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Análise do Modernismo na Literatura Brasileira

O autor discute a importância das obras de João Miramar e Serafim Ponte Grande no contexto do Modernismo brasileiro, argumentando que a sensação de liberdade criadora é essencial para a literatura. O crítico Wilson Martins apresenta uma visão moralista e antiexperimentalista, sugerindo que a experimentação é resultado de insegurança técnica. Além disso, ele menciona 'ismos' futuros de forma ambígua, reafirmando sua posição contra a experimentação na literatura.

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O autor discute a importância das obras de João Miramar e Serafim Ponte Grande no contexto do Modernismo brasileiro, argumentando que a sensação de liberdade criadora é essencial para a literatura. O crítico Wilson Martins apresenta uma visão moralista e antiexperimentalista, sugerindo que a experimentação é resultado de insegurança técnica. Além disso, ele menciona 'ismos' futuros de forma ambígua, reafirmando sua posição contra a experimentação na literatura.

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do20.

A que, por certo, se apreendo corretamente o pen-


samento do autor, se deveriam acrescentar as Memó-
rias Sentimentais de João Miramar e o Serafim Ponte
Grande, de Oswald de Andrade.
Somente um extremado hegelianismo possibilita-
ria desvincular tão claramente a "sensação de liberda-
de criadora que (o Modernismo) instaurou definitiva-
mente na Literatura Brasileira" dos textos que concor-
reram para isso, jogando-os para a vala comum das
"memoráveis catástrofes" ou, como coerentemente,
aliás, vai o crítico dizer adiante, para “a marcante ten-
dência modernista para o experimentalismo”2¹. Mais do
que coerente, reveladora a passagem de um para ou-
tro discurso: o que se lê por entre as linhas do crítico
é a afirmação de que não é apenas "por paradoxo"
que aquelas obras citadas são triunfos mas, na verda-
de, elas são modernistas enquanto, para o crítico, reve-
lam uma alteração no límpido esquema de simetrias que
é a sua concepção da Literatura. Por isso mesmo, uti-
lizando texto tardio (1941) de Mário de Andrade, Wil-
son Martins arma um esquema de apreensão, por as-
sim dizer, moralista de condenação do experimentalis-
mo, embora acobertado por aparentes considerações de
ordem técnica:
Ao contrário do que se pensa, ao contrário do que pode
pensar o artista inclinado à experimentação, ela resulta muito
mais de uma insegurança, de um despreparo técnico, do que
demonstraria, ao contrário, um domínio soberano de todas as
virtualidades do artesanato22.
É, possivelmente, o mesmo esquema que leva o
crítico, nas últimas frases do livro, assumindo mais uma
vez ares de imparcialidade, a escolher imagens de sus-
peição para falar nos "ismos ainda desconhecidos que
se escondiam no futuro"23. Ao usar a expressão "pro-
cesso caracteristicamente dialético" para esclarecer o
surgimento desses ismos, a que ele tão soturnamente se
refere, Wilson Martins retoma o argumento antiexperi-
mentalista do ponto de vista de quem, naquele proces-
so, assumiu o partido da síntese. As teses são incor-
(20) Op. cit., p. cit.
(21) Idem, ibidem, p. 47.
(22) Idem, ibidem.
(23) Idem, ibidem, p. 296.
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