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Soluções de Problemas da Olimpíada de Matemática

O documento apresenta soluções para problemas da XXVIII Olimpíada de Matemática do Cone Sul, abordando temas como álgebra, teoria dos números, combinatória e geometria. Cada problema é seguido de uma solução detalhada, demonstrando raciocínios matemáticos e técnicas de resolução. Os problemas incluem a determinação de primos, desigualdades, sequências, contagem de divisores e propriedades de triângulos e quadriláteros.

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Soluções de Problemas da Olimpíada de Matemática

O documento apresenta soluções para problemas da XXVIII Olimpíada de Matemática do Cone Sul, abordando temas como álgebra, teoria dos números, combinatória e geometria. Cada problema é seguido de uma solução detalhada, demonstrando raciocínios matemáticos e técnicas de resolução. Os problemas incluem a determinação de primos, desigualdades, sequências, contagem de divisores e propriedades de triângulos e quadriláteros.

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Soluções da Primeira Lista de Preparação para a XXVIII Olimpı́ada de Matemática do Cone Sul e

VII Olimpı́ada de Matemática dos Paı́ses de Lı́ngua Portuguesa

Álgebra e Teoria dos Números

x PROBLEMA 1
Determine todos os primos positivos p tais que existem inteiros positivos n, x e y tais que pn = x3 + y 3 .

Solução: Veja que para p = 2 basta tomar (n, x, y) = (1, 1, 1) e para p = 3 basta tomar (n, x, y) = (2, 2, 1).
Mostraremos que não temos solução para p > 3.
Suponha que existe solução. Se p|x ⇒ x = px0 então p|x3 + y 3 ⇒ p|y 3 ⇒ p|y ⇒ y = py0 logo podemos cancelar
p3 na equação e teremos pn−3 = x30 + y03 . Veja que pn−3 ≥ 2 ⇒ n − 3 ≥ 1. Temos a mesma equação, mas com
menos fatores p. Podemos repetir esse procedimento até que p - x implicando que p - y.
Suponha que p - x e p - y. Como x3 + y 3 = (x + y)(x2 − xy + y 2 ) é uma potência de p, x + y ≥ 2 e
x2 − xy + y 2 = (x − y)2 + xy > 0 então existem inteiros não negativos a e b tal que x + y = pa e x2 − xy + y 2 = pb .
Mas veja que (x − y)2 + xy = 1 ⇒ xy ≤ 1 ⇒ x = y = 1 implicando p = 2 e esse caso já foi estudado. Tendo
x2 − xy + y 2 = pb ≥ 2 temos a, b ≥ 1. Logo p|x + y e p|x2 − xy + y 2 = (x + y)2 − 3xy ⇒ p|3xy. Lembrando que
p - x e p - y, temos p|3 ⇒ p = 3. Portanto não há soluções com p > 3.

x PROBLEMA 2
Mostre que s
r r  
a 3 b 3 1 1
3
+ ≤ 2(a + b) +
b a a b
para quaisquer reais positivos a e b e determine quando a igualdade ocorre.

3
Solução: Multiplicando por ab a equação é equivalente a

3
√3
q
3 2
p3
a2 + b2 ≤ 2 (a + b) = 2a2 + 4ab + 2b2 .

Podemos elevar os dois lados ao cubo pois f (x) = x3 é crescente nos reais

3
√3
a2 + 3 a4 b2 + 3 a2 b4 + b2 ≤ 2a2 + 4ab + 2b2

3

3
⇔ 3 a4 b2 + 3 a2 b4 ≤ a2 + 4ab + b2 .
Mas usando M A ≥ M G temos √
3
a2 + ab + ab ≥ 3 a4 b2

3
b2 + ab + ab ≥ 3 a2 b4
e somando as duas inequações concluı́mos o problema.

x PROBLEMA 3
Seja a1 , a2 , ... uma sequência tal que a1 = 43, a2 = 142 e an+1 = 3an + an−1 para todo n ≥ 2. Prove que
(a) an e an+1 são primos entre si para todo n ≥ 1;
(b) Para todo natural m existem infinitos números naturais n tais que an − 1 e an+1 − 1 são ambos divisı́veis
por m.
Solução: a) Veja que mdc(an+1 , an ) = mdc(an , an−1 ), pois se d|an podemos afirmar que d|an+1 ⇔ d|an+1 −
3an = an−1 . Assim mdc(an+1 , an ) = mdc(an , an−1 ) = ... = mdc(a2 , a1 ) = mdc(142, 43) = 1.
b) Primeiro veja que os restos da sequência an módulo m formam um perı́odo. Existem m2 pares de restos
consecutivos possı́veis e tomando m2 + 1 pares de an consecutivos haverá repetição pelo princı́pio da casa dos
pombos. Considerando o primeiro par (x, y) de restos que se repete e os restos dos termos até sua repetição
teremos o perı́odo de restos que se repete. Veja que o resto anterior a (x, y) também pertence, pois antes de
entrar no perı́odo e no perı́odo o par (x, y) veio de (y − 3x, x).
Então podemos afirmar que o par de congruências (43, 142) está no perı́odo e antes dele teremos as congruências
(13, 43), (4, 13), (1, 4) e (1, 1). Como (1, 1) aparece no perı́odo então existem infinitos temos consecutivos
deixando resto 1 na divisão por m, ou seja, infinitos naturais n tais que an − 1 e an+1 − 1 são ambos divisı́veis
por m.
Combinatória

x PROBLEMA 4
Ache o maior inteiro positivo N tal que o número de inteiros no conjunto {1, 2, . . . , N } que são divisı́veis por 3
é igual ao número de elementos que são divisı́veis por 5 ou por 7 (ou por ambos).

Solução: É conhecido que de 1 até N temos exatamente Na múltiplos de a para todo inteiro positivo a.
 

Então desejamos encontrar o maior N tal que


       
N N N N
= + − .
3 5 7 35

Lembrando que contando múltiplos de 5 ou 7 devemos subtrair os multiplos de 35 que são contados duas vezes.
Note que N = 65 satisfaz a equação.
       
65 65 65 65
21 = = + − = 13 + 9 − 1.
3 5 7 35

Vamos provar que a igualdade não será satisfeita para N > 65. Para isso veja que N3 ≥ N 3−2 , pois N ,
 

N − 1 ou N − 2 será o maior múltiplo de 3 menor que ou igual a N . Podemos usar o mesmo argumento para
35. Assim, se N satisfaz a equação podemos escrever

       
N − 2 N − 34 N N N N N N
+ ≤ + = + ≤ + ⇒ 3N − 102 + 35N − 70 ≤ 36N ⇒ N ≤ 86.
3 35 3 35 5 7 5 7

Veja que N = 66, 67 e 68 o lado esquerdo supera o direito em 1, temos um múltiplo de 3 adicionado e
nenhum de 5 ou de 7. Para N = 69 o lado esquerdo passar a superar o direito em 2 e para N = 70 volta para
1, pois 70 é múltiplo de 5 ou de 7.
Seguindo esse procedimento o saldo aumenta para 2 no 72, fica em 2 até 76, pois 75 é múltiplo de 5 e de 3, volta
a ser 1 no 77. O saldo cresce para 2 no 78, diminui para 1 no 80, aumenta para 2 no 81 e se mantem 2 até 84
que é múltiplo de 3 e de 7. O saldo volta a ser 1 no 85e permanece no 86. Pelo argumento acima não existem
soluções maiores que 86.

Concluı́mos que N = 65 é o maior valor que satisfaz as condições dadas.

x PROBLEMA 5
Tom e Jerry jogam alternadamente um jogo e Tom é o primeiro a jogar. Considerando um número inteiro
positivo N um movimento consiste de escolher um dos dı́gitos de N e trocar por um dı́gito menor passando
para o adversário o número M resultante. Por exemplo, se o número inicial é 2017 então Tom não poderá
escolher o segundo dı́gito, pois este já é 0, e se Tom escolher o primeiro dı́gito então ele pode passar 1017 ou
0017 = 17 para Jerry que deve fazer seu movimento e passar outro número para Tom.

Inicialmente o número N é 1234. O jogador que obtiver zero ganha. Qual dos dois jogadores pode garantir
sua vitória e como?

Solução: Tom pode garantir sua vitória. Em sua primeira jogada Tom troca o 4 por 0 passando o número
1230. Agora se Jerry fizer um movimento que deixa dois dı́gitos iguais então Tom pode tranformar o terceiro
número em zero e passar a jogar no simétrico de Jerry. Por exemplo, se Jerry trasnformar o 3 em 1 deixando
1210 então Tom deixa 1010 e o que Jerry fizer com algum dos 1 o Tom pode fazer com o outro em sua jogada
e vencer. E se Jerry transformar algum dos números em zero então Tom poderá deixar os outros dois iguais e
jogar simétrico ao Jerry para vencer o jogo. Por exemplo, se Jerry trocar o 1 deixando 0230 então Tom deixa
0220. Se Jerry tornar um dos 2 em 0 então Tom faz o mesmo com outro e vence o jogo. Se Jerry trocar um dos
2 por 1 então Tom troca o outro 2 por 1 continua jogando simétrico. Jogando dessa forma Tom sempre vence.
x PROBLEMA 6
Considere um conjunto S de n pontos no plano satisfazendo as duas condições:
(i) sem três pontos colineares;
(ii) para todo ponto P de S existem pelo menos k pontos de S que estão a mesma distância de P .

Prove que k < 21 + 2n.

Solução: Vamos contar de duas formas a quantidade x elmentos diferentes podemos formar com o formato
({A, B}, C) em que AC = BC. Se fixarmos C temos no mı́nimo k2 pares {A, B} pela segunda condição. Logo
x ≥ n · k2 . Por outro lado, se fixarmos {A, B} temos no máximo 2 pontos C, pois a condição AC = BC implica


que os pontos C estão na  mediatriz de A e B e pela primeira condição não existem três pontos sobre uma reta
do plano. Temos x ≤ n2 · 2.
Então a partir dessas contagens
   
k n
n· ≤ · 2 ⇒ k(k − 1) ≤ 2(n − 1) ⇒ 4k 2 − 4k + 1 ≤ 8n − 8 + 1 < 8n ⇒ (2k − 1)2 < 8n.
2 2

Podemos tirar a raiz quadrada dos dois lados já que são positivos, logo
√ √ 1 √
2k − 1 < 8n = 2 2n ⇒ k < + 2n.
2

Geometria

x PROBLEMA 7
Dado um triângulo isósceles ABC com AB = BC. Um ponto M é escolhido no interior a ABC tal que
∠AM C = 2∠ABC. Um ponto K está sobre o segmento AM de modo que ∠BKM = ∠ABC. Prove que
BK = KM + M C.

Solução: Considere a figura a seguir

Seja T o ponto de interseção de CM com BK. Usando ângulo externo no triângulo T KM temos ∠T KM +
∠M KT = ∠AM C = 2∠ABC = 2∠T KM ⇒ ∠T KM = ∠T KM ⇒ M K = T M . Veja também que ∠BKA =
∠CT B. Podemos provar a equação usando que BK = KM + M C ⇔ BK = CT .
Por ângulo externo no triângulo ∠BAK +∠ABK = ∠BKM = ∠ABC = ∠ABK +∠CBT ⇒ ∠BAK = ∠CBT .
Junto com os ângulos ∠BKA = ∠CT B e AB = BC podemos concluir que os triângulos BKA e CT B são
congruentes e, portanto, BK = CT .
x PROBLEMA 8
Seja ABCD um quadrilátero convexo com ∠CBD = 2∠ADB, ∠ABD = 2∠CDB e AB = CB. Prove que
AD = CD.

Solução: Sejam ∠ADB = x ⇒ ∠CBD = 2x e ∠CDB = y ⇒ ∠ABD = 2x. Considere a figura a seguir

Usando as somas dos ângulos internos dos triângulos ABD e CBD temos ∠BAD = 180◦ − 2y − x e
∠BCD = 180◦ − 2x − y. Usando Lei dos Senos nesses dois triângulos temos

sen (2y + x) BD BD sen (2x + y)


= = = .
sen x AB CB sen y
Veja que ∠ABC = B = 2x + 2y < 180◦ ⇒ sen B 6= 0, pois o quadrilátero é convexo. Usando a variável B

sen (B − x) sen (B − y) sen B cos x − cos B sen x sen B cos y − cos B sen y
= ⇔ =
sen x sen y sen x sen y
⇔ sen B cotg x − cos B = sen B cotg y − cos B ⇔ cotg x = cotg y.
E isso junto com o fato de 2x, 2y < 180◦ ⇔ x, y < 90◦ nos permite concluir que x = y já que

cotg x = cotg y ⇔ sen x cos y − cos x sen y = 0 ⇔ sen (x − y) = 0 ⇔ x = y.

Assim, os triângulos ABD e CBD são congruentes e AD = CD.

x PROBLEMA 9
Seja M o ponto de interseção das diagonais AC e BD do quadrilátero convexo ABCD. A bissetriz interna do
ângulo ∠ACD intersecta a semirreta BA em um ponto K. Sabe-se que M A · M C + M A · CD = M B · M D.
Prove que ∠BKC = ∠CDB.

Solução: Considere a figura a seguir


Pelo Teorema da Bissetriz Interna (TBI) temos

MT MC MC · TD
= ⇔ CD = .
TD CD MT
Substituindo na equação dada
MC · TD
MA · MC + MA · = MB · MD
MT
 
TD
⇔ MA · MC 1 + = MB · MD
MT
MA · MC · MD
⇔ = MB · MD
MT
⇔ MA · MC = MB · MT
e por potência de ponto podemos afirmar que o quadrilátero ABCT é cı́clico. Daı́ temos

∠KBD = ∠ABT = ∠ACT = ∠T CD = ∠KCD.

Logo o quadrilátero KBCD é cı́clico e temos ∠BKC = ∠BDC.

Problemas gerais

x PROBLEMA 10
Um total de n números inteiros estão escritos em uma lousa. Calcula-se a média aritmética M desses números.
Então adiciona-se uma unidade aos números que são menores ou iguais a M − 1 e subtrai-se uma unidade dos
números que são maiores ou iguais a M + 1. Os outros números não são alterados.

Obtém-se então um novo conjunto de n números para o qual o mesmo procedimento é repetido e, assim,
sucessivamente.

Prove que após um número finito de repetições do procedimento descrito acima, o conjunto de n números
da lousa não será mais alterado.

Solução:
Considere a diferença entre o maior e o menor número em certo momento. Se essa diferença é 0 então os
números são todos iguais, a média será igual a esse valor e não haverá alteração. Se essa diferença é 1 todos
os números são x ou x + 1, a média será maior M com x < M < x + 1 e os números não serão alterados, pois
M − 1 < x < M < x + 1 < M + 1. Se a diferença for 2 ou mais, podemos escrever o mı́nimo x1 e o máximo
x2 e afirmar que a média M satisfaz x1 < M < x2 . Veja que x1 ≤ M − 1 ou x2 ≥ M + 1, pois caso contrário
M − 1 < x1 < x2 < M + 1 e x2 − x1 < (M + 1) − (M1 ) = 2 que é absurdo. Então ao menos um desses números
vai ser apagado e a diferença entre máximo mı́nimo vai reduzir em 1 ou 2. Veja que se x3 ≤ x2 e x2 for trocado
por x2 − 1 então x3 < x2 ⇒ x3 ≤ x2 − 1 ou x3 = x2 e também reduzirá em 1. Podemos usar um argumento
análogo para x3 ≥ x1 . Portanto os números nos lugares de x1 e x2 sempre serão o mı́nimo e o máximo entre os
números na lousa e após o procedimento a diferença entre eles diminui.
Podemos concluir que a diferença inicial entre máximo e mı́nimo será 0 ou 1 após um número finito de repetições
do procedimento e que após isso os números na lousa não se alteram mais.

x PROBLEMA 11
Uma sequência é chamada arrumada quando possui exatamente 100 termos inteiros positivos tais que a diferença
entre dois termos consecutivos é 0, −1 ou 1.

(a) Prove que existem exatamente 399 sequências arrumadas em que o maior termo é igual a 2017.
(b) Determine a quantidade de sequências arrumadas tais que pelo menos um de seus termos é igual a 3.

Solução: a) Primeiro vamos escolher as variações entre termos consecutivos da sequência. Como há 3 opções
para cada variação teremos 399 variações possı́veis. Para cada variação existe exatamente uma escolha possı́vel
do termo inciial tal que o maior termo da sequência resultante é exatamente 2017. Lembrando que no pior caso
o menor termo da sequência é 2017 − 99 > 0, conluı́mos que existem 399 sequências arrumadas em que o maior
termo é 2017.
b) Podemos olhar primeiro as variações. São 399 variações possı́veis. Para cada variação existe exatamente
um termo inicial que faz com o que o menor termo da sequência seja 1. Podemos fazer o mesmo para 2 e 3
e concluir que existem 3 · 399 = 3100 sequências em que o menor termo é 1, 2 ou 3. Mas entre elas existem
sequências que não possuem 3, são as sequências formadas apenas por 1 e 2. Sendo 100 termos e duas escolhas
para cada logo 2100 sequências sem o 3. Portanto existem 3100 − 2100 sequências arrumadas em que pelo menos
um termo é 3.

x PROBLEMA 12
Seja ABCD um quadrilátero convexo tal que ∠DAB = 90◦ . Seja M o ponto médio de BC. Sabendo que
∠ADC = ∠BAM , prove que ∠ADB = ∠CAM .

Solução: Seja B 0 o simétrico do ponto B em relação ao ponto A. Sejam ∠ADC = ∠BAM = θ, ∠ADB = β
e ∠CAM = α. Desejamos provar que α = β.
Temos a seguinte figura.

Temos ∠DAB = ∠DAB 0 = 90◦ e BA = B 0 A, logo B, A e B 0 são colineares e os triângulos DAB e DAB 0
são congruentes. Temos ∠ADB 0 = ∠ADB = β. Veja que AM é base média de B 0 C no triângulo BB 0 C.
Então AM e B 0 C são paralelos implicando ∠BB 0 C = ∠BAM = θ e ∠ACB 0 = ∠CAM = α. Note que como
∠AB 0 C = ∠ADC = θ o quadrilátero AB 0 DC é cı́clico. Logo ∠ADB 0 = ∠ACB 0 ⇒ β = α.

x PROBLEMA 13
Seja p > 3 um primo. Determine a quantidade de sextúplas ordenadas (a, b, c, d, e, f ) de inteiros positivos tais
que a soma dos seis números é 3p e todas as seguintes frações
a+b b+c c+d d+e e+f
, , , ,
c+d d+e e+f f +a a+b
são inteiros.

Solução: Veja que o produto da primeira, terceira e quinta frações é 1. Como são inteiros e a soma dos seis
números é 3p temos a + b = c + d = e + f = p.
Usando a segunda e quarta equações temos que f + a|d + e e d + e|b + c logo f + a|(f + a) + (d + e) + (b + c) = 3p.
Considerando que 2 ≤ f + a < 3p temos duas possibilidades f + a = p ou f + a = 3.
Se f + a = p teremos d + e e b + c múltiplos de p menores que 2p então d + e = b + c = p e chegamos na classe
de soluções (a, p − a, a, p − a, a, p − a) para 1 ≤ a ≤ p − 1. Nesse caso temos p − 1 soluções.
Se f + a = 3 temos dois subcasos (f, a) = (1, 2) ou (f, a) = (2, 1). No primeiro subcaso (f, a) = (1, 2) ⇒ (b, e) =
(p − 2, p − 1) e só precisamos nos preocupar com as divisibilidades

3|d + (p − 1) e d + (p − 1)|c + (p − 2).

Observe que c + (p − 2) < p − 1 + p − 2 = 2p − 3 < 2(d + (p − 1)). A segunda divisibilidade implica


d+(p−1) = c+(p−2) ⇔ d−c = −1. Juntando ao fato de d+c = p temos a solução 2, p − 2, p+1 p−1

2 , 2 , p − 1, 1 .
No segundo subcaso (f, a) = (2, 1) ⇒ (b, e) = (p − 1, p − 2) e só precisamos nos preocupar com as divisibili-
dades
3|d + (p − 2) e d + (p − 2)|c + (p − 1).
Se d ≥ 2 temos c + (p − 1) ≤ 2(p − 1) < 2(d + (p − 2)) e, como fizemos no subcaso anterior, d + (p − 2) =
c + (p − 1) ⇔ d − c = 1. Usando a equação d + c = p teremos a solução 1, p − 1, p−1 p+1
2 , 2 , p − 2, 2 . Já se
d = 1 ⇒ c = p − 1 temos que analisar
3|p − 1 e p − 1|2(p − 1)
que funciona sempre que p ≡ 1 (mod 3).

Concluı́mos que se p ≡ 1 (mod 3) temos p + 2 soluções e se p ≡ 2 (mod 3) temos p + 1 soluções.

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