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A Culpa: Tipos, Efeitos e Reparação

O documento explora a natureza da culpa, diferenciando entre culpa explícita, que pode ser expiada, e culpa inconsciente, que se manifesta através de efeitos como neurose obsessiva e melancolia. A culpa é associada a dinâmicas familiares e expectativas, levando a sentimentos de dívida e submissão, além de ser uma força que pode gerar autopunição e projeção em outros. A psicanálise busca trazer a culpa inconsciente à consciência, permitindo que o indivíduo aprenda com seus erros e encontre formas de reparação.

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A Culpa: Tipos, Efeitos e Reparação

O documento explora a natureza da culpa, diferenciando entre culpa explícita, que pode ser expiada, e culpa inconsciente, que se manifesta através de efeitos como neurose obsessiva e melancolia. A culpa é associada a dinâmicas familiares e expectativas, levando a sentimentos de dívida e submissão, além de ser uma força que pode gerar autopunição e projeção em outros. A psicanálise busca trazer a culpa inconsciente à consciência, permitindo que o indivíduo aprenda com seus erros e encontre formas de reparação.

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CULPA

Aula EPPM (11.02.23)


Esther lê o livro de gênesis, passagem onde Eva come a maçã proibida.
Ali, após comê-la, há uma culpa: o desejo de ser como Deus é a morte
simbólica de Deus; anula-se a hierarquia. Diante dessa culpa explícita é
possível assumir o castigo e expiá-lo.
Ainda trazendo a religião, Esther aponta diversos episódios onde o povo
judeu se submete aos mais terríveis castigos de Deus (morte de filhos, dias
dentro da barriga da baleia, etc). Ela explica que a culpa dos judeus não é só
ter confrontado Deus, a culpa é profunda e persecutória – para eleger um Deus
Pai, houve um matricídio: a morte da Deusa Mãe. A culpa, quando é tão
terrível, torna-se inconsciente; assim, não pode ser expiada. Aqui, uma
submissão quase masoquista do povo judeu à ferocidade de Deus.

Em resumo: há dois tipos de culpa: explícita: pode-se expiar.


Inconsciente: não se tem acesso, e somente aparece por seus efeitos
[chamamos de karma, de fatalidade...].

Uma das facetas da culpa: dívida.


Filhos sentem dívida pelo investimento dos pais nele. Quanto mais força
os pais colocam na cobrança sobre o sacrifício realizado para o
desenvolvimento desses filhos, maior a dívida e maior a culpa por não atender
as expectativas. Essa culpa abre um buraco muito difícil de preencher.

Há duas patologias onde a culpa é muito forte: neurose obsessiva e


melancolia. Seria possível alguém enlouquecer pela culpa?

O Superego é depositário de valores, moral, fantasias... mas também


guarda o inconsciente dos pais, que são referentes aos sentimentos desses em
relação aos seus pais [pais que odiaram seus pais, temem que seus filhos
também o odeiem; e isso está registrado no superego desse sujeito].
[ainda no superego]: Ideal do Ego: estão todos os ideais que foram
depositados no sujeito por seus pais. Os ideais são como o horizonte,
corremos e nunca chegamos ao fim. Quanto mais altas as expectativas, mais
alto o ideal, mais difícil de alcançar, mais culpa pelo fracasso.
Por conta do narcisismo, tendemos a interpretar nossas falhas, não
como aprendizado, mas como incompetência: há remorso, desvalorização,
autodesprezo. Isso é proporcional à culpa por não atender aos ideais. Por
vezes, isso pode se tornar insuportável [é insuportável lidar com o erro porque
não aceitamos errar, porque qualquer fracasso é interpretado como uma
mancha, inaceitável].
Assim, um destino possível é que o sujeito projete sua culpa [projeção
ativa]. Quando projetamos, é preciso encontrar alguém que seja depositário
dessa culpa: o bode expiatório. Em cada tempo histórico, projeta-se em algum
grupo.
Outro destino é a aceitação de uma posição de vítima [projeção
passiva]: o mundo está contra mim [o lugar mais protegido da culpa é o lugar
da vítima]; Se a culpa ics for dura e persecutória, é muito melhor ser vítima.
[AL!].
Outro sentimento que pode vir com a culpa é a vergonha.

Uma parentalidade vivida com muito sacrifício gera muita culpa nos
filhos. Como se paga por isso? Com submissão. A culpa serve para controlar
[não faz isso que vai deixar a mamãe triste] – isso, por vezes, poda a
autenticidade dos sujeitos.
Se não soubermos lidar com a culpa nos tornamos frágeis/vulneráveis
diante de nós mesmos e dos outros. Há uma necessidade de AUTOPUNIÇÃO
inconsciente. Pode aparecer em forma de negligência com o próprio corpo que
favorecem, por exemplo, doenças, falta de auto cuidado, etc. Freud também diz
que a culpa é uma voz muda: a culpa inverte a sequencia de ato errado >
punição. Às vezes a culpa impulsiona o sujeito a cometer um ato ilícito para ser
castigado – o sujeito produz uma situação para ser punido, a fim de atenuar
essa culpa anterior, inconsciente, dura; há um alívio. Outro exemplo: o sujeito
apanha e sorri: eu sou tão ruim, tão pouco valor, que posso ser humilhado.
Essa culpa muda está relacionada ao estudo do masoquista: texto Os
arruinados pelo êxito. Freud fala que o sujeito não consegue apreciar uma
conquista que havia sido muito desejada. Exemplo: casais que brigam antes de
uma festa ou uma viagem [ou ainda: briga qdo volta, projetando]. Um sujeito
pode não suportar o êxito – é preciso trabalhar c alguns pacientes a
possibilidade de tolerar viver coisas boas [Q!].

Outra forma de a culpa aparecer: reação terapêutica negativa – impede


que um tratamento avance [questionando interpretações, interromper o
processo, atrasar-se, racionalizar e não contatar emoções profundas].
Usualmente tem a ver com uma culpa ics que não permite que o sujeito se veja
livre do sofrimento, pq o sofrimento é a forma de pagar por essa culpa [que não
se conhece, por isso está sempre aí, demandando ser paga]. Culpa é
carregada como uma mochila de pedras.

Há duas patologias onde a culpa é muito forte: neurose obsessiva e


melancolia.
Na neurose obsessiva: regressão à fase sádico-anal, onde se constrói a
fantasia de que amar é sofrer e é insuportável. Pq o que se faz na fase anal é o
treinamento esfincteriano – é preciso renuncias ao prazer da
evacuação/micção, retendo-a. Porém, essa retenção é desagradável. A criança
faz isso até que consiga desenvolver a condição de espera. Mas é um
sofrimento que se faz em amor à mãe. Qdo há atitude muito rígida ou
humilhações por conta de momentos nos quais as crianças n conseguem
corresponder, n conseguem reter, há uma fixação da libido, um enrosco da
evolução emocional à esse lugar. Esse enrosco tem uma forma: associação
entre amor e sofrimento, amor e sacrifício.

Na melancolia a culpa provém de identificações primitivas complicadas e


leva ao ego a precisar ser punido. A relação do superego e ego é a relação
mais sádica, sadomasoquista de todas.
Livro: culpa e depressão. Há dois tipos de culpa: paranoide: nos
assombra e não conhecemos [aquela descrita em relação ao povo judeu, culpa
ics]. A culpa depressiva é aquela que permite uma redenção, permite uma
reparação, permite fazer algo pelo outro que alivie esse sentimento – também
podemos chama-la de responsabilidade ou concernimento [Winnicott]. É
preciso entender o que vemos na clínica!!!!! Para então orientarmos nosso
manejo.

Eventualmente o superego é projetado no outro: o outro que demanda, o


outro que exige. Quando conseguimos identificar o quanto do nosso superego
está projetado no outro, isso se ameniza.

O que a psicanálise pode fazer: tenta sacrificar o sacrifício: através de


desmudar a culpa ics e trazê-la pra consciência, pode-se transformar o
sacrifício em uma outra forma mais criativa de viver. Para isso, nos valemos da
promoção de uma ferramenta psíquica valiosa, proposta por Klein, que é a
capacidade de reparação.
Todos nós erramos o tempo todo e é impossível não errar. Mas, se
conseguirmos identificar o que fazemos e reparar, aprendemos que errar não é
tão assombroso, além de aprender com a situação e poder não repetir.
Na clínica: ajudar o sujeito a encontrar formas de reparar.

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