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A Linguagem Poética de Mallarmé

O texto analisa a obra de Mallarmé, destacando sua abordagem sobre o fracasso da linguagem poética e a crítica aos valores tradicionais da comunicação. Mallarmé busca radicalizar a função da linguagem, propondo uma anulação da significação e revelando a impotência da poesia diante do acaso e da desordem. A obra é vista como um reflexo da incapacidade de impor sentido em um sistema literário em transformação.

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A Linguagem Poética de Mallarmé

O texto analisa a obra de Mallarmé, destacando sua abordagem sobre o fracasso da linguagem poética e a crítica aos valores tradicionais da comunicação. Mallarmé busca radicalizar a função da linguagem, propondo uma anulação da significação e revelando a impotência da poesia diante do acaso e da desordem. A obra é vista como um reflexo da incapacidade de impor sentido em um sistema literário em transformação.

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sua sacralidade.

Fazia-se do insucesso (com relação à


linguagem) o modus operandi da realização textual,
desde que a espacialização dos signos lingüísticos era
uma espécie de reductio ad absurdum de suas próprias
limitações tradicionais. O sentido não-figurativo (dis-
cursivo) com que Mallarmé procurou radicalizar as
funções da linguagem corrente da poesia, por outro
lado, mais do que uma crítica dos valores significan-
tes importava na destruição da figura (sentido) do dis-
curso enquanto resíduo essencial da comunicação poé-
tica. Da mesma maneira, o projeto de "Le Livre”, re-
duzindo a zero a significação por força de uma "aber-
tura" total, mais do que a construção de "uma má-
quina para ler" era a anulação absoluta da discursivi-
dade unissignificante¹².
Em qualquer caso, a opção feita por Mallarmé
não era outra senão a do échec com relação às possi-
bilidades de audiência por parte de um público-leitor
prazerosamente ajustado ao sistema parnasiano-simbo-
lista finissecular.
Na verdade, desde os seus inícios, o texto de Mal-
larmé propõe a imagem do fracasso, do desastre que,
como já observou Maurice Blanchot, estava contido no
"Igitur", na representação da injustiça da morte, "sua
falta de precisão, seu chegar demasiado cedo ou de-
masiado tarde"13, porque, como diz o próprio poeta,
"Un Coup de Dés/JAMAIS/Quand bien même lancé
dans des/circonstances éternelles/du fond d'un naufra-
ge/" não suprimirá o acaso, a desordem, a atração
para o abismo da morte e da noite sem-razão.
E esta impotência, dirigindo a fabrication poética,
está inclusa como fracasso nas mais recônditas dobras
da linguagem, de sua destinação entrópica. A sua di-
reção, por isso, é mesmo o reverso de uma marcha
para algum lugar ou alguma coisa mastro que se
rompe por força das rudes vagas da impossibilidade
de impor o domínio da consciência sobre os obscuros
recursos de que se vale a linguagem. Por isso, a sua
obra, "se é que se pode chamar obra a uns tantos sig-
(12) Cf. Umberto Eco em Obra Aberta, São Paulo, Editora Pers-
pectiva, (1968), "Análise da Linguagem Poética", pp. 67-92.
(13) Cf. "La Obra y el Espacio de la Muerte" em El Espacio Lite-
rario, Trad. esp. de Vicky Palant e Jorge Jinkis, Buenos Aires, Editorial
Paidós, (1969), p. 107.
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