Roteiro
Personagens:
1. Vítima Gilberto Souza
● Idade: 56 anos
● Profissão: Vereador, advogado (antes da política)
● Partido: Partido Progressista da Nação (PPN)
Histórico e Personalidade
Gilberto é um político veterano com mais de 20 anos de carreira, conhecido por sua oratória
carismática e discurso contra a corrupção. No entanto, por trás da fachada pública, ele é um homem
manipulador, envolvido em esquemas de corrupção para desviar verbas públicas, principalmente em
contratos fraudulentos nas áreas de construção, saúde e transporte. Embora tenha escapado de várias
denúncias, suas ações começaram a ser mais intensamente investigadas, colocando sua posição em
risco.
Vida Pessoal e Relações
Casado com Camila Monteiro, uma socialite que já não o ama, Gilberto vive um casamento infeliz.
Sua esposa tem um caso com o personal trainer Marcelo Alencar, segredo que ele conhece, mas finge
ignorar para evitar um escândalo. Além disso, Gilberto é ausente como pai, priorizando seu poder
político e suas relações extraconjugais. Tem inimigos dentro e fora da política, como o empresário Zé
Ricão, e é odiado por funcionários, como sua secretária Renata Silveira e o motorista João Batista,
ambos cientes de seus segredos.
Motivação para o Assassinato
À medida que suas falcatruas e infidelidades vinham à tona, Gilberto estava sendo pressionado de
todas as direções. Envolvido em escândalos de corrupção e ameaçado por inimigos, ele estava prestes
a tomar medidas drásticas para proteger sua imagem, mas sua morte chegou antes que pudesse agir.
Seu assassinato não foi surpresa para aqueles que conheciam sua verdadeira face, sendo fruto de uma
teia complexa de vingança, traição e interesse político.
1. Camila Monteiro - Esposa do Vereador
● Idade: 38 anos
● Profissão: Socialite
● Descrição: Camila é uma mulher elegante e controladora. Embora inicialmente tenha se
casado por amor, o relacionamento esfriou com o tempo, e ela passou a ter um caso
extraconjugal. Sabe dos esquemas de corrupção do marido e se sente presa em um casamento
infeliz.
● Motivação: Quer liberdade e também quer evitar que o escândalo de corrupção manche a
reputação de sua família. A descoberta de seu caso extraconjugal poderia destruí-la
socialmente, então o assassinato seria uma forma de controlar a situação.
2. Marcelo Alencar - Amante da Esposa
● Idade: 35 anos
● Profissão: Personal Trainer
● Descrição: Marcelo é atlético, charmoso e vive de manipular mulheres ricas para obter
vantagens financeiras. Ele e Camila se envolveram em um caso apaixonado e perigoso, e
Marcelo não tem escrúpulos para conseguir o que quer.
● Motivação: Vê no assassinato do vereador uma oportunidade de se livrar do obstáculo e,
talvez, extorquir Camila depois. Marcelo também pode querer vingança por alguma ameaça
do vereador, que descobriu o caso.
3. Mia Silveira - Secretária do Vereador
● Idade: 28 anos
● Profissão: Secretária
● Descrição: Renata é inteligente e ambiciosa. Trabalha para o vereador há anos e conhece
todos os seus segredos e esquemas de corrupção. Embora seja leal, já se cansou de ser
maltratada e manipulada por ele.
● Motivação: Ameaçada de ser envolvida em um escândalo e ser usada como bode expiatório,
Renata viu no assassinato uma saída para se proteger e escapar das acusações.
4. José Ricardo "Ricão" - Empresário e Parceiro de Esquemas
● Idade: 55 anos
● Profissão: Empresário do setor de construção
● Descrição: Um homem influente e sem escrúpulos, Zé Ricão é um velho amigo do vereador.
Juntos, desviaram milhões em contratos de obras públicas. Contudo, uma disputa recente por
dinheiro e poder deixou Zé Ricão irritado e disposto a cortar laços de qualquer maneira.
● Motivação: Com a iminente descoberta dos esquemas de corrupção, Zé Ricão acreditou que
eliminar o vereador poderia apagar qualquer ligação dele com os crimes e, assim, evitar a
prisão.
5. João Batista - Motorista e Segurança do Vereador
● Idade: 48 anos
● Profissão: Motorista e Segurança
● Descrição: João é um homem leal, que serviu como guarda-costas do vereador por anos.
Apesar de ser reservado e discreto, ele sabe mais do que deveria sobre os segredos sombrios
de seu chefe. Recentemente, descobriu que o vereador estava envolvido em algo que poderia
prejudicar sua própria família.
● Motivação: Vingança e proteção. Ao perceber que sua família estava em risco, João decidiu
que a única forma de resolver o problema seria eliminar a fonte de todos os males: o vereador.
Cena 1: Assassinato
(Luz bem baixa, apenas uma lâmpada de mesa ilumina o rosto de Gilberto enquanto ele
escreve)
(A lâmpada pisca algumas vezes e se apaga completamente. Gilberto bate na lâmpada,
tentando ligá-la novamente.)
Gilberto:
(com impaciência)
Toda hora isso! (Ele bate mais algumas vezes na lâmpada, irritado.)
(Levantando a voz para fora da sala, com tom de autoridade)
Mia, anote para chamar o eletricista amanhã! E traga algumas velas!
(O som da porta se abrindo suavemente é ouvido. Gilberto não levanta os olhos de
imediato.)
Gilberto:
(com tom exasperado)
Mia? (Ele se levanta, tentando enxergar.)
Cadê as velas? (Ele caminha lentamente para o centro da sala, agora na penumbra.)
(Com uma voz mais séria, demonstrando impaciência)
Onde está sua educação, garota? Não vai me responder?
(Silêncio. Apenas se ouve um leve suspiro.)
Gilberto:
(agora com um tom de desconfiança, tentando ver algo na escuridão)
Mia?
(De repente, o som de uma facada cortando o silêncio.)
(Gilberto leva a mão ao abdômen, os olhos arregalados em choque. Ele cai de joelhos e
depois desaba no chão, a respiração ofegante, até que se cala.)
Direção de Arte e Ambiente
• Som ambiente: O som de um relógio de parede pode ser ouvido ao fundo, marcando o tempo e
aumentando a tensão da cena. Quando Gilberto cai, o som do ponteiro parece ficar mais alto, criando
uma sensação de urgência.
• Música: Um piano suave e dissonante pode ser tocado ao fundo, criando uma trilha tensa e
misteriosa.
• Objetos em cena: Além da lâmpada de mesa, deve haver um cinzeiro com bitucas de cigarro,
sugerindo que Gilberto estava há algum tempo no escritório, preocupado com algo.
Cena 2: Investigação
(Continuando no cenário do escritório)
(O corpo de Gilberto jogado no chão, com uma mancha de sangue perto. Há algumas plaquinha pelo
corpo para autópsia)
( Roberto e Celina na cena)
Chefe: Gilberto Monteiro Souza, vereador e advogado, assassinado ontem a noite (Acendendo um
cigarro e soltando a fumaça lentamente, enquanto encara o corpo) A autópsia vai demorar uns dois
dias... Talvez mais, dependendo do reboliço lá no IML.
Camila: Meu marido (ela chora ombro de Celina) Achem as respostas os mais rápido possível,
necessito do assassino atrás das grades!
Mia: Senhora, vamos nos retirar por enquanto, a detetive vai fazer tudo o que pode
(Mia olha pra Celina, que assente, então ela e Camila saem de cena)
Celina: (Abaixando-se ao lado do corpo e analisando a ferida com cuidado)A autópsia só vai
confirmar o que já sabemos. (Aponta para o corte) Sem indício de suicídio. Facada no lado esquerdo,
inclinada pra direita e profunda. Quem fez isso sabia o que estava fazendo. O golpe foi certeiro,
direto. Olha só a quantidade de sangue... é pouca. Ele foi pego de surpresa.
Roberto: (Com um leve aceno de cabeça)
Você faz parecer simples.
Celina: (Levantando-se e olhando o cigarro ainda aceso no cinzeiro)
O cigarro não queimou até o fim. Ele esteve aqui, sentado, por um bom tempo, tranquilo. Alguém
entrou, ele não se levantou logo de cara. Só quando percebeu que não era uma visita amigável... e aí
foi tarde demais.
Chefe: (Dando uma tragada, pensativo)
E a arma?
Celina: Sem arma encontrada na cena. Pode ter sido uma faca de caça, de cozinha, uma adaga... até
um pedaço de vidro afiado.
Chefe: Suspeitos, por enquanto, são quatro. (Folheia um bloco de anotações amareladas)
Mia Silveira, a secretária. Estava presente no prédio na hora do crime. João Batista, motorista e
segurança. Sumiu no momento exato. Camila Monteiro, a esposa. O casamento deles andava na corda
bamba, denúncias de violência, aquele tipo de coisa. E por último, Zé Ricão, parceiro de negócios e,
dizem, último a vê-lo vivo.
Celina: (Com olhar cético) Vou precisar de uma equipe pra tratar disso. É muita ponta solta pra
amarrar e como é alguém do alto escalão.
Chefe: Não.
Celina: Não?
Chefe: Apenas um
Celina: (Suspira, entendendo rapidamente)
Ele?
Roberto:(Com um olhar firme, mas cortês) — Exato. Ele deve estar aqui em dez minutos. *(Entrega
uma prancheta para Celina)* Quero que passe todas as informações a ele, mas sem muita explicação.
Ele sabe como funciona.
Celina:— Roberto, você sabe que sou mais que apta para lidar disso sozinha, se tiver o apoio que
preciso. Não precisa de dois detetives aqui.
Roberto:(Respira fundo, escolhendo bem as palavras) — Eu sei, Celina. Não duvido de você. Mas a
verdade é que, se quiserem que você assuma, é preciso ter um homem ao seu lado. E com o Mort,
ninguém vai reclamar. Vocês dois sempre foram uma dupla forte. Além do mais, acho que é um bom
momento para voltarem a trabalhar juntos depois de tanto tempo.
Celina:(Com um sorriso meio triste)* — Pode ser... talvez você tenha razão.
(A porta range e William Mort entra. Vem vestindo um terno preto bem alinhado, com o chapéu na
cabeça e aquela expressão séria que todos conhecem. O ambiente parece esfriar um pouco com sua
presença. Ele olha para Celina, como se a estudasse, depois de tanto tempo.)
Roberto: — Senhor Mort, o senhor chegou bem antes do esperado. Não perde o costume, né? (Eles
apertam as mãos)
*William:*(Tira o chapéu e acena com a cabeça)* — A pontualidade é uma virtude, Meireles. *(Olha
para Celina e se aproxima, beijando delicadamente a mão dela)* Celina.
*Celina:*(Acena de volta, com um sorriso suave)* — William. Você fez falta.
*William:*(Com um sorriso discreto, mas mantendo a frieza)* — Essa cidade nunca deixa de me
surpreender.
*(Roberto observa os dois por um momento. Sabe que está deixando tudo nas mãos de uma boa dupla,
mas sente o peso da situação. O corpo de Gilberto ainda está lá e o clima está pesado.)*
*Roberto:*— Vou falar com o promotor e tentar manter a imprensa longe por agora. Quero um
relatório preliminar em 24 horas. *(Olha para os dois)* E lembrem-se, cada minuto conta. Se não
agirmos rápido, isso vai virar um circo.
*William:* — Pode deixar, não vamos decepcioná-lo.
*(Roberto acena com a cabeça e sai, deixando a sala em silêncio. O som da porta fechando ecoa pelo
escritório vazio. William e Celina ficam a sós, trocando olhares. A tensão no ar é palpável, mas
também há algo nostálgico, como se estivessem revivendo velhos tempos.)*
*Celina: *(Com um sorriso nostálgico)* — Seis meses fora e você chega como se tivesse estado aqui
ontem. Achei que tinha deixado a cidade para trás.
*William: *(Rindo de leve)* — Abandonar tudo isso? Nunca. Você sabe que sou teimoso. Além
disso, alguém tinha que pôr ordem naquela bagunça em Ouro Preto. E você, como se virou sem mim?
*Celina:*(Com um sorriso malicioso)* — Eu estava indo muito bem sem você, obrigada. Mas admito
que senti falta da sua presença. *(Ela se inclina para olhar o cinzeiro)* E parece que você não perdeu
o jeito. Notou o cigarro também?
*William:* — Claro. Gilberto estava tranquilo, sem imaginar o que estava por vir. Quem o atacou não
fez barulho, chegou e foi direto ao ponto. *(Olha para Celina, como se tentando ler seus
pensamentos)* Tem algum palpite?
*Celina:* — Mia Silveira é a suspeita mais óbvia, mas talvez seja óbvia demais. Ela estava no prédio
e conhece todos os segredos do Gilberto. E o motorista, João Batista, sumiu na hora certa...
Coincidência demais. Mas eu tenho um palpite sobre o Zé Ricão. Ouviu falar da briga deles na
semana passada?
*William:*— Ouvi, sim. Burburinho de bar, mas sempre tem algo de verdade nesses mexericos.
Amigo ou não, o dinheiro sempre fala mais alto. *(Pega uma foto de Zé Ricão e Gilberto da mesa)*
Você acha que ele faria o serviço sujo pessoalmente?
*(Ela pega a foto e examina, mostrando Gilberto e Zé Ricão juntos numa festa. Delicadamente, abre
uma gaveta e pega um dossiê.)*
*Celina:* — Não. Gente como ele não se importa em pagar para alguém fazer o trabalho. Vamos
começar com Zé Ricão. Ele tem muitos negócios com o Gilberto, mas a relação deles nunca foi das
melhores.
*William:* — Concentremo-nos primeiramente nos dois que estavam no prédio. (Celina dá de
ombros, guardando o dossiê numa pasta) Mia Silveira e João Batista. Se encontrarmos um álibi fraco
ou alguma contradição, teremos o fio por onde puxar. Você cuida de Mia, eu seguirei o rastro de João.
Celina: *(Com um olhar direto)* — E por que eu cuido da Mia?
*William: *(Com um sorriso sutil)* — Porque você tem um jeito especial de fazer as pessoas falarem.
E ela pode se abrir mais com você do que comigo. Eu... tenho uma maneira própria de lidar com quem
tenta sumir do cenário do crime.
*Celina:*(Rindo, mas desafiadora)* — Isso se chama intimidação, Mort.
*William* — Eu prefiro chamar de eficiência.
*(Eles trocam um olhar, lembrando dos velhos tempos de parceria. Celina respira fundo e se prepara
para sair.)
*Celina:— Muito bem. Vou falar com Mia agora, antes que ela tenha tempo de ajeitar a história.
William: Certo, vamos então
(Ela sai da sala, deixando William sozinho por um instante. Ele observa o corpo mais uma vez,
pensativo, e depois dá uma última olhada no escritório antes de seguir para a porta.)
William: (Para si mesmo, em um tom baixo)
Vamos ver até onde essa teia nos leva, Gilberto.
Cena 3: Interrogatório com Mia Silveira
(É um escritório pequeno e moderno, mas a decoração tenta ser elegante: cortinas de veludo, uma
planta que parece estar morrendo no canto. Mia está sentada atrás da mesa, mexendo nervosamente
nos papéis, tentando não encarar os detetives. Celina e William entram. William segura a porta para
Celina, e a tensão entre os dois é clara, uma mistura de nostalgia e algo mal resolvido.)
William: (Olha ao redor, observando os detalhes da sala, depois fixa os olhos em Mia.) Senhorita
Silveira, obrigada por nos receber. Não queremos tomar muito do seu tempo.
Celina: (Com um sorriso simpático, tentando acalmá-la) Só algumas perguntas, Mia. Você estava aqui
ontem à noite, não é?
Mia: Sim, é…eu estava aqui até tarde, como sempre, sabe Celina. O vereador precisava de ajuda com
alguns documentos.
Celina: (Aproximando-se, com um tom mais suave) Mia, sabemos que você estava aqui, mas
queremos entender se viu ou ouviu algo fora do normal. Algo que possa nos ajudar.
Mia: (Engolindo em seco, seus olhos vão de Celina para William e de volta para os papéis) Ele tinha...
ele tinha muita coisa para revisar.
William: (Se inclinando sobre a mesa, estudando o rosto de Mia) Você ouviu algo, Mia? Gritos,
discussões?
Mia: (Apertando as mãos na xícara, visivelmente nervosa) Eu... ouvi vozes, sim. Ele me pediu velas,
não me lembro bem, me levantei, só que tudo tava tão escuro…(Ela começa a tremer muito, e segura
a mão de willian) Mas eu... eu não quero perder o meu emprego. O vereador sempre foi... complicado,
mas eu não quero criar problemas.
William: (Com um tom compreensivo) Não estamos aqui para prejudicá-la, Mia. Só queremos saber
o que você ouviu.
(Mia hesita, prestes a falar, quando a porta se abre abruptamente. João Batista entra, apressado, o rosto
pálido e assustado. Ele para ao ver os detetives e tenta recuperar a compostura.)
João: (Tentando soar casual, mas a voz treme) Não sabia que tinha gente aqui. Mia, precisamos revisar
o cronograma de hoje.
William:(Erguendo uma sobrancelha, cruzando os braços) Interessante, João. Parece que você
apareceu no momento mais conveniente. Já sabe o que aconteceu aqui?
João: O que aconteceu? É um Interrogatório isso? São detetives? Eu... eu só vim ver se Mia precisava
de ajuda e pegar umas coisas, não fiz nada
Celina: O vereador foi encontrado morto esta manhã, João. Você estava aqui ontem à noite, certo?
(João fica pálido, sua mão tremendo levemente enquanto tenta disfarçar o choque.)
João: Morto? Mas... Como assim? Não, agora nao
William: (Cortando a resposta de João) No seu álibi, você saiu para resolver algo pessoal, é isso?
Parece conveniente demais.
João: (Visivelmente irritado) — Conveniente? Vocês estão me acusando de algo? Eu não fiz nada de
errado! Eu só estava... (Ele para, percebendo a armadilha nas palavras de William.)
(Celina e William trocam olhares rápidos, percebendo que João sabe mais do que está dizendo. João,
de repente, avança para a mesa de Mia, mexendo nos papéis com pressa.)
William: (Dando um passo rápido em direção a ele) Ei, o que você está fazendo?
(João tenta pegar um documento)
(William agarra o braço de João, mas este joga uma amofada em Mia, tentando distraí-los. Celina se
joga para proteger Mia, derrubando uma pilha de papéis no chão.)
Celina: Cuidado, William!(Olha assustada)
(João e William entram em uma luta. William consegue pegar os documentos. João cai no chão,
respirando pesadamente, derrotado.)
William: (Olha para os papéis, a expressão endurecendo) Olha só o que temos aqui...
(Celina se aproxima, lendo por cima do ombro de William.)
Celina:(Com um suspiro) Então era isso que você estava tentando esconder. Você sabia, João. Sabia
que o vereador estava prestes a cair.
João: (Com lágrimas nos olhos, a voz cheia de rancor) Eu sabia que ele era um desgraçado. Ele
arruinou a vida de muitas pessoas, inclusive a minha. Mas eu... eu não fiz isso. Eu só queria proteger a
única chance que eu tinha de justiça.
Celina: (Ajoelhando-se ao lado dele, sua voz suavizando) senhor Batista, eu entendo você, mas
estamos aqui pra ajudar, se você não nos contar tudo agora, não poderemos ajudá-lo.
João: Ele ia destruir tudo. O divórcio, os documentos... ele ia fazer de tudo para sair ileso. Eu só
queria que ele pagasse pelo que fez.
William: Vingança não é a resposta pra tudo (Celina olha para ele) Fazer isso não te torna melhor que
ele
Celina: Mas claro que não seria pior.
William: Não, porém, poderia apenas pesar pro seu lado
João: (Suspira, derrotado) Ontem, depois de deixar o vereador em seu escritório, fui ao banco buscar
o extrato que provaria os esquemas dele. Podem confirmar no banco... E agora, vou ser preso?
William: (Se levanta, pensativo. Ele pega uma caneca no canto da mesa, a examina e a coloca de
volta) Isso vamos ver.
(Nesse momento, o telefone do escritório toca. Mia se levanta apressada para atender.)
Mia: (No telefone) Escritório do vereador Souza, Mia falando... Ah, sim, senhora Souza. (Ela olha
para João, hesitante) — Senhor Batista, a senhora Souza está pedindo para vê-lo agora.
João: (Suspirando) Certo... (Ele olha para william pedindo permissão pra sair) Vou com você, Mia.
William: Nem pense em fugir
(Mia e João saem rapidamente, deixando os detetives sozinhos. Celina observa o rosto de William e
percebe um corte em sua bochecha.)
Celina: (Com um olhar preocupado, tocando o rosto de William) Você se machucou. Deixe-me ver.
William: (Tentando afastá-la, mas desistindo) Não é nada, só um arranhão, precisamos ir logo atrás
do culpado.
Celina: (Com um sorriso triste, limpando o corte suavemente) Você sempre foi teimoso. Continua
igual.
William: (Olhando para ela, a voz mais suave) — Talvez porque eu sabia que você ainda se
importaria, mesmo depois de tudo.
Celina: (Desviando o olhar, mas com um sorriso) Talvez eu nunca tenha parado de me importar.
(Os dois ficam em silêncio, o clima carregado de palavras não ditas. Por fim, William se afasta e
pigarreia, tentando quebrar a tensão.)
William: Pelas provas e o depoimento, não foi nenhum dos dois, nem a Senhorita Silveira, tampouco
o Batista. Restam apenas José Ricardo e a esposa do falecido
Celina: A viúva Souza? Ela acabou de entrar em seu período de luto, William. Creio que seria
prudente dar-lhe ao menos um dia de resguardo(Olha pros lados pensativa)
William: Talvez. Ou, quem sabe, você só está sendo condescendente Celina? Desde quando a viúva de
um avarento merece tanto zelo? Independente disso, sabemos que ela se beneficiária bastante com a
queda nele, você mesma viu os papéis de divórcio
Celina: Acusa-la agora poderia soar como oportunismo. Devemos pisar com cuidado, ou acabaremos
como simples estroinas da lei, sedentos por resolver um caso sem pensar no que isso afeta os outros
William: Cuidado ou covardia? Acha mesmo que ela é uma donzela aflita? Nós estamos correndo
contra o relógio da imprensa
Celina: (Ela põe as mãos sobre as deles) pronto? Pois bem (se levanta) Zé Ricão estará presente na
festa de abertura da sua nova companhia. Duvido muito acharmos horário em sua agenda lotada, vai
ser a oportunidade perfeita para pegarmos ele.
William: Se há algo escondido, ele não conseguirá disfarçar por muito tempo.
Celina: Se há algo a se disfarçar agora somos nos mesmo, dois detetives em encontros do alto escalão
criam muito burburinho
William: Nos encontramos na porta do Ibirapuera em uma hora, então. Nada de atrasos, Bechara.
Celina:(Com um sorriso confiante) — Você sabe que nunca me atraso
Cena 4: festa
(William no centro do palco, batendo os pés impaciente, olha pro relógio e pros lados. Celina entra