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A Linguagem e a Poesia de Mallarmé

O ensaio discute a visão de Mallarmé sobre a linguagem e a poesia, destacando sua busca pela perfeição ao longo de mais de trinta anos. Mallarmé é apresentado como um 'mestre do passado', cuja obra, embora reconhecida por poucos, continua a influenciar o futuro da poesia. A análise de Valéry sobre Mallarmé é vista como uma repetição de ideias anteriores, enfatizando o devotamento do poeta à arte.

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O ensaio discute a visão de Mallarmé sobre a linguagem e a poesia, destacando sua busca pela perfeição ao longo de mais de trinta anos. Mallarmé é apresentado como um 'mestre do passado', cuja obra, embora reconhecida por poucos, continua a influenciar o futuro da poesia. A análise de Valéry sobre Mallarmé é vista como uma repetição de ideias anteriores, enfatizando o devotamento do poeta à arte.

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projeto apenas de "perfeição" durante mais de trinta

anos. E isto apesar de caracterizar, de modo certeiro,


as relações entre o poeta e a linguagem, como se pode
ler no trecho seguinte:
Mallarmé compreendeu a linguagem como se ele a tives-
se inventado50.
Ou, em outro trecho, tratando das pretensões am-
biciosas do poeta:
A Poesia, para ele, era sem dúvida o limite comum e im-
possível a atingir, para a qual tendem todos os poemas e, além
disso, todas as artes51.
O que fica claro, por essas aparentes contradi-
ções, é aquilo que procura afirmar neste ensaio, desde
os seus inícios: a tradicionalidade do ensaísta ao pro-
por uma imagem de Mallarmé antes, para usar a ex-
pressão de Mário de Andrade, como "mestre do pas-
sado" do que como um escritor cuja obra final se pro-
longa, fraturando esquemas e tradições, pelo futuro. E
aquilo que ele "dizia algumas vezes a Stéphane Mallar-
mé", a sua solidão entre os escritores do tempo, o seu
reconhecimento por apenas alguns "poucos felizes", o
que havia de fino e acabado em sua obra, antes se re-
fere ao Mallarmé dos Sonetos e do Parnasse do que ao
último e mais radical Mallarmé, o de Un Coup de Dés
e dos fragmentos de "Le Livre".
Por isso mesmo, não é de estranhar que, no texto
seguinte da edição "Pléiade", "Stéphane Mallarmé”,
conferência realizada na Université des Annales, em ja-
neiro de 1933, o exemplário de que se utiliza da obra
mallarmeana exclua aqueles textos: os seus exemplos
são "Brise Marine", "Les Fenêtres", "Hérodiade", com
pequenas excursões a "L'Après-Midi d'un Faune".
Na verdade, este texto de Valéry não é senão a
repetição, com algumas variantes que decorrem muito
mais de suas recordações de que de um esforço inter-
pretativo, de tudo o que já havia dito nos textos an-
teriores. É, por assim dizer, a definição dos propósi-
tos, das hesitações e das realizações do poeta sob o
prisma de um a priori: o seu devotamento à arte, a
(50) Ibidem, p. 658.
(51) Ibidem, p. 653.
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