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Revisão do Regime Jurídico Único

O documento apresenta um roteiro de revisão sobre o Regime Jurídico Único, destacando a importância da Lei 8.112/90 para servidores públicos federais. Ele aborda deveres, proibições, acumulação de cargos, responsabilidades e penalidades, detalhando as infrações e suas consequências. O material é voltado para a preparação de provas e inclui questões estratégicas e um gabarito.

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Revisão do Regime Jurídico Único

O documento apresenta um roteiro de revisão sobre o Regime Jurídico Único, destacando a importância da Lei 8.112/90 para servidores públicos federais. Ele aborda deveres, proibições, acumulação de cargos, responsabilidades e penalidades, detalhando as infrações e suas consequências. O material é voltado para a preparação de provas e inclui questões estratégicas e um gabarito.

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Tulio Lages

Aula 06

REGIME JURÍDICO ÚNICO


Sumário

Roteiro de revisão e pontos do assunto que merecem destaque ................................................... 1

Questões estratégicas .................................................................................................................... 9

Questionário de revisão e aperfeiçoamento ................................................................................. 11

Perguntas .................................................................................................................................. 12

Perguntas com respostas .......................................................................................................... 12

Lista de Questões Estratégicas ..................................................................................................... 16

Gabarito .................................................................................................................................... 17

Referências Bibliográficas ............................................................................................................. 18

ROTEIRO DE REVISÃO E PONTOS DO ASSUNTO QUE


MERECEM DESTAQUE

A ideia desta seção é apresentar um roteiro para que você realize uma revisão completa do
assunto e, ao mesmo tempo, destacar aspectos do conteúdo que merecem atenção.

Quando a Lei 8.112/90 (Estatuto dos Servidores Públicos Federais) vem prevista no edital, é um
dos assuntos com mais chances de ser cobrado. Portanto, priorize a revisão deste conteúdo –
inclusive nos dias que antecederem à sua prova!

Sugiro que estude o presente roteiro com o texto do Estatuto para consulta.

A seguir, seguem os principais pontos do nosso assunto.

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Tulio Lages
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Regime disciplinar (arts. 116 a 142)

Deveres e proibições (arts. 116 e 117)

Deveres Proibições
É dever do servidor: Ao servidor é proibido:

I - ausentar-se do serviço durante o comércio, exceto na qualidade


I - exercer com zelo e dedicação as atribuições expediente, sem prévia autorização de acionista, cotista ou
do cargo; do chefe imediato; comanditário**;

II - retirar, sem prévia anuência da XI - atuar, como procurador ou


II - ser leal às instituições a que servir;
autoridade competente, qualquer intermediário, junto a
III - observar as normas legais e regulamentares; documento ou objeto da repartições públicas, salvo
repartição; quando se tratar de benefícios
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando previdenciários ou assistenciais
III - recusar fé a documentos
manifestamente ilegais; de parentes até o segundo
públicos;
grau, e de cônjuge ou
V - atender com presteza: IV - opor resistência injustificada ao companheiro;
andamento de documento e
XII - receber propina, comissão,
a) ao público em geral, prestando as informações processo ou execução de serviço;
presente ou vantagem de
requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; qualquer espécie, em razão de
V - promover manifestação de
apreço ou desapreço no recinto da suas atribuições;
b) à expedição de certidões requeridas para
repartição;
defesa de direito ou esclarecimento de situações XIII - aceitar comissão, emprego
de interesse pessoal; VI - cometer a pessoa estranha à ou pensão de estado
repartição, fora dos casos previstos estrangeiro;
c) às requisições para a defesa da Fazenda em lei, o desempenho de
XIV - praticar usura sob
Pública. atribuição que seja de sua
qualquer de suas formas;
responsabilidade ou de seu
VI - levar as irregularidades de que tiver ciência subordinado; XV - proceder de forma
em razão do cargo ao conhecimento da desidiosa;
autoridade superior ou, quando houver suspeita VII - coagir ou aliciar subordinados
de envolvimento desta, ao conhecimento de no sentido de filiarem-se a XVI - utilizar pessoal ou recursos
outra autoridade competente para apuração; associação profissional ou sindical, materiais da repartição em
ou a partido político; serviços ou atividades
VII - zelar pela economia do material e a particulares;
VIII - manter sob sua chefia
conservação do patrimônio público; imediata, em cargo ou função de XVII - cometer a outro servidor
confiança, cônjuge, companheiro atribuições estranhas ao cargo
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição; ou parente até o segundo grau que ocupa, exceto em situações
civil; de emergência e transitórias;
IX - manter conduta compatível com a
moralidade administrativa; IX - valer-se do cargo para lograr XVIII - exercer quaisquer
proveito pessoal ou de outrem, em atividades que sejam
X - ser assíduo e pontual ao serviço; detrimento da dignidade da função incompatíveis com o exercício
pública; do cargo ou função e com o
XI - tratar com urbanidade as pessoas; horário de trabalho;
X - participar de gerência ou
administração de sociedade

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XII - representar contra ilegalidade, omissão ou privada, personificada ou não XIX - recusar-se a atualizar seus
abuso de poder*. personificada, exercer o dados cadastrais quando
solicitado.

*A representação contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder (dever previsto no art. 116, XII),
será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual
é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

**A vedação previsto no art. 117, inciso X não se aplica nos casos a seguir:

a) participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a


União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade
cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e

b) gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito
de interesses.

- A inobservância dos deveres previstos no art. 116 é punida, via de regra, com advertência, a não
ser que a infração justifique penalização mais grave (art. 129).

Acumulação (arts. 118 a 120)

- O Estatuto deixa claro que só é possível a acumulação remunerada de cargos públicos nos casos
previstos na Constituição (art. 118, caput).

A vedação à acumulação é a regra geral, estendendo-se a cargos, empregos e funções em


autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do
Distrito Federal, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios (art. 118, § 1º).

Casos de acumulação permitidos pela CF/88 (art. 37, XVI):

a) dois cargos de professor;

b) um cargo de professor com outro técnico ou científico;

c) a dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões


regulamentadas.

- A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilidade


de horários (art. 118, § 2º).

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- Regras de acumulação para casos especiais:

a) percepção de vencimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da


inatividade: é considerada acumulação proibida, salvo quando os cargos de que decorram essas
remunerações forem acumuláveis na atividade (art. 118, § 3º);

b) exercício de mais de um cargo em comissão: é vedado ao servidor, exceto se nomeado para


ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que
atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o
período da interinidade (art. 119, caput);

c) participação em órgão de deliberação: o servidor não pode ser remunerado por essa
participação, exceto se for o caso da remuneração devida pela participação em conselhos de
administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias
e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou
indiretamente, detenha participação no capital social, observado o que, a respeito, dispuser
legislação específica (art. 119, parágrafo único);

d) servidor que acumula licitante dois cargos efetivo e é investido em cargo de provimento em
comissão: o servidor deve ficar afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que
houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas
autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos (art. 120).

Responsabilidades (arts. 121 a 126-A)

- Instâncias de responsabilização do servidor: administrativa, civil e penal.

As sanções em cada uma dessas instâncias poderão cumular-se, sendo independentes entre si.

Nada obstante, embora as instâncias sejam independentes entre si, no caso de absolvição criminal
que negue a existência do fato ou sua autoria, ocorre o afastamento da responsabilidade
administrativa do servidor.

Administrativa Civil Penal

A responsabilidade civil- Decorre de ato omissivo ou


Abrange os crimes e contravenções
administrativa resulta de ato comissivo, doloso ou culposo, que
imputadas ao servidor, nessa
omissivo ou comissivo praticado no resulte em prejuízo ao erário ou a
qualidade.
desempenho do cargo ou função. terceiros.

- Reparação de danos na responsabilização civil:

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a) A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na


sistemática do art. 46 (prazo de 30 dias para pagamento, com possibilidade de parcelamento),
na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.

b) O servidor responderá perante a Fazenda Pública em ação regressiva, no caso de dano


causado a terceiros (a responsabilização civil do servidor é subjetiva, enquanto a do Estado é
objetiva);

c) A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até
o limite do valor da herança recebida.

- Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência
à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade
competente para apuração de informação concernente à prática de crimes ou improbidade de
que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função
pública.

Penalidades (arts. 127 a 142)

Aplicada nas faltas mais leves, quais sejam, nos casos de violação de proibição
constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever
Advertência
funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique
imposição de penalidade mais grave.

Aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de


Suspensão violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a
penalidade de demissão.

Aplicado nos casos mais graves, como crime contra a Administração Pública,
Demissão abando de cargo, inassiduidade habitual, improbidade administrativa, lesão
aos cofres públicos, corrupção etc.

Cassação de aposentadoria ou Aplicada ao inativo que houver praticado, na atividade, falta punível com a
disponibilidade demissão.

Aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de


Destituição de cargo em
demissão, quando o ocupante do cargo em comissão seja exercido por não
comissão
ocupante de cargo efetivo.

Destituição de função O Estatuto não traz qualquer disposição, a despeito de mencionar a


comissionada penalidade.

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- A penalidade de advertência é aplicada por escrito (art. 129).

- A penalidade de suspensão não pode exceder de 90 dias e, quando houver conveniência para o
serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa, na base de 50% por dia de
vencimento ou remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço (art. 130).

- Caso reste comprovado o cometimento de infração funcional, a Administração é obrigada a punir


o servidor infrator, embora a Lei 8.112/90 confira certa margem de discricionariedade quanto à
gradação da penalidade a ser aplicada.

- Casos especiais de aplicação de penalidade:

a) penalidade de suspensão de até 15 dias, para o servidor que se recusar a ser submetido a
inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade
uma vez cumprida a determinação;

b) penalidade de demissão (ou destituição de cargo em comissão) acrescida de


incompatibilização do ex-servidor para nova investidura em cargo público federal pelo prazo
de 5 anos (art. 137, caput):

I) valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade


da função pública;

II) atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se
tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro.

c) aplicação de penalidade de demissão (ou destituição de cargo em comissão) acrescida de


impedimento de retorno ao serviço público federal (arts. 136 e 137, parágrafo único):

I) crime contra a administração pública;

II) improbidade administrativa (implica, também, indisponibilidade dos bens e ressarcimento


ao erário);

III) aplicação irregular de dinheiros públicos (implica, também, indisponibilidade dos bens e
ressarcimento ao erário);

IV) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional (implica, também,
indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário);

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V) corrupção (implica, também, indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário).

- Abandono de cargo x inassiduidade habitual (arts. 138 e 139):

Abandono de cargo Inassiduidade habitual

Falta ao serviço, sem causa justificada, por


Ausência intencional do servidor ao serviço por
sessenta dias, interpoladamente, durante o
mais de trinta dias consecutivos.
período de doze meses.

- Quanto mais grave a penalidade, maior a hierarquia da autoridade competente para sua
aplicação (art. 141) e maior o prazo de prescrição da ação disciplinar (art. 142).

DICA PARA ACERTAR QUESTÕES OBJETIVAS: o rol de faltas que ensejam a aplicação das
diversas penalidades é bastante extenso, sendo extremamente difícil a sua memorização!

Nesse cenário, uma dica para maximizar as chances de acerto em provas é, por ser um rol menor,
buscar a memorização das condutas que ensejam aplicação de penalidade de suspensão, quais
sejam:

I) reincidência das faltas punidas com advertência (suspensão até 90 dias);

II) violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão
(suspensão até 90 dias) – com efeito, são:

II.1) cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em
situações de emergência e transitórias;

II.2) exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho.

III) recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente
(suspensão até 15 dias).

Assim, se aparecer na sua prova qualquer conduta diferente dessas, você já sabe que se trata de
penalidade de advertência ou de demissão.

Isso já vai te ajudar em muitas questões ;)

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Agora, para distinguir na prova as condutas que ensejam penalidade de advertência e de


demissão, siga os passos a seguir:

1) dê uma lida no rol de condutas que ensejam cada uma dessas penalidades. Perceba que as
condutas que ensejam penalidade de advertência são menos graves se comparadas às que
ensejam penalidade de demissão;

2) identifique as condutas que ensejam penalidade de advertência que você acredita que
poderia ficar inseguro em se confundir com uma conduta que enseja penalidade de demissão.
Memorize tais condutas;

3) identifique as condutas que ensejam penalidade de demissão que você acredita que poderia
ficar inseguro em se confundir com uma conduta que enseja penalidade de advertência.
Memorize tais condutas.

Pronto, memorizando apenas a parcela de condutas que você está inseguro, você responde às
questões que tratam das demais condutas aplicando a lógica: condutas graves ensejam penalidade
de demissão e condutas menos graves ensejam penalidade de advertência!

- Precedente(s) e/ou entendimento(s) jurisprudencial(is) importante(s):

“Pela falta residual não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível a
punição administrativa do servidor”1.

1
STF – Súmula 18.

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