por sua vez, refletem a influência de um
contexto mais amplo na prática da pesquisa. É necessário encarar a história como
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Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
ações da instituição e da ordem social em que a disciplina de História está inserida;
uma operação, por meio da qual deve-se tentar compreender a História como a relação
entre lugar, procedimentos de análise e construção de um texto.
Certeau (2013) argumenta que a história é entendida como uma operação na
qual é essencial compreender a relação entre o contexto, os métodos de análise e a
construção do texto histórico. Esta abordagem reconhece que a história é parte
integrante da realidade estudada, e não uma entidade separada. No que diz respeito
ao trabalho do historiador, há elementos que proporcionam a transformação das
informações que são utilizadas para criar narrativas históricas. O autor destaca
também que uma obra histórica de valor é aquela que é reconhecida como tal pela
comunidade acadêmica, situando-se dentro de um conjunto operatório que
representa um avanço em relação ao estado atual dos objetos e dos métodos
históricos, de modo que abre caminho para novas pesquisas.
Em suma, a abordagem de Certeau (2013) destaca a importância do contexto
social e intelectual para a prática da pesquisa histórica, ressaltando a necessidade de
compreender o processo histórico como uma operação complexa que envolve a
interação entre o pesquisador, o contexto e as fontes históricas. Ainda que não esteja
necessariamente ligada aos documentos digitais, a prática historiográfica envolve um
movimento analítico constante entre teoria e empiria. Assim, pode-se questionar, por
exemplo: Quais são as etapas que o historiador deve levar em conta no tratamento dos
documentos digitais? Onde e como esses documentos devem ser arquivados e
colocados disponíveis à comunidade?
ESPAÇOS DE GUARDA DE OBJETOS DIGITAIS
Com o objetivo de preservar objetos digitais a longo prazo e levando em conta as
práticas historiográficas descritas anteriormente, faz-se necessário tratar do local em
que esses objetos serão disponibilizados. Os repositórios digitais são ambientes
próprios para a guarda dos documentos virtuais que possuem características singulares,
pois possibilitam a aplicação de políticas de preservação, bem como de métodos,
processos e estratégias para a manutenção desses espaços, para torná-los confiáveis.
Fazem-se necessárias ainda estratégias para a preservação de documentos digitais,
embora existam limitações relacionadas à obsolescência de suportes, à facilidade de
alteração e à dificuldade de identificação da originalidade (Souza & Aganette, 2020).
Nesse sentido, “[...] as estratégias de preservação de documentos digitais vêm
sendo estudadas com o propósito de desenvolver tecnologias que garantam a
autenticidade e a confiabilidade das informações” (Souza & Aganette, 2020, p. 2).
Dessa forma, além dos repositórios serem organizados como plataformas confiáveis
que possuem características que favorecem a preservação digital, a confiabilidade e a
autenticidade das informações, garantindo a segurança dos recursos oferecidos, são
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
espaços que também protegem os conteúdos armazenados, assegurando seu acesso,
uso e reuso.
Os repositórios confiáveis possuem atributos de suporte e segurança, com
responsabilidade administrativa, viabilidade organizacional, sustentabilidade
financeira e certificação (Thomaz, 2007).
Um repositório digital é um local de armazenamento de objetos digitais com
capacidade de manter e gerenciar material por longos períodos e prover o acesso
apropriado, “[...] é uma biblioteca digital destinada a guardar, preservar e garantir livre
acesso, via internet, à produção científica no âmbito de uma dada instituição”
(Marcondes & Sayão, 2009, p. 9), privilegiando a comunicação científica e garantindo
a guarda e a preservação a longo prazo.
Rodrigues (2005) destaca que os repositórios podem ser classificados em dois
tipos: disciplinar ou institucional. Os repositórios disciplinares, também chamados de
temáticos, são sistemas abertos que armazenam os resultados de pesquisas de uma ou
mais disciplinas específicas. Já o repositório institucional reúne todos os repositórios
temáticos de uma organização, agregando diversas áreas de pesquisa, pelo que se
torna multidisciplinar.
Destaca-se o trabalho realizado pelo GHEMAT-Brasil1 com o Repositório de
Conteúdo Digital (RCD) da UFSC2, que é uma grande base de dados, estruturada para
as pesquisas em História da educação matemática, e que se organiza em comunidades,
subcomunidades e coleções, e visa manter e gerenciar os objetos digitais por longos
períodos, promovendo maior tempo de disponibilização e de acesso à informação e
mantendo um acervo para futuras pesquisas.
Os repositórios pretendem intervir e dar resposta a duas questões
estratégicas que as universidades enfrentam: contribuir para o
aumento da visibilidade, do estatuto, da imagem e do “valor” público
da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade da
universidade e demonstrando a relevância científica; e contribuir para
a reforma do sistema de comunicação científica, expandindo o acesso
aos resultados da investigação, reassumindo o controle acadêmico
sobre a publicação científica, aumentando a competição e reduzindo o
monopólio das revistas científicas − que se traduziria também em
economias para as universidades e as bibliotecas que as servem (Crow,
2002 apud Camargo & Vidotti, 2009, p. 60, grifo do autor).
1
GHEMAT-Brasil - Grupo Associado de Estudos e Pesquisas sobre História da Educação Matemática. Trata-se
de uma associação civil, sem fins lucrativos, que reúne pesquisadores de mais de 20 instituições de pesquisas,
todos interessados na produção de pesquisas históricas no âmbito da História da educação matemática. Seus
membros se articulam por meio de projetos temáticos e compartilham resultados e fontes de pesquisa pelo
uso do Repositório de Conteúdo Digital – Universidade Federal de Santa Catarina (RCD-UFSC), na comunidade
História da Educação Matemática. Ver mais em: [Link]
2
Ver em: [Link]
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Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
Ao tratar ambientes científicos digitais, como os repositórios, com base na
Arquitetura da Informação, alguns elementos aparecem como essenciais: Ferramenta
de Busca; Metadados; Políticas; Interoperabilidade; Preservação; Acessibilidade;
Usabilidade. Esses elementos dialogam com as características defendidas por
Kallinikos et al. (2010), como editabilidade, interatividade, abertura/acesso e
distribuição, e pode-se inferir que os repositórios são espaços privilegiados de guarda
de documentos, de objetos digitais, com características singulares.
Por serem espaços de divulgação científica, os pesquisadores realizam buscas
eletrônicas nos repositórios por meio de palavras-chave e de dispositivos de
indexação. Logo, cabe ao historiador a compreensão destes mecanismos para uma
adequada caracterização das fontes digitais situadas nas coleções dos repositórios que
serão pinçadas a posteriori por esses mecanismos de busca eletrônica. Essas
caracterizações serão especificadas por meio dos metadados dos objetos digitais. Cada
pesquisador pode ter uma maneira diferente de relacionar conceitos a uma
determinada fonte, de acordo com as suas próprias experiências: pode-se relacionar
conceitos sob verbetes diferentes do que o leitor supunha e os conceitos também
podem mudar com o passar do tempo (Meadows, 1999). A compreensão dessa
complexidade é que melhor conduzirá as escolhas e o preenchimento dos metadados.
A inclusão de um novo documento digital a um acervo compreende
essencialmente duas etapas: a seleção da modalidade de armazenamento seguida pela
definição do formato e do local de armazenamento, com o objetivo de garantir a
preservação desse material a longo prazo. Além disso, o processo de indexação
automática deve facilitar a classificação do material coletado e fornecer informações
relevantes para a recuperação e a distribuição dos dados.
A indexação pode ser classificada como pré-coordenada e pós-coordenada. Na
indexação pré-coordenada, os conceitos são combinados no ato da indexação (entrada),
com resultados organizados por ordem de importância. A indexação pós-coordenada,
por sua vez, é realizada por cada um dos termos sem ordenação (saída), sendo a
combinação dos conceitos feita no momento da recuperação. Na indexação pós-
coordenada, combinam-se ou coordenam-se os termos no momento da busca e essa
indexação é utilizada principalmente em sistemas automatizados (Vanti et al., 2011).
Para esses autores, cada tópico é escrito numa ficha e os documentos a que se
refere o tópico são indicados por um número sequencial atribuído a cada documento.
Na busca pós-coordenada, por exemplo, a ordem dos elementos perde o valor. Ao
tomar o Repositório Institucional da UFSC como exemplo, não importa fazer uma
busca por ‘caderno’ e ‘aritmética’, ou ainda por ‘aritmética’ e ‘caderno’, os resultados
retornarão os mesmos. Na indexação pré-coordenada, os assuntos complexos já
entram no vocabulário sob forma combinada e devem contemplar todas as
possibilidades de combinação entre os termos para formar assuntos complexos.
Palavras, termos ou frases escolhidas para expressar um conceito, ou uma combinação
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
de conceitos de indexação, são classificatórias e alfabéticas e o número de entrada
cresce muito.
REPOSITÓRIO DE CONTEÚDO DIGITAL: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
MATEMÁTICA (RCD-HEM)
Os repositórios diferenciam-se de outras bases de dados, pois permitem o
acesso apropriado ao material e armazenam documentos disponibilizados por outros
pesquisadores, que compartilham fontes digitalizadas e utilizadas em suas pesquisas,
preservando-as adequadamente e respeitando as etapas da Curadoria Digital. O seu
acesso é possível a partir de qualquer dispositivo móvel, permitindo o uso e reuso dos
objetos digitais disponíveis no espaço em que foram criados, reunidos e organizados
de forma privilegiada. O conjunto de itens que são alimentados nos repositórios
depende das atividades dos pesquisadores para disponibilizar as suas fontes digitais.
Esse modus operandi é desenvolvido desde longo tempo pelos membros do GHEMAT-
Brasil. O trabalho de auxílio, construção e manutenção do Repositório de Conteúdo
Digital – História da educação matemática (RCD-Hem) com objetos digitais, teve
início em 2012, inserindo-se como uma comunidade dentro do Repositório
Institucional da UFSC.
Os Repositórios Institucionais são exemplos de espaços virtuais que permitem
o armazenamento de grandes quantidades de informação em formato digital. Mas isso
ainda carece de uma maior problematização nas pesquisas históricas, desde que se
considere a construção, pelo pesquisador, das fontes de pesquisa digitalizadas, que se
transformam em ‘objetos digitais’ e são inseridas e disponibilizadas neste espaço
particular, no qual, além de haver as limitações impostas pelas escolhas das fontes que
serão digitalizadas pelo pesquisador que as utiliza, busca-se verificar a confiabilidade
e a autenticidade, que podem restringir o uso de determinado ‘objeto digital’.
De acordo com Crow (2002 apud Serra & Eliel, 2024, p. 599), “[...] um
Repositório Institucional proporciona dois aspectos às instituições de ensino:
expande o acesso à pesquisa ao divulgar a produção científica de forma aberta e
proporciona indicadores tangíveis da qualidade da instituição, destacando as
relevâncias científica, societária e econômica de suas atividades de pesquisa [...]”, o
que contribui para a visibilidade, o posicionamento e a valoração pública da
instituição. Ao adentrar os estudos acerca das informações disponíveis sobre os
objetos digitais em bases de dados, Clobridge (2010) indica que os metadados são
qualquer informação sobre outra informação. Nos repositórios, os metadados
consistem em diversos tipos de detalhes relacionados aos objetos digitais. Isso inclui
aspectos, como uso e direitos, descrições detalhadas, dados estruturais, palavras-
chave, entre outros elementos relevantes. Esses metadados são fundamentais para a
organização e a recuperação eficaz dos conteúdos armazenados.
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Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
Para tratar da avaliação da qualidade dos sistemas de informação, pode-se
tratar algumas características, como acessibilidade, atualização, clareza,
compreensão, confiabilidade, facilidade de uso, flexibilidade, segurança, utilidade,
completude, tempo de resposta, integração, legibilidade, oportunidade, relevância,
credibilidade, exatidão e, finalmente, comunicação (Lameira, 2016). Essas
características — como redução do tempo ao acesso à informação, atualização dos
itens depositados em repositórios, divulgação das políticas de funcionamento,
preservação dos documentos digitais, melhora da utilidade da informação,
credibilidade aos conteúdos, além do valor do uso da informação — buscam se
consolidar como critérios e como métodos para a avaliação e a aplicabilidade dos
sistemas de informação. A avaliação de repositórios é uma etapa crucial para a criação
de um sistema confiável, pois possibilita medir a sua eficiência e assegurar que eles
acompanhem as necessidades dos usuários.
O ofício do historiador da educação matemática é procurar fazer uma conexão com
a “[...] construção de ultrapassagens de relações ingênuas, míticas, românticas e
memorialísticas sobre as práticas do ensino de matemática realizadas noutros tempos”
(Valente, 2013, p. 28). A produção dos professores de matemática, ao manter uma relação
a-histórica com seus predecessores profissionais, pode, por meio da apropriação dessa
história, estabelecer uma conexão menos fantasiosa e mais científica com o passado.
A prática historiográfica nas pesquisas em História da educação matemática está
relacionada à guarda de documentos produzidos por uma cultura escolar, como
documentos normativos (leis, decretos, regulamentos de instituições de ensino etc.),
documentos de ensino (manuais pedagógicos, livros didáticos, materiais pedagógicos,
entre outros) e outras documentações (provas, cadernos escolares, diários de classe etc.).
Essa salvaguarda de documentos permite não só a preservação desses objetos, como a
possibilidade de realização de novas pesquisas apoiadas nos documentos disponíveis.
Porém, é crucial considerar, desde o método utilizado para capturar as imagens desses
objetos, o objetivo de preservá-los, assim como as suas seleção e organização.
Esses objetos, inicialmente selecionados, reunidos e depositados, são
organizados de maneira sistemática, respeitando as transformações dos documentos,
que originalmente foram encontrados de forma dispersa e, por meio do RCD, são
estruturados e organizados digitalmente. Embora esses documentos já tenham
servido como fontes para outras pesquisas, a sua disponibilização no RCD visa
transformá-los em registros históricos e documentos de referência para novas
investigações. Esse processo facilita o uso e o reuso dos objetos digitais, enriquecendo
o corpus disponível para a comunidade acadêmica (Gregorio & Costa, 2022).
As ferramentas digitais influenciam não apenas a coleta de dados, mas também
a construção e a divulgação do conhecimento histórico. Ao mesmo tempo, infere-se
uma abordagem crítica e cuidadosa para a utilização dessas fontes, em especial, o que
está disponível no ambiente do Repositório, a fim de garantir a integridade e a
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
validade das pesquisas desenvolvidas no meio digital, possibilitando o uso e o reuso
dos objetos digitais, mesmo que limitados, apoiados nas etapas da Curadoria Digital,
detalhadas no próximo tópico.
CURADORIA DIGITAL
A Curadoria Digital está associada ao gerenciamento e ao cuidado com os
objetos digitais em todo seu ciclo de vida. De acordo com Santos (2016), a Curadoria
Digital refere-se ao conjunto de ações que asseguram qualidade, integridade e
auditoria de informações realizadas a longo prazo, com objetivo de preservar e
proteger os objetos digitais de forma interdisciplinar. Essas ações visam garantir o
acesso, o reuso e a disseminação de acervos na internet.
“A curadoria digital envolve manter, preservar e agregar valor aos dados de
pesquisa ao longo de seu ciclo de vida, preservando sua integridade e autenticidade,
com prioridade para o planejamento, avaliação e reavaliação” (Digital Curation Centre
[DCC], 2023). A digitalização agrega valor aos objetos digitais, ao “[...] intervir no
objeto, inserir diversos tipos de metadados (administrativos, descritivos, estruturais e
de preservação), levando em consideração o contexto e a comunidade na qual o objeto
está inserido” (Souza, 2016, p. 36). Essas ações de curadoria garantem a preservação a
longo prazo e priorizam, além das imagens obtidas pela digitalização, a transformação
dos arquivos em objetos digitais.
As ações de curadoria abrangem a gestão de dados, desde o planejamento da
criação, incluindo a adoção de boas práticas de digitalização e da seleção adequada de
formatos, até a documentação e a garantia de que os dados estejam acessíveis e aptos
a serem localizados e reutilizados no presente e no futuro. Essas ações de curadoria
englobam “[...] todas as ações necessárias para manter os objetos e dados digitalizados
e nascidos digitais ao longo de todo o seu ciclo de vida, e ao longo do tempo para as
gerações atuais e futuras” (Machado, 2017, p. 41).
As etapas da Curadoria digital estão detalhadas a seguir:
• Conceitualizar - conceber e planejar a criação de objetos digitais,
incluindo métodos de captura de dados e opções de
armazenamento;
• Criar e receber - produzir objetos digitais e atribuir metadados
arquivísticos administrativos, descritivos, estruturais e técnicos;
• Acesso e uso - garantir que os usuários designados possam
acessar facilmente os objetos digitais no dia a dia. Alguns objetos
digitais podem estar disponíveis publicamente, enquanto outros
podem ser protegidos por senha;
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 11 de 25
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
• Avaliar e selecionar - avaliar objetos digitais e selecionar aqueles
que requerem curadoria e preservação de longo prazo. Cumprir
as orientações, políticas e requisitos legais documentados;
• Descartar - sistemas livres de objetos digitais não selecionados
para a curadoria e a preservação de longo prazo. Orientações
documentadas, políticas e requisitos legais podem exigir a
destruição segura desses objetos;
• Ingerir (admitir e inserir) - transferir objetos digitais para um
arquivo, repositório digital confiável, centro de dados ou similar,
novamente aderindo à orientação documentada, às políticas e
aos requisitos legais;
• Ação de preservação - empreender ações para garantir a
preservação a longo prazo e a retenção da natureza autoritária
dos objetos digitais;
• Reavaliar - devolver objetos digitais que falharam nos
procedimentos de validação para a avaliação e uma nova
seleção;
• Armazenar - manter os dados de maneira segura, conforme
descrito pelos padrões relevantes;
• Acesso e reutilização - garantir que os dados sejam acessíveis aos
usuários designados para o uso e a reutilização pela primeira vez.
Alguns materiais podem estar disponíveis publicamente,
enquanto outros dados podem ser protegidos por senha;
• Transformar - criar objetos digitais a partir do original, por
exemplo, migrando para uma forma diferente (Digital Curation
Centre, 2023).
Essas etapas privilegiam a preservação dos objetos digitais. Ao transpor essas
etapas às pesquisas de História da Educação e História da educação matemática, o
trabalho de transformação da materialidade dos documentos físicos em objetos
digitais segue um percurso que busca alinhar-se a essas orientações. Torna-se
necessária a criação de indicadores que possam nortear as boas práticas nos trabalhos
e embasar a sua utilização, possibilitando o uso e o reuso dos objetos a longo prazo.
O reuso de um objeto digital normalmente é feito por um pesquisador diferente
daquele que coletou os dados preliminarmente. Há autores, como Curty (2019), que
defendem que qualquer uso subsequente dos dados, mesmo que seja por quem os
obteve, deve ser considerado reuso. A autora propõe uma classificação que descreve
cinco abordagens para o reuso de dados de pesquisa
Para a autora, o reuso por reaproveitamento é uma das abordagens mais
mencionadas na literatura, pois se baseia na utilização de dados preexistentes com
propósitos diferentes dos originais. O reuso por agregação reúne dados de diferentes
estudos/fontes dentro de um mesmo domínio para criar uma coleção de dados mais
completa. Já o reuso por integração está relacionado a combinar dados de domínios e
de tipos de estudos diferentes. O reuso por metanálise “[...] caracteriza-se como
p. 12 de 25 Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025
Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
aquele que combina análises de dados provenientes de múltiplos estudos
independentes com perguntas de pesquisa e hipóteses idênticas ou muito
semelhantes, de modo a abordar questões além do escopo” (Curty, 2019, p. 183). E,
por último, o reuso por reanálise, que é voltado para a “[...] verificação dos resultados
obtidos pelo estudo que gerou os dados, por meio de nova análise dos dados,
utilizando os mesmos métodos e técnicas empregados no estudo original” (Curty,
2019, p. 184). Consequentemente, a abordagem de reuso está ligada à questão da
reprodutibilidade, na qual os dados são verificados com o objetivo de confirmar ou
refutar as conclusões anteriores.
Esta abordagem nos permite inferir que o reuso de fontes digitais de pesquisa é
uma prática cada vez mais comum e relevante nas pesquisas e em áreas que envolvem
investigação e desenvolvimento de conhecimento. Isso, porque é considerada uma
ferramenta poderosa, que pode levar a economias significativas de tempo e de
recursos, bem como a descobertas inovadoras. Em Hem, pode-se compreender o reuso
relacionado à integração e à metanálise, com estudos disponíveis em ambientes
virtuais, que podem ser analisados e combinados com novas hipóteses e perguntas de
pesquisa. Esse reuso, portanto, deve ser feito com cuidado e com critério para garantir
a qualidade e a integridade da pesquisa.
Como descrito, os objetos digitais devem contar com metadados para o seu
armazenamento, o que permite a reutilização e o compartilhamento de informações
sobre título, formato, tipo de arquivo e padrões. Isso possibilita a adoção dos
princípios FAIR3, segundo os quais os dados devam ser “[...] localizáveis, acessíveis,
interoperáveis e reutilizáveis” (Campos et al., 2023, p. 2). Neste trabalho, defende-se
a adoção dos princípios FAIR para as fontes de pesquisa histórica. Isso, porque a
adoção desses princípios é fundamental, pois favorece e promove a divulgação
científica. Os objetos digitais quando se alinham a esses princípios, e são
abertos/disponíveis, possibilitam o reuso em grande escala, potencializando novas
pesquisas e problemáticas históricas. Dessa forma, Caregnato et al. (2021) destacam
que os metadados, segundo os princípios FAIR, devem seguir algumas condições:
1 Os (meta)dados são detalhadamente descritos com uma pluralidade de
atributos precisos e relevantes;
1.1 Os (meta)dados são publicados com licenças claras e acessíveis de uso de
dados;
1.2 Os (meta)dados são associados a informações detalhadas sobre a sua
proveniência;
3
A iniciativa GO FAIR despontou no Brasil em 2016 e tem o intuito de garantir a devida reutilização dos
dados em diferentes contextos, países e disciplinas, contribuindo para o compartilhamento e reuso de
dados na geração de novos conhecimentos e para a reprodutibilidade da pesquisa e estabelecendo a
inserção dos princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) (Sales et al., 2021, p. 16).
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 13 de 25
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
1.3 Os (meta)dados atendem a padrões relevantes para a comunidade da área.
Ou seja, para serem reutilizáveis, tanto os dados, como os metadados
devem estar acompanhados de informações que efetivamente lhes
possibilitem ser empregados em contextos diferentes daqueles em que
foram criados (Caregnato et al., 2021).
Essas informações detalham aspectos que avançam para além da digitalização
do documento físico transformado em imagens. O objeto digital é construído a partir
do conjunto de seus metadados para uma ampla divulgação, possibilitando o seu uso
e reuso. As transformações relacionadas aos objetos digitais podem estar associadas a
uma dupla função: “[...] dinamizar as pesquisas em um mundo conectado pela internet
e ponderar como essa dinamização altera a forma de produção do conhecimento e do
modo de vida” (Nicodemo et al., 2022, p. 21).
TRABALHO COM OBJETOS DIGITAIS
A partir do exposto, quanto ao trabalho com os objetos digitais, a sua
rematerialização, a transformação das fontes e as etapas da Curadoria Digital, busca-
se, nesta seção, tratar do uso dos objetos disponíveis no RCD-UFSC. O acervo digital
disponível no ambiente do RCD é resultado do trabalho realizado em conjunto por
uma equipe de pesquisadores: os responsáveis pela captura das imagens criam
metadados; outros, que as compartilham e disponibilizam de maneira virtual no RCD
após as submissões ao sistema; e uma outra equipe, que faz a moderação e a avaliação
dessas inserções e de seus elementos, liberando o acesso à comunidade.
A partir das etapas da Curadoria Digital, é possível inferir que o trabalho começa
com um amplo planejamento, objetivando conceitualizar e caracterizar os
documentos que serão rematerializados, isto é, a criação dos arquivos digitalizados.
Segundo o Digital Curation Centre [DCC] (2023), ‘conceitualizar’ relaciona-se a “[...]
conceber e planejar a criação de objetos digitais, incluindo métodos de captura [...]”,
como realizado com os objetos digitais nas pesquisas em Hem.
Em seguida, atribuem-se os metadados técnicos, descritivos e estruturais, na
etapa elencada como ‘criar e receber’, objetivando garantir o acesso e o uso, que,
segundo o DCC (2023), asseguram que os usuários tenham facilidade para acessar os
objetos, os quais podem estar disponíveis publicamente. As etapas apontadas pelas
ações da Curadoria Digital têm em vista “[...] avaliar e selecionar os objetos digitais,
incluindo aqueles que requerem curadoria e preservação a longo prazo”.
Apresenta-se abaixo um registro no RCD-Hem/UFSC. Como exemplo,
apresenta-se o livro intitulado Arithmetica escolar – livro do mestre, escrito por Ramon
Roca Dordal, publicado em 1915, que serviu de fonte para as pesquisas (Costa, 2016;
Salvador, 2017).
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Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
Figura 1 – Metadados do livro Arithmetica escolar – livro do mestre, Ramon Roca Dordal
Fonte: Roca Dordal (1915).
Os tipos dos registros, que se apresentam na figura anterior, vinculados aos
objetos digitais, como o livro citado, ilustram alguns dos metadados disponíveis no
RCD-Hem/UFSC. Verifica-se que o preenchimento dos metadados se baseia nas etapas
das categorias da Curadoria Digital. As informações foram classificadas e inseridas,
aderindo, segundo DCC (2023), às orientações, às políticas e aos requisitos legais,
segundo os quais alguns metadados poderão ser descartados, ou reavaliados, se não
seguirem licenças de compartilhamento. As ações de preservação objetivam garantir
a conservação a longo prazo e a retenção da natureza autoritária dos objetos digitais,
mantendo os dados armazenados de maneira segura, possibilitando que estejam
acessíveis aos usuários publicamente e a longo prazo.
Após o armazenamento, como no exemplo anterior, no RCD-UFSC, objetiva-se
manter os dados de maneira segura, relacionados à etapa armazenar, indicada pelo
DCC (2023). É o momento de tratar do acesso e da reutilização, que garantem a
publicação dos objetos, rematerializados a partir do documento original, evidenciando
a etapa de transformar e criar objetos.
Para que todas essas etapas sejam cumpridas, como descrito anteriormente, é
necessária uma equipe de pesquisadores engajada na conservação e na preservação
dos documentos. A partir dessas ações de preservação, por meio da busca eletrônica,
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 15 de 25
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
via palavras-chave, ocorrerá a localização e a possível recuperação das informações.
As palavras-chave, construídas a partir das características dos objetos digitais, servem
como elementos de representação e de recuperação de informações para a pesquisa
científica. As escolhas adequadas permitem uma melhor indexação pelos buscadores
eletrônicos no momento da pesquisa.
No exemplo citado da obra de Ramon Roca Dordal, apresentam-se, como
palavras-chave, Arithmetica e Ensino Primário. Nesse ambiente, os motores de busca
também acessam os títulos dos objetos digitais, isto é, a pesquisa por meio da palavra-
chave Livro do mestre também alcançaria este item. Por isso, a ideia de que as fontes
digitais do RCD podem contribuir para a elaboração de conhecimentos históricos que
tangenciam outras áreas de conhecimento é reforçada.
Embora este artigo tenha escolhido o exemplar Livro do mestre, de Ramon Roca
Dordal, é importante destacar que o autor possui outras obras disponíveis digitalmente
no RCD, como Arithmetica escolar – exercícios e problemas para escolas primárias,
famílias e colégios, organizada em cadernos e com seis edições acessíveis. Apesar de
existirem materiais seriados e organizados com diversas edições e exemplares, uma das
limitações de um espaço como o Repositório é a dificuldade de garantir que todos os
materiais de uma coleção específica estejam disponíveis em sua totalidade.
Uma outra informação importante, trata da geração, produção ou criação de um
representante imagético digital (Santos & Miranda, 2020). A digitalização de
documentos compreende as etapas de recepção, conferência, preparo, captura,
indexação, controle de qualidade/inspeção/auditoria. Além disso, garante as
fidedignidade, autenticidade, longevidade e segurança dos documentos. O indicado
na literatura arquivística é que a qualidade das imagens digitalizadas seja de 300dpi
(resolução óptica/pontos por polegada). Caso o texto da página do documento alvo
tenha caracteres bem pequenos, é necessário que a qualidade fique entre 400dpi e
600dpi. Dessa forma, obtém-se uma visualização clara e nítida dos arquivos que ficam
legíveis, convertidos adequadamente para o formato desejado, seja PDF, JPG, TIFF.4 A
imagem a seguir ilustra a capa do livro de Ramon Roca Dordal.
4
“PDF (Portable Document Format) é um formato de arquivo versátil criado pela Adobe que permite uma
maneira fácil e confiável de apresentar e trocar documentos, pode conter texto, imagens, gráficos
vetoriais, vídeos, e links, preservando o layout original do documento, o que o torna ideal para
compartilhamento e impressão JPEG (Joint Photographic Experts Group) é um formato de arquivo de
imagem amplamente utilizado, especialmente para fotografias e gráficos detalhados. TIFF (Tagged Image
File Format) é um formato de arquivo para imagens bitmap, amplamente utilizado na indústria gráfica e
de impressão. O TIFF é conhecido por sua flexibilidade e suporte para uma ampla gama de profundidades
de cor e compressões” (Adobe, 2024).
p. 16 de 25 Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025
Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
Figura 2 – Capa do livro de Ramon Roca Dordal
Fonte: Roca Dordal (1915).
Todos esses elementos evidenciam a importância de um local adequado para a
guarda dos documentos, com a sua preservação a longo prazo, possibilitando o uso e
o reuso pelos pesquisadores, bem como a necessidade de seguir etapas que otimizem
o trabalho do pesquisador.
FERRAMENTAS DE PESQUISAS DIGITAIS
O trabalho com as fontes digitais somente é possível por meio de softwares. A
seleção e o uso de programas para esse trabalho devem priorizar aqueles que levam
em conta as etapas já mencionadas da Curadoria Digital. Para além dos Repositórios,
duas ferramentas, em especial, auxiliam o trabalho do pesquisador na mobilização e
na organização com as fontes: Zotero (2024) e Tropy (2024), ambos softwares de código
aberto e gratuitos.
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 17 de 25
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
O Zotero é um gerenciador de referências bibliográficas que auxilia na
elaboração de trabalhos e que “[...] constitue[i] hoje uma realidade na geração da
produção científica e na gestão de pesquisa nos diversos níveis acadêmicos. Assim, no
cenário atual o uso dos gerenciadores de referências bibliográficas vem incorporando
dinamicidade em seu processo” (Ferreira, 2017, p. 15). Desse modo, o instrumento
possibilita a coleta de referências com um clique. O gerenciador detecta pesquisas
automaticamente enquanto o navegador é utilizado e, assim, é possível salvar
informações relacionadas às citações de livros, artigos e páginas da web. O pesquisador
pode organizá-lo de forma que contemple as suas escolhas e a organização da
investigação, classificando os itens em coleções e subcoleções e marcando-os com
palavras-chave, notas e tags (Zotero, 2024).
O Tropy foi desenvolvido com objetivo de ser utilizado na pesquisa arquivística
da atualidade que é marcada por uma maior facilidade de “[...] acesso e cópia de
documentação, seja pela possibilidade de o pesquisador fotografar diretamente os
documentos que lhe interessam ou pelos grandes projetos institucionais de
digitalização que ampliaram de forma substancial e mundialmente o acesso à
documentação de arquivo” (Lucchesi, 2023). O Tropy auxilia pesquisadores a
organizar e a gerenciar as suas coleções de fotografias de pesquisa, minimizando o
caos que costuma assolar os computadores depois de uma visita ao arquivo com os
registros das imagens das fontes com grandes volumes.
O Tropy permite que o pesquisador assuma o controle das imagens de pesquisa,
o que encurta o caminho desde encontrar fontes de arquivo até escrever a respeito
delas. O software permite aos usuários importar e organizar as imagens de maneira
estruturada em projetos com listas e coleções. Dessa forma, possibilita que o
pesquisador se debruce mais tempo em suas fontes de pesquisa e gaste menos tempo
procurando por elas. As configurações de anotação do Tropy permitem transcrever
documentos, selecionar detalhes de imagens e manipular fotografias para obter uma
visão mais clara de suas fontes.
As ferramentas digitais auxiliam o acesso facilitado às informações, gerando
economia de tempo e esforço, bem como privilegiam a organização e o gerenciamento
de dados de forma eficiente, o que possibilita a colaboração e o compartilhamento da
comunicação científica.
O Tropy faz, por exemplo, a união de imagens, no caso de Diários digitalizados
para a realização de pesquisa histórica. O documento físico já foi rematerializado e,
apoiando-se nas etapas da Curadoria Digital, foram criadas e armazenadas em um
espaço virtual as digitalizações. A partir disso, utilizando o Tropy, criam-se os
metadados de cada objeto, para então inserir os arquivos nos repositórios confiáveis.
p. 18 de 25 Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025
Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., & Maciel, V. B.
Figura 3 – Interface do Tropy
Fonte: Os autores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do exposto, pode-se inferir que as práticas históricas vêm se alterando
com o passar do tempo e com as inovações tecnológicas. Especialmente, com o uso
dos objetos digitais e o encaminhamento desses objetos para espaços de guarda.
Objetivou-se, neste texto, quanto às pesquisas históricas, evidenciar e analisar
novas práticas que privilegiam a transformação de documentos físicos escritos em
objetos digitais, apoiando-se nas etapas da Curadoria Digital, como mostrado na
última sessão, na conservação de objetos no RCD-Hem/UFSC. É possível, a partir do
texto, evidenciar a necessidade de um espaço confiável para o armazenamento, a
longo prazo, dos objetos de digitais apoiados nos estudos da História digital, os quais
vêm se destacando ao longo do tempo. Essas novas práticas na guarda de documentos
permitem não só a preservação de tais objetos, como a possibilidade de realização de
novas pesquisas por meio da reutilização dos documentos disponíveis.
Estudar História digital significa reconhecer que os historiadores têm se
esforçado para integrar o digital à sociedade e que a tecnologia permite introduzir
novas práticas ao processo de pesquisa, produzindo reflexões e a aplicação de novas
técnicas para as pesquisas e para a divulgação científica.
As etapas da Curadoria Digital priorizam a preservação dos objetos digitais,
garantindo a editabilidade, interatividade, abertura/acesso e distribuição. O processo de
rematerialização, que transforma documentos físicos em objetos digitais, deve seguir as
fases de conceitualização, criação, acesso, avaliação, descarte, ingestão, preservação,
reavaliação e armazenamento. Essas etapas, juntamente com a produção de metadados,
a digitalização e o armazenamento em bases de dados confiáveis, possibilitam a
preservação segura, permitindo o uso e o reuso dos objetos a longo prazo.
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 19 de 25
Práticas historiográficas apoiadas nos objetos digitais: contribuições da História digital
Com base nos estudos de Certeau (2013), o trabalho do historiador está
relacionado à produção de textos que representem o passado, a partir da separação,
reunião e transformação de determinados objetos. Com essas ações, torna-se possível
realizar uma pesquisa historiográfica ancorada no tempo presente e no uso de
ferramentas digitais. Embora o autor não aborde diretamente a materialidade digital
desses objetos, as suas reflexões oferecem contribuições relevantes para o trabalho
atual dos pesquisadores.
O exemplo apresentado a partir do Livro do mestre, de Ramon Roca Dordal,
objetivou oferecer um breve recorte de objetos disponíveis no ambiente digital do
Repositório. Contudo, é importante destacar as limitações no uso desses espaços, uma
vez que a disponibilidade do acervo é resultado de documentos que foram utilizados
em outras pesquisas.
A preparação dos metadados, dos itens presentes no RCD, passam pelo uso
adequado das potentes ferramentas digitais que atuam de forma propositiva na
organização dos documentos. Tais ferramentas favorecem a produção de uma
historiografia que leva em conta um novo conjunto de fontes documentais ampliando
problemáticas nas investigações históricas.
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JANINE MARQUES DA COSTA GREGORIO: Doutoranda Recebido em: 11.11.2024
e Mestra no Programa de Pós-Graduação em Aprovado em: 13.02.2025
Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) da Publicado em: 28.02.2025
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com
apoio financeiro do UNIEDU - FUMDES/SEDSC. EDITORA-ASSOCIADA RESPONSÁVEL:
Graduada em Matemática-Licenciatura pela UFSC. Raquel Discini de Campos (UFU)
Integrante do Grupo de Pesquisa de História de E-mail: raqueldiscini@[Link]
Educação Matemática de Santa Catarina - [Link]
GHEMAT-SC, e associada ao GHEMAT-Brasil.
Desenvolve pesquisas no âmbito da História da RODADAS DE AVALIAÇÃO:
educação matemática, História Digital, Curadoria R1: três convites; três pareceres recebidos.
digital e Humanidades Digitais, com ênfase no uso
de objetos digitais e Repositórios digitais. COMO CITAR ESTE ARTIGO:
E-mail: janinemcosta13@[Link] Gregorio, J. M. da C., Costa, D. A. da., &
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modalidade sanduíche (06/2008 – 05/2009) no
[Link]
INRP/SHE - Institut National de Recherche
Pédagogique/Service d'Histoire de l'Éducation, FINANCIAMENTO:
Paris-França (bolsista CNPq). Professor associado
A RBHE conta com apoio da Sociedade
do Departamento de Metodologia de Ensino e do
Brasileira de História da Educação (SBHE) e do
Programa de Pós-Graduação em Educação
Programa Editorial (Chamada Nº 30/2023) do
Científica e Tecnológica da UFSC. É pesquisador
Conselho Nacional de Desenvolvimento
líder do Grupo de Pesquisa de História da Educação
Científico e Tecnológico (CNPq).
Matemática - GHEMAT-SC e associado ao
GHEMAT-Brasil. Desenvolve pesquisas no âmbito
LICENCIAMENTO:
da História da educação matemática no ensino
regular e na educação profissional e tecnológica. Este artigo é publicado na modalidade Acesso
Aberto sob a licença Creative Commons
E-mail: [Link]@[Link]
[Link] Atribuição 4.0 (CC-BY 4).
VIVIANE BARROS MACIEL: Doutora em Ciências pela
Unifesp/SP, com doutorado sanduíche na Université
de Limoges, França - Projeto de Cooperação
Internacional (bolsista CAPES/Cofecub). Professora
Adjunta da Faculdade de Educação/ Pedagogia/ UFJ.
Docente do Programa de Pós-Graduação em
Educação/UFJ e colaboradora do Programa de Pós-
Graduação em Educação para Ciências e
Matemática/IFG. Líder do Grupo de Estudos e
Pesquisas em Educação Matemática nos Anos
Iniciais - GEMAIS e pesquisadora associada ao
GHEMAT-Brasil. Desenvolve pesquisas no âmbito
da História da Educação Matemática e ensino e
aprendizagem de matemática.
E-mail: barrosmaciel@[Link]
[Link]
Rev. Bras. Hist. Educ., 25, e362, 2025 p. 25 de 25