ANÁLISE DA IDENTIDADE VISUAL DE UMA LANCHONETE: Estudo dos
Elementos Visuais na Percepção dos Consumidores de Guararapes- SP.
Ana Beatriz Lima Vieira1,2
Emanuelly Lirman da Silva2
Hernandes André Garcia2
Keila dos Santos Zambini2
Natália Fernanda Cardoso Alvares2
Patrícia Cordeiro Alves2
Pedro Henrique Silva2
Resumo: Com a inevitável importância da identidade visual para o crescimento de uma
empresa, seja ela de grande ou pequeno porte, o presente artigo teve como sua principal
finalidade analisar a identidade visual de uma lanchonete do município de Guararapes (SP),
focando nos elementos visuais que impactam na preferência do consumidor. A pesquisa
possui uma abordagem mista combinando a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. Para
a pesquisa de campo foi utilizado um questionário com 53 participantes com o objetivo de
entender o perfil dos consumidores, e até onde a identidade visual pode influenciar em suas
escolhas e preferências. O estudo, por fim, sugere que a identidade visual contribui para a
memorização e associação da marca no cotidiano dos consumidores.
Palavras-Chave: Percebimento; Comunicação visual; Clientes; Marketing.
1 INTRODUÇÃO
A Identidade visual é definida como o conjunto de elementos gráficos visuais que
constituem a marca de uma empresa, instituição ou produto, é nela que os consumidores
identificam sua missão, visão e valores. Isso abrange cores, formatos, tipografia, ilustrações,
uso do espaço entre outras opções que podem ser utilizadas para criar uma identidade visual
que, quando combinados, expressam o estilo estético que diferencia uma entidade ou um
produto (Munhoz, 2015). Os símbolos existentes na identidade visual ajudam quem faz, vende
e compra, porque eles destacam e identificam a marca em um mundo globalizado e complexo.
Além disso, tornam a divulgação mais rápida e fácil, economizando tempo no fechamento do
negócio. (Wheeler, 2012). Segundo Duarte (2020) Ela é fundamental na criação e
desenvolvimento de uma empresa, seja ela de grande ou pequeno porte.
1
Autora correspondente: anabeatrizlv1267@[Link]
2
Alunos do Ensino Médio Técnico em Administração de Empresas da Etec Araçatuba.
No cotidiano, as pessoas entram em contato com diferentes marcas de diferentes
maneiras. Essas interações podem ser feitas de forma inconsciente ou consciente, e podem
resultar em reações racionais ou emocionais. Contudo, quase todas as interações têm um
aspecto visual. Consequentemente, ter uma identidade visual consistente é essencial para o
sucesso de uma marca, pois aumenta sua presença e reconhecimento ao longo do tempo
(Strunck, 2007). Tudo o que se possa ver, é no senso comum, considerado identidade visual.
Normalmente ela é subdividida em: identidade fraca a qual não nos é perceptível e passa
despercebida; e identidade forte a qual são memoráveis e chamam atenção das pessoas (Peón,
2000).
A embalagem é o primeiro contato que o consumidor tem com o produto, é também
um importante componente da empresa é ela quem chama a atenção do consumidor por meio
de seus elementos visuais, e faz com que o consumidor relacione elementos ou cores ao
produto. Uma embalagem bem estruturada chama a atenção do cliente, estimulando o mesmo
a querer e comprar aquele produto mesmo sem saber se é realmente bom (Garrán, 2006;
Kotler; Keller, 2018). A aparência de um produto ou objeto sempre será o primeiro fator a ser
julgado aos olhos de um indivíduo.
Em seu livro, Kotler e Keller (2018) dizem que as cores têm significados diferentes
dependendo da cultura e do mercado em questão. Um especialista mencionado em seu livro
observa que, embora a cor seja neutra na linguagem e tenha significado, as pessoas a
interpretam de várias maneiras. A escolha de cores pode definir uma marca, como por
exemplo a Ifood, que utiliza a cor vermelha em seu logotipo. A cor simboliza a fome,
chamando a atenção das pessoas para a comida. No entanto, a cor vermelha também pode
simbolizar o entusiasmo, energia, paixão, coragem e até mesmo ousadia, tudo depende da
forma em que você a usa. A forma como percebemos e nos relacionamos com o nosso entorno
é fortemente influenciada pelas cores (Heller 2022).
Assim, com base no panorama apresentado, a presente pesquisa aborda a percepção
dos consumidores em relação aos elementos visuais de uma marca, e como isso pode impactar
na preferência do consumidor. Assim como a importância de uma identidade visual para uma
empresa, e o amplo leque de subtópicos que a compõem, os quais possibilitam a diferenciação
das marcas. Consequentemente, atraindo compradores e clientes fieis à marca, sendo essencial
para o crescimento e expansão de um negócio.
Por tanto, a análise realizada tem a finalidade de investigar a identidade visual de uma
lanchonete em Guararapes-SP, analisar os elementos visuais que impactam na preferência do
consumidor como logotipos, tipografia, embalagens, decoração e layout da loja, e como esses
fatores influenciam na escolha e preferência dos consumidores. A partir da avaliação da
consistência e coerência desses elementos em pontos de contato como fachadas, cardápios,
embalagens e presença online, busca-se compreender como a identidade visual da marca
comunica seus valores e atrai clientes. Ademais, a pesquisa investiga como os consumidores
associam esses elementos à marca e como a atratividade visual impacta suas escolhas.
O presente artigo é relevante, pois detalha como os elementos visuais de uma
lanchonete em Guararapes (SP) impactam a percepção dos consumidores e,
consequentemente, suas escolhas de compra. Em um mercado competitivo, especialmente no
setor de alimentação, ter uma identidade visual é importante para atrair e manter os clientes.
Ao analisar aspectos como o logotipo, ambiente/decoração, layout e fachada, a pesquisa ajuda
a entender como esses elementos mudam a experiência do consumidor, seja de forma
consciente ou inconsciente. Assim, o trabalho contribui para a compreensão de como a
identidade visual é uma ferramenta poderosa quando usada corretamente.
2 METODOLOGIA
Este estudo adota uma abordagem mista, combinando pesquisa bibliográfica e
pesquisa de campo. De acordo com Gill (2002), a pesquisa bibliográfica possui como base os
estudos e o uso de informações que já foram publicadas por outras pessoas, constituído
principalmente de livros e artigos científicos. A pesquisa de campo, segundo Gonçalves
(2001) tem como objetivo buscar a informação diretamente com a população pesquisada,
exigindo do pesquisador um contato mais direto. O estudo tem caráter descritivo e adota um
formato de pesquisa transversal em relação ao tempo.
O objetivo da pesquisa é identificar a identidade visual de uma lanchonete e analisar
os elementos visuais que impactam a preferência do consumidor, para isso realizou-se
também um levantamento bibliográfico. Foram-se procurados artigos científicos em
diferentes fontes confiáveis, como: Google Acadêmico, Scielo e a Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Tal material, teve seu conteúdo analisado e
expresso em conceitos, quadros e mapas mentais. Tal pesquisa possibilitou embasamento
teórico para a elaboração dos formulários de coleta de dados.
Os participantes da pesquisa foram os clientes de uma lanchonete do município de
Guararapes-SP, que foram convidados a participar de forma voluntária da pesquisa. Os
pesquisadores aplicaram um questionário de 09 questões, aplicado entre os dias 05 e 23 de
outubro de 2024, alcançando um total de 53 respostas. Além disso, realizou-se observações e
entrevistas com perguntas semiestruturadas com os responsáveis pela empresa.
Os dados coletados com os formulários foram analisados com estatística básica e os
dados expressos em tabelas e gráficos explicativos.
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Ao longo dos anos, a identidade visual tem mudado significativamente. Segundo
Strunck (2007), o conceito de identidade visual existe há anos, desde a antiguidade. Em seu
livro, Strunk afirma que os arqueólogos descobriram que os romanos, ao fazer potes de
cerâmica, colocavam marcas neles, incluindo o nome do artista e o local de origem. Essas
marcas garantiam que o produto era de qualidade e evitavam roubos. Com o surgimento das
corporações na Idade Média, tornava-se obrigatório o uso de símbolos para que assim,
evitasse a concorrência. À medida que o tempo avançava, novas abordagens para a identidade
visual foram emergindo, resultando na forma a qual conhecemos atualmente.
A identidade visual baseia-se no mesmo princípio da contextualização de marca,
que é a necessidade da transmissão assertiva de todos os seus objetivos, missão, valores e tudo
que compreende a cultura e visão da empresa por intermédio de símbolos, desenhos, cores e
entre outros elementos visuais (Wheeler, 2008). Segundo Péon (2001), tudo que identificamos
visualmente é uma identidade visual, ela é a qual difere um elemento de outro. O processo da
criação de uma identidade visual marcante e objetiva procura não só estabelecer uma
padronização que seja o rosto da empresa, mas também busca um diferencial importante
frente aos concorrentes: ser destaque no olhar dos consumidores. Em um cenário onde
diversas empresas surgem constantemente e as redes sociais predominam em todos os
âmbitos, a diferenciação visual torna-se um recurso vantajoso. Reforçando a ideia da
identidade visual ser um elemento que deva transmitir tudo o que se propõe e passar uma
impressão positiva, Strunck (2007, p. 67) afirma que “hoje, se uma empresa não tem uma boa
imagem, não causa boa impressão à primeira vista e isso irá certamente refletir-se em sua
receita”.
Para a criação da identidade visual, o profissional do design gráfico desempenha o
papel de absorção do conteúdo e dispersão inteligente por meio do trabalho exigido da
empresa. Ele é o ponto mediador, onde manipula a percepção dos consumidores com relação
a marca e trazendo o que se espera tanto da marca quanto do cenário atual. Para Mozota
(2011) o design é uma atividade ampla, que por sua vez, é a solução de problemas de todas as
áreas criativas, artísticas ou estratégicas que visa dar forma e qualidade aos itens,
procedimentos e serviços ao longo de seus ciclos de vida. Ele não só incentiva a inovação e
torna a tecnologia mais acessível, como também facilita o elo entre culturas e economias. A
falta de consistência visual e mensagens que sejam confusas podem acabar prejudicando a
forma como os clientes veem a marca. Peón (2001) reforça, “quando nos referimos a uma
empresa e dizemos ‘ela não tem identidade visual’, isso significa que não há elementos
visuais capazes de singularizá-la de maneira ordenada, uniforme e forte no mercado”.
Segundo Strunck (2007) existem 4 elementos que constituem a identidade visual,
esses elementos são chamados de institucionais. Eles são componentes visuais que ajudam a
fortalecer a imagem da marca. Os principais elementos são: logotipo e símbolo. E os
secundários: Cor(es) padrão e alfabeto padrão.
Esses elementos ajudam a destacar a marca em relação aos concorrentes,
transmitindo seus valores e personalidade, o que auxilia a criar conexões emocionais com os
clientes. Quando aplicados de forma clara, eles alavancam o reconhecimento da marca,
tornando-a mais visível e memorável. Resumidamente os elementos institucionais têm um
papel importante na construção e no fortalecimento da identidade visual de uma marca (Airey,
2010).
A logotipo é uma representação gráfica de uma marca ou empresa, que tem como
objetivo distinguir a marca de seus concorrentes. De acordo com Strunck (2007), logotipo é a
forma específica de escrever um nome. Sempre que é mostrado um nome usando um estilo de
letra específica (que pode ser feito especialmente para aquele nome ou não) isso é
considerado um logotipo. Toda marca tem um logotipo, e todos os logotipos possuem letras.
“Um logotipo é o ponto de entrada da marca” (Wheeler 2008, p.14).
Os logotipos mais eficazes são aqueles que conseguem combinar bem palavras que
são fáceis de ler com fontes que têm um estilo próprio e diferenciado. “O logo não precisa
dizer o que a empresa faz” (Airey 2010, p.36). Além disso, esses logotipos podem incluir
elementos abstratos (como formas geométricas) ou pictóricos (como desenhos ou ícones) para
tornar eles mais interessantes e memoráveis. Então, um bom logotipo utiliza texto e imagens
de uma forma mais criativa para conseguir transmitir aos clientes a identidade da marca
(Wheeler, 2008). O uso dos símbolos é, portanto, crucial em um logotipo, pois ele ajuda a
identificar a marca e a transmitir sua personalidade.
Um símbolo é usado para representar algo, com o tempo e uso, o símbolo pode
identificar um nome, ideia, produto ou serviço. Porém, nem todas as marcas possuem
símbolos, algumas marcas podem ser representadas apenas por palavras, números ou nomes
(Strunck, 2007). O mesmo é chamado por muitos de signo ou "marca", porém, é muito
importante que eles não sejam confundidos, símbolo, signo e marca são coisas distintas
(Strunk, 2008; Peón, 2001). “os desenhos usados nas placas de sinalização viária são signos,
pois têm um significado específico, destituído de emoção. Já um símbolo nos desperta uma
série de informações e experiências que tenhamos armazenadas sobre uma marca” (Strunck,
2007, p.71). A lei permite que letras e números sejam considerados marcas figurativas (além
de poder ser oficialmente registrado no INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial)
desde que sejam desenhados de maneira distintiva, diferenciando-se claramente do uso
comum (Peón, 2001). O símbolo traz notáveis diferenças na criação e diferenciação da marca
no mercado, o que torna seu uso essencial.
A marca pode ser descrita como a alma do negócio. Utilizando-se de símbolos,
nomes, sinais ou uma combinação destes recursos, Kotler e Keller (2019) definem a marca
como a identificação da empresa e do produto oferecido, onde todo o seu desenvolvimento
contribui para a mensagem e a diferenciação que a instituição deseja transmitir. Uma marca
inteligente e bem estruturada sinaliza aos possíveis clientes e consumidores o seu diferencial,
transmitindo uma sensação de exclusividade com a empresa escolhida. A marca representa
toda a promessa do cumprimento dos ideais da empresa, desde seus atributos básicos (como
missão, visão e valores) até seus planos de inovação e preservação de sua essência nos
serviços e produtos oferecidos. Sendo assim, a marca não é apenas um símbolo ou nome
decorativo, mas a essência que a empresa possui e exala. “Cabe, portanto, ao profissional de
marketing, tratar a marca não apenas como um nome, mas sim desenvolver profundas
associações positivas em relação a ela” (Rodrigues, 2014, p. 152). Wheeler (2008) afirma que,
boas marcas constroem uma empresa, portanto, é preciso muita atenção a elas. Uma marca
mal feita pode acabar debilitando o sucesso da empresa.
Esse valor agregado que uma marca possui na mente do consumidor é denominado
como brand equity, resultante da percepção, associações e lealdade do consumidor (Keller,
1993). Aaker (1991) complementa essa visão, enfatizando a importância da gestão estratégica
do brand equity como um ativo valioso para a empresa. Kapferer (2008) destaca a
necessidade de uma visão de longo prazo para o branding, construindo um posicionamento
forte e consistente no mercado.
Nesse contexto, a comunicação se torna a base essencial para o desenvolvimento
humano e a formação de sociedades. De acordo com Castells (2009, p. 87), “comunicar é
compartilhar significados via intercâmbio de informação”. A necessidade de uma
comunicação transparente e que carregue seus significados se faz importante em qualquer
situação, ainda mais no ambiente corporativo com seus consumidores. O uso da comunicação
esclarecedora deve estar enraizado à cultura da empresa, onde a mesma, torna-se elemento
fundamental não só no ambiente interno, mas também no seu externo, atingindo corretamente
o seu público. Para Matos (2004, p.102), “a abertura para a comunicação - falar e ouvir - deve
estar incorporada à cultura da empresa. Não podemos nunca esquecer que a comunicação é
um processo social básico e a informação é o seu principal elemento”. Priorizar a
comunicação e todas as suas possibilidades, portanto é um investimento determinante dentro
de uma corporação.
A comunicação visual também possui a habilidade de transmitir informações, de
forma silenciosa, ela é a linguagem utilizada pela marca para expressar sua identidade e
valores. Dondis (1973) explora os elementos básicos dessa linguagem, como linha, forma, cor
e espaço, e como eles podem ser combinados para criar mensagens visuais eficazes. Segundo
Dondis (1991), a comunicação visual utiliza elementos visuais para criar significados que são
interpretados pelo espectador. A sua importância reside na capacidade de extrapolar barreiras
linguísticas e culturais, tornando-se uma ferramenta poderosa para os profissionais de
marketing. Landa (2006) reafirma a importância do design gráfico como ferramenta para
solucionar problemas de comunicação, utilizando a criatividade e o conhecimento técnico
para atender às necessidades do público-alvo.
As cores são elementos fundamentais da comunicação visual, capazes de evocar
emoções e influenciar a percepção do consumidor. Heller (2009) explora a psicologia das
cores, revelando como diferentes cores podem transmitir significados e associações
simbólicas. Elliot e Maier (2014) aprofundam essa análise, demonstrando como a percepção
das cores pode afetar o funcionamento psicológico humano, incluindo humor, atenção e
desempenho cognitivo. Singh (2006) destaca a importância estratégica das cores no
marketing, influenciando as percepções dos consumidores e suas decisões de compra.
Pesquisas empíricas têm investigado como diferentes cores afetam processos psicológicos e
fisiológicos. Kwallek (1997) por sua vez, com base em seu estudo encontrou que
trabalhadores em escritórios com cores predominantemente azuis relataram menos níveis de
estresse do que aqueles em escritórios com cores vermelhas. Além de que, uma pesquisa de
Elliot e Maier (2007) demonstrou que quando um trabalhador tem o contato visual à cor
vermelha antes de uma tarefa pode diminuir o desempenho, provavelmente devido à
associação com perigo ou falha. A comunicação visual fortalece o posicionamento de uma
marca ao transpor sua identidade e valores graficamente, mostrando de forma clara e atraente
para o público.
O termo posicionamento refere-se a posição que a empresa ou produto tem na
mente do consumidor e como pode se aproveitar dessa vantagem em seus futuros planos
estratégicos administrativos. O posicionamento se entrelaça fortemente com a percepção de
valor que é imposta em seu produto, como por exemplo o relógio Cartier. “As pessoas não
compram um Cartier para saber as horas, isso pode ser feito num relógio de dez reais. Elas
compram para que todo mundo possa ver que elas têm um Cartier” (Strunck, 2007, p.35).
Strunck utiliza o exemplo justamente para salientar a ideia de que as pessoas valorizam o
valor imposto no produto oferecido, onde o posicionamento refere-se a estratégia de ser o
primeiro na cabeça do consumidor, a primeira opção.
Wheeler (2008) ressalta a ideia afirmando que posicionamento é uma estratégia que
busca encontrar aberturas em tendências saturadas e atrair a atenção dos consumidores com
novos meios. É a busca incansável de descobrir brechas no cenário e estabelecer-se
criativamente e eficazmente no pensamento dos consumidores. Relacionando-se com marca,
comunicação visual e tudo que se diz respeito a imagem da empresa para com seu cliente, o
posicionamento é a promessa para o usuário.
Afirmações de posicionamento são condutores de
estratégia de marketing curtos, incisivos e poderosos.
Eles são mais do que slogans de marketing, uma vez
que sintetizam uma promessa para os consumidores.
Também apresentam a visão do futuro da empresa: o
grande sonho, a meta final, as possibilidades a longo
prazo. (Wheeler, 2008, p. 47)
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com o objetivo de explorar os conceitos relacionados à identidade visual
organizacional, esta pesquisa buscou compreender como os consumidores percebem a
identidade visual de uma lanchonete específica. Após a obtenção das respostas, os dados
foram transformados em tabelas, destacando as características dos clientes da Pastel Mel
(Tabela 1), os níveis de satisfação (Tabela 2) e os critérios para consumo (Tabela 3). Esses
resultados originaram-se de 53 respondentes que utilizaram-se de um link para responder às
questões. As questões foram desenvolvidas com o intuito de obter conhecimento e apoio para
o escopo do trabalho.
Ademais, é perceptível a variação entre os tipos de respostas coletadas, visto que,
foram-se utilizados dados quantitativos, que por sua vez, são os dados numéricos e
mensuráveis. Diante a essa dinâmica, é possível observar a facilidade e diversificação das
respostas obtidas.
Tabela 1 - Características dos clientes da Pastel Mel
Faixa Etária Absoluta Percentual
15 a 20 anos 19 35,8
20 a 25 anos 9 17
Idade 25 a 30 anos 6 11,3
30 a 35 anos 4 7,5
35 a 40 anos 6 11,3
40 a 45 anos 1 1,9
45 anos 8 15,1
Masculino 16 30,2
Sexo
Feminino 37 69,8
Fonte: Elaborado pelos autores
A análise dos dados sobre os clientes da Pastel Mel revela que a maioria dos
frequentadores são jovens e mulheres. A maior porcentagem (35,8%) são de clientes que se
encontram entre 15 a 20 anos de idade. É possível perceber que a faixa etária de 40 a 45 anos
é a que menos obteve participação, e em seguida a faixa etária de 30 a 35 anos. O sexo
feminino é preponderante (69,8%) ante 30,2% do sexo masculino. Tal dado torna-se
relevante uma vez que, o perfil demográfico dos consumidores é um dado crucial nas
estratégias da empresa em questão, onde a mesma utiliza-se dos meios de marketing como
método de retenção de clientes (Kotler; Keller, 2016)
Tabela 2 - Níveis de Satisfação
Categoria Média
Visual do Cardápio 3,6
Uniforme 3,7
Embalagem 3,9
Logotipo 4,2
Identidade visual
Fachada 4,3
Ambiente (decoração) 4,3
Redes Sociais 4,1
Memorização Logotipo 4,3
Fonte: Elaborado pelos autores
Os dados demonstram que as categorias com maiores níveis de satisfação são a
fachada, ambiente (decoração) e a Memorização do logotipo, ambas com uma média de 4,3
sendo a nota alta marcada por 5 (muito satisfeito). Isso indica que os clientes estão satisfeitos
com a aparência e atmosfera do local e consideram a logo do estabelecimento memorável,
outras categorias como a logotipo (4,2) e as redes sociais (4,1) se encontram seguidas das
anteriores, proporcionando alguma das maiores médias. Apesar das maiores notas, alguns
fatores como a embalagem (3,9), o uniforme (3,7) e o visual do cardápio (3,6) se encontram
com as menores médias.
É crucial um ambiente agradável esteticamente e limpo, pois trás uma sensação de
conforto e possibilita a volta dos clientes para o presencial. Nessa mesma ideia, é possível
perceber que os consumidores tendem a memorizar o logotipo do estabelecimento, as cores
chamativas e o design simples fazem com que seja de fácil memorização. Uma identidade
visual predominante contribui para a criação e desenvolvimento da reputação de um
estabelecimento, trazendo notabilidade na região.
As redes sociais são cruciais para o desenvolvimento tecnológico e de marketing de
uma empresa, como visto na tabela (níveis de satisfação), a categoria (redes sociais) obteve
uma média de 4,1, apesar de não ser a nota máxima, o estabelecimento está cumprindo seus
objetivos no meio digital. No estudo realizado por Fritsch (2014), sugere-se que a abordagem
das empresas nas redes sociais hoje, é um recurso estratégico de retenção de clientes muito
forte. Ainda, Fritsch afirma que essa comunicação digital estimula o relacionamento do
cliente para com a empresa, através desse método de marketing. Entretanto, na pesquisa feita,
há uma parte da pesquisa que avaliou negativamente a identidade visual adotada nas redes
sociais da marca (1,9%) , avaliando com a nota mínima 1. Embora a pesquisa de Fritsch
aponte a importância do uso das redes sociais para a criação de laços com os clientes, alguns
dados presentes dentro das redes podem não agradar o consumidor e posteriormente, podendo
ocasionar na falta de interesse de consumo. São diferentes tipos de situações que podem
acarretar na insatisfação do indivíduo, porém, relacionando-se a padronagem da identidade
visual nas redes sociais, as possíveis situações podem ser a estética utilizada, a distribuição
das informações ao longo do perfil (podendo ser confuso ou até mesmo “poluindo” o perfil) e
o layout. Esses detalhes visuais podem definir como o consumidor enxerga a marca.
Por outro lado, a categoria com a menor média de satisfação é o visual do cardápio,
com uma média de 3,6, sugerindo que esta é uma área que pode precisar de melhorias. A
comunicação deriva diretamente do visual da empresa, o cardápio é uma das áreas onde é
feita essa comunicação visual do cliente com o restaurante, os símbolos, as cores e formas
proporcionam uma sensação de conforto (Corecco, 2016).Uniforme (3,7) e embalagem (3,9)
tiveram médias baixas e relativamente boas, mas apesar de estarem abaixo das categorias
mais bem avaliadas, indicando possíveis áreas para pequenos ajustes. O uso do uniforme e a
escolha de embalagens adequadas é de extrema importância para um estabelecimento, a
identidade visual carregada em ambas as categorias são fundamentais para construir um
relacionamento harmonioso com os clientes. Essas observações são valiosas para orientar
melhorias específicas, garantindo que a empresa continue a atender e, possivelmente, exceder
as expectativas dos clientes.
Tabela 3 - Critérios para consumo
Categoria Média
Localização 4,16
Higiene e limpeza 4,26
Estabelecimento Preços 3,94
Variedades dos produtos 4,26
Delivery 3,54
Fonte: Elaborado pelos autores
A tabela acima apresenta a média de alguns critérios para consumo, dentre as 5
categorias as que se encontram com as maiores médias são as variedades dos produtos (4,26)
e a higiene e limpeza (4,26), ambas próximas a nota máxima de 5 (muito satisfeito). Isso
mostra que tanto a ampla diversificação de produtos quanto a higiene e limpeza do ambiente
estão satisfazendo as expectativas dos clientes. A seguir como uma das mais votadas das
categorias se observa a localização, trazendo uma média de 4,16, com uma diferença mínima
(0,10) das anteriores, isso mostra que os consumidores estão satisfeitos com o fácil acesso ao
restaurante, resultando em mais idas ao estabelecimento do que pedidos por delivery.
Entretanto, as categorias preços (3,94) e delivery (3,54) são as com menores médias,
mostrando que são questões que necessitam de melhoria.
As variedades de produtos em um restaurante é essencial para atrair e reter clientes,
satisfazer suas expectativas e manter a relevância no mercado. Oferecer um cardápio
diversificado ajuda a atender diferentes preferências e interesses gastronômicos, aumentando
a satisfação do cliente e a probabilidade de retorno. Um menu variado atrai diferentes tipos de
clientes, evitando que eles procurem a concorrência por falta de opções (Machado, 2023). Ter
uma variedade de produtos permite ao restaurante ser flexível e inovador, respondendo
rapidamente às tendências, mantendo o interesse dos clientes.
Higiene e limpeza são de fato uma questão importante para os restaurantes, visto que,
a boa percepção dos clientes diante ao estabelecimento, provoca sucesso e boa reputação
(Paliti, 2024). Nesse mesmo estudo de Paliti (2024), ele afirma que a higiene pode ser
considerada um cartão de visitas, nessa mesma ideia, também menciona em seu artigo que a
limpeza garante conforto, segurança e gera a confiança depositada em seu trabalho.
De fato a localização impacta muito quando se trata de avaliação, definir uma
localização adequada para o seu estabelecimento é crucial e necessita de cautela no momento
da decisão, visto que, é necessário uma atenção a diversos fatores, pois as empresas
alimentícias tendem a procurar sempre se aproximar de seus clientes (Dourados, et. al, 2016).
Contrariamente, alguns fatores se encontram com médias baixas sendo elas, o preço e
o delivery do estabelecimento, esses números abaixo do esperado mostram que essas
categorias precisam de atenção para futuras melhorias. A insatisfação com os preços é algo
visto em diversos restaurantes, entretanto, o aumento dos valores deriva do aumento
significativo dos preços dos alimentos. Em um estudo realizado pelo IPCA (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo) e publicado pelo governo federal (2024) é questionada a
alta dos preços dos alimentos, mostrando que as mudanças climáticas impactam diretamente
no aumento de valores. Em fevereiro a média foi de 1,12% no alargamento dos preços no
ramo alimentício. Nessa mesma pesquisa, o professor José Giacomo Baccarin da
Universidade Estadual Paulista explica que, os alimentos tendem a ser prejudicados devido ao
período das chuvas ou ao calor extremo da região. Agora, a insatisfação com o delivery, foi
pontuado por alguns clientes que deriva-se ocasionalmente do atraso e da taxa de entrega, o
que dificulta o relacionamento com clientes que não conseguem adentrar no estabelecimento.
Ambas as categorias precisam de melhorias para que no futuro tendem a superar as
expectativas da clientela.
5 CONCLUSÃO
A pesquisa apresentada visou identificar como a identidade visual de uma empresa do
ramo alimentício consegue ser relevante na percepção dos consumidores. Utilizando-se de
estudos bibliográficos, pesquisas de campo e entrevistas, pode-se concluir que apesar de
algumas avaliações medianas com relação a adoção da identidade visual da marca em
diferentes itens e locais (estabelecimento e redes sociais), o desempenho da mesma se tem
obtido resultados satisfatórios, onde por intermédio da logo e utilização das cores definidas
pela empresa, os consumidores conseguem relacionar a marca no seu cotidiano. Diante do
formulário aplicado, as categorias com melhor pontuação que comprovam a importância
estética e uma identidade visual relevante são justamente o ambiente e a logotipo. Ambas
seguem o padrão visual adotado pela empresa e se utilizam de diferentes elementos gráficos
para compor e transmitir a mensagem organizacional, o que reflete na percepção do
consumidor.
Apesar da pesquisa ter retido respostas positivas, ainda se faz necessário mudanças
estéticas em diferentes itens, como o cardápio e uniforme, por exemplo. Estudando o principal
público-alvo e entendendo suas preferências, se torna acessível dados mais específicos do que
deve ser modificado para que atenda a satisfação da maior parte dos clientes do local.
Ademais, com o estudo das preferências mercadológicas, marketing estratégico e
oportunidades internas e externas, os itens visuais podem ser alterados de forma progressiva
alcançando resultados precisos (Junqueira, et al., 2014).
Dentre as limitações apresentadas ao decorrer da pesquisa, destaca-se a dificuldade de
encontrar pontos de vista mais específicos dentro das entrevistas realizadas e a pequena
quantidade de participantes. Portanto, sugere-se em pesquisas posteriores a esta, a utilização
de entrevistas totalmente presenciais com um número maior de participantes, e, o uso de
perguntas fechadas mais específicas, buscando respostas mais acuradas.
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