UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE BELAS ARTES
CURSO DESIGN DE MODA
DISCIPLINA: TÓPICOS EM MODA: JORNALISMO DE MODA (AA. 01)
Abrindo as Páginas Históricas do Jornalismo de Moda
Por: Alyne Santana
A história do jornalismo de moda na Europa começa no século XVII, com Paris e Londres
como centros principais. Jornais como Mercure Galant e Lady’s Mercury divulgavam
costumes e estilos que indicavam a posição social, como as joias promovidas por Luís XIV. A
expressão “escravos da moda” descrevia quem ajudava a transformar Paris em referência de
luxo, mostrando a ligação entre moda, poder e trabalho.
No século XIX, com a Revolução Industrial e o avanço do capitalismo, o jornalismo focou
em informar, ampliando a participação feminina. No século XX, o jornalismo interpretativo
questionou práticas antigas, como o espartilho, e divulgou novos estilos, como a moda
esportiva criada por Coco Chanel. Paris manteve-se como capital mundial da moda,
exportando padrões de elegância. A partir da metade do século XX, com o prêt-à-porter, a
moda tornou-se mais acessível, e o jornalismo passou a abordar aspectos históricos, culturais
e econômicos. Londres, Milão e Nova York passaram a competir com Paris, e veículos como
o The New York Times dedicaram maior espaço ao tema, mostrando a importância da moda
globalmente.
No século XXI, o jornalismo de moda virou entretenimento, usando imagens e textos para
atrair leitores em uma sociedade visual. Isso mostra que a moda não é só roupa, mas forma de
comunicação e expressão social.
O texto também destaca a relação entre literatura, moda e jornalismo. Autores como Balzac,
Baudelaire, Mallarmé, Zola, Wilde, Dickens, Eça de Queiroz e Machado de Assis usaram a
moda para refletir a sociedade e criar personagens complexos. Mallarmé e Wilde foram
editores de revistas de moda, mostrando essa ligação direta. Assim, moda, literatura e
jornalismo dialogam, provando que o vestir sempre expressou valores, identidade e
transformações culturais.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE BELAS ARTES
CURSO DESIGN DE MODA
DISCIPLINA: TÓPICOS EM MODA: JORNALISMO DE MODA (AA. 02)
O Jornalismo de Moda como Consequência da Imprensa Feminina
Por: Alyne Santana
No século XIX, a moda tornou-se um dos poucos meios de expressão feminina, ao mesmo
tempo em que reforçava desigualdades de gênero. Com a industrialização, mulheres
burguesas perderam tarefas produtivas domésticas e passaram a dedicar-se quase
exclusivamente à preparação para o casamento, considerado seu único caminho de
reconhecimento social. Nesse contexto, aprender música, boas maneiras e cuidar da aparência
eram vistos como investimentos necessários. Para muitas, no entanto, essa expectativa gerava
frustração, já que, ao não casar, restava-lhes a vida restrita de solteironas ou o magistério e a
função de governanta, trabalhos mal remunerados e de baixo prestígio, marcados pela
humilhação de “descer de classe”.
A moda, então, passou a atuar como estratégia de sedução, mas dentro de um jogo restrito
pelas normas morais. Vestidos marcavam cinturas mínimas, ampliavam quadris e limitavam
movimentos, criando um corpo idealizado para agradar aos olhares masculinos. Assim, o
próprio corpo era moldado como uma obra de arte, controlada em gestos, poses e
ornamentos, equilibrando exibicionismo e pudor em um jogo constante de mostra e esconde,
que revelava mais sobre o desejo de ser vista do que sobre liberdade. Esse movimento,
embora restritivo, permitia à mulher distinguir-se entre as demais, criando estilos pessoais
que reforçavam sua identidade dentro do grupo.
Após o casamento, porém, o sonho romântico muitas vezes se rompia diante das exigências
domésticas, dos partos constantes e da ausência de autonomia. A mulher era mantida como
prisioneira silenciosa de um mundo feito por e para homens, sem que suas subjetividades
fossem consideradas. Quando começaram a buscar profissões, encontraram o impasse:
precisavam abandonar adornos e vaidades, vistos como sinais de inferioridade, para serem
aceitas no mundo masculino, mas perderiam assim o único espaço em que haviam aprendido
a se afirmar. Esse conflito gerava insegurança e dúvidas, mas também evidenciava a
possibilidade de, no futuro, conciliar graça, eficiência e novos modos de existir como
mulheres na sociedade.