O Guarda-Chuva que Cantava Jazz
Em uma loja de bugigangas no meio do deserto, havia um guarda-chuva que cantava
jazz. Não era um jazz qualquer — era o tipo que fazia cactos dançarem e camelos
usarem óculos escuros. O guarda-chuva se chamava Alfredo, e ele não gostava de
chuva. Na verdade, toda vez que uma nuvem passava por perto, ele fechava sozinho e
começava a tocar saxofone com sua haste metálica.
Um dia, uma senhora chamada Dona Biloca entrou na loja procurando uma torradeira
mágica. Encontrou Alfredo em cima de uma pilha de revistas antigas sobre abacates.
Ela gostou do estilo dele e decidiu levá-lo para casa, mesmo sem saber que ele cantava.
Quando o abriu pela primeira vez, no meio da sala, Alfredo começou a tocar um solo
tão intenso que a estante caiu de emoção.
Agora os vizinhos passam em frente à casa de Dona Biloca só para ouvir o som. Às
terças, Alfredo faz duetos com o ventilador. E todas as noites, antes de dormir, ele toca
uma última canção para a lua.
Ninguém sabe de onde ele veio. Talvez de um circo voador. Talvez de um sonho
esquecido.
Mas uma coisa é certa: Alfredo nunca desafina.