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Relação Sustentável na Amazônia

O artigo explora as relações de sustentabilidade e consumo entre humanos e a natureza na Amazônia, destacando a interdependência dos ecossistemas e as consequências das ações humanas. Utilizando uma metodologia qualitativa, os autores discutem contextos históricos e culturais, enfatizando que as atividades extrativas, como o cultivo do açaí, podem promover o desenvolvimento sustentável da região. As conclusões sugerem que a relação do ser humano com a natureza é fundamental para a sua própria sobrevivência e bem-estar.

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Gabriel Ferreira
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Relação Sustentável na Amazônia

O artigo explora as relações de sustentabilidade e consumo entre humanos e a natureza na Amazônia, destacando a interdependência dos ecossistemas e as consequências das ações humanas. Utilizando uma metodologia qualitativa, os autores discutem contextos históricos e culturais, enfatizando que as atividades extrativas, como o cultivo do açaí, podem promover o desenvolvimento sustentável da região. As conclusões sugerem que a relação do ser humano com a natureza é fundamental para a sua própria sobrevivência e bem-estar.

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Florencia, Colombia, Vol. 5 Núm.

9 /Julio-diciembre 2016/ 15

Artículo de investigación

Natureza e Ser Humano na Amazônia


Contemporânea
Naturaleza y Ser Humano en la Amazonía Contemporánea

Nature and human being in Contemporary Amazonia

Fecha de recepción: 14 de octubre de 2016 / Fecha de aceptación: 14 de noviembre de 2016

Escrito por: Marcio David Macedo da Silva5


Ligia Terezinha Lopes Simonian6

Resumo Resumen

Neste artigo percorrem-se as relações de En esto artículo se trabajan las relaciones de


sustentabilidade e consumo entre o ser humano e sostenibilidad y consumo entre el ser humano y
natureza a partir da capacidade de reprodução dos la naturaleza a partir de la capacidad de
ecossistemas, em que cada ação, numa parte do reprodución de los ecosistemas, en que cada
ecossistema, gera alterações em outras partes, acción en una parte del ecosistema, genera
que podem, por sua vez, iniciar mudanças novas. alteraciones en otras partes, que pueden, a su
A metodologia feita foi a qualitativa, com a vez, empezar cambios nuevos. La metodología
aplicação do método de pesquisa bibliográfica, realizada fue la cualitativa, con la aplicación del
documental. Eles técnicas empregadas para a método de investigación bibliográfica,
coleta desses dados foram as observações de documental. Las técnicas empleadas para la
campo e de pesquisa e produção de imagens recolección de los datos fueron observaciones
fotográficas. Para a análise das informações é de campo y de investigación y, producción de
usada a técnica de análise de conteúdo e análise do imágenes fotográficas. Para el de análisis de la
mesmo entendimento. Nos resultados da faz-se información se utilizó la técnica de análisis de
uma discussão sobre contextos históricos, de contenido y análisis de la comprensión. En los
economia de consumo e da cultura, com resultados se hace una discusión acerca de los
apresentação e análise da relação ser humano e contextos históricos, de economía de consumo
natureza na realidade amazônica e, também, y de la cultura, con la presentación y análisis de
mundial, com ênfase na perspectiva de que esta la relación ser humano y naturaleza en la
relação é, antes de tudo, a relação do ser humano realidad amazónica y, tambien, mundial, con
consigo mesmo. As conclusões revelam que, énfasis en la perspectiva de que esa relación es,
dando ênfase à cultura do açaí, as atividades antes de todo, la del ser humano consigo
extrativas podem contribuir com o mismo. Las conclusiones revelan que, haciendo
desenvolvimento da região e fortalecimento de hincapié en el cultivo de acai, las actividades
uma cadeia produtiva com vocação sustentável. extractivas pueden contribuir al desarrollo de la
región y el fortalecimiento de una cadena de
producción sostenible con vocación.

5
Doutor em Ciências Socioambientais - NAEA\UFPA; Mestre em Comunicação e Linguagens - UTP\PR; Especialista em
Comunicação Empresarial - PUC\PR. Professor da Universidade de Belém Pará, Brasil. E-mail: mdmacedos@[Link]
6 Doutorado em Antropologia pela City University of New York e pós-doutorado nessa mesma Universidade. É Professora Associada

IV, Regime: Dedicação exclusiva, da Universidade Federal do Pará, Belém, Brasil; junto ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos
(NAEA). Email: simonianl@[Link]

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Palavras-chave: Açaí, Amazônia, Consumo, Palabras Clave: Acai Berry, Amazonía,


Natureza, Sustentabilidade. Consumo, Naturaleza, Sostenibilidad.

Abstract

In this article, walk through sustainability and consumption relations between human and nature from the
reproductive capacity of ecosystems, in which each action, a part of the ecosystem, generates changes in
other parts, you can, in turn, start new changes. The methodology was qualitative, made with the
application of the method of bibliographical research, documentary. Las empleadas techniques for la
recolección de los datos were safety information field y de investigación y producción de imágenes,
photographs. For the analysis of information is used the technique of content analysis and analysis of the
same understanding. The results of a discussion on historical context, consumer economics and culture,
with the presentation and analysis of the relationship human being and nature on Amazonian reality and
world, too, with emphasis on the prospect that this relationship is, first of all, the relationship of the human
being himself. The findings reveal that, emphasizing the cultivation of Acai, extractive activities can
contribute to the development of the region and strengthening a sustainable production chain with
vocation.

Key words: Acai, Amazon, Consumption, Nature, Sustainability.

Introdução em sustentar o nível atual de consumo material e


as atividades econômicas, juntamente com o
O tratar-se de sustentabilidade maior ou menor crescimento populacional. Ao acompanhar-se o
no que diz respeito à continuidade da relação ser pensamento de Callai (1993), a cidade como
humano e natureza está associado à capacidade símbolo da civilização moderna reproduz o
de reprodução dos ecossistemas. Todos os seres estágio avançado de artificialização das relações
vivos necessitam dos elementos da natureza ou entre o ser humano e a natureza.
recursos naturais. Por muito tempo, esses
elementos foram considerados bens inesgotáveis A natureza é cada vez mais vista como meio
e vistos pela perspectiva econômica, para de se obter lucros, porém, a visão de que ela
manutenção de suas funções vitais. Segundo deve ser dominada, superada, conquistada,
O’Meara (1999), “[…] as cidades de hoje remete a épocas bem anteriores ao próprio
ocupam 2% da superfície da Terra, mas capitalismo moderno. Para Albuquerque (2007),
consomem 75% de seus recursos [...]” (p. 24). “O problema da sociedade atual é que as
Porém, com o aumento da população humana questões socioambientais revelam um modo de
mundial e do consumo que faz, o espaço produzir cada vez mais insustentável, que visa ao
terrestre disponível pode não ser mais suficiente lucro sem medir conseqüências e é baseado na
para sustentá-la e aos outros seres vivos. produção industrial ininterrupta e no consumo
de massa” (p. 10). E de acordo com Silva (2014),
Na compreensão de Cidin e Silva (2003, s. p.), “Muitos “Exemplar nessa direção é o equilíbrio ser
dos problemas mais sérios das cidades são humano/natureza, a essencialidade da produção,
consequências imprevistas de outras atividades, a conciliação entre exploração e preservação, o
pois cada ação, numa parte do ecossistema, gera respeito às gerações futuras, a sustentabilidade
alterações em outras partes, que podem, por sua etc.” (p. 67).
vez, iniciar novas mudanças”. Na atualidade, o
ser humano enfrenta desafios sem precedentes A temática ambiental surgiu como problema
quanto à capacidade limitada dos ecossistemas concreto em meados do século XX (Carson,

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1962), somente quando a poluição, a extinção de quantidade suficiente e apropriada para satisfazer
inúmeras espécies animais e vegetais, o as necessidades do ser humano por meio de seu
esgotamento de recursos naturais e o trabalho.
aquecimento global já se tornavam situações
preocupantes. Nas sociedades consideradas Entretanto, o desejo do ser humano de
primitivas, a natureza nem sequer era exercer seu poder, subjugando plantas, animais,
reconhecida como algo distinto dos seres elementos naturais e até mesmo outros homens
humanos e de seus espaços de vida. Se as à sua vontade, vem acarretando diversas
relações sociais não tivessem historicamente complicações ao longo da história. Os problemas
conduzido a uma ruptura entre o mundo natural socioambientais atuais são resultado de um
e o mundo social, ainda hoje, talvez, o ser humano processo longo, que teve início a partir do
se enxergasse como parte da natureza. momento em que, de acordo com Mendonça
(2005, p. 48), “[...] alguns seres humanos se
Compram-se carros modernos, aparelhos de sentiram em condições de subjugar as florestas e
DVD de última tecnologia e computadores os povos que as habitavam e fazer prevalecer
portáteis sem uma consciência ecológica de que seus modos de ser e fazer a vida”. E
cada pequeno detalhe que constitui esses concordando com Albuquerque (2007), “[Pode-
produtos teve de ser construído com matéria e se] até mesmo dizer que a desigualdade social e
energia retiradas da natureza. As teorias a crise sócio-ambiental são causadas, em sua raiz
econômicas também refletem essa alienação, mais profunda, pelo desejo do ser humano de ser
como se a economia estivesse acima da natureza superior e exercer sua vontade sobre o meio
e, de acordo com Pádua e Lago (2004): ambiente e sobre os outros” (p. 25).

A ação da espécie humana, contudo, é de Um dos elementos mais utilizados ao longo da


uma qualidade única na natureza. Pois, história, a madeira já havia se tornado escasso na
enquanto que as modificações causadas
Grécia, no final do século V a. C., e os romanos
por todos os outros seres são quase
sempre assimiláveis pelos mecanismos já reclamavam da poluição do ar antes de Cristo
autorreguladores dos ecossistemas, não (Mendonça, 2005). O ser humano sempre
destruindo o equilíbrio ecológico, a ação interferiu na natureza, porém, nem sempre essa
humana possui umenorme potencial interferência causou tantos problemas
desequilibrador, ameaçando, muitas socioambientais. De acordo com Mendonça
vezes, a própria permanência dos (2005):
sistemas naturais. (p. 28)
A diferença é que hoje a velocidade de
A espécie humana age na natureza muito mais
extração dos recursos naturais
intensamente do que os outros animais, éextremamente acelerada e os
principalmente, pelo fato de atuar não somente subprodutos gerados por essa
para retirar o necessário para sua sobrevivência, transformação não são reintegráveis aos
mas também para satisfazer necessidades ciclos naturais, ficando depositados nos
socialmente construídas. solos, nas águase no ar, em diversas
formas de poluição. As armas de guerras
são mais evastadoras. Mas os impactos
Assim, a ação do ser humano sobre a negativos de nossa ação são mais antigos
natureza, ao contrário dos animais (estes do que costumamos imaginar. (p. 68)
consomem de maneira instintiva, homogênea e
regular), é socialmente diferenciada e baseada Algumas sociedades indígenas são testemunhas
em diversos tipos de motivação. Embora as vivas da relação entre o ser humano e a natureza
necessidades humanas sejam socialmente no período pré-histórico, onde ambos eram um
construídas, a possibilidade de satisfazê-las é só e não poderiam separar-se.
determinada pela disponibilidade de recursos
naturais. Isso na medida em que apresentem

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É razoável pensar que sempre houve e também sobre os contextos de uma economia
exclusão, guerras e injustiça e que, portanto, de consumo e da cultura. Depois, apresenta-se e
essas são características inerentes ao ser humano analisa-se a relação ser humano e natureza nos
de qualquer época, sendo impossível uma contextos amazônico e mundial. Por fim, têm-se,
sociedade viver sem tais conflitos. Contudo, ainda que suscintamente, as conclusões as quais
segundo Albuquerque (2007), “[...] na pré- revelam que, dando ênfase à cultura do açaí, as
história, os povos de cultura matriarcal atividades extrativas podem contribuir com o
mantinham uma relação equilibrada e desenvolvimento da região e fortalecimento de
harmoniosa com a natureza e com seus uma cadeia produtiva com vocação sustentável.
companheiros, repartindo o alimento que
conseguiam e ajudando-se mutuamente” (p. 32). Aspectos Teóricos sobre a Relação Ser
No entanto, isso não significa que as sociedades Humano E Natureza
pré-históricas não conhecessem as dificuldades e
os conflitos existentes entre grupos de regiões As raízes de nossas crises globais atuais
diversas e disputas internas quando havia remontam a algumas mudanças grandes que
escassez de alimento ou moradia. foram ocorrendo gradativamente na passagem
do período pré-histórico para o período
Abordagem metodológica histórico. A análise da historiadora Eisler (1989)
sugere que o problema não se encontra na
Do ponto de metodológico, trabalhou-se com tecnologia em si, mas na ênfase dada a seu uso, o
uma abordagem qualitativa, o que envolveu que amplia os horizontes e abre a mente para
pesquisa bibliográfica, documental e também possibilidades novas, visto que o
observações feitas em campo e pesquisa e a desenvolvimento de tecnologias, como o das
imagética de produção fotográfica. Como artes, é expressão fundamental da natureza
método de análise usou-se a ‘análise de humana. Antes, o modo de pensamento era
conteúdo’ e a partir do entendimento de Bardin coletivo e participativo e permitia entender a
(2006), que propõe a análise das mensagens – em comunhão das pessoas com os rebanhos, as
termos de conteúdo e expressão desse pastagens e os outros animais, enfim, com a
conteúdo – e, inclusive, permitindo inferências. natureza.
Mas seus limites hão de ser ressaltados, como os
propostos entre outros por Flick (2009), ao Na separação entre sujeito (ser humano) e
afirmar que “[...] a interpretação de dados é a objeto (natureza), está a gênese dos problemas
essência da pesquisa qualitativa, embora sua ambientais, pois acabou provocando uma falsa
importância seja vista de forma diferenciada nas impressão de que, se o ser humano não faz parte
diversas abordagens” (p. 276). da natureza, interferir nela não trará
conseqüências para ele, tornando-se um simples
A utilização de fotografias e de figuras ressalta objetode exploração. A relação ser
a importância da imagética ou visualidades, as humano/natureza é, antes de tudo, uma relação
quais são essenciais para a compreensão da do ser humano com ele mesmo, que age na
relação natureza e ser humano. Vejam-se natureza a partir de sua vontade e de seus planos.
Malinowski (Samain, 1995) e Simonian (2007) Embora a natureza tenha uma dinâmica própria
sobre a centralidade desses materiais na de transformação, o ser humano também causa
produção científica. Ainda, elas revelam problemas ambientais que ameaçam extinguir a
conteúdos ou mensagens, o que é essencial para espécie humana.
a construção dessa relação e para as suas
implicações teóricas e sociais.

Feitas estas condiderações introdutórias e


metodológicas, o que segue é uma discussão
sobre a relação que historicamente se estabelece

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Foi na Idade Moderna que se desenvolveu diminuem a sua capacidade de regenerar-se,


uma concepção de Physis 7 que já era considerada afetada principalmente pela humanidade, que
inferior ao ser humano e deixou de ser orgânica terá que reverter tal situação para sua própria
e divina e passou a ser racional e controlável, sobrevivência.
ficando pronta para funcionar como fonte de
matérias-primas para as indústrias. Desde então, Conforme Koshiba (2004), “Houve práticas
a intensidade da ação do ser humano sobre a capitalistas muito antes da existência do
natureza só tem se tornado maior como visto na capitalismo como sistema econômico” (p. 228).
formação da sociedade de consumo, na Mas foi na Era Moderna que produzir para
substituição tecnológica rápida característica da vender e lucrar tornou-se a regra geral. Desse
Revolução Tecnocientífica. A crise modo, foram se desenvolvendo na Europa as
socioambiental tem se agravado a cada dia e se condições necessárias para o capitalismo
manifestado de maneiras diversas, como se pode industrial e a expansão ultramarina e a
constatar com as consequências do aquecimento colonização da América abasteceram o mercado
global, dos tipos variados de poluição, da chuva europeu com riquezas que aceleraram a
ácida, da escassez de recursos naturais e de água acumulação de capitais. É importante destacar,
potável, entre outros fenômenos. aqui, que o capitalismo é uma construção
histórica e não uma realidade inerente à
O consumo é um fator crítico na relação existência do ser humano.
entre pessoas e o ambiente, pois a humanidade
tenta modificar o ambiente físico para atender as A partir do século XIX, ciência e técnica
suas necessidades imediatas, porém, sem passam a adquirir um significado central na
respeitar os processos naturais que permitem a sociedade. A natureza, cada vez mais tratada
reprodução dosecossistemas. Para Cidin e Silva como algo a ser dominado e possuído, passa a ser
(2003), “Apesar dos alcances tecnológicos, dividida em biológica, física e química e o ser
econômicos e culturais, o ser humano humano é dividido em antropológico, histórico,
permanece um ser ecológico como qualquer sociológico, psicológico, econômico e político, o
outra espécie, dependentes da natureza” (s. p). que, aliás, não escapou a Marx (2011; 1981-
Com a aceleração do tempo capitalista, há o 1975), principalmente quando trata dos das
descompasso entre o tem poder de sociedades pré-capitalistas e das relações de
regeneração, a formação da biosfera e o tempo trabalho. Efetivamente antes integrado, o mundo
de consumo e transformação em produtos não- passa a ser dividido em áreas do saber
recicláveis ou de alta entropia por parte do fragmentadas, com a impressão falsa de que são
sistema econômico. independentes e não se interrelacionam.

Mesmo com o consumo intenso dos recursos A Era Contemporânea teve início com a
naturais nos últimos anos, a natureza possui uma Revolução Francesa, em 1789, e permanece até
reserva de recursos que, por algum tempo, pode hoje. O capitalismo do mundo contemporâneo é
ser usufruída pela humanidade. Assim, os um sistema econômico baseado na propriedade
excessos praticados pelo ser humano passam privada dos meios de produção e na propriedade
despercebidos ante a adaptação humana aos intelectual, que tem como objetivo a obtenção
problemas: por exemplo, se a camada de ozônio de lucro através do risco do investimento. Nas
é danificada, usa-se mais bloqueador solar, se palavras de Albuquerque (2007), “A sociedadede
falta água aqui, busca-se em outro lugar etc. Esse consumo atual é caracterizada por profundas
overshoot enfraquece como se depreende de crises sócio-ambientais e sócio-econômicas,
Cidin e Silva (2003, s. p.), as reservas da natureza resultantes do ideal do progresso e do

7Physis vem do verbo phyomai, que significa emergir, nascer, originária criadora de todos os seres, responsável pelo
crescer: processo de nascimento. Designa tudo aquilo que surgimento, transformação e degeneração deles (Chauí,
brota, cresce, surge, vem a ser. É tudo o que é vivo, é a força 1994).

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desenvolvimento tecnológico” (p. 48). A despertando para a necessidade de se


produção em massa de produtos muitas vezes minimizarem os efeitos dessa produção
supérfluos estimula a degradação ambiental e a desenfreada de bens supérfluos. Segundo essa
exploração dos elementos naturais em tal ideologia, para Pádua e Lago (2004), “[...] o
velocidade e intensidade que se torna impossível crescimento acelerado e sem limites da
para a natureza se recompor na escala de tempo produção material não só é possível e necessário,
humana. como também define o próprio nível de
‘progresso’ do país” (p. 46).
Para influir nas mudanças de hábitos da
população, as indústrias de produção de bens O conhecimento sobre o planeta ainda é
começaram a se integrar às empresas de pequeno, mas suficiente para saber que é preciso
prestação de serviços, especificamente aos aprender a habitá-lo e usufruir dele de maneira
meios decomunicação de massa, como jornais, consciente e responsável, para que possa
televisão e rádio. Essas empresas procuram sustentar também as gerações futuras. E de
estimular o interesse nas pessoas de uso de acordo com Fernandez (2004), as alterações
novos produtos, principalmente através de ambientais ocorrem por inumeráveis causas,
propagandas. Nas palavras de Kupstas (1997), “A muitas denominadas naturais e outras oriundas
associação entre esse modelo de produção em de intervenções antropológicas, ou seja, não
série, adotado pelas indústrias, e as empresas de naturais. Porém, é fato que o desenvolvimento
prestação de serviços caracterizam uma nova tecnológico contemporâneo e as culturas das
sociedade: a sociedade de consumo” (p. 99). comunidades têm contribuído para que essas
alterações no e do ambiente se intensifiquem,
Entende-se “sociedade de consumo”, de especialmente no ambiente urbano.
acordo com Baudrillard (2006), como sendo o
estágio atual da sociedade, iniciado nos fins do O morador urbano anseia viver,
século XX, com registro de aumento da oferta e independentemente de classe social, em um
consumo de bens, produtos e serviços ambiente saudável que apresente as melhores
diversificados, desencadeando diversos condições que favoreçam a qualidade de vida.
problemas ambientais associados ao acúmulo de Entretanto, para Mucelin e Bellini (2008), “[...]
resíduos pós-consumo. Para ele, a sociedade de observar um ambiente urbano implica em
consumo não se caracteriza somente pela perceber que o uso, as crenças e hábitos do
profusão de bens e serviços, mas também morador citadino têm promovido alterações
porque tudo é serviço. Ainda segundo ambientais e impactos significativos no
Baudrillard (2006), “[...] o que se oferece para ecossistema urbano" (p. 112). É nesse contexto
consumir nunca se apresenta como produto que se observa, de acordo com Capra (2006),
puro e simples, mas como serviço pessoal e “[...] por meio dos fluxos financeiros globais, a
como gratificação” (p. 18). Porém, o tentativa de desagregação entre os elementos
consumismo em excesso desencadeou diversos trabalho e capital [...] graças ao avanço da
problemas ambientais, de dimensão perigosa tecnologia, desvinculando-se do trabalho
tendo em vista a mudança no perfil do lixo humano” (p. 148-149).
produzido diariamente.
No campo econômico, ocorreu o surgimento
A sociedade de consumo tem sido de um mercado e de empresas globais com o
caracterizada pelo uso de uma quantidade de consequente declínio das empresas nacionais,
bens e serviços muito maior do que a necessária, especialização flexível e descentralização da
sendo o termo “consumismo” referido à produção. No campo social, houve a
atividade de usar os recursos naturais até a intensificação da cultura e ideologia em direção
exaustão. Assim, devido ao uso excessivo desses ao desenvolvimento e promoção de modos de
recursos e da produção excessiva de lixo e pensamento e comportamento mais
poluição, a sociedade de consumo global vem individualistas. E a globalização – fenômeno

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determinante de aprofundamento da integração regidas pelo tempo da natureza, o rio” (p. 1).
política, econômica, social, cultural – resulta do Nesse sentido, é necessário entender essa
crescimento acentuado das trocas de realidade amazônica diferenciada para se poder
mercadorias, da intensificação dos movimentos compreendê-la, a partir do entendimento
de capitais, da circulação de pessoas, do necessário de que muitos dos modos de vida da
conhecimento, da informação e de contradições região ocorrem por meio de uma relação
resistentes. histórica com o meio ambiente mais natural.

Ainda conforme assinala Mucelin e Bellini O olhar estrangeiro imagina-os pessoas que
(2008), “O modelo econômico atual traz consigo vivem na beira do rio, com uma economia fraca
o desenvolvimento tecnológico, criado e gerado sustentada por uma pesca rudimentar, limitada
para o conforto e o bem-estar do indivíduo, criação de animais e uma pequena agricultura
levando à intensificação do uso de materiais familiar de subsistência. Para Santos, Salgado e
descartáveis, ocasionando, por conseguinte, um Pimentel (2012), “[...] sendo herdeiros dos
aumento da quantidade de resíduos gerados e conhecimentos de antepassados indígenas e
não utilizados pelo indivíduo” (p. 112). Essa tantos que se aventuraram no meio da região
possibilidade de esgotamento dos recursos amazônica, [os ribeirinhos] usufruem da natureza
naturais, bem como as demais preocupações de maneira responsável, pois é dela que provêm
levantadas pelos ambientalistas precede uma [...] também o sustento” ( p. 4). Assim, interessa
captura das ideias de preservação ambiental observar o modo como esse grupo contribui
pelos mercados com vistas a sua própria para a implantação de uma política nova de
sobrevivência. acesso e uso de recursos naturais na Amazônia,
mesmo que destituído de força econômica e de
Isso porque, de acordo com Capra (2006), poder político.
“[...] a desigualdade social e a degradação
ambiental começam a aparecer – junto com o Mas esses povos desenvolveram um modus
desenvolvimento da globalização – como fatores vivendi centrado na biodiversidade e na
que geram certo ressentimento da sociedade, sustentabilidade (Simonian, 2005), isso ao longo
em vista das consequências negativas de milênios ou mesmo de centenas de anos. E,
ocasionadas” (p. 167). Nesse sentido, tais desde então, por certo muitas contradições vêm
consequências do uso desmedido dos recursos permeando tais trajetórias. Precisamente, para
naturais lançam luz à Amazônia. Essa é região de Fraxe, Witkoski e Miguez (2009):
maior e mais rica biosociodiversidade do planeta,
com as suas possibilidades variadas de economias [...] é preciso entender que os povos da
sustentáveis. Amazônia não vivem isolados no tempo e
no espaço, pelo contrário, sempre
estabeleceram — e continuam a
Resultados. estabelecer — relações de trocas
materiais e simbólicas entre si, com as
Seres Humanos e Natureza na Amazônia. A comunidades vizinhas e com os agentes
Amazônia não é homogênea, ao contrário, é uma mediadores da cultura, entre o mundo
região complexa e diversificada, que contrasta rural e o urbano e a vida em escala global.
com a visão externa à região, homogeneizadora (p. 30)
e que a vê como floresta, como atrasada, como
A ideia de que esses povos sustentam um modo
reserva de recursos, como fundo do Brasil. Tal
de vida estritamente tradicional não pode ser
visão é construída, de acordo com Santos,
reificada, tal como se vivessem de modo estático
Salgado e Pimentel (2012), “[...] principalmente
e congelado.
pelas populações citadinas, por sobreviverem a
Por sua vez, as populações tradicionais
partir da pesca, extrativismo vegetal e pequenas
apresentam uma relação menos impactante para
plantações de subsistência, com vida e dinâmicas
o meio ambiente, isso porque existe uma relação

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simbiótica destas com a floresta e seus saberes de produtos não-madereiros, inclusive a


tradicionais asseguram essa relação (Simonian, comercialização do açaí (fruto do açaizeiro;
1997, apud Cardoso, 2010). Suas manifestações Euterpe oleracea Mart.), que será tratado a
culturais e sociais se expandem pelo mundo seguir, fortalece a rede de empreendimentos
urbano e vice-versa, ainda que reproduzam local e proporcionam o desenvolvimento social
manifestações ditas tradicionais em suas vidas de populações tradicionais.
cotidianas. É preciso perceber que, para além da
paisagem natural, harmônica e romântica, há No mercado de econegócios, o Pará tem se
paisagens socialmente construídas em relações destacado pela produção de óleos provenientes
contrastantes e contraditórias. de sementes (da andiroba e da castanha-da-
amazônia), óleo-resina proveniente do tronco da
Nessa perspectiva, a região amazônica copaíba; óleo de palma (extraído da polpa do
oferece vantagens competitivas enormes pela dendê) e do óleo do palmiste (extraído das
sua floresta imensa e proporciona às suas amêndoas do dendê) 8. Também, é produtor de
populações a chance de trabalho e renda com óleo essencial de açaí (matéria-prima para a
recursos extraídos da natureza que os cerca. indústria de cosméticos), das raízes do açaí
Para Bastos, Lopes e Figueiredo (2012), “Essa utilizadas na medicina tradicional e de confecção
proporciona uma diversidade de alternativas em de biojoias, bijuterias elaboradas com sementes
relação a produtos que podem conquistar o e outros materiais de origem vegetal
mercado nacional e internacional” (s. p). Tais (NUMA/UFPA, 2003). De toda a região
produtos podem oferecer ao mercado amazônica e segundo o IBGE (2015), o estado do
consumidor novidades e, assim, criar tendências Pará situa-se como o produtor principal do fruto
inovadoras de consumo. do açaí, com produção média de mais de 109 mil
toneladas por ano, como se vê na Tabela 1.
Em contrapartida, o crescimento pela busca
de produtos ecologicamente corretos aparece Tabela 1: Oferta de fruto e demanda de vinho e
como opção de consumo para produtos polpa de açaí no estado do Pará.
extrativos e amazônicos, um dos principais
incentivos às indústrias dedicarem parte de seus Ano Toneladas
produtos a esse nicho de mercado. Com isso, as 2010 106.562
2011 109.345
oportunidades economicamente viáveis
2012 110.937
existentes na Amazônia são bem mais amplas do 2013 111.073
que o agronegócio somente, aproveitando-se 2014 109.759
das vantagens competitivas da própria Fonte: IBGE, 2015.
biodiversidade da região para o desenvolvimento
do econegócio ou ecobusiness. A problemática sobre o açaí na Amazônia é
objeto de pesquisas acadêmicas como em
De acordo com Pressler (2008), econegócio Carvalho (2007), Cohen, et al., (2006), Corrêa
“[...] é caracterizado por produtos florestais não (2010), Santana, Costa (2006), Grossmann, et al.
madeireiros que têm entrado no mercado (2004), Guimarães (1998), Marinho (2005),
nacional e internacional com a “marca” da Mourão (1999), Rogez (2000) e Simonian (2014).
preservação da natureza em que estão implicito Os trabalhos destacam desde o processo de
negócios sustentáveis” (p. 5). O modo extração e manejo nos açaizais, até a criação de
sustentável de manejo desses produtos e a produtos como energéticos e mix com outras
promessa de preservar a natureza são as frutas regionais, melhoramento da produção e
principais condições para serem aceitos e produtividade, propaganda, percepções dos
negociados nos mercados globais. Os negócios consumidores, uma imagética sobre o açaí e a

8 Respectivamente, da Carapa guianensis, da Bertholletia


excelsa, da Copaifera langsdorffii e da Elaeis guineensis.

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cultura. Nas imagens abaixo (Figuras 1 a 4), têm-


se aspectos dessas questões 9.

Figura 4. Placa do Festival do Açaí de 2013;


Inhangapi, Pará.
Figura 1. Bandeira indicativa de posto de venda Fonte e autoria: Simonian, L. (2013).
de polpa ou vinho de açaí; São Sebastião da Boa
Vista, Pará. Conforme Xavier, Oliveira e Oliveira (2011),
Fonte e autoria: Simonian, L. (2012). “O açaizeiro [...] é uma palmeira tipicamente de
regiões tropicais, principalmente da região
amazônica, destacando-se entre os diversos
recursos vegetais existentes pela abundância e
produção de um importante alimento para as
populações locais, em especial as ribeirinhas” (p.
2). Sua ocorrência se dá ao longo do estuário
amazônico, além das áreas de várzeas e dos
igapós, sendo bastante comum a concentração
de açaizeiros naturais conhecidos como açaizais.

É consumido na refeição principal, puro ou


Figura 2. Polpa ou vinho de açaí preparada misturado com farinha de mandioca (Manihot
artesanalmente; Cametá, Pará. esculenta Crantz) e/ou açúcar, acompanhado ou
Fonte e autoria: Simonian, L. (2012). não de peixe frito ou carne de seca e é um
importante alimento não só de ribeirinhos, mas
também da população urbana. De acordo com
Cunha (2006):

Em outras regiões brasileiras, esse vinho


é consumido como bebida energética,
misturada com cereais, xarope de
guaraná e outras frutas tropicais. Em
alguns municípios paraenses, o açaí
também é utilizado na produção de
sorvetes, geléias, iogurtes, licores, doces,
bolos, pudins e bombons de chocolate
Figura 3. Açaí puro e em mix de frutas, de cereais; com recheio de polpa da fruta. (p. 21)
Guajará Mirim, Rondônia.
Além da região amazônica a palmeira também é
Fonte e autoria: Simonian, L. (2012).
encontrada nos estados do Amapá, Maranhão,
Mato Grosso, Tocantins e países da América do

9 Para uma imagética mais ampla sobre o açaí no contexto


econômico e cultural, especialmente de Belém do Pará, ver
Simonian (2014).

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Sul (Venezuela, Colômbia, Equador, Suriname e (Figuras 5 e 6). Dentre outros aspectos, as
Guiana) e América Central (Panamá). propriedades medicinais e o “sabor amazônico”
passaram a ser conhecidos e ganharam destaque
Como posto recentemente por Simonian mundial:
(2014), “A exploração dos açaizais e a utilização
do vinho de açaí em Belém do Pará e mesmo na
Pan-Amazônia remontam a tempos passados e
míticos e às primeiras ocupações humanas da
região” (p. 8). A relação íntima que os povos
ribeirinhos desenvolvem com o açaí tem origem
em sua ancestralidade vinculada aos povos
indígenas, cuja história mostra que a utilidade do
açaizeiro é integral. Hoje, uma bebida e cultura
alimentar da floresta foi trasformada em produto
de exportação para locais distantes e consumidas
Figura 5. Chá de açaí, proposto para
por pessoas que nada ou pouco sabem da sua
emagrecimento.
origem.
Fonte: Imagens Google.
Como relata Homma (2006), “Como sinal de
luxo, reluzentes máquinas de beneficiar açaí,
movidas a gerador, enfeitam o interior de
diversas moradias, deixando para trás a
trabalhosa tarefa de amassar com as próprias
mãos” (p. 9). As casinhas antigas com alguns pés
de açaizeiros de outrora, semelhantes às
paisagens idílicas de Paul Gauguin (1848-1903)
sofreram grandes transformações. Assim, o
extrativismo do açaizeiro no estuário amazônico
constitui-se, seja via coleta dos frutos para
produção da polpa, seja pelo corte da palmeira
para a extração do palmito, em um processo
econômico, social e cultural.

Para Silva, Santana e Reis (2006), “A


motivação do consumo se dá por razões que
sobrepujam a necessidade alimentar, mas
envolvem questões culturais e principalmente
por estética e saúde, em função das Figura 6: Suco orgânico misto de açaí com mirtilo
propriedades rejuvenescedoras, a exemplo da (Vaccinium myrtillus).
antocianina, que o açaí contém”. (p. 27) Ainda, Fonte: Imagens Google.
em estudo de Santana e de Costa (2006),
demonstrou-se que o açaí se transformou em O investimento econômico, social e simbólico
bem de luxo. Isso em função de ter qualidade, nas cadeias produtivas de produtos de base
valor agregado e de o produto ser adequado ao extrativista tem, assim, o potencial de a espécie
hábito de consumo em mercados no restante do humana explorar os recursos provenientes das
Brasil e no exterior. florestas. E a expectativa é de que isso seja feito
com sustentabilidade (Silva, 2014; Simonian,
Nessa direção, o comércio do açaí ganhou 2014). Inclusive, é fundamental que se viabilize a
proporções nacionais e internacionais. Isso pode ampliação da capacidade de regeneração desse
ser minimamente observado nas imagens abaixo recurso natural.

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gravíssimos ao meio ambiente. Diante dos


Conclusão desastres ambientais inegáveis que vêm
ocorrendo e do risco iminente da destruição de
O planejamento ambiental com interesse milhões de espécies, incluindo a humana, é
meramente econômico precisa ser reavaliado, primordial repensar-se a atuação sobre o planeta
pois, até então o acelerado desenvolvimento e para onde o antropocentrismo está levando a
industrial passou a provocar graves humanidade, que nega a dependência que tem da
consequências como, por exemplo: poluição, natureza.
desigualdades sociais e também um acelerado
crescimento da criminalidade além do alto É necessário restabelecer prioridades,
consumo. A concepção de desenvolvimento modificar a concepção que se tem da natureza e
econômico foi concebida como sinônimo de reconstruir as bases da organização
crescimento econômico. Partiu-se da ideia de socioeconômica. Caso contrário, qualquer
que todos os países tinham que seguir o padrão esforço no sentido de tentar minimizar ou
de progresso dos países ricos do primeiro eliminar os problemas ambientais será apenas
mundo. paliativo e não representará uma mudança
Note-se que os elementos fundamentais duradoura e sustentável. É fundamental que se
desse padrão eram: a inovação científica e reconheça a existência de limitesbiológicos e
tecnológica e o crescimento econômico físicos da natureza, a parte principal da
contínuo e ilimitado. Dentro desse contexto, o sustentabilidade, paraque se entenda que para se
desafio maior na Amazônia é conciliar a reduzirem os impactos de maneira igualitária, é
preservação do meio ambiente com as atividades preciso que o excesso e a falta encontrem um
econômicas necessárias e fundamentais. E, equilíbrio, mesmo que tênue, para
notadamente, as que são importantes para a aprofundamento das dimensões ética e social.
população local.
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preservação possibilita também a redução de Albuquerque, B. P. de. (2007). As relações entre
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uma modalidade nova de relação com a natureza, Fundação Oswaldo Cruz.
sendo necessário sair do comodismo e do
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processos dos últimos 400 anos podem ter sido Edições 70. (Obra original publicada em
um tempo longo, mas talvez necessário e 1977).
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para a construção de um projeto de vida Bastos, M. F. S., Lopes, R. H. & Figueiredo, S. C.
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Para haver interrelação entre o meio natural Baudrillard, J. (2006). A sociedade de consumo.
e o social, será relevante que haja educação e/ou Lisboa: Edições 70.
reeducação da sociedade além de uma interação
social voltada às questões ambientais. Continuar Callai, H. (1993). A cidade e a (re) criação da
com a negação de que os seres humanos não relação homem-natureza. Ciência &
fazem parte da natureza é um equívoco, pois, é Ambiente. Gov. do Estado de São Paulo,
visível que a ação antrópica deixa remanescentes 4(7), 43-53.

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