os Instruem. 11.2.4. Casos Especiais de Importação e de Exportação Previstos na Legislação.
11.3. Espécies de Declaração de Importação e de Declaração de Exportação. 11.4. Declaração
de Importação. 11.5. Conferência e Desembaraço na Importação e na Exportação. 11.6.
Cancelamento da Declaração de Importação e da Declaração de Exportação. 11.7. Lançamento
dos Impostos Incidentes sobre a Importação.
12. Regimes Aduaneiros Especiais e Regimes Aduaneiros aplicados em Áreas Especiais. 12.1.
Disposições Gerais e Específicas de cada Regime e de cada Área.
13. Bagagem e Regime Aduaneiro de Bagagem no MERCOSUL.
14. Mercadoria Abandonada.
15. Avaria; Extravio e Acréscimo de Mercadorias. 15.1. Responsabilidade Fiscal pelo Extravio.
16. Termo de Responsabilidade.
17. Infrações e Penalidades previstas na Legislação Aduaneira.
18. Pena de Perdimento. 18.1. Natureza Jurídica. 18.2. Hipóteses de Aplicação. 18.3. Limites.
18.4. Processo/Procedimento de Perdimento. 18.5. Processo de Aplicação de Penalidades pelo
Transporte Rodoviário de Mercadoria Sujeita a Pena de Perdimento.
19. Aplicação de Multas na Importação e na Exportação.
20. Intervenientes nas Operações de Comércio Exterior.
21. Sanções Administrativas a que estão sujeitos os Intervenientes nas Operações de
Comércio Exterior e o Processo de sua Aplicação.
22. Representação Fiscal para Fins Penais.
23. Procedimentos Especiais de Controle Aduaneiro.
24. Destinação de Mercadorias.
25. Subfaturamento e Retenção de Mercadorias.
26. Valoração Aduaneira.
27. Legislação Aduaneira aplicável ao MERCOSUL.
28. Internalização da Legislação Aduaneira Aplicável ao MERCOSUL.
29. Disposições Constitucionais Relativas à Administração e Controle sobre Comércio Exterior.
30. Contrabando, Descaminho e Princípio da Insignificância.
31. SISCOSERV e SISCOMEX.
32. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
[Link]
Apresentação
A presente apostila aborda, de forma atualizada até o mês de fevereiro de 2015, todo o
conteúdo da disciplina de Legislação Aduaneira do concurso para Auditor-Fiscal da Receita
Federal do Brasil – AFRFB, constante no Edital ESAF nº 18, de 7 de março de 2014, e procura
explicar de forma clara e objetiva cada um dos conceitos exigidos no programa.
Mesmo que se trate de um curso voltado para o concurso de Analista-Tributário da Refeita
Federal do Brasil – ATRFB, optou-se por trabalhar em cima do edital para AFRFB do ano de
2014 por ele estar mais atualizado em termos de conteúdo do que o edital para ATRFB do ano
de 2012. E também em função da quase igualdade do conteúdo da disciplina de legislação
aduaneira observada nos editais de 2012 para AFRFB e ATRFB.
É importante destacar que a estrutura do edital reproduz, em grande parte, os tópicos
constantes no chamado Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009),
que, em seus mais de 800 artigos, além de seu papel regulamentador, tem a pretensão de
reunir, em um único instrumento normativo, toda a legislação aduaneira, indicando suas bases
legais.
Não é objetivo desta apostila reproduzir cada um desses artigos, mas o seu conhecimento é um
diferencial para aqueles que almejam alcançar o sucesso no certame. Dessa forma, recomenda-
se o uso do Decreto nº 6.759, de 2009, que pode ser obtido de forma atualizada no endereço
da internet [Link]
como complemento da matéria exposta nesta apostila.
Para facilitar o estudo, a apostila traz junto a cada conceito exposto os artigos do Regulamento
Aduaneiro relacionados.
Porém, antes de adentrar nos tópicos do edital propriamente ditos, com o objetivo de facilitar o
entendimento da matéria a ser estudada e de situar o estudante dentro do contexto aduaneiro,
a apostila apresenta, de forma bastante resumida, as etapas envolvidas em uma operação de
comércio exterior, mais especificamente em uma operação de importação, bem como um fluxo
de uma operação normal de importação e um fluxo de uma operação normal de exportação,
ambas registradas no Siscomex.
BOM ESTUDO!
[Link]
Legislação Aduaneira
Etapas de uma operação de importação
Não é novidade que os impostos sobre as importações e sobre as exportações possuem caráter
extrafiscal, e não caráter arrecadatório, razão pela qual estão excepcionados de atender aos
princípios constitucionais da Anterioridade e da Legalidade.
Essa extrafiscalidade dos tributos aduaneiros está alinhada com o papel que o sistema
aduaneiro deve desempenhar, qual seja, o de proteção da sociedade como um todo.
O exercício dessa proteção se dá por meio de controles sobre as operações de comércio exterior,
que podem ser divididos, grosso modo, em controles administrativos, controles aduaneiros e
controles cambiais, cabendo cada um deles a um órgão diferente.
O controle administrativo, exercido por diferentes órgãos anuentes, pode ser resumido no
controle do que pode ou não entrar no País.
O controle aduaneiro, por sua vez, prevê a verificação dos documentos e da mercadoria, bem
como a verificação do cumprimento das obrigações, principais e acessórias, por parte do
importador.
O controle cambial, como pode ser inferido, se propõe a regular a entrada e a saída de moeda
relacionada com a mercadoria importada.
Para melhor compreender esses controles, principalmente os administrativos e aduaneiros, é
importante ter presente as várias etapas que compõem uma operação comercial tradicional
de importação. Em cada uma dessas etapas devem ser observados conceitos e regras
internacionais, a maioria com origem em convenções, acordos e tratados, que visam disciplinar
e uniformizar o comércio exterior.
Apresentamos a seguir as principais etapas envolvidas em uma operação de importação.
1ª etapa: Negociação Comercial
• Etapa inicial onde interagem os comerciantes, compradores (importadores) e vendedores
(exportadores), em uma compra e venda internacional.
• É comum a intermediação de agentes de venda e de compra.
• Há o acerto das condições do negócio:
• Mercadorias a serem compradas;
• Condições e prazo de entrega;
• Preço e condições de pagamento;
• Forma de transporte internacional;
[Link] 1565
• Garantias e responsabilidades das partes.
• Documento: Fatura pró-forma.
• Os comerciantes devem possuir conhecimento acerca das regras, tanto do país de
exportação como do país de importação, a fim de avaliar e calcular corretamente os custos
da operação.
2ª etapa: Controle Administraivo
• O importador brasileiro, depois de acertadas as condições negociais, deverá verificar se a
sua importação está ou não sujeita a algum controle administrativo, prévio ao embarque
das mercadorias no exterior ou ao registro da Declaração de Importação – DI.
• Documento: Licenciamento de Importação – LI.
• A solicitação do LI é feita no SISCOMEX.
• Os pedidos de LI são analisados pelos órgãos anuentes.
• O deferimento do LI significa autorização para importar.
• Órgãos anuentes: SECEX, Agricultura, Saúde, Anvisa, Polícia Federal, Ibama, etc.
• Modalidades:
• Dispensa de LI (regra geral) – Não há nenhum procedimento prévio;
• LI automático – Precisa ser solicitado e deferido antes do registro da DI. Prazo de 10
dias úteis;
• LI não automático – Precisa ser solicitado e deferido antes do embarque da mercadoria
no exterior. Prazo de 60 dias corridos.
• Quem controla e gerencia esta etapa é a SECEX.
• Portaria SECEX nº 23/2011 – Dispõe sobre operações de comércio Exterior
3ª etapa: Transporte
• Estando dispensado de LI ou tendo sido deferido o LI, a mercadoria poderá ser embarcada
no exterior.
• O comprador ou o vendedor, dependendo das condições negociadas, deverá contratar o
transporte internacional e o seguro, se for o caso.
• Documentos: conhecimento de carga e manifesto de carga.
• Conhecimento de carga:
• Documento relativo à carga;
• Emitido pelo transportador;
• Contrato de frete (relação de serviço);
• Entregue ao vendedor (embarcador) que o remete ao comprador;
• Constitui prova de posse ou de propriedade.
1566 [Link]
Receita Federal (Analista) – Legislação Aduaneira – Prof. Arnaldo Diefenthaeler Dornelles
• Pode haver a intermediação de agentes de carga que atuam como consolidadores e
desconsolidadores de cargas.
• Manifesto de carga:
• Documento do veículo;
• Emitido pelo responsável pelo veículo;
• Discrimina todos os conhecimentos recebidos em uma praça cujo destino seja o mesmo
local no país de importação.
4ª etapa: Controle Aduaneiro
• Entrada de mercadoria estrangeira em território nacional deve ocorrer por Zona Primária.
• Documento: Declaração de Importação – DI.
• O importador registra a declaração de importação – DI, salvo exceções, após a chegada da
mercadoria.
• A importação é caracterizada pelo embarque. Portanto, cada conhecimento corresponderá
a uma DI, salvo exceções.
• Início do despacho aduaneiro:
• Registro da DI no SISCOMEX
• Inicia procedimento fiscal (exclui a espontaneidade)
• Débito automático dos tributos
• Transmissão eletrônica dos documentos
• Seleção parametrizada
• Canal verde
• Canal amarelo
• Canal vermelho
• Canal cinza
• Anexação dos documentos de instrução
• Extrato da DI
• Conhecimento de transporte
• Fatura comercial
• Romaneio de carga
• Outros
• Conferência Aduaneira
• Desembaraço – fim da conferência aduaneira
• Entrega autorizada
• Depositário procede à entrega da mercadoria
[Link] 1567
5ª etapa: Controle Cambial
• O controle cambial é exercido pelo Banco Central e consiste na negociação de moedas
estrangeiras recebidas pelos exportadores ou adquiridas por importadores para pagamento
de suas operações.
• Documento: Contrato de câmbio.
• O controle cambial pode se dar a qualquer momento, antes da celebração do negócio,
durante o fluxo ou posteriormente ao desembaraço das mercadorias.
• O comprador internacional deverá adquirir moedas estrangeiras em um banco autorizado
para pagar suas compras. Para tanto, ele celebra um contrato de câmbio com o banco.
• Este contrato estabelece as condições de entrega, se pronta ou futura, a conta do
beneficiário a ser creditada no exterior, a taxa, etc.
Fluxo de uma operação de importação no Siscomex
Licenciamento de Importação Importador / Órgãos Anuentes
↓
Controle Informatizado de Carga – Siscomex Carga/ Mantra Transportador / OP / Depositário
↓
Disponibilidade de Carga Depositário
↓
Registro
Registro
de Exportação
da DI (RE) Importador
↓
Parametrização Sistema
↓ ↓↓ ↓↓ ↓↓
Verde Amarelo Vermelho Cinza
↓ ↓ ↓
Anexação de Documentos Importador
↓
Distribuição Supervisor / Sistema
Análise
Fiscal
↓
Conferência Aduaneira AFRFB / Sistema
↓ ↓
Desembaraço Aduaneiro AFRFB / Sistema
↓ ↓
Entrega de Mercadoria Depositário
1568 [Link]
Receita Federal (Analista) – Legislação Aduaneira – Prof. Arnaldo Diefenthaeler Dornelles
Fluxo de uma operação de exportação no Siscomex
Registro de Exportação (RE) Exportador / Órgãos Anuentes
↓
Declaração de Exportação Exportador
↓
Confirmação da Presença de Carga Depositário / Exportador
↓
Registro
Envio de
da Declaração
Exportação (RE) Exportador
↓
Parametrização Sistema
↓ ↓ ↓
Verde Laranja Vermelho
↓ ↓
Recepção / Distribuição AFRFB-ATRFB / Supervisor
↓
Conferência Aduaneira AFRFB
↓
Desembaraço Aduaneiro AFRFB / Sistema
↓
Trânsito Aduaneiro Exportador / AFRFB
↓
Embarque ou Transposição de Fronteira Transportador
↓
Aberbação de Embarque Fiscalização Aduaneira
1. Jurisdição Aduaneira
(Decreto nº 6759, de 2009, arts. 2º a 25)
Jurisdição aduaneira é o poder-dever de que dispõe a Aduana para exercer o controle
aduaneiro, nos termos da legislação vigente, sobre as mercadorias objeto de comércio
internacional (importação/exportação). Em outras palavras, é o poder-dever para aplicar a
legislação aduaneira.
Mas onde a Aduana pode exercer essa jurisdição (ou, se preferir, aplicar a legislação aduaneira)?
Ora, em todo o território aduaneiro, que compreende todo o território nacional.
[Link] 1569
Existe algum outro lugar, fora do território aduaneiro (portanto, fora do território nacional), em
que a Aduana possa aplicar a legislação aduaneira? Sim. A jurisdição dos serviços aduaneiros
estende-se ainda às Áreas de Controle Integrado – ACI criadas em regiões limítrofes dos países
integrantes do Mercosul com o Brasil.
O que são Áreas de Controle Integrado? As Áreas de Controle Integrado surgiram no âmbito
do acordo do Mercosul para agilizar os trâmites envolvidos em uma operação de comércio
exterior. Imagine uma importação vinda da Argentina para o Brasil por via terrestre (caminhão).
Logo antes de sair da Argentina o caminhão deve se submeter a todos os controles aduaneiros
de exportação daquele país para, logo em seguida que cruzar a fronteira, se submeter a
todos os controles de importação do Brasil. Para evitar essa dupla parada, que exige tempo e,
portanto, gera custos, os parceiros do Mercosul acordaram em efetuar o controle aduaneiro
de exportação de um país e o controle aduaneiro de importação do outro país em um mesmo
local físico. Essas são as chamadas Áreas de Controle Integrado, que, dependendo do acordado,
podem estar localizadas no Brasil ou em um país parceiro do Mercosul. Quando a ACI se
encontra localizada no Brasil, o país parceiro do Mercosul que faz o controle aduaneiro no
local tem o poder de ali exercer a sua legislação aduaneira. Esse local é também conhecido
como exclave aduaneiro. Por outro lado, quando a ACI se encontra localizada no país vizinho, a
Aduana brasileira tem o poder-dever de exercer naquele espaço a jurisdição aduaneira. Para o
Brasil, esse local é visto como um enclave aduaneiro.
1.1 Território Aduaneiro
(Decreto nº 6759, de 2009, arts. 2º a 4º)
Já vimos que o território aduaneiro compreende todo o território nacional. Mas por que dar
um nome diferente (território aduaneiro) se é a mesma coisa (que território nacional)? Porque
o legislador tinha a intenção de separar esse território aduaneiro em duas partes distintas: a
zona primária e a zona secundária.
A zona primária é constituída pelas seguintes áreas demarcadas pela autoridade aduaneira
local: a área terrestre ou aquática, contínua ou descontínua, nos portos alfandegados; a área
terrestre, nos aeroportos alfandegados; e a área terrestre, que compreende os pontos de
fronteira alfandegados.
A zona secundária, por exclusão, compreende o restante do território aduaneiro (inclusive as
águas territoriais e o espaço aéreo).
Mas por que houve a separação do território aduaneiro em zona primária e zona secundária?
Por que o legislador quis estabelecer por onde os veículos, as pessoas e as mercadorias
procedentes do exterior ou a ele destinadas poderiam entrar ou sair do País. E fez isso dizendo
que somente pela zona primária (portos, aeroportos ou pontos de fronteira alfandegados) isso
pode ocorrer.
E há alguma exceção a essa regra? Sim, o parágrafo único do art. 8º do Regulamento Aduaneiro
– RA trata dos casos em que isso não se aplica, citando especificamente as mercadorias
conduzidas por linhas de transmissão ou por dutos, como a energia elétrica e o gás. Por óbvio
que não haveria como, e nem faria sentido, fazer com que essas mercadorias adentrassem o
País, ou dele saíssem, por uma zona primária.
1570 [Link]
Receita Federal (Analista) – Legislação Aduaneira – Prof. Arnaldo Diefenthaeler Dornelles
Além disso, o art. 26 do RA, ao tratar do controle aduaneiro exercido sobre os veículos
procedentes do exterior ou a ele destinados, disciplina que o titular da unidade aduaneira
jurisdicionante poderá autorizar a entrada ou a saída de veículos por porto, aeroporto ou
ponto de fronteira não alfandegado, em casos justificados, e sem prejuízo do referido controle
aduaneiro. Essa previsão legal permite, por exemplo, que um avião vindo do exterior, em pane,
pouse em um aeroporto não alfandegado (zona secundária, portanto).
A menção de que um aeroporto não alfandegado faz parte da zona secundária vale uma
reflexão. Se buscarmos o conceito de zona primária, veremos que ele contempla todos os tipos
de locais em que um veículo vindo do exterior ou para lá indo pode passar, independentemente
do meio de transporte utilizada. Para o caminhão, trem e automóvel, por exemplo, temos
os pontos de fronteira alfandegados. Para o avião temos os aeroportos alfandegados. E para
as embarcações temos os portos alfandegados. Mas a referência que eu queria fazer é que,
para ser considerado como zona primária, o aeroporto, o porto e o ponto de fronteira deve,
necessariamente, ser alfandegado.
Mas o que significa ser alfandegado? Significa que a Receita Federal assim declarou o local
e que autorizou que ali sejam realizadas algumas operações aduaneiras (entrada no País e
saída dele de veículos, pessoas e mercadorias, para ficar no exemplo da zona primária). Isso
pressupõe que a Aduana estará ali exercendo um controle aduaneiro de forma mais efetiva e
constante (isso não significa, obrigatoriamente, que a fiscalização estará presente 24 horas por
dia, sete dias por semana).
Devido a todo o controle aduaneiro exercido em zona primária, a autoridade aduaneira poderá
exigir que ela, ou parte dela, seja protegida por obstáculos que impeçam o acesso indiscriminado
de veículos, pessoas ou animais, bem como poderá estabelecer restrições à entrada de pessoas
que ali não exerçam atividades profissionais, e a veículos não utilizados em serviço.
Por fim, a legislação aduaneira prevê ainda que Ministro de Estado da Fazenda poderá
demarcar, na orla marítima ou na faixa de fronteira, zonas de vigilância aduaneira. Não se trata
de uma terceira divisão do território aduaneiro. A zona de vigilância aduaneira faz parte da zona
secundária e é criada justamente para que se possa fazer algumas exigências fiscais e impor
algumas proibições e restrições para a permanência de mercadorias ou a sua circulação e a de
veículos, pessoas ou animais em uma área em que há um grande risco de que uma mercadoria
seja introduzida clandestinamente no País (orla marítima e faixa de fronteira). O objetivo ao se
estabelecer a Zona de Vigilância Aduaneira é propiciar um controle aduaneiro mais efetivo.
1.2 Portos, Aeroportos e Pontos de Fronteira Alfandegados
(Decreto nº 6759, de 2009, arts. 5º a 8º)
Já vimos que os portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados constituem a zona
primária. O Regulamento Aduaneiro utiliza ainda o termo locais alfandegados para fazer
referência a esses locais.
Vimos também que somente por esses locais poderá efetuar-se a entrada ou a saída de
mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (exceção das mercadorias conduzidas
por linhas de transmissão ou por dutos, ligados ao exterior).
[Link] 1571
O que não vimos ainda é o que exatamente pode ocorrer nesses locais. E quem estabelece isso
é a Receita Federal do Brasil, por meio de um Ato Declaratório Executivo. Esse ato, além de
declarar o local alfandegado, estabelece as operações aduaneiras a que o local está autorizado
a realizar sob controle aduaneiro, bem como os termos, limites e condições para sua execução.
Se autorizado, nesses locais podem, sob controle aduaneiro: estacionar ou transitar veículos
procedentes do exterior ou a ele destinados; ser efetuadas operações de carga, descarga,
armazenagem ou passagem de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas; e
embarcar, desembarcar ou transitar viajantes procedentes do exterior ou a ele destinados.
1.2.1 Alfandegamento
(Decreto nº 6759, de 2009, arts. 13 a 14)
O Edital do concurso de 2014 traz o “alfandegamento” como um subitem do tópico “portos
aeroportos e pontos de fronteira alfandegados”.
Mas será que só esses locais, a chamada zona primária, podem ser alfandegados? A resposta
é não. Veremos no tópico seguinte que a Receita Federal do Brasil pode também alfandegar
recintos a fim de permitir, sob controle aduaneiro, a movimentação, armazenagem e despacho
aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas.
Aqui cabe destacar o conceito de alfandegamento não muda pelo fato de estar sendo
alfandegado um local (porto, aeroporto ou ponto de fronteira) ou um recinto. Para ser
alfandegado, o local ou o recinto deve assim ser declarado pela Receita Federal do Brasil. E
a aduana estará presente para exercer o controle aduaneiro tanto nos portos, aeroportos e
pontos de fronteira alfandegados quanto nos recintos alfandegados. O que vai diferir entre
o alfandegamento de um porto, aeroporto ou ponto de fronteira para o alfandegamento de
um recinto são as operações aduaneiras autorizadas a serem realizadas nesses locais. E essas
operações estão relacionadas com as razões de existência desses locais e recintos. Enquanto que
os portos, aeroportos e pontos de fronteira são alfandegados para estabelecer as “portas” de
entrada no País, ou saída dele, de veículos, pessoas e mercadorias, os recintos são alfandegados
para garantir que as mercadorias que estão chegando ao País ou dele saindo permaneçam sob
controle aduaneiro até que tenham sua livre circulação na economia ou sua saída do território
nacional autorizada.
É interessante destacar que o alfandegamento de um porto ou de um aeroporto não
necessariamente alcança toda a sua área. O ato que declarar o seu alfandegamento poderá
fazê-lo em relação a toda a área por ele ocupada ou apenas em relação a parte dela.
Em relação às cidades fronteiriças, poderão ser alfandegados pontos de fronteira para o tráfego
local e exclusivo de veículos matriculados nessas cidades, podendo, inclusive, ser instituídos
cadastros de pessoas que eventualmente cruzam a fronteira. Isso equivale a instituir uma zona
primária para atender tão somente aos habitantes daqueles municípios específicos, de tal
forma que outras pessoas, residentes em outros municípios, não estão autorizadas a entrar no
País por esses pontos de fronteira, mesmo que alfandegados.
O art. 13, § 4º, do RA diz que poderão, ainda, ser alfandegados silos ou tanques, para
armazenamento de produtos a granel, localizados em áreas contíguas a porto organizado ou
1572 [Link]