CONTEXTO O projeto está inserido no âmbito do Decreto nº
11.822/2023, que institui a Estratégia Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional nas Cidades –
Estratégia Alimenta Cidades. O projeto está
vinculado à Agenda 2030, especificamente ao
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 2,
"Acabar com a fome, alcançar a segurança
alimentar e melhoria da nutrição e promover a
agricultura sustentável", e suas metas. O Brasil
também lidera a iniciativa Aliança Global contra a
Fome e a Pobreza.
Em 2023, o Amapá teve 83 mil domicílios em
insegurança alimentar, sendo o terceiro estado
do país com maior proporção de insegurança
alimentar moderada ou grave (18,6%).
Paralelamente, há uma riqueza pouco explorada
de PANCs com uso tradicional por comunidades
quilombolas, indígenas e ribeirinhas, e grande
potencial para diversificação alimentar
sustentável.
OBJETIVO Promover a Segurança Alimentar e Nutricional
nos municípios do Amapá por meio da educação
alimentar e nutricional, do uso e do fomento à
produção agroecológica das PANCs, com foco nas
regiões classificadas como desertos e pântanos
alimentares.
PÚBLICO-ALVO A população do estado do Amapá, com especial
enfoque nas pessoas que residem em regiões de
deserto e/ou pântano alimentar (Famílias
residentes em desertos e pântanos alimentares,
nas áreas rural e urbana do estado do Amapá;
Trabalhadores rurais e assentados; Comunidades
quilombolas, indígenas e ribeirinhas)
ATIVIDADES 1. Diagnóstico e Mapeamento de áreas de
insegurança alimentar:
Identificar localidades prioritárias usando o "Mapa
de Desertos e Pântanos Alimentares" do
programa Alimenta Cidades (Prazo: 1 a 3 meses)
Levantar a disponibilidade de PANCs locais (Prazo:
4 a 8 meses)
Realizar oficinas de escuta com raizeiros, anciãos,
lideranças quilombolas e indígenas para reforçar
a identificação das plantas (Prazo: 1 a 2 anos)
Elaborar um catálogo comunitário de PANCs com
base em uso real e ancestral (Prazo: 3 a 4 anos)
2. Ações de Educação Alimentar e Nutricional:
Capacitar a população para o uso consciente e
sustentável das PANCs (Prazo: 3 a 4 anos)
Oficinas comunitárias com nutricionistas sobre
preparo de alimentos com PANCs e criação de
novas receitas (Prazo: 3 a 4 anos)
Oficinas específicas em escolas sobre PANCs e
agroecologia (Prazo: 3 a 4 anos)
Produção de cartilhas, spots de rádio e vídeos
com conteúdo e linguagem acessível sobre PANCs
e agroecologia (Prazo: durante toda a campanha
– 4 anos)
Inserção do tema em escolas públicas com hortas
escolares e merenda escolar (Prazo: durante toda
a campanha – 4 anos)
Convidar cozinheiras tradicionais, benzedeiras e
líderes comunitárias para ministrar cursos de
culinária juntamente com nutricionistas e chefs,
respeitando saberes existentes (Prazo: 3 a 4
anos)
3. Fomento à produção Agroecológica:
Estimular a produção de alimentos diversificados
e acessíveis (Prazo: até 4 anos)
Fornecer apoio técnico e insumos para hortas
comunitárias e quintais produtivos (Prazo: até 4
anos)
Parcerias com assentamentos, escolas,
comunidades quilombolas e indígenas para
implementação de unidades demonstrativas
(Prazo: 3 a 4 anos)
Estimular o uso de técnicas agroflorestais de
plantio, adaptadas ao bioma (Prazo: 3 a 4 anos)
4. Fortalecimento das tecnologias alimentares de
povos indígenas e comunidades tradicionais:
Prazos e estratégias de comunicação a definir. As
ações incluem:
Consultar previamente povos indígenas e
comunidades tradicionais para implementação do
programa, conforme a Convenção nº 169 da OIT
Realizar levantamento das PANCs tradicionais e
do conhecimento local nessas comunidades
Apoiar mutirões para instalação de hortas em
espaços comunitários, escolas e unidades de
saúde
Capacitar agentes comunitários e indígenas de
saúde, agricultores familiares e jovens para o
cultivo sustentável e uso das PANCs
Promover encontros presenciais e virtuais para
intercâmbio de saberes
Acompanhar o impacto da campanha por
indicadores de consumo, produção e
fortalecimento do conhecimento tradicional
5. Organização do 10º Encontro HortPanc - Encontro
Nacional de Hortaliças Não-Convencionais em
Macapá/AP (Prazo: 6 meses)
6. Avaliação participativa (Prazo: pelo menos a cada
6 meses, durante toda a campanha – 4 anos)
PRODUTOS Realização do 10º Encontro HortPanc – Encontro
Nacional de Hortaliças Não-Convencionais em
Macapá/AP
Criação de cartilhas e vídeos com receitas e
informações sobre PANCs
Produção de spots de rádio com dicas práticas e
depoimentos
Condução de oficinas comunitárias de culinária,
nutrição e agroecologia
Criação de vídeos com líderes locais ensinando
sobre as plantas
Implementação de hortas escolares e
comunitárias com visitas guiadas
Elaboração de um catálogo comunitário de PANCs
com nomes populares e científicos
Produção de podcasts com histórias orais e usos
tradicionais
Organização de eventos públicos de celebração e
trocas de saberes
RESULTADOS Ampliação do conhecimento e uso de PANCs
pelas comunidades participantes, contribuindo
para a segurança alimentar e nutricional
Ampliação de conhecimentos a respeito da
agroecologia
Melhoria da alimentação escolar com produtos
locais
Fortalecimento de redes locais de produção e
consumo
Valorização dos conhecimentos e saberes locais,
e sua difusão para novas gerações
Potencialização da autonomia de povos e
comunidades tradicionais na produção de
alimentos em seus territórios
Menor dependência de atores externos para
manutenção da soberania alimentar
Redução dos índices de insegurança alimentar e
nutricional no Estado do Amapá
Métodos de avaliação incluem questionários
antes e depois das ações, monitoramento da
frequência e impacto das oficinas, registros
fotográficos e audiovisuais, avaliação nutricional
da merenda escolar, relatórios qualitativos com
depoimentos, e avaliação participativa final
IMPACTOS PANCs consolidadas como instrumento de
garantia de segurança alimentar e nutricional no
Amapá
Redução da dependência de alimentos
ultraprocessados
Maior integração entre saberes tradicionais e
ciência
Expansão das possibilidades de auferimento de
renda por meio do trabalho com PANCs
Aumento da geração de renda local por meio de
cadeias produtivas sustentáveis
Maior protagonismo dos povos e comunidades
tradicionais nas decisões sobre políticas públicas
e uso da terra
Estímulo à conservação da biodiversidade e ao
uso sustentável dos recursos naturais
Reforço da identidade alimentar regional e
inclusão de práticas alimentares tradicionais nos
sistemas formais de abastecimento
Métodos de avaliação de impacto incluem
pesquisas quantitativas e qualitativas sobre o uso
de PANCs na dieta e consumo de
ultraprocessados, pesquisas sobre a conjugação
de saberes tradicionais e ciência, e relatórios de
emprego e renda relacionados às PANCs
PRESSUPOSTOS O direito a uma alimentação saudável e de
qualidade é garantido a todas as populações,
devendo prevalecer sobre quaisquer barreiras
Promover iniciativas que integrem a valorização
da biodiversidade com a garantia da soberania
alimentar é um desafio central na segurança
alimentar e nutricional no Brasil
Apesar de existirem cerca de 30 mil espécies com
potencial para alimentação humana,
globalmente, o número de espécies vegetais
consumidas diminuiu drasticamente, indicando
que apenas uma pequena fração das plantas
comestíveis é conhecida e cultivada
PANCs são plantas comestíveis que podem ser
nativas, exóticas, adaptadas ou naturalizadas,
incluindo espécies espontâneas ou
subespontâneas frequentemente ignoradas ou
eliminadas, apesar de crescerem em diversas
condições e terem grande valor nutricional
PANCs se encaixam idealmente em uma
alimentação diversificada, equilibrada e rica em
nutrientes, sendo um elemento essencial da
agrobiodiversidade. Elas geralmente crescem
espontaneamente, requerem cuidados simples,
possuem alta variabilidade genética, são pouco
exigentes e têm modos de cultivo de baixo
impacto ambiental
Estudos indicam que as PANCs possuem valor
nutricional superior ao de algumas hortaliças
tradicionais, contribuindo para a ingestão diária
de vitaminas e minerais essenciais. Partes pouco
utilizadas de plantas convencionais também
podem ser consideradas PANCs, como folhas de
chuchu, abóbora e batata-doce
Devido à sua diversidade, flexibilidade de uso e
riqueza nutricional, as PANCs são ideais para
promover uma alimentação saudável,
ambientalmente sustentável e culturalmente
consciente