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Diretrizes para Turismo Rural em SP

O documento apresenta diretrizes para a elaboração do Plano Estadual de Turismo Rural de São Paulo, destacando a importância do engajamento de empresários, lideranças locais e políticas públicas para o desenvolvimento do setor. O turismo rural é visto como uma oportunidade econômica significativa, promovendo a preservação cultural e ambiental, além de gerar empregos nas comunidades rurais. O texto também analisa o panorama do turismo rural no Brasil e no mundo, evidenciando seu crescimento e os desafios enfrentados.

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Diretrizes para Turismo Rural em SP

O documento apresenta diretrizes para a elaboração do Plano Estadual de Turismo Rural de São Paulo, destacando a importância do engajamento de empresários, lideranças locais e políticas públicas para o desenvolvimento do setor. O turismo rural é visto como uma oportunidade econômica significativa, promovendo a preservação cultural e ambiental, além de gerar empregos nas comunidades rurais. O texto também analisa o panorama do turismo rural no Brasil e no mundo, evidenciando seu crescimento e os desafios enfrentados.

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Panorama do

Turismo Rural
do Estado de
São Paulo

Diretrizes para elaboração do


Plano Estadual de Turismo Rural
versão 1.0
1. Apresentação

Os desafios para desenvolver o turismo rural no Estado de São Paulo, vem sendo
superado pelo engajamento de empresários e lideranças locais, com apoio de
professores que direcionam pesquisas na área e por lideranças políticas que
defendem as mudanças estruturais para apoiar e fomentar políticas públicas para o
segmento.

E considerando todos os esforços e debates realizados aos longos dos últimos anos,
bem como o forte crescimento da atividade turística nas áreas rurais e o seu evidente
potencial econômico, um dos maiores pleitos dos atores envolvidos na cadeia
produtiva do setor no Estado de São Paulo foi publicado o DECRETO Nº 67.494, em
17/02/2023, que dispõe sobre o funcionamento do Fórum Estadual de Fomento ao
Turismo Rural, a que se refere o artigo 6º da Lei nº 16.774, de 19 de junho de 2018,
que tem como principais atribuições ser um órgão consultivo para opinar, sugerir,
indicar e propor medidas para o desenvolvimento da atividade de turismo rural no
Estado de São Paulo.

O Decreto indica a composição do Fórum, seu funcionamento e determina como


objetivo direto a discussão do Plano Estadual para o Turismo Rural do Estado de São
Paulo, o qual deverá ser elaborado pela Secretaria de Turismo e Viagens.

Sendo assim, a SETURV/SP, criou um Grupo de Trabalho do Turismo Rural que tem
por finalidade reunir subsídios para elaboração de Plano de Ação para o Turismo Rural
Paulista, com vistas à criação de proposta de Política Estadual de Turismo Rural do
Estado de São Paulo.

Para ser um processo colaborativo e participativo, os membros do grupo de trabalho


indicaram uma série de lideranças do setor, que ao longo dos últimos anos
participaram e contribuíram para o desenvolvimento do segmento do turismo rural no
Estado de São Paulo.

1
Nesse sentido foi desenvolvido um formulário on-line com questões abertas e
fechadas para coletar impressões de:

✓ especialistas na área
✓ membros da academia
✓ empresários do setor
✓ gestores públicos municipais
✓ servidores públicos estaduais

Em paralelo, a equipe técnica da FIA realizou um levantamento de dados secundários


para subsidiar um Panorama do Turismo Rural do Estado de São Paulo, para apoiar
a definição das diretrizes para a elaboração do Plano Estadual de Turismo Rural

2. Panorama do Turismo rural no Brasil

O Ministério do Turismo considera turismo rural como o “Conjunto das atividades


turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometidas com a produção agropecuária,
agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural
e natural da comunidade”. (Marcos Conceituais – MTur). As atividades podem
enquadrar-se em diferentes frentes como o agroturismo, a agricultura familiar e outras.

O objetivo é aproximar o turista da natureza e proporcionar uma pausa ao barulho da


cidade, e por esses motivos, a procura destes serviços cresce na região paulista. Os
paulistanos já costumam preferir viagens mais curtas, e isso, aliado ao caos da cidade,
torna o turismo rural pelo próprio estado de São Paulo uma ótima oportunidade para
o empreendedor.

O turismo rural ajuda também a promover o estilo de vida e a economia de


comunidades menores, sendo um importante aliado na preservação de culturas locais.

O turismo rural brasileiro, a partir dos anos 2000, começa a surgir com outra dimensão
no cenário turístico nacional. Passa a ser visto pelos turistas com outros olhos, os do

2
reconhecimento da sociedade, que vê nos produtores rurais importantes aliados na
preservação da natureza, bem indispensável para a perpetuação da vida no planeta.

E vão além, ao se manterem como guardiões dos hábitos e dos costumes das pessoas
que vivem no campo. As opções de produtos turísticos rurais, que são oferecidos hoje
em dia, permitem aos que optam por esse tipo de lazer realizar uma viagem repleta
de vivências memoráveis, seja por parte daqueles que um dia já tiveram a
oportunidade de viver no meio rural, seja para os que ouviram histórias de vida
contadas por pessoas que fazem parte do seu círculo de convivência1.

A alta na relevância do turismo rural vem também no resultado das mudanças na


demanda causadas pela pandemia, pois houve uma queda na procura por destinos
internacionais por turistas brasileiros e um aumento na busca por destinos
domésticos.

Por enaltecer o patrimônio de uma comunidade, o turismo rural acaba impactando


também o setor gastronômico, valorizando comidas típicas de uma região2.

Embora o turismo rural como tal não tenha uma data exata de origem, pois foi
evoluindo ao longo da história à medida que as pessoas procuravam fugir da vida nas
cidades e se conectar com a natureza e a vida rural, acredita-se que tenha suas raízes
na Grécia e Roma antigas onde as pessoas viajavam para áreas rurais com o fim de
descansar e se recuperar da vida urbana.

Considera-se, no entanto, que o turismo rural moderno começou a desenvolver-se no


final do século XIX e início do século XX na Europa, quando as pessoas começaram
a procurar experiências mais autênticas e naturais. Nesse período, o turismo rural
tornou-se uma alternativa ao turismo urbano convencional, popularizando-se entre as
classes altas que buscavam fugir do barulho e da poluição das cidades. As paisagens

1
Disponível em: [Link] Acesso:
20.03.2023

2
Disponível em: [Link]
paulista,0fe2de3be9952810VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso: 20.03.2023

3
rurais tornaram-se um atrativo e muitos lugares começaram a desenvolver
infraestrutura para atrair visitantes, como meios de hospedagem e restaurantes.

A partir da década de 1950, o turismo rural foi reconhecido como uma atividade
estratégica do desenvolvimento econômico em muitos países da Europa. E, para as
décadas dos 60 e 70 o turismo rural tornou-se uma tendência mundial. Mas naquela
época, este tipo de turismo se concentrava em áreas rurais com desenvolvimento de
agricultura e pecuária.

Na Europa, especialmente na França, Espanha, Itália e Portugal, os agricultores


começaram a oferecer hospedagem e atividades turísticas em suas fazendas para
complementar sua renda. Por outro lado, na América do Norte o turismo rural se
concentrou em atividades ao ar livre, como caminhadas, pesca e camping. Esta forma
de turismo permitiu aos visitantes experimentar a vida rural e os ofícios tradicionais,
como a fabricação de queijos, a pecuária e a agricultura.

No Brasil, o desenvolvimento do turismo rural ocorreu mais tarde do que na Europa e


América do Norte. Considera-se que esse segmento já desponta de forma mais bem
estruturada no país na década de 1980 quando alguns proprietários rurais no Estado
de Santa Catarina decidiram aproveitar as potencialidades de suas estruturas para
explorar atividades não agrícolas, tais como o turismo, na procura de diversificar sua
renda (Tulik, 2003). Vale destacar que este desenvolvimento do turismo rural coincide
com o processo acelerado da urbanização no Brasil.

Hoje, o turismo rural moderno tornou-se um segmento muito importante em muitos


países, mesmo no Brasil, pois tem demostrado ser uma atividade econômica
destacada que gera emprego, melhora a renda e tem efeito multiplicador em outros
setores da economia (OMT, 2020). A oferta de produtos turísticos rurais, mesmo
menos estruturada que outras ofertas turísticas, tem apresentado crescimento
significativo e têm encontrado eco entre os turistas que buscam experiências únicas
na natureza, na cultura local e na gastronomia. Especialmente, o turismo local e

4
regional que se intensificou durante a pandemia e fortaleceu ainda mais esse
segmento.

À medida que o turismo rural cresce no mundo, traz também questões relacionadas
aos seus impactos culturais e meio ambientais nas comunidades rurais. Em resposta,
muitos governos vêm desenvolvendo políticas públicas e promovendo práticas de
turismo sustentável para garantir que o turismo rural beneficie os visitantes, as
comunidades locais e o meio ambiente, de tal modo que garantam o desenvolvimento
local de maneira sustentável.

O turismo rural moderno possui uma série de características distintivas que o


diferenciam do modelo tradicional de turismo, oferecendo oportunidades, mas também
planteando desafios:

• Conexão com a natureza e a cultura locais: O turismo rural moderno se


concentra na experiência da vida rural e na conexão com a natureza e a
cultura locais. Os turistas que visitam as áreas rurais procuram fugir do
stress da vida urbana e experimentar um estilo de vida mais relaxado e
tranquilo;
• Alojamento em casas rurais: Uma das vertentes mais procuradas do
turismo rural moderno é o alojamento em casas rurais. Estas casas estão
geralmente localizadas em áreas rurais e oferecem aos turistas uma
experiência autêntica da vida rural. Em muitos casos, trata-se de casas
antigas que foram restauradas e que preservam o seu encanto histórico e
arquitetônico;
• Atividades ao Ar Livre: O turismo rural moderno centra-se nas atividades
ao ar livre, como caminhadas, trilhas, pesca, passeios a cavalo, cicloturismo
e esportes de aventura. Essas atividades permitem que os turistas desfrutem
da beleza natural e cênica das áreas rurais e se conectem com a natureza;
e

5
• Gastronomia local: O turismo rural moderno aposta também na
gastronomia local. Muitas áreas rurais têm uma rica tradição culinária, e os
turistas podem degustar e comprar produtos produzidos localmente.

Finalmente, dentre os diversos prismas analisados sobre o Turismo rural, alguns


aspectos devem ser observados:

• Agregação de valor a propriedade pela possibilidade de diversificação das


atividades de renda dos produtores do agronegócio;

• Redução do êxodo rural pela fixação de novas gerações na condução dos


negócios do campo;

• Preservação da natureza, da história e da cultura tradicional a partir dos modos


de saber e fazer, pela experiência do turista em vivenciar; e

• Distribuição de renda principalmente ao pequeno produtor.

2.1. O Turismo rural – Definição da OMT

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo rural é definido


como "uma atividade turística que ocorre em um ambiente rural, e em que a
experiência do visitante está relacionada com um amplo espectro de produtos
geralmente ligados a atividades de natureza, agricultura, estilos de vida e culturas
rurais, pesca desportiva e visita a locais de interesse.”

O turismo rural envolve a oferta de serviços turísticos em áreas rurais, como casas de
fazenda, pousadas, hotéis, restaurantes e outros serviços que podem ser combinados
com atividades agrícolas, como a colheita de frutas e verduras; a ordenha de vacas;
produção de produtos alimentícios como geleia, queijo, pães; passeios a cavalo;
trilhas e outras atividades ao ar livre.

6
O objetivo do turismo rural é oferecer aos visitantes uma experiência única e
enriquecedora, que valorize a cultura local e a vida no campo. O turismo rural também
pode contribuir para o desenvolvimento econômico das comunidades rurais, gerando
empregos e promovendo a preservação dos recursos naturais e culturais locais.

2.2. Panorama mundial da atividade

Com o aumento da população urbana ao longo de décadas a ONU estima que até
2050 até 68% estarão em cidades, concentrando 85% da produção econômica
mundial, causando um grande impacto. Observarmos, também, que existe uma
grande população atualmente vivendo em pobreza e até mesmo extrema pobreza em
comunidades rurais pelo mundo, com escassez de serviços públicos, baixas
expectativas de emprego gerando o êxodo rural que aumenta a população nas zonas
urbanas.

Experiências exitosas pelo mundo mostram que é possível não penas fixar o homem
no campo, mas também modificar o atual quadro de escassez implantado.

2.2.1. Austrália

A gestão do Turismo rural na Austrália é feita por várias organizações, incluindo o


Governo Federal da Austrália, os governos estaduais e territoriais, e diversas
organizações regionais e locais.

O governo federal da Austrália tem uma série de programas de apoio ao turismo rural,
incluindo o Programa de Turismo Regional, que fornece financiamento para projetos
turísticos em áreas rurais e regionais da Austrália. Além disso, criaram o programa
"Farm Stay and Country Accommodation", que incentiva as propriedades rurais a
oferecer acomodações para turistas.

7
Os governos estaduais e territoriais da Austrália também têm seus próprios programas
de apoio ao turismo rural, muitos dos quais se concentram em promover atrações
turísticas específicas, como rotas turísticas, parques nacionais, vinícolas e
propriedades agrícolas.

As organizações regionais e locais desempenham um papel fundamental na


promoção do turismo rural na Austrália. Essas organizações geralmente trabalham
em estreita colaboração com os governos estaduais e territoriais, bem como com as
empresas e proprietários de terras locais, para promover as atrações turísticas locais
e desenvolver pacotes de turismo que atraem visitantes para a região.

No geral, a gestão do turismo rural na Austrália é altamente descentralizada, com


várias organizações e níveis de governo trabalhando em conjunto para promover o
turismo rural em todo o país.

2.2.2. Espanha

Na Espanha o Turismo rural faz parte de um projeto maior que se chama RRN – Rede
Rural Nacional3 que tem como maior objetivo impulsionar o desenvolvimento rural, a
aliança dos atores que pretendem atuar nas regiões rurais criando sinergia que facilite
o desempenho de cada ator e possibilite benefícios para a região e sua população,
atua como uma plataforma de encontros, comunicação e difusão voltado ao
desenvolvimento da região, Neste contexto os empreendedores que atuam no turismo
fazem parte desta Rede e se beneficiam das informações e possibilidades de alianças
para melhor desenvolver o Turismo rural.

O Turismo rural na Espanha é mais popular, porque possui um número expressivo de


meios de hospedagem rurais, permite realizar atividades ao ar livre, descobrir a
natureza e ver locais de incrível beleza cênica fora dos circuitos mais turísticos e

3
Disponível em: [Link] . Acesso: 20.03.2023

8
concorridos. Este tipo de turismo foi revalorizado ao longo do tempo e hoje já é muito
importante, oferecendo todo o tipo de experiências, priorizando a culinária local e a
valorização dos patrimônios arquitetônicos.

2.2.3. Portugal

O Turismo rural de Portugal participa com parcela significativa da economia do país,


com constantes registros de crescimento ano a ano. Representa uma possibilidade
real de empregos além de fortalecer a sustentabilidade 4.

Portugal recebe visitantes oriundos de muitos países, mas os mais significativos são:
Alemanha (25%), França, Espanha e Holanda.

O Turismo rural português está fortemente ligado a suas tradições e culturas. Sempre
apoiam as economias locais e ou regionais. Isso cria uma atmosfera de excelência
em hospitalidade por todos os atores do turismo português.

Existe uma classificação de TER (Turismo em Espaço Rural) que gera um cadastro e
registro que normatiza os chamados Alojamentos Locais, com a manutenção de um
padrão de qualidade, mesmo reconhecendo as diferenças de estruturas e padrões
nos estabelecimentos. Previamente para se classificar para uma TER existe um
procedimento que possibilita uma maior viabilidade ao negócio como plano de
negócio, análise das estruturas e análise de investimentos.

É interessante observar que o TER é uma classificação de tudo que ocorre em


Turismo em Espaço Rural, mas que esta forma é ampla e deve ainda ser subdividida
em mais duas outras categorias. O Turismo rural representa as atividades
agropecuárias que também exercem a atividade do turismo e por fim existe o

4Disponível em: [Link]


portugal/#:~:text=Crescimento%20na%20procura%20por%20Turismo%20Rural&text=Registando%203%2C4%20milh%C3%
B5es%20de,26%2C7%25%2C%20concretamente. Acesso: 20.03.2023

9
Agroturismo que representa uma atividade eminentemente turística que possui
atividades agropecuárias, mas não com finalidades econômicas, têm seu foco no
turismo5.

A classificação de TER inicia em 1978 em quatro regiões piloto: Ponte de Lima,


Vouzela, Castelo de Vide e Vila Viçosa, e teve como seu primeiro público-alvo as elites
urbanas das cidades portuguesas. O crescimento foi rápido expandindo para outras
classes sociais promovendo uma maior oferta para todo país em poucos anos, com a
criação de diversas categorias de hospedagem e serviços, como:

• Turismo de Habitação
• Turismo rural
• Agroturismo
• Turismo de Aldeia
• Casas de Campo
• Hotéis Rurais
• Parques de Campismo Rural

Estima-se um crescimento anual médio desde 1978 em 12% da categoria de TER e


suas subdivisões, a categoria TER representa 56% dos leitos disponíveis em Portugal.

O Turismo rural em Portugal é bem organizado e foi fruto de um planejamento bem


estruturado e crescente ao longo de décadas, mostrando resultados consolidados.

2.2.4. Suíça

O governo suíço não tem uma política única de Turismo rural, mas existem várias
iniciativas para promover e desenvolver o turismo em suas áreas rurais. Algumas

5
Disponível em: [Link] Acesso: 20.03.23

10
dessas iniciativas são gerenciadas pelo governo federal, enquanto outras são
gerenciadas pelos governos cantonais ou por organizações privadas.

Uma das principais agências do governo suíço responsáveis por questões de turismo
é a "Switzerland Tourism" (ST), uma organização de marketing que promove a
imagem do país como um destino turístico internacional. A ST trabalha em conjunto
com os governos cantonais e organizações regionais de turismo para promover os
atrativos do turismo rural, como as paisagens montanhosas, vilas pitorescas,
atividades ao ar livre e os produtos regionais.

Além disso, o governo suíço também promove incentivos fiscais e programas de


subsídios para empresas rurais que investem em infraestrutura turística, como hotéis,
restaurantes e atividades ao ar livre. Essas iniciativas visam a criação de empregos e
o desenvolvimento econômico das áreas rurais do país.

Outra organização importante é a "Schweiz Tourismus", que é responsável pela


promoção do Turismo rural em cada uma das 26 regiões do país. Essa organização
trabalha em parceria com empresas locais para desenvolver produtos turísticos a
partir de experiências e com foco na sustentabilidade, que valorizem a cultura e as
tradições das regiões.

11
3. Panorama do Turismo Rural no Estado de São Paulo

3.1. Plano de Ação do Turismo Rural

O levantamento realizado junto aos indicados e especialistas do segmento do turismo


rural e foi realizado no período de 20 à 24 de março.

Os participantes representam um extrato importante de pessoas que atuam junto ao


segmento como:professores especialistas, empresários, produtores rurais,
proprietários de Hotel Fazenda, Administradores de Fazendas Históricas,
Interlocutores de Regiões Turísticas, Secretários de Turismo, dirigentes de sindicatos,
diretor de Unidade de Conservação, e vários outros especialistas (anexo)

12
A maioria dos participantes tem bastante experiência, sendo que mais de 84% têm
mais de 40 anos e 85% têm nível superior.

13
3.2. Demanda

O conceito sobre demanda turística que mais aparece em dados de fontes


secundárias, mas que já está obsoleto é o de Mathieson e Wall (1988, p. 16), “[...] o
número total de pessoas que viajam, ou desejam viajar, para utilizar facilidades e
serviços turísticos em lugares distantes do seu local de trabalho e residência”, com
foco basicamente econômico. Assim sendo, os conceitos estão mais conectados com
o olhar de quem está pesquisando o assunto e sua linha de atuação, como por
exemplo: geografia, sociologia, marketing e economia.

Na versão de Beni (2007), o motivo principal do turismo que é o deslocamento entre


dois pontos (emissivo e receptivo) aparece em destaque na sua defesa de demanda
turística:

Sendo a viagem um movimento entre dois pontos (emissor e


receptor), verifica-se que a demanda turística é demanda por esse
movimento, e depende tanto das características relativas a esses
dois pontos quanto do custo desse movimento (p. 238).

Segundo Cooper et al (2007) e validada por outros autores com algumas


modificações, a demanda turística pode ser real ou potencial/reprimida ou não
demanda:

• Real: aquela que está viajando, totalmente mensurável tanto quantitativa como
qualitativamente e que entra nos estudos estatísticos do turismo.

• Potencial/Reprimida: composta por aqueles que não viajam, mas o fariam caso
ocorresse alguma mudança em suas condições. Nesse caso algumas razões para
que as pessoas não viajem podem ser de cunho pessoal, como: medo, falta de
dinheiro, falta de tempo, falta de companhia, situações de saúde e pandemias como
a que estamos vivendo desde 2020.

14
Existe uma parcela da demanda potencial que pode ser conquistada pelos destinos
turísticos quando eles passam a melhorar sua infraestrutura, meios de hospedagem,
atrativos e promoção.

• Não demanda: aqueles que nunca irão viajar.

Com a pandemia, iniciada em 2020, a demanda turística potencial/reprimida para o


interior, que normalmente viajava para outros estados ou para o exterior, teve que
mudar os hábitos e as viagens para o entorno das capitais, com proximidade de até
300 km em carro, começaram a receber um grande volume de visitantes.

Esse movimento, chamado por especialistas de turismo de proximidade, fez com que
o desenvolvimento do turismo rural ocorresse de forma mais acelerada. Tanto em
destinos já consolidados como aqueles que ainda não eram reconhecidos como tal.

Esse movimento ocorreu de forma tão rápida que alguns destinos no Brasil não
tiveram tempo ou equipe técnica para coletar informações qualificadas dessa nova
demanda que começou a chegar buscando prioritariamente contato com a natureza,
prática de atividades ao ar livre e, muitas vezes isolamento por condições de saúde.

Segundo dados do Observatório Nacional de Turismo, em 2021, início da retomada


do turismo no país, 35,7% das viagens domésticas foram motivadas pelo lazer
prioritariamente para destinos de sol e praia (48,7%), seguido de destinos de natureza,
ecoturismo ou aventura (25,6%). O carro foi o principal meio de transporte utilizado –
57,3%, seguido por ônibus de linha (12,6%). Considerando que ainda em 2021 a
pandemia ainda estava ativa, com picos alternados de contágios, muitos turistas ainda
não se sentiam seguros para viajar de avião.

As viagens de lazer foram predominantes nas famílias com renda acima de 1 salário-
mínimo, enquanto as viagens para visitar amigos e parentes ficaram em primeiro lugar
nas famílias com renda abaixo de 1 salário-mínimo.

15
Dos 9,1 milhões de domicílios onde ocorreram viagens, 95,8% registraram de 1 a 3
viagens, prevalecendo a ocorrência de pelo menos 1 viagem em 74,9% dos
domicílios.

O Estado de São Paulo foi o mais procurado para viagens em 2021, liderando o
ranking com 20,6%, seguido por Minas Gerais com 11,4% e Bahia com 9,5%. O
Estado de São Paulo também liderou o ranking de gastos totais em viagens nacionais
com pernoite, com 18,2% gerando R$ 1,79 bilhão.

A retomada do turismo ganhou força em 2022 e ainda não foram publicados dados
oficiais sobre a demanda turística no Brasil desse período, mas para poder traçar o
panorama do turismo rural no Estado de São Paulo é preciso ter dados mínimos sobre
o perfil da demanda turística, desta forma os dados que serão apresentados a seguir
são os mais recentes.

3.2.1. Demanda do Turismo do Estado de São Paulo

Os dados referentes à demanda turística real do Estado de São Paulo são


descentralizados, cada município é responsável pela coleta de dados e publicação
dos resultados das pesquisas de demanda real e/ou potencial.

Para a elaboração desse panorama será utilizado o resultado de 8 dos 10 municípios


do projeto sobre análise de demanda turística realizado pela SETUR em parceria com
o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento6 que contemplou a análise da
demanda turística real de municípios considerados estratégicos para o estado e que
estão localizados em diferentes Regiões Turísticas.

Dos 10 municípios analisados apenas 8 possuem oferta relacionada ao turismo rural


são eles: Aparecida, Brotas, Campinas, Campos do Jordão, Eldorado, Olímpia e

6Fonte: Análise sobre perfil, comportamento, percepção, tendências e cenários da demanda turística atual e
potencial para o Estado de São Paulo. Cooperação técnica BID/SETUR SP – BR-T1455 – Componente 2. Maio/22

16
Ribeirão Preto. Ressalta-se que Araçatuba, apesar de não aparecer no mapa (Figura
1), foi considerado município estratégico à época do projeto.

Serão apresentados também os dados da pesquisa de demanda turística potencial


em 10 mercados-alvo considerados prioritários pela SETUR elaborados no mesmo
projeto de parceria com o BID.

• Demanda turística real

Figura 1: Municípios estratégicos para estudos do turismo paulista SETUR/CIET

Fonte: CIET, 2023

Como São Paulo – Capital será considerada polo de emissão de turistas para esse
panorama, não irá aparecer nos resultados a seguir, bem como Ilhabela e Santos que
são destinos do segmento Sol e Praia.

Devido à diferenciação da metodologia das pesquisas de demanda real obtidas na


época do estudo, as análises comparativas de dados ficam restritas e serão feitas
apenas quando couber.

As tabelas apresentadas a seguir são referentes as seguintes fontes de pesquisa:

17
Tabela 1: Resumo de fontes de pesquisa

Municípios Fontes de pesquisa


Estudo da demanda turística Estudo da demanda turística
Aparecida (2021)
(2016)
Plano Municipal de Turismo 2017- -
Araçatuba 2019 (pesquisa realizada em
2016)
Estudo de demanda turística -
Brotas (2018)
Plano de desenvolvimento -
Campinas turístico 2020 (pesquisa realizada
Campos do emEstudo
2019) de demanda turística Pesquisa do Observatório de
Jordão (2017) Turismo (2019)
Estudo de demanda turística
Eldorado -
(2019)
Pesquisa do perfil da demanda Pesquisa do perfil da demanda
Olímpia
turística (17/18) turística (19/20)
Pesquisa de demanda turística
Ribeirão Preto -
(2021)

Tabela 2: Faixa etária predominante dos respondentes por município

Município Faixa etária predominante dos respondentes


Aparecida 50 a 60 anos (2016) 30 a 45 anos (2021)
Araçatuba 30 a 39 anos (2016) -
Brotas 30 a 45 anos (2018) -
Campinas 30 a 45 anos (2019) -
Campos do Jordão 25 a 34 anos (2017) 26 a 35 anos (2019)
Eldorado 36 a 59 anos (2019) -
Olímpia 36 a 50 anos (17/18) 36 a 50 anos (19/20)
Ribeirão Preto 20 a 29 anos (2021) -
Legenda: * - mesmo período de entrevistas (julho) / ** - Baixa temporada / *** - Alta temporada

18
Tabela 3: Grau de instrução predominante dos respondentes por município

Grau de Instrução predominante dos


Município
respondentes
Aparecida - Sup. Completo (2021)
Araçatuba - -
Brotas Ensino Superior (2018) -
Campinas - -
Campos do Jordão - -
Eldorado - -
Olímpia Superior (17/18) Superior (19/20)
Ribeirão Preto Sup. Completo (2021) -

Apesar de muitos municípios não inserirem a questão sobre grau de instrução em

suas pesquisas, alguns resultados são interessantes:

• Em Olímpia a porcentagem de ensino Superior em 19/20 (53,39%) foi maior

que a de 17/18 – 44%.

• Em Ribeirão Preto, 77,4% dos respondentes possuem grau de instrução

Superior ou Pós-graduação, indicando uma demanda real com alto grau de

instrução.

Tabela 4: Renda predominante dos respondentes por município

Município Renda predominante dos respondentes


1 a 3 SM (2016) * = R$
Aparecida -
880,00 a 2.640,00
Araçatuba - -
R$ 3.000,00 a R$ 6.000,00
Brotas -
(2018)
Campinas - -
Campos do Jordão - -

19
Eldorado - -
R$ 2.900,00 a R$ 7.249,00 3 a 7 SM (19/20)*** - R$
Olímpia
(17/18) 2.994,00 a 6.986,00
2 a 5 SM (2021)**** - R$
Ribeirão Preto -
2.200,00 a 5.500,00
Legenda7: SM = Salário-Mínimo *SM = R$ 880,00 / ** SM = R$ 937,00 / *** SM = R$ 998,00 e **** SM = R$ 1.100,00

Considerando o índice IGP-M para cálculo da inflação nos valores da renda familiar 8,
nota-se que em todos os municípios onde foi possível a comparação por período a
renda familiar real teve queda conforme indicado a seguir:

Outubro 2019 - R$ 2.994,00 a


Olímpia Outubro 2017 - R$ 2.900,00 a R$ 7.249,00
6.986,00
Diminuição de renda

Olímpia (mantendo a
Outubro 2019 - R$ 3.320,77 a
renda e inflacionando Outubro 2017 - R$ 2.900,00 a R$ 7.249,00 De -236,77 a -1314,78
8.300,78
pelo IGP-M)

Não é possível afirmar que, além da queda de renda familiar real causada pela
inflação, o perfil do turista tenha mudado nos anos de referência apresentados apenas
pelos dados quantitativos absolutos coletados em fontes secundárias.

Em relação ao local de residência, é possível afirmar que todos os municípios recebem


prioritariamente visitantes oriundos do Estado de São Paulo. Alguns municípios que
estão localizados num raio de até 300 km de limites de estados são impactados com
algo de fluxo desses estados, como é o caso de Aparecida, Eldorado e Ribeirão Preto.

Tabela 5: Residência predominante dos respondentes por município

Município Residência predominante dos respondentes

Estado SP (46,8%) e MG Estado SP (50,7%) e MG


Aparecida
(20,5%) - (2016) (19%) – (2021)
Birigui, São Paulo e
Araçatuba -
Penápolis (2016)
São Paulo (Capital) – 21,8%
Brotas -
e Campinas (7%) – (2018)

7Fonte: [Link] – Acessado em 24.10.2021


8Cálculo feito utilizando a calculadora do cidadão – Banco Central do Brasil. Fonte:
[Link]

20
Outros (48,3%), São Paulo
Campinas (18,42%); Hortolândia -
(5,65%) – (2019)

Estado de São Paulo (61,1%,


Campos do Outras cidades (46,6%);
sendo SP Capital - 27,6%) e
Jordão São Paulo (23,9%) – (2019)
Rio de Janeiro - 7,9% - (2017)

Capital São Paulo (60%) e


Eldorado Estado do Paraná (20%) – -
(2019)
Estado de São Paulo (79,6%) Estado de São Paulo
sendo 51,6% da Capital e (84,75%) sendo 33,9% da
Olímpia
grande São Paulo e 28% do Cidade de São Paulo
Interior - (17/18) (19/20)

Estado de São Paulo


(76,93%) sendo 15,5% da
Ribeirão Preto -
capital e Estado de Minas
Gerais (14,50%) - (2021)

Tabela 6: Tempo de permanência nos destinos pelos respondentes por municípios

Tempo de permanência no destino


Município
pelos respondentes
Aparecida 1 dia (2016) 2 a 3 dias (2021)

Araçatuba 1 dia (2016) -

Brotas 2 a 3 dias (2018) -

Campinas 2 a 3 dias (2019) -


2,8 pernoites
Campos do Jordão 2 dias (2019)
(2017)
Eldorado 1 a 2 dias (2019) -

Olímpia 5 dias (17/18) 3 dias (19/20)

Ribeirão Preto 1 dia (2021) -

21
Nota-se que o tempo de permanência média da demanda nos municípios é curto. Em
alguns casos o contexto explica a diferença:

• Em Olímpia, ocorreu uma queda de dois dias na permanência.


• Em Aparecida, o aumento de tempo de permanência pode estar vinculado ao
desenvolvimento da infraestrutura hoteleira no município, que promoveu a
mudança de perfil da demanda de um possível excursionista para um turista
com pernoite.

As motivações que apareceram nas pesquisas analisadas estão apresentadas a


seguir, Olímpia não questionou objetivamente sobre a motivação, mas perguntou qual
o principal atrativo levou o turista ao destino e com 75,42%, o hotel Thermas dos
Laranjais foi o principal.

Figura 2: Principal motivação de viagem

A maioria dos respondentes chega nos municípios de carro, próprio ou em alguns


casos alugados. Somente em Aparecida, o ônibus é o meio de transporte mais
utilizado pelos respondentes.

• Em Campinas como segunda opção temos o avião, em Araçatuba ele aparece


como terceira opção após o ônibus, ambos são destinos que tem como
principal segmento – negócios e eventos.

Em relação aos meios de hospedagem, a maioria se hospeda ou em hotel ou em


pousada. Apesar da nomenclatura estabelecida nos questionários, os respondentes

22
muitas vezes não sabem se é hotel ou pousada, o que pode promover desvio nos
resultados.

Alguns destaques para análise:

• Em Araçatuba, o segundo meio de hospedagem mais utilizado pelos


respondentes foi a casa de parentes (31%) contra 46% de Hotel.
• Em Brotas, o hotel mencionado como o mais utilizado é hotel urbano, 20% dos
respondentes ficam em hotel/pousada fora da cidade.
• O volume de respondentes hospedado em Resort em Olímpia aumentou de
17/18 para 19/20 de 36,5% para 41,5%. Ressaltando que o atrativo que motiva
a ida do turista para o destino é um Resort Termal.
• Em Ribeirão Preto, depois do hotel, o meio de hospedagem mais utilizado é a
casa de parentes e amigos com 21,2%.

Grande parte dos respondentes indicou que viajava com a família, os perfis de
viajantes que foram sozinhos estão diretamente relacionados aos destinos de
negócios. Apenas Ribeirão Preto destacou a viagem com amigos e os destinos de
lazer / aventura como Brotas, Campos do Jordão e Santos viajam em casal.

Figura 3: Com quem os respondentes viajaram

Nesse caso, devido a metodologia de cada pesquisa, pode haver um desvio sobre o
que consideram família ou casal com filhos. Outros dados como idade do

23
acompanhante, com quantas pessoas viajavam, apesar de terem sido sistematizados
não foi possível apresentar devido a diversidade muito grande de respostas.

A tendência de informação e comunicação sobre o destino indicando que as


influências hoje em dia são mais sociais se confirma nos resultados das pesquisas.
Apenas 8 dos 10 municípios apresentaram respostas para esta questão, a indicação
de amigos e parentes – o “boca a boca” foi predominante na questão “como ficou
sabendo do destino?” nos municípios: Aparecida, Araçatuba, Brotas, Olímpia e
Ribeirão Preto. Em Campinas e Eldorado, a demanda analisada ficou sabendo pela
internet.

Especificamente em Campinas, uma fonte que apareceu com destaque depois da


internet foi a designação profissional, o que indica um alto fluxo de turismo de negócios
nessa região.

Demanda turística potencial

Por ocasião desse projeto, foram realizadas pesquisas quantitativas online para
análise da demanda potencial em 10 estados considerados como principais
mercados-alvo para o Estado de São Paulo: MG, RJ, PR, MT, MS, ES, DF, RS, AM e
BA.

Essa pesquisa foi realizada no período de 11.11 a 01.12.2021, considerando como


respondentes Homens e Mulheres; 25 anos ou mais; pertencentes a todas as classes
sociais – critério renda familiar com pessoas que atenderam aos seguintes critérios:

• Nunca viajou para o Estado de São Paulo.


• Tem o hábito de viajar ao menos uma vez no ano (independente de destino
e/ou meio de transporte) – considerando o período pré-pandemia.

24
A amostra obtida foi de 1014 entrevistas (margem de erro geral de 3.1 p.p). Importante
ressaltar que a amostra alcançou margem de erro de 15% nos seguintes estados:
Amazonas (AM), Espírito Santo (ES), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e
Paraná (PR). Desta forma, os dados apresentados desses estados não representam
a realidade do perfil do mercado, mas sim um extrato qualitativo que poderá apoiar
algumas análises e recomendações estratégicas.

Será apresentada uma síntese dos resultados e alguns gráficos relevantes para a
análise da demanda potencial para o Estado de São Paulo, de forma abrangente, não
considerando apenas o segmento de Turismo rural.

25
Tabela 7: Perfil demográfico – pesquisa de demanda potencial por estados
Estados Amostra Gênero Faixa Grau de Instrução Renda Classe
(respondentes)
etária familiar social (ver
Anexo 1)
30 a 39
Amazonas 59 Feminino Superior Completo Até R$1.100 D
anos
30 a 39 De R$ 3.301 a
Bahia 120 Feminino Médio Completo B2/C1
anos R$ 5.500
De R$ 1.101 a
R$ 2.200
Distrito 30 a 39
93 Masculino Superior Completo (22%) e de R$ B2/C2/D
Federal anos
3.301 a R$
5.500 (22%)
Espírito 30 a 39 De R$ 2.201 a
53 Feminino Médio Completo C1
Santo anos R$3.300
Mato 30 a 39 De R$ 2.201 a
58 Feminino Superior Completo C1
Grosso anos R$3.300
Mato
30 a 39 Médio Completo (25%) e De R$ 3.301 a
Grosso do 53 Masculino B2
anos Superior Completo (25%) R$ 5.500
Sul
Minas 30 a 39 De R$ 3.301 a
182 Masculino Superior Completo B2
Gerais anos R$ 5.500
De R$ 1.101 a
R$ 2.200
30 a 39 Médio Completo (26%) e (24%) e de R$
Paraná 88 Feminino C1/C2/D
anos Superior Completo (26%) 2.201 a
R$3.300,00
(24%)
Rio de 30 a 39 De R$ 3.301 a
187 Masculino Médio Completo B2
Janeiro anos R$ 5.500

Rio Grande 30 a 39 Médio Completo (26%) e De R$ 5.501 a


121 Masculino A/B1/B2
do Sul anos Superior Completo (26%) R$ 11.000

26
Gráfico 1: Análise dos atributos principais que motivam uma viagem – Geral

GERAL
Quais dos seguintes atributos tornam um destino mais
atrativo para você? (1014 respondentes)

Preço 63%

Atrativos naturais 58%

Infraestrutura Turística (diversidade de meios de


57%
hospedagem, gastronomia, comércio)

Facilidade de acesso (estradas, aeroportos) 40%

Atrativos culturais 36%

Local calmo e sem muita gente 36%

Estar conservado 16%

Distância do seu local de residência 15%

Possibilidade de prática de esportes 10%

Grande movimentação de pessoas 10%

Ser um destino acessível (apto para pessoas com deficiência) 9%

Outros 1%

A seguir (Gráfico 2) é possível ver que para apenas 9% dos respondentes – a


motivação das viagens foi visitar algum destino para fazer turismo rural. Em
contrapartida, descansar e relaxar está em primeiro lugar e estar em contato com a
natureza em terceiro. A percepção é que, muitos turistas não associam o turismo rural
com descanso e relaxamento, ou estar em contato com a natureza.

27
Gráfico 2: Motivação da viagem pré-pandemia – Geral

Motivação da viagem - pré-pandemia


(1014 respondentes) Resposta Múltipla

Descansar e relaxar 68%

Visitar praias 59%

Estar em contato com a natureza 32%


Visitar atrativos culturais e lugares históricos (museus,
centros culturais, igrejas)
31%

Conhecer novas culturas, comunidades tradicionais 29%

Aproveitar a gastronomia local 28%

Visitar cachoeiras 25%

Fazer compras 22%

Conhecer o artesanato local 14%

Fazer trilhas 13%

Frequentar eventos 12%

Aproveitar a vida noturna 12%

A trabalho 9%

Fazer turismo rural 9%

Praticar esportes ao ar livre 8%

Pescar 8%

Praticar esportes náuticos 4%

Outros 2%

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%

As questões a seguir tinham como objetivo saber se os respondentes haviam viajado


em 2021, levando em consideração o momento pós-vacina, para quais locais eles
foram e quais os hábitos de pesquisa e consumo de viagens.

28
Gráfico 3: Viajou em 2021 – por estados

Você já realizou alguma viagem em 2021?


POR ESTADOS
(1014 respondentes)
70% 63% 62%
59% 60% 60% 59%
60% 57%
52% 51% 50%
48% 49% 50%
50% 43%
41% 40% 40% 41%
37% 38%
40%
30%
20%
10%
0%
AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS

Sim Não

No total foram 564 respondentes que viajaram em 2021, destes, 384 respondeu
que viajou para fora do seu estado de residência. Conforme gráficos a seguir:

Gráfico 4: Viajaram para fora do estado de residência em 2021?

Apenas para os que responderam SIM: viajou para


fora do seu estado de residência em 2021? (Apenas
viagens nacionais)
(384 respondentes)

32%

68%

Sim Não

29
Gráfico 5: Viajaram para fora do estado de residência em 2021 - por estados

Apenas para os que responderam SIM: viajou para fora


do seu estado de residência em 2021? (Apenas viagens
nacionais) - POR ESTADOS
(384 respondentes)
100% 93%
90%
80%
71% 70% 71%
67% 68% 66%
70% 63%
60% 54% 57%

50% 46% 44%


38%
40% 33% 32% 34%
29% 30% 30%
30%
20%
7%
10%
0%
AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS

Sim Não

Gráfico 6: Viajaram para fora do estado de residência em 2021 - por faixa etária

Apenas para os que responderam SIM: viajou para fora


do seu estado de residência em 2021? (Apenas viagens
nacionais) - POR FAIXA ETÁRIA (384 respondentes)
80% 75%
72%
70% 67%
62%
60%
50%
38%
40% 33%
29%
30% 25%

20%
10%
0%
25 a 29 30 a 39 40 a 49 50+

Sim Não

30
Gráfico 7: Viajaram para fora do estado de residência em 2021 – por classe social

Apenas para os que responderam SIM: viajou


para fora do seu estado de residência em 2021?
(Apenas viagens nacionais) - POR CLASSE SOCIAL
- RENDA FAMILIAR
(384 respondentes)
100%
81%
80%
63%
60%
37%
40%
19%
20%

0%
AB CDE

Sim Não

Para os 564 respondentes que viajaram em 2021 foram feitas as seguintes


perguntas:

Gráfico 8: Motivação da viagem mais recente em 2021 - Geral e por estados

A viagem mais recente foi a:


(564 respondentes)

3% 1%
3% 4% 2% 6% 2%
7% 6% 7% 3% 7%
9% 13% 2% 13% 15%
11% 5% 9% 6% 7%
13% 15%
9% 11% 9%
21% 11% 0% 12%

86% 85% 85%


79% 80% 79% 76% 77%
74% 72%
67%

GERAL AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS

Lazer Trabalho e Negócios Ambos Outro

Outro: visita a familiares/ doença/ saúde

31
Gráfico 9: Qual segmento optou para a viagem em 2021?

Para qual tipo de destino você viajou em 2021?


Primeira opção selecionada - Viagem mais recente
(564 respondentes)
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Geral AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS
Praia 47% 46% 54% 51% 36% 48% 33% 38% 46% 44% 57%
Campo (turismo rural) 10% 29% 10% 12% 9% 10% 13% 6% 4% 12% 2%
Natureza (Ecoturismo e turismo de
18% 8% 21% 20% 27% 17% 17% 27% 13% 16% 15%
aventura)
Cultural (Patrimônio Histórico
9% 0% 7% 5% 12% 9% 17% 12% 11% 8% 10%
Material e Imaterial)
SPA e Bem-estar 2% 0% 0% 0% 3% 3% 0% 0% 4% 4% 2%
Parques temáticos 7% 8% 1% 7% 3% 6% 7% 15% 7% 8% 7%
Outro 8% 8% 7% 5% 9% 6% 13% 3% 15% 8% 8%

Analisando o gráfico acima é possível identificar que, com exceção do Amazonas, que
indica o turismo rural (viagens ao campo) em segundo lugar, os respondentes dos
outros estados não priorizaram viagens para o campo em 2021.

Quando questionados sobre viagens futuras, tanto as pessoas que viajaram em 2021
como para as que não viajaram, totalizando 1014 respondentes. Nos estados do
Amazonas, Distrito Federal e Mato Grosso, a intenção de viajar ficou para 2022,
enquanto nos outros estados, a maioria pretende viajar nos próximos 3 meses (dez,
jan, fev) visto que a pesquisa foi elaborada entre novembro e 01 de dezembro de
2021. Ainda existia uma parcela de indecisos.

Dessa forma, seguem alguns dados importantes sobre esse público:

• 67% são do gênero feminino, residentes na Bahia e no Rio Grande do Sul, de


30 a 39 anos e têm renda familiar na faixa dos R$ 1.101 a R$ 2.200.

32
• 33% são do gênero masculino, residentes no Rio de Janeiro, Minas Gerais e
Paraná, de 30 a 39 anos e com renda familiar na faixa dos R$ 1.101 a R$ 2.200.

Gráfico 10: Cenário futuro e intenção de viagem a lazer - geral e por estados

Você tem a intenção de viajar ou já sabe quando pretende


fazer sua próxima viagem a lazer?
(1014 respondentes)
50%
45%
40%
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
Geral AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS
Nos próximos 3 meses 37% 20% 44% 34% 32% 34% 42% 35% 47% 34% 43%
Nos próximos 6 meses 20% 25% 21% 16% 23% 24% 15% 19% 10% 22% 17%
No próximo ano 31% 41% 21% 39% 32% 32% 28% 38% 24% 32% 26%
Daqui a 2 anos 3% 0% 4% 3% 0% 3% 2% 3% 5% 3% 4%
Daqui mais de 2 anos 1% 5% 1% 1% 0% 1% 0% 0% 2% 2% 0%
Não sei 9% 9% 9% 7% 13% 7% 13% 5% 13% 8% 9%

Para a próxima questão foram considerados 927 respondentes, que são aqueles que
têm planos de viagem, os 87 que responderam "não sei" foram direcionados para
outra questão.

33
Gráfico 11: Cenário futuro - segmentos e nichos e mercado

Para qual tipo de destino você irá ou pretende viajar?


Primeira opção selecionada
(927 respondentes)
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Geral AM BA DF ES MG MS MT PR RJ RS
Praia 57% 54% 56% 59% 35% 61% 61% 58% 55% 57% 63%
Campo (turismo rural) 7% 9% 8% 5% 7% 8% 2% 6% 12% 6% 6%
Natureza (Ecoturismo e turismo de
12% 9% 14% 13% 20% 7% 17% 22% 7% 10% 12%
aventura)
Cultural (Patrimônio Histórico
9% 11% 11% 6% 20% 12% 9% 4% 3% 9% 7%
Material e Imaterial)
SPA e Bem-estar 4% 4% 4% 5% 2% 2% 0% 0% 8% 5% 4%
Parques temáticos 9% 9% 6% 12% 11% 10% 9% 9% 7% 9% 6%
Outro 3% 4% 2% 2% 7% 1% 2% 2% 10% 5% 2%

É possível ver que tanto nas viagens realizadas em 2021, como em um cenário futuro,
no caso considerando as viagens que seriam realizadas em 2022, no imaginário da
demanda potencial, o segmento do turismo rural não é o mais lembrado, com exceção
do Amazonas em 2021 e no Paraná em 2022.

Esse é um indicador importante para o desenvolvimento do Plano de Turismo rural do


Estado de São Paulo.

34
Tabela 8: Comparativo de pré-pandemia e viagem mais recente 2021 – Informação e Compra/reserva de viagem – por estados

35
Tabela 9: Comparativo de dados pré-pandemia e pós-vacina (Meio de transporte e Meio de Hospedagem)

36
Tabela 10: Comparativo (atributo, motivação, intenção de viajar) – por estados

37
3.2.2. Demanda do segmento turismo rural no Brasil e no Estado de São
Paulo

Os estudos e pesquisas sobre o perfil da demanda turística de Turismo rural no Brasil


e no Estado de São Paulo são praticamente inexistentes, o que torna difícil uma
análise mais aprofundada.

Serão apresentados a seguir dados extraídos de fontes secundárias – “Diagnóstico


de Turismo rural em el Brasil – Un concepto en construcción” – publicado por Instituto
Interamericano de Cooperación para la Agricultura – IICA. (2009) e Turismo rural:
Orientações Básicas do Ministério do Turismo - Mtur. (2010)

A ruralidade e os ambientes naturais se confundem enquanto oferta porque ambos


possuem recursos naturais como a paisagem e a sensação de estar fora da sua rotina,
que passa a ser uma experiência diferenciada para a demanda.

Por isso a importância de conhecer o perfil do visitante que é motivado pelas


experiências promovidas pelo turismo rural.

No documento publicado em 2009 na Costa Rica sobre o turismo rural no Brasil, foi
apresentado que o consumidor de turismo rural no Brasil busca se reaproximar da
natureza, mesmo que seja por um breve período. Quer experenciar os benefícios que
a natureza dá, além de ter vivencias nos modos de vida locais, caracterizado por
elementos singulares da cultura, pela gastronomia, a tradição e o modo como ocorre
a relação homem-natureza.

Essa demanda não compra apenas o seu leito no meio de hospedagem, mas sim uma
experiência única.

Algumas características interrelacionadas que podem determinar um perfil de


demanda, foram apontadas em ambos os documentos e são destacadas a seguir:

• Moradores de grandes centros urbanos;

• Faixa etária entre 20 e 55 anos;

38
• Maioria de casais com filhos e/ou amigos;

• Possuem ensino médio e/ou superior completos;

• Deslocam-se em automóveis particulares, em um raio de até 150 km do núcleo


emissor/urbano;

• Fazem viagens de curta duração, em fins de semana e feriados;

• Organizam suas próprias viagens ao meio rural;

• Têm na internet e nos parentes e amigos suas principais fontes de informação para
a preparação da viagem;

• São apreciadores da culinária típica regional.

Dados não estatísticos, apresentados no documento do MTur e que foram baseados


na análise de outros estudos e em observações de profissionais do segmento,
complementam que a demanda turística de turismo rural valoriza produtos únicos e
artesanais e gostam de levar para casa produtos agroindustriais e/ou artesanais.

Esse perfil traçado nos documentos apresentados será o utilizado para a


caracterização do perfil da demanda turística real do turismo rural no Estado de São
Paulo.

É urgente e necessário realizar pesquisas específicas para a compreensão de qual o


perfil do turista que visita as diferentes localidades do País (seja uma propriedade, um
município ou uma região), tendo em mente que este perfil representará apenas a
parcela maior dos visitantes, mas já é um caminho para conhecer melhor o perfil do
visitante de turismo rural no Brasil.

39
3.2.3. Panorama da demanda do Segmento Rural

Na percepção dos participantes, o perfil da demanda do Segmento Rural é o seguinte

Assim como indica o Ministério do Turismo a faixa etária predominante são turistas
entre 20 e 60 anos e que viajam com família e amigos.

40
E na percepção dos participantes, mais de 95% dos turistas do segmento utilizam o
próprio carro para práticas de atividades em ambiente rural, considerando que a
maioria 86% permanecem de um a dois dias, é bem provável que a maioria mora
próximo ao destino turístico. O que ratifica o perfil indicado pelo Mtur, que a maioria
se deslocam em automóveis particulares, em um raio de até 150 km do núcleo
emissor/urbano e fazem viagens de curta duração, em fins de semana e feriados;

Outra característica apontada pelo perfil do Mtur, são que a maioria dos turistas são
oriundos de grandes centros urbanos, possuem ensino médio e/ou superior completos
e organizam suas próprias viagens ao meio rural. Além disso, suas principais fontes
de informações para a preparação da viagem, em buscas pela internet e junto aos
parentes e amigos

4. Oferta

4.1. Oferta Turística do segmento turismo rural no Brasil

O Brasil, historicamente, sofreu um processo agudo de urbanização, caracterizado


com grande êxodo rural. O turismo rural, surge alternativa para recuperação dos
territórios em áreas rurais. Além disso, o turismo rural tem grande função na
preservação do patrimônio histórico e ambiental, além de induzir emprego e renda
para regiões e populações que historicamente ficaram à margem do processo de
urbanização.

Com o desenvolvimento e modernização do agronegócio nos últimos anos, o turismo


rural está sendo impactado com a melhoria de infraestrutura para se desenvolver,
ampliando seu potencial de crescimento, antes restrito a um ambiente pouco
dinâmico. Atualmente, é possível visitar destinos de turismo rural em regiões de alta
produtividade e competitividade.

Segundo Solha (2016), o turismo rural no Brasil passou por quatro períodos. O
primeiro entre 1984 e 2000, quando são feitas as primeiras iniciativas em relação à

41
necessidade de qualificação dos produtos e serviços. Posteriormente entre 2001 e
2005 o segmento começa a ser estruturado e se organiza institucionalmente; entre
2006 e 2010 se ampliam os estudos sobre competitividade do segmento, e,
finalmente, entre 2011 e 2016, quando se iniciou o caminho para a segunda geração
de turismo rural.

É possível considerar um novo momento do turismo rural no Brasil e no Mundo a partir


da pandemia do novo coronavírus que teve início em 2020. O retorno para o campo,
imposto ou pelo isolamento, ou pelas condições de saúde, iniciou um movimento
chamado de turismo de proximidade, onde muitos visitantes dos grandes centros
passaram a buscar um local para trabalhar ou descansar nas áreas rurais em até
200km da sua cidade de residência.

As experiências vividas nas áreas rurais por esses visitantes fizeram com que o
turismo rural tivesse que se reestruturar de maneira muito rápida, tanto em
revitalização dos meios de hospedagem como na diversidade e qualidade da oferta
turística. Cada vez mais, o turismo rural vem recebendo maior reconhecimento no
Brasil, primeiro por esse movimento de busca da ruralidade e de atividades ao ar livre,
como pela estruturação da oferta turística que promove experiências únicas da
vivência no campo, gerando mais uma forma de emprego e renda, nos territórios de
agronegócio.

Nos últimos anos, o turismo rural vem atraindo a atenção por parte de policy makers,
empresários e consumidores, seja com a ampliação de políticas públicas de fomento
do segmento, seja com a realização de investimentos, com ampliação da oferta e
experiências no meio rural. O caráter cada vez mais complementar entre a estrutura
produtiva agropecuária e as alternativas de turismo rural oferecidas devem ser
levadas em conta na hora de analisar o segmento.

Em todos os estados brasileiros é crescente a preocupação com o desenvolvimento


do turismo rural, seja por meio de estudos da academia, formulação de leis de
fomento, planos estratégicos e investimentos no setor. Entretanto os desafios ainda

42
são muitos. Há uma grande lacuna de informações principalmente sobre o perfil de
demanda, bem como, dos destinos com vocação turística para o turismo rural.

Entretanto, Solha, (2016), com base em bibliografias diversas faz um perfil


empresarial dos empreendimentos de turismo rural brasileiro, que precisa ser
atualizado. A maioria dos empresários atuam de 5 e 10 anos no segmento, destes
88,1% possuem uma atividade familiar, grande parte dos empreendimentos não tem
empregados (46,4%), com predomínio de atividades hortifrutigranjeiras (74,1%), que
ofertam visitas à propriedade rural, alimentação, colheita de produtos, degustação,
passeio em trilhas etc.

A maioria dos empresários são proprietários da terra, entre 45 e 59% dos empresários
a depender da fonte não são formalizados, sendo que os grandes negócios (5,71%
do total) se concentram entre os vinhedos. O faturamento é de até R$ 180 mil (63%)
e os fornecedores são majoritariamente da comunidade local.

Foi identificado por esse público, que os turistas que chegam em suas propriedades
pouco utilizam as agências de viagens. O próprio empresário local atua como agente,
principalmente a partir do desenvolvimento da internet, do acesso direto do cliente aos
equipamentos.

Em resumo, o estudo aponta que em 2016 o empresário do turismo rural brasileiro era
um pequeno empresário, cuja atividade impactava a sua região. Dessa forma, se
objeto de políticas públicas, pode ser um grande catalizador de emprego e renda em
regiões rurais.

4.1.1. Oferta turística do segmento turismo rural no Estado de São Paulo

O estado de São Paulo é um dos primeiros estados do país a ter ações voltadas ao
desenvolvimento do turismo rural (SOLHA, 2016). Neste sentido, a mesma autora, a
partir de pesquisa bibliográfica faz um levantamento do quadro do turismo rural nos
municípios paulistas.

43
A pesquisa ocorreu tendo como fontes secundárias principais os Planos Municipais
de Desenvolvimento Rural Sustentável e, ações previstas em Guias de Turismo do
Campo. A Figura 4 sintetiza essa situação para o ano de 2014.

Figura 4: Turismo rural nos municípios paulistas – 2014

Fonte: Solha (2016).

Portanto, segundo os estudiosos do tema, os equipamentos de turismo rural, segundo


a ótica do setor público, ainda estão muito concentrados nas regiões de Campinas,
São José dos Campos e São José do Rio Preto. Solha (2016), fez um levantamento
da quantidade de equipamentos de turismo rural no estado de São Paulo, que podem
ser observados na Figura 5

44
Figura 5: Empreendimento de turismo rural nos municípios paulistas – 2014

Fonte: Solha (2016)

Do ponto de vista das regiões importantes para o segmento do turismo rural, foi
indicado que o Circuito das Frutas concentra a oferta entre os circuitos, roteiros e
polos estudados. Além disso, foi destacado no estudo que os tipos de atividades de
turismo rural: hospedagem, restaurante rural e trilha ecológica concentravam por volta
de 2/3 dos equipamentos rurais em 2014.

45
4.1.2. Principais Destinos do segmento

No levantamento da SETURV, a maior frequência de destinos associados ao turismo


rural é de Regiões/Municípios Turísticos já consolidados no segmento, como Circuito
das Frutas e Mantiqueira Paulista, e inclusive com apontamentos para as cidades que
compõem as respectivas regiões como Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí,
Jundiaí, Atibaia e Vinhedo.

Algumas cidades como Brotas, Socorro, Holambra, São Roque, também são
destaques, e ratificam a questão do turismo de proximidade e o acesso por rodovia.

Isso demonstra que será necessário apoiar e oferecer ferramentas para que esses
destinos sejam incluídos no mercado nacional, identificando a demanda potencial bem

46
como, a necessidade de estruturar novos produtos e roteiros do interior paulista que
ainda não são comercializados de forma ampla.

Para tanto será necessário realizar estudos complementares e aprofundados sobre


os temas para que seja possível definir uma estratégia para o segmento.

4.2. Panorama da oferta do segmento de turismo rural do Estado de


São Paulo

No Levantamento realizado para a SETURV os principais tipos de turismo rural


apontados foram:

Os destaques indicam que os entrevistados tem a percepção que os


principais tipos de turismo rural, são os equipamentos estruturados e típicos do
segmento, como o TR Gastronômico que geralmente são realizados em
restaurantes com comida típica, e o turismo rural em hotéis fazenda ou fazendas
históricas, onde são oferecidos serviços estruturados com experiências em
ambiente rural

47
Gráfico 12 Indique os três principais tipos de turismo rural mais relevantes no Estado
de São Paulo

TR Equestre 5%
Prod. Associada ao Turismo 30%
TR Gastronômico 68%
TR Colheita Guiada 25%
TR Fazendas Históricas 33%
Tur. Pesca 28%
TR Hotel Fazenda 41%
TR Científico 7%
TR Pedagógico 34%
Agroturismo 26%

No item “outros”, os tipos de Turismo Rural citados foram:

TR Religioso
Economia Sustentável
Enoturismo
Pousadas Rurais
Turismo Rural do Café 1%
Parques e outras Unidades de
Conservação
Cicloturismo
Ecoturismo

As tipologias apontadas demonstram a diversidade da oferta turística do segmento e


a potencialidade de novos nichos de mercado podem ser fomentados com o
investimento em novos produtos. Por exemplo, o Cicloturismo que está sendo
estruturado em áreas rurais, integrando inclusive municípios de Regiões Turísticas do
interior de São Paulo e o enoturismo que tem um potencial de agregar valor à oferta.

48
5. Mercado

5.1. Mercado Turístico do segmento turismo rural no Estado de São Paulo

5.1.1. Análise dos dados de Redes Sociais

Esta seção apresentará uma breve análise da estrutura de oferta do turismo rural no
estado de São Paulo com base em dados coletados na internet – no buscador Google.

A pesquisa foi realizada no dia 22.03.2023. Desta maneira, buscou-se identificar o que
aparece prioritariamente sobre turismo rural na principal fonte de consulta dos
viajantes conforme apresentado anteriormente.

Como metodologia, na barra de pesquisa do Google foi colocado o termo “O que


conhecer no interior de SP”, os 5 primeiros resultados de páginas somente em
português, sem contar os anúncios patrocinados apresentaram:

1) Página – [Link] com ranking das 21 cidades no estado para


conhecer (2021)

2) Página – [Link] com o ranking das 12 cidades do interior do estado para


conhecer (2020)

3) Página – [Link] apresentando cidades para conhecer no


interior do estado (2023)

4) Página – [Link] apresentando o ranking de 15 cidades do interior para


conhecer (2023)

5) Página – [Link] apresentando 37 cidades incríveis para


conhecer no interior (2023)

49
Figura 6: Resultado pesquisa Google - 22.03.2023

50
Cidade Menção
Águas da Prata 1
Águas de Lindoia 4
Águas de Santa Barbara 1
Águas de São Pedro 3
Americana 1
Andradina (Acqualinda) 1
Aparecida 2
Atibaia 5
Bananal 1
Barra Bonita 2
Boituva 4
Botucatu 3
Brotas 5
Campinas 1
Campos do Jordão 5
Cunha 5
Eldorado 2
Embu das Artes 3
Espírito Santo do Pinhal 2
Guararema 3
Holambra 5
Ibiúna 1
Ilha Solteira 1
Indaiatuba 1
Itatiba 1
Itu 5
Itupeva 1
Jaguariúna 1
Joanópolis 2
Jundiaí 2
Juquitiba 2
Lindóia 1
Mairiporã 1
Monte Alegre do Sul 3
Monteiro Lobato 1
Nova Odessa (jardim botânico) 1
Olímpia 2
Paranapiacaba (Santo André) 3
Pedreira 1

51
Piracicaba 1
Pirajú 1
Presidente Epitácio 1
Ribeirão Preto 2
Santo Antônio do Pinhal 2
São Bento do Sapucaí 1
São Francisco Xavier 1
São José do Barreiro 1
São Lourenço da Serra 1
São Luiz do Paraitinga 1
São Pedro 2
São Roque 5
Serra Negra 4
Sete Barras 1
Socorro 5
Valinhos 1
Vinhedo 1

Também apareceram nas páginas como parte dos rankings:

• Caminhos do queijo – Amparo, Joanópolis, Porangaba, Itapetininga, São João


da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Pardinho, Cabreúva, Bofete e Porto Feliz.
• PETAR

A partir do que foi identificado na tabela, as cidades de: Atibaia, Brotas, Campos do
Jordão, Cunha, Holambra, Itu, São Roque e Socorro foram as mais mencionadas
nas 5 páginas analisadas. Dentre elas, destinos de ecoturismo e turismo de aventura
e turismo rural.

Ao modificar a busca para “Turismo rural em SP”, considerando somente as páginas


em português, eliminando os anúncios patrocinados, os resultados foram:

52
Os resultados das páginas analisadas serão apresentados a seguir.
1) Portal do Sol Hotel Fazenda – localizado em Socorro, apresenta um ranking
com 9 cidades para conhecer.
2) Refúgios no interior – blog – duas páginas são mostradas e uma apresenta um
ranking de 10 cidades com foco em turismo rural para conhecer (2022)
3) Turistando com a Lu – foi apresentada na primeira busca e quando o foco é a
pesquisa em turismo rural o ranking possui além de cidades equipamentos e
atrativos mais relevantes.
53
4) RGV Hotelaria – blog - a página indica um ranking com 5 cidades para desfrutar
com a família.

Cidades Menção
Águas de Lindóia 1
Amparo 3
Atibaia 1
Brotas 1
Cotia 1
Espírito Santo do 1
Pinhal
Guararema 1
Holambra 1
Indaiatuba 1
Jarinu 1
Ibiúna 1
Itatiba 1
Itupeva 1
Jaguariúna 1
Jundiaí 2
Lindóia 1
Louveira 1
Monte Alegre do Sul 1
Morungaba 1
Pedreira 1
São Bento do Sapucaí 1
São José do Barreiro 1
São Roque 1
Serra Negra 2
Socorro 1
Valinhos 1
Vinhedo 1

No blog “Turistando com a Lu” foram mencionados equipamentos e atrativos como:


Fazenda Benedetti em Amparo/Serra Negra e Fazenda Nossa Senhora da Conceição
em Jundiaí, Fazenda do Chocolate em Itu, Queijaria Rima em Porto Feliz, Fazenda
Angolana em São Roque, Fazenda Atalaia em Amparo, Fazenda A Boa terra em Itobi,
Apiário Nona Emilia, Sítio Sassafraz e Sítio Frediani em Itupeva, Fazenda Morro
pelado em Águas de Lindóia, Parque Macaquinhos Turismo em Serra Negra, Toca da

54
Raposa em Juquitiba, Hotel Vinícola Família Davo em Ribeirão Branco, Chacára
Catavento em Piracicaba.

A cidade de Amparo foi a que mais apareceu nos rankings, seguida por Jundiaí e
Serra Negra. E a região de Amparo e Serra Negra teve mais menções de atrativos
segundo o blog Turistando com a Lu.

Ao realizar o cruzamento das pesquisas, primeiramente em relação as opções de


destinos no interior de SP e depois especificamente de turismo rural em SP nota-se
que nenhuma cidade aparece como principais menções nas duas pesquisas. Inclusive
Amparo, primeira da pesquisa em turismo rural não aparece nas menções da primeira
pesquisa, mas aparece nos Caminhos dos Queijos.

Essa pesquisa pode indicar que várias cidades do interior de SP são ótimos destinos
para visitar, além disso muitos desses destinos são reconhecidos pelos atrativos para
a realização de turismo rural e aparecem pelas menções de equipamentos turísticos,
principalmente pelos meios de hospedagem como hotel fazenda ou fazendas
desativadas ou que seguem produtivas, mas tem finalidade turística.

55
5.2. Análise da Concorrência

5.2.1. Concorrência Internacional

[Link]. Austrália

O turismo rural na Australia se baseia principalmente no turismo de fazenda, em que


os próprios fazendeiros colocam a disposição do turista uma variedade de serviços
baseados na criação de uma experiência única e local. Existe, por tanto, uma aposta
do Estado pela implementação de políticas públicas que incentivem e orientem os
pequenos e medianos produtores do campo australiano no turismo rural, objetivando
o seu próprio desenvolvimento econômico.

A criação de associações e a cooperação com o Estado é fundamental para


sistematização da oferta, para assegurar que seja de qualidade, e para a promoção
nacional e internacional. Assim sendo, os maiores consumidores do turismo rural são
os próprios conacionais que procuram uma conexão real com a terra. Em virtude de
brindar essas experiências os principais produtos oferecidos nas fazendas
australianas estão focados no agroturismo, e constam de passeios a cavalo,
degustação de vinhos, passeios e trilhas (Irshad, 2010).

[Link]. Chile

O turismo rural em Chile conta com o apoio do Estado por meio de diferentes
programas e políticas públicas que visam o desenvolvimento econômico do campo.
Instituições como o INDAP (Instituto de Desarrollo Agropecuario do Ministério de
Agricultura) ou o Sernatur (Servicio Nacional de Turismo) tem realizado ações de
capacitação, e de apoio técnico, financeiro e de gestão aos habitantes e proprietários
de pequenas e medianas fazendas para a estruturação do turismo rural nos territórios.

56
Essa aposta tem significado na estruturação da oferta nas diferentes regiões,
desenvolvendo atividades tais como excursões rurais, rotas turísticas rurais, o
turismo camponês, agroturismo, campamentos ecológicos e agrocamping.
Dentro de toda a gama de oferta pode se encontrar a experiência fazendeira autêntica
que é brindada pelos próprios habitantes que colocam a disposição as suas fazendas,
com um atendimento familiar e individualizado, com diferentes experiências sobre a
própria vida cotidiana, como passeios, pesca ou os labores de fazenda (Szmulewicz,
2008).

No ano de 2020, o INDAP, como parte de um convênio assinado em 2018 com a


Subsecretaria de Turismo de Chile, aprovou a “Norma Técnica del Rubro Turismo
rural”. Esta categoria de apoio de financiamento ao Turismo rural tem como finalidade
promover o desenvolvimento do Turismo rural como atividade ligada à agricultura e,
permitindo assim, que os pequenos agricultores usuários e potenciais usuários
aumentam e diversificam sua renda (INDAP, 2020).

Vale destacar que Chile, por sua ampla diversidade paisagística, dividido entre o norte
e o sul do país e atravessada pela Cordilheira dos Andes, coloca à disposição dos
turistas diferentes atrativos. Entres os principais atrativos se encontram:

• “Ruta del Vino de Colchagua”, que é o primeiro circuito turístico do vinho em


Chile.
• “Red de Turismo rural Licanhuasi”, que dá a oportunidade de visitar diferentes
povoados indígenas e sítios arqueológicos milenários, com o intuito de educar
e aproximar aos turistas às culturas originárias do Chile.
• “Red de Turismo rural Corral - Chaihuín”, onde os locais oferecem
hospedagens acondicionada e serviços de atividades tradicionais na cria, na
agricultura, na pesca e na gastronomia (Herrera, 2009).

Em 2021, a Organização Mundial do Turismo (OMT) reconheceu as cidades de Pica,


Região de Tarapacá, e Puerto Williams, Cabo de Hornos, Região de Magalhães e
Antártica Chile, como exemplos de destinos de turismo rural com valores culturais e

57
naturais. Assim, receberam da OMT o selo “Melhores Aldeias Turísticas” que também
destaca produtos, valores e estilos de vida rurais e comunitários.

Por um lado, Pica é conhecida por ser “um oásis no meio do deserto”. A Prefeitura
dessa cidade tem focado recursos para conscientizar sobre o uso responsável da
água, ensinando assim a toda a comunidade a importância da consciência ambiental
e da implementação de ações mais sustentáveis.

Puerto Williams foi reconhecida por sua importância histórica, pois aí reside o povo
indígena mais austral do planeta, o povo Yagán. Os Yagán estão inseridos em uma
área declarada Reserva da Biosfera do Cabo de Hornos pela Unesco em 2005,
representando um marco para a conservação da biodiversidade mundial e
abrangendo todo o extremo sul do Chile (Sernatur, 2021).

[Link]. Espanha

O turismo rural na Espanha se destaca pela sua ampla oferta territorial. A diversidade
paisagística e cultural é aproveitada para a estruturação de diferentes tipos de oferta
e demanda. Os turistas contam com a possibilidade de visitar os altos e frios Pirineus,
a Costa Brava de Catalunha, as agrestes e frondosas montanhas do norte, as
pacíficas planícies do interior ou as paradisíacas ilhas Baleares e Canarias. Cada um
desses territórios conta com um legado histórico rico, com suas respectivas culturas.

Assim, segundo o Instituto Nacional de Estadística de Espanha (INE), em 2022 a


Espanha contava com 196.970 estabelecimentos no turismo rural. As comunidades
autônomas com maior número de estabelecimentos são:

Comunidades Autônomas Nº estabelecimentos


Castilla y León 40.357
Andalucia 27.464
Catalunha 22.186

58
Ao mesmo tempo, as zonas turísticas com maior número de estabelecimentos são:

Zonas Turísticas Nº estabelecimentos


Pirineus 24.907
Asturias 5.571
Extremadura 4.531
P. Natural Sierras de 4.304
Tejeda, Almijara y Alhama
Catalunha 4.187

A Espanha recebe uma quantidade relevante de viajantes de turismo rural com um


total de 4.349.519 (INE, 2022). As comunidades autônomas que recebem mais
viajantes são:

Comunidades Autônomas Nº de visitantes


Castilla y León 745.380
Catalunha 487.883
Andalucia 393.943

Além disso as zonas turísticas que recebem o maior número de viajantes são:

Zonas Turísticas Nº de visitantes


Pirineus 461.717
Baleares 307.152
Catalunha 183.804
Extremadura 137.890
Asturias 113.727

Finalmente, os mais de quatro milhões de viajantes que recebeu a Espanha para o


turismo rural, gastaram [Link],94 de euros, no ano de 2021 (INE). As
comunidades autônomas que reportaram maior gasto dos viajantes foram Baleares,
com [Link],42 de euros; Catalunha com [Link],61 de euros;
Comunidade Valenciana com [Link],92 de euros; Andalucia com
[Link],40 de euros; e Canarias com [Link],15 de euros.

59
[Link]. Portugal

Desde a década dos 80 do século passado, o turismo rural em Portugal conta com
uma história de políticas públicas centradas no seu desenvolvimento, visando ser
parte importante de uma estratégia de crescimento econômico do setor rural do país.

Especificamente, a estruturação do Turismo no Espaço Rural (TER) e do Turismo de


Habitação (TH), tem como objetivo preservar e dar a conhecer o patrimônio cultural e
arquitetônico (Pato, 2015). Dessa forma, Portugal conta com 1.631 estabelecimentos
tipo TER e TH, que se divide da seguinte forma: 293 estabelecimentos de
agroturismo; 1.033 casas de campo; 108 hotéis rurais; e 21 estabelecimentos de
outros tipos de TER.

Por outro lado, Portugal também conta com outros tipos de estabelecimentos
relacionados ao turismo rural, estes são: 176 estabelecimentos de turismo de
habitação; 2.811 estabelecimentos de alojamento local; 60 aldeamentos
turísticos; e 36 pousadas e quintas de madeira (Instituto Nacional de Estatística,
2021).

As regiões do Norte, Centro e Alentejo concentram a maior parte desses


estabelecimentos tipo TER e TH e, por conseguinte, contam com a maior parte do
espaço rural e do seu patrimônio: 626 no Norte; 393 no Centro; e 344 em Alentejo.

Em 2021, os estabelecimentos TER e TH receberam 785,5 mil hospedes, dos quais


149,1 mil eram estrangeiros. O fluxo de turistas por região acompanha a capacidade
dessas regiões de acordo com o número de estabelecimentos disponíveis. Isso
explica que as regiões com maior número de hóspedes sejam o Norte com 286,18 mil;
o Centro com 228,19 mil e Alentejo com 197,1 mil turistas.

Todo este fluxo de turistas tem contribuído para que no mesmo ano de 2021 o TER e
TH tenha tido um rendimento de 127.602 de milhões de euros, e que aumentou para
195.339 de milhões de euros para o ano 2022; representando um importante
crescimento de 53% nos rendimentos.

60
Paralelamente, os rendimentos de alojamentos turísticos passaram de 877.78 de
milhões de euros no 2021, para 163.349 de milhões de euros no 2022, e os
rendimentos de alojamento local passaram de 199.773 de milhões de euros no 2021,
para 436.963 de milhões de euros no 2022 (PORDATA, 2023).

5.2.2. Concorrência Nacional

[Link]. Mato Grosso do Sul

No que diz respeito ao turismo rural em Mato Grosso do Sul, pode-se afirmar que as
principais experiências oferecidas são as visitas a fazendas e propriedades rurais,
onde os visitantes podem aprender sobre a produção agropecuária local, participar de
atividades típicas, como ordenha de leite, pescaria e montaria em cavalos, além de
desfrutar da gastronomia local, com destaque para pratos à base de carne bovina e
peixes de água doce.

Algumas cidades que se destacam no Mato Grosso do Sul são: Bonito, Jardim,
Bodoquena, Miranda, Aquidauana e São Gabriel do Oeste. Campo Grande também
tem algumas opções de turismo rural em seu território.

A cultura pantaneira, por exemplo, é uma das principais atrações do turismo rural em
Mato Grosso do Sul. Algumas atividades são muito procuradas pelos turistas, como a
observação da fauna e flora, com passeios de barco pelos rios e lagos da região,
caminhadas em trilhas ecológicas e visitas a parques e reservas ambientais, como o
Parque Nacional da Serra da Bodoquena e o Pantanal.

Há opções de hospedagem em fazendas e pousadas rurais, onde os visitantes podem


desfrutar da tranquilidade e do contato com a natureza, além de experimentar a
gastronomia local, como a carne de jacaré.

O governo do estado do Mato Grosso do Sul promulgou uma lei que regulamenta o
turismo rural no estado, prevendo ações específicas para esse segmento.

61
[Link]. Minas Gerais

Minas Gerais oferece uma ampla gama de oferta de experiências relacionadas ao


turismo rural. O estado mineiro tem uma grande área rural, com paisagens naturais
cênicas, rica gastronomia e muita história. Essa riqueza e diversidade só é
possibilitada por sua geografia. Algumas cidades que se destacam neste segmento
são: São Lourenço, São Tomé das Letras, Monte Verde, Tiradentes, Montes Claros,
Lavras e Diamantina.

A Serra da Canastra, um icônico destino turístico mineiro, por exemplo, tem cânions,
cachoeiras, rios e trilhas e oferece opções de ecoturismo e turismo de aventura, além
de passeios pela produção de queijos e visitas a fazendas.

A cozinha mineira é um dos grandes atrativos do turismo rural no estado por ser
diversificada, com pratos típicos que remetem às tradições do ambiente rural como:
feijão-tropeiro, a galinhada, a canjiquinha, o angu, o frango com quiabo, o leitão à
pururuca, entre outros. Essa riqueza gastronômica está diretamente relacionada à
cultura e às tradições do interior de Minas Gerais, onde a comida é um elemento
fundamental da identidade local e das celebrações festivas. A experiência do turismo
rural mineiro está pautada em visitas a propriedades rurais onde são produzidos
queijos, doces, cachaças e outros alimentos típicos da região.

A preservação da arquitetura e dos elementos culturais das propriedades rurais, como


casarões coloniais, terreiros de café, engenhos de cachaça e outros patrimônios
históricos e culturais, também pode ser um diferencial importante para o turismo rural
em Minas Gerais, agregando valor e identidade à experiência turística.

Minas Gerais atualmente tem políticas para desenvolvimento do turismo rural,


especialmente com foco da capacitação de agricultores que desejam investir nesse
segmento, como é o caso de Araxá.

Além disso há programa de regionalização do turismo, o que, segundo a Secretaria


de Cultura do Estado de Minas Gerais, “são focados na democratização da Política
62
do Turismo, integração e participação social, no desenvolvimento sustentável, na
descentralização do Turismo, inovação e articulação”.

[Link]. Pernambuco

A região nordeste é muito conhecida pelas praias, mas tem muito a mostrar do ponto
de vista do turismo rural. Neste sentido, Pernambuco é um dos estados que se
destaca apresentando uma grande diversidade de paisagens e atividades, sertão e
mata atlântica até a zona da mata e o agreste pernambucano. Além disso, há
possibilidade de turismo rural inclusive no litoral do estado.

As opções de turismo rural em Pernambuco incluem visitas a engenhos de cana-


de-açúcar, fazendas históricas, trilhas, cavalgadas, passeios de bicicleta, entre
outras atividades. Além disso, os turistas podem participar de oficinas de artesanato
e gastronomia, conhecer os costumes e tradições do povo pernambucano e se
hospedar em casas de campo e pousadas rurais.

Algumas cidades pernambucanas se destacam no turismo rural, como Gravatá, que


oferece opções de turismo rural com atividades como trilhas ecológicas, cavalgadas,
visita a engenhos e fazendas históricas, e Bezerros, que é conhecida por suas festas
tradicionais e pelas opções de turismo rural, como visita a fazendas de criação de
gado, pescaria, trilhas ecológicas, entre outras atividades.

A região é conhecida por sua rica e diversa cultura, que envolve manifestações
folclóricas, religiosas e culturais que atraem turistas de diversas partes do mundo, sem
falar na gastronomia que é oferecida nas propriedades rurais. Entre os pratos mais
conhecidos estão o bolo de rolo, a tapioca, o caldinho de feijão, a carne de sol com
macaxeira, entre outros. Além disso, destaca-se um novo polo nacional de enoturismo
na região de Petrolina, nas margens pernambucanas do Rio São Francisco, com
vinícolas nacionais e internacionais e produção de vinhos premiados.

63
O governo de Pernambuco também tem atuado na formulação de projetos de lei 9 para
o fomento ao turismo rural do estado, “com a finalidade de promover ações relativas
ao planejamento, desenvolvimento e fortalecimento do turismo rural, bem como
impulsionar e difundir os produtos e as potencialidades do setor rural do Estado,
propiciando à sociedade o conhecimento e a valorização desse segmento”.

[Link]. Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é uma grande referência em turismo rural. O Estado vem se
desenvolvendo nos últimos anos, principalmente nas regiões serranas e no noroeste
e é conhecido pela sua forte tradição rural, com a presença de muitas fazendas,
vinícolas e agroindústrias. Destacam-se, especialmente, o enoturismo e o oliviturismo.
Ainda é possível encontrar uma ampla variedade de atrações, como passeios de
trator, visitas a vinícolas, degustações de vinhos e queijos, hospedagem em casas de
campo e pousadas, entre outras.

Esse segmento também é bastante valorizado pela gastronomia local, com destaque
para pratos como o churrasco, o arroz carreteiro e a cuca, um doce típico da região.
Além disso, é bastante conhecido pelo café da manhã colonial, além de produzir uma
das cachaças mais premiadas do Brasil, a Weber Haus.

A geografia do Rio Grande do Sul é um fator que influencia diretamente o


desenvolvimento do turismo rural no estado. A região sul do Brasil é conhecida por
seu clima subtropical, o que favorece a produção agrícola e pecuária, além da
presença de belas paisagens naturais, como serras, vales, rios e lagos. Há, inclusive,
Cânions na região serrana no norte do estado, foco de grande fluxo turístico.

Essa geografia privilegiada permite o desenvolvimento de atividades turísticas que se


aproveita dos recursos naturais e das tradições culturais do estado. Alguns municípios
que se destacam são: Pelotas, Nova Petrópolis, Gramado e Canela, Cambará do Sul,

9 Ver - PROJETO DE LEI ORDINÁRIA 2237/2021


64
Bento Gonçalves, Rolante, São Miguel das Missões, Ibirubá. Mesmo em Porto Alegre
há oferta de roteiros e experiência nas zonas rurais da cidade.

A infraestrutura do interior gaúcho é algo que beneficia o estado na diversificação da


sua oferta com a presença de pequenas propriedades rurais, com produção agrícola
e pecuária diversificadas, o que possibilita a oferta de atividades turísticas com foco
na ruralidade.

A tradição e a cultura gaúcha reforçam as características do turismo rural e promovem


a visitação às estâncias e fazendas típicas, onde é possível conhecer os costumes
locais, a lida com o gado, os costumes culinários, e até mesmo assistir apresentações
de danças e músicas tradicionalistas.

Uma das principais iniciativas do governo estadual é o Programa Emater/RS-Ascar


nos Caminhos do turismo rural, que tem como objetivo promover o desenvolvimento
sustentável do turismo rural no estado, por meio da capacitação de produtores rurais
e da oferta de informações aos turistas.

Além disso, o governo estadual também tem incentivado a criação de roteiros


turísticos e de eventos relacionados ao turismo rural, como feiras, festivais e festas
típicas, que valorizam a cultura e a gastronomia local.

Por fim, vale apontar que, também se tem investido na melhoria da infraestrutura
turística nas regiões mais procuradas para o turismo rural, como a região da Serra
Gaúcha, com a construção de novas estradas, sinalização turística e a criação de
novos atrativos turísticos. Desde 2007, já há instituída uma lei 10 de fomento de turismo
rural no estado gaúcho, o que o posiciona como vanguarda entre os estados
brasileiros.

10
Ver - LEI Nº 12.845, DE 26 DE NOVEMBRO DE 2007.
65
[Link]. Santa Catarina

Santa Catarina, de forma análoga ao Rio Grande do Sul, também se destaca no


segmento de turismo rural, uma vez que vem crescendo a procura destinos
conectados à natureza, com sossego e a vida no campo.

O turismo rural em Santa Catarina também é marcado pela valorização da cultura e


dos costumes locais, especialmente, aquelas relacionadas à colonização europeia,
com destaque para as festas típicas, como a Festa do Imigrante, em Timbó, a
Fenarreco, em Brusque, e a Oktoberfest, em Blumenau. Além disso, cidades como
Alfredo Wagner, Urubici, Angelina e São Joaquim se destacam oferecendo diversos
equipamentos turísticos na serra catarinense. Mesmo Florianópolis oferece opções
de turismo na sua área rural.

Uma das principais regiões para o turismo rural é o Vale Europeu, localizado no Vale
do Itajaí, onde é possível encontrar diversas opções atividades nesse segmento, como
a visitação a propriedades rurais, adegas, vinícolas, cervejarias artesanais,
alambiques, entre outros.

Outra região bastante procurada é a Serra Catarinense, que oferece belas paisagens,
clima ameno e a possibilidade de atividades ligadas ao turismo rural, como a visitação
a fazendas produtoras de maçãs, uvas e outras frutas, adegas e vinícolas, além de
oferecer opções de turismo de aventura, como trilhas, escaladas e passeios de
bicicleta.

O oeste catarinense também é uma região com opções de turismo rural interessantes
para os visitantes que buscam experiência no campo. Entre as principais opções
destacam-se a Rota do Vinho, na cidade de Abelardo Luz, que oferece visitas a
vinícolas e degustações de vinhos e espumantes produzidos na região, e a Rota das
Cachoeiras, na cidade de Chapecó, que oferece opções de trilhas ecológicas, banhos
de cachoeira, pescaria e passeios de barco.

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Assim, como o Rio Grande do Sul, em Santa Catarina a estrutura de propriedade rural,
em geral, de pequeno porte facilita a oferta e diversificação de experiências, sejam
elas gastronômicas, ecológicas ou de aventura, no espaço rural.

Entre as principais políticas públicas implementadas pelo governo estadual, destaca-


se o Programa Fomento Agro SC que, entre outras finalidades, busca conceder
financiamentos sem juros para agricultores e pescadores de Santa Catarina para
fomento do turismo rural.

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5.3. Panorama Governança

5.3.1. Identificar a estrutura de governança do segmento do turismo rural

Mais de 80% dos participantes consideram que a governança, a articulação e


cooperação são importantes para o segmento do turismo rural do Estado de São Paulo

Esse dado demonstra e reforça o momento favorável para definir os papéis e


responsabilidades de cada ator da cadeia produtiva do turismo rural na construção de
uma política pública com uma ampla abrangência e participação.

Evidentemente os esforços e o trabalho dos últimos anos possibilitou a sensibilização


desses atores, o que possibilitará um maior entendimento para apoiar e colaborar para
o desenvolvimento e a implantação de projetos e ações.

5.3.2. Avaliação da governança do segmento do turismo rural

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5.3.3. Gargalos

Os participantes indicaram os principais gargalos para o desenvolvimento do turismo


rural no Estado. Vale destacar que os itens sobre legislação foram apontados pela
grande maioria como um dos maiores entraves para o incremento da atividade. Até
porque é notório que o empresário/produtor rural poderia ter acesso à uma
regulamentação mais assertiva ao negócio.

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Em relação à articulação, mesmo considerando a importância desse engajamento, a
falta de espaços oficiais para discussão de ações para o segmento pode atrapalhar
a composição de esforços.

O espaço do Fórum será ideal para determinar a periodicidade e os temas que


deverão ser encaminhados e pleiteados junto às entidades e autoridades
competentes.

Os gargalos relativos ao investimento público e privado poderá ser tratado no âmbito


de várias pastas e direções. Mas para que isso ocorra de forma racional e orientada,
faz-se necessário identificar as demandas e mensurar os valores necessários para a
realização das ações públicas e para o empresariado. Esse será um dos grandes
desafios no momento de elaboração do plano.

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6. Diretrizes para a elaboração do plano de turismo rural

Considerando o panorama estabelecido para o segmento do turismo rural do Estado


de São Paulo, é possível estabelecer algumas diretrizes para o desenvolvimento do

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Plano Estadual de Turismo Rural. Tais diretrizes serão submetidas à validação dos
membros do Fórum Estadual do Turismo Rural

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7. Referências

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul. Projeto de lei regulamenta


turismo rural no estado. Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul.
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