Matriz de Referência de
Língua Portuguesa – SAEB
1. Procedimentos de Leitura
2. Implicações do Suporte, do Gênero e/ou do Enunciador na Compreensão do
Texto
3. Relação entre Textos
4. Coerência e Coesão no Processamento do Texto
5. Relações entre Recursos Expressivos e Efeitos de Sentido
6. Variação Linguística
Os descritores do SAEB de Língua Portuguesa são habilidades e
conhecimentos específicos que os alunos devem demonstrar em avaliações,
organizados em tópicos como procedimentos de leitura, implicações do
suporte/gênero/enunciador e relações entre textos. Eles detalham o que se espera
que os alunos saibam e consigam fazer em relação à leitura e compreensão de
textos, incluindo a identificação de informações explícitas e implícitas, a
inferência de sentidos, a diferenciação entre fatos e opiniões, e a análise da
relação entre diferentes textos.
1. Procedimentos de Leitura:
Localizar informações explícitas: Encontrar informações que estão
claramente expressas no texto.
Inferir informações implícitas: Deduzir informações que não estão
diretamente escritas, mas que podem ser entendidas a partir do contexto.
Inferir o sentido de palavras/expressões: Compreender o significado de
termos desconhecidos ou expressões utilizando pistas do texto.
Identificar o tema: Reconhecer o assunto principal do texto.
Interpretar texto com auxílio de materiais gráficos: Compreender
informações em imagens, gráficos, etc. e como elas se relacionam com o texto.
Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação: Comparar como
o mesmo tema é abordado em diferentes textos, considerando o contexto de
produção e recepção.
2. Implicações do Suporte, Gênero e/ou Enunciador:
Reconhecer diferentes gêneros textuais: Identificar as características de
diversos tipos de textos (narrativas, poemas, notícias, etc.).
Identificar a finalidade de um texto: Compreender qual é o objetivo do texto
(informar, persuadir, etc.).
Identificar o locutor e o interlocutor: Reconhecer quem está falando e quem
é o público-alvo do texto.
Compreender o ponto de vista do autor: Analisar a perspetiva com que o
autor aborda o tema.
3. Relação entre Textos:
Estabelecer relações entre textos:
Identificar semelhanças e diferenças entre diferentes textos que tratam do
mesmo tema.
Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação:
Analisar como a mesma informação pode ser apresentada de maneiras distintas
em diferentes textos.
4. Coerência e Coesão:
Identificar elementos que conectam as partes do texto
(coesão): Reconhecer o uso de conectivos (conjunções, pronomes, etc.) para
garantir a progressão das ideias.
Identificar as relações lógicas entre as partes do texto: Compreender como
as ideias se conectam para formar um todo coerente.
5. Recursos Expressivos:
Identificar o uso de figuras de linguagem:
Analisar como o autor utiliza metáforas, comparações, etc. para criar efeitos de
sentido.
Compreender os efeitos de sentido criados pelos recursos expressivos:
Analisar como o uso de diferentes recursos linguísticos pode afetar a
interpretação do texto.
6. Variação Linguística:
Reconhecer diferentes variedades linguísticas: Compreender que a língua
pode variar de acordo com a região, a idade, o grupo social, etc.
Compreender que a língua não é homogênea: Identificar que a língua pode
variar em sua forma de uso
É importante ressaltar que os descritores servem como base para a
construção de itens de avaliação, indicando as habilidades e conhecimentos
que serão aferidos em cada questão. Eles também orientam o trabalho
pedagógico, auxiliando os professores a desenvolverem as competências
necessárias para a proficiência em leitura e escrita dos alunos.
1. Procedimentos de Leitura
Na prática da leitura, o aluno deverá localizar informações
explícitas e inferir as implícitas em um texto. As informações
implícitas exigem maior capacidade para que possam ser
inferidas, exige que o leitor extrapole o texto e reconheça o
que não está textualmente registado e sim subentendido ou
pressuposto. É preciso identificar não apenas a ideia, mas
também ler as entrelinhas, o que exige do aluno um
conhecimento de mundo, e outras leituras.
Na leitura e interpretação dos textos deve-se também
distinguir os fatos apresentados da opinião formada acerca
desses fatos em textos narrativos e argumentativos.
Reconhecer essa diferença é importantíssimo para que o
aluno possa tornar-se mais crítico, de modo a ser capaz de
distinguir o que é um fato, um acontecimento, da
interpretação que lhe é dada pelo autor do texto.
Descritores
D1 – Localizar informações explícitas em um texto.
D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.
D4 – Inferir uma informação implícita em um texto.
D6 – Identificar o tema de um texto.
D11 – Distinguir um fato da opinião relativa a esse
respeito.
2. Implicações do Suporte, do Gênero e/ou do
Enunciador na Compreensão do Texto
O aluno deverá distinguir os gêneros variados, veiculados
em diferentes suportes, como jornais, revistas, livros
didáticos ou literários. A identificação da finalidade de um
texto em função de suas características, como o conteúdo, a
utilização ou não de recursos gráficos e o estilo de
linguagem.
Descritores
D5 - Interpretar texto com o auxílio de material gráfico
diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc).
D9 - Identificar a finalidade de textos de diferentes
gêneros. Observe o rótulo abaixo:
3. Relação entre textos
O aluno deverá assumir uma atitude crítica e reflexiva em relação
às diferentes ideias relativas ao mesmo tema encontradas em um
mesmo ou em diferentes textos, ou seja, ideias que se cruzam no
interior dos textos lidos, ou aquelas encontradas em textos diferentes,
mas que tratam do mesmo tema. Dessa forma, o aluno pode ter maior
compreensão das intenções de quem escreve.
Estas atividades envolvem a comparação de textos de diversos
gêneros, tanto os produzidos pelos alunos, como os extraídos da
Internet, jornais, revistas, livros, textos publicitários ou não. As
relações entre textos são essenciais para se analisar o modo de
tratamento do tema dado pelo autor e as condições de produção,
recepção e circulação dos textos.
Descritor
D15 – Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação
na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função
das condições em que eles foram produzidos e daquelas em que
serão recebidos.
4. Coerência e coesão no processamento do texto
Encontramos nesse item os elementos que constituem a
textualidade, ou seja, aqueles elementos que constroem a
articulação entre as diversas partes de um texto: a coerência e a
coesão.
Considerando que a coerência é a lógica entre as ideias
expostas no texto, para que ela exista é necessário que a ideia
apresentada se relacione ao todo do texto dentro de uma
sequência e progressão de ideias.
Para que as ideias estejam bem relacionadas, também é
preciso que estejam bem interligadas, bem “unidas” por meio de
conectivos adequados, ou seja, com vocábulos que têm a
finalidade de ligar palavras, locuções, orações e períodos. Dessa
forma, as peças que interligam o texto, como pronomes,
conjunções e preposições, promovendo o sentido entre as ideias
são chamadas coesão textual. Enfatizamos, nesta série, apenas
os pronomes como elementos coesivos. Assim, definiríamos
coesão como a organização entre os elementos que articulam as
ideias de um texto.
O aluno deverá compreender o texto não como um simples
agrupamento de frases justapostas, mas como um conjunto
harmonioso em que há laços, interligações, relações entre suas
partes.
A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto
dependem da ade- quada interpretação de seus componentes. De
acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral
do assunto do texto.
Em relação aos textos narrativos, o leitor necessita identificar
os elementos que com- põem o texto: narrador, ponto de vista,
personagens, enredo, tempo, espaço; e quais são as relações
entre eles na construção da narrativa.
Descritores
D2 - Estabelecer relações entre partes de um texto,
identificando repetições ou substituições que contribuem para a
continuidade de um texto.
D7 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que
constroem a narrativa.
D8 - Estabelecer a relação causa/consequência entre partes e
elementos do texto.
D12 - Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no
texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
5. Relação entre recursos expressivos e efeitos de
sentido.
O uso de recursos expressivos possibilita uma leitura para
além dos elementos
superficiais do texto e auxilia o leitor na construção de novos
significados. Nesse sentido, o conhecimento de diferentes
gêneros textuais proporciona ao leitor o desenvolvimento de
estratégias de antecipação de informações que levam o leitor à
construção de significados.
Em diferentes gêneros textuais, tais como a propaganda, por
exemplo, os recursos expressivos são largamente utilizados,
como caixa alta, negrito, itálico, entre outros. Os poemas
também se valem desses recursos, exigindo atenção redobrada e
sensibilidade do leitor para perceber os efeitos de sentido
subjacentes ao texto.
Vale destacar que os sinais de pontuação, como reticências,
exclamação, interrogação etc., e outros mecanismos de notação,
como o itálico, o negrito, a caixa alta e o tamanho da fonte
podem expressar sentidos variados. O ponto de exclamação, por
exemplo, nem sempre expressa surpresa. Faz-se necessário,
portanto, que o leitor, ao explorar o texto perceba como esses
elementos constroem a significação, na situação comunicativa
em que se apresentam.
Descritores
D13 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.
D14 – Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da
pontuação e de outras notações.
6. Variação linguística
Este tópico refere-se às inúmeras manifestações e
possibilidades da fala. No
domínio do lar, as pessoas exercem papéis sociais de pai, mãe,
filho, avó, tio. Quando observamos um diálogo entre mãe e filho,
por exemplo, verificamos características linguísticas que marcam
ambos os papéis. As diferenças mais marcantes são
intergeracionais (geração mais velha/geração mais nova).
A percepção da variação linguística é essencial para a
conscientização linguística do aluno, permitindo que ele construa
uma postura não-preconceituosa em relação a usos linguísticos
distintos dos seus.
É importante além dessa percepção, compreender as razões
dos diferentes usos, a utilização da linguagem formal, a informal,
a técnica ou as linguagens relacionadas aos falantes, como por
exemplo, a linguagem dos adolescentes, das pessoas mais velhas,
etc.
É necessário transmitirmos ao aluno a noção do valor social
que é atribuído a essas variações, sem, no entanto, permitir que
ele desvalorize sua realidade ou a de outros.
Descritor
D10 – Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor
e o interlocutor de um texto.