NHO - 06 NORMA DE HIGIENE OCUPACIONAL
AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO
CALOR
Alunos:
Amanda Sousa Oliveira
Ana Laura Magalhães Sousa
Professor: Paulo Sergio Zanin Danyela Macêdo Soares
Disciplina: Segurança do Trabalho Lucas Costa Carvalho Pereira
Nathalia Rodrigues Silva
Goiânia,
Fevereiro de 2025
INTRODUÇÃO
Objetivo: Esta norma técnica tem por objetivo o estabelecimento
de critérios e procedimentos para avaliação da exposição
ocupacional ao calor que implique sobrecarga térmica ao
trabalhador, resultando em risco potencial de dano à sua saúde.
Aplicação: Esta NHO se aplica à exposição ocupacional ao calor
em ambientes internos ou externos, com ou sem carga solar
direta, em quaisquer situações de trabalho que possam trazer
danos à saúde dos trabalhadores, não estando, no entanto,
voltada para a caracterização de conforto térmico.
5. Critério de avaliação da exposição
ocupacional ao calor
5.1 IBUTG
O critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor adotado
pela presente norma tem por base o Índice de Bulbo Úmido
Termômetro de Globo (IBUTG) relacionado à Taxa Metabólica (M).
IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg (Para ambientes internos ou para ambientes externos sem carga solar direta)
IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs (Para ambientes externos com carga solar direta)
tbn = temperatura de bulbo úmido natural em °C
tg = temperatura de globo em °C
tbs = temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em °C
5.2 Taxas metabólicas (M)
As taxas metabólicas (M) relativas às diversas atividades físicas
exercidas pelo trabalhador devem ser atribuídas utilizando-se os
dados constantes no Quadro 1, que apresenta as taxas
estabelecidas em função do tipo de atividade.
5.3 Limites de exposição ocupacional
Condições para Aplicação:
Válido para trabalhadores sadios, com hidratação adequada e uso de vestimentas apropriadas (calça e camisa
de manga longa ou macacão).
Considera a troca de calor pelo corpo via convecção e evaporação do suor.
Parâmetros de Avaliação:
IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo) Médio Ponderado e M (Taxa Metabólica Média
Ponderada)
Ambos são calculados considerando o período mais crítico de 60 minutos.
Limites de Exposição:
Trabalhadores não aclimatizados: Devem seguir os valores da Tabela 1 (nível de ação).
Trabalhadores aclimatizados: Seguem os valores da Tabela 2.
Valor Teto (Tabela 3): Nenhum trabalhador pode ser exposto acima deste valor sem proteção adequada.
Atenção: Para exposições eventuais (ex: manutenção de fornos, forjas e caldeiras), utilizam-se os limites dos
trabalhadores não aclimatizados.
5.4 - Aclimatização
Objetivo: Adaptar progressivamente o trabalhador a condições de
sobrecarga térmica similares às da rotina de trabalho, sob
supervisão médica.
São considerados não aclimatizados os trabalhadores:
• que iniciarem atividades que impliquem exposição ocupacional
ao calor;
• que passarem a exercer atividades que impliquem exposição
ocupacional ao calor mais críticas do que aquelas a que estavam
expostos anteriormente;
• que, mesmo já anteriormente aclimatizados, tenham se afastado
da condição de exposição por mais de 7 (sete) dias;
• que tiverem exposições eventuais ou periódicas em atividades
nas quais não estão expostos diariamente.
5.5 VESTIMENTAS
● Influenciam nas trocas de calor com o ambiente.
● Roupas inadequadas aumentam a sobrecarga térmica.
● Ajustes no IBUTG para diferentes vestimentas:
○ Macacão de poliolefina: +2°C
○ Macacão impermeável ao vapor: +10°C
○ Vestimentas com capuz: +1°C
● EPIs podem impactar a carga térmica, exigindo análise
individual.
6 RECONHECIMENTO DOS LOCAIS E DAS
CONDIÇÕES DE TRABALHO
● As medições precisam representar condições reais de
exposição.
● O período de amostragem deve considerar os 60 minutos
mais críticos.
● Condições não rotineiras devem ser analisadas
separadamente.
7. EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO
● Determinação do IBUTG pode ser feita com dispositivos
convencionais ou eletrônicos.
● Calibração periodicas
● Fatores que afetam a precisão:
○ Umidade
○ Temperatura
○ Campos magnéticos
7.1.1 DISPOSITIVO PARA MEDIÇÃO DA
TEMPERATURA DE GLOBO
● É um dispositivo para medir a temperatura dos mais diversos
tipos de ambiente.
● Mede a radiação térmica do ambiente.
● Características do sensor:
○ Amplitude: +10°C a +120°C
○ Exatidão: ±0,5°C
7.1.2 Dispositivo para medição da temperatura de bulbo
úmido natural e bulbo seco
O que é a Temperatura de Bulbo Úmido Natural?
A Temperatura de Bulbo Úmido Natural é uma medida fundamental em diversos processos
industriais. Ela representa a temperatura mais baixa que o ar pode atingir através da evaporação
da água. Em termos mais simples, é a temperatura que sentimos quando nossa pele está
molhada e exposta ao ar em movimento.
Como funciona a medição da TBN?
A temperatura de bulbo natural é medida utilizando um
dispositivo chamado psicrômetro de bulbo úmido
natural. Esse instrumento consiste basicamente de um
termômetro comum (bulbo seco) e outro com o bulbo
envolto em um tecido umedecido (bulbo úmido).
● Bulbo seco: Mede a temperatura do ar ambiente.
● Bulbo úmido: A água evapora do tecido úmido,
absorvendo calor do bulbo e fazendo com que a
temperatura registrada seja menor que a do bulbo
seco.
7.1.4 Acessórios complementares
a) Dispositivos de fixação: Para montagem e posicionamento do equipamento de medição na altura
necessária para a correta avaliação da exposição ocupacional ao calor, deve ser utilizado um dispositivo com
regulagem de altura, pintado em preto fosco
b) Dispositivos de medição do tempo : a norma determina que o tempo de exposição ao calor e o tempo das
atividades físicas devem ser registrados com um cronômetro. Isso é essencial porque:
● A exposição ao calor é avaliada considerando períodos de trabalho e descanso.
● O cálculo do Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo (IBUTG) leva em conta a variação do tempo
de exposição.
c) Cabos de extensão : Os cabos de extensão são usados para conectar a unidade de sensores (que mede
as temperaturas do ambiente) à unidade leitora (que processa os dados)
7.2 Montagem e posicionamento do
equipamento
O conjunto de medição deve
sempre ser montado de forma
que os sensores fiquem todos
alinhados segundo um plano
horizontal.
Se houver uma fonte principal de calor, como
um forno industrial ou exposição direta ao
sol, os sensores precisam ser alinhados
também em um plano vertical e posicionados
próximos uns dos outros, mas sem se
tocarem. Isso evita que um sensor interfira na
leitura do outro.
8.1 Procedimentos de medição
‘Verificação dos equipamentos de medição:
1. Integridade e coerência:
- Verificar a integridade física/eletromecânica e a consistência na resposta do instrumento.
2. Carga das baterias:
- Garantir que a carga seja suficiente para o tempo de medição planejado.
3. Calibração:
- Confirmar se a calibração atende aos requisitos da norma (item 7.1).
4. Cabo de extensão:
- Avaliar a necessidade de uso para reduzir interferências.
5. Umidificação do pavio:
- Umidificar o pavio por capilaridade ao entrar em contato com água destilada.
6. Substituição do pavio e água:
- Trocar o pavio e a água destilada a cada medição, se necessário, devido à contaminação.
Objetivo: Assegurar a precisão e confiabilidade das medições.
8.1 Aspectos Gerais
Importância
- Garantir a precisão e confiabilidade das medições do Índice de Bulbo Úmido
Termômetro de Globo (IBUTG), essencial para avaliar a exposição ao calor e proteger a
saúde do trabalhador.
Verificações Necessárias
- Equipamentos: Integridade física, calibração, carga da bateria, uso de cabos de
extensão e umidificação do pavio.
- Conduta do Avaliador: Evitar interferências na medição, informar o trabalhador sobre o
procedimento e garantir que o equipamento não seja tocado ou obstruído.
Ganhos para Empresas e Trabalhadores:
- Redução de riscos de doenças ocupacionais relacionadas ao calor.
- Melhoria na produtividade e segurança no ambiente de trabalho.
8.2 Medições
1. Avaliação do Ciclo de Exposição:
- Analisar a exposição de cada trabalhador ao longo de todo o ciclo de trabalho.
- Medir cada situação térmica, que pode variar mesmo em um mesmo ponto de trabalho.
2. Temperaturas a serem medidas:
- Temperatura de bulbo úmido natural (tbn)
- Temperatura de globo (tg)
- Temperatura de bulbo seco (tbs)** (obrigatória apenas sob carga solar direta).
3. Procedimento de Medição:
- Iniciar medições após estabilização do equipamento (até 25 minutos).
- Realizar no mínimo 5 leituras, com variação máxima de ±0,4 °C.
- Utilizar a média das leituras para tg, tbs e tbn.
8.2 Medições
5. Condições de Curta Duração:
- Simular condições térmicas de curta duração (ex.: forno aberto, maçarico) para permitir estabilização
e medição.
6. Tempo de Exposição e Atividade Física:
- Medir o tempo de permanência em cada situação térmica (média de 3 cronometragens).
- Identificar atividades físicas e atribuir taxas metabólicas conforme Quadro 1 da NHO 06.
7. Registro de Dados:
- Registrar em planilha de campo:
- Data, horário, características ambientais e operacionais.
- Dados de medição e cronometragem.
- Descrição de vestimentas e EPIs (Quadro 2 da NHO 06).
- Identificação do responsável pela coleta de dados.
8. Validação dos Dados:
- Invalidar medições em caso de:
- Danos ao equipamento.
- Calibração fora das especificações.
- Bateria insuficiente.
Objetivo:Garantir a precisão na avaliação da exposição ao calor e adotar medidas de controle adequadas para proteger a
saúde do trabalhador.
8.2 Medições
Importância: Avaliar a exposição ao calor em diferentes situações térmicas, cobrindo todo
o ciclo de trabalho do colaborador.
Etapas:
- Medição das temperaturas: bulbo úmido natural (tbn), globo (tg) e bulbo seco (tbs).
- Realização de múltiplas leituras (mínimo de 5) para garantir precisão.
- Consideração de variações térmicas em ambientes abertos e situações críticas.
Ganhos para Empresas e Trabalhadores:
- Identificação de condições de exposição mais desfavoráveis.
- Implementação de medidas de controle eficazes.
8.3 Cálculos
- Importância: Determinar o IBUTG e a taxa metabólica (M) para caracterizar a exposição
ao calor e definir medidas de controle.
Etapas:
- Cálculo do IBUTG utilizando equações específicas (com ou sem carga solar direta).
- Determinação da M com base nas atividades físicas realizadas.
- Média ponderada dos valores de IBUTG e M para o período de 60 minutos mais crítico.
Ganhos para Empresas e Trabalhadores:
- Base científica para a adoção de medidas preventivas.
- Redução de custos com afastamentos e doenças ocupacionais.
9. Interpretação dos resultados
Então quando o limite de exposição ao calor será considerado ultrapassado?
Após definirmos o “IBUTG” e o “M”, iremos comparar os valores com a tabela (para
indivíduos aclimatizados será uma tabela e para indivíduos não aclimatizados será outra).
E se “M” for 191 W?
9. Interpretação dos resultados
Mas será que é possível confiar?
Por melhor que seja nossa capacidade de previsão, não é possível antecipar todas as
variáveis (fator humano e ambiental) e nem descartar todos os erros (em relação à
exatidão dos sensores).
9.1 Critério de julgamento
e tomada de decisão
Que tal um exemplo?
Para um “M” igual a 110 W, será aceitável um IBUTG até
31,7°C (tabela 1). A partir desse valor até 31,8°C estará
acima do nível de ação. Entre 31,8°C e 33,2°C (tabela 4)
será região de incerteza. E se estiver acima de 33,2°C
estará acima do limite de exposição (tabela 2).
Situações de trabalho cujas exposições impliquem
variações significativas do IBUTG no intervalo de tempo
de uma hora, ou seja, que intercalam exposições a
ambientes frios e quentes de forma rotineira, como,
por exemplo, trabalhos em fornos seguidos de descanso
em salas refrigeradas, devem ser avaliadas com cuidado
mesmo que o IBUTG médio esteja abaixo dos limites de exposição.
10.1 Medidas preventivas
É evidente que se as exposições ocupacionais ao calor atingirem a região de incerteza
teremos um cenário ruim, pois nenhum trabalhador deve atuar no limite de condições
seguras.
Por isso, algumas medidas preventivas podem ser adotadas para melhor assegurá-los.
Dentre essas medidas, vale a pena citar:
❏ Monitoramento periódico – reavaliação dos níveis de exposição;
❏ Hidratação constante – oferta de água e sais minerais ao longo da jornada;
❏ Interrupções – permissão para interromper o trabalho diante o desconforto térmico;
❏ Controle Médico – exames médicos admissionais e periódicos;
Fora isso, o treinamento para capacitação dos trabalhadores é fundamental para que saibam
os riscos, como identificar possíveis sinais e quais as condutas e cuidados que precisam
executar.
10.2 Medidas corretivas
Uma vez que a taxa de exposição assume valores dentro da região de incerteza, ou pior do
que isso, assume valores acima do limite de exposição, será necessário a adoção de medidas
corretivas.
Alguns exemplos dessas medidas são:
❏ Ventilação e climatização – instalação de ventiladores e resfriamento evaporativo;
❏ Adequação das jornadas – revezamento de tarefas em horários mais quentes;
❏ Uso de vestimentas adequadas - para permitir a dissipação do calor;
❏ Pausas térmicas – períodos de descanso em locais mais frescos;
❏ Modificação na operação - redução da temperatura ou da emissividade das fontes de
calor, mecanização ou automatização do processo;
Ressaltando - ainda que as exposições sejam consideradas aceitáveis, a adoção de
medidas corretivas que reduzam os níveis de exposição, se disponíveis ou viáveis, deve
ser considerada prática positiva, uma vez que melhora as condições de trabalho e
minimiza os riscos de danos à saúde.