Roteiro de Revisão: Administração Pública
Roteiro de Revisão: Administração Pública
Túlio Lages
Aula 00 Lages
Tulio
Aula 00
A ideia desta seção é apresentar um roteiro para que você realize uma revisão completa do
assunto e, ao mesmo tempo, destacar aspectos do conteúdo que merecem atenção.
Para revisar e ficar bem preparado no assunto, você precisa, basicamente, compreender e
memorizar os pontos a seguir:
Organização administrativa
Órgão x entidade
- Centralização é o desempenho direto, por parte do Estado, das tarefas a ele incumbidas, por
intermédio de órgãos e agentes administrativos que compõem sua estrutura.
controle mais amplo e rígido que na descentralização por serviço, bem como dispor do serviço
de acordo com o interesse público, podendo alterar unilateralmente as condições de sua
execução, aplicar sanções ou retomar a execução do serviço antes do prazo estabelecido.
A descentralização por colaboração é a que ocorre nas concessões, permissões ou autorizações
de serviços públicos.
- Descentralização territorial: é a ocorre quando uma entidade local, geograficamente
delimitada, dotada de personalidade jurídica própria, de direito público, possui capacidade
administrativa genérica (ou seja, não regida pelo princípio da especialidade, como ocorre no
caso das entidades da Administração Indireta) para exercer a totalidade ou a maior parte dos
encargos públicos de interesse da coletividade – funções que normalmente são exercidas pelos
Municípios, como distribuição de água, luz, gás, poder de polícia, proteção à saúde, educação.
A descentralização territorial também compreende o exercício da capacidade legislativa, porém
sem autonomia, porque subordinada às normas emanadas pelo poder central.
A descentralização territorial é a que ocorre nos Estados unitários, como França e Portugal,
constituídos por Departamentos, Regiões, Comunas etc.
No Brasil, pode ocorrer atualmente na hipótese de vir a ser criado algum Território Federal, nos
termos do art. 18, § 2º da CF/88:
CF/88, art. 18, § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
Perceba que, no Brasil, os territórios, embora possuam personalidade jurídica própria, não são
dotados de autonomia política – não são entes federados, na verdade eles integram a União,
consoante dispositivo transcrito acima.
- É uma técnica administrativa de distribuição interna de atribuições, na qual a entidade (seja ela
política ou administrativa) se desmembra em órgãos para melhorar sua organização estrutural
com vistas a aprimorar o desempenho. Ela pode se dar em razão da matéria (ex: Ministério da
Saúde, da Educação etc.), do grau ou da hierarquia (ex: ministérios, secretarias,
superintendências, delegacias etc.) ou pelo critério territorial (ex: Superintendência da Receita
Federal em São Paulo, no Rio Grande do Sul etc.).
A atividade administrativa continua sendo exercida pela mesma pessoa jurídica, já que o órgão
resultante da desconcentração é desprovido de personalidade jurídica própria (assim como
qualquer órgão). Além disso, esse órgão resultante da desconcentração se subordina aos órgãos
de maior hierarquia na estrutura organizacional. Por isso se diz que na desconcentração há
relação de hierarquia entre os órgãos resultantes.
Centralização x concentração
- A centralização ocorre quando o Estado retoma a execução direta do serviço, depois de ter
transferido sua execução a outra pessoa. Por sua vez, na concentração, dois ou mais órgãos
internos são agrupados em apenas um, que passa a ter natureza de órgão concentrador.
- Os processos de centralização e de concentração possuem em comum a fisionomia restritiva,
pois importam na agregação de atribuições no Estado.
Administração Direta
Composição
- Nos termos do art. 4º, inciso I do Decreto Lei 200/1967, a Administração Direta Federal é
composta pelos “serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e
dos Ministérios”.
Essa previsão legal leva em conta somente o Poder Executivo, mas é importante destacar que
compõem, ainda, a Administração Direta da União os órgãos dos demais Poderes e do
Ministério Público pertencentes à esfera federal.
Nas esferas estadual, distrital e municipal, deve ser observado a simetria com a esfera federal,
lembrando, por outro lado, que nos Municípios não há Poder Judiciário nem Ministério Público
próprios.
ultrapassar os poderes da representação sem que o Estado respondesse por esses atos
perante terceiros prejudicados.
c) Na teoria do órgão, que é a mais aceita atualmente, presume-se que a pessoa jurídica
manifesta sua vontade por meio dos órgãos que a compõem. Estes, por sua vez, são
compostos de agentes. Desse modo, quando os agentes agem, é como se o próprio Estado o
fizesse.
Nessa teoria, há substituição da ideia de representação pela de imputação, pois ao invés de
considerar que o Estado outorga a responsabilidade ao agente, passou-se a considerar que os
atos praticados por seus órgãos, por meio da manifestação de vontade de seus agentes, são
imputados ao Estado.
Criação e extinção de órgãos públicos
- Ocorrem por meio de lei em sentido formal.
No âmbito do Poder Executivo, a iniciativa de lei cabe ao chefe desse Poder, consoante CF,/88
art. 61, § 1º, inciso II, alínea “e”:
CF/88, art. 61, § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: (...)
II - disponham sobre: (...)
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84,
VI;
No âmbito do Poder Judiciário, a iniciativa de lei cabe ao Supremo Tribunal Federal, aos
Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça, conforme o caso, nos termos da CF/88, art. 96,
inciso II, alíneas “c” e “d”:
O Ministério Público possui a competência para dar início ao processo legislativo referente à
própria organização administrativa, em razão, respectivamente, do previsto na CF/88, art. 127, §
2º:
CF/88, art. 127, 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo,
observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e
serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política
remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento.”
O Tribunal de Contas também possui a competência para dar início ao processo legislativo
referente a sua organização administrativa, em razão do disposto na CF/88, art. 73, caput:
CF/88, art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito
Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber,
as atribuições previstas no art. 96.
No âmbito do Poder Legislativo, o autor José dos Santos Carvalho Filho entende que a criação e
a extinção de seus órgãos, bem como as normas sobre sua organização e funcionamento não
dependem de lei, mas tão somente de atos administrativos praticados pelas respectivas Casas
(CF/88, art. 51, IV e art. 52, XIII).
Entretanto, para fins de prova, é recomendável que seja adotado a regra geral de que os órgãos
públicos necessitam de lei para serem criados. Somente se o examinador abordar de forma
expressa o caso específico do Poder Legislativo, recomendamos ao candidato que considere o
entendimento de José dos Santos Carvalho Filho.
Capacidade processual dos órgãos públicos
- Em regra, os órgãos públicos não possuem capacidade processual, porque não possuem
personalidade jurídica – a capacidade, em regra, é da própria entidade a quem pertencem.
Exceções:
a) a jurisprudência reconhece a capacidade processual de certos órgãos públicos autônomos e
independentes para a impetração de mandado de segurança na defesa de suas prerrogativas
e competências (só neste tipo de caso), quando violadas por ato de outro órgão.
b) o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 82, inciso III, dispõe que são
legitimados para promover a liquidação e execução de indenização “as entidades e órgãos da
administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica,
especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este Código”.
Classificação dos órgãos públicos
Quanto à estrutura:
a) Órgãos simples ou unitários: são aqueles que não possuem subdivisões em sua estrutura
interna (não há outros órgãos abaixo dele), desempenhando suas atribuições de forma
concentrada.
Administração Indireta
Composição
- De acordo com Hely Lopes Meireles, a administração indireta é constituída dos serviços
atribuídos a pessoas jurídicas diversas da União, de direito público ou de direito privado,
vinculadas a um órgão da Administração Direta, mas administrativa e financeiramente
autônomas.
- Nos termos do art. 4º do Decreto Lei 200/196714, a Administração Indireta compreende as
seguintes categorias de entidades, todas dotadas de personalidade jurídica própria:
- Autarquias.
- Empresas Públicas.
- Sociedades de Economia Mista.
- Fundações Públicas.
- A Administração Indireta contempla, ainda, os consórcios públicos de direito público,
constituídos sob a forma de associações públicas, conforme art. 6º, inciso I e § 1º da Lei
11.107/2005:
- Embora sejam mais comuns entidades descentralizadas vinculadas ao Poder Executivo, não há
empecilho para que haja entidades da administração indireta vinculadas a órgãos dos demais
poderes.
a) Finalidade para as quais são criadas: as autarquias são indicadas para o desempenho de
atividades típicas de Estado; as fundações públicas, para o desempenho de atividades de
utilidade pública; e as empresas públicas e sociedades de economia mista, para a exploração
de atividades econômicas.
b) Natureza jurídica das entidades: as autarquias são pessoas jurídicas de direito público; as
empresas públicas e sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado; já
as fundações podem ser tanto de direito público quanto de direito privado.
c) Criação e instituição das entidades: nos termos do inciso XIX do art. 37 da CF, a criação de
autarquias (por serem pessoas de direito público) se dá mediante lei específica,
diferentemente do que ocorre para as sociedades de economia mista e empresas públicas
(por serem pessoas de direito privado), que necessitam de uma lei que autorize a sua
instituição, senão vejamos:
CF/88, art. 37, XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de
empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação;
CF/88, art. 61, § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: (...)
II - disponham sobre: (...)
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84,
VI;
Supervisão ministerial
a) controle político, pelo qual os dirigentes das entidades da administração indireta são
escolhidos e nomeados pela autoridade competente da administração direta, razão por que
exercem eles função de confiança;
b) controle institucional, que obriga a entidade a caminhar sempre no sentido dos fins para os
quais foi criada;
c) controle administrativo, que permite a fiscalização dos agentes e das rotinas administrativas
da entidade;
d) controle financeiro, pelo qual são fiscalizados os setores financeiro e contábil da entidade.
- Tutela ordinária x tutela extraordinária
A tutela ordinária ocorre quando o controle sobre a entidade se dá nos estritos limites da lei.
Logo, a tutela ordinária depende de lei para ser exercida.
Por sua vez, a tutela extraordinária ocorre quando não há disposição legal para
instrumentalização do controle, sendo possível somente em circunstâncias excepcionais de
descalabro administrativo ou distorções de comportamento da autarquia, para coibir desmandos
sérios.
Autarquias
- Autarquia é pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de
autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle
administrativo exercido nos termos da lei (Di Pietro).
Já o Decreto-Lei 200/1967, em seu o art. 5º, conceitua autarquia nos seguintes termos:
Decreto-Lei 200/1967, art. 5º, I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade
jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
A criação de autarquias depende apenas da edição de uma lei específica, consoante a CF/88,
art. 37, inciso XIX:
CF/88, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de
empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação;
A extinção depende também apenas da edição de uma lei específica, em razão do princípio da
simetria das formas jurídicas.
Ocorre a partir da entrada em vigor da lei específica que cria a autarquia, salvo se esta lei criar
outras exigências ou condições. Assim, a partir da entrada em vigor da lei específica de criação,
as autarquias adquirem personalidade jurídica própria e tornam-se capazes de contrair direitos e
obrigações.
A lei de criação e extinção das autarquias deve ser da iniciativa privativa do chefe do Poder
Executivo (CF/88, art. 61, § 1º, “e”).
Logicamente, se a entidade a ser criada ou extinta se vincular ao Poder Legislativo ou Judiciário,
a iniciativa da lei será do respectivo chefe de Poder.
Como regra, são atividades próprias e típicas de Estado, sem caráter econômico.
CF/88, art. 37, XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas
as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
Além disso, os contratos celebrados pelas autarquias também são, em regra, contratos
administrativos (alguns poucos podem ser de natureza eminentemente privada), sujeitos ao
mesmo regime jurídico aplicável aos contratos celebrados pelos órgãos da administração direta.
a) prazos processuais em dobro, conforme art. 183, caput, do Código de Processo Civil:
CF/88, art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais,
cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.
CF/88, art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e
Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
e) Possibilidade de inscrição de seus créditos em dívida ativa e a sua respectiva cobrança por
meio de execução fiscal (Lei 6.830/1980);
f) imunidade tributária sobre o patrimônio, renda ou serviços vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes, consoante CF, art. 150, § 2º:
CF/88, art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes.
Pelo teor do dispositivo, nota-se que essa imunidade tributária não alcança os bens ou
serviços com destinação diversa das finalidades da autarquia, estando sujeitos, portanto, à
incidência de impostos;
g) não sujeição à falência, sendo o ente federado que a criou subsidiariamente responsável
pela insolvência da autarquia.
a) geográfica ou territorial, que conta com capacidade administrativa genérica (ex: Territórios
Federais);
b) de serviço ou institucional, que conta com capacidade administrativa específica, ou seja,
limitada a determinado serviço que lhe é atribuído por lei (ex: todas as demais autarquias).
Quanto à estrutura:
a) fundacionais: corresponde à figura da fundação de direito público, ou seja, pessoa jurídica
dotada de patrimônio vinculado a um fim que irá beneficiar pessoas indeterminadas, que não a
integram como membros ou sócios (exemplo: Hospital das Clínicas, da Universidade de São
Paulo)
b) corporativas ou associativas: constituída por sujeitos unidos (ainda que compulsoriamente)
para a consecução de um fim de interesse público, mas que diz respeito aos próprios associados,
como ocorre com as entidades de fiscalização do exercício de profissões regulamentadas (CREA,
==1d36cc==
CF/88, art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os
consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e
bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
O STF (ADI 3.026/DF) entende que a OAB é um serviço independente não integrante da
Administração Pública. Uma entidade ímpar, sui generis, que possui algumas características
típicas de uma autarquia (personalidade jurídica de direito público, desempenho de atividade
típica de Estado - fiscalização do exercício da advocacia, exercendo poder de polícia e poder
disciplinar) mas que não se confunde com um conselho fiscalizador de profissão regulamentada.
São autarquias dotadas de independência ainda maior que as demais autarquias, em razão de a
lei ter-lhes conferido prerrogativas específicas e não aplicáveis às autarquias em geral, como, por
exemplo, o mandato fixo e a estabilidade relativa de seus dirigentes.
Código Civil, Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
Por serem públicos, os bens das autarquias gozam das proteções conferidas aos bens públicos
em geral: impenhorabilidade, imprescritibilidade, restrições à alienação etc.
O pessoal das autarquias se submete ao regime jurídico único aplicável aos servidores da
administração direta, em razão da suspensão cautelar da eficácia do art. 39, caput, da CF/88,
com redação dada pela EC 19/98, por parte do STF (ADI 2135/DF), que resultou no retorno da
vigência da redação original do dispositivo.
Os dirigentes das autarquias são nomeados pelo chefe do Poder Executivo, que detém tal
competência por força do art. 84, inciso XXV da CF/88, reproduzido a seguir:
Além disso, é possível que a exigência de aprovação prévia do futuro dirigente por parte do
Senado decorra somente de lei, com fundamento no art. 52, inciso III, alínea “f” da CF/88,
reproduzido também acima. Isso ocorre, por exemplo, para a nomeação dos dirigentes das
agências reguladoras.
No âmbito dos Estados, DF e Municípios, o STF já pacificou o entendimento, com fulcro no
próprio art. 52, inciso III, alínea “f” da CF/88, de que não padece de nenhum vício constitucional
que normas locais subordinem a nomeação de dirigentes de autarquias ou fundações públicas à
prévia aprovação da Assembleia Legislativa (ADI 2.225/SC).
- Foro competente para o processamento e julgamento das causas que envolvem autarquias:
No caso das autarquias federais, as causas judiciais devem ser processadas e julgadas pela
Justiça Federal. No caso das estaduais e municipais, na Justiça Estadual.
Nos casos de litígios funcionais entre a autarquia e seu pessoal regido pelo regime jurídico único
(servidores públicos), a causa deve ser processada pela Justiça Federal (se for autarquia federal)
ou pela Justiça Estadual (se for autarquia estadual ou municipal). Se o litígio for entre a autarquia
e seu pessoal regido pelo regime trabalhista (empregados públicos), será processado e julgado
pela Justiça do Trabalho (seja autarquia federal, estadual ou municipal).
No caso em que a parte seja servidor público estatutário egresso do regime trabalhista por
conta da instituição do regime jurídico único, a Justiça do Trabalho será competente para
processar e julgar reclamação relativa a vantagens trabalhistas anteriores à instituição daquele
regime, em razão do previsto na súmula 97 do STJ:
JURISPRUDÊNCIA
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar reclamação de servidor público relativamente a
vantagens trabalhistas anteriores à instituição do regime jurídico único.
Por fim, nos casos em que a Anatel não seja litisconsorte passiva necessária, assistente, nem
opoente, compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço
público de telefonia (súmula vinculante 27).
- Territórios federais e autarquias territoriais:
A doutrina costuma chamar os territórios federais de "autarquias territoriais", porque os aqueles
possuem personalidade jurídica de direito público, assim como as autarquias.
Porém, os territórios diferem das autarquias, uma vez que estas possuem capacidade
administrativa específica, isto é, recebem da lei competência para atuar numa área determinada
(princípio da especialidade); já os territórios possuem capacidade administrativa genérica, ou
seja, podem atuar em diversas áreas para atender às várias necessidades da coletividade.
Fundações públicas
Decreto-Lei 200/1967, art. 5º, IV, Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de
direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento
de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia
administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado
por recursos da União e de outras fontes.
Para Maria Sylvia Di Pietro, fundação instituída pelo poder público é o “patrimônio, total ou
parcialmente público, dotado de personalidade jurídica, de direito público ou privado, e
destinado, por lei, ao desempenho de atividades do Estado na ordem social, com capacidade de
autoadministração e mediante controle da Administração Pública, nos termos da lei1”.
1
Di Pietro, 2016, p. 542.
Ambas possuem certo objetivo social, sem finalidade lucrativa. Entretanto, as fundações públicas
são criadas pelo Estado, a partir de patrimônio público, enquanto as privadas são criadas por
uma pessoa privada, a partir de patrimônio privado.
É possível a instituição, pelo poder público, de fundações públicas de direito público, consoante
doutrina majoritária e entendimento do STF (RE 101.126/RJ), embora essa possibilidade não
esteja expressa no texto constitucional.
As fundações públicas de direito público são consideradas uma modalidade de autarquia e por
isso são também denominadas de “fundações autárquicas” ou “autarquias fundacionais”.
Não se confundem, por outro lado, com as autarquias: a fundação autárquica é um patrimônio
personalizado, destinado a uma finalidade específica, de interesse social, enquanto a autarquia é
um serviço público personificado.
Fundações públicas de direito público: instituição mediante lei específica, iniciando sua
personalidade com a entrada em vigor dessa lei; extinção também mediante lei.
Fundações públicas de direito privado: autorizada sua instituição por meio de lei, sendo
necessário ainda o registro do ato constitutivo para a aquisição de personalidade jurídica;
extinção mediante autorização legal.
Precedente jurisprudencial importante:
JURISPRUDÊNCIA
“A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado
depende: I – do estatuto de sua criação ou autorização; II – das atividades por ela prestadas. As
atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de
dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo Poder Público, podem se submeter ao
regime jurídico de direito privado.”2.
2
STF – RE 716378
Fundações públicas de direito público: bens públicos (contam, portanto, com as prerrogativas a
eles inerentes).
Fundações públicas de direito privado: bens privados. Entretanto, os bens dessas entidades,
quando empregados diretamente na prestação de serviços públicos, podem se sujeitar a regras
de direito público (ou seja, possuir prerrogativas dos bens públicos, de forma equiparada).
Fundações públicas de direito público: regime jurídico único, em razão da suspensão cautelar da
nova redação do caput do art. 39 da CF.
Fundações públicas de direito privado: divergência doutrinária – parte entende que deve ser
aplicado o regime trabalhista comum (CLT), parte entende que deve ser aplicado o regime
jurídico único. É consenso, por outro lado, que as disposições constitucionais sobre pessoal da
Administração Pública se aplicam a essas entidades.
Embora o código civil imponha ao Ministério Público que vele3 pelas fundações (privadas), há
divergência doutrinária quanto a necessidade do velamento das fundações públicas pelo
parquet, uma vez que o controle finalístico já seria realizado via supervisão ministerial.
Por sua vez, o STF já proferiu entendimento no sentido de que o Ministério Público Federal deve
realizar o velamento das fundações federais de direito público (ADI 2.794). Nessa lógica, cabe ao
Ministério Público o controle de todas as fundações, sejam privadas ou públicas (tanto de direito
público, quanto de direito privada), sendo competente para velar pelas fundações estaduais e
municipais o MP do estado-membro em que se encontrem, pelas fundações distritais ou MPDFT
e, pelas fundações federais (independentemente da localização), o MPF.
- Foro judicial competente para dirimir litígios em que seja parte uma fundação pública:
Fundações públicas de direito público: se for federal – Justiça Federal; se for estadual ou
municipal – Justiça Estadual (RE 215.741/SE).
Fundações públicas de direito privado: a doutrina entende que sempre deve ser a Justiça
Estadual. Já a jurisprudência entende que as federais têm foro na Justiça Federal (STJ, CC
37.681/SC e CC 16.397/RJ).
- Empresa pública:
Pessoa jurídica de direito privado, integrante da Administração Indireta, criada por autorização
legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua natureza, com a finalidade de executar
atividades de caráter econômico ou, em algumas situações, serviços públicos4.
- Sociedade de economia mista:
Pessoa jurídica de direito privado, integrante da Administração Indireta, criada por autorização
legal, sob a forma de sociedade anônima, com controle acionário pertencente ao Poder Público,
com a finalidade de executar atividades de caráter econômico ou, em algumas situações,
serviços públicos5.
A instituição das estatais se dá por meio de autorização legal e posterior registro de comércio.
Do mesmo modo, a extinção das estatais depende de lei autorizadora.
Além disso, o STF entende que é suficiente autorização legal genérica para a desestatização de
estatais pode ser genérica6.
3
Velar = realizar controle finalístico
4
Carvalho Filho, 2016, p. 525.
5
Idem, ibidem.
6
STF – ADI 6241.
Convém apontar que "ao final do processo de desestatização, a sociedade de economia mista
ou empresa pública não mais existirá: na privatização, porque o controle acionário deixou de ser
do Estado; na extinção, porque se decretou o fim da pessoa jurídica", segundo voto da Relatora
do feito, ao interpretar a Lei 9.491/1997, que trata de procedimentos relativos ao Programa
Nacional de Desestatização.
Perceba que a CF/88 exige expressamente autorização legislativa específica para a instituição
das estatais, mas é silente quanto à forma legal a ser adotada na desestatização.
Subsidiárias são empresas controladas pelas estatais, dotadas de personalidade jurídica própria
e sua criação depende também de autorização legislativa, conforme art. 37, inciso XX da CF/88:
CF/88, art. 37, XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das
entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa
privada;
Decreto 8.945/2016, art. 2º, V - subsidiária - empresa estatal cuja maioria das ações com direito a voto
pertença direta ou indiretamente a empresa pública ou a sociedade de economia mista;
JURISPRUDÊNCIA
A exigência de autorização legislativa não se aplica à venda do controle das subsidiárias e controladas
de empresas públicas e sociedades de economia mista, podendo a operação ser realizada sem
necessidade de licitação, desde que siga os princípios constitucionais da Administração Pública,
previstos no art. 37 da CF/88, respeitada a competitividade, sendo necessária, por outro lado,
autorização legislativa e processo licitatório para alienação das empresas-matrizes7.
Com base no dispositivo, verificamos que o Estado só pode explorar diretamente atividade
econômica em algumas situações específicas e excepcionais: quando estiver prevista na própria
CF/88, quando for necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo.
Como caso de previsão constitucional de exploração de atividade econômica por parte do
Estado, há o § 1º do art. 177 que autoriza a União a contratar com empresas estatais (além das
empresas privadas) a realização de algumas atividades sujeitas ao regime constitucional de
monopólio, nos termos a seguir:
CF/88, art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos
incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo
produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e
gás natural de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios
e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e
utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do
caput do art. 21 desta Constituição Federal.
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas
nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei.
7
STF - ADI 5624
Por outro lado, a possibilidade de o Estado prestar serviço público segundo princípios
norteadores da atividade empresarial, visando ao lucro, está prevista constitucionalmente nos
seguintes termos:
CF/88, art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Nessa última hipótese, o Estado pode também delegar a prestação, por meio de concessão ou
permissão, sempre por meio de licitação.
Destacamos que somente podem ser prestados por estatais os serviços públicos passíveis de
delegação para a iniciativa privada, ou seja, devem ser excluídos aqueles serviços públicos
próprios de Estado, que envolvam poder de império ou poder de polícia, como segurança
pública, justiça e defesa da soberania nacional.
Apesar de tais previsões, essas estatais também se sujeitam, em menor escala, a algumas normas
de direito público, como as seguintes regras constitucionais: necessidade de autorização legal
para sua instituição (art. 37, inciso XIX); sujeição ao controle do Tribunal de Contas (art. 71) e do
Poder Legislativo (art. 49, inciso X); exigência de concurso público para admissão de seus
empregados (art. 37, inciso II) etc.
Por outro lado, caso sejam prestadoras de serviço público, as estatais são regidas
predominantemente pelo direito público (regime jurídico administrativo), em razão da
titularidade do serviço ser do Estado (ou seja, aqui não há livre iniciativa). Em menor grau, essas
estatais se sujeitam ao direito privado, até porque os serviços públicos desempenhados pelas
estatais são considerados uma espécie de atividade de natureza econômica.
É importante notar que a CF prevê, em seu art. 173, § 1º, a edição de um estatuto jurídico das
estatais (e suas subsidiárias) que explorem atividade econômica. Esse estatuto foi recentemente
instituído pela Lei 13.303/2016, que “dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, abrangendo toda e qualquer empresa
pública e sociedade de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios que explore atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de monopólio
da União ou seja de prestação de serviços públicos” (art. 1º).
Logo, é importante destacar que o estatuto previsto na Lei 13.303/2016 abrange tanto as
estatais que explorem atividade econômica, quanto as que prestem serviço público.
Os bens das estatais são considerados bens privados (não gozam das prerrogativas inerentes aos
bens públicos – impenhorabilidade, imprescritibilidade, alienabilidade condicionada etc.).
Para a doutrina, especificamente no que diz respeito às estatais prestadoras de serviços
públicos, a parcela de seus bens que estejam afetados diretamente à prestação dos serviços,
embora permaneçam sendo considerados bens privados, contam com algumas proteções
próprias dos bens públicos8.
Regime trabalhista comum (celetista, regido pela CLT), de emprego público, com vínculo de
natureza contratual, sem previsão de estabilidade, embora seja necessária a devida motivação
para eventuais atos de demissão.
O ingresso nos quadros das estatais deve, todavia, deve se dar por meio de concurso público,
em razão de disposição expressa na CF, art. 37, inciso II:
CF/88, art. 37, II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração;
Com relação aos dirigentes das estatais, quando não oriundos do quadro de pessoal da própria
entidade, não são classificados como empregados públicos celetistas (a eles não se aplicam as
8
Inclusive nesse sentido o STF já decidiu que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por ser empresa
pública que presta serviço público, possuem impenhoráveis os bens diretamente afetos ao serviço público
prestado (RE 220.906).
regras da CLT) e tampouco ocupam cargos em comissão no sentido previsto no dispositivo supra
– a relação dos dirigentes com a estatal é regida pelo Direito Comercial.
É importante mencionar que não cabe ao Poder Legislativo aprovar previamente o nome dos
dirigentes das estatais como condição para que o chefe do Executivo possa nomeá-los9 - embora
isso seja legítimo para a nomeação de dirigentes de autarquias e fundações.
Por último, destacamos que é cabível mandado de segurança contra ato dos dirigentes de
estatais quando praticados na qualidade de autoridade pública (como nas licitações e concursos
públicos), mas é incabível nos atos de mera gestão econômica.
Sobre o tema, é importante relembrar a súmula 333 do STJ:
JURISPRUDÊNCIA
Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia
mista ou empresa pública.
O art. 2º, inciso I da lei 11.101/2005 (que trata da falência e da recuperação judicial)
expressamente exclui as estatais (independentemente de seu campo de atribuição) do processo
falimentar regido por tal diploma.
Empresas públicas: capital totalmente público, mesmo que de entes federativos ou pessoas
administrativas diferentes.
Sociedades de Economia Mista: capital público e privado, de forma conjugada. A maioria do
capital votante (ações com direito a voto) deve ser necessariamente público, o que confere à
pessoa política ou administrativa o poder de controlar a sociedade de economia mista.
- Foro judicial competente para dirimir litígios em que seja parte uma empresa estatal?
Empresa pública federal: Justiça Federal (CF/88, art. 109, inciso I).
Sociedade de economia mista federal: Justiça Estadual10. Se a União intervier na causa como
assistente ou opoente, o foro passa a ser a Justiça Federal11.
9
ADI 1.642/MG.
10
Súmula STF 556: ‘É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de
economia mista”.
JURISPRUDÊNCIA
" São constitucionais as normas dos incisos I e II do § 2° do art. 17 da Lei 13.303/2016, que impõem
vedações à indicação política de membros para o Conselho de Administração e para a diretoria de
empresas estatais (CF, art. 173, § 1º)."12
Agências executivas
11
Súmula STF 517: “As sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União
intervém como assistente ou opoente”.
12
STF – ADI 7331
orçamentários e financeiros para o cumprimento dos objetivos e metas definidos nos Contratos de
Gestão.
Art. 52. Os planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional definirão diretrizes,
políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e do quadro de servidores, a revisão dos
processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos e o fortalecimento da identidade
institucional da Agência Executiva.
§ 1º Os Contratos de Gestão das Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima de um
ano e estabelecerão os objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem
como os recursos necessários e os critérios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento.
§ 2º O Poder Executivo definirá os critérios e procedimentos para a elaboração e o acompanhamento dos
Contratos de Gestão e dos programas estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional
das Agências Executivas.
Vale relembrar que a qualificação como “agência executiva” é uma faculdade (não uma
obrigação) do Poder Público e é realizada mediante ato do Presidente da República; o contrato
de gestão é firmado com o Ministério Supervisor da autarquia ou fundação pública e possuirá
periodicidade mínima de um ano.
- Convém rememorar que é possível a celebração do contrato de gestão previsto no art. 37, § 8º
da CF/88 (transcrito mais acima) por órgãos da Administração Direta também (conforme a
redação do próprio dispositivo).
- A Lei 14.133/2021, Nova Lei de Licitações, prevê que os valores dos limites de licitação
dispensável previstos em seu art. 75, incisos I e II do caput serão duplicados nos casos de
compras, obras e serviços contratados por autarquia ou fundação qualificadas como agências
executivas na forma da lei.
Valor aplicável às
Objeto da contratação Valor geral atualizado agências executivas
(2x o valor geral)
Obras e serviços de engenharia ou de serviços
de manutenção de veículos automotores R$ 119.812,02 R$ 239.624,04
(art. 75, I)
Outros serviços e compras
R$ 59.906,02 R$ 119.812,04
(art. 75, II)
§ 2º Os valores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo serão duplicados para compras, obras e
serviços contratados por consórcio público ou por autarquia ou fundação qualificadas como agências
executivas na forma da lei.
Agências reguladoras
d1) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas;
d2) exercer qualquer outra atividade profissional, ressalvado o exercício do magistério,
havendo compatibilidade de horários;
d3) participar de sociedade simples ou empresária ou de empresa de qualquer espécie, na
forma de controlador, diretor, administrador, gerente, membro de conselho de administração
ou conselho fiscal, preposto ou mandatário;
d4) emitir parecer sobre matéria de sua especialização, ainda que em tese, ou atuar como
consultor de qualquer tipo de empresa;
d5) exercer atividade sindical;
d6) exercer atividade político-partidária;
d7) estar em situação de conflito de interesse, nos termos da Lei nº 12.813, de 16 de maio de
2013.
O Presidente da República realiza a nomeação do dirigente após este ter sido sabatinado pelo
Senado Federal, conforme art. 5º, caput da Lei 9.986/2000, tendo também sido estabelecidos
alguns requisitos para a ocupação do cargo, previstos nos incisos I e II do mesmo art. 5º (notar
que devem ser atendidos um dos requisitos das alíneas “a”, “b” e “c” do inciso I e,
cumulativamente, o inciso II):
Além disso, é importante relembrar que a exigência de aprovação pelo Senado Federal guarda
consonância com a previsão constitucional que confere competência privativa a essa Casa
Legislativa para aprovar o nome indicado pelo Presidente da República, mediante voto secreto e
após ter sido realizada uma arguição pública (art. 52, inciso III, alínea “f” da CF/88).
Aprofundando um pouco o tema, por fim, destacamos, que o dispositivo constitucional supra
abre margem para que outras leis estabeleçam a necessidade de prévia aprovação do Senado
Federal para a escolha de titulares para a ocupação de outros cargos.
É possível a celebração de contrato de gestão entre uma agência reguladora e o Poder Público.
As agências reguladoras submetem-se aos controles internos (ou seja, do próprio Poder
Executivo) e externo (judicial e legislativo), como em regra se sujeitam as demais entidades da
Administração Pública.
Embora, via de regra, não estejam sujeitas ao controle hierárquico, admite-se excepcionalmente,
em casos específicos, o controle hierárquico impróprio pelo ministério a que estão vinculadas (de
ofício ou por provocação mediante recurso hierárquico impróprio) ou, por motivo de relevante
interesse público, a avocação de competências pelo Presidente da República (consoante Parecer
AC-51/2006 emitido pela Advocacia-Geral da União).
“Agência reguladora” não é uma qualificação formal, portanto não existe a figura de
desqualificação de agência reguladora.