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Teorema Fundamental da Aritmética e Primos

O documento aborda o Teorema Fundamental da Aritmética e a distribuição dos números primos, demonstrando que o conjunto de números primos é infinito e apresentando métodos para determinar se um número é primo. Também discute a existência de sequências de números inteiros consecutivos que não contêm primos e a relação entre a contagem de primos e a função logarítmica. Por fim, é mencionado o Teorema do Número Primo, que descreve a 'velocidade de crescimento' dos números primos.

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Teorema Fundamental da Aritmética e Primos

O documento aborda o Teorema Fundamental da Aritmética e a distribuição dos números primos, demonstrando que o conjunto de números primos é infinito e apresentando métodos para determinar se um número é primo. Também discute a existência de sequências de números inteiros consecutivos que não contêm primos e a relação entre a contagem de primos e a função logarítmica. Por fim, é mencionado o Teorema do Número Primo, que descreve a 'velocidade de crescimento' dos números primos.

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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de Matemática
Prof. Tulio Gentil

Álgebra I - Números Inteiros


Aula 10 - O Teorema Fundamental da Aritmética - II

1 A distribuição dos números primos


Seja d > 0 um divisor√ próprio√de um inteiro positivo a. Assim, existe c > 1 tal que
a = d · c. Caso d > a e c > a, então
√ a = d · c > a, uma contradição. Logo, a tem
um divisor primo, menor ou igual a a. Esse fato nos permite estabelecer um critério
para determinar
√ se um número dado é primo ou não. Por exemplo, se a = 223, então
14 < a < 15, e devemos verificar se a é divisível pelos primos 2,3,5,7,11,13. Um teste
direto mostra que 223 é primo.
Exercício 1.1. Determine todos os números primos menores que, ou igual, a 100.
Teorema 1.2. O conjunto dos números primos é infinito.
Demonstração. Suponhamos que o conjunto dos números primos positivos é finito e sejam
p1 , p2 , · · · , pn esses números primos. Defina o número
P = p1 p2 · · · pn + 1.
Pelo Teorema Fundamental da Aritmética, podemos escrever P como produto de números
primos, e logo, existe um divisor primo positivo, digamos pi , de P . Então pi divide
P − p1 p2 · · · pn = 1, uma contradição.
Lema 1.3. Dado um inteiro positivo n, é possível determinar n inteiros positivos conse-
cutivos tais que nenhum deles seja primo.
Demonstração. Seja n um inteiro positivo e considere a sequência de inteiros
(n + 1)! + 2, (n + 1)! + 3, · · · (n + 1)! + (n + 1).
Essa sequência tem n termos e todo número é da forma (n + 1)! + m, com 2 ≤ m ≤ n + 1,
ou seja, é múltiplo de m.
Corolário 1.4. Dado um inteiro positivo n, existem dois primos consecutivos pk e pk+1
tais que pk+1 − pk > n.
Demonstração. Seja pk o maior dos primos que são menores que (n + 1)! + 2. Então,
pk ≤ (n + 1)! + 1. Do lema anterior,
pk+1 > (n + 1)! + (n + 1).
Fazendo a diferença entre as duas desigualdades o resultado segue.
Proposição 1.5. Não existe polinômio f (x) não constante, com coeficientes inteiros, tal
que f (n) seja primo, para todo inteiro positivo n.

Demonstração. Suponha que f (x) = am xm +am−1 xm−1 +· · ·+a1 x+a0 seja um polinômio
tal que f (n) é um número primo para todo n ≥ 0.
Seja p o primo que se obtém para um valor n0 ∈ Z, isto é, f (n0 ) = p. Considere a
expressão f (n0 + tp), com t arbitrário. Assim,

f (n0 + tp) = am (n0 + tp)m + am−1 (n0 + tp)m−1 + · · · + a1 (n0 + tp) + a0 .

Desenvolvendo cada uma das potências, usando a fórmula do binômio de Newton,


podemos escrever

f (n0 + tp) = am nm m−1


0 + am−1 n0 + · · · + a1 n0 + a0 + Ψ(t),

onde Ψ(t) é um polinômio na variável t e de grau m. Note que, podemos escrever


Ψ(t) = pg(t), onde g(t) é outro polinômio na variável t e de grau m.
m−1
Como am nm 0 + am−1 n0 + · · · + a1 n0 + a0 = f (n0 ) = p, temos que

f (n0 + tp) = p + pg(t) = p(1 + g(t)),

ou seja p|f (n0 + tp). Se f (n0 + tp) é primo, então f (n0 + tp) = ±p, e logo, 1 + g(t) = ±1
para todo t. Uma contradição, pois g(t) não é constante.

Já sabemos que o conjunto dos número primos são infinitos, mas qual a "velocidade de
crescimento" dos número primos? Indicando por π(x) o número de primos positivos
menores que um dado número real x, pode-se demostrar que essa função cresce com
mesma velocidade que a função
x
.
log x
Matematicamente,
π(x)
lim x = 1,
n→∞
log x

resultado conhecido como Teorema do Número Primo.

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