Monografia Inacio Final
Monografia Inacio Final
Inácio Alberto
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Declaração da Originalidade
Esta monografia foi julgada suficiente, como um dos requisitos para obtenção do grau de
Licenciatura em Gestão Ambiental e aprovada na sua forma final pelo Curso de Licenciatura em
Gestão Ambiental na da Universidade Católica de Moçambique.
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Agradecimentos
Em primeiro lugar agradeço a Deus…O senhor detentor de toda a minha. Sem ele, nada disso
seria possível, a sua palavra Senhor, é a lâmpada que guia os meus passos, luz que ilumina o meu
caminho (Salmos 119:105).
Os meus agradecimentos vão para o meu pai já falecido in memoriam e a minha mãe Teresa
Fonseca, que me trouxeram neste mundo, deram tudo quanto puderam por mim e ensinaram a
saber ser e estar, o que torna-me uma pessoa com bom senso.
Endereço os meus intensos agradecimentos a minha esposa Liliana Manuel e aos meus filhos
extensivamente ao meus irmãos.
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Dedicatória
Dedico este trabalho aos meus prestigiados pais que desde o princípio ensinaram-me a “Ser” e
não a “Ter”, com os quais passei momentos de infância com muito aprendizado e que
incansavelmente educavam-me sempre perspetivando o futuro. Dedico ainda o trabalho a todos
meus irmãos que foram a fonte da busca de inspiração, aos meus sobrinhos, primos, por serem os
pilares de onde me vinham as forças e o entusiasmo de poder vencer as adversidades.
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Declaração de Honra
Declaro por minha honra que esta monografia nunca foi apresentada para a obtenção de qualquer
grau académico e que a mesma constitui o resultado do meu labor individual, estando indicadas
ao longo do texto e nas referências bibliográficas todas as fontes utilizadas.
Inácio Alberto
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Índice
Declaração da Originalidade............................................................................................................3
Agradecimentos...............................................................................................................................4
Declaração de Honra........................................................................................................................6
Lista de Siglas e Acrónimos............................................................................................................9
Resumo..........................................................................................................................................10
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.....................................................................................................11
1.1. Introdução...........................................................................................................................11
[Link]ção do problema.........................................................................................................13
[Link]................................................................................................................................14
[Link].....................................................................................................................................14
[Link]íficos............................................................................................................................14
[Link] de pesquisa..............................................................................................................14
[Link] do estudo..............................................................................................................15
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA............................................................................18
2.1. Definição e discussão de conceitos chaves.........................................................................18
2.1.1. Impacto sócio-ambiental.................................................................................................18
2.1.2. Ocupação desordenada....................................................................................................19
2.1.3. Espaço físico...................................................................................................................19
2.1.4. Áreas suburbanas............................................................................................................20
2.2. Formas de aquisição do espaço físico nas áreas urbanas em Moçambique........................21
2.3. Instrumentos que regulam o uso e ocupação do solo urbano em Moçambique.................22
2.4. Impactos sócio-ambientais da ocupação desordenada do espaço nas áreas suburbanas....23
2.5. Estratégias para mitigação dos impactos sócio-ambientais advindos da ocupação
desordenada do espaço físico.........................................................................................................24
Acção de fiscalização....................................................................................................................24
2.5.1. Acções pontuais de recuperação..........................................................................................25
2.5.2. Acções de recuperação ampla..............................................................................................25
CAPÍTULO III: METODOLOGIA...............................................................................................27
3.1. Descrição do local do estudo..............................................................................................27
3.2. Abordagem metodológica...................................................................................................27
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3.3. Amostragem........................................................................................................................28
3.4. Técnicas de recolha de dados.............................................................................................29
3.4.1. Observação directa...............................................................................................................29
3.4.2. Entrevista semi-estruturada.................................................................................................29
3.5. Técnicas de análise de dados..............................................................................................29
3.6. Questões éticas....................................................................................................................30
3.7. Limitações do estudo..........................................................................................................31
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS..............................32
4.1. Formas de aquisição do espaço físico no bairro de Murrapaniua.......................................32
4.2. Impactos sócio-ambientais decorrentes da ocupação desordenada do espaço físico no
bairro de Murrapaniua...................................................................................................................34
4.2.1. Disposição inadequada de resíduos sólidos....................................................................35
4.2.2. Abandono de residências................................................................................................38
4.2.4. Aglomeração física de habitações...................................................................................39
4.3. Estratégias usadas pelos moradores com vista a mitigar os impactos sócio-ambientais
advindos da ocupação desordenada do espaço físico no bairro de Murrapaniua..........................40
4.4. Propostas de educação ambiental para amenizar impactos sócioambientais de ocupação
desordenada do espaço físico no bairro de Murrapaniua...............................................................42
CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...........................................................45
5.1. Conclusão...........................................................................................................................45
5.2. Recomendações..................................................................................................................46
[Link]ências Bibliográficas..........................................................................................................47
[Link]..........................................................................................................................................50
[Link]êndices...................................................................................................................................51
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Lista de Siglas e Acrónimos
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Resumo
A partir desta pesquisa constatou-se que, para adquirir o espaço físico para fins habitacionais no
bairro de Murrapaniua, recorre-se à compra aos nativos que detêm a terra por direitos
consuetudinários. No que tange aos impactos sócio-ambientais advindos da ocupação
desordenada do espaço no bairro de Murrapaniua, partem desde a deposição inadequada de
resíduos sólidos; inundações; abandono de residências e aglomeração de habitações, verificou-se
que estes impactos têm implicações na saúde dos residentes visto que constituem focos de
incidência de vectores causadores de enfermidades, assim como para o próprio ambiente que é
poluído e consequentemente a baixa qualidade de vida da população. Aferiu-se ainda que os
moradores implementam mecanismos para amenizar esses impactos, embora sejam desajustados
e prejudiciais a sua saúde e ao ambiente, daí que o estudo recomenda as entidades responsáveis
pelo ordenamento do território a aplicação dos instrumentos que regulam o uso da terra, e neste
processo é imprescindível a prática da fiscalização na ocupação do espaço urbano bem como a
implementação do programa de Gestão Ambiental articulado com o programa de Educação
Ambiental para que essas acções tenham uma eficácia desejável.
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Palavras-chave: Impactos Sócio-ambientais, Ocupação Desordenada, Espaço Físico, Áreas
Suburbanas.
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1.1. Introdução
O processo de urbanização atingiu no final do século XX e início do século XXI índices bastante
elevados, resultando que na actualidade a população do planeta é maioritariamente urbana
(Mendonça, 2004). Esta condição engendra uma série de novos e complexos problemas para a
compreensão e gestão do espaço e da sociedade urbana, sendo que aqueles de ordem sócio
ambiental encontram-se destacados no contexto das cidades.
De acordo com Tucci (2008), o crescimento das cidades que ocorreu principalmente depois da
década de 70 nos países em desenvolvimento, tem sido realizado sem um planeamento adequado
da ocupação do espaço. O autor supracitado, reitera que a urbanização nestes países é
espontânea, o planeamento urbano é realizado apenas para a parte da cidade ocupada pela
população de média e alta renda, enquanto para as áreas de baixa renda e de periferia, o processo
se dá de forma irregular ou clandestina.
Este crescimento populacional das cidades, alia-se a explosão demográfica e o êxodo rural
verificado nesses países, visto que, as cidades agregam um valor atractivo enquanto as zonas
rurais têm um valor repulsivo, desencadeando uma constante busca por espaços suburbanos, e
estes foram ou são ocupados de forma desordenada. Tal situação, pode ser demonstrada pela
deslocação de grandes massas populacionais que vem ocorrendo em direcção às cidades, e as
suas respectivas ampliações, onde as áreas antes ocupadas pelos elementos da paisagem natural,
vão sendo substituídos pelos empreendimentos antrópicos, com a justificação da busca de
melhores condições de vida, desencadeando um crescimento urbano desordenado (Tucci, 2008).
Diante dessas afirmações fica evidente que o continente africano é composto por países em via
de desenvolvimento, e a maior parte das cidades desses países apresentam características
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depreciáveis no que concerne a infra-estruturas de saneamento básico, principalmente nas áreas
suburbanas. Segundo Anjo (2009) afirma que, embora a África seja o continente menos
urbanizado desde os anos 60, as cidades africanas cresceram a um ritmo mais acelerado do que a
maior parte das cidades do resto do mundo, a forte pressão exercida pelas populações vindas dos
campos, perturbadas pelas mudanças das estruturas sociais provocou a proliferação de áreas
suburbanas e periurbanas com carácter rural.
De acordo com Araújo (2003), a rapidez e a dimensão do crescimento demográfico dos espaços
urbanos na África Subsahariana, que não tem sido acompanhado por um desenvolvimento
urbano equivalente, tem alterado profundamente o meio ambiente e toda a estrutura sócio-
económica urbana, suburbana, periurbana e mesmo a rural. Moçambique é um país que se insere
na África Subsahariana, e as suas características urbanísticas apresentam uma dualidade, fruto do
modelo desigual herdado do colono entre o centro urbano e subúrbio.
Neste contexto, uma das cidades moçambicanas que recebe um contingente populacional elevado
é a cidade da Nampula, devido a diversos factores dos quais, o boom industrial nos anos 60, nos
anos 70 e 80 as taxas de crescimento da cidade de Nampula foram marcadas pela independência
nacional, que fez com que a população urbana em Moçambique sofresse uma transformação
radical, além disso, foi nestes últimos dois períodos que a cidade de Nampula viu crescer muito
os seus espaços suburbanos, tendo funcionado como uma espécie de tampão para a migração em
direcção a Maputo (Matule, 2016).
[Link]ção do problema
No entanto, o incremento populacional nas grandes metrópoles, visa principalmente à busca por
melhores condições de vida, mas também transforma e modifica o espaço urbano e com isso,
gera uma massa de excluídos socioeconómicos que na luta pela sobrevivência acabam habitar
locais sensíveis e de forma desordenada, logo, intensifica o surgimento de zonas peri-urbanas, e
geralmente por falta de planeamento e omissão, provoca graves problemas sociais e ambientais
(Fontoura, 2013).
O exposto acima reflete, a expansão das cidades moçambicanas que de acordo com MICOA
(2007) reitera que a velocidade de urbanização não estruturada que o país vive, está ameaçando a
saúde, o ambiente e a produtividade urbana. Os problemas mais críticos têm o seu impacto na
saúde e eles são causados pela poluição urbana, devido a inadequada qualidade da água, serviços
sanitários, drenagem e colecta de resíduos sólidos, o uso inapropriado da terra, precária
habitação, entre outros (MICOA, 2007). Não obstante, a cidade da Nampula município do
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mesmo nome, tem sido a preferência por parte da população demandando por espaços para a
fixação da habitação.
Neste bairro, as habitações quase são feitas de noite para o dia, as pessoas constroem suas
residências sem que se criem vias de acesso adequados e sem a estruturação parcelar adequada,
ocupando em certos casos áreas inapropriadas para habitações. Face a este cenário, surge a
seguinte indagação: de que forma a ocupação desordenada do espaço físico propicia a
degradação sócio-ambiental no bairro de Murrapaniua?
[Link]
[Link]
[Link]íficos
14
Indicar as propostas de educação ambiental para amenizar os impactos socioambientais
de ocupação desordenada do espaço físico no bairro de Murrapaniua.
[Link] de pesquisa
[Link] do estudo
Segundo Colet (2012), os problemas ambientais (ecológicos e sociais) não atingem igualmente
todo o espaço urbano, atingem muito mais os espaços físicos de ocupação das classes sociais
menos favorecidas do que os das classes mais elevadas.
O cidadão deve ter a cidade como um modelo de civilização sustentável, ancorada nos princípios
da justiça social, o que tem-se verificado o contraste da sua razão de ser, como adverte Jatobá
(2011) os territórios economicamente marginalizados e desvalorizados tendem a ser ocupados
por actores sociais igualmente marginalizados, os quais, na sua luta quotidiana pela
sobrevivência, tendem a degradar mais ainda estes territórios, criando um círculo vicioso que
aumenta progressivamente a condição marginal destes.
No entanto, os problemas do risco que se multiplicam nas cidades, são causados pelo
crescimento desordenado, de maneira que um planeamento “integrado ou de conjunto” e, não
apenas a gestão do risco ou medidas paliativas e mesmo pós-catástrofe respeitando métodos
eficazes, seria fundamental para mitigá-los, evitando as sucessivas inundações e degradação das
variadas infra-estruturas que acometem todos os anos muitas e as mesmas cidades sempre que se
presencia as precipitações, (Costa & Ferreira, 2010).
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Não obstante, justifica-se a escolha do tema por tratar-se de um problema de relevância sob á
óptica de desenvolvimento sustentável, vulnerabilidade social e ambiental pois, de acordo com D
´Avila (2008) enfatiza que, o desenvolvimento só se constata a partir do momento em que a
melhoria da qualidade de vida e o aumento da justiça social tornam-se perceptíveis, onde a
qualidade sócio-espacial também é levada em conta, priorizando entre outros aspectos,
ambientais e [Link], o rápido crescimento populacional da Matola, tem demandado
significativamente por novos espaços para a sua expansão por parte da população e do governo
municipal (Matule, 2016). Para o autor supracitado, esse crescimento alia-se às crescentes
migrações campo-cidade da população, as secas e cheias cíclicas, aos preços relativamente
baixos das terras ao longo das áreas de expansão. Contudo, no bairro de Murrapaniua, nota-se
esta demanda por espaço para acomodar vários intentos humanos, onde a população se instala
como pôde com seus parcos recursos, usurpando de todo o espaço livre fixando habitações de
forma desordenada, e em muitos casos, as habitações são fixadas nos canais de passagem natural
da água pluvial impedindo o escoamento pela drenagem natural, e consequentemente pondo em
causa a qualidade de vida dos moradores.
Segundo o MICOA (2009) a terra é um recurso natural básico disponível para o desenvolvimento
sócioeconómico da humanidade. Todavia, com o aumento demográfico, a terra está sendo um
recurso escasso para várias actividades (agrárias, turísticas, exploração mineira, industrial,
conservação e habitação, entre outros), palco de disputas originadas pelo acesso não equitativo
ou pela sobreposição de interesses dos vários utentes da mesma.
Nesta perspectiva, o estudo trás átona os problemas vividos no bairro de modo a oferecer
subsídios as entidades responsáveis pela oferta de serviços urbanos e a sociedade para se tornar
agente pró-activos na identificação e solução dos problemas ambientais, visto que o actual
modelo de ocupação contrasta a sustentabilidade das cidades moçambicanas, e uma das formas
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de ultrapassar este impasse é ter em consideração a legislação vigente no território nacional,
concernente a ocupação do solo urbano e a gestão ambiental. Assim, acredita-se que o estudo
fará consciencialização dos actores sociais acerca dos problemas encontrados bairro de
Murrapaniua, porque é a partir do conhecimento dos perigos e riscos que se pode tomar atitudes,
além de servir como base para o poder público local (município da Matola), tentar minimizar os
impactos negativos que fustigam o bairro.
Nesta óptica de raciocínio, a lei moçambicana preconiza a terra como propriedade do Estado
(artº.109 CRM, 2004) neste caso, passa obrigatoriamente a ser o regulador e fiscalizador do uso
do solo a nível nacional pelos seus diversos órgãos representativos a nível local, de modo que
toda acção humana com influência no ambiente, seja precedida de planeamentos adequados de
forma a proporcionar um equilíbrio entre ambiente natural e construído.
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CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA
De acordo com Ferreira (2014, p. 44), a noção de impacto sócio-ambiental auxilia na reflexão
sobre as consequências da ocupação inadequada de áreas ambientalmente frágeis e as alterações
que serão promovidas na paisagem. O autor adverte que a adição do prefixo sócio à palavra
ambiental, enfatiza o papel da dimensão social e politica na ocupação de áreas de risco e na
geração de impactos no ambiente.
Segundo Ferreira (2014) citando Coelho (2001), considera impacto ambiental como processo de
mudanças sociais e ecológicas causadas por perturbações no ambiente, efectuadas pelas
actividades humanas. Ė, portanto, a relação entre a sociedade e a natureza que se transforma
dinamicamente, modificando ambos, isto é, o ambiente exerce influência sobre o processo de
urbanização, pelas características que lhe são favoráveis ou não; em contrapartida, o processo de
urbanização provoca modificações no ambiente, alterando as suas características, (Ferreira,
2014).
De acordo com Filho (2013), impacto ambiental é, portanto, o processo de mudanças sociais e
ecológico causado por perturbações (uma nova ocupação e ou construção de um objecto novo:
uma usina, uma estrada ou uma industria) no ambiente. Diz ainda à evolução conjunta das
condições sociais e ecológicas estimuladas pelos impulsos das relações entre forças externas e
internas à unidade espacial e ecológica, histórica ou socialmente determinada (Filho, 2013).
As definições apresentadas dão maior enfoque nas actividades humanas como protagonista dos
impactos ambientais, entretanto, os conceitos se adequam ao contexto deste trabalho, porque os
impactos identificados no local de estudo fluíram a partir das actividades antrópicas. Não se
pretende excluir que existem impactos que podem advir dos processos naturais, como aponta o
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conceito de Filho (2013), quando inclui não só as forças externas, mas também internas como
modificadoras das condições naturais á unidade espacial.
De acordo com Jacobi (2000, p. 19) o processo de ocupação extensiva e desordenado do espaço
urbano, dá origem às periferias “desurbanizadas”, sem a infra-estrutura urbana necessária e
formadas a partir das práticas de ocupação do espaço conhecidas pela modalidade habitacional
autoconstrução/ casa própria/ loteamentos periféricos.
Os problemas urbanos são ocasionados por crescimento desordenado, e por vezes, fisicamente
concentrado; pela ausência ou carência de planeamento; pela demanda não atendida por recursos
e serviços; pelas agressões ao meio ambiente, por desenvolvimento em forma de eixos
acentuando cada vez mais as concentrações urbanas, reforçando os desequilíbrios das cidades, e
agredindo em grande escala o meio ambiente, (Bezerra & Fernandes, 2000).
Segundo Elali (1997, p. 353) argumenta que o espaço físico passa a ser considerado como espaço
vivencial onde os indivíduos vivem e relacionam-se; e acrescenta ainda, aos aspectos
construtivos e funcionais as análises comportamentais e sociais de ocupação, reinterpretação ou
de modificação dos espaços.
Portanto, ao longo do presente trabalho evidenciar-se-á o termo “espaço”, omitindo neste caso a
expressão “físico”, em detrimento das obras consultadas não frisarem o devido termo.
Segundo Santos (2006, p.40) o espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e
também contraditório, de sistemas de objectos e sistemas de acções, não considerados
isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá o espaço é hoje um sistema de
objectos cada vez mais artificiais, povoado por sistemas de acções igualmente imbuídos de
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artificialidade, e cada vez mais tendentes a fins estranhos ao lugar e a seus habitantes (Santos,
2006).
Nota-se que na maioria dos conceitos explanados convergem pelo facto de definir o espaço como
uma instância da sociedade, ele é solidário, mas também é contraditório quando mal accionado.
Pressupõe-se o espaço como cenário onde se realizam relações sociais, políticas e económicas de
determinados grupos da sociedade, sendo uma situação construída colectivamente.
Segundo Anjo (2009) o significado de subúrbios difere da Europa para a América, sendo para
esta última, uma zona residencial, respeitável, tranquila, calma quando não opulenta e senhorial,
enquanto na Europa, em geral é sinónimo de pobreza e miséria, apesar da influência americana
ter vindo a ocorrer, surgindo cada vez mais bairros de alto nível. Para o presente trabalho, o
termo assemelha-se na designação dada na Europa, caracterizando deste modo os bairros das
cidades moçambicanas de ocupação espontânea.
De acordo com Maloa (2016) reitera que dentro da heterogeneidade dos bairros periféricos e da
localização em relação ao núcleo, há pesquisadores que preferem chamar de periferia imediata,
de áreas suburbanas, periferia distante, zonas não urbanizadas ou áreas peri-urbanas, isso sem
considerar as diferenças entre as características dos bairros periféricos. É óbvio que, trata-se de
uma questão de escala. Porém, todos esses bairros têm geralmente em comum o problema da
carência de infra-estrutura urbana e segregação em relação ao núcleo. Dai que no contexto deste
estudo optou-se por chamar de áreas suburbanas.
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Em Moçambique as áreas suburbanas, outrora conhecidas por “cidade de caniço” são
caracterizadas segundo Araújo (2003), por bairros não planeados, de planta indiferenciada ou
anárquica; elevada densidade de ocupação do solo, dificultando a circulação e falta de espaço
para serviços; redes de abastecimento de energia eléctrica e de água potável deficientes ou
inexistentes; falta ou muito deficiente rede de telecomunicações; falta de serviços de saneamento
básico; construção horizontal, com predominância de material de construção de baixo custo ou
precário; deficiente rede comercial; dificuldades de circulação viária; área fundamentalmente
residencial de classes trabalhadoras pobres; existência de algumas unidades industriais; graves
problemas ambientais.
Finda a discussão dos conceitos relevantes que sustentam o tema, segue-se, no entanto, a
caracterização dos seguintes tópicos: formas de aquisição do espaço físico nas áreas urbanas em
Moçambique; instrumentos que regulam o uso e ocupação do solo urbano em Moçambique,
impactos sócio-ambientais de ocupação desordenada do espaço nas áreas suburbanas. A escolha
desses tópicos é dada ao seu carácter indissociável com o tema em estudo, e a sua importância na
comprovação da hipótese, na análise e interpretação dos resultados.
A terra é Propriedade de Estado, e não pode ser vendida ou por qualquer outra forma alienada,
nem hipotecada ou penhorada (artº.3 da Lei de Terras e artº.109 da CRM), cabendo ao Estado a
determinação das condições do seu uso e aproveitamento (CRM, 2004).
A CRM estabelece que, como meio universal de criação da riqueza e do bem-estar social, o uso e
aproveitamento da terra é direito de todo o povo moçambicano, e pode ser adquirido nos termos
estabelecidos pela LT.
Nos termos da lei de terra, o DUAT pode ser adquirido por três vias distintas, nomeadamente:
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a) Ocupação segundo as normas e práticas costumeiras, esta forma de ocupação só é
conferida a pessoas singulares nacionais e as comunidades locais;
b) Ocupação por boa-fé, este direito também só é conferido a pessoas singulares nacionais
que estejam a utilizar a terra há pelo menos 10 anos;
c) Ocupação pela autorização formal, este direito funciona para ambas categorias dos
sujeitos (nacionais e estrangeiros), desde que reúnam os requisitos estabelecidos na LT.
De acordo com a LT (artº.10) são sujeitos do direito de uso e aproveitamento da terra as pessoas
nacionais, colectivas e singulares, homens e mulheres, bem como as comunidades locais.
Podem ser sujeitos de DUAT, as pessoas singulares e colectivas estrangeiras, desde que tenham
projecto de investimento devidamente aprovado e observem as condições previstas na LT.
De acordo com a LT artº.9 o DUAT, não pode ser adquirido nas zonas de protecção total e
parcial, no entanto emite-se licenças especiais para o exercício de actividades determinadas.
Segundo Matule (2016), o país dispõe de legislação que pode evitar ou minimizar situações
como ocupação não estruturada do território no geral, e particularmente nos espaços urbanos,
suburbanos bem como a preservação e conservação dos ecossistemas, garantindo deste modo a
sustentabilidade dos espaços e melhoramento das condições básicas de vida dos seus habitantes.
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Plano de Pormenor.
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sistemas de esgotos sanitários, processo de desmatamento, ocupação de encostas, favelização e
deslizamentos. Portanto, levando em consideração os problemas sócio-ambientais encontrados
actualmente nas cidades devido a ocupação desordenada de espaços urbanos, faz-se necessário
uma infra-estrutura adequada estratégias, directrizes e propostas para os problemas apontados,
pois investimentos realizados em saneamento representam recursos economizados em saúde.
É oportuno lembrarmos que os riscos ambientais nos centros urbanos, são decorrentes da falta de
planeamento urbano e sua ineficiência, pois muitas vezes os alagamentos se intensificam em
cidades construídas em locais ambientalmente instáveis, sem infraestrutura adequada e com
construções frágeis, atingindo diretamente populações carentes instaladas nas margens dos rios e
córregos.
Segundo Silava et al., (s/d), as principais actividades a serem realizadas para a prevenção dos
loteamentos clandestinos ou irregulares, podem ser definidas como:
Acção de fiscalização
A fiscalização tradicional é realizada por agentes fiscais que percorrem a cidade, identificando
regiões de conflitos, e é fundamental que nas regiões de risco a população que vive o problema
passe a actuar como agentes de controlo da ocupação.
A fiscalização deve ser planeada e adequada, que contemple um diagnóstico completo dos vazios
urbanos e imediato agir dos órgãos públicos tão logo se tome conhecimento do parcelamento do
solo ou de sua expansão. O exercício do poder de polícia administrativo contempla a notificação
do responsável, a lavratura de autos de infracção por danos ao parcelamento do solo e por danos
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ambientais, bem como termos de interdição/embargo de obra e aplicação de multas (Reschke et
al, 2003).
Estas, são desenvolvidas em áreas críticas, são obras de contenção que podem ser de diversos
tipos, desde as mais simples como re-vegetação e desmonte de blocos até as mais complexas
como muros atirantados. A população é responsável pelas transformações das relações entre a
cidade e o meio ambiente, sendo imprescindível a sua participação com o objectivo de
estabelecer, recuperar ou manter equilíbrio entre ambas partes, porque ao considerar se esta
como usuária da cidade, estaria se implantando um processo destrutivo ao meio ambiente
(Bergan, 2005).
São caracterizadas por acções de urbanização e melhoria das condições de infra-estruturas dos
assentamentos. Essas acções são contempladas na reabilitação Urbana (entendida num sentido
amplo), que segundo Anjo (2009) utiliza técnicas variadas, tais como:
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a) Renovação Urbana: acção que implica a demolição das estruturas morfológicas e
tipológicas existentes numa área urbana degradada e a sua consequente substituição por um
novo padrão urbano, com novas edificações, atribuindo uma nova estrutura funcional a essa
área;
b) Requalificação Urbana: operação destinada a tornar a dar uma actividade adaptada a um
local e no contexto actual, aplicando-se sobretudo a locais funcionais diferentes da
habitação.
c) Revitalização Urbana: operações destinadas a relançar a vida económica e social de uma
parte da cidade em decadência.
Entretanto, as experiências tem demonstrado que se as duas áreas não estiverem juntas,
estreitamente ligadas, em geral existe pouca eficácia tanto nas obras realizadas, que muitas vezes
são abandonadas e depredadas porque a comunidade não compreende, assume e apropriam-se
destas, e assim perde-se todo o investimento aplicado e os problemas permanecem, assim como
os programas de EA, quando não estão articulados com a GA, perde sua eficácia, pois as pessoas
mudam suas atitudes, mas não existem políticas e acções que sustentem essas novas atitudes
(Carniatto et al, 2014).
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CAPÍTULO III: METODOLOGIA
Segundo o Conselho Municipal de Nampulala (2017), o bairro de Murrapaniua conta com uma
população recenseada em 2017 de 42037 habitantes, dos quais 20038 população masculina e
21999 população feminina. De acordo com sr. Simão (secretario do bairro).
De acordo com PEUCN (2010) bairro de Murrapaniua é uma das áreas urbanizáveis não
planeada, cuja ocupação não foi antecedida por um parcelamento, nem está registado no
Cadastro, é um bairro carente de infra-estruturas, de serviços e de equipamentos sociais, e
resultou de uma ocupação recente.
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De acordo com Mutimucuio (2008) o método qualitativo considera que há uma relação dinâmica
entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a
subjectividade do sujeito que não pode ser traduzida em números. A interpretação dos
fenómenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa.
Segundo Aquino e Leal (s.d) o método “Check-List” tem por finalidade avaliar os impactos
ambientais assim como caracterizar o ambiente físico visualmente em graus de degradação,
possibilitando de forma simples avaliar ou ter um parâmetro sobre a condição ambiental da área.
3.3. Amostragem
O estudo faz uma análise dos impactos sócio-ambientais advindos da ocupação desordenada do
espaço físico no bairro de Murrapaniua, e escolheu-se os quarteirões 5 e 5A, tendo-se abrangido
13 entrevistados, divididos por 3 extractos sociais, nomeadamente: um chefe do círculo da bairro
de Murrapaniua; 2 chefes dos quarteirões (Q5 e Q5A), e 10 moradores Cinco (05) por cada
quarteirão, sendo que 8 são homens e 5 mulheres, fazendo parte da faixa etária dos 32 a 65 anos
de idade.
Durante a discussão dos dados fez se uma atribuição de códigos para os 10 moradores
seleccionados, obedecendo uma hierarquia de: M1a Mn, onde:
Este instrumento permitiu um contacto directo com os fenómenos que ocorrem no bairro de
Murrapaniua, de realçar que este, não obedeceu a critérios prévios para orientar um registo rígido
as expressões e emoções com que os indivíduos a volta do estudo se manifestavam, tendo-se
tirado fotografias de aspectos relevantes para constarem do texto, com isso, lançar um olhar
crítico que permitiu fazer uma análise das variáveis, pois, Marconi e Lakatos (2003) sustentam
que a observação directa é uma técnica de colecta de dados para conseguir informações e utilizar
os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Esta técnica não consiste apenas
em ver ou ouvir mas também em examinar factos ou fenómenos que se desejam estudar.
Realizou-se com auxílio de questões previamente elaboradas, mas não decorreu de forma rígida e
seguindo o cenário, baseando-se nos objectivos da pesquisa, esta foi igualmente usada por se
acreditar ser vantajosa enquanto uma técnica que incentiva a troca de informação entre o
entrevistado e o entrevistador, permitindo um processo de recolha de dados primários (ver o
apêndice 1).
29
Para este procedimento foi usada a técnica de análise de conteúdo. De acordo com Mozzato e
Grzybovski (2011) a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise de comunicações,
que tem como objectivo ultrapassar as incertezas e enriquecer a leitura dos dados colectados.
Pré-análise;
Exploração do material;
Tratamento dos dados, inferência e interpretação.
a) A pré-análise: consistiu na transcrição e organização da informação obtida a fim de
detectar falhas, com o objectivo de torná-lo operacional. Foi feita a descrição da amostra
populacional e, de seguida, a leitura das informações colectadas no trabalho de campo.
b) A exploração do material: nesta fase os registos obtidos por meio de entrevistas e
fotografias foram seleccionados para constarem do texto tendo em conta os objectivos
estabelecidos. Foi nesta fase em que as respostas dadas pelos entrevistados foram
organizadas em categorias consoante as perguntas de pesquisa de modo a facilitar a
análise das mesmas, baseando-se na compatibilidade da informação e na selecção
criteriosa das imagens fotográficas colhidas no campo.
c) Tratamento dos resultados e interpretação: o tratamento baseou-se na compilação da
informação, através do estabelecimento da compatibilidade, semelhança e frequência das
respostas dos entrevistados e por fim, foi feita a análise reflexiva e crítica.
Na sede do bairro houve a apresentação das estruturas locais (chefes do círculo e de quarteirões:
5 e 5 A) onde cada um mostrou a sua área de jurisdição, para em seguida proceder com à recolha
de dados. Por tratar-se de um trabalho que mexe com o psíquico das pessoas, sobre aspectos que
30
tocam suas sensibilidades, valores e privacidade dos entrevistados, estes foram informados sobre
os objectivos da entrevista e a importância da sua participação para a materialização da pesquisa.
Esta informação foi facultada oralmente aos entrevistados e foi-lhes garantido a salvaguarda da
sua identidade, o sigilo e confidencialidade de toda a informação, mediante a ocultação da
identidade pessoal na apresentação dos resultados.
Entretanto, estas limitações foram sanadas por meio da busca na internet; pelo reajuste dos dias
previamente estabelecidos para as entrevistas, em função da disponibilidade dos entrevistados.
31
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Vale ressaltar que antes de entrar em discussão sobre os impactos sócio-ambientais decorrentes
da ocupação desordenada do espaço físico, procurou-se saber dos entrevistados, de que forma
obtiveram o espaço físico para ocupação no bairro de Murrapaniua, dos 13 entrevistados,8 foram
unânimes em afirmar que compraram o espaço, abaixo segue se alguns depoimentos que
elucidam as justificações:
M7: “Compramos aqui…é a única alternativa que tivemos, quando é assim não há escolha…”.
M3: “Comprei esse terreno, todos nós aqui ninguém foi dado o espaço, o que é diferente foram
os preços, alguns tiveram a um valor alto e outros valor baixo…”.
M8: “Comprei aqui porque tinha pouco dinheiro…já não aguentava com o aluguer”. Pode-se
aferir que para obter o espaço físico para habitação no bairro da bairro de Murrapaniua, os
interessados optam pela compra ou melhor, recorrem a clandestinidade, isto porque em
Moçambique a terra é Propriedade de Estado, e não pode ser vendida ou por qualquer outra
forma alienada, nem hipotecada ou penhorada, cabendo ao Estado a determinação das
condições do seu uso e aproveitamento (artº.3 da LT e artº.109 da CRM, 2004).
Portanto, o acesso formal do espaço para habitação está assim fora do alcance da maioria da
população, de um lado, por desconhecimento de formas adequadas de sua aquisição, e do outro,
pela oferta de terrenos a preços baixos nas zonas suburbanas, quando comparado com as zonas
urbanizadas, visto que as zonas suburbanas são carentes de infra-estruturas urbanas e sem
nenhum privilégio para as classes dominantes.
32
Verificou-se que a maioria dos moradores tem consciência de sua ilegalidade e de carências de
infra-estruturas nas zonas suburbanas, como referenciou o M7: “Diz-se que a terra não pode ser
vendida porque é crime, mas se você não compra nas pessoas que tem terrenos para construir
sua casa, ficará sem casa própria e não passará todo tempo a alugar, porque isso é desgastante
e conflituoso…”. No entanto, a necessidade de possuir uma casa própria se transformou em
missão de vida para muitas pessoas, substituindo o aluguer que é um suplício não só económico
mais também psicológico, e a atracção pelos preços dos terrenos, mesmo porque é a única opção
viável e acessível para população desprovida de recursos, dado a falta de alternativas
habitacionais no mercado público ou privado que se ajuste a esta classe social.
Dos trezes (13) entrevistados, apenas dois (2) afirmaram terem tido o espaço por herança, este
trato foi feito verbalmente e testemunhado pelos membros da família. Entretanto, um dos
entrevistados acrescentou: “é um acto constitucionalmente aceite”, deste modo, o autor julga ser
inconveniente aos direitos costumeiros, pelo facto de não ter sido presenciado pela entidade de
concessão de terras para verificação das questões de habitabilidade, embora tenham o título de
direito de uso e aproveitamento de terra. Contudo, as duas categorias mostram claramente que a
aquisição de terreno ocorre no privado sob total controlo do loteador e o necessitado, onde este
só procura entidades reguladoras para legitimar o terreno que já está a sua disposição. Os
depoimentos descrevem estas constatações:
“Para obter o DUAT, tem que partir daqui do bairro, para a estrutura local reconhecer o
terreno se não tem outro ocupante, após isso tem que se submeter os documentos no posto
administrativo, eles depois de reconhecer a assinatura do bairro encaminham ao município”.
(Chefe do quarteirão nº5ª).
Portanto, nota-se que há uma dicotomia contraditória no processo de concessão do DUAT, dado
que é concedido em locais contemplados pelos serviços públicos de cadastro de terras, em
contrapartida, o mesmo pode ser requerido e adquirido pelos utentes dispostos a fazê-los,
33
contrariando a LT (lei nº19/97 de 1 de Outubro) no seu artigo nº.23 que prevê a concessão do
DUAT no solo urbano e, este é válido nas áreas cobertas por planos de urbanização e desde que
tenham serviços públicos de cadastro.
O restante dos três (3) entrevistados, não souberam responder de que forma se obtêm o espaço
físico para habitação no bairro de Murrapaniua, alegando não serem os responsáveis pelos
trâmites na procura de espaço, tendo-se limitado em afirmar nos seguintes termos:
M2: “Não sei como obteve, mas o que acontece, é que as áreas organizadas e próximas á
cidade são tidas como melhores […] é por isso que, possuem um valor alto na venda ou no
aluguer, visto que se não fosse por isso acredito que ninguém escolheria aqui”.
Chefe do quarteirão: “Não sei como funciona exactamente, nós aqui no círculo só recebemos a
declaração e emitimos o número da casa, […] o município alega não ter espaços para
pessoas”.
Não obstante, o espaço urbano é obra da arte do Estado (município), o que remete uma
concepção de ser o provedor dos serviços urbanos, daí, ao dar privilégio a algumas zonas no
mesmo espaço urbano em detrimento das outras, contribui grandemente na segregação sócio-
espacial e influencia de forma indirecta no preço da especulação imobiliária, como ilustram os
argumentos dos entrevistados, fazendo com que as zonas privilegiadas sejam preteridas pelas
classes com alto poder de compra, restando as zonas precárias ou de risco a populaça de baixa
renda sofrendo uma dupla penalização, primeiro pela distância percorrida aos locais de trabalho
concentrados na cidade de cimento e pela precariedade das condições das habitações.
Convêm ressaltar que esta pergunta houve a necessidade de decifrar para colher respostas a todos
seguimentos sociais dado a complexidade das palavras “impactos sócio-ambientais”, daí que
para os residentes colocou-se como problemas que afectam os moradores e o ambiente em que
estão inseridos devido a ocupação desordenada do espaço físico (ver apêndice 1). De referir que
34
foram transcritos os impactos sócio-ambientais frisados com maior frequência e semelhança das
respostas seguindo o método check-list, descrito na secção 3.2.
Entretanto, percebe-se que a recolha é irregular no que refere a frequência semanal, no entanto,
há convergência quanto a abrangência do serviço, pois, os depoimentos vão de encontro com
abordagem de PEUCN (2010) ao afirmar que o município opera um pequeno serviço de recolha
porta-à-porta nalgumas áreas os resíduos sólidos municipais (RSM).
35
Nota-se que há necessidade de uma abordagem abrangente como a criação de associações que
possam recolher o lixo no interior do bairro em carrinhas de mão vulgo para a via principal, de
modo a facilitar a movimentação nos becos (ruas estreitas).
Entretanto, o autor sugere ainda, a criação de “Ecopontos” donde pode se concentrar o lixo que
aguarda pela recolha, de modo a evitar que os residentes amontoam o lixo nas bermas da estrada
por onde circulam os peões, visto que o lixo deixado ao longo da estrada permanece dias sem
remoção e que espalha se pelo chão, dificultando a transitabilidade.
Indagados sobre os problemas provocados pelo lixo, 4 entrevistados mostraram uma relação do
lixo com eclosão de doenças, enquanto os restantes 9 limitaram-se em estabelecer uma conexão
do lixo com proliferação de vectores sem ponte de ligação com questões de saúde, conforme
indicam os depoimentos:
M8: “Conviver com lixo é um risco por causa das moscas, baratas que saem do lixo para dentro
das casas e entram nas panelas que contem produtos alimentícios e as vezes acabamos por
deitar é um desperdício…”
M4: “O lixo atrai baratas e ratos que vão a procura de alimentos e acabam invadir as nossas
casas destruir as coisas como roupas e alimentos que é o que procuram”.
M2:“O lixo além de trazer insectos para dentro das nossas casas, provoca maus odores e por
causa disso pode se ter problemas de respiração e perda de apetite nas refeições”.
Como se pode averiguar, o facto de a maioria limitar se em relacionar o lixo com aparecimento
de vectores sem conexões com aspectos ligados a doenças, revela a falta de uma visão integrada
sobre a influência do lixo na incidência de doenças, o que denota uma fraca consciência sanitária
ambiental dos moradores, está evidente ao longo das vias de circulação e nos terrenos baldios
lixo exposto a céu aberto exalando mau cheiro e atraindo vectores, para além da poluição visual,
da água subterrânea e do solo pelo cherume, e a desvalorização da estética ao entorno, como
ilustram as figuras abaixo (FIG.1 e 2).
36
Figura1: Disposição inadequada de Figura 2: Disposição inadequada de resíduos
resíduos sólidos no Q. nº5A sólidos no Q.nº5
37
4.2.2. Abandono de residências
A falta da oferta de espaços para habitação das classes com poucos recursos e da fiscalização na
ocupação do solo urbano nos subúrbios, faz com que a população opte pelos critérios tradicionais
na aquisição do espaço. Esta condição resulta na usurpação de espaços inadequados para
construções, e a maioria das pessoas que habitam nas zonas com acentuadas fragilidades
ambientais possuem algo em comum “empregos precários e informais”.
Porém, existem alguns indivíduos com uma vida relativamente estável, mas muitos quando as
condições de vida permitirem preferem sair do bairro e construírem melhores casas noutras
zonas, abandonando completamente os antigos abrigos. Como é o caso que resultou nesses
abandonos, conforme se vê no depoimento:
Chefe do Quarteirão 5A: “Existem aqui no bairro sérios problemas de saneamento das
águas da chuva. Há aqui casas abandonadas porque sempre que pequena chuva cai
enchem de água devido a falta de pequenas drenagens. Esta situação tem concorrido
para o surgimento de doenças tais como cólera, malária...”
Entretanto, estas zonas ocupadas com base nas práticas tradicionais onde os terrenos são
parcelados pelos proprietários e vendidos, os interessados adquiram sem conhecimento prévio do
local, á medida que as construções vão se aumentando e consolidando, o ambiente reage
trazendo situações inesperadas e indesejáveis deixando famílias desabrigadas em tempos
chuvosos e suscita um abandono. Os entrevistados salientaram a perigosidade da existência
dessas casas abandonadas, proferindo nos seguintes termos:
38
M2: “Alguns moradores deitam o lixo a noite nessas casas desocupadas por isso…tem
grandes ratos, cobras, baratas e mosquitos não sei se é por causa desta mata…”
Não obstante, este retrato da realidade vivida pelos moradores é consequência da omissão das
Por conseguinte, essas casas além de promoverem a prática de crimes ou actividades marginais e
esconderijos dos criminosos constituem focos de abrigo de ratos, cobras, sapos, barata e
mosquitos, pelas condições que favorecem o seu crescimento e acomodação por causa do capim
e das águas estagnadas a volta, como se pode ver nas figuras 5 e 6, daí que os moradores nas
imediações estão expostos a inúmeros riscos, como refere Sousa (2014) a falta de cuidado no
manejo do solo, e o abandono de edificações, podem causar sérios danos à população, e busca-
se, na Educação Ambiental, este novo enfoque para o desenvolvimento de uma consciência
As aglomerações físicas são resultantes dos assentamentos humanos, no contexto urbano passam
a ser um problema quando não são antecedidas pelo planeamento na sua estruturação, passando a
ser um catástrofe para o meio ambiente e a população que nelas se encontra. Como foi explícito
pelos entrevistados dos quais nove (9) mostraram desgosto por estar a viver nestas condições
declarando nos seguintes termos:
39
M5: “Como vês, estamos muito apertados sem quintal para as crianças brincarem nem
para um pequeno jardim…”.
M3: “Assim de maneira que estamos tão próximos, algumas baratas e ratos vêm das
fossas das casas dos vizinhos como nem temos muro de vedação pelo menos ajudaria…”
M8:“Não tivemos sorte de ter quintais espaçosos, e por falta de condições para
construirmos muros de vedações o desleixo de alguns acaba sendo partilhados com
outros…”
Os entrevistados foram unânimes em afirmar que as aglomerações das habitações deram se pelo
facto dos proprietários das terras dividirem os terrenos em pequenas porções que são postos á
venda, e com isso conseguirem muitos clientes, por conseguinte ganhar se mais dinheiro com o
negócio dos terrenos.
Percebe-se que quando a casa não alcança as expectativas emocionais do individuo recebe menos
atenção e manutenção, agravando ainda mais a degradação, entretanto, o desejo pela casa com
quintal, remete a solicitação de um ambiente espaçoso mais fresco e arejado, na busca da
qualidade do ar e conforto.
Além das aglomerações, as casas foram construídas sob redes de alta tensão, desrespeitando as
regras do afastamento de 50 metros destas com as casas, outro aspecto que merece menção é o
inadequado acabamento dos edifícios que favorece a proliferação de vectores, (veja a figura 8, no
apêndice 3).
4.3. Estratégias usadas pelos moradores com vista a mitigar os impactos sócio-
ambientais advindos da ocupação desordenada do espaço físico no bairro de Murrapaniua
40
Intenciona-se com este objectivo aferir a percepção dos entrevistados quanto aos mecanismos
adoptados pelos moradores para minimizar os problemas sócio-ambientais que afectam o bairro
de Murrapaniua.
M2: “Antigamente enterrávamos o lixo, mas agora que a terra está sempre com água, então
optamos por queimar…”.
Chefe do quarteirão: “Alguns amontoam areia ou entulho nas ruas e suas casas para elevar a
camada do solo para evitar enchentes nos seus quintais e garantir que a água não se
acumule…”.
Os moradores apresentaram várias acções que embora isoladas, são empreendidas com vista a
minimizar os problemas vivenciados advindos das inter-relações homem-natureza, onde
apontou-se abertura de canais ao longo da estrada por onde as águas pluviais possam escorrer e
diminuir o nível de concentração, visto que quando as chuvas são intensas as águas acumulam-se
nos quintais, tendo em conta que o bairro não dispõem de infraestruturas de drenagem.
Esta prática cria conflitos entre quarteirões pelo facto de a água escoada intensificar alagamentos
em outros quarteirões, que culmina com interdição dos canais e são abertos ao longo da estrada
criando congestionamento em épocas chuvosas visto que os automobilistas na tentativa de
41
escapar das fileiras de trânsito enterram suas viaturas, que muitas vezes resulta em danos
materiais.
Aferiu-se que para o tratamento dos resíduos os moradores recorrem a queima, e é vista como
uma opção viável em relação ao enterro devido a saturação do solo que não permite a abertura de
covas para a deposição de resíduos, de salientar que tanto a queima como o enterro de lixo é
prejudicial sob ponto de vista ambiental e a saúde pública, pela emissão de fumaça ou gases ao
entorno e poluição da água subterrânea e do solo quando é enterrado.
Observou-se in locus no quarteirão 5A casas rodeadas por capim com altura que pode se estimar
em 1 metro, na estação quente são executadas queimadas no entorno para a limpeza, acarretando
problemas com poluição atmosférica afectando a qualidade de vida da população que reside no
seu entorno, além de comprometer também a infra-estrutura da rede eléctrica de alta tensão que
passa por este local.
Os moradores que dispõem de condições amontoam areia nos quintais e nas ruas das entradas de
residências para elevar a camada do solo de modo a evitar alagamentos no período chuvoso, (ver
a figura 9, no apêndice 4) a areia é obtida mediante a compra, o que a maioria dos moradores não
conseguem fazer devido ao baixo poder aquisitivo.
42
Desde os primórdios o homem interferiu no meio ambiente sem nenhuma preocupação, e é
precisamente a partir da revolução industrial que começou a preocupação com questões
ambientais devido aos adensamentos urbanos desordenados, esgotamento da matéria-prima para
alimentar a industria e ao descarte de resíduos provenientes da mesma de forma inadequada.
Dentro deste contexto, a Educação Ambiental (EA) surge como ferramenta que promove a
sensibilização da sociedade para tomada de consciência sobre as intervenções humanas no
ambiente que tende a sua própria autodestruição, assim estimula e mobiliza a participação da
população na defesa dos seus direitos de modo que sejam atendidas as necessidades com vista a
melhoria da qualidade de vida; os problemas sócioambientais tem uma forte conotação política,
deste modo a educação ambiental desperta o pensamento crítico e no repensar das acções dos
gestores urbanos e da sociedade em geral, propondo a educação dos indivíduos no ambiente pelo
ambiente e para o ambiente de modo a tornar explícito as interconectividades existentes entre o
homem e a natureza, assim como a dependência entre ambos.
43
Por conseguinte, é do interesse da EA sugerir a responsabilidade pós-consumo, que se concretiza
na logística reversa e que a primeira instância, recai a indústria o dever de canalizar fundos ao
sector público de modo a remunerar as cooperativas ou catadores de resíduos mediante a prática
da colecta selectiva, o que carece de sensibilização das pessoas para a importância da selecção,
não simplesmente para garantia da renda, mas também a sustentabilidade ambiental.
Os materiais devem ser enfardados e encaminhados para ecopontos ou para empresas que
utilizam esses materiais como matéria-prima no processo produtivo. É relevante criar ecopontos
e informar a comunidade sobre os locais, para isso devem ser criados folhetos explicativos sobre
o que fazer com os resíduos e colocados porta a porta ou distribuídos nas paragens, mercados etc,
por uma equipa e no caso de lixo orgânico incentiva a prática da compostagem.
44
CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
5.1. Conclusão
Realizada a pesquisa concluiu-se que a forma como o espaço foi e está sendo ocupado no bairro
de Murrapaniua, é o grande responsável pelos impactos sócio-ambientais encontrados neste
bairro, em que a especulação fundiária constitui uma prática já vista como normal aceite nas
áreas urbanas, contrariando a CRM e a LT que preconiza a terra como propriedade do Estado, e
que não pode ser vendida e é da sua inteira responsabilidade fiscalizar e regularizar as formas da
sua adequada utilização. A LT reconhece três formas de obtenção do espaço para uso e
aproveitamento, a ocupação por boa fé, direito adquirido por pessoas que estejam a usar a terra
há pelo menos 10 anos; ocupação segundo as normas e práticas costumeiras no que não
contrariem a Constituição e pela autorização formal emitida pelas entidades competentes.
Concluiu-se ainda que o país dispõem de instrumentos que regulam a organização do espaço para
adequar melhor as actividades humanas sem agredir o meio ambiente, no entanto a sua aplicação
é ineficiente devido a fraca capacidade institucional e financeira dos órgãos que zelam pela
organização territorial. Portanto, percebeu-se que as práticas costumeiras constituem um entrave
para as autoridades locais, na medida em que as pessoas que detêm grandes extensões de terras a
vendem para outrem, e assim se constituem os assentamentos informais.
Aferiu se ainda que os moradores com seus recursos e conhecimento técnico limitados
desencadeiam acções com vista a minimizar os impactos perniciosos como abertura de canais
para escoar as águas pluviais; amontoamento de areias para minimizar enchentes; queima do lixo
e do capim na limpeza ao arredor das residências. Percebe-se que poderia ser evitada tal situação,
entretanto actualmente para que se evitem mais impactos, é necessário um programa de gestão
45
ambiental articulado com os programas de EA, para uma maior sensibilização da população
local.
5.2. Recomendações
A compensar os nativos que detém a posse da terra, para que a mesma esteja sob seu
controle;
Ter domínio da sua área de jurisdição através da fiscalização e aplicação das penalidades
aos loteadores clandestinos;
Realizar a EA voltada para a consciencialização dos residentes do assentamento informal,
sobre o planeamento e riscos urbanos, inerentes ao desordenamento territorial;
Deve em conformidade com as leis urbanísticos, desenvolver e fortalecer programas
voltados para atacar os impactos sócio-ambientais identificados e direccionar seu
desenvolvimento por um caminho sustentável;
Promover a organização social e a consciência ambiental por meio da participação das
comunidades locais na identificação dos serviços públicos necessários, fornecimento de
infra-estrutura urbana, da melhoria dos serviços públicos e a protecção e ou reabilitação
urbana, de modo a ter cidades resilientes;
Garantir maior coordenação intra-instutucional, no que refere a troca de informações de
modo a evitar discrepâncias no fornecimento dos serviços.
Ao secretário do bairro:
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Luis Gonzaga do Maranhão: principais inferências sobre políticas públicas.
50
[Link]
51
[Link]êndices
Apêndice 1: Guião de Entrevista
Apresentação do Entrevistador
Importa realçar que trata-se, portanto, de uma entrevista relacionada a um trabalho de pesquisa
com fins meramente académicos para efeitos de conclusão do Curso de Licenciatura em Gestão
Ambiental.
9. Que acções são levadas a cabo para estancar a ocupação desordenada do espaço físico no
bairro de Murrapaniua?
53
Questões para os residentes do bairro de Murrapaniua (Quarteirões nº5 e 5A) P-1: Formas de
ocupação do espaço físico no bairro de Murrapaniua.
2. A quanto tempo vive nesse bairro e quais eram as suas características físicas quando
chegou?
4. Quais foram as motivações que lhe influenciaram para adquirir este espaço?
5. Dispõem de alguns documentos que lhe confere como dono do espaço? Sim . Não
a) Se sim, quais são, e qual foi a entidade emissora? Caso não, porquê?
7. O que tem sido feito para reduzir os problemas sócio-ambientais que afligem o bairro?
54