Forren Foster
“Havia um tempo em que os ventos sussurravam dois nomes — Forren e
Griffin — e o mundo respirava em paz.”
— Trecho de Balada dos Dois Céus
Antes da guerra, antes da lenda, antes de Edax’Siele e da queda de Orcus,
havia apenas dois irmãos, vindos de um vilarejo esquecido pelos mapas, no
longínquo norte de Arkhain. Um povoado simples, de campos e nevascas, onde
o vento cantava entre as montanhas e os homens viviam com espada em
punho e honra no peito.
Ali nasceu Forren Foster, o primogênito — cabelos grisalhos antes do tempo,
barba branca como a neve, e um olhar sereno que escondia um coração
tempestuoso. Desde cedo, Forren demonstrava um instinto natural para a
liderança, herdado de seu pai, um espadachim de alma livre, que o ensinou os
primeiros passos na dança das lâminas.
Mas o destino não costuma ser gentil aos justos.
A vila foi atacada por criaturas vindas do véu das trevas — um ataque
repentino, cruel e sem sentido. Poucos sobreviveram. Entre eles, Forren, e seu
irmão mais novo: Griffin, ainda um menino pequeno, confuso e aterrorizado.
Forren carregou o irmão nos braços por dias, cruzando a neve e a dor, até
alcançar os portões de Arkhadia, ainda jovem e sem muralhas. Foi ali que
recomeçaram.
A Ascensão de Forren
Para proteger Griffin e sobreviver na nova cidade, Forren se alistou na Guarda
de Arkhadia. Em pouco tempo, seu espírito leal, sua habilidade com a lança e
sua aura de confiança o elevaram acima de soldados e capitães. Portava a
Lança Aljhal, uma arma ancestral capaz de cortar o ar com tamanha precisão
que criava rajadas de vento visíveis.
Mais tarde, encontrou uma espada-forjada por artífices de Elarion — laminada
com ventos do Norte, que o tornou mestre do ar, um guerreiro quase elemental.
Forren Foster 1
Enquanto isso, Griffin crescia à sua sombra, treinado por Forren com paciência
e amor. O irmão mais velho não apenas empunhava armas — ele era um pilar
de bondade, justiça e equilíbrio, e moldou Griffin não como um guerreiro, mas
como um homem de honra.
A Espada e a Tempestade
Durante seus anos como guardas, os irmãos enfrentaram monstros, bandidos,
injustiças e ameaças mágicas. Foi nesse tempo que conheceram Nathan
Blackwoods, Eventide, e Asterion, com quem formaram uma aliança que logo
se tornaria inseparável.
Enquanto Forren liderava, Griffin tornava-se o fio da lâmina, rápido, ousado,
ardente. Com o tempo, os dois se tornaram lendas vivas — heróis
reconhecidos nos salões de Arkhadia, reverenciados em Silvermoon e
convidados de honra em Ironclad.
Mas o vento muda, sempre.
A Guerra Contra Orcus
Quando Orcus foi invocado pelos cultistas do vazio, e as legiões de mortos se
ergueram, os Foster foram os primeiros a responder ao chamado.
Forren, com sua lança sagrada e sua sabedoria herdada dos ventos, assumiu a
liderança da resistência, unindo os exércitos fragmentados das grandes
cidades sob uma só bandeira. Griffin, agora um espadachim renomado, seguia
como seu braço direito — tão afiado quanto a lâmina que empunhava.
No auge da guerra, já entre os Heróis de Outrora, os irmãos comandavam
batalhões ao lado de seus companheiros. Nathan canalizava o fogo, Eventide
protegia os céus, Asterion guiava os ferreiros e cavaleiros, mas era a força de
Forren que unia todos os corações.
O Último Sacrifício
A batalha final se deu nas ruínas de um antigo templo ao sul de Elarion, já
consumido pela corrupção de Orcus. Era um campo morto, onde o sol se
escondia e as orações morriam antes de serem ouvidas.
Foi ali que Orcus emergiu em sua forma abissal, imensa, pútrida, acompanhado
de um exército que jamais cansava.
Forren Foster 2
A luta foi brutal. Nathan caiu de joelhos, exausto de tanto canalizar fogo.
Asterion sangrava. Eventide perdia altitude. E Griffin… Griffin viu o irmão
avançar sozinho contra Orcus, a lança em punho, os ventos rugindo ao redor
como furacões. Com um golpe que partiu as nuvens, Forren perfurou o
coração do demônio — abrindo o único momento de fraqueza em que a vitória
seria possível.
Mas Orcus respondeu com escuridão. Uma sombra se abateu sobre Forren. E
ele caiu.
Griffin gritou como quem perde tudo. Em fúria, empunhou a maldita espada
Edax’Siele, e, num golpe final, selou a essência de Orcus na lâmina — ao custo
de sua própria alma.
“O irmão soprou seu último vento. O outro ouviu — e se perdeu.”
— Cântico de Aeris Morteri
O Espírito dos Ventos
Forren Foster morreu como viveu: protegendo, liderando, amando. Mas os
ventos não esquecem. Dizem que se um herói erguer sua arma por um ideal
verdadeiro, um sopro de Forren o guiará. Sua esposa, Aeris Morteri,
desapareceu logo após seu funeral — levada, talvez, pelos próprios ventos.
E o escudeiro de Forren, o jovem Gustav, ao ver seu mestre cair, renunciou à
espada e abraçou a magia. Jurou que, um dia, encontraria uma forma de trazer
Forren de volta.
Hoje, Gustav é conhecido como o Mago Supremo de Arkhain, e seus olhos
ainda choram quando os ventos mudam de direção.
Forren Foster 3