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Modernismo: Linguagem e Realidade Brasileira

O texto discute a relação entre linguagem e realidade na literatura modernista, destacando a importância da análise crítica da linguagem. Mário de Andrade e Antonio Candido abordam a 'radicação na terra' como um reflexo das interações entre o escritor brasileiro e sua realidade, enfatizando que essa conexão traz consigo um elemento de destruição e protesto. A obra modernista é apresentada como um meio de confrontar e questionar a realidade social e cultural do Brasil.

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O texto discute a relação entre linguagem e realidade na literatura modernista, destacando a importância da análise crítica da linguagem. Mário de Andrade e Antonio Candido abordam a 'radicação na terra' como um reflexo das interações entre o escritor brasileiro e sua realidade, enfatizando que essa conexão traz consigo um elemento de destruição e protesto. A obra modernista é apresentada como um meio de confrontar e questionar a realidade social e cultural do Brasil.

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realidade ou, no melhor dos casos, da persistência de

uma dicotomia entre linguagem e realidade. Deste mo-


do, da mesma forma que levantar a questão da ideolo-
gia (ainda que plenamente definido o termo) significa
revolver o mecanismo de relações entre escritor SO-
ciedade, porque de outro modo a discussão há de se
conservar para sempre tautológica, assim também não
é possível riscar a questão do experimentalismo através
do argumento da incapacidade artesanal, porque isto
significa eliminar do discurso crítico a análise, bem
mais difícil, da própria linguagem da Literatura.
Que a linguagem da literatura modernista vincu-
la-se, de imediato, ao problema de uma representação
da realidade é argumento que se pode captar na maio-
ria dos textos críticos modernistas, tanto quanto na-
queles que, posteriormente, sobre eles foram escritos.
Aquilo que Mário de Andrade chamava de "radicação
na terra" respondia à maneira pela qual os modernis-
tas tiveram de enfrentar o problema secular, já referi-
do, das relações do escritor brasileiro com a realidade
circunstancial. Ou aquilo a que Antonio Candido, em
texto que gira sobretudo em torno das contribuições
modernistas, chamou de "dialética do localismo e do
cosmopolitismo"27, não apenas como problema por as-
sim dizer modernista, mas como "uma lei de evolução
da nossa vida espiritual". Todavia é preciso acentuar
que, como viu Mário de Andrade muito bem, a "ra-
dicação na terra," a verdadeira, e não a postiça cons-
truída à base dos movimentos de torna-viagem, trazia
sempre um elemento de destruição em seu bojo. Assim,
no texto quase que psiquiátrico que escreveu como ba-
lanço das realizações modernistas, Mário de Andrade
ressaltou este traço:
-
A radicação na terra diz ele gritada em doutrinas
e manifestos, não passava de um conformismo acomodatício.
Menos que radicação, uma cantoria ensurdecedora, bastante
acadêmica, que não raro tornou-se um porque-me-ufanismo lar-
var. A verdadeira consciência da terra levava fatalmente ao
não-conformismo e ao protesto, como Paulo Prado com o 'Re-
trato do Brasil', e os vasqueiros 'anjos' do Partido Democrá-
tico e do Integralismo. E 1930 vai ser também um protesto!28
(27) Em op. cit., p. 131.
(28) Em O Movimento Modernista, Rio de Janeiro (Casa do Estu-
dante do Brasil), 1942, pp. 48-9.
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