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A Experiência do Poema e sua Interpretação

O texto discute a intransitividade do poema como um a priori que orienta a experiência do leitor e limita a decifração. A leitura do poema é um processo complexo que envolve a articulação de significados e a classificação em gêneros, o que estabelece um horizonte interpretativo. A crítica literária enfrenta o desafio de evitar a tautologia ao tentar definir a natureza da poesia.

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A Experiência do Poema e sua Interpretação

O texto discute a intransitividade do poema como um a priori que orienta a experiência do leitor e limita a decifração. A leitura do poema é um processo complexo que envolve a articulação de significados e a classificação em gêneros, o que estabelece um horizonte interpretativo. A crítica literária enfrenta o desafio de evitar a tautologia ao tentar definir a natureza da poesia.

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prio autor ou a seu assunto"19.

Desta maneira, a no-


ção de intransitividade é sobretudo um a priori que
permite o controle da experiência do poema pelo leitor,
assentando limites razoáveis de decifração. Mesmo por-
que a existência do poema enquanto poema só se rea-
liza efetivamente pela experiência de um leitor que a
ela confere validade num conjunto de seres culturais
que habitam um mesmo espaço de realidade histórica.
É a consciência deste arriscado processo de revezamen-
to de focos que permite a superação do demônio da
tautologia que persegue qualquer explicitação de lei-
tura do poema através do texto crítico, como ficou
dito nas páginas iniciais deste ensaio. Ou, para nova-
mente citar E. D. Hirsch:
o julgamento de um poema particular enquanto poe-
ma é uma tarefa inerentemente impossível, uma tarefa mal
concebida, disfarçada por uma repetição verbal. É próprio
julgar alguma coisa de acordo com sua natureza, porém no-
ções tão rudes e utilizáveis quanto literatura' e 'poesia' não
têm qualquer natureza além de um sistema muito complexo
e variável de semelhanças familiares20.
Do mesmo modo que a negação da transitividade
é o limite para o qual aponta o poema enquanto má-
quina de linguagem, a negação da intransitividade é o
limite do poema enquanto sistema articulador de ex-
periências.
Todavia, esse "very complex and variable system
of family resemblances", a que se refere Hirsch, uma
vez assentada a validade da articulação significado/
/significação para uma possível definição da tarefa crí-
tica, vem a ser o próprio objeto da leitura do poema
enquanto objeto estético. Na verdade o que limita o
alcance das excelentes aproximações hermenêuticas do
autor é exatamente, e por definição de sua própria
obra, a preeminência conferida ao exercício interpre-
tativo. Assim, por exemplo, a importância da classifi-
cação em gêneros, porque "classificando o texto como
pertencente a um gênero particular, o intérprete auto-
maticamente estabelece um horizonte geral para seu
significado"21, decorre antes de uma preocupação cen-
(19) IDEM Op. cit. p. 63.
(20) Idem, ibidem, p. 150.
(21) Idem, ibidem, p. 222.
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