a ser necessariamente uma reflexão sobre o modo pelo
qual o tropo é por assim dizer consumido historica-
mente no espaço do poema mallarmeano.
Persistência da Linguagem
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Chega-se assim a repensar uma série de termos
significado, significação, estrutura, metáfora, diacro-
nia, sincronia, história etc. que, por sua evidente
operacionalidade, persistem no vocabulário da crítica.
Por outro lado, os exercícios de definição até aqui rea-
lizados revelam como objeto de indagação por assim
dizer controlador aquilo que Hugo Friedrich chamou
de "estrutura da lírica moderna"36, isto é, o próprio
tecido de tensões internas que explica a existência do
poema, da poesia, a partir de Baudelaire. Existência
que, é certo, em determinados casos no de Rim-
baud, no de Lautréamont, por exemplo se traduz
antes em termos de uma desistência da lírica, apontan-
do, de certa maneira, para aquilo que Jean Cohen cha-
mou de involução da linguagem poética moderna³7. É
também o que se pode ler em Friedrich quando lembra
que os poetas modernos são mais facilmente descritos
a partir de categorias antes negativas do que positivas38.
"Ou o que Maurice Blanchot, em La Part du Feu, es-
tudou como sendo a ambição máxima de Mallarmé:
"criar uma linguagem antes de 'ausência' do que de
presença uma linguagem em que as palavras ne-
gassem seus objetos em lugar de designá-los"39. Esta
interpretação do argumento de Blanchot é de Joseph
Frank que, por sua vez, buscou também aproximar-se
de uma definição da nova realidade do poema moder-
no, caracterizando-a pelo que chamou de "o princípio
de referência reflexiva"40. No trecho dedicado à poesia
moderna, incluído no ensaio sobretudo interessado na
forma espacial do romance moderno, tal princípio é
esclarecido do seguinte modo:
(36) Cito a obra pela tradução espanhola de JUAN PETIT, Estructura
de la Lírica Moderna, Barcelona, Seix Barral, (1957).
(37) Em Structure du Langage Poétique, Paris, Flammarion, (1966).
(38) FRIEDRICH, Hugo. Op. cit. p. 21 ("Categorias Negativas").
(39) Em JOSEPH FRANK, The Widening Gyre, Crisis and mastery in
modern literature, Bloomington & London, Indiana University Press,
(1968), p. 13.
(40) Idem, ibidem, p. 14.
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