Ajuste de Curvas e Equações Diferenciais
Ajuste de Curvas e Equações Diferenciais
Relatório
Orientadores:
Prof. Dr. Mauricio Zahn
Prof. Dr. Alexandre Molter
Pelotas
8 de julho de 2025
SUMÁRIO
Sumário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1 Regressão ou Ajuste de Curvas . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.1 Ajuste Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2 Ajuste Quadrático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2 Equações de Diferenças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.1 Equações de Diferenças de Primeira Ordem . . . . . . . . . . 20
2.2 Modelos de Equações de Diferenças . . . . . . . . . . . . . . . 22
Modelo 5 – Orçamento Familiar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Modelo 6 – Financiamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.3 Equação Linear de Diferenças de 2a Ordem . . . . . . . . . . . 25
2.4 Equações de Diferenças Não Lineares . . . . . . . . . . . . . . 32
3 Equações diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3.1 Equações diferenciais de primeira ordem . . . . . . . . . . . . 35
3.2 Problema do valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.3 Equações diferenciais autônomas . . . . . . . . . . . . . . . . 38
3.4 Modelos matemáticos com equações diferenciais de primeira
ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Absorção de drogas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Modelo Malthusiano de Crescimento Populacional . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Ajuste por Regressão Exponencial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Comparação com Dados Reais (em milhões). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Modelo Logístico Contínuo (Verhulst) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Propriedades: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Modelo de Resfriamento de um Corpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.5 Equação com separação de variáveis . . . . . . . . . . . . . . 44
3.6 Equações homogêneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.7 Equações lineares de primeira ordem . . . . . . . . . . . . . . 48
3.8 Equações especiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.9 Equações de Clairaut . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Redução de ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.10 Equações exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
Fator Integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
3.11 Trajetórias ortogonais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
1 REGRESSÃO OU AJUSTE DE CURVAS
Quando queremos analisar a tendência de um conjunto de dados, uma ferra-
menta útil é a regressão linear. Ela é utilizada para expressar a relação entre uma
variável dependente e uma ou mais variáveis independentes, mostrando como a
primeira tende a variar em função das demais.
Calculamos as derivadas:
n n
∂S X ∂S X
=2 [b + axi − y i ] = 0, =2 xi [b + axi − y i ] = 0.
∂b i=1
∂a i=1
Dividindo por 2:
ni=1 [b + axi − y i ] = 0,
P
Pn xi [b + axi − y ] = 0.
i=1 i
b Pn xi + a Pn x2 = Pn xi y .
i=1 i=1 i i=1 i
Denotando:
n n n n n n
1X 1X X X X X
x= xi , y= y, Sxx = x2i , Sxy = xi y i , Sx = xi , Sy = yi.
n i=1 n i=1 i i=1 i=1 i=1 i=1
Assim, o sistema é:
nb + aSx = Sy ,
Logo:
a(nSxx − Sx2 ) = nSxy − Sx Sy .
Portanto:
nSxy − Sx Sy
a= .
nSxx − Sx2
Em termos das médias:
P
xi y − nxy
a = P 2i .
xi − nx2
Finalmente,
b = y − ax.
As curvas de muitos fenômenos naturais podem ser descritas pelo modelo ex-
ponencial:
y(x) = b eax , b > 0.
Para ajustar esse modelo aos dados experimentais usando o método dos qua-
drados mínimos, podemos aplicar uma linearização pela mudança de variável:
z = ln y.
ln y = ln b + ax.
z = ax + ln b.
z = αx + β, onde α = a, β = ln b.
Note que:
Com os somatórios:
X X X X
zi = 83.6232359, xi = 66, x2i = 506, xi zi = 582.75584.
ln y = ln a + b ln x.
Definindo:
Y = ln y, X = ln x,
Y = α + bX, onde α = ln a.
a = eα .
y(x) = a xb = eα xb .
x (cm) y (g) X = ln x Y = ln y
11.0 26.0 2.39789527 3.25809654
15.0 59.5 2.70805020 4.08597631
17.4 105.4 2.85647021 4.65776264
20.6 200.2 3.02529108 5.29931687
22.7 239.5 3.12236492 5.47855342
25.3 361.2 3.23080440 5.88943182
27.4 419.8 3.31054301 6.03977841
28.2 475.4 3.33932198 6.16415655
29.3 488.2 3.37758752 6.19072516
1
2
3 def geometric_model(x, y, x_label, y_label, title):
4 X = [[Link](x_i) for x_i in x]
5 Y = [[Link](y_i) for y_i in y]
6
7 beta, alpha = linear_adjust(X, Y)
8
9 print('Reta auxiliar')
10 plot_linear_function(beta, alpha, title='reta auxiliar')
11 a = [Link](alpha)
12 b = beta
13
14 plot_geometric_function(a, b, x_label='Comprimento (cm)', y_label='Peso (g)',
title='Crescimento das tilapias', start=10, end=40, sub_values=100, _x=x,
_y=y, _label='dados')
15
Exemplo 1.3 (Consumo mensal (médio) de ração por tilápia). A Tabela abaixo
apresenta o consumo de ração (em gramas) para a “Tilápia do Nilo” ao longo de
alguns meses.
z = ln |a| + b x.
CÁLCULO DO VALOR ASSINTÓTICO — MÉTODO DE FORD-WALFORD
lim yi = y ∗ .
xi →∞
y ∗ = lim yi .
xi →∞
yi+1 = g(yi ).
Assim, a sequência de pontos (yi , yi+1 ) converge para o ponto fixo (y ∗ , y ∗ ), isto
é:
y ∗ = g(y ∗ ).
y ∗ − y = 6.8134 e−0.0414 x , r = 1.
a y∗
y(x) = , com a = y , b = ∗
− 1, λ = αy ∗ .
b e−λx + 1 y0
Características:
• y → y ∗ quando x → ∞.
z = λx − ln b.
Xi [anos] Yi [dm]
3 21.7
3.5 22.5
4 23.3
4.5 24.0
5 24.7
5.5 25.4
6 26.0
6.5 26.6
7 27.1
7.5 27.6
8 28.1
8.5 28.5
9 28.9
Definimos:
2. Modelo logístico:
Sabemos que:
∆yi
λi = = a yi+1 + b, com λi = 0 quando yi+1 = y ∗ .
yi
Um ajuste linear entre λ e yi+1 fornece:
λ = −0.0035 y + 0.1148.
Assim:
0.1148
y∗ = ≈ 32.8 dm.
0.0035
Usando a mudança de variável:
yi
zi = ln = f (yi ),
y ∗ − yi
z = λ x − ln b.
Neste caso:
z = 0.2231 x + 0.0003.
Portanto:
λ = 0.2231, b = e0.0003 ≈ 1.
y(x) = a + bx + cx2 .
2 EQUAÇÕES DE DIFERENÇAS
Existem situações em que as equações com variações discretas são mais con-
venientes para modelar um evento, por exemplo, o crescimento populacional, em
que o crescimento ocorre em etapas discretas e não há sobreposição da variável
analisada.
Definição 2.1. Definimos uma equação de diferenças como uma equação que es-
tabelece uma relação envolvendo valores de uma variável independente em um
conjunto discreto de valores.
A solução de uma equação de diferenças é uma relação funcional que não en-
volve diferenças, definida para todos os números naturais n ∈ N e que satisfaz a
equação de diferenças, isto é, transformando-a em uma identidade.
A forma geral de uma equação de diferenças linear de ordem (m − n) é dada
por:
Xm
yn = ak yn−k .
k=1
2.1 EQUAÇÕES DE DIFERENÇAS DE PRIMEIRA ORDEM
Definição 2.2 (Equação de Diferenças de Primeira Ordem). Uma equação de dife-
renças é de primeira ordem se (n − m) = 1. Sua expressão geral é dada por:
yn = α yn−1 ,
(3)
y0 dado.
y1 = α y0 ,
y2 = α y1 = α 2 y0 ,
y3 = α y2 = α 3 y0 ,
..
.
yn = α yn−1 = αn y0 .
yn = y0 αn . (4)
Uma maneira alternativa de resolver a equação (3) é supor que a solução seja
da forma:
yn = k λ n .
|yn − y ∗ | < .
lim yn = ±∞.
n→∞
y1 = a y0 + b,
y2 = a y1 + b = a (a y0 + b) + b = a2 y0 + a b + b,
y3 = a y2 + b = a (a2 y0 + a b + b) + b = a3 y0 + a2 b + a b + b.
1. Poupança:
(7)
pn+1 = pn + rn+1 − cn+1 .
2. Renda:
rn+1 = r0 + α pn , (8)
3. Consumo:
cn+1 = β rn+1 , com 0 < β < 1. (9)
Denotando:
a = (1 − β)α + 1, b = (1 − β) r0 ,
a equação fica:
pn+1 = a pn + b. (10)
MODELO 6 – FINANCIAMENTO
Na compra de uma casa é feito um financiamento no valor c0 que deve ser pago
em 15 anos, em parcelas mensais fixas e iguais a k. Devemos determinar o juro
mensal cobrado neste financiamento.
Seja cn a dívida no mês n. A dívida evolui de acordo com:
cn+1 = (1 + α) cn − k.
c1 = (1 + α) c0 − k,
c2 = (1 + α) c1 − k = (1 + α)2 c0 − (1 + α) k + k ,
c3 = (1 + α) c2 − k = (1 + α)3 c0 − (1 + α)2 k + (1 + α) k + k ,
..
.
n−1
X
n
cn = (1 + α) c0 − k (1 + α)j .
j=0
Logo:
k (1 + α)n − 1
cn = (1 + α) c0 − n
. (14)
α
Observação 2.2. Essa mesma expressão poderia ter sido obtida diretamente pela
forma geral das equações de diferenças.
Para que a dívida seja quitada após t meses, deve-se ter ct = 0. Assim:
t k (1 + α)t − 1
(1 + α) c0 = .
α
Podemos reescrever como:
α c0 1
=1− .
k (1 + α)t
Substituindo:
α × 30 000 1
=1− ,
500 (1 + α)180
ou:
1
60 α = 1 − .
(1 + α)180
Para resolver, podemos usar o método da bisseção:
• α = 0.01:
1
y = 0.6, z =1− = 0.97.
(1.01)180
Como z > y, aumentamos α.
• α = 0.02:
y = 1.2, z = 0.833.
• α = 0.015:
y = 0.9, z = 0.93.
α ≈ 0.0156,
com y0 e y1 dados.
SOLUÇÃO
Considerando que
yn = k λ n
Logo:
λ = 0 ou λ2 − a λ − b = 0.
• Se λ 6= 0, o polinômio
P (λ) = λ2 − a λ − b
n = 1 ⇒ y 1 = A 1 λ1 + A 2 λ2 .
O sistema linear:
A1 + A2 = y0 ,
λ1 A1 + λ2 A2 = y1 ,
λ2 − λ − α = 0,
pn = A1 λn1 + A2 λn2 ,
onde: √
λ1 p0 − p0 p0 (1 + 1 + 4α)/2
A1 = p0 − = p0 − ,
λ1 − λ2 λ1 − λ2
√
p0 (1 − 1 + 4α)/2
A2 = p0 − A1 = − √ .
1 + 4α
OBSERVAÇÃO
Quando os autovalores da equação são iguais, isto é:
a
λ1 = λ2 = ,
2
a solução geral é dada por:
a n
yn = A1 + n A2 ,
2
e as constantes A1 e A2 são obtidas por:
y0 = A1 ,
y1 = (A1 + A2 ) a ,
2
portanto:
2 y1
A2 = − y0 .
a
λ1 = α + β i = r eiθ , λ2 = α − β i = r e−iθ ,
onde:
p β
r = α2 + β 2 , θ = arctan ,
α
então, a solução geral real é dada por:
Portanto:
yn = A1 λn1 + A2 λn2 = B1 rn cos(nθ) + i B2 rn sin(nθ).
Como a equação é linear, tanto a parte real:
un = B1 rn cos(nθ)
quanto a parte imaginária:
vn = B2 rn sin(nθ)
yn = c1 un + c2 vn = rn c1 cos(nθ) + c2 sin(nθ) ,
com c1 , c2 ∈ R.
Neste caso, a sequência yn é periódica com amplitude rn e frequência propor-
cional a 1/θ:
r > 1 ⇒ y crescente,
n
r < 1 ⇒ y decrescente.
n
yn+2 + yn = 0, y0 = 0, y1 = 1,
λ2 + 1 = 0 ⇒ λ1 = i, λ2 = −i.
Logo:
√
1 π
r = 02 + 12 = 1, θ = arctan = .
0 2
A solução real é: nπ nπ
yn = c1 cos + c2 sin .
2 2
Com as condições iniciais, c1 = 0, c2 = 1, então:
nπ
yn = sin .
2
Exemplo 2.2. A equação:
yn+2 − 2 yn+1 + 2 yn = 0, y0 = 0, y1 = 1,
tem solução:
√ n nπ
yn = 2 sin .
4
√ n
Neste caso, a amplitude rn = 2 é crescente e a frequência é θ = π/4.
Exemplo 2.3. A equação:
λ2 − 2a λ + 2a2 = 0,
λ1 = a (1 + i), λ2 = a (1 − i),
com:
√ π
r = a 2, θ= .
4
A solução real que satisfaz as condições iniciais é:
√ n nπ
yn = a 2 sin .
4
Como −1 ≤ sin(x) ≤ 1, a sequência apresenta oscilações decrescentes quando
r < 1.
zn+1 = −a zn − b yn .
A matriz:
a11 a12
J =
a21 a22
é denominada matriz Jacobiana do sistema. Os autovalores λ desta matriz são os
números tais que:
det(J − λ I) = 0,
onde I é a matriz identidade. Ou seja:
a11 − λ a12
= 0 ⇐⇒ λ2 − (a11 + a22 ) λ + a22 a11 − a12 a21 = 0.
det
a21 a22 − λ
P (λ) = λ2 − α λ + β,
onde:
α = a11 + a22 (traço da matriz J),
β = a11 a22 − a12 a21 (determinante de J),
∆ = α2 − 4 β (discriminante de J).
CONSIDERAÇÕES
Taxas de mortalidade:
det(J − λ I) = 0.
Cálculo do determinante:
δ−λ β 0
det
0 −λ = 0.
1
γ γβ −λ
Expansão:
−λ3 + δ λ2 + γ β λ = γ β (δ − 1).
Portanto, o polinômio característico é:
−λ3 + δ λ2 + γ β λ = γ β (δ − 1).
ESTABILIDADE LOCAL
y ∗ = f (y ∗ ) ⇐⇒ r y ∗ (1 − y ∗ ) = y ∗ .
Ou seja:
r y ∗ (1 − y ∗ ) − y ∗ = 0 y ∗ r (1 − y ∗ ) − 1 = 0.
⇐⇒
Assim, temos:
y1∗ = 0 (ponto trivial)
e
1
y2∗ = 1 − (ponto não trivial).
r
Os autovalores associados são:
df
λ= = r − 2 r y∗.
dy y=y ∗
• Para y2∗ = 1 − 1r :
λ2 = 2 − r.
Portanto:
|2 − r| < 1.
yn+2 = yn .
Ou seja:
yn+2 = f f (yn ) = yn .
3 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS
3.1 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS DE PRIMEIRA ORDEM
Definição 3.1. Uma equação diferencial é definida pela presença de funções incóg-
nitas e suas derivadas, uma EDO tem como expressão geral
dy d2 y dn y
F x, y, , 2 , . . . , n = 0 (21)
dx dx dx
dn x
Quando podemos explicitar na equação 21 obtemos uma forma formal da
dxn
EDO de ordem n isto é
dn y dy d2 y dn−1 y
=f x, y, , 2 , . . . , n−1 (22)
dxn dx dx dx
A solução de uma EDO em um intervalo I é uma função y = φ(x) que juntamente
com suas derivadas satisfazem a equação 22
Definição 3.2. Uma equação diferencial ordinária de primeira ordem define-se por:
dy
= f (x, y) (23)
dx
Onde f é uma função definida em um intervalo aberto de R2 com valores reais, sua
solução é uma função y = φ(x) onde x ∈ (a, b), derivável e satisfazendo:
(x, φ(x)) ∈ A
(24)
dφ
= f (x, φ(x))
dx
Observação 3.1. O que a equação 24 sugere é que não só cada ponto x pertence ao
intervalo (a, b) como também a imagem de sua solução também vai estar presente
no mesmo intervalo.
Observando por outro lado em seu segundo componente pode-se observar uma
relação da variação de φ(x) que para cada x temos a inclinação da solução no ponto
φ(x) é determinada pela função f (x, φ(x)), o que vale comentar é que equações
diferenciais possuem infinitas soluções e quando plotamos essa função observamos
o campo de direções da equação diferencial.
Exemplo 3.1. A seguir, apresentamos um exemplo do campo de direções da equação
diferencial dx
dy
= x − y, Esse gráfico ilustra que uma EDO possui infinitas soluções,
mas nem todas podem ser determinadas de forma analítica. Em muitos casos,
a obtenção das soluções exatas é inviável, tornando necessário o uso de métodos
numéricos para aproximá-las.
e−x |{z}
eC3 = y
C∈R
−x
∴ Ce =y
porém vale ressaltar que essa é só uma solução dentre varias possíveis para essa
EDO.
dy
= f (x, y)
dx
(26)
y(x ) = y
0 0
Teorema 3.1. Teorema de existência e unicidade de solução para o problema do
valor inicial. Supondo que em 26:
2. A derivada parcial ∂f
∂y
= g(x, y) exista e seja contínua em D.
Então:
• Se y = ψ(x) for outra solução no intervalo (x0 − ε, x0 + ε), então φ(x) = ψ(x)
em (x0 − δ, x0 + δ) ∩ (x0 − ε, x0 + ε).
y(0) = 2 ⇐⇒ 2 = sin(0) + C =⇒ C = 2
Assim, a solução particular, que passa pelo ponto (0, 2) é y = ϕ(x) = sin x + 2.
3.3 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS AUTÔNOMAS
Definição 3.4. Chamamos de equações diferenciais autônomas aquelas que podem
ser escritas na forma
dy
= f (y),
dx
ou seja, a derivada de y em relação a x depende apenas da variável y.
Fazendo uma manipulação formal podemos reescrever essa equação como
dx 1
= ,
dy f (y)
Essa equação define implicitamente a função y(x) como sendo a inversa de x(y),
o que é garantido pelo Teorema da Função Inversa, desde que f (y) seja contínua
e não nula no intervalo considerado.
Então:
|y|
ln = k(x − x0 ) ⇒ y = |y0 | ek(x−x0 ) .
|y0 |
Exemplo 3.5. Considere a equação diferencial autônoma:
dy a
= ky + a, y 6= − .
dx k
Podemos escrevê-la de forma diferencial:
1
dy = dx.
ky + a
Integrando ambos os lados:
Z Z
1
dy = dx.
ky + a
Fazendo a substituição u = ky + a, temos du = k dy, logo:
Z Z
1 1 1 1
dy = du = ln |ky + a|.
ky + a k u k
Portanto:
1
x= ln |ky + a| + C.
k
Isolando y, obtemos:
a 1
ky + a = ek(x−C) ⇒ y = − + ek(x−C) .
k k
Logo, a solução geral é:
a 1 a
y(x) = − + ek(x−C) , y 6= − .
k k k
a
Observe que y 6= − é uma solução de equilíbrio da equação.
k
3.4 MODELOS MATEMÁTICOS COM EQUAÇÕES DIFEREN-
CIAIS DE PRIMEIRA ORDEM
Nesta parte, vamos estudar alguns modelos clássicos baseados em equações
diferenciais ordinárias (EDOs) de primeira ordem. Esses modelos aparecem em
várias áreas do conhecimento, como Física, Biologia, Química, Farmacologia e
Engenharia, sempre que é necessário descrever como alguma grandeza varia ao
longo do tempo.
ABSORÇÃO DE DROGAS
dC
= −kC (27)
dt
onde k > 0 é uma constante positiva que depende do tipo de medicamento.
Se uma dose inicial C0 for aplicada e absorvida instantaneamente, a solução da
equação (27) é:
C e−kt ,
0 se 0 ≤ t < T
C(t) =
C e−kT + C e−k(t−T ) = C (1 + e−kT )e−k(t−T ) , se T ≤ t < 2T
0 0 0
E para t ≥ nT :
1 − e−(n+1)kT
C(nT + ) = C0 ·
1 − e−kT
No limite, quando n → ∞, obtemos a concentração de saturação Cs :
1 − e−(n+1)kT C0
Cs = lim C0 · −kT
= (30)
n→∞ 1−e 1 − e−kT
dP
= αP (t) (31)
dt
No modelo discreto, essa ideia se traduz em:
α ≈ 0,0252 (36)
Z
1 1 P P0
+ dP = rt + c ⇒ ln = rt + ln
P P∞ − P P∞ − P P∞ − P 0
Isolando P (t):
P∞ P0
P (t) = (41)
(P∞ − P0 )e−rt + P0
Propriedades:
dT
= −κ(T − Ta ), T (0) = T0 (43)
dt
A solução é:
−κt∞ 1 100(T0 − Ta )
T (t∞ ) = Ta + 0,01(T0 − Ta ) ⇒ e = 0,01 ⇒ t∞ = ln
κ Ta
dy g(x)
= ou, equivalentemente, f (y) dy = g(x) dx
dx f (y)
x4
Z Z
dy 3
= x dx ⇒ ln |1 + y| = +C
1+y 4
x4 4
ln(−1 − y) = + C ⇒ y = −1 − Kex /4 , K∈R
4
Para y > −1, a solução é:
4 /4
y = −1 + Kex
dy y(−2 + x)
=
dx x(1 − 2y)
Separando variáveis:
1 − 2y −2 + x
dy = dx
y x
Integrando:
Z Z
1 −2
− 2 dy = + 1 dx ⇒ ln |y| − 2y = −2 ln |x| + x + C
y x
ln |y| − 2y = −2 ln |x| + x + C
dz F (z) − z
=
dx x
que pode ser resolvida por separação de variáveis.
λx + λy x+y
f (λx, λy) = =
λx − λy x−y
Substituindo y = zx, temos:
Separando variáveis:
1−z dx
2
dz =
1+z x
Integrando:
1−z
Z Z Z Z
1 1 z 1
2
dz = dx ⇒ 2
dz− 2
dz = ln |x|+C ⇒ arctan z− ln(1+z 2 ) = ln |x|+C
1+z x 1+z 1+z 2
Voltando à variável y, com z = xy , obtemos a solução implícita:
y 1 y 2
arctan − ln 1 + = ln |x| + C
x 2 x
dy a2 x + b 2 y + c 1
=
dx a1 x + b 1 y + c 2
são chamadas quase homogêneas. A equação não é homogênea, mas pode ser
transformada em uma homogênea por uma mudança de variáveis apropriada, que
desloca o ponto singular para a origem.
x = u + x0 , y = v + y0
dv dz dz dz 1
=z+u =1+z ⇒u =1⇒ = ⇒ z = ln |u| + C ⇒ v = u ln |Ku|
du du du du u
Voltando às variáveis originais:
x+1
y(x) = (x + 1) ln −1
2e
x2 − 1 x2 − 1
1 dy 1 d y
− y = ⇒ =
x + 1 dx (x + 1)2 x+1 dx x + 1 x+1
Integrando ambos os lados:
x2 − 1
Z
y
= dx + C
x+1 x+1
Fazendo divisão polinomial:
x2 − 1 x2
Z
=x−1⇒ (x − 1) dx = −x
x+1 2
Logo:
x2 x2
y
= − x + C ⇒ y(x) = (x + 1) −x+C
x+1 2 2
Definição 3.12 (Método da Variação da Solução Homogênea). Considere a equação
linear de primeira ordem:
dy
+ h(x)y = g(x)
dx
Se g(x) = 0, a equação é chamada homogênea, e sua solução geral pode ser
obtida por separação de variáveis:
Z Z Z
dy R
= − h(x) dx ⇒ ln |y| = − h(x) dx + C ⇒ y = Ke− h(x) dx
y
No caso não homogêneo (g(x) 6= 0), o método da variação da constante propõe
que a solução geral tenha a forma:
R
y = K(x)e− h(x) dx
• Se x0 ∈ (a, b), então o problema de valor inicial y 0 = φ(x0 ) tem uma única
solução se n = 0 ou n = 1;
• Se n = 0, a equação é linear;
y = zk
dz g(x)
+ z = h(x)
dx k
Exemplo 3.13. Resolva a equação:
dy
x − y + y3 = 0
dx
Solução: Para x 6= 0, podemos escrever na forma de Bernoulli:
dy 1 1
− y = − y3
dx x x
1 1 3
Fazendo a substituição y = z 1−3 = z − 2 ⇒ dy
dx
= − 12 z − 2 dx
dz
. Substituindo na
equação original, obtemos:
1 3 dz 1 1 1 3
− z− 2 − z− 2 = − z− 2
2 dx x x
3
Multiplicando por −2z 2 :
dz 2 2
+ z=
dx x x
Resolvendo a equação homogênea associada:
dz 2 K
+ z = 0 ⇒ z(x) = 2 , K∈R
dx x x
Aplicando o método de variação das constantes com z(x) = K(x)
x2
:
dK
= 2x ⇒ K(x) = x2 + C
dx
Portanto:
x2 + C
z(x) =
x2
1
Como y = z − 2 , a solução geral é:
− 12
x2 + C
|x|
y(x) = =√
x2 x2 + C
Exemplo 3.14. Resolva a equação de Bernoulli:
dy
x3 = x2 y + y 4 tan x
dx
1 1
Solução: Fazemos a substituição y = z 1−4 = z − 3 para obter a equação linear:
dz 3
+ z = −3 tan x
dx x
A solução geral da homogênea associada é:
K
z(x) =
x3
Aplicando variação das constantes com z(x) = K(x)
x3
:
dK
= −3 tan x ⇒ K(x) = 3 ln | cos x| + C
dx
Portanto, a solução geral é:
3 ln | cos x| + C
z(x) =
x3
1
Voltando à variável original y = z − 3 , temos:
− 13
3 ln | cos x| + C
y(x) =
x3
• dz
dx
= 0 ⇒ z = c (constante), levando à solução geral:
y = cx + f (c)
onde t é um parâmetro.
Solução: Fazendo z = dy
dx
, obtemos:
y = xz + z 3
Derivando em relação a x:
dz dz dz
z=x + z + 3z 2 ⇒ (x + 3z 2 ) = 0
dx dx dx
Temos dois casos:
1. dz
dx
= 0 ⇒ z = c, levando à solução geral (feixe de retas):
y = cx + c3
d2 y dy
2
− =0
dx dx
Solução: Como y e x não aparecem explicitamente, fazemos p = dy
dx
:
dp
−p=0
dx
Esta equação separável tem solução:
p(x) = C1 ex
Integrando novamente:
y(x) = C1 ex + C2
d2 y
+y =0
dx2
Solução: Como x não aparece explicitamente, fazemos p = dy
dx
e:
d2 y dp dp dy dp
= = = p
dx2 dx dy dx dy
Substituindo na equação original:
dp
p + y = 0 ⇒ p dp = −y dy
dy
Integrando:
p2 y2 p
= − + C1 ⇒ p = ± C1 − y 2
2 2
Separando variáveis e integrando:
Z Z
dy y
p = ± dx ⇒ arcsin √ = ±x + C2
C1 − y 2 C1
∂φ ∂φ
= M (x, y) e = N (x, y)
∂x ∂y
Neste caso, a solução geral é dada implicitamente por:
φ(x, y) = C
Teorema 3.2 (Condição de Euler). Sejam M (x, y) e N (x, y) funções com derivadas
parciais contínuas em um retângulo R. A equação é exata se e somente se:
∂M ∂N
=
∂y ∂x
Exemplo 3.18. Resolva o problema de valor inicial:
π
[2x sin y + ex cos y]dx + [x2 cos y − ex sin y]dy = 0, y(0) =
4
Solução: Verificamos a condição de Euler:
∂M ∂N
= 2x cos y − ex sin y =
∂y ∂x
Portanto, a equação é exata. Encontramos φ(x, y) integrando:
Z
φ(x, y) = M (x, y)dx = x2 sin y + ex cos y + h(y)
(x − y)dx + (y 2 − x)dy = 0
Definição 3.19 (Fator Integrante). Quando uma equação M (x, y)dx+N (x, y)dy = 0
não é exata, pode existir uma função I(x, y) tal que:
(xy + x2 + 1)dx + x2 dy = 0
Verificamos que ∂M
∂y
= x 6= 2x = ∂N
∂x
. Um fator integrante é I(x, y) = 1
x
(verifique).
Observação 3.2. Não existe método geral para encontrar fatores integrantes, mas
em casos especiais podemos determinar:
∂M
− ∂N
• Se depende apenas de x, então I(x) = e
R
∂y ∂x f (x)dx
N
∂N
− ∂M
• Se depende apenas de y, então I(y) = e
R
∂x ∂y g(y)dy
M
y2 x2
y dy = x dx ⇒ = + C ⇒ y 2 − x2 = 2C
2 2
x2 y 2
+ 2 = c2
a2 b
Solução:
2x 2y dy dy b2 x
+ = 0 ⇒ = −
a2 b2 dx dx a2 y
dy a2 y
= 2
dx bx
dy a2 dx a2
= 2 ⇒ ln |y| = 2 ln |x| + C
y b x b
2 /b2
y = kxa
Quando a = b (circunferências), as trajetórias ortogonais são as retas y = kx
passando pela origem.
Observação 3.3. Em coordenadas polares (r, θ), o método para encontrar trajetó-
rias ortogonais consiste em:
dr dθ
= −r2
dθ dr
onde a primeira derivada corresponde à curva original e a segunda às suas ortogo-
nais.
REFERÊNCIAS