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Filosofia de Kant: Conhecimento e Moralidade

Immanuel Kant desenvolveu uma teoria filosófica que unifica o cartesianismo e o empirismo, dividida em duas fases: pré-crítica e crítica, sendo esta última a mais significativa. Ele propôs que a capacidade de conhecer e agir é fundamentada em uma estrutura racional inata, que organiza a experiência e fundamenta sua filosofia moral e política. Kant também introduziu conceitos de juízos analíticos, sintéticos a posteriori e sintéticos a priori, além de enfatizar a liberdade e a responsabilidade moral através do imperativo categórico.

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Sabrina Oliveira
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Filosofia de Kant: Conhecimento e Moralidade

Immanuel Kant desenvolveu uma teoria filosófica que unifica o cartesianismo e o empirismo, dividida em duas fases: pré-crítica e crítica, sendo esta última a mais significativa. Ele propôs que a capacidade de conhecer e agir é fundamentada em uma estrutura racional inata, que organiza a experiência e fundamenta sua filosofia moral e política. Kant também introduziu conceitos de juízos analíticos, sintéticos a posteriori e sintéticos a priori, além de enfatizar a liberdade e a responsabilidade moral através do imperativo categórico.

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Immanuel Kant (1724-1804)

A teoria filosófica desenvolvida por Kant inaugura um novo pensar, sendo este acompanhado por
todos aqueles que lhe antecederam, servindo-lhes de inspiração. Nascido na Alemanha, sua obra
pode ser dividida em duas fases.
O primeiro período conhecido como fase pré-crítica é anterior à publicação da obra “Crítica da
Razão Pura”, sendo este o marco divisor entre as fases. Destacamos nesta fase a obra “O único
argumento possível para a demonstração da existência de Deus”.
A segunda e mais importante fase de Kant é denominada de período crítico, é a fase politizada do
autor, onde podemos destacar obras como a Crítica da Razão Prática e ainda Fundamentos da
Metafísica dos Costumes.

Figura 1Immanuel KantFonte:UpdateNerd / Wikimedia Commons


O objeto de investigação de Kant se funda na intenção de unificar os pressupostos lógicos, próprios
do cartesianismo, com as proposições dos chamados empiristas - ou psicologistas -, de maneira a
compreender de onde se origina a capacidade de conhecer e agir - este último é o fundamento de
sua filosofia moral, política e da educação. Por isso, revoluciona a disputa existente, gerando o que
comumente se veio a denominar a “revolução copernicana” da filosofia.
Saiba mais!
Nicolau Copérnico
O astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) publicou em 1543 sua célebre obra Das
revoluções dos orbes celestes, onde defendeu sua teoria heliocêntrica – o Sol no centro do sistema
solar, e a Terra (e os demais planetas) giram ao seu redor – contrapondo-se ao geocentrismo – a
Terra no centro, com o Sol girando ao seu redor. Sua obra, entretanto, custou-lhe a vida em uma das
fogueiras da Inquisição católica.
Fique por dentro acessando o conteúdo disponível no link a seguir.
Fonte: elaborado pelos autores.
Em sua tese, Kant assume o pressuposto de Locke, de que todo o conhecimento só nasce com
a experiência. Propõe, no entanto, que isso não significa dizer que o conhecimento
nasce na experiência. Com isso, quer dizer que existe uma estrutura racional inata - tanto na forma
de conhecer o mundo como nas formas de pensar a própria moral (filosofia da ação), inerente a
todos os homens, que organiza os dados recebidos pela experiência e possibilita o conhecimento da
geometria, do tempo, da física etc., e possibilita a cada um agir de forma responsável, perante os
outros sujeitos.
Isso porque essa estrutura racional, segundo ele, é formada por juízos, que recebem as
representações da experiência e estabelecem de que forma eles podem ser reunidos. Por isso, diz-
se que sua filosofia concentra todas as capacidades humanas em uma forma de Tribunal da Razão,
que julga todos os dados sensivelmente recebidos, de maneira que cada sujeito, assim, contém a
mesma capacidade de categorizar a realidade.
No que tange ao processo de conhecimento, esses juízos podem ser analíticos, sintéticos a
posteriori e sintéticos a priori. Analítico é o juízo que une dois elementos que, quando ligados, não
formam nenhuma espécie de novo conhecimento - ou, em outras palavras, é aquele no qual o
predicado já se encontra contido no sujeito. É o que ocorre, por exemplo, com a afirmação de que
um triângulo tem três lados. Muito embora esteja correto, ele não forma nenhum conhecimento novo
acerca da experiência e, portanto, não serve para a formação dialética de conhecimento entre razão
e experiência.
O juízo sintético a posteriori é aquele elaborado com elementos da experiência que não são
observáveis de maneira igual. Nesse caso, o sujeito não se encontra contido no predicado, mas
depende de uma determinada síntese de realidade, de uma observação empírica, para ser
deduzido. É o que ocorre com relação à afirmação de objetos e suas cores, por exemplo. O juízo
sintético a priori, por sua vez, deduz da realidade uma constatação que não pode ser refutada, a
qual é, portanto, logicamente inquestionável e, assim, empírica e racional, ao mesmo tempo. Em
termos sintáticos, o sujeito não está contido no predicado, mas concorda com ele necessariamente.
Na sua teoria da ação, que funda sua filosofia moral, política e da educação, Kant propõe uma tese
a respeito dos desejos, onde o último deles encontra fundamento na possibilidade ou não de desejar
qualquer objeto para si. Assim, é inerente ao ser humano a capacidade de desejar, ao mesmo tempo
em que é livre para escolher. Essa liberdade implica na universalidade de vontade humana de não
querer para si, de agir desinteressadamente, confirmando, na universalidade desse comportamento,
a existência de uma lei moral, que está sobre todos os homens e possibilita a eles serem
responsáveis, no trato uns com os outros. Daí a máxima do imperativo categórico, de onde se extrai
a possibilidade de agir como se a humanidade toda estivesse sendo escolhida na ação praticada.
Essa ideia fica clara no seguinte trecho da Fundamentação:
Com isso também concordam perfeitamente os veredictos judiciais daquela maravilhosa faculdade
em nós que denominamos consciência moral. Um homem pode dissimular o quanto ele quiser, para
dourar perante si mesmo um comportamento ilegal do qual se recorda, e declarar-se não culpado a
seu respeito, como se se tratasse de um engano não premeditado e de um simples descuido que
jamais se pode evitar totalmente, consequentemente de algo em que se fosse arrastado pelo caudal
da necessidade natural; ele descobre, contudo, que o advogado que fala em seu favor de modo
algum consegue fazer calar o acusador nele, tão logo ele se dê conta de que no momento em que
praticava a injustiça estava de posse do seu juízo, isto é, no exercício de sua liberdade e, apesar
disso, ele explica o seu delito a partir de certo mau hábito contraído por crescente abandono do
cuidado para consigo próprio até o ponto em que pode considerá-lo uma consequência natural do
mesmo, sem que isto, contudo, possa assegurá-lo contra a autorrepressão e a censura que ele
próprio se faz (KANT, 1988, p. 159-160).
Esse trabalho está fundado em algumas obras, das quais se devem destacar a Fundamentação da
Metafísica dos Costumes (1785) e a Crítica da Razão Prática (1788).
Vale destacar que Kant também faz uma crítica do juízo, em que trata a respeito do processo pelo
qual os dados representados pela realidade se processam racionalmente, bem como trata do papel
da imaginação e da noção de simetria para a construção de um juízo do que é belo.
G. W. F. Hegel (1770-1831)
Hegel, assim como Aristóteles, foi um grande sistematizador, sobre o tema Luckesi e Passos (1992,
p. 114) afirmam que:
Hegel situa-se como o último grande filósofo da Idade Moderna. Para alguns historiadores da
filosofia, ele foi o maior filósofo de todos os tempos, em função da grandiosidade, da sistematicidade
e abrangência de seu sistema filosófico. Após ele, os filósofos não produziram mais sistemas
filosóficos completos que dessem conta de uma interpretação do mundo e de suas diversas
manifestações naturais e sociais.
Dentre as suas principais obras, podemos citar: Fenomenologia do Espírito (1806) e Ciência da
Lógica (1812-1816), publicada em três volumes de 1812 a 1816. Como observa muito bem
Warburton, o pensamento de Hegel pode ser descrito como:
“A coruja de Minerva só voa ao anoitecer”. Esta era a visão de Hegel. Mas o que isto significa? Na
verdade, a pergunta “o que isso significa?” é uma pergunta que os leitores das obras de Hegel se
fazem com frequência. Sua escrita é incrivelmente difícil, em parte porque, assim como Kant, Hegel
expressava-se em uma linguagem muito abstrata e costumava inventar alguns termos. Talvez
ninguém, nem mesmo o próprio Hegel, tenha entendido toda a sua obra. A declaração sobre a coruja
é uma das partes mais fáceis de decifrar. É a forma de Hegel nos dizer que a sabedoria e a
compreensão no curso da história humana só acontecerão em um estágio mais avançado, quando
olharmos para o que já aconteceu, como alguém que revê os acontecimentos do dia quando a noite
cai (WARBURTON, 2012, p. 125).
Hegel acreditava que ao contrário de buscarmos respostas aos problemas em realidade
deveríamos buscar a razão ensejadora de tais problemas, pois dessa forma seriam solucionados os
problemas através da razão. Razão esta que se transforma constantemente. Essa visão é um traço
marcante de sua teoria.
O estudo da história feito por Hegel não era uma atividade separada de sua filosofia, mas sim a
principal parte de sua filosofia. Para ele, história e filosofia estavam entrelaçadas. E tudo estava
direcionando-se para algo melhor. Essa ideia não era original. A religião geralmente explica a história
como se a levasse a um ponto final, como a segunda vinda de Cristo. Hegel era cristão, porém, sua
explicação estava longe de ser ortodoxa. Para ele, o resultado final não era a segunda vinda. Hegel
acreditava que a história tinha um alvo final que ninguém havia de fato considerado antes: a vinda
gradual e inevitável do Espírito pela marcha da razão (WARBURTON, 2012, p. 128).
O complexo sistema filosófico de Hegel, o hegelianismo, se propõe a uma tarefa gigantesca:
oferecer um discurso filosófico sobre a totalidade, ou seja, uma explicação completa da totalidade da
experiência e da existência humana. Talvez por isso alguns historiadores da filosofia o apontem
como o filósofo mais ambicioso que o mundo já conheceu.
Figura 2Georg Wilhelm Friedrich HegelFonte:FreeArt1 / Wikimedia Commons
Todavia, faz-se necessário abordar o que Hegel entendia por razão; para Hegel, a razão é:
1. O conjunto das leis do pensamento, isto é, os princípios, os procedimentos do raciocínio, as
formas e as estruturas necessárias para pensar, as categorias, as ideias – é razão subjetiva.
2. A ordem, a organização, o encadeamento e a relação das próprias coisas, isto é, a realidade
objetiva e racional – é razão objetiva.
3. A relação interna e necessária entre as leis do pensamento e as leis do real. Ela é a unidade
da razão subjetiva e da razão objetiva. A essa unidade, Hegel dá o nome de espírito absoluto.
Hegel afirma que toda realidade é racional e que toda racionalidade é real. Ou, em suas palavras, “o
real é racional e o racional é real”. Com essa afirmação, pretendeu significar a unidade da razão
objetiva e da razão subjetiva.
Por que a razão é histórica?
A unidade ou harmonia entre o objetivo e o subjetivo, entre a realidade das coisas e o sujeito do
conhecimento não é um dado eterno, algo que existiu desde todo o sempre, mas é uma conquista
da razão e essa razão a conquista realiza no tempo. A razão não tem como ponto de partida essa
unidade, mas a tem como ponto de chegada, como resultado do percurso histórico ou temporal que
ela própria realiza (CHAUÍ, 2012, p. 101-102).
O sistema filosófico hegeliano pressupõe que uma razão histórica utiliza um método dialético de
compreensão histórica. Para Hegel, a maneira do pensamento humano progredir é pelo embate de
uma ideia e seu oposto. Isto é a dialética hegeliana.
Esclarecemos como se desenvolve a dialética proposta por Hegel, ao criar qualquer pensamento
este será uma ideia, esta ideia foi denominada pelo autor como tese, a essa tese é proposta uma
antítese, uma contradição. Ideias estas que ficam em constantes contradições até que surja uma
nova ideia mais complexa, a síntese, esta por sua vez, não é uma ideia acabada, pois se torna uma
tese para que se mantenha o ciclo.
Georg W. F. Hegel faleceu em Berlim em 1831. Quando da sua morte, era o filósofo mais conhecido
e admirado de sua época. Feito ainda mais grandioso se considerarmos a complexidade de sua
obra. Suas aulas na Universidade de Berlim eram disputadíssimas, e seus discípulos continuaram
aplicando seus ensinamentos.
Hegel
Hegel, conforme poderá ser analisado no texto pelo link a seguir, expõe o Estado e a Sociedade Civil
em seu movimento de constituição, obra que demonstrará ainda a tratativa dada pelo autor ao tema
dos indivíduos dotados de vontades livres que constitui a propriedade privada através do trabalho.
Friedrich Nietzsche (1844-1890)
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu na cidade de Röcken, Alemanha, em 15 de outubro de 1844.
Pensando, principalmente, os problemas ético-cristãos de sua época, a influência de suas reflexões
modifica de maneira permanente a perspectiva da noção de moralidade contemporânea.

Figura 3Friedrich NietzscheFonte:RTG / Wikimedia Commons


Publicou, durante sua vida, diversas obras, dentre as quais podem ser destacadas: Humano
demasiado Humano (1878), Assim falou Zaratustra (1883), Além do Bem e do Mal (1886), A
Genealogia da Moral (1887), O Anticristo (1888) e Crepúsculo dos Ídolos (1889).
Em 1889, teve um colapso mental, passando a viver recluso. Morreu, em 25 de agosto de 1900, por
causas indeterminadas. Em Assim falou Zaratustra, encontra-se uma das frases mais famosas de
Nietzsche: “Deus morreu!”:
Com isso (“Deus morreu”), ele queria dizer que a moralidade do escravo, dominante na cultura
europeia, estava para morrer e que a compreensão do Bem e do Mal iria desaparecer na incerteza.
Essa profecia mostrou-se mais verdadeira do que algumas das previsões marxistas. Seus
comentários incisivos sobre a cultura ocidental e suas poderosas ideias contra o Iluminismo
garantiram-lhe o crescimento da popularidade desde a morte prematura.
A obra de Nietzsche teve profundo impacto sobre a filosofia do século XX. Apenas Marx e Freud
tiveram maior impacto sobre o pensamento desse século. Ele questionou as antigas certezas do
pensamento ocidental, tendência à qual os movimentos filosóficos significativos do século XX deram
continuidade (OLIVER, 1998, p. 125).
Em sua época, estavam em grande voga diversas críticas à forma pela qual a sociedade se
organizava. As críticas trazidas pelo materialismo e demais movimentos socialistas, somadas aos
movimentos do romantismo francês e alemão, levaram a mudanças profundas na maneira pela qual
se entendiam as relações humanas, principalmente no que tange à família, à economia e à religião.
Essas mudanças culminaram naquela que veio a ser denominada concepção niilista (do latim, nihil,
em português, nada), que ganhou muita força em países com grande influência socialista. A sua
ideia é de que o homem, a partir do momento que conseguiu compreender a sociedade de maneira
mais ampla, por meio de métodos variados de análise, não se encontra mais amarrado aos padrões
morais ordinários, podendo se realizar no mundo da maneira que melhor apetecer.
Nietzsche, vindo nessa linha, critica a noção de bem e mal, que se estabeleceu, historicamente,
entre os binômios egoísmo-altruísmo, certo-errado. Em sua obra, busca apontar a complexidade do
desejo humano, onde o desejo do bem, do certo, pode ser, na maioria dos casos, uma forma de
realizar os próprios interesses.
Para onde foi Deus? – grita ele. Já vou dizer-lhes! Nós o matamos – vocês e eu! Somos todos
assassinos! Mas como fizemos isto? Como chegamos a beber o oceano até a última gota? Quem
nos deu a esponja para apagar o horizonte inteiro? [...] Não ouvimos ainda nada do barulho dos
coveiros que enterraram a Deus? Não sentimos nada ainda da decomposição divina? – os deuses
também se decompõem! Deus está morto! Deus continua morto! (NIETZSCHE, 2009, p. 81).
Assim, a moralidade passa a ser um momento da história humana a ser superado, a fim de que o
homem alcance todo o seu potencial. Com implicações na sociologia e na psicologia, esse
pensamento muda a forma de se ver o mundo do homem contemporâneo, modificando radicalmente
a noção de responsabilidade.
Bertrand Russell (1872-1970)
O britânico Bertrand Arthur William Russell nasceu em Ravenscroft, no País de Gales, em 18 de
maio de 1872. Dedicou-se a seu trabalho durante quase um século de vida, o que lhe rendeu uma
vasta produção literária, com mais de quarenta livros publicados.
Figura 4Bertrand RussellFonte:Jacek Halicki / Wikimedia Commons
Com grande contribuição à Matemática, Russell escreveu também sobre sexo e religião.
Sobre sexo, publicou, em 1929, Casamento e moral, onde questionou a visão cristã de fidelidade
matrimonial. Não concordava com a importância de ser fiel ao parceiro. Isso lhe rendeu ferozes
críticas. Quanto à religião, foi, também, polêmico:
Ele (Russell) foi igualmente franco e provocador em relação à religião. Para Russell, não havia
nenhuma chance de Deus intervir para salvar a humanidade: nossa única chance consiste em
usarmos o poder da razão. Segundo ele, as pessoas são atraídas pela religião porque tinham medo
de morrer. A religião as confortava. Era muito reconfortante acreditar na existência de um Deus que
puniria as pessoas más, mesmo que se livrassem de um assassinato e de coisas piores na Terra.
Mas isso não é verdade. Deus não existe. E a religião quase sempre produziu mais miséria do que
felicidade. Russell reconhecia que o budismo era diferente de todas as outras religiões, mas o
cristianismo, o islamismo, o judaísmo e o hinduísmo tinham de se responsabilizar por muita coisa.
No decorrer da história, tais religiões foram a causa de guerras, ódio e sofrimento. Milhões de
pessoas morreram por causa dela (WARBURTON, 2012, p. 182).
Em sua filosofia, sua maior paixão era a lógica, tema que se situa na fronteira entre a filosofia e a
matemática. Apaixonado pelo ramo da matemática e da lógica chamado de Teoria dos Conjuntos,
descobriu que essa teoria levava a uma contradição. Sua demonstração desse problema ficou
conhecida como o Paradoxo de Russell.
Martin Heidegger (1889-1976)
Martin Heidegger foi um filósofo, nascido em 26 de setembro de 1889, em Messkirch, interior da
Alemanha, conhecido pela retomada das questões da ontologia - estudo do Ser -, ligadas à tarefa
hermenêutica, bem como por sua ligação política com o partido nazista - o que é, até hoje, objeto de
questionamentos sobre quais as relações do seu pensamento com as concepções do partido de
Hitler.

Figura 5Martin HeideggerFonte:Pit rock / Wikimedia Commons


Influenciando diversos pensadores posteriores - a exemplo de Jean-Paul Sartre e Hanna Arendt
(com quem teve, aliás, um affair) - Heidegger parte da tentativa de resgatar metodologia própria da
filosofia antiga, a fim de criar um método que totalize a compreensão de mundo.
Para tanto, em sua principal obra, Ser e Tempo (1927), realiza uma investigação a respeito das
formas de interpretação de todos os seres que existem, em suas diversas categorias. Para tanto,
lança mão de um conceito chamado Dasein (em tradução, ser-aí ou isto-aí), que, dentre todos os
entes (que nada mais são que a manifestação dos seres no mundo), é aquele que pressupõe a
todos eles. Esse ser-aí se caracteriza pela relação que mantém com o Tempo, o que lhe dá fluidez e
modificabilidade, ao mesmo tempo em que lhe compromissa sempre com o mesmo objeto.
Largamente influenciado pela fenomenologia do filósofo e matemático Edmund Husserl. Heidegger
afirma que o Dasein se aproxima do conceito de São Tomás de Aquino de anima (ou alma).
Portanto, Dasein é o ser, que também é um ente, que interpreta o mundo. Sendo a forma primordial
de todos os seres, é caracterizado pela liberdade, de maneira que ele dá significado às coisas, ao
mesmo tempo em que se responsabiliza pela sua tarefa. Como ele mesmo afirma em Ser e Tempo:
Já cedo percebeu-se o primado ôntico-ontológico da presença [Dasein], embora não se tenha
apreendido a presença em sua estrutura ontológica genuína nem se tenha problematizado a
presença nesse sentido. Aristóteles diz “a alma (do homem) é, de certo modo, todo ente”; a “alma”,
que se constitui o ser do homem, descobre, em seus modos de ser, todo ente naquilo que ele é e
como ele é, ou seja, descobre sempre todo ente em seu ser. Esta frase, que remonta à tese
ontológica de Parmênides, foi citada por Tomás de Aquino numa discussão característica. Para
derivar os “transcendentais”, isto é, os caracteres do ser que estão muito além de toda determinação
possível de conteúdo genérico de um ente, portanto, de todo modus specialis entis, e que convêm
necessariamente a tudo, o que quer que seja, é preciso demonstrar também o verum como esse
transcendens. Santo Tomás o faz recorrendo a um ente que, em seu modo de ser, tem a
propriedade de “convir” a todo e qualquer ente. Esse ente privilegiado, o ens quod natum esta
convenire cum omni ente, é a alma (anima) (HEIDEGGER, 2012, p. 50).

Pela sua limitação temporal, o Dasein tende sempre para a morte, que lhe é aberta como
possibilidade constante, mas nunca real - na medida em que ela é, enquanto fenômeno, apenas
para o outro, nunca para si. Dessa maneira, o homem constrói as formas de compreensão de
mundo, transformando-o à sua maneira. Essa transformação, que na contemporaneidade se realiza
de forma cada vez mais acelerada, leva a uma nova configuração do tempo, onde a morte, elemento
essencial do ser-aí, tende a ser esquecida, e a investigação a respeito do Ser, velada.
No entanto, quando se retorna à autenticidade do Ser, assumindo a condição do Dasein (a sua
finitude), a responsabilidade com o mundo reaparece, sendo o cuidado com as coisas retomado e a
atividade hermenêutica, que se concretiza com as interpretações de mundo, passa a construir um
mundo de maior compromisso entre as diversas formas de agir no mundo.
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)
Ludwig Wittgenstein nasceu em Viena em 1889. Interessou-se primeiramente pela engenharia e
mais tarde, pela lógica, tendo como professor Bertrand Russell, quando foi estudar em Cambridge,
Inglaterra, em 1912.
Figura 6Ludwig WittgensteinFonte:Volsav / Wikimedia Commons
Sua principal obra, Tratactus Lógico-Philosophicus, foi publicada em 1921. Sua atenção voltava-se
para explicar a “natureza das sentenças”: para ele, havia uma estreita relação entre os fatos reais e
as estruturas da linguagem. Por conta disso, é considerado o “pai da filosofia da linguagem”.
Quanto ao nome, ele representava um signo e, como tal, devia ser simples; contudo, ele sozinho era
incapaz de representar um objeto, a figuração de um objeto só seria possível através da combinação
de vários nomes, ou seja, de uma sentença.
As sentenças, as proposições, por sua vez, também não consistiam em verdades autoevidentes; sua
unidade estava em função da verdade de outra proposição. Assim, torna-se necessário conhecer a
relação que existe entre ela (LUCKESI; PASSOS, 1992, p. 128-129).
Para Wittgenstein, todos os problemas filosóficos anteriores não eram problemas considerados reais
(“pseudoproblemas”), pois seriam criados pela tentativa de levar o pensamento além dos limites
impostos pela linguagem. Afirmava que a realidade não está além – ou aquém – da linguagem, mas
dentro dela. Dessa forma Wittgenstein colocou um novo problema sendo: os limites do pensamento
são impostos por nossa estrutura lógica de linguagem.
Jean-Paul Sartre (1905-1980)
O francês Jean-Paul Charles Aynard Sartre nasceu no dia 21 de junho de 1905, em Paris. Foi talvez
o filósofo mais famoso do século XX.
Figura 7Jean-Paul SartreFonte:Groupir / Wikimedia Commons
O filósofo teve uma vida repleta de amplo conhecimento. Em 1964 ganhou um prêmio Nobel de
Literatura, mas recusou em receber. De acordo com Oliver (1998, 128-129):
Há uma boa razão para tanta fama. Apesar de sua filosofia utilizar-se muito de jargão próprio, suas
ideias podem ser traduzidas em valores apropriados para a vida cotidiana. Trata-se de uma filosofia
que pode inspirar os atos e a vida das pessoas, além de oferecer uma explicação pragmática do
mundo em vez de preocupar-se apenas em manter a coerência interna do discurso filosófico.
[...] Sua contribuição mais importante à filosofia é o livro O Ser e o Nada, no qual tenta enfrentar a
questão da existência humana. Sua filosofia começa sugerindo que todos nós temos uma inevitável
sensação de facticidade bruta da existência. Essa sensação é vaga e indefinida, mas inabalável.
Sartre chama de Ser-em-si-mesmo. Podemos ser dominados por essa vagueza, mas, em essência,
a indefinição da sensação de existência que todos nós temos significa que cada indivíduo é seu
próprio mundo.
Essa preocupação quanto à existência e, sobretudo, relacionada ao fato de se querer e atribuir um
sentido à existência é característica da corrente filosófica da qual Sartre é protagonista: o
Existencialismo.

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