Entenda o Procedimento PEPEX em Portugal
Entenda o Procedimento PEPEX em Portugal
Por outras palavras, PEPEX é o mecanismo extrajudicial que permite ao credor, estando
este munido de título executivo, aferir, antecipadamente, se é viável ou não interpor uma
ação executiva em tribunal judicial, através de pesquisas eletrónicas sobre o património do
devedor, consultas estas feitas pelo agente de execução.
Este procedimento acarreta grande complexidade, pois requer o acesso a várias bases de
dados, que até agora só eram acedidas dentro do âmbito do processo executivo, daí só
terem acesso os profissionais habilitados para a sua utilização, pelo que surge entender o
seu funcionamento, utilidade e viabilidade.
Dos Requisitos – 3
Titulo Executivo – 4
Resulta do disposto do art. 3.º da Lei n.º 32/2014 os requisitos indispensáveis para a
apresentação do PEPEX.
Assim sendo, a primeira alínea deste artigo refere que o requerente tem de estar munido
de título executivo2 (encontram-se taxativamente previstos nos art. 703.º e 704.º do CPC) de
modo a que reúna as condições necessárias para aplicação da forma sumária do processo
comum de execução para o pagamento de quantia certa 3, o que conseguimos excluir logo as
obrigações de entrega de coisa certa e de prestação de facto, ou até mesmo o pagamento
de quantia certa pela tramitação desta para pagamento de quantia certa, conforme o artigo
867.º e 869.º do CPC.
Para a forma sumária do processo comum são admissíveis como títulos executivos as
decisões arbitrais ou judiciais, quando estas não devam ser executadas no próprio processo;
1
LEI n.º 32/2014. D.R. I Série 104 de 30 de maio, que aprova o Procedimento Extrajudicial Pré-Executivo.
2
É o documento que constitua um mínimo de prova sobre a existência, a titularidade e o objeto da obrigação e
o não cumprimento do devedor, considerado suficiente para servir de base à ação executiva - FRANCO, João
Melo; MARTINS, Herlander Antunes – Conceitos e Princípios Jurídicos. Coimbra: Livraria Almedina, 1983, pp.
686.
3
Cfr. art. 550.º do CPC
os requerimentos de injunção aos quais tenham sido apostas a fórmula executória; os
títulos extrajudiciais de onde constem obrigações pecuniárias vencidas, e que se encontrem
garantidos por hipoteca ou penhor; e por fim os títulos extrajudiciais cujo as obrigações
pecuniárias vencidas não seja superior ao dobro do valor da alçada de primeira instância 4.
Esta solução que o legislador encontrou, é crucial não só para a validação legal do PEPEX,
como também para evitar possíveis problemas de inconstitucionalidade que desta situação
jurídica pudessem advir.
O segundo requisito6 apresentado na lei que aprova o PEPEX, expõe que a divida que se
visa executar deve de ser certa, exigível e líquida, pelo que importa abordar cada uma
destas exigências, uma vez que a não verificação deste requisito acarreta a impossibilidade
de recurso a este procedimento.
Assim em sede desta matéria importa referir que a obrigação que consta de título
executivo, não leva ao seu incumprimento se esta se revelar incerta, inexigível ou ilíquida 7.
Deste modo, e de forma sumária são estes os três fatores que formam a obrigação passível
de ser imposta à contraparte de forma plena.
4
Sendo o valor de alçada da primeira instância de cinco mil euros (5.000,00€), o valor destes títulos executivos
não podem exceder os dez mil euros (10.000,00€), cfr. art. 44.º n.º1 da LOSJ.
5
Cfr. art. 727.º do CPC – Dispensa de Citação Prévia.
6
Crf. art. 3.º al. b) da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
7
Crf. art. 713.º a 716.º do CPC.
8
Birra, Helena – Os Títulos Executivos- Elenco do Art. 703º do CPC e a Forma do Processo Aplicável. Porto:
ESTG, 2019, pp. 15.
tenha havido lugar ao vencimento da obrigação e que de acordo com o art. 777.º n.º 1 do
CC, quando o vencimento não esteja dependente de mera interpelação ao devedor.
Por fim, da liquidação da obrigação retira-se que, conforme o disposto no n.º 1 do art.
716.º do CPC, “sempre que for ilíquida a quantia em dívida, o exequente deve especificar os
valores que considera compreendidos na prestação devida e concluir o requerimento
executivo com um pedido líquido”.
Ainda em sede dos requisitos do PEPEX, sitos na Lei n.º 31/2014, consta a obrigatoriedade
de indicação do número de identificação fiscal em Portugal, quer do requerido quer do
requerente9.
Com este requisito, o legislador permite-nos assumir que estamos perante um requisito de
atribuição de competências, isto é, o fato desta disposição integrar o leque de requisitos do
PEPEX, poderá querer dizer que para a utilização desta ferramenta tanto o requerente como
o requerido deverão ter número de identificação fiscal português, devendo estes
consequentemente ter nacionalidade portuguesa10.
Tramitação Inicial – 3
Conforme disposto no art. 2.º, n.º 2 e 3 da Portaria n.º 349/2015, à Câmara dos
Solicitadores compete-lhe garantir através de linha telefónica ou formulário telefónico, o
apoio técnico aos diferentes utilizadores da plataforma, como requerentes, requeridos,
mandatários e agentes de execução, devendo ainda garantir a integralidade, autenticidade e
inviolabilidade dos procedimentos, bem como a integração faz funcionalidades constantes
da plataforma com os sistemas informáticos geridos pelo Ministério da Justiça, através do
recurso a web-services.
9
Art. 3.º, al. c) da Lei n.º 34/2014 de 30 de maio.
10
Arede, Hélder da Silva - Procedimento Extrajudicial Pré-Executivo (PEPEX) – o mecanismo necessário para a
eficácia da ação executiva. Coimbra: ENC, 2016, pp. 30.
11
PORTARIA n.º 349/2015. D.R. I Série 200 (2015-10-13), que regula a plataforma informática de suporte ao
procedimento extrajudicial pré-executivo e altera a Portaria n.º 282/2013, de 29 de agosto, que regulamenta
vários aspetos das ações executivas cíveis e revoga a Portaria n.º 233/2014, de 14 de novembro.
Por fim, refere o nº.5 deste art. do mesmo diploma legal, que a plataforma informática
deve disponibilizar aos utilizadores toda a informação global sobre os prazos e as atividades
processuais, contendo o número do procedimento e do ato processual, bem como a data de
termo para a prática do mesmo.
Requerimento Inicial – 3
O requerimento inicial é o meio processual pelo qual é possível dar início à tramitação do
PEPEX, sendo que a lei estabelece as formalidades e os requisitos para que este possa ser
submetido em conformidade, na plataforma eletrónica referida anteriormente.
Assim sendo, na descrição deste pedido, o requerente terá de cumprir vários requisitos.
Nomeadamente, este deve fazer a identificação completa do requerente e do requerido;
indicar o valor total em dívida discriminando o capital em dívida, os juros vencidos e a
respetiva taxa de juro, ainda os juros compulsórios, quando devidos, os impostos que
possam incidir sobre os juros, quais as datas do início de contagem dos juros, as taxas de
justiça pagas no âmbito de procedimento ou processo que deu origem ao título executivo,
bem como todos os valores pagos no âmbito do procedimento em causa, antecipadamente
à entrega do requerimento inicial12.
Em caso de existir uma pluralidade de credores ou devedores, pode-se estar perante uma
cumulação, litisconsórcio ou coligação, o que deve ainda constar, para além de todos os
elementos já mencionados anteriormente, uma discriminação das responsabilidades de
cada requerido perante os requerentes, bem como a natureza solidária, conjunta ou até
subsidiária das mesmas, conforme o art. 5.º, n.º2 da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
Caso o requerente pretenda a identificação dos bens comuns do casal, este deve indicar o
nome e número de identificação fiscal do conjugue do requerido, bem como o respetivo
regime de casamento, juntando fotocópia não certificada do registo atualizado de
casamento do requerido, nos termos do art. 5.º, n.º3, em conformidade com a al. b) do n.º5
do mesmo artigo, da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
Segundo o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de existir uma cumulação de pedidos, sendo
estes fundados em vários títulos e se todos se destinarem ao pagamento de quantia certa e
12
Art. 5.º, n.º1 al. a) a c) da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
13
Art. 5.º, n.º1 al. d) a g) da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
ainda as partes serem as mesmas, ocorre uma tramitação do PEPEX, ou seja, este passa para
os trâmites de uma ação executiva.
Contudo, nos termos da alínea a) do n.º 5 do mesmo artigo, deve ainda ser anexado ao
requerimento inicial, uma cópia digitalizada do título executivo, no formato “pdf.”.
Nos termos do n.º 8 do mesmo artigo, na hipótese de falta de algum destes elementos já
mencionados ou não sendo efetuado o pagamento antecipado das quantias previstas e
regulamentas no art. 20.º, alíneas a) e b), do mesmo diploma legal, isto é, 0,25 UC para
remuneração das entidades envolvidas na gestão e manutenção da plataforma informática
e serviços diretos eletrónicos de consultas sobre os bens ou localização dos requeridos,
quando essa remuneração for devida no âmbito do processo de execução; 0,50 UC para
pagamento dos honorários do agente de execução pela análise do título executivo, pela
realização das consultas e elaboração do relatório, a plataforma informática impede a
submissão do requerimento com sucesso, caso não haja o pagamento das quantias supra
mencionadas.
Assim, tendo por centro a coordenada geográfica e são calculados, pela aplicação
informática de suporte à atividade dos agentes de execução, de forma automática, cinco
14
Cfr. art. 3.º e 4.º desta portaria.
círculos, com centro na morada do requerido e com raios de quinze, trinta, quarenta e
cinco, sessenta, e cem quilómetros, nos termos do n.º 3 do mesmo artigo.
Por fim, podem ser criados limites aos círculos, com vista a colmatar a existência de
acidentes geográficos relevantes que possam implicar uma diferença significativa entre a
distância linear e a distância real, assim disposto no n.º 9 do mesmo artigo.
Recusa do requerimento – 4
Assim sendo, quando estejam em falta algum dos requisitos presentes no art. n.º 3 deste
diploma legal, nomeadamente, a indicação de título executivo bastante que preencha a
forma sumária do processo comum para o pagamento de quantia certa, ou quando a dívida
não se encontre certa, liquida e exigível, ou até mesmo quando o requerente não indique o
seu número de identificação fiscal, bem como o do requerido, há lugar à recusa do
requerimento, nos termos do art. 8.º, n.º 2, alínea a), do mesmo diploma legal.
Quando a falta seja passível de sanação, como por exemplo, a falta de algum dos
requisitos no requerimento inicial ou, não tenha sido apresentado o título executivo ou
documento como tal e este não seja idóneo ou ainda, as partes não constem do título
executivo, o que vai dar lugar a despacho de aperfeiçoamento. Aí o agente de execução
deve notificar o requerente para a suprir a falta, no prazo de cinco dias, sob pena de recusa,
segundo o n.º 3 do mesmo artigo.
Acrescentando ainda que, caso esta tramitação ocorra, não são repetidas as diligências
para verificar a existência de bens, através da consulta à base de dados, nem a apresentação
do relatório após as mesmas, nos termos do n.º 4 do art. 18.º desta mesma Lei.
Consultas – 4
Não havendo lugar a recusa do requerimento e mesmo quando o vício seja possível de
sanação, o agente de execução deve prosseguir para as consultas às bases de dados, como,
por exemplo, consulta à administração tributária, segurança social, registo civil, registo
15
Art. 8.º n.º 2, alíneas b) a e) da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
16
Previsto no art. 10.º da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio.
nacional de pessoas coletivas, o registo predial, comercial e automóvel, entre outros, no
sentido de obtenção de informação referente à identificação e localização do requerido,
mas também a localização de bens possíveis a penhora de que este seja titular, nos termos
do art. 749.º n.º 1 do CPC, em conformidade com o art. 9.º n.º 1 da Lei n.º 32/2014.
Para além destas consultas, o agente de execução deve realizar ainda uma consulta ao
registo informático de execuções, de forma a obter informações referentes a processos de
execução que possam existir, em que o requerido figure como exequente, segundo o n.º 2
do mesmo artigo.
O n.º 5 deste artigo, refere que “para identificação e localização dos bens penhoráveis de
que o requerido seja titular, o Banco de Portugal disponibiliza por via eletrónica ao agente
de execução informação acerca das instituições legalmente autorizadas a receber depósitos
em que o requerido detém contas ou depósitos bancários”, em consonância com o previsto
no n.º 6 do artigo 749.º do Código de Processo Civil.
Importa realçar que quanto aos resultados das buscas e informação, o agente de execução
não pode divulgar ou utilizar qualquer informação disponibilizada, para qualquer outro fim,
salvo se estiver previsto na lei, conforme o n.º 6 do mesmo artigo, reforçando desta forma a
manutenção da confidencialidade que os dados em causa merecem devido à sensibilidade e
prejuízo que podem importar para a esfera jurídica do requerido.
Caso o agente de execução não consiga realizar estas consultas eletrónicas no prazo de
cinco dias, conforme o previsto no artigo 8.º, n.º 1 do mesmo diploma legal, o agente de
execução vai elaborar o relatório a que tem em vista o artigo 10.º do mesmo diploma legal,
expressando os serviços de consulta que não se encontravam disponíveis para realizar tais
buscas, nos termos do artigo 9.º da Portaria 349/2015.
Relatório – 4
Uma vez realizadas as consultas às bases de dados para identificação e localização de bens
penhoráveis, ainda no prazo de cinco dias úteis após a aceitação do procedimento, o agente
de execução deve elaborar um relatório descritivo dos resultados, em modelo próprio e com
indicações previstas na lei, conforme disposto no n.º 1 do art. 10.º da Lei n.º 32/2014.
Desta forma, o relatório deve conter expressamente alguma das indicações, como, se não existem
bens identificados, bens aparentemente onerados ou com encargos, ou bens
aparentemente livres de ónus ou encargos, conforme o n.º 2 do mesmo artigo.
Segundo o n.º 3 do mesmo artigo, deve ainda ser destacada, a informação sobre a
circunstância do requerido constar da lista pública de devedores, deste ter sido declarado
insolvente, ou ter falecido. No caso de estarmos perante uma pessoa coletiva, ter sido esta
dissolvida e liquidada, bem como o facto de o requerido ser executado ou exequente em
processos de execução pendentes.
Tramitação subsequente – 3
Após ter sido notificado o requerente do relatório elaborado pelo agente de execução,
este tem um prazo de trinta dias para requerer a convolação, ou seja, tramitação deste
procedimento em processo executivo ou, no caso de não terem sido identificados bens
suscetíveis de penhora, pode pedir a notificação do requerido, nos termos do art. 11.º n.º 1
da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio, para no prazo de trinta dias, pagar o valor em dívida,
acrescido dos juros vencidos até à data limite de pagamento e dos impostos a que possa
haver lugar, bem como dos honorários devidos ao agente de execução; celebrar um acordo
de pagamento com o requerente; indicar bens passiveis de penhora; ou deduzir oposição ao
procedimento, conforme o n.º 1 do art. 12.º do mesmo diploma legal.
O n.º 2 do art. 11.º deste diploma legal, indica que a vontade do requerente manifesta-se
mediante o pagamento do montante relativo aos honorários que são devidos ao agente de
execução pelas diligências seguintes, através de identificadores únicos de pagamento que
são disponibilizados ao requerente para cada uma das opções, conforme o n.º 2 do mesmo
artigo.
Decorrido o prazo dos trinta dias se o requerente nada disser, nos termos do n.º 3 do
mesmo artigo, o procedimento é automaticamente extinto.
Notificação do requerido – 4
Segundo o n.º 3 do mesmo artigo, a notificação deve ser acompanhada do título executivo
e dos elementos e documentos que instruem o procedimento (requerimento PEPEX),
devendo da mesma constar a advertência de que, nada fazendo, o requerido passa a
constar na lista pública dos devedores.
Esta notificação é realizada através de contacto pessoal por parte do agente de execução,
o qual pode delegar a prática do ato noutro agente de execução, sendo, neste caso,
responsabilidade pelo pagamento da remuneração deste último, nos termos do n.º 4 do
mesmo artigo.
Caso não seja possível descobrir a morada mais atualizada, o n.º 2 do mesmo artigo
explícita que a notificação é realizada por contacto pessoal do agente de execução na
morada fiscal do requerido.
Havendo a possibilidade de existir uma terceira pessoa com capacidade para receber a
notificação, o agente de execução identifica a pessoa que a recebe, expedindo no prazo de
cinco dias, uma notificação por carta registada simples onde informa o requerido da data
que este se considera notificado, juntando uma cópia da notificação realizada em pessoa
diversa do notificando, sem necessidade de juntar os documentos que a instruem, e ainda,
comunica o requerido que quaisquer documentos podem ser consultados junto do
escritório do agente de execução ou através de plataforma informática disponível para o
efeito, conforme o n.º 3 do mesmo artigo.
Todavia, conhecendo-se que o requerido reside no local, o n.º 4 do mesmo artigo refere
que o agente de execução tem de depositar a nota de notificação na caixa de correio àquele
pertencente, ou até um depósito similar, onde faz constar da certidão de notificação as
informações recolhidas que lhe permitem concluir que o notificando reside na morada e o
nome das pessoas que apresentaram informações e expede, no prazo de cinco dias,
notificação por carta registada simples, nos termos previstos no n.º 3 deste artigo.
Nos termos do n.º 8 do mesmo artigo, caso não seja solicitada a transição para processo
executivo, o procedimento considera-se automaticamente extinto.
Por fim, importa salientar que todas as diligências efetuadas pelo agente de execução
ficam automaticamente registadas pelo SISAAE, garantindo assim a integridade dos
elementos recolhidos na deslocação até ao local, nomeadamente, a hora, a data e as
coordenadas geográficas, utilizando o agente de execução para os devidos efeitos, o
dispositivo eletrónico aprovado pela associação pública profissional representativa dos
agentes de execução para integração da informação com o SISAAE, conforme disposto no
n.º 10 do mesmo artigo.
A notificação do requerido, quer esta seja pessoa coletiva ou equiparada, está presente no
n.º 1 do art. 14.º da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio, é realizada por contacto pessoal do
agente de execução na respetiva sede, pressupondo que a mesma se encontra inscrita no
ficheiro central de pessoas coletivas do Registo Nacional de Pessoas Coletivas17.
Nos termos do n.º 2 do art. 14.º do mesmo diploma legal, caso a sede da pessoa coletiva
se encontrar encerrada, não havendo quem aceite receber a notificação ou caso haja recusa
em assinar a certidão da notificação, então o agente de execução prossegue com a afixação
da notificação no local, fazendo constar, na certidão de notificação, os motivos da sua
afixação, aplicando-se o n.º 3 do art. 13.º do mesmo diploma legal.
Refere o n.º 3 do art. 14.º do mesmo diploma legal que havendo a hipótese de não ser
possível determinar a localização da morada que consta como sede no ficheiro central de
pessoas coletivas é aplicado da seguinte forma: “não há lugar a notificação por edital, sendo
o requerente notificado de tal facto e de que, querendo, no prazo de 30 dias, pode requerer
a convolação do procedimento em processo de execução, com a advertência de que não há
lugar a citação edital quando se verifique a situação prevista no n.º 3 do artigo 750.º do
Código de Processo Civil”, isto conforme o n.º 6 do art. 13.º do mesmo diploma legal. Caso
não seja requerida a transição para processo executivo, o procedimento é automaticamente
extinto, como refere o n.º 8 do art. 13.º da mesma lei.
Por último, segundo o n.º 4 do art. 14.º, às notificações relativas às ilhas das regiões
autónomas, é aplicável o disposto no n.º 9 do artigo 13.º, sendo que todas as diligências
efetuadas pelo agente de execução ficam automaticamente registadas pelo SISAAE,
garantindo assim a integridade dos elementos recolhidos na deslocação até ao local,
nomeadamente, a hora, a data e as coordenadas geográficas, utilizando o agente de
execução para os devidos efeitos, o dispositivo eletrónico aprovado pela associação pública
profissional representativa dos agentes de execução para integração da informação com o
SISAAE, conforme disposto no n.º 10 do art. 13.º do mesmo diploma legal.
Deste modo, após a primeira notificação, segundo o n.º 2 do mesmo artigo, o requerido é
notificado por via postal, mediante entrega de carta registada simples ou, caso indique o
endereço de correio eletrónico, é notificado por via eletrónica, ou declare pretender ser
notificado através da plataforma informática de notificações eletrónicas protocolada entre o
membro do governo responsável pela área da justiça e a associação pública profissional
representativa dos agentes de execução.
17
Decreto – Lei n.º 129/98. D.R. I Série 110 (1998-05-13), que Estabelece o regime jurídico do Registo Nacional
de Pessoas Coletivas, alterado pelo Decreto – Lei n.º 145/2019, de 23/09.
Isto posto, as notificações eletrónicas presumem-se efetuadas no dia útil seguinte ao da
sua expedição, consoante o n.º 3 do referente artigo.
Após os trinta dias da notificação do requerido, e não sendo verificadas nenhumas das
situações previstas no artigo 12.º, n.º 1 da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio, ou seja, se o
requerido não proceder ao pagamento voluntário do valor da dívida, celebrar um acordo de
pagamento, indicar bens à penhora ou deduzir oposição ao procedimento, o agente de
execução deve prosseguir para a inclusão do devedor na lista pública de devedores, no
prazo de trinta dias, conforme o artigo 15.º, n.º 1 do mesmo diploma legal.
Perante os casos em que o requerido proceda à indicação de bens à penhora, nos termos
da alínea c), do n.º 1, do art. 12.º, do mesmo diploma legal, o requerente é notificado para
no prazo de trinta dias requerer a modificação do procedimento PEPEX para processo de
execução, sob a pena de o procedimento ser automaticamente extinto, nos termos do n.º 2
do mesmo artigo.
Com isto, a lista pública de devedores encontra-se regulada em diploma próprio, nos
termos do n.º 3 do referente artigo. Por conseguinte, esta é regulada pela Portaria n.º
313/2009, de 30 de março18.
Para que o requerido seja excluído da lista pública de devedores, este tem de pagar para o
efeito 0,25 UC a título de honorários ao agente de execução, segundo a alínea f) no n.º 1 do
art. 20.º da Lei 32/2014.
Certidão de incobrabilidade – 4
Sendo o requerido inserido na lista pública de devedores, o requerente pode obter uma
certidão eletrónica da incobrabilidade da dívida a emitir pelo agente de execução, segundo
o art. 25.º, n.º 1 da Lei 32/2014 de 30 de maio. Esta certidão tem um custo devido ao agente
18
PORTARIA n.º 313/2009. D.R. I Série 62 (2009-03-30), que regula a criação de uma lista pública de execuções,
disponibilizada na Internet, com dados sobre execuções frustradas por inexistência de bens penhoráveis,
alterada pela Portaria n.º 267/2018, de 20 de setembro.
de execução, no pagamento de 0,25 UC a que acresce o IVA, à taxa legal aplicável, conforme
o art. 20.º, n.º 1, alínea d), do mesmo diploma legal.
Posto isto, o n.º 2 do mesmo artigo refere que a dívida referente à certidão é considerada
incobrável para fins fiscais e é comunicada à administração fiscal por via eletrónica, para os
devidos efeitos no n.º 7 do art 78.º, e ainda art. 78.º-A, n.º 4 do Código do IVA, aprovado
pelo Decreto-Lei n.º 394.º- B/84, de 26 de dezembro 19, na redação atual, e no artigo 41.º do
Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), aprovado pelo Decreto-
Lei n.º 442-B/88, de 30 de dezembro20.
Por fim, se após a emissão da certidão de incobrabilidade da dívida, o requerido vier a ser
excluído da lista pública de devedores por pagamento integral da dívida, o agente de
execução notifica, via eletrónica, a administração fiscal de tal facto, nos termos do n.º 3 do
mesmo artigo.
Oposição – 4
O art. 16.º, n.º 1 e 2 da Lei n.º 32/2014 de 30 de maio, enuncia que o requerido pode
apresentar oposição a este procedimento pré-executivo, do mesmo modo que poderia
invocar se estivesse perante um processo de execução, em função do título executivo. O
que equivale dizer que estaríamos perante uma oposição à execução, segundo os artigos do
CPC, nomeadamente, dos art. 728.º a 731.º e o art. 857.º.
Enquanto o processo de oposição não for julgado, o requerente não pode instaurar um
processo de execução com base no mesmo título, mas caso este instaure um processo de
execução, o mesmo deve ser imediatamente extinto pelo agente de execução logo que
verifique os factos, conforme os n.º 7 e 8 do mesmo artigo.
19
DECRETO-LEI n.º 394-B/84. D.R. I Série 297 1.º Suplemento (1984-12-26), que aprova o Código do Imposto
sobre o Valor Acrescentado (IVA).
20
DECRETO-LEI n.º 442-B/88. D.R. I Série 277 2.º Suplemento (1988-11-30), que aprova o Código do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC).
21
O valor da UC é de 102,00€, conforme o n.º2 do art. 5.º do Regulamento da Custas Processuais.
Nos casos em que a oposição seja julgada procedente, o requerente do procedimento não
pode instaurar uma ação executiva com base no mesmo título, nos termos do n.º 9 deste
artigo.
Por fim, o n.º 10 deste artigo, explicita que nas oposições em que o valor seja superior à
alçada do tribunal da 1.º instância, ou seja, superior a 5 000,00€, é obrigatório a
constituição de advogado.
Sendo o acordo junto ao processo, este é extinto, com expressa indicação do fundamento,
sendo que se alguma das prestações devidas não for paga atempadamente, isto provoca o
vencimento das demais, devendo o requerente, no prazo de trinta dias contados do
incumprimento, requerer ao agente de execução a convolação ou tramitação em processo
de execução, sob a pena de o procedimento estar automaticamente extinto, nos termos dos
n.º 3 e 4 do referente artigo.
Por último, o n.º 4 do mesmo artigo, menciona que em caso da tramitação para processo
de execução, não se repetem as diligências para a localização de bens penhoráveis, através
das consultas às bases de dados, e a apresentação de relatório elaborado pelas consultas
das mesmas.
A realização destas novas consultas efetuadas pelo agente de execução fica condicionada
ao pagamento por parte do requerente, no valor de 0,15 UC (pagamento de honorários do
agente de execução pela renovação de consultas, segundo o art. 20.º, n.º 1, alínea e) do
mesmo diploma legal), através de identificador único de pagamento, nos termos do n.º 2 do
mesmo artigo.
O n.º 3 do mesmo artigo, menciona a que as consultas efetuadas realizam-se nos artigos
desta lei referentes à realização de consultas e elaboração do relatório. Com isto, não há
lugar à notificação do requerido quando este já se encontra inserido na lista pública de
devedores, nos termos do n.º 4 deste artigo. Caso se verifique que o agente de execução
que originalmente realizou os atos não se encontra em pleno exercício de funções no
momento em que são requeridas as novas consultas, é assim automaticamente designado
um novo agente de execução, conforme disposto n.º 5 do mesmo art. 19.º.
A quantia de 0,25 UC para pagamento dos honorários do agente de execução pela emissão
de certidão de incobrabilidade da dívida, após inclusão na lista pública de devedores, e
remessa eletrónica da mesma à administração fiscal.
Por último o valor de 0,25 UC para pagamento dos honorários do agente de execução pela
exclusão do requerido da lista pública de devedores.
De acordo com o n.º 5 do mesmo artigo, caso haja o pagamento voluntário ao agente de
execução, este tem o direito de remuneração adicional calculada nos termos previstos para
o pagamento em prestações, no âmbito do processo de execução, constante de portaria do
membro do Governo responsável pela área da justiça que regula a matéria dos honorários e
despesas do agente de execução.
Por fim, nos casos em que não ocorra a convolação do procedimento executivo em
processo de execução, em casos que é admissível, não há lugar há restituição pelo agente
de execução dos valores pagos pelo requerente, conforme o n.º 6 do mesmo artigo.
De acordo com o n.º 1 do art. 22.º da Lei 32/2014 de 30 de maio, os atos do agente de
execução são praticados, exclusivamente, através do SISAAE, em conformidade com os
requisitos técnicos da plataforma, ficando a constar do sistema um registo dos mesmos.
O n.º 2 do mesmo artigo, refere que os atos externos realizados pelo agente de execução,
nomeadamente a notificação do requerido por contacto pessoal, devem ser documentados
e constar do respetivo processo, no prazo máximo de dois dias úteis contados a partir da
data da sua realização, sob pena de o agente de execução ter de restituir os honorários
pagos relativos ao ato realizado, podendo ficar sujeito à utilização da plataforma eletrónica
móvel integrada no SISAAE que registe a data, hora e local da realização dos atos, nos
termos do n.º 4 do respetivo artigo.
É admitida a assinatura autógrafa de documentos com recurso a equipamentos
eletrónicos, conforme o n.º 3 do mesmo artigo.
Acesso ao processo – 4
Qualquer uma das partes intervenientes no procedimento pode aceder por via eletrónica
mediante autenticação na plataforma informática, com base em certificado de assinatura
digital qualificada, integrado no cartão do cidadão, no certificado digital de assinatura e
autenticação emitido pela Ordem dos Advogados, no certificado digital de assinatura e
autenticação emitido pela associação pública profissional representativa dos agentes de
execução, podendo ainda as partes aceder, através da plataforma de autenticação da
administração fiscal, de acordo com o disposto nos n.º 1 e 2 do art. 23.º da Lei n.º 32/2014
de 30 de maio.
O processo fica disponível para consulta pelo requerido, nos casos em que seja após a
primeira notificação efetuada no âmbito do PEPEX; após a sua citação no âmbito de
processo de execução em que este figure como executado e que se tenha iniciado em
decorrência de procedimento contra si instaurado; ou, no caso de não se verificar nenhuma
das situações previstas anteriormente, no prazo de trinta dias após a extinção do
procedimento, segundo o n.º 3 do referente artigo.
Por fim, o n.º 4 do mesmo artigo refere que o requerido dispõe do prazo de trinta dias,
após a primeira consulta ao procedimento contra si instaurado, para reclamar da atuação
do agente de execução que repute como violadora dos seus direitos junto dos órgãos de
fiscalização e disciplina da atividade dos agentes de execução.
Fiscalização e disciplina – 4
Todavia, caso o interessado pretenda reclamar quanto à legalidade dos atos, deverá
impugnar para os tribunais judiciais com competência para exercer, no âmbito dos
processos de execução de natureza cível, as diligências previstas no CPC.
Por fim, o n.º 2 do mesmo artigo refere que os atos dos órgãos de fiscalização e disciplina
da atividade dos agentes de execução podem ser impugnados, no prazo de trinta dias
contados da data da sua notificação aos interessados, junto dos tribunais administrativos.
Direito subsidiário - 4
O que não estiver expressamente regulamentado pela Lei n.º 32/2014 de 30 de maio,
aplica-se subsidariamente o CPC, conforme o artigo n.º 31.º do referente diploma legal.
Apoio Judiciário - 4
Os agentes de execução devem cumprir o previsto na Lei n.º 67/98, de 26 de outubro 22,
designadamente, respeitar a finalidade de consulta, limitando o acesso ao estreitamento
necessário e não utilizando a informação para fim diferente do permitido e ainda não
transmitir a informação a terceiros, nos termos do artigo 30.º da Lei n.º 32/2014.
22
LEI n.º 67/98. D.R. I Série A 247 (1998-10-26), que aprova a proteção de dados pessoais (transpõe para a
ordem jurídica portuguesa a Diretiva n.º 95/46/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de Outubro
de 1995, relativa à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento dos dados pessoais e à
livre circulação desses dados).