ANOTAÇÕES DO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
MÓDULO V – PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI
PROF. DR. HAMILTON DA CUNHA IRIBURE JÚNIOR
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MÓDULO V
PROCEDIMENTO DO
TRIBUNAL DO JÚRI NO BRASIL
PARTE 01
BASE CONCEITUAL E NORMATIVA
1. BASE NORMATIVA DO TRIBUNAL DO JÚRI
1. BASE NORMATIVA DO TRIBUNAL DO JÚRI
1.1 Decreto-lei n. 3.689, de 03 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal. O procedimento
do júri ficou regulamentado ao longo dos artigos 406 a 497 do Capítulo II do Título I dessa
codificação.
1.2 Constituição da República Federativa do Brasil, em 05 de outubro de 1988 – no corpo do
artigo 5.º da Constituição de 1988, o texto constitucional enceta o rol denominado de
Direitos e deveres individuais e coletivos , reconhecendo o júri nesse contexto (artigo 5.º,
inciso XXXVIII, alíneas a a d, da Constituição da República de 1988).
1.3 Lei n. 11.689, de 08 de julho de 2008 – provocou a reforma no procedimento do Tribunal do
Júri no Brasil, revogando e substituindo a matéria exposta no Capítulo II do Título I do
Código de Processo Penal brasileiro, reescrevendo os artigos 406 a 497 desta codificação.
2. NATUREZA JURÍDICA DO JÚRI
2. NATUREZA JURÍDICA DO JÚRI
2.1 Direito fundamental.
2.2 Garantia fundamental.
2.3 Órgão do Poder Judiciário.
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3. PRINCÍPIOS (FUNDAMENTOS) CONSTITUCIONAIS DO JÚRI
3.1 Incidência – redação do inciso XXXVIII do artigo 5.º da Constituição da República de 1988.
3.2 Plenitude de defesa (alínea a do inciso XXXVIII do artigo 5.º da CR/88).
3.3 Sigilo das votações (alínea b do inciso XXXVIII do artigo 5.º da CR/88).
3.3.1 Publicidade das votações (inciso IX do artigo 93 da CR/88).
3.4 Soberania dos veredictos (alínea c do inciso XXXVIII do artigo 5.º da CR/88).
3.5 Competência do júri (alínea d do inciso XXXVIII do artigo 5.º da CR/88) – competência
mínima e qualificada.
4. PROCEDIMENTO BIFÁSICO (ESCALONADO)
4.1 Primeira fase (instrução preliminar – arts. 406 a 419/CPP) – juízo de acusação (iudicium
accusationis) – análise da viabilidade da acusação (controle judicial).
4.2 Segunda fase – juízo da causa (iudicium causae) – análise do fato e da culpabilidade do réu
(Conselho de Sentença – Corpo de Jurados).
PARTE 02
INSTRUÇÃO PRELIMINAR
(primeira fase do rito do júri)
5. ATOS PROCEDIMENTAIS DA INSTRUÇÃO PRELIMINAR NO TRIBUNAL DO JÚRI
5.1 Atos aplicáveis do Rito Ordinário – artigos 395 a 411/CPP.
5.2 Conclusão da instrução preliminar – em até 90 (noventa) dias (art. 412/CPP).
5.3 Decisão do magistrado (§ 9.º do artigo 411/CPP) – encerrados os debates, se estiver em
condições para tanto, deve o juiz de pronto proferir a decisão ou, caso contrário, ordenar
que os autos lhe sejam conclusos para decidir em 10 (dez) dias.
5.4 Espécies de decisão judicial de final de instrução preliminar – (a) pronúncia do acusado; (b)
impronúncia do acusado; (c) absolvição sumária do acusado; e (d) desclassificação da
infração penal para outra que não seja da competência originária do júri (que não seja
infração penal dolosa contra a vida).
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6. DECISÕES JUDICIAIS DE ENCERRAMENTO DA INSTRUÇÃO PRELIMINAR NO JÚRI
6.1 Pronúncia (art. 413/CPP) - decisão interlocutória mista, não terminativa e declaratória.
6.1.1 Pressupostos legais para a pronúncia (§1º., do art. 413/CPP) – (a) o convencimento do
juiz acerca das provas da materialidade do fato e (b) da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação do acusado nos fatos sustentados na peça
acusatória.
6.1.2 Efeitos da decisão de pronúncia – (i) encaminhamento do pronunciado ao julgamento
pelo Tribunal do Júri e (ii) interrupção do curso do prazo prescricional (art. 117, II/CP).
6.1.3 Prisão na pronúncia (§ 3.º do art. 413/CPP) – somente se incidentes os requisitos que
autorizam a prisão preventiva (art. 312/CPP).
6.1.4 Inclusão de outros réus na pronúncia (art. 417/CPP).
6.1.5 Intimação da pronúncia (art. 420/CPP).
6.1.6 Preclusão da pronúncia (art. 421/CPP).
6.2 Impronúncia (art. 414/CPP) – decisão interlocutória simples de conteúdo terminativo,
declaratório, cujo efeito prático é o de terminar a fase da formação da culpa sem que haja
um juízo de mérito.
6.2.1 Pressupostos legais para a impronúncia – a dúvida sobre a materialidade do fato ou a
dúvida (resultante da insuficiência de indícios) sobre a autoria ou a participação.
6.2.2 Coisa julgada formal – pode ser inaugurada nova relação processual envolvendo o
acusado quando do surgimento de prova nova.
6.2.3 Decisão fundamentada.
6.2.4 Despronúncia – desconstituição da pronúncia anteriormente decretada.
6.3 Absolvição sumária (art. 415/CPP) – (absolvição in limine ou absolutio ab causa) é uma decisão
de mérito sobre todos os fatores constitutivos do crime e definitiva, que põe termo à relação
processual, julgando improcedente a acusação ou queixa formulada contra o acusado no
juízo penal, encerrando a formação da culpa.
6.3.1 Provas inequívocas para a absolvição sumária – é preciso que a prova se mostre estreme
de dúvidas.
6.3.2 Coisa julgada material e formal.
6.4 Desclassificação do crime (art. 419/CPP) – decisão interlocutória simples (decide-se questões
emergentes relativas à regularidade ou marcha processual) que tem o condão de modificar
a competência do juízo. Não analisa o mérito da causa e encerra o rito do Tribunal do Júri.
6.4.1 Providências no novo juízo competente – novo enquadramento jurídico e vistas ao MP
para a oferta de nova inicial acusatória.
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PARTE 03
ATOS PREPARATÓRIOS PARA JULGAMENTO
(artigos 422 a 431/CPP)
7. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES
7.1 Recebimento dos autos pelo juiz presidente do Tribunal do Júri.
7.2 Intimação do Ministério Público (ou do querelante) e da defesa.
7.3 Relatório sucinto (com os principais atos da primeira fase do rito), por escrito, a ser entregue
aos jurados (para o dia do julgamento em Plenário da Causa).
8. ORGANIZAÇÃO DA PAUTA (ARTS. 429 E 430/CPP)
8.1 Ordem de preferência dos julgamentos (incisos I a III do art. 429/CPP):
a-) os réus presos (inc. I do art. 429/CPP);
b-) os réus que estiverem presos há mais tempo (inc. II do art. 429/CPP) e
c-) em iguais condições, os réus pronunciados precedentemente (inc. III do art. 429/CPP).
9. PROCEDIMENTOS FINAIS (ART. 431/CPP)
9.1 Intimação (art. 431/CPP) das partes e, se possível, o ofendido; das testemunhas e dos peritos,
quando houver requerimento para tanto.
PARTE 04
ATOS DO JULGAMENTO EM PLENÁRIO DO JÚRI
(Juízo da Causa)
10. SOLENIDADES INICIAIS
10.1 Apregoamento e verificação da presença das partes e dos jurados (chamada nominal dos
jurados e análise da isenção e dispensa dos jurados) – recolhimento na urna das cédulas
contendo o nome de cada um dos 25 jurados.
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Nota: a instalação da sessão é possível com a presença de, no mínimo, 15 (quinze)
jurados (art. 463/CPP).
10.2 O juiz deve analisar o pedido de adiamento do julgamento quando formulado por qualquer
um dos interessados (deliberações consignadas em ata – art. 454/CPP).
11. SORTEIO DOS JURADOS PARA A FORMAÇÃO DO
CONSELHO DE SENTENÇA (ARTS. 447 A 467/CPP)
11.1 Recusas imotivadas ou peremptórias (art. 468/CPP) – cada parte pode recusar até 3 (três)
jurados.
Nota: o juiz deve alertar os jurados acerca do dever de incomunicabilidade (assim que
forem sorteados não mais se expressarão sobre a matéria contida no processo – §
1.º do art. 466/CPP).
Nota: o juramento é ato solene que deve ser obtido com a fórmula constante no caput
do art. 472/CPP.
Nota: após o juramento o jurado recebe cópia da pronúncia (ou das decisões anteriores
que julgam admissível a acusação) e do relatório do processo (par. único do art.
472/CPP).
Nota: separação do julgamento (§2º., do art. 469/CPP) – em primeiro lugar será julgado
o réu a quem foi atribuída a autoria do fato.
12. INSTRUÇÃO EM PLENÁRIO DO JÚRI (ARTS. 473 A 475/CPP)
12.1 Inquirição do ofendido (arts. 201 e 473/CPP).
12.2 Oitiva das testemunhas arroladas pelas partes.
12.3 Acareações (arts. 229 e 230/CPP).
12.4 Reconhecimento de pessoas e coisas (arts. 226 a 228/CPP).
12.5 Prova pericial (§3º., do art. 473/CPP).
12.6 Leitura de peças (§3º., do art. 473/CPP).
12.7 Interrogatório do réu (art. 474/CPP).
12.8 Registro das oitivas/depoimentos em Plenário do Júri (art. 475/CPP).
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13. DOS DEBATES (ARTS. 476 A 481/CPP) E ATOS FINAIS DE PLENÁRIO
13.1 Atuação da Acusação (MP, assistente de acusação ou advogado do querelante) – sustentar a
imputação que deve limitar-se nos termos da pronúncia ou das decisões ulteriores que a
admitiram (art. 476/CPP).
13.2 Atuação da Defesa (advogado ou defensor do réu) – garantir a plena defesa do acusado (§3º.,
do art. 476/CPP).
13.3 Tempo destinado à participação das partes nos debates (art. 477/CPP) – são as seguintes
regras:
a-)Acusação – 1,5 hora (uma hora e meia), se houver somente um réu, ou,
2,5 horas (duas horas e meia), se houver mais de um réu (§2º., do art. 477/CPP);
b-)Defesa – 1,5 hora (uma hora e meia), se houver somente um réu, ou,
2,5 horas (duas horas e meia), se houver mais de um réu (§2º., do art. 477/CPP).
13.4 Tempo destinado à participação das partes na réplica (art. 477/CPP) – são as seguintes regras:
a-)Acusação – 1 hora (uma hora), se houver somente um réu, ou,
2 horas (duas horas), se houver mais de um réu (§ 2.º do art. 477/CPP);
b-)Defesa – 1 hora (uma hora), se houver somente um réu, ou,
2 horas (duas horas), se houver mais de um réu (§ 2.º do art. 477/CPP).
13.5 Assistente de acusação (§1º., do art. 476/CPP) – fala depois do MP.
13.6 Vedação às partes durante os debates (art. 478/CPP).
13.7 Juntada de documentos aos autos (art. 479/CPP) – com antecedência mínima de 3 (três) dias
úteis para ciência da parte contrária.
13.8 Pedido de esclarecimento das partes e dos jurados (caput do art. 480/CPP).
13.9 Direito ao aparte (inciso XII do art. 497/CPP).
13.10 Encerramento do debate (§1º., do art. 480/CPP) – o juiz indaga dos jurados se desejam
informações complementares, esclarecimentos ou se estão aptos a votar.
13.11 No caso de dúvida intransponível (art. 481/CPP).
13.12 Exposição e explicação dos quesitos (art. 484/CPP).
13.13 Anúncio do julgamento na sala especial ou, na falta desta, que os presentes se ausentem do
recinto (§1º., do art. 485/CPP).
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14. DO QUESTIONÁRIO E QUESITOS PARA VOTAÇÃO
NA SALA ESPECIAL (ARTS. 482 A 491/CPP)
14. DO QUESTIONÁRIO E QUESITOS PARA VOTAÇÃO NA SALA ESPECIAL (ARTS. 482 A
491/CPP)
14.1 Questionário – peça elaborada pelo juiz presidente, contendo os quesitos, correspondentes
às questões de fato e de direito expostas pelas partes em plenário, além de dizer respeito
ao conteúdo da pronúncia, destinados aos jurados para a realização do julgamento em
sala especial.
14.2 Quesito – indagação objetiva, espelhando uma questão de fato, embora possa conter aspecto
jurídico, destinada aos jurados, durante a votação, para atingir o veredicto, a ser
respondida de modo sintético, na forma afirmativa ou negativa (par. único do art.
482/CPP). Os quesitos são formulados para atender a seguinte ordem:
1º-) fato principal (inciso I do art. 483/CPP);
2º-) autoria ou participação do réu (inciso II do art. 483/CPP);
3º-) absolvição do réu (inciso III do art. 483/CPP);
4º-) causas de diminuição de pena alegada pela defesa (inciso IV do art. 483/CPP) e
5º-) circunstância qualificadora ou causa de aumento de pena reconhecida na pronúncia
(inciso V do art. 483/CPP).
14.3 Julgamento envolvendo mais de um réu (§6º., do art. 483/CPP).
14.4 Julgamento envolvendo mais de um crime (§6º., do art. 483/CPP).
15. DA SENTENÇA PENAL (ARTS. 492 E 493/CPP) E
DA ATA DOS TRABALHOS (ARTS. 494 A 496/CPP)
15.1 Sentença de absolvição (art. 386/CPP – própria ou imprópria) ou de condenação (art.
387/CPP).
15.2 Ata dos trabalhos – síntese completa dos principais atos de julgamento perante ao Conselho
de Sentença do júri.
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