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Malária: Impactos e Epidemiologia em Angola

O documento aborda as complicações da malária grave, incluindo hipoglicemia, acidose láctica, anemia e disfunção hepática, destacando suas manifestações e consequências. A epidemiologia global e em Angola é discutida, evidenciando a redução de casos e mortes, mas ressaltando que a malária continua a ser uma importante causa de mortalidade, especialmente em crianças. A situação em Angola é crítica, com um alto número de casos e mortes, e esforços estão sendo feitos para controle e prevenção da doença.

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Malária: Impactos e Epidemiologia em Angola

O documento aborda as complicações da malária grave, incluindo hipoglicemia, acidose láctica, anemia e disfunção hepática, destacando suas manifestações e consequências. A epidemiologia global e em Angola é discutida, evidenciando a redução de casos e mortes, mas ressaltando que a malária continua a ser uma importante causa de mortalidade, especialmente em crianças. A situação em Angola é crítica, com um alto número de casos e mortes, e esforços estão sendo feitos para controle e prevenção da doença.

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Hipoglicemia

A estimulação das células pancreáticas por factores derivados do plasmódiumleva a uma


situação de hiperinsulinemia que resulta em hipoglicemia. A ocorrência de episódios
hipoglicémicos pode levar a convulsões e coma. Suas manifestações se assemelham a outras
decorrentes da malária grave, como: ansiedade, taquicardia, dispneia, sudorese, convulsões
generalizadas e coma, tornando o seu diagnóstico difícil de ser realizado (Gomesetal., 2011).

Acidose Láctica

O aumento anaeróbico da glicose leva a uma condição denominada acidose láctica. Isso
ocorre devido à mudança das condições aeróbias do metabolismo, para uma condição anaeróbia, o
que leva a um aumento da concentração dos níveis de lactato no sangue (Gomesetal., 2011). A
mudança para o metabolismo anaeróbio ocorre pela hipóxia tecidual decorrente do estado de
anemia, aumento da actividade muscular durante as convulsões, elevação da demanda nutricional
pelos eritrócitos parasitados, deficiência de tiamina provocando inibição da oxidação da glicose na
mitocôndria de eritrócitos parasitados, febre, aumento dos níveis de citocinas e decréscimo da
depuração do lactato pelo fígado através da redução do fluxo sanguíneo hepático (Gomesetal.,
2011).

Esses pacientes passam a realizar hiperventilação, uma tentativa do organismo para gerar
um estado de alcalose, compensando assim a acidose láctica (Gomesetal., 2011).

Anemia

A anemia na malária grave é caracterizada por hematócrito inferior a 15% e concentração de


hemoglobina inferior a 5 mg/dl. É uma manifestação precoce e muito comum em pacientes
portadores de malária, ocorrendo devido a destruição ou sequestro de hemácias, alterações na
eritropoese e perda sanguínea por coagulopatia (Gomeset al., 2011).

Diversas alterações na expressão de citocinas promovem susceptibilidade à anemia grave:

a) A citocina IL-6 é responsável pela expressão de hepcidina, responsável pela regulação da


homeostasia sistémica do ferro, oque leva a uma diminuição do ferro disponível para o
processo de eritropoese;
b) O factor de transformação do crescimento (TGF) é responsável por inibir a proliferação dos
eritroblastos;
c) TNF-alfa é responsável pela maior clivagem do factor de transcrição eritrocitária o INF-
gama induz a produção de ligante indutor de apoptose pelos macrófagos (Gomesetal., 2011).
A infecção concomitante por vírus, bactérias e outros parasitas aumentam o risco para
desenvolvimento de anemia e também a sua gravidade. Alterações genéticas como
hemoglobinopatias, e deficiências nutricionais também promovem essas condições (Gomesetal.,
2011).

Disfunção hepática

Manifesta-se principalmente por icterícia, hepatomegalia e leve aumento dos níveis séricos
de aminotransferases. Em alguns casos há alteração nos aspectos funcionais do órgão, de modo a
haver:

a) Redução na produção dos factores da coagulação;


b) Dificuldade da metabolização deanti-malárico;
c) Alterações na gliconeogênese (Gomesetal., 2011).

Tais alterações levam à insuficiência hepática aguda (Gomesetal., 2011).

1.5- Epidemiologia no mundo

O número de casos de malária a nível mundial passou de uma estimativa de 262 milhõesem
2000para 214 milhões em 2015, com uma diminuição de 18%. A maioria dos casos em 2015 estima-
se que tenham ocorrido na continente Africano (88%), seguido pelo Sudeste da Ásia (10%) e do
Oriente, Região do Mediterrâneo (2%). O número de mortes por malária no mundo caiu de 839 000
em 2000 para 438 000 em 2015, um declínio de 48%. A maioria das mortes em 2015 foram na região
Africana, 91% (OMS, 2015).

O número de mortes por malária em criançascom idade inferior a 5 anos estima-se que
diminuiu de 723 000 a nível mundial em 2000 para 306 000 em 2015. A maior parte desta
diminuição ocorreu na Região Africana, como resultado, a malária não é mais a principal causa de
morte entre ascrianças na África subsaariana. No entanto, a malária continua a ser uma importante
causa de morte destas crianças, ceifando a vida de uma criança a cada 2 minuto, na África
Subsariana.(OMS, 2015).

1.5.1- Epidemiologia em Angola

A malária continuar a ser a principal causa de morte em Angola com mais de 16 óbitos por
dia, sendo considerada pelas autoridades de saúde angolana como caso de saúde pública.
De acordo com números do coordenador do programa nacional de controlo de malária,
Filomena Fortes, divulgados em Luanda apresenta que um registo anual de três milhões de casos
clínicos numa população que ronda os 24,3 milhões e 6000 óbitos.

Em 2013 foram registadas 6.916 mortes entre 2.592.742 casos de malária confirmados em
Angola, afectado sobre tudo em crianças e mulheres. Segundo ela a malária continua a ser o maior
flagelo do pais, com a posta de prevenção a recair sobre a distribuição e utilização de redes
mosquiteiras para evitar a transmissão pela picada do mosquito.

O Ministério da saúde angolano tem como objectivo de avançar com uma redução de 20%
de mortalidade pela doença nos pais. (Programa nacional de controlo de malária2011).

O paludismo ou malária em Angola ainda é a primeira causa de morte, de doença e de


absentismo laboral e escolar. Esta representa cerca de 35% da demanda de cuidados curativos, 20%
de internamentos hospitalares, 40% das mortes perinatais e 25% de mortalidade materna (Programa
Nacional do Controlo da Malária, 2010). A malária tem, não só um impacto negativo sobre a saúde
das populações, como também sobre o desenvolvimento social destas tornando-as mais pobres.

A malária é endémica nas 18 províncias do País, com a transmissão mais elevada registada
nas províncias nortenhas (Cabinda, Uíge, Malange, Kuanza Norte, Lunda Norte e Lunda Sul). Nas
províncias do sul (Namibe, Cunene, Huíla e Kuando Kubango) ocorrem surtos epidémicos. Nota-
se um aumento de transmissão durante a estação das chuvas, com um pico entre os meses de Janeiro
e Maio. As áreas hiperendémicas são áreas onde a transmissão é intensa e áreas mesoendémicas são
áreas onde a transmissão é moderada. (Programa nacional de controlo de malária2011).

Plasmódium falciparum no Plasmódium falciparum na


esfregaço sanguíneo gota espessa
1.5.2-Epidemiologia no Uíge

Soubemos a realidade da malária sendo uma das causas de morte no nosso pais a nossa
província não foge a realidade , temos registado alguns casos de morte por malária em algumas
unidades sanitárias da província (Programa de Combate á Malária. Gabriel Mambo).
A subida de casos se deve ao aumento de serviços as populações, proporcionados pela
direcção provincial da saúde, cujo serviços de tratamento da malária estão garantidos nas unidades
sanitárias, assim como os meios de diagnósticos e confirmação do parasita em teste rápido e de
microscopia óptica. ( Programa de combate a Malária).

Os municípios da província (Puri, Ambuila , Bembe, Quitexe), lideram a lista de municípios


endémico de malária na província. Em termos de prevenção, a direcção de saúde no Uíge tem estado
a trabalhar junto de parceiros para sensibilização, não só da malária, mas também de outras
doenças). ( Programa de combate a Malária ).

Com a cooperação de agentes tradicionais , adecos está a se tratar a eliminação de charcos


para diminuir a multiplicação do vector assim como a sensibilização da população. Para tal, Gabriel
Mambo, apontou tanto as organizações não governamentais, parceiras do estado e outras que
deverão desdobrar-se na campanha de sensibilização da eliminação de lixeiras, cultivando deste
modo a higiene nas comunidades, assim como melhorar os mecanismos do IEC (Informação e
Educação Comunitária) através dos órgãos da comunicação social (Programa de Combate a Malária
2024).

Na base da estratégia da redução da malária na província, a saúde pública aumentou diversas


condições para facilitar o diagnóstico e tratamento dos utentes, ao mesmo tempo que foram
promovidas acções de formação técnica aos profissionais do sector. A distribuição de mosquiteiros,
a par da sensibilização e educação da população sobre os cuidados primários de saúde, têm sido
levadas a cabo junto das comunidades, com a colaboração das administrações municipais e
comunas. Também o sector está a desenvolver projectos de impacto social que se resumem ao
tratamento anti-larval, diagnóstico precoce e tratamento hospitalar. Dado o aumento e crescimento
da densidade populacional, receia-se o surgimento de indicadores de doenças que requerem mais
atenção e resolução prioritária. (Programa de Combate a Malária 2024).

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